domingo, 30 de agosto de 2015

CAÇADORES DE DRAGÕES

Nota 5,0 Animação tem visual e personagens interessantes, mas história difícil para crianças

A temática a respeito de dragões já rendeu diversos longas animados e de aventura para agradar crianças e adultos, mas ainda é uma fonte inesgotável de inspiração. Será mesmo? Bem, não é isso que demonstra o desenho Caçadores de Dragões, produção que reuniu os esforços de França, Luxemburgo e Alemanha para sua realização. Com direção de Guillaume Ivernel e Arthur Qwak, a trama fala sobre um reino mágico que está correndo perigo por causa de um dragão que está prestes a despertar e destruir tudo o que encontrar pela frente. Lord Arnold, um homem muito rico e dono de um imenso castelo, já enviara uma tropa de soldados para dar conta do monstro, mas eles jamais regressaram. Sua sobrinha Zoe, uma garotinha que adora contos de aventuras, decide ajudá-lo e sai a procura de heróis iguais aos das histórias que tanto a encantavam, contudo, se depara com personagens que não são bem o que esperava. O tagarela Gwizdo e o grandalhão e desengonçado Lian-Chu se autodenominam caçadores de feras, mas na realidade sempre fracassaram e agora fingem que são especialistas apenas para aplicar golpes e arrecadar dinheiro. Determinada a seguir com eles em sua aventura para salvar o reino em perigo, Zoe decide confiar que eles podem sim ser verdadeiros heróis e parte em uma viagem perigosa para um mundo desconhecido onde dragões enfurecidos podem despertar a qualquer momento. Tal história não foi uma criação exclusiva para o longa-metragem. O projeto nasceu a partir de uma série homônima animada franco-chinesa feita para a televisão co-escrita pelo próprio Qwak que por sua vez se inspirou nas tramas de quadrinhos. Os personagens criados são razoavelmente bem desenvolvidos tanto no aspecto psicológico quanto em suas formas, cada qual com suas características e aspectos físicos bem marcados, ainda que careçam de certa dose extra de carisma.

sábado, 29 de agosto de 2015

ROMULUS, MEU PAI

Nota 7,0 Cinebiografia de pensador enfoca sua infância que de tão triste soa como algo surreal

Se você gosta de deixar a emoção aflorar e não tem vergonha de cair no choro ou ao menos se permitir sentir um nó na garganta, Romulus, Meu Pai é um prato cheio. Baseado nas memórias do filósofo e escritor Raimond Gaita, o longa resgata sua difícil infância através das lembranças de sua conturbada vida em família. O ator-prodígio Kodi Smit-McPhee emociona com sua naturalidade, vivenciando cenas fortes e dramáticas, entretanto, como o título deixa claro, sempre evidenciando seu amor incondicional pelo pai, Romulus (Eric Bana), um pobre coitado que vive em um lugar isolado da Austrália e que vez ou outra recebe a visita de Christina (Franka Potente), a mãe do garoto. Ela abandonou a família para viver com Mitru (Russell Dykstra), que era ninguém menos que o melhor amigo de seu ex-marido. Todavia, Hora (Marton Csokas), irmão do pivô da separação do casal, está sempre por perto para ajudar esses dois vértices familiares da maneira que pode. Apesar da traição, essas pessoas tentam conviver pacificamente, passam relativamente bastante tempo juntos, mas as coisas complicam quando a ex engravida de seu novo companheiro. Para quem acha que até aqui o roteiro já é suficientemente trágico, saiba que essa é a parte boa da história. A chegada de uma criança faz com que Christina mude seu comportamento radicalmente e passe a sofrer de depressão. Mitru também se desilude com o casamento ao passo que Romulus começa a se interessar pela ideia de refazer sua vida ao lado de uma nova mulher. Enquanto isso, o pequeno Raimond precisa conviver com a rígida moral imposta por seu pai e com a negligência por parte de sua mãe, mas o destino ainda guarda surpresas desagradáveis para essa família nada convencional para os padrões da década de 1960. Como desgraça pouca é bobagem, não basta apenas a separação dos pais para o pequeno se preocupar. Uma overdose de acidentes e tragédias ocorrem durante a narrativa e impressiona como uma criança conseguiu vivenciar a tudo isso e ainda assim manter-se bem psicologicamente e ser o único alicerce em bom estado deste fatigado clã.

domingo, 23 de agosto de 2015

DEU A LOUCA EM HOLLYWOOD

Nota 1,0 Mais uma produção que investe nas sátiras de filmes e tão ruim quanto outras do tipo

Não tem jeito. Parece que estamos fadados de tempos em tempos a sermos amaldiçoados com aquelas comédias capengas que pretensiosamente querem tirar um sarro de sucessos do cinema de um determinado período. Lá na década de 1980, Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu! já estimulava tal tendência parodiando os filmes de catástrofes tão comuns na época. Na virada para o século 21, com o sucesso das fitas de seriais killers para adolescentes, Todo Mundo em Pânico fez sucesso, mas suas continuações perderam a essência e passaram a apostar em um caldeirão de referências desconexas. O que veio depois é um monte de porcarias que tentam tirar leite de pedra sem se preocupar minimamente com a inteligência do espectador, afinal de contas seu público-alvo são adolescentes descerebrados que adoram gargalhar vendo caretas, tropeços e escorregões e, principalmente, escatologia enquanto se entopem de refrigerante e pipoca. Será mesmo? O fraco desempenho nas bilheterias de Deu a Louca em Hollywood mostram que ao menos uma boa parcela dos jovens tem salvação, não deram bola para a fita e evitaram uma catastrófica continuação. Quanto a trama ela se sustenta sob o argumento de quatro órfãos que encontram um bilhete premiado em uma barra de chocolate e conquistam o direito de conhecer o interior de uma exótica fábrica de doces. Lucy (Jayma Mays) foi criada por um superintendente do Museu do Louvre onde se esconde um assassino albino. Edward (Kal Penn) é um refugiado da luta livre americana enquanto Peter (Adam Campbell) é um residente da comunidade de mutantes X que ainda está longe de mostrar o seu verdadeiro poder. Já Susan (Faune A.Chambers) foi vítima recentemente de um ataque de serpentes em um avião. O grupo se conhece momentos antes de visitarem a tal fábrica e é recepcionado pelo excêntrico Willy (Crispin Glover), o dono da empresa que passa a persegui-los de forma doentia. Tentando escapar eles acabam entrando em um guarda-roupa mágico e vão parar na terra de Gnarnia onde encontram seres fantásticos, mas também ficam na mira da feiticeira Rameira Branca (Jennifer Coolidge) que quer evitar que uma profecia se cumpra e ela perca o poder de governar.

sábado, 22 de agosto de 2015

O ÚLTIMO VOO

Nota 2,5 Misturando fatos reais e ficcionais, drama é tão seco quanto sua paisagem escaldante

O cinema estrangeiro (leia-se não norte-americano) e até mesmo o alternativo produzido em solo ianque longe dos grandes estúdios costumam ter fãs fiéis, mas tem muito gaiato por aí que enche a boca para falar que adora produções do tipo mesmo sem compreender suas mensagens. O que vale é a banca de achar que isso é coisa de gente fina ou intelectual. Bem, esse é um pensamento que teoricamente tem fundamentos, mas nem sempre um filme originado em um país ou nicho diferente é garantia de qualidade. Esse é o caso do drama áspero, literalmente, O Último Voo, que tem o chamariz de ser a primeira produção francesa protagonizada por Marion Cotillard após receber o Oscar de Melhor Atriz por Piaf - Um Hino ao Amor. Todos sabemos de sua entrega para o papel da famosa cantora francesa de belo canto, mas vida triste e morte precoce. Contudo, após participar de algumas produções em Hollywood, em seu projeto seguinte em seu país natal a moça está simplesmente apática. A trama se passa em 1933, quando Bill Lancaster, um aviador inglês que tentava bater um recorde de velocidade no trajeto de Londres à Cidade do Cabo, perde-se no deserto na região do Ténéré, no sul do Deserto do Saara. Sua amante Marie (Cotillard), também aviadora e aventureira, decide ir procurá-lo custe o que custar, mas ao sobrevoar o local a jovem é obrigada a aterrissar seu avião perto de uma companhia militar francesa. Ela é acolhida pelo capitão VIncent Brosseau (Guillaume Marquet), mas ele se recusa a ajudá-la nesta busca preocupado com as rebeliões dos tuaregs, a população do deserto que ele almeja vir a colonizar. Já o tenente Antoine Chauvet (Guillaume Canet) tenta fazê-la desistir da ideia de ir atrás do amante, mas sem sucesso acaba decidindo acompanhá-la nessa expedição confrontando as ordens de seu superior no exército com quem já não mantinha um relacionamento muito amistoso.

domingo, 16 de agosto de 2015

O GRANDE ANO

Nota 6,0 Moral desta comédia é universal, mas tema é enraizado demais na cultura americana

Entre os vários motivos que podem levar um filme a não ser lançado nos cinemas provavelmente estão a fraca bilheteria em seu país de origem ou a falta de identificação do tema principal com a cultura de outras regiões do mundo. Esses dois pontos devem ter sido levados em consideração no caso de O Grande Ano, uma comédia que até traz uma mensagem universal em sua conclusão, mas para chegarmos até ela temos que aturar uma narrativa pouco atrativa, arrastada e cuja temática é extremamente distante dos costumes brasileiros, quase uma utopia. Kenny (Owen Wilson) é o atual campeão de uma competição bastante excêntrica. Durante um ano inteiro os inscritos se propõe a observar o maior número possível de pássaros, principalmente de espécies raras. A pessoa que fica em primeiro lugar não ganha prêmio algum material, mas sai da disputa com o ego massageado, a satisfação pessoal é o grande trunfo do evento. O rapaz, mesmo sabendo que pode colocar seu casamento em risco priorizando seu hobby, não quer deixar que alguém o descambe na disputa e não pensa duas vezes antes de embarcar novamente nesta diversão atípica na qual os participantes devem ter total disponibilidade de tempo para viajar. Todavia, desta vez Kenny terá dois fortes concorrentes para enfrentar. Stu (Steve Martin) é um grande executivo que quer em breve se aposentar e vê no evento a chance de dar o primeiro passo para curtir sua liberdade. Já Brad (Jack Black) é praticamente um homem que esqueceu ou simplesmente decidiu não querer crescer. Acomodado com sua vida enfadonha e visto como um perdedor por muitos, agora ele pode provar que pode ser bom em alguma coisa.

sábado, 15 de agosto de 2015

O GUARDIÃO DE MEMÓRIAS

Nota 4,0 Bom tema é desenvolvido de forma preguiçosa em trama que fica a dever em emoção

O preconceito contra pessoas que possuem algum tipo de enfermidade é tão doentio quanto a segregação de negros e homossexuais. Mais preocupante ainda é quando dentro da própria família existe esse problema. É uma pena que O Guardião de Memórias aborde um tema tão importante e polêmico de forma tão pueril. Baseado no romance homônimo de Kim Edwards, este drama feito para a TV busca discutir a Síndrome de Down a partir do nascimento de um casal de gêmeos em meados da década de 1960. David Henry (Dermot Mulroney) realizou o parto da própria esposa, Norah (Gretchen Mol), e foi surpreendido ao ver que ela deu a luz a dois bebês. O menino nasceu perfeito, mas a garotinha não. O médico carrega o trauma de ter visto sua mãe definhar com a perda prematura de sua irmã que veio a falecer aos 12 anos de idade portadora da mesma enfermidade. Ele então passou a acreditar que nenhuma criança com problemas de desenvolvimento físicos e mentais pudesse ter uma vida feliz e expectativa de vida longa, assim para poupar seu sofrimento e o da esposa pede para Caroline Gil (Emily Watson), sua enfermeira de confiança, para levar a criança para um abrigo de doentes nas mesmas condições. Assustada com o estado deplorável que os internos viviam, a bondosa mulher decide adotar o bebê imbuída de um súbito instinto materno. Assim ela abandona seu trabalho e vai morar em uma outra cidade e conta com a ajuda de Al (Hugh Thompson), um estranho que lhe deu carona na fuga e de imediato se afeiçoou à enfermeira. Com o tempo eles acabam formando uma família e Phoebe (Krystal Hope Nausbaum), apesar de suas limitações, cresce feliz, cercada de amor e estimulada a desenvolver habilidades, revelando-se muito inteligente. Em contrapartida o Dr. Henry, que queria tanto evitar sofrimentos e preconceitos, vê sua vida pouco a pouco minar se desentendendo com a esposa que passa a traí-lo e com constantes conflitos com o filho Paul (Tyler Stentiford).

domingo, 9 de agosto de 2015

1 DIA, 2 PAIS

Nota 4,0 Encontro de grandes nomes do humor é prejudicado por trama e direção preguiçosos

A gênese do longa 1 Dia 2 Pais deve ter sido mais ou menos assim: seus produtores tinham em mãos os direitos da refilmagem do longa francês Les Compères (nunca lançado no Brasil e em vários outros países), mas mesmo não sendo uma produção popular seu texto era perfeito para uma diversão familiar e como pretexto para reunir Billy Crystal e Robin Willians, dois grandes amigos na vida real e sinônimos de comédia. Soma-se a isso a direção de Ivan Reitman, experiente no gênero com sucessos como Irmãos Gêmeos, não teria como o projeto decepcionar, contudo, mesmo com uma agressiva campanha de marketing o longa não emplacou nas bilheterias. Nem mesmo na TV que tanto gosta de repetir os títulos a comédia conseguiu seu espaço. Há justificativas. Apesar do encontro de duas feras do humor propiciar alguns bons momentos, falta credibilidade ao enredo de Lowell Ganz e Babaloo Mandel, dupla responsável pelo clássico sessão da tarde Splash - Uma Sereia em Minha Vida. Collette (Nastassja Kinski) é uma bela mulher que confidencia ao bem-sucedido advogado Jack Lawrence (Crystal), com quem há alguns anos teve um breve romance, que ele é o pai de seu filho Scott (Charlie Hofheimer), já um adolescente que acaba de fugir de casa e a mãe joga a responsabilidade de encontrá-lo nos ombros do homem que por tantos anos fez questão de manter afastado do garoto. Lawrence pula fora da jogada, pelo menos por um tempo, e então ela tenta colar o mesmo papo com outro antigo affair, o depressivo Dale Putley (Williams), um artista fracassado que nem se importa com a possibilidade de ter perdido anos de convívio com seu suposto filho e encontra na possibilidade de ser pai um novo ânimo para sua vida. Não demora muito para o caminho destes homens se cruzarem e eles perceberem que procuram a mesma pessoa e que Collette fez jogo duplo. Mesmo assim eles partem juntos em busca do garoto que está seguindo os passos de um banda de rock pela Califórnia. Até que eles o encontram facilmente e cuidam dele com muito carinho, ao menos na primeira noite, já que logo na manhã seguinte ele foge de novo.

sábado, 8 de agosto de 2015

LADRÕES

Nota 4,5 Fita tenta colocar bandidos como mocinhos, mas não sai do lugar comum do gênero

Os filmes de ação há décadas mantém um público fiel e renova seu elenco de astros, mas não há como negar que o gênero está saturado e extremamente repetitivo. Até os fãs mais ardorosos certamente devem ter dificuldades em lembrar das tramas e tampouco identificar a quais títulos elas pertencem. É tudo muito parecido e criatividade não costuma ser o ponto forte desse tipo de produção. Se na década de 1980 qualquer fita do tipo conseguia fácil espaço para exibição nos cinemas e depois bombavam nas locadoras, hoje mesmo com nomes populares no elenco o destino mais comum é serem lançadas diretamente para consumo doméstico. É o que aconteceu com Ladrões, que não tem nada de excepcional, mas tem uma trama bem amarrada, mesmo com todos os absurdos comuns ao gênero. O inverossímil parece item essencial aos roteiros que transbordam adrenalina e testosterona. A trama de Avery Duff, Peter Allen, Gabriel Casseus e John Luessenhop, este que também assina a direção, aborda um famoso e experiente grupo de criminosos que há tempos conseguem a proeza de confundir a polícia com seus roubos a banco minuciosamente executados para não deixarem pistas. Entre um crime e outro os bandidos desaparecem por um tempo para deixarem a poeira abaixar e assim terem tempo para bolarem o próximo golpe. O bando, liderado por Gordon Cozier (Idris Elba), é composto por John (Paul Walker), AJ (Hayden Christensen) e os irmãos Jake (Michael Ealy) e Jesse (Chris Brown). Já Ghost (Tippi "TI" Harris) é o único até o momento que foi capturado pela polícia, mas após cinco anos atrás das grades ele está de volta às ruas e com um plano para um novo assalto no qual está em jogo uma quantia de dinheiro exorbitante. Seus companheiros queriam se aposentar da vida de crimes, mas topam um último golpe. O problema é que o cara tem todos os motivos para se vingar de seus comparsas que podem estar caindo numa cilada.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

CASAMENTO EM DOSE DUPLA

NOTA 3,0

Diane Keaton mais uma vez recicla
o papel da mãe superprotetora e
neurótica em comédia de poucos risos
 e ansiedade para acabar logo
Meryl Streep, Glenn Close e Diane Keaton. As três atrizes são da mesma geração e se no início de suas carreiras não lhe faltavam bons convites de trabalho, hoje certamente disputam entre si os poucos e bons papeis disponíveis para mulheres mais maduras. Todas indicadas várias vezes ao Oscar e a outros tantos prêmios, a primeira é a recordista em indicações para o prêmio da Academia de Cinema e mantém  um ritmo regular e intenso de trabalho, sendo que suas atuações não passam despercebidas. Já a segunda teve na década de 1980 seu auge, com elogiados trabalhos consecutivos, mas depois passou a se dedicar muito mais a televisão e nas telonas virou uma figura bissexta que escolhe a dedo (e faz isso muito bem) as personagens que deseja interpretar. Por fim, com quatro indicações ao Oscar, curiosamente uma por década de 1978 até 2004, e integrante de uma das mais cultuadas franquias cinematográficas de todos os tempos, O Poderoso Chefão, Keaton não teve a mesma sorte de suas colegas. Embora com um extenso currículo, uma análise mais cautelosa revela que boa parte de seus trabalhos são descartáveis. Mais vale a qualidade que a quantidade, porém, a atriz prefere a segunda opção e acabou se acostumando a repetir o mesmo perfil, o da dona-de-casa verborrágica, intrometida e por vezes neurótica em produções sem ambições feitas praticamente para abastecer antigamente as videolocadoras e hoje preencher espaços na TV. Casamento em Dose Dupla é apenas mais um título a engrossar a lista de fracassos da veterana. Mais uma vez ela interpreta uma mulher exagerada e inconveniente, Marilyn, uma cinquentona que encasqueta que está sendo traída e tardiamente se separa do marido e por livre e espontânea vontade (e sem convite) decide ir morar com seu filho levando a tira-colo sua trupe de cãezinhos de estimação. O rapaz, Noah Cooper (Dax Shepard), é um dedicado fisioterapeuta, mas seu método de trabalho diferenciado acaba o fazendo perder o emprego. Este seria apenas o primeiro passo de sua vida rumo a um verdadeiro inferno.

domingo, 2 de agosto de 2015

A FERA

Nota 1,5 Longa confunde estilo punk com monstruosidade e anula discussão sobre culto à beleza

Embora reinventar contos clássicos adaptando-os a outras épocas e contextos já fosse uma prática do cinema desde a época em que era mudo, é certo que da década de 2000 em diante tal prática tornou-se uma febre, principalmente para atrair crianças e adolescentes cada vez mais adeptos da lei do mínimo esforço. Assim, quanto mais fácil a identificação com o enredo melhor, ainda mais se a produção no fundo tiver o objetivo se alavancar a carreira de astros teens. A Fera se encaixa perfeitamente nessa definição. Tem uma história clássica como sustento, aborda de maneira fantasiosa o bullying, temática presente no cotidiano juvenil, e ainda tinha como protagonistas dois astros em ascensão, mas que não vingaram. Kyle Kingston (Alex Pettyfer) é considerado o garoto mais bonito da escola e adora se gabar disso, assim ele costuma julgar as pessoas pela aparência e não pensa duas vezes antes de humilhar alguém que considera feio ou inferior. Para completar ele é filho de um famoso apresentador de TV, o que lhe garante certo status de celebridade. Para lhe dar uma lição, certo dia a excêntrica Kendra (Mary-Kate Olsen), uma feiticeira adolescente, cruza o seu caminho e lança uma maldição. O rapaz perde suas madeixas loiras, ganha alguns piercings e começa a ficar com o corpo todo marcado por tatuagens e cicatrizes, inclusive seu rosto. Agora ele tem o prazo de um ano para conseguir ser amado de verdade nessas condições por alguma mulher, caso contrário estaria condenado a viver como um monstro para sempre. Preocupado com os comentários e rejeitado pelo próprio pai, o magnata Rob (Peter Krause), Kingston se refugia na casa de campo da família e passa a viver na companhia de dois empregados, a governanta Zola (LisaGay Hamilton) e Will (Neil Patrick Harris), um deficiente visual que acaba assumindo o papel de seu conselheiro. Contudo, não demora para que uma moça surja para fazer ressurgir sua vontade de viver. Lindy (Vanessa Hudgens) acaba sendo forçada a viver com o jovem, mas não sabe quem ele é de verdade, pensando se tratar do filho de um amigo de seu pai.

sábado, 1 de agosto de 2015

DRÁCULA 2000

Nota 3,0 Embora cumpra razoavelmente o que propõe, fita já carrega no título sua âncora

Teoricamente quem realiza um filme deseja que ele seja um sucesso e seja lembrado por anos e anos no imaginário popular, mas o que dizer de uma obra cujo próprio título trata de rotular a fita como algo datado? Quando pensaram no batismo de Drácula 2000 certamente os produtores queriam deixar bem marcado que esta seria uma versão modernizada do conto do rei dos vampiros, sua versão século 21, mas o tiro acabou saindo pela culatra e a produção já nasceu com ares de velharia mesmo apostando na trilha sonora hardcore e clima gótico revisitado. Em tempos que Hollywood literalmente exorcizava seus demônios aproveitando-se dos medos e dúvidas quanto a virada do milênio, obviamente o vampirão mor não poderia ficar de fora dessa onda e Wes Carven, da série Pânico, é quem foi o responsável (ou seria irresponsável?) de despertar o dentuço. Na verdade foi ele quem bancou a produção, provavelmente para ganhar o aval para algum futuro trabalho, mas a direção ficou a cargo do então novato Patrick Lussier que tentou dar uma roupagem mais jovem ao mito criado no século 19 pelo escritor irlandês Bram Stocker. Seu roteiro, em parceria com Joel Soisson, até que começa bem respeitando o perfil clássico do vilão, mas não demora muito para a trama descambar para situações previsíveis e destrinchar conceitos sem muito sentido. Nos dias atuais (lembrem-se, ano 2000, detalhe importantíssimo), Matthew Van Helsing (Christopher Plummer), um descendente direto do famoso caçador de criaturas das trevas, cuida de um antiquário em Londres que certa noite é invadido por um bando que arromba o cofre, mas ao invés de preciosidades valiosas encontram apenas um caixão  de prata lacrado no qual se encontra o corpo do primeiro e verdadeiro Drácula, vivido por Gerard Butler em época de trabalhos escassos e contas a baciadas. O ator se limita a fazer as caras e bocas características do sanguessuga não trazendo nenhum elemento diferenciado em sua composição, portanto, passa batido na vasta galeria de releituras do personagem.

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