segunda-feira, 20 de outubro de 2014

15 MINUTOS

NOTA 7,0

Longa aborda como a mídia
transforma tragédias em espetáculos
e bandidos em astros, mas em prol do
lado comercial não aprofunda temas
A imprensa a favor do espetáculo e o criminoso se transformando em artista. Esses temas são recorrentes na atualidade e já se tornaram familiares a nós brasileiros, mas o cinema prova que esse espetáculo do pão e circo não é uma exclusividade nossa, pelo contrário, há anos ele faz parte da cultura de diversos países, inclusive os EUA que produzem dezenas de programas e seriados enfocando violência e estudo de perfis de meliantes e assassinos para entreter seu público que assiste a tudo assiduamente, mas sem fazer grandes questionamentos. Por outro lado, a exploração da imagem de um bandido a ponto dele ser elevado a posição de celebridade ou ainda a maneira como os jornalistas assediam os envolvidos a favor da lei e da ordem, como os policiais e investigadores, causam repúdio em muita gente e isso deve ter levado o diretor e roteirista John Herzfeld a escolher o assunto para enfocar no thriller de ação 15 Minutos. Cheio de boas intenções, ele conseguiu construir um longa que prende a atenção com um roteiro repleto de inquietantes ideias, mas que não se aprofunda na discussão do tema principal, contudo, nada que atrapalhe o espetáculo, afinal o longa foi projetado para atender as grandes plateias e tem caráter estritamente comercial. Mesmo costurando vários clichês, o diretor conseguiu um bom resultado realizando cenas com altas doses de ação e violência, além de uma morte inesperada na metade do filme, uma ousadia que beneficia um roteiro que tinha tudo para ser mais do mesmo. A história começa com dois corpos encontrados em um edifício incendiado em Nova York e segundo Jordy Warsaw (Ed Burns), o jovem investigador do Corpo de Bombeiros, o fogo foi estratégico para camuflar um duplo assassinato. Destacado para o caso, Eddie Flemming (Robert De Niro), detetive especializado em homicídios, une-se ao jovem policial para juntos solucionarem o crime, porém, enquanto o veterano há tempos aprendeu a lidar com a forma interesseira que a mídia trata as tragédias, o novato detesta a presença de câmeras e microfones nas áreas dos crimes. Um tanto convencido, o tira veterano aproveita seu contato próximo com os jornalistas, principalmente com o sensacionalista Robert Hawlings (Kelsey Grammer), para estar sempre em destaque na mídia, mas a fama tem um preço e mais cedo ou mais tarde cobra essa dívida.

As investigações do incêndio levam a crer que ele foi provocado por Emil (Karel Rodes) e Oleg (Oleg Taktarov), um de origem tcheca e o outro russa (olha o preconceito, antes mesmo dos ataques de 11 setembro de 2001 os vilões necessariamente já eram estrangeiros), que chegam aos EUA a fim de receber uma grande quantia em dinheiro deixada com um amigo na última vez em que tinham se encontrado. Quando descobrem que ele gastou toda a grana, um deles o mata em um incêndio de fachada enquanto o outro filma tudo com uma câmera portátil, roubada, é claro. As cenas vão parar na TV e percebendo a repercussão do caso a dupla de criminosos passa a filmar suas ações e mandar as fitas para as emissoras, assim conquistando seus minutos de fama. Dessa forma, o desenrolar dos fatos ocorre conforme as decisões dos bandidos e os investigadores ficam praticamente reféns esperando alguma brecha de descuido para poderem atacá-los, mas a surpresa é que os vilões não veem a hora desse encontro acontecer. Desde que se tornaram sucesso, eles cultivam uma excêntrica ideia: fazer um filme real do assassinato que eles vão armar de uma importante personalidade, ninguém menos que o próprio Flemming que terá que rever sua relação com a mídia e para tanto será de grande importância o convívio com Warsaw dotado da energia e confiança de quem está começando uma carreira norteada por conceitos de respeito e compromisso com a verdade. O sonho de conquistar seus minutos de fama custe o que custar, mesmo que seja preciso recorrer a situações absurdas, aliada a ideia dos EUA como terra das oportunidades são os pontos principais do enredo de Herzfeld. O filme não chega a ser excepcional, mas é muito competente e consegue prender a atenção com uma trama bem amarrada e que discute um tema importante: o poder da mídia em transformar bandidos em celebridades. Muitos criminosos conseguem espaço em jornais impressos, na internet ou na TV cometendo atrocidades, mas acabam se beneficiando da exposição da imprensa. O grande lance é tripudiar em cima das deficiências da polícia e da justiça e mostrar que nem sempre a máxima que diz que o crime não compensa faz sentido. O assunto já rendeu outros longas como O Quarto Poder Assassinos por Natureza, produções superiores por tratarem a temática de forma mais enérgica. Talvez esse seja o motivo da crítica não ter dado muita importância a este filme que, à primeira vista, é só mais uma reciclagem da velha história do conflito entre o policial veterano e o novato, obviamente com temperamentos e personalidades distintas, que são obrigados a combater vilões ensandecidos.

Ao optar por incluir o poder da mídia na trama, Herzfeld felizmente fugiu da armadilha de apenas fazer mais um simples filme policial esquecível e de quebra colocou o dedo em um vespeiro. Com a desculpa de que estão fazendo apenas as suas obrigações, os membros da imprensa muitas vezes atuam de forma equivocada e podem mudar histórias tanto para o bem quanto para o mal. No Brasil é muito comum apresentadores de programas sensacionalistas meterem demais o bedelho durante as coberturas de trágicos episódios e não raramente os bandidos ganham status de celebridade. Pior ainda quando o criminoso em questão já é famoso. De qualquer forma, quando os casos atingem seu ápice de exploração não demora muito para que sejam colocados panos quentes, mesmo não tendo uma resolução definitiva, e em pouco tempo eles já estão absolvidos tanto pelo público quanto pela justiça. Ao menos é essa a impressão que fica quando simplesmente seus nomes somem dos noticiários. Chegamos ao ponto de investigadores, policiais, advogados e psicólogos especializados em mentes perturbadas largarem seus habituais lugares de trabalho para assumirem espaço cativo na TV para debaterem tais temas. Aliás, alguns fazem malabarismos e conseguem fazer o mesmo assunto render por mais de um ano, até porque a própria justiça caminha a passos de tartaruga para apresentar soluções. Boa parte do público, por sua vez, é um tanto sugestionável e aceita todas as informações que recebe sem questionamentos e a mídia deita e rola em cima da ignorância do povo. O grande pecado de 15 Minutos é justamente não se aprofundar na questão da influência da imprensa sensacionalista e seus desdobramentos, apesar do diretor pretender fazer um retrato realista de como as coisas acontecem. Infelizmente ele ficou no meio do caminho, mas nada que enfraqueça seu trabalho. Obviamente, do ponto de vista mais crítico, o longa pode ser considerado ruim ou regular, já que não traz nada de original tanto no enredo quanto tecnicamente. Porém, como cinema comercial, é uma excelente opção, bem acima da média, mas que não teve a devida atenção quando lançado. Culpa da crítica que malhou o filme injustamente analisando-o como se ele tivesse a obrigação de mudar o mundo. Vejam só, mais uma vez a imprensa dando seus pitacos e influenciando opiniões. No caso, influenciou de forma negativa para o produto. Assista e tire suas próprias conclusões.

Suspense - 120 min - 2001 -  Dê sua opinião abaixo.

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