quinta-feira, 30 de junho de 2016

O GAROTO DA CASA AO LADO

NOTA 4,0

Recheado de clichês, personagens
estereotipados e situações que destoam
do conjunto, ainda assim longa entretém,
muito pelos esforços dos protagonistas
Sandra Bullock e Julia Roberts são atrizes que ficaram marcadas por suas atuações em comédias românticas, mas servem como exemplo de que com dedicação e um bom empresário é possível transitar pelos mais variados gêneros e ainda ganhar prêmios. Já Jennifer Lopez ainda não teve a sorte de encontrar alguém que cuide bem de sua carreira ou se contenta em fazer sempre mais do mesmo. Bem, não vamos ser cruéis com a moça. Ela até tenta sair de sua zona de conforto de vez em quando, porém, seus filmes sérios nunca fazem o mesmo sucesso de suas historinhas água-com-açúcar e ultimamente nem nesse campo tem conseguido bons frutos. Todavia, seu nome é influente e ainda serve como chamariz, embora para o suspense O Garoto da Casa ao Lado não tenha surtido efeito. Virou aquele filme que você sabe que foi exibido no cinema, saiu alguma notinha no jornal, mas que sua passagem não marcou. No entanto, não é uma produção de todo ruim, pelo contrário, prende a atenção boa parte do tempo, mas como a maioria dos thrillers hollywoodianos derrapa na reta final. A estrela de traços latinos e curvas salientes dá vida à Claire Peterson, uma professora de literatura e mãe de Kevin (Ian Nelson), um adolescente revoltadinho e saco de pancadas dos colegas. Seu casamento está por um triz por não aguentar as traições do marido Garret (John Corbett) e fragilizada acaba caindo na lábia de seu mais novo vizinho, Noah (Ryan Guzman), um rapaz beirando os vinte anos que vai morar e cuidar de um tio idoso após perder seus pais em um acidente de carro. Bonitão e com corpo sarado, obviamente as características físicas dele chamam a atenção da jovem senhora, mas é através de seu carisma, cumplicidade e amizade com Kevin que ele consegue se aproximar da vizinha a ponto de seduzi-la. Entre prestação de favores e elogios rasgados, a tensão sexual entre eles aos poucos vai aumentando até que o garotão consegue levar a vizinha para cama e viver uma noite tórrida de sexo. Todavia, na manhã seguinte, Claire se arrepende e reconsidera retomar a relação com Garret e avalia que sua atração por Noah é apenas física, não rola sentimentos além do puro e simples tesão. Matada a curiosidade de ver o que o moreno esconde embaixo das roupas, embora ficar sem camisa ou exibir seus bíceps eram algumas de suas estratégias para conquista-la, ela decide procura-lo e admitir seu erro, mas se surpreende com a reação do rapaz.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

RECÉM-CHEGADA

NOTA 6,0

Vendido como comédia romântica,
longa fica devendo em humor e
romance, mas é uma boa opção como
drama inspirador e para a família 
Renée Zellweger não é nenhuma adolescente, mas seu rosto angelical é perfeito para comédias românticas. Seu nome é quase como um sinônimo do gênero, assim como nos anos 90, guardada as devidas proporções, Julia Roberts ou Sandra Bullock eram suas representantes. Talvez por isso Recém-Chegada não tenha feito sucesso. Embora conte com romance e algumas situações de humor, seu foco se encontra em ambiente empresarial. Isso mesmo, o longa narra a história de uma mulher que chegou desacreditada em um lugar, passou por muitos problemas de ordem pessoal e profissional, mas acabou vencendo na vida. O tema é um dos maiores clichês do cinema, é verdade, é aquela velha fórmula que rege os filmes cujo enfoque é o mundo dos esportes ou o ambiente acadêmico. Treinador ou professor insistente resulta em time campeão ou grupo de estudantes disciplinados e com potencial despertado. A fórmula é essa, não tem erro. Ou melhor, quando há falhas é porque não souberam embalar o produto adequadamente, como é o caso da história de Lucy Hill (Renée), uma ambiciosa executiva da agitada e moderna Miami que aceita ser transferida para uma cidade completamente desconhecida por ela. Na gélida e melancólica região de Minnesota sua tarefa é das mais ingratas: reestruturar uma pequena fábrica local de alimentos, o que implicaria em uma grande quantidade de demissões. Sentiu o drama não? Pequena cidade praticamente depende da economia gerada pela tal empresa e muitos funcionários na rua é igual a revolta contra a responsável por suas demissões. Lucy não se deu conta que não estava lidando com as pessoas cínicas com quem estava acostumada e tampouco com listas onde os funcionários eram simplesmente números que dependendo das somatórias de horas trabalhadas, rendimentos e valores salariais poderiam ser limados da empresa sem pensar nas consequências negativas que isso traria às suas famílias e à economia local.  Agora ela está em um lugar tradicionalista onde a teoria de que o bater de asas diferenciado de uma borboleta pode ser comprometedor faz valer seu poder. Qualquer mudança traz efeitos e as notícias e fofocas se espalham rapidamente, assim como o troca-troca de alimentos entre os vizinhos, e os nomes dos envolvidos nos conflitos não são poupados. Assim, Lucy passa a ser vítima de uma revolta generalizada da diminuta população local, mas em número suficiente para afrontar o poder daqueles que ocuparam antes a vaga que hoje é da executiva.

terça-feira, 28 de junho de 2016

UMA VIDA MELHOR

NOTA 8,0

Sem fazer críticas ou propor
soluções, drama emociona com a
história de imigrante ilegal que
deseja um futuro melhor ao filho
A festa do Oscar sempre foi muito criticada por aclamar o cinema norte-americano e raramente lembrar-se de que existe produção cinematográfica fora da terra dos ianques com fôlego para competir de igual para igual em outras categorias da premiação, não precisando ficarem restritas ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. Para quem conhece a linha do tempo dos trabalhos da Academia de Cinema de Hollywood sabe que as coisas não são tão radicais. Entre as categorias técnicas é comum estrangeiros saírem vitoriosos da cerimônia, ainda que trabalhando em produções hollywoodianas na maioria das vezes, e também tem sido cada vez mais corriqueiras as indicações de atores fora da panelinha americana para concorrerem aquele que é considerado o prêmio máximo da sétima arte. As chances deles ganharem são poucas, dificilmente figuram nos bolões de apostas, mas só o fato de serem indicados já é muito significativo para suas carreiras e também para os filmes que defendem na ocasião. Uma Vida Melhor poderia ser apenas mais um filminho qualquer a ser lançado diretamente nas locadoras e sem publicidade, mas a indicação ao Oscar do então desconhecido ator Demián Bichir mudou tudo. Aclamado pela crítica em vários países, esta é um produção independente americana com elenco predominantemente latino, salvo algumas poucas exceções, o que confere a obra um estilo diferenciado. É um ligeiro passeio pelo mundo a parte ao qual parecem fadados a viverem aqueles que ousaram a atravessar a fronteira dos EUA munidos apenas de coragem e força de vontade. Estranhamente o longa teve pouca repercussão no Brasil, embora sua temática seja universal e até mesmo aqui casos de imigração ilegal e de preconceito a estrangeiros, principalmente dos países vizinhos, não sejam raros. São muito comuns histórias de pessoas que foram tentar melhorar de vida iludidas pela famosa propaganda do sonho americano, a terra das oportunidades e onde todo mundo que se esforce pode sagrar-se vencedor. Se as coisas não são fáceis para quem muda de país seguindo os trâmites legais, imagine a dureza de vida que levam os imigrantes ilegais, como é o caso de Carlos Galindo (Bichir), um mexicano que vive no subúrbio de Los Angeles, ambiente pouco hostil e de má fama, na companhia de seu filho adolescente Luis (José Julián). Este pai trabalha como jardineiro em casas luxuosas e se esforça ao máximo para dar um futuro diferente ao filho que há anos cria sozinho, inclusive prefere dormir no sofá da sala para deixar o conforto da cama para o garoto ficar mais descansado e assim se dedicar aos estudos com afinco, mas parece que todo esse empenho é em vão. Os dois não conseguem dialogar convenientemente, Luis não gosta da escola e a delinquência está muito perto de seduzi-lo visto que seus amigos ou já fazem ou desejam fazer parte de gangues que usam a violência sem pudor para resolverem ou até mesmo causar problemas.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

TEMPOS DE VIOLÊNCIA

NOTA 7,0

Com personagens difíceis de
despertarem simpatia, longa
é um tanto indigesto, mas ganha
o espectador com final clichê
Existem alguns filmes que só mesmo tendo muito boa vontade para conseguir acompanhá-los até o final, principalmente aqueles que se propõe a retratar a realidade sem maquiagem alguma. Produções do tipo não poupam o espectador e são digeridas com muita dificuldade, mas quem tiver a garra de quebrar seus próprios preconceitos ou receios e seguir até o último minuto pode acabar sendo razoavelmente recompensado como é o caso do drama Tempos de Violência que lá pelos seus quinze minutos de duração já está testando os limites da tolerância do público. Como diz a publicidade estampada no DVD, esta é “uma visão dura sobre amizade, lealdade e ambição nas violentas ruas de Los Angeles”. O longa marca a estreia como diretor de David Ayer, o roteirista do premiado Dia de Treinamento, que pouco tempo depois investiria novamente na temática violência no policial Os Reis da Rua. Abordar o mundo dos crimes é sem dúvida a praia deste profissional que conseguiu neste caso compilar em pouco menos de duas horas alguns dos principais problemas urbanos contemporâneos e de ordem social, com o agravante de que quem deveria zelar pela segurança e a moral de todos é justamente de caráter pra lá de duvidoso. A trama roteirizada pelo próprio diretor começa um tanto clichê. Em tons esverdeados, como se fosse a visão de uma câmera escondida, temos rapidamente uma noção do que o fuzileiro Jim Davis (Christian Bale) vivenciou enquanto combateu na guerra do Iraque. Dispensado pelo exército, o rapaz procurou refúgio em terras mexicanas e acabou se apaixonando por Marta (Tammy Trull), a quem jurou amor eterno quando decidiu voltar aos EUA para tentar a carreira na polícia. Ele promete voltar para casarem e assim ela poderia entrar legalmente em solo norte-americano. Até aí Jim parece um típico herói, mas não tarda para sua imagem de bom moço desmoronar. De volta a Los Angeles, ele vai procurar seu antigo amigo Mike (Freddy Rodriguez), mas é mal recebido pela esposa do mesmo, Sylvia (Eva Longoria), que está nervosa por conta do marido que está desempregado e passa o tempo todo em casa bebendo, fumando e assistindo TV. Se as coisas já estavam ruins para o casal agora vão piorar. Jim e Mike são violentos, mulherengos, usuários de drogas, alcoólatras, contrabandistas e corruptos. Quem teria estômago para assistir a um filme cujos protagonistas são da pior espécie? Ayer acredita que tem público para o vandalismo e investe pesado na temática e em pequenas cenas consegue nos passar a ideia de como o submundo funciona.

domingo, 26 de junho de 2016

A CIDADE DAS CRIANÇAS

Nota 6,5 Mescla de aventura e comédia francesa é boa opção familiar para fugir da mesmisse

É tão raro nos depararmos com produções infantis fora do circuito Hollywood que quando temos a oportunidade de assistir a algo do tipo não devemos desperdiçar a chance. Sim há muita coisa boa entre desenhos, aventuras e comédias voltadas ao público infanto-juvenil produzida fora do território americano, mas infelizmente elas ainda são distribuídas na base do conta-gotas fora de seus países de origem. Com menos pressão em faturar horrores de dinheiro, tais filmes geralmente são bem superiores aos que estamos acostumados a ofertar às nossas crianças e um bom exemplo é A Cidade das Crianças, uma deliciosa mistura de humor e aventura na qual um grupo de menores finge ser composto de adultos, mas no fundo cada um deles ainda guarda a ingenuidade e a fantasia inerente as suas faixas etárias. Baseado no livro “Timpetill: Die Stadt Ohne Eltern”, de Henry Winterfeld lançado em 1937, a trama roteirizada por Fabrice Roger-Lacan, Nicolas Peufaillit e pelo também diretor Nicolas Bary se passa no pequeno vilarejo de Timpelbach, um lugar onde as crianças literalmente mandam e desmandam o quanto querem e não há pai, professor ou autoridade que consiga controlá-los. Numa tentativa desesperada de colocar um ponto final neste caos, os adultos se unem e armam um plano para pregar uma peça na criançada a fim de provar a eles que a hierarquia da obediência é uma necessidade. Certa manhã bem cedinho todos sairiam da cidade e iriam passar o restante do dia acampados em uma região afastada, mas voltariam ao escurecer. Thomas (Leo Legrand), talvez por ser um dos mais ajuizados de toda gurizada, é informado por seu tio deste plano e promete segredo até todos retornarem. E assim, certa manhã as crianças tomam o maior susto ao ver o vilarejo deserto, mas não demora muito para que todos passem a festejar esta liberdade conquistada como num passe de mágica. A noite chega e nenhum dos sumidos retorna, assim aumentando a euforia de todos, menos de Thomas, é claro. Todavia, essa vida sem regras, sem hora para almoçar, estudar ou tomar banho, acaba se tornando um problema, o que implica em o grupo se organizar tal qual uma sociedade comum. Assim eles passam a tomar os lugares dos adultos no atendimento do restaurante e a ocupar as vagas existentes na prefeitura, por exemplo, mas as coisas se complicam quando surge uma ruptura entre eles: o grupo dos que defendem a procura para trazer os pais de volta e aqueles que desejam continuar vivendo sob suas próprias leis, ou melhor, sob a batuta de um líder indisciplinado.

sábado, 25 de junho de 2016

MISTÉRIO EM RIVER KING

Nota 7,0 Morte de um jovem levanta discussões sobre bullying, rejeição e relações de poder

As sinopses publicadas nos encartes dos DVDs deveriam vender corretamente as histórias dos filmes, mas muitas delas só se limitam a elogiar atores e realizadores ou sintetizar em pouquíssimas palavras o enredo. O pior é quando vendem a trama de forma errada como é o caso de Mistério em River King, cuja distribuidora vende como um suspense policial acerca do assassinato de um adolescente e seu próprio espírito ajudaria nas investigações. Bem, até existe um ensaio para seguir tal caminho, mas parece que quem redigiu o texto publicitário não assistiu o filme todo. A trama começa mostrando o detetive Abel Grey (Edward Burns) e seu companheiro de polícia Joey (John Kapelos) encontrando um jovem morto congelado dentro de um lago e com estranhas marcas vermelhas no corpo. Ele é Gus Pearce (Thomas Gibson), estudante de um tradicional colégio de uma região fria e afastada dos EUA que segundo seus colegas de turma não se sentia a vontade na instituição e andava tendo atitudes estranhas ultimamente. Uma das professoras do garoto, Betsy Chase (Jennifer Ehle), afirma que na noite anterior a descoberta do corpo viu Gus discutindo no bosque com a jovem Carlin Leander (Rachelle LeFevre), que apesar da aparente proximidade do falecido estava namorando Harry (Jamie King), um valentão da escola. Os policiais afirmam que o caso foi um suicídio, mas Abel desconfia de que existe algum mistério por trás de tudo, principalmente ao descobrir que Gus estava tentando fazer parte de um grupo, uma espécie de seita da qual só podiam fazer parte os membros que passassem por um trote impossível de se cumprir, ou melhor, quase. O detetive desconfia que Harry e Carlin são as chaves para desvendar o caso, mas parece que todos a sua volta estão preferindo abafar o episódio, inclusive seu o próprio Joey que deveria estar em busca da verdade. O diretor Nick Willing consegue construir uma interessante narrativa que cativa o espectador e o convida a fazer parte das investigações colecionando pistas, porém, peca ao criar certos ganchos que não levam a lugar algum como um suposto trauma do passado envolvendo a morte do irmão que alimentaria o desejo de Abel por justiça a qualquer custo no presente.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

PREMONIÇÃO (2000)

NOTA 8,5

Acima da média, suspense inverte
expectativas com vilão original e
teoricamente imbatível, além de um
clima realista e que desperta discussões
A fobia de viajar de avião é praticamente um fetiche para Hollywood e quanto mais catastrófico o passeio melhor. Se o imprevisto já e angustiante, imagine apenas supor que alguma coisa pode dar errado durante o trajeto, mas algo dentro de você parece implorar para que aborte a viagem. É dessa premissa que parte Premonição, terror adolescente acima da média e percussor de uma franquia de sucesso na qual o assassino não é um psicopata mascarado. É o próprio espectro da Morte que se encarrega de ceifar vidas. A trama tem como protagonista o jovem Alex (Devon Sawa) que está prestes a embarcar para Paris em uma viagem escolar. Antes mesmo de ir para o aeroporto o rapaz já estava sendo perturbado por estranhos sinais, mas nada que se compare ao pesadelo que o assola dentro da aeronave. Ele tem a nítida e detalhada visão de que o avião explodirá poucos minutos após a decolagem e surta de desespero alertando para que todos saíssem enquanto havia tempo. O estado de pânico do rapaz convence a deslocada Clear (Ali Larter) a voltar para o saguão do aeroporto, mesmo não sendo uma grande amiga sua. Outros, porém, vão embora por ficarem irritados com a possibilidade de a viagem ser cancelada por conta de uma atitude infantil. O marrento Carter (Kerr Smith), sua namorada Terry (Amanda Detmer), o bobalhão Billy (Sean William Scott) e a Sra. Valerie Lewton (Kristen Cloke), membro do corpo docente, acabam ficando de fora da viagem ao se envolverem em uma briga com Alex. Tod (Chad Donella), seu melhor amigo, é o único que parece se importar com seu estado de nervos, enquanto a professora tenta apaziguar as coisas, mas não escondendo seu desapontamento. Todavia, todos ficam amedrontados aos verem com seus próprios olhos que a tal premonição realmente acontece e as reações ao episódio são diversas. Os pais de Todd o proíbem de ter contato com Alex, já que perderam um outro filho na tragédia. A Sra. Lewton demonstra medo e repúdio ao rapaz enquanto Billy passa a enxergá-lo como uma espécie de guru. Já Carter, com seu jeito confrontador, está sempre pronto para provocar aquele que de certa forma salvou sua vida, ao contrário de Terry que.... Bem, sem função na trama, ela é rapidamente limada, diga-se de passagem, em uma cena de assassinato que beira o cômico e a mais tola da fita.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

BONS COSTUMES

NOTA 7,0

Comédia de época faz uma
crítica a hipocrisia da elite
decadente e sobre a difícil
aceitação de novos costumes
Desde pequenos somos educados a seguir alguns padrões de comportamento para não criarmos problemas e constrangimentos em família, na escola ou em público. São regras básicas para podermos viver em sociedade, mas sempre existem os rebeldes de plantão para contestar tais imposições. Viver de aparências vale a pena? É difícil fugir da mesmice, mas quem tem coragem de afrontar a moral e os costumes sabe que está comprando uma briga e tanto. Se hoje em dia a guerra entre as normas de conduta pré-estabelecidas pelas sociedades e o direito a liberdade inerente a cada indivíduo é um tanto acirrada imagine o quanto era rígido e difícil viver no começo do século 20, época em que as tradições e os padrões engessados de comportamento eram normas aprendidas desde o berço e qualquer desvio de conduta era severamente repugnado e corrigido mesmo que na marra. Contudo, mesmo com tanta vigilância, é óbvio que nem todo mundo era santinho. Muitos homens davam suas puladinhas de cerca fora do casamento e gastavam horrores em jogatinas, por exemplo, mas tinham a desculpa que tais vícios faziam parte da natureza de seu sexo, uma constatação de virilidade, mas o que dizer de uma mulher que trocasse as saias por calças, falasse o que viesse a sua cabeça e gostasse de assuntos teoricamente restritos ao mundo masculino? É justamente essa a premissa da comédia Bons Costumes que narra as dificuldades de uma jovem a frente do seu tempo para se adequar ao estilo da família de seu noivo, mas quanto mais ela tenta ser perfeita mais mete os pés pelas mãos. Na década de 1920, a americana Larita Huntington (Jessica Biel) decidiu casar-se repentinamente com o inglês John Whittaker (Ben Barnes). Jovens, bonitos e afinados um com o outro o casal não poderia ser mais perfeito, porém, a sensualidade, a extroversão e o gênio forte da moça podem se tornar empecilhos para essa união dar certo. Não que o noivo se importe com o jeito moderninho da garota, mas as coisas complicam por conta da família dele, ingleses extremamente tradicionalistas e cerimoniosos e é justamente com estas pessoas que a moça precisará aprender a conviver pacificamente visto que após o casamento John deseja morar com a esposa na mansão dos Whittakers no subúrbio londrino. Quando os jovens fazem a primeira visita como casal à família dele, Larita se depara com seu pior pesadelo, a sogra Verônica (Kristin Scott Thomas) que imediatamente não faz questão alguma de esconder que não gostou do tipo de nora que seu filho lhe arranjou, ao contrário do pai do rapaz, Jim (Colin Firth), um veterano de guerra que aprendeu forçosamente o valor da vida diante de tantas atrocidades que acompanhou e que despreza o jogo de aparências que sua esposa tenta manter, porém, tenta não deixar transparecer sua frustração com os rumos que sua vida tomou, mas sua apatia diante de tudo denuncia seu estado emocional fragilizado.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O CORTE

NOTA 9,0

Drama sobre desempregado a
beira do desespero envolve o
espectador com toques de humor
e temática universal e atemporal
Uma das reclamações mais frequentes dos brasileiros é quanto ao desemprego, um problema que já dura várias décadas, e isso fez com que boa parte da população depositasse suas esperanças no tal sonho americano, a doce ilusão de que a vida nos EUA seria mais fácil e com emprego garantido. Boa parte dos sonhadores se decepcionou quando comprovou que o mercado de trabalho americano é tão acirrado quanto o brasileiro e então voltaram seus olhares para outros países, principalmente os europeus, mas a situação não difere muito como mostra o longa francês O Corte, drama com pitadas de humor negro dirigida pelo grego Costa-Gavras. O cultuado cineasta não tem medo de criar polêmicas e cutucar problemas de alcance universal, assim suas obras conseguem dialogar perfeitamente com os mais diferentes públicos, independente do país que escolha para ser o cenário de suas tramas. Entre tantos filmes que assinou, ela já tratou de política em Desaparecido, criticou o trabalho da imprensa manipuladora em O Quarto Poder, falou sobre a omissão da Igreja quanto ao Holocausto em Amém e no trabalho em questão escolheu falar sobre o mundo capitalista através da ótica de um desempregado. Bruno Davert (José Garcia) é um competente engenheiro da indústria de papéis que trabalhou em uma mesma empresa durante 15 anos, mas nem toda sua experiência e dedicação foram suficientes para livrá-lo da lista de cortes quando a fábrica precisou passar por uma reestruturação para manter-se em atividade. Com um currículo invejável ele leva numa boa a demissão, pois acredita que não terá problemas para conseguir um novo emprego, no entanto as coisas são muito difíceis e quando se dá conta já está a mais de dois anos em casa esperando algum telefonema, email ou correspondência a respeito de alguma entrevista de trabalho. Além da vergonha de não ter uma ocupação e se tornar extremamente anti-social, pesa o fato dele e dos filhos Maxime (Geordy Monfils) e Betty (Christa Theret) estarem sendo sustentados por sua esposa Marlène (Karin Viard) que se divide entre dois empregos. A situação chega a um nível desesperador quando ele assiste a um DVD promocional de uma empresa de papel concorrente a qual trabalhava e sente uma raiva incontrolável de Raymond Machefer (Olivier Gourmet), engenheiro porta-voz da companhia que faz exatamente o serviço que Davert era especialista, ou seja, em sua mente perturbada pelo ócio do desemprego esse homem estaria ocupando uma vaga que julgava ser por direito sua.

terça-feira, 21 de junho de 2016

CÃO DE BRIGA

NOTA 4,5

Apesar do título e da presença
de ator conhecido por sua aptidão
para lutas, longa procura gancho
dramático para se sustentar
Um garoto órfão foi criado para ser uma verdadeira máquina de matar e seu instinto cruel é despertado toda que vez é libertado de sua coleira. A premissa poderia cair como uma luva para um longa de pancadaria trash ou uma comédia pastelão, mas não é que Cão de Briga até que é uma diversão razoável e com toques bem-vindos de drama? Pois é preciso dar o braço a torcer. O gênero de ação, embora tenha uma legião gigantesca de fãs, raramente escapa de críticas e rotulagens. Temas repetitivos e violência gratuita colaboram para essa má impressão de antemão. Os longas de lutas orientais fazem sucesso quando tem o respaldo de contexto históricos, como os famosos épicos de tempos imperiais, mas quando os chutes e sopapos coreografados como se fosse um balé são oferecidos em uma trama contemporânea a tendência também é o público rejeitar. Com a já citada premissa somada ao nome de Jet Li como protagonista era quase certo que este trabalho do diretor Louis Leterrier, de Carga Explosiva 2, seria um fracasso total, mas até que ele passou suavemente pela crítica e até recebeu o aval de boa parte do público. Obviamente não é uma obra-prima, mas tem a honra de ser um dos melhores filmes do ator natural de Hong Kong que então buscava seu lugar ao sol em Hollywood. Após muitas atuações fracas em produções obscuras americanas, neste caso Li, já consagrado em seu país, conseguiu o projeto perfeito para comprovar que pode atuar (disfarça bem) e ainda mostrar o que sabe fazer melhor: lutar. Ele dá vida a Danny, um rapaz que desde a infância foi privado de qualquer tipo de educação tradicional para ser treinado como um cão de guarda que no futuro deveria fazer a segurança do criminoso Bart (Bob Hoskins), que vive repetindo que ele lhe deve gratidão por ter sido salvo de morrer nas ruas após ser abandonado pela mãe. Sentindo-se acuado e sem saber como se comportar em sociedade, Danny conformou-se em viver acatando as ordens de Bart, este metido até o topo da careca com negócios ilícitos, e conseguia acabar com um bando de homens somente na base de golpes e chutes, sem a necessidade de armas de qualquer tipo.  A coleira era o símbolo da submissão. Quando a usando ele era um ser humano aparentemente normal, mas quando livre dela era como se junto fosse libertada uma raiva incontrolável. Além da segurança, Bart também explora seu “protegido” para ganhar dinheiro em lutas clandestinas colocando-o para brigar com valentões com fama de invencíveis. Certa vez, ao recusar um duelo, ele compra uma briga feia com aquele que diz que sempre o protegeu.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

JESSABELLE - O PASSADO NUNCA MORRE

NOTA 3,0

Com argumento interessante, embora
clichê, longa peca por copiar ideias em
demasia e jogar na tela personagens e
situações sem maiores desenvolvimentos
Não é novidade alguma que o gênero terror há anos sofre de uma terrível crise de criarividade, quiçá também de identidade, mas algumas produções abusam além do tolerável quanto a repetição de ideias. Todavia, isso não quer dizer que sejam um lixo total. Jessabelle – O Passado Nunca Morre (descaradamente tentando chamar a atenção de desprevenidos aludindo ao marqueteiro Annabelle) é um bom exemplo resumindo-se a uma colagem de situações já vistas em outros filmes, tão óbvias que é possível até mesmo apontar quais as produções que inspiraram cada uma delas, mas ainda assim prende a atenção durante sua exibição. As sensações despertas após o término já são outros quinhentos. A personagem-título, vivida pela insossa Sarah Snooke, está vivendo um período complicado, aqueles em que parece que o que já está ruim pode ficar ainda pior e os problemas só se multiplicam. A série de coincidências que preenchem seu cotidiano denotam o esquematismo do roteiro e chegam a irritar, mas se não fosse assim talvez o filme não seria viável. Após sofrer um grave acidente de carro no qual seu namorado faleceu e ela perdeu temporariamente a mobilidade das pernas, agora a jovem tem que se adequar a uma nova realidade, mas ao mesmo tempo enfrentar fantasmas do passado. Literalmente! Criada por uma tia já falecida, Jessie, como gosta de ser chamada, agora sozinha e dependente de uma cadeira de rodas é obrigada a voltar a morar com Leon (David Andrews), seu pai alcóolatra com quem não tem contato há anos. A mudança forçada e o abalo do acidente fazem com que a moça passe noites em claro e tenha estranhas visões, mas tudo piora quando encontra uma caixa com fitas de vídeo gravadas no final da década de 1980 por sua mãe durante a gravidez. Kate (Joelle Carter) na época havia descoberto tumores cerebrais e fez as gravações para deixar como lembranças para a filha que temia não vir a conhecer. De fato, a convivência entre elas durou pouquíssimo tempo, mas como mãe é mãe Jessie se emociona e é instigada a ver gravação por gravação, porém, com um objetivo a mais. Apreciadora do tarô e adepta de uma religião ligada ao vodu, sabe-se lá o porquê, mas Kate teve a infeliz ideia de ler a sorte da garota que ainda estava em seu ventre e como quem procura acha viu um futuro horrível para Jessabelle que se espanta com as reações descontroladas do pai ao flagrá-la assistindo aos vídeos.

domingo, 19 de junho de 2016

RETRATOS DO AMOR

Nota 2,5 Falta romance em longa pouco envolvente que vale mais pela bela fotografia

Quando alguém decide assistir a um filme romântico no mínimo espera se emocionar, mas o mundo está cheio de produções que podem até prometer fortes emoções, porém, são insípidas. Geralmente tais obras fisgam o espectador com títulos rebuscados e materiais publicitários que chamam a atenção por transmitirem uma sensação de bem-estar e de leveza. É destes artifícios que se vale Retratos do Amor para chamar atenção, ainda tendo como um extra a ostentação dos nomes da oscarizada Julie Christie e do outrora famoso Burt Reynolds em seus créditos. O veterano ator interpreta Larry Brodsky, o proprietário de um sebo de livros que na juventude se apaixonou perdidamente por uma moça no Marrocos, mas teve que abrir mão de seu grande amor quando descobriu que ela já era casada. O tempo passou, mas ele jamais se recuperou totalmente desta decepção, assim fechando-se para novas emoções até que um dia conhece a jovem americana Aisha (Carmem Chaplin) e ambos se identificam imediatamente já que escolheram morar em Amsterdã, na Holanda, na esperança de mudanças positivas e uma vida com mais liberdade. Assim nasce uma amizade que trará a Larry muitas surpresas, entre elas Narma (Julie Christie), a sua suposta futura sogra, uma mulher que pode provocar novas e intensas emoções neste homem que perdeu e no fundo deseja recuperar a fé no amor. A premissa é até interessante, mas os roteiristas Michael O’Loughlin e Rudolph Van Den Berg, este que também assina a direção, cozinham a história em banho-maria e com duas vertentes que se ligam.

sábado, 18 de junho de 2016

O VISITANTE (2006)

Nota 4,0 Reciclando conto do falso milagreiro, longa perde rumo tentando ser mais do que pode

A perda da fé abrindo portas para as forças do mal penetrarem é um dos temas mais corriqueiros das fitas de terror e suspense, mas a crença exagerada também pode se tornar um problema. A enganação de populares através de cultos religiosos é o cartão de visitas do suspense O Visitante. Baseado no livro homônimo de Frank Peretti, a história roteirizada por Brian Godawa tem suas ações concentradas na pequena cidade de Antioch que há alguns anos teve sua aparente tranquilidade abalada por causa da morte de uma mulher em circunstâncias estranhas. Sabe-se que ela foi assassinada, mas o crime acabou sendo arquivado por falta de pistas, o que levou o pastor Travis Jordan (Martin Donovan) a se decepcionar e abandonar a religião afinal Deus o desamparou no momento em que mais clamava por justiça. Anos depois, o jovem Michael Eliot (Noah Segan) sofre um grave acidente de carro a noite numa estrada deserta, mas milagrosamente escapa da morte. Ele se lembra que enquanto estava no local do incidente teve uma visão. Três homens surgiram do nada e um deles o avisa que “ele” está chegando à cidade. Na mesma noite o trio também é visto na igreja e o zelador do local que sofria com problemas nos joelhos repentinamente se cura. Novamente é dita a frase de que “ele” está chegando. Tais notícias se espalham com rapidez pela região e a população fica alvoroçada. Travis é procurado por outros membros religiosos para debater o assunto e seu ceticismo é colocado em xeque, ainda mais depois que ele próprio teve a visão misteriosa. Enquanto o grupo conversa a portas fechadas um novo milagre ocorre dentro da própria igreja e em um curto espaço de tempo também acontece em uma loja de conveniências. As evidências apontam que os eventos inexplicáveis coincidem com a chegada de um novo morador à cidade, o jovem Brandon Nichols (Edward Furlong), que trabalha em uma fazenda nas redondezas. O rapaz parece conhecer bem os moradores locais e não demora muito para que consiga reunir um grande número de pessoas em um mesmo local em busca de suas mensagens de fé e curas milagrosas. Até o xerife Brett Henchle (Richard Tyson) passa a acreditar em tudo isso, mas Travis tem certeza de que existem coisas erradas nesta história e não vai deixar de investigar até o fim e vai contar com a ajuda de Morgan (Kelly Lynch), a mãe de Michael que também não está convencida de que um profeta enviado dos céus está entre eles.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

KING KONG (2005)

NOTA 10,0

Após uma trilogia de sucesso,
Peter Jackson não decepciona ao
ousar trazer para as novas
gerações um ícone do cinema
Em 1933, ele surgiu em versão stop-motion e em preto e branco em um filme que é considerado o pai do estilo arrasa-quarteirão de fazer cinema. Em 1976, ganhou uma superprodução, desta vez em cores, o que realçou seu impacto em tela grande, mas não o livrou de ser surrado pela crítica. Além destes longas, ele surgiu em outras dezenas de pequenas e trashs produções que levavam seu nome, todas totalmente esquecíveis. Essa figura até já passou por um combate com o famoso monstro oriental Godzilla em mais uma das pérolas que tentaram obter fama às suas custas. Tantas aparições certamente desgastaram sua imagem, mas o diretor Peter Jackson acreditava que ele ainda poderia ser aceito no século 21.  Um gorila gigantesco com alma bondosa e considerável dose de inteligência é o chamariz de King Kong, um filme declaradamente feito para entretenimento, o que gerou muitas discussões. A recente reinvenção da história do primata de tamanho descomunal foi aguardada com muita expectativa, fez bastante dinheiro, colheu prêmios por sua parte técnica, mas não escapou de críticas negativas, principalmente dos especialistas na área que procuraram as mínimas falhas para destilar seus venenos em jornais, revistas e sites. O que eles esperavam? Um drama existencialista e cheio de mensagens subliminares em uma obra cujo protagonista é um grande animal selvagem? Para aqueles que na época concordaram com os críticos, vale a pena ver mais uma vez, mas com olhar de espectador de fim de semana. Assim é possível entender o sentido desta aventura milionária ter sido feita e encontrar alguns aspectos interessantes que soam como homenagens. Jackson entregou uma produção ágil, divertida, cheia de efeitos especiais e jogou o espectador em um mundo repleto de situações fantásticas. O melhor de tudo é que esta história pode ser apreciada por uma parcela bem maior de público já que não é preciso ter conhecimento prévio dos personagens e local onde a ação se passa, pois tudo está concentrado em um único longa, o grande pecado das chamadas obras-primas do cineasta (a trilogia O Senhor dos Anéis). A história roteirizada pelo próprio diretor em parceria com Fran Walsh e Philippa Boyens é basicamente a mesma do original. Passado na década de 1930, época em que os EUA viviam a Grande Depressão, período em que milhares de pessoas tentavam sobreviver como podiam em meio a uma violenta crise financeira, o longa começa nos apresentando a Ann Darrow (Naomi Watts), uma atriz que procura emprego em um cabaré. Por um acaso do destino, eis que ela conhece Carl Denham (Jack Black), um cineasta com uma excelente proposta de trabalho. Quando ela embarca em um navio rumo a uma misteriosa ilha onde serão feitas as filmagens, ela se encontra com o conceituado roteirista Jack Driscoll (Adrien Brody) e ambos se apaixonam imediatamente, mas viver esse amor durante a viagem será algo impossível. Mal sabem eles os perigos que a tal ilha esconde. Lá eles são atacados por um grupo de nativos que precisam sacrificar um humano para afastar uma criatura do mal. Não é preciso ser adivinho para saber que a tal ameaça é King Kong e os perigos que estão por vir. Será mesmo?

quinta-feira, 16 de junho de 2016

VELOZES E MORTAIS

NOTA 6,0

Embora previsível e com carga
mínima de suspense, longa
prende atenção com atmosfera
claustrofóbica e boas cenas de ação
No momento em que um filme é lançado nem sempre é possível fazer uma avaliação correta, pois há muitos fatores que o cercam que podem influenciar ou afastar o público. Com o passar do tempo os efeitos negativos ou positivos das estratégias comerciais ainda podem exercer poder de persuasão e manipular a opinião dos espectadores. Um bom exemplo da ação do marketing pode ser verificada em “Highwaymen”, algo como os bandidos da estrada, que estreou no Brasil com o título Velozes e Mortais, escancaradamente uma alusão à franquia Velozes e Furiosos que em meados de 2004 ainda estava em seus primeiros capítulos, mas já somava uma grande quantidade de fãs. Essa jogada publicitária na época não surtiu efeito, o longa passou pelos cinemas sem causar furor, e certamente hoje em dia a forçada ligação entre as produções soa como truque para enganar trouxas. Outro ponto que poderia ter beneficiado a carreira do filme é que ele é estrelado por Jim Caviezel. Quem? Realmente o tempo passou e o ator não vingou como se esperava, mas na época ele estava em evidência por ser o protagonista de A Paixão de Cristo, um dos filmes mais polêmicos e de maior bilheteria daquele ano. Na verdade este projeto era um tanto desacreditado por seus realizadores e Caviezel nem aparecia no pôster original que dava destaque para a mocinha da trama vivida por Rhona Mitra. O rapaz filmou este trabalho sem grandes pretensões pouco antes de interpretar Jesus Cristo sob a batuta do diretor Mel Gibson, mas certamente a obra só viu a luz do dia após o mundo aplaudir o sofrimento do ator sentindo na pele as dores das chibatadas e da crucificação. Todavia, seria injusto dizer que este suspense só existe por conta de oportunismos. Embora não seja memorável, este road movie consegue prender a atenção do espectador com uma trama bastante simples e previsível. Roteirizado por Craig Mitchell e Hans Bauer, a narrativa segue a obsessão que rege o cotidiano de Rennie Cray (Caviezel), um homem amargurado e movido pelo sentimento de vingança que deseja encontrar o homem que há cinco anos atropelou propositalmente sua esposa. Vendo claramente o assassinato, ele não pensou duas vezes antes de perseguir o criminoso e acabou provocando um grave acidente que o levou a ser preso por três anos e a abandonar a carreira de médico, enquanto para James Fargo (Colm Feore), o verdadeiro bandido da história, sua pena foi ficar quase dois anos internado em um hospital, mas não para tratar de sua saúde mental e sim do seu físico que teve várias partes comprometidas que foram substituídas por peças mecânicas. No final das contas estes dois homens acabam se tornando inimigos mortais e por motivos semelhantes. De uma forma ou de outra, ambos tiveram suas vidas modificadas para sempre quando seus caminhos se cruzaram.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE LENA BAKER

NOTA 7,5

Drama relembra a história de
mulher que foi condenada a
morte por conta do preconceito,
injustiça "corrigida" anos depois
Uma mulher é condenada a morte por conta do assassinato de um homem, mesmo alegando que agiu em legítima defesa. Esse realmente é o desfecho de A Verdadeira História de Lena Baker, mas saber como essa produção acaba não tira o prazer e a emoção de acompanhar a dramatização da história real da primeira e única mulher a ser condenada a cadeira elétrica no estado da Georgia, nos EUA. Se hoje em dia o preconceito racial ainda gera muitas discussões em todo o mundo, imagine como as coisas eram no início do século 20, principalmente em solo americano que serviu de palco para alguns dos principais conflitos étnicos da História mundial, em especial a região sul do país que virou uma espécie de refúgio dos negros. Lena Baker (Tichina Arnold) nasceu no dia 08 de junho de 1901 em uma família humilde, mas o longa escrito e dirigido por Ralph Wilcox não conta a história desta sofrida mulher de forma linear. Baseado no livro de Lela Bond Philips e Karam Pittman, a narrativa na verdade começa na noite de 30/04/1944, data que mudaria o destino de Lena radicalmente. Seu choro sincero já denuncia que ela fez algo de muito grave, mas descobrir o que a levou a cometer um ato de loucura é o que importa nesta produção que constantemente vai e volta no tempo. Quando criança, Lena era uma garota muito ajuizada, religiosa e esforçada que ajudava a mãe Annie (Bevery Todd) na colheita de algodão nas fazendas da região, mas já demonstrava sua indignação quanto ao preconceito que os negros sofriam. Assim como ocorreu no Brasil, a libertação dos escravos em terras americanas teoricamente foi cumprida, mas na prática as coisas continuaram na mesma, pois não haviam alternativas para os recém-libertos trabalharem fora das lavouras ou serviços domésticos nas casas dos brancos. Contudo, Lena chegou a conhecer patrões muito bondosos, embora sua mãe sempre recomendasse que a garota tomasse conhecimento de sua posição na sociedade. Quando adolescente, seu grande amigo de infância Royal (Laman Parkins Jr.) acabou se metendo em uma confusão por ter matado um homem e decidiu abandonar o campo e fugir para a cidade grande e foi no desespero que Lena também resolveu jogar tudo para o alto e tentar mudar os rumos de sua vida, assim com sua Netty (Jasmine Farmer). Contudo, as garotas não conseguem mais achar Royal e as coisas se mostram mais difíceis do que pareciam. Lena sonhava em ter seu talento como cantora reconhecido nos clubes noturnos, habilidade que já demonstrava nos corais da igreja, mas acabou tendo que se prostituir, situação que encarava com mais dificuldades que sua amiga. Lena detestava o que fazia e não aguentava mais ser alvo de fofocas nas ruas, proibida de frequentar a igreja e ser rejeitada pela mãe.

terça-feira, 14 de junho de 2016

VALE PROIBIDO

NOTA 6,5

Confusão de gêneros incomoda
um pouco, mas ideia principal é
envolvente e Edward Norton cativa
com personagem esquisitão
Qual o limite da loucura da mente humana? Bem, talvez nem mesmo a ciência tenha essa resposta, sendo o mais provável que a insanidade é infinita. Longe dos estudos gigantescos e cheios de palavras complicadas, o cinema sempre tenta dar uma mãozinha para esclarecer tal assunto e são inúmeras as produções que procuram desvendar os mistérios que cercam as mentes de pessoas com desvios de caráter, mas já diz o ditado que cada cabeça é uma sentença, logo cada personagem é um tipo específico a ser analisado.  Vale Proibido centra suas atenções no misterioso Harlan (Edward Norton) e seu repentino interesse por uma família. O longa escrito e dirigido por David Jacobson começa nos apresentando à Tobe Sommers (Evan Rachel Wood), uma adolescente rebelde e que gosta de se divertir às custas dos outros, porém, talvez nunca tenha imaginado que uma de suas traquinagens mudaria sua vida e de seus familiares para sempre. Certo dia ela combina com uns amigos de ir à praia, mas antes param em um posto de gasolina onde são atendidos por Harlan, figura que chama a atenção por seu visual de caubói em uma região onde as fazendas já começavam a ser raridades. Pelo perfil diferente, preferindo montar a cavalo a usar um carro, Tobe acredita que escolheu a vítima perfeita para uma brincadeira, começa a paquerá-lo e o convida para ir a praia, local onde ele nunca esteve, mas não hesita em aceitar o convite mesmo perdendo o emprego por abandono. Enquanto os amigos se divertem por levar um caipirão para passear, a adolescente parece olhá-lo de outra forma, ele teria a ingenuidade e a doçura que faltava a ela, e rapidamente eles começam a namorar. A relação vai se encaminhando bem, inclusive porque o irmão mais novo da jovem, Lonnie (Rory Culkin), logo faz amizade com o cunhado, este que usa seu estilo ingênuo, fala mansa e artimanhas para conquistá-lo. Harlan seria o amigo que o garoto sempre quis ter, ou melhor, o pai que desejava. Todavia, Wade (David Morse), o pai dos adolescentes, não cai na lábia do rapaz desde a primeira vez que o viu. Profissional da área policial, a certa altura ele afirma para o próprio caubói que ele lida diariamente com pessoas como ele, tipos que são um zero a esquerda e que fariam de tudo para conseguirem ser algo na vida ou suprirem suas necessidades. Viúvo, mas praticamente ausente na criação dos filhos, Wade consegue deixar a rebeldia da filha ainda mais latente proibindo o namoro, mas não esperava que até Lonnie estaria contra ele nessa parada.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

DOCES ENCONTROS

NOTA 3,0

Drama reúne bons ganchos
dramáticos, mas desperdiça
todos em trama superficial e
talhada para mocinha brilhar
Um ator depende de um bom filme para agregar algo a mais ao seu currículo ou é o longa em si que precisa de um nome de um artista de peso ou em evidência para tornar-se realidade? São inúmeros os exemplos de produtos que nasceram da junção destas duas necessidades e Doces Encontros é um deles. Com a Saga Crepúsculo ainda dando seus primeiros passos cinematográficos, mas já ostentando uma enorme legião de fãs, a atriz Kristen Stewart não dormiu no ponto e procurou participar paralelamente de projetos menores e independentes, assim não comprometeria sua imagem de ídolo dos teens e teria a chance de interpretar papéis mais densos que seriam importantes para sua experiência profissional, mesmo que fossem fracassos de bilheteria, seguindo assim os passos de atrizes consagradas como Nicole Kidman e Cate Blanchett, mas é óbvio que ainda tem chão para a jovem chegar aos pés delas. Todavia, ela se esforçou chegando ao ponto de cortar suas longas madeixas para dar mais veracidade ao sofrimento de Georgia Kaminski, uma adolescente de 15 anos que sofre de um tipo de atrofia neuromuscular que compromete sua locomoção, dicção e com o tempo pode causar sérios problemas cardíacos e até levar a morte. Ciente de seu estado de saúde delicado, ela leva uma vida melancólica ao lado dos pais. Sua mãe, Violet (Talia Balsam) é fotógrafa e adora que a filha pose para ela como modelo, assim documentando com imagens a progressão ou as vezes as leves regressões de sua doença sonhando que um dia esse trabalho seria reconhecido internacionalmente lhe trazendo fama travestida de serviço social. Enquanto esse dia não chega, Geórgia ajuda a avó Marg (Elizabeth Ashley) a vender fotos  e bugigangas em uma feirinha e é lá que ela conhece Beagle Kimbrough (Aaron Stanford), um jovem um pouco mais velho que ela que trabalha na mesma escola em que ela estuda, mas até então eles nunca haviam conversado. Afoita, a garota acaba pedindo ajuda do rapaz para fazer a lição de casa já que nem sempre consegue escrever, mas na realidade ela tem segundas intenções. Sabendo que sua vida é curta ela não vê a hora de saber como é se apaixonar. Beagle reage bem a investida da moça, mas seu momento de vida não parece oportuno para começar um relacionamento. Há pouco tempo sua mãe faleceu e parece haver um conflito velado entre os outros membros de seu clã.

domingo, 12 de junho de 2016

NO RITMO DO AMOR

Nota 4,0 Drama reúne diversos temas interessantes, mas nenhum é explorado satisfatoriamente

Em meados da década de 2000 houve um boom de filmes em que a dança era a grande protagonista. Valsa, tango, lambada, salsa, hip hop, balé, praticamente todos os ritmos e estilos de dança viraram inspiração para diretores que exploraram tal onda, mas tudo que é demais cansa. Com o tempo os enredos começaram a ficar muito parecidos, geralmente histórias de amor e/ou superação, o que levou os números musicais a ganharem maior destaque sobre a própria trama. Tentando equilibrar história e dança o roteirista e diretor Eitan Anner recheou de boas intenções o seu No Ritmo do Amor, um leve drama que procura abordar muitos assuntos, mas o resultado final fica aquém do esperado, ainda mais por se tratar de uma produção diferenciada, um produto vindo de Israel cuja filmografia não tem grande projeção. A trama gira em torno do pré-adolescente Chen (Vladimir Volov) que vive em um lar sem harmonia na pacata cidade de Ashdod. Lena (Oxana Korstyshevska), sua mãe, é de origem russa, é culta e estava acostumada a levar uma vida confortável e a diversões como ir ao teatro ou jantar fora, mas agora sofre com o descaso do marido, Rani (Avi Kushnir), um homem mais rudimentar, tradicional e contraditório. Ao mesmo tempo em que nunca se lembra do aniversário de casamento ele também tem a pretensão de fazer de seu filho uma pessoa melhor do que a idealizada futilmente pela esposa. Todavia, Chen pode fugir do caminho traçado pelo pai. Ele troca os golpes de judô pelos passos de dança quando conhece Natalie (Valeria Volvodin) numa escola cujos bailes sua mãe gosta de frequentar. Para se aproximar da garota ele resolve se matricular nas aulas apesar de não ter jeito para o bailado. No início parece que a professora Yulia (Evgenya Dodino) não bota fé no garoto e sabe bem por qual motivo ele está nas aulas, mas ainda assim resolve lhe dar uma chance, porém, o obriga a dançar com Sharon (Thalya Raz), aparentemente uma garota pouca popular da turma e que se estranha com o menino logo de cara. Adotando o tom açucarado e clichê típico de produções semelhantes made in Hollywood é óbvio que o final feliz está garantido e que Chen com o passar do tempo enxergará Sharon com outros olhos, mas o que deixa um gostinho incômodo no final das contas é que haviam boas subtramas desprezadas.

sábado, 11 de junho de 2016

O VOO DA CORUJA

Nota 6,0 Suspense enxuto e com tom melancólico é uma boa pedida aos amantes do gênero

O título pode remeter a um longa de terror, mas não se engane, eis aqui uma trama policial madura com pitadas de romance, mais um daqueles filmes típicos do “Super Cine”: suspense meia-boca que funciona momentaneamente contando com interpretações razoáveis, mas que está fadado a mofar nas prateleiras de locadoras ou ocupar horário nas madrugadas da TV. Será mesmo? Por infelicidade sim. Todavia, O Voo da Coruja não é das piores produções, até que é bem feito, tem um roteiro bacana e, o melhor, tem um final digno que não constrange o espectador. O problema é que a produção não tem a dose de adrenalina que muitos amantes de suspense pedem, parecendo inclusive uma obra datada, um produto daqueles que eram lançados antigamente aos montes para abastecer com exclusividade o mercado de vídeo, mas é bom lembrar que sempre podem existir surpresas positivas entre os títulos pouco divulgados. Robert Forrester (Paddy Considine) está se separando da esposa Nickie (Caroline Dhavernas) e mudou-se para uma pequena cidade onde sua maior distração é observar às escondidas o cotidiano de sua vizinha Jenny Thierolf (Julia Stiles), embora nem ele mesmo saiba o porquê deste fetiche. Certo dia, os dois acabam se encontrando, descobrem coisas em comum e começam a manter uma amizade que caminha para um relacionamento mais sério, mas ela já namora com Greg Wyncoop (James Gilbert), este que é muito ciumento e não vai deixar isso barato. Já desconfiado da proximidade da moça pelo sujeito, o rapaz explode quando ela pede para eles darem um tempo para reavaliarem seus sentimentos. Os rivais se enfrentam e Forrester acaba ferido e inconsciente. Quando acorda percebe que está em uma enrascada. Wyncoop está desaparecido e há suspeitas de que ele esteja morto e agora Forrester precisa correr contra o tempo para provar sua inocência, mas sua ex-mulher está a postos para contribuir com as investigações sujando ainda mais sua imagem relembrando seu passado problemático.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O REINO DOS GATOS

NOTA 8,0

Animação dirigida por pupilo
de Hayao Miyazaki preserva
características que consagraram
sua carreira e seu estilo de cinema
Desde que conquistou uma penca de prêmios por A Viagem de Chihiro, incluindo o Urso de Ouro no Festival de Berlim e o Oscar de Melhor Filme de Animação, o nome Hayao Miyazaki se transformou em uma grife, uma marca que inspira confiabilidade, criatividade e credibilidade e por tabela os mesmos predicados se estendem ao seu estúdio de cinema, o Ghibli. Desde então cinéfilos aguardam com ansiedade cada trabalho novo do animador, embora já esteja com bastante idade, e ficam na expectativa de que suas obras antigas venham ainda a ser relançadas para novas gerações apreciarem. Com a boa receptividade de O Castelo Animado, mais um de seus projetos que ganhou projeção em parte por conta de mais uma indicação da Academia de Cinema, chegou a ser lançado diretamente em DVD no Brasil o simpático e agradável O Reino dos Gatos que contou com a publicidade de ser uma realização dos mesmos criadores do citado vencedor do Oscar. Todavia, Miyazaki neste caso cedeu o cargo de direção para um de seus pupilos, Hiroyuki Morita, um dos animadores que há anos colaborava com seu estúdio. Realmente as características do mestre da animação oriental estão em cada cena deste desenho, guardadas as devidas proporções obviamente, provando que seu estilo foi perpetuado e continuará encantando novas gerações através do talento e criatividade de novos profissionais. O roteiro de Reiko Yoshida é bastante simples, mas agregado ao estilo visual tradicional, praticamente uma novidade em tempos da febre dos desenhos digitais, o resultado final é delicioso e com potencial para agradar a todas as idades. Haru é uma garota que leva uma vida normal como qualquer outra da sua idade, porém, considera sua rotina um tanto monótona e parece não gostar muito da escola. As coisas mudam completamente a partir do dia que ela encontra na rua um lindo gato carregando uma caixinha de presente na boca. Distraído, ele quase é atropelado, mas a jovem o salva e como agradecimento ele fica de pé sustentado por suas duas patas traseiras e desanda a falar. Assustada ela foge, mas na mesma noite fatos estranhos passam a ocorrer, por exemplo, quando está indo dormir Haru escuta barulhos do lado de fora de sua casa, sons provocados por um cortejo felino que parece querer chamar sua atenção.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

O SOM DO TROVÃO

NOTA 2,5

Aventura futurista faz uma
metáfora da relação do homem
e a natureza, mas comete falhas
e tem visual retrô e tosco
Poder viajar no tempo é uma fantasia comum a todas as pessoas, desde pensamentos infantilizados como poder voltar a época dos homens das cavernas ou objetivos mais maduros como ter a chance de corrigir algum erro que por ventura tenha cometido, e o cinema sempre se aproveitou do fascínio que tal ideia exerce universalmente. Grandes clássicos do passado nos mais variados gêneros beberam nessa fonte, mas é óbvio que os suspenses e as aventuras com um quê de ficção científica levam vantagem nessa área, um campo fértil e propício para testar novas tecnologias em busca de imagens e efeitos visuais cada vez mais impressionantes. Bem, é muito agradável imaginar que uma simples mudança no passado pode tornar a vida de um indivíduo no presente ou futuro bem melhor, mas esse é um pensamento mesquinho, um tanto individualista. Sabia que essa alteração poderia influenciar a vida de outras pessoas em menor ou maior grau também? Agora pegue esse conceito e aplique em uma situação mais abrangente, como aquele copinho plástico que vez ou outra você acaba jogando na rua. Pois é, esse simples ato somado ao de outras pessoas pode significar a enchente do próximo verão, aquele transtorno que te fará ficar parado na rua, destruirá o lar de alguém e pode até provocar mortes. Pode parecer algo muito apocalíptico, mas é uma teoria que tem fundamentos e que serve como base para a narrativa de O Som do Trovão, mescla de aventura e ficção científica dirigida por Peter Hyams, o mesmo que já havia explorado a extinção da humanidade sob uma ótica mais supersticiosa em Fim dos Dias. Neste caso o cineasta deixou de lado as crenças para buscar inspiração na ciência, mais especificamente na chamada Teoria do Caos que pode ser resumida como o passar dos anos justificando nossos atos. Se hoje o mundo sente frequentemente a fúria da natureza através de tsunamis, furacões e outras manifestações do tipo não devemos considerar que tudo acontece por acaso. Felizmente boa parte da população mundial já tomou consciência de que o ser humano há anos interfere drasticamente no clima, relevo e transformações de animais, por exemplo, sempre em busca de melhores condições de vida para si mesmo o que inerentemente envolve lucros e tecnologia. Pensamentos do tipo certamente passaram pela cabeça do renomado romancista Ray Bradburt quando escreveu o conto homônimo e visionário que originou este longa-metragem. Publicado originalmente em 1952 em uma revista, a temática do texto é extremamente atual, faz uma metáfora ao comportamento humano em relação a natureza, mas é uma pena que sua adaptação cinematográfica jogue por água abaixo as chances de seu conteúdo ser bem aproveitado. A precariedade da produção infelizmente salta aos olhos e é difícil alguém prestar atenção na narrativa quando o incômodo visual se faz presente do início ao fim.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

PEQUENOS MILAGRES (2010)

Nota 5,0 Apesar da boa premissa, drama é enfadonho e pontuado por problemas narrativos

A fórmula dos filmes que acompanham histórias paralelas que podem ou não se fundir na conclusão definitivamente se popularizaram. Antes relegada aos produtos mais cults, os conhecidos filmes-cabeça, hoje esse tipo de narrativa já é assimilada com mais facilidade por variados tipos de público. De forma não muito radical, o cineasta português Fernando Fragata adotou uma estrutura similar para o drama Pequenos Milagres. O cinema feito em Portugal é pouco divulgado, não tem tradição e talvez por isso o diretor ainda assumiu as rédeas das equipes de edição, fotografia e iluminação, além de roteirizar a história e ser o criador do argumento, tudo para conseguir finalizar seu trabalho. A razoável projeção que o longa tem entre alguns grupos específicos se deve ao título fácil e que automaticamente já remete o espectador a uma temática religiosa, que também pode ser encarada por alguns como de auto-ajuda ou no mínimo uma obra com mensagem bonita e reflexiva. Co-produzido entre Portugal e os EUA, o longa narra algumas histórias de pessoas que não se conheciam até certo dia em que seus destinos se cruzaram em uma região desértica. O problema é que no conjunto o longa parece um tanto irregular, tornado-se cansativo da metade para o final. Um pequeno penhasco que daria direto no mar é o ponto de encontro dos personagens ao sabor do destino. Na primeira parte ficamos conhecendo Jay (Joaquim de Almeida), um sujeito que perdeu a mulher há cerca de um ano e não conseguiu se recuperar do baque. Ele simplesmente parou no tempo, mas no dia de seu aniversário as coisas podem mudar. Um amigo deixou um recado em sua secretária eletrônica dizendo que comprou algumas coisas para ele e deixou na porta de sua casa. Entre elas havia uma tesoura, justamente um incentivo para ele abrir o presente que sua esposa lhe deu no seu último aniversário e que ele não teve tempo de desembrulhar antes dela partir. O pacote tinha um GPS (para quem não sabe, um guia eletrônico para auxiliar motoristas) que aparentemente não funcionava mais, porém, em um momento muito oportuno o aparelhou passou a repetir várias vezes uma mesma frase genérica, mas que para a ocasião caiu como uma luva para Jay evitar de fazer uma besteira. Curiosamente, tal cena acontece em um cenário desértico, sem referências e cuja probabilidade de alguém passar seria mínima, mas milagres existem e é isso que Fragata quis provar com este trabalho.

terça-feira, 7 de junho de 2016

SEU AMOR, MEU DESTINO

NOTA 3,0

Romance feito para adolescentes
é repleto de clichês, mas o que
incomoda é a apatia dos atores e
as relações pouco críveis
Quem disse que falar de amor para adolescentes só funciona atrelado ao gênero da comédia? Bem, se levarmos em consideração o exemplo de Seu Amor, Meu Destino realmente é melhor acreditarmos que a paixão só nasce mesmo após alguns micos ou umas intrigas, quando finalmente caem as fichas dos interessados que eles foram feitos um para o outro. Com uma passagem relâmpago pelos cinemas, o trabalho do diretor estreante Mark Piznarski realmente é esquecível porque no fundo parece uma colcha de retalhos mal feita. Excluindo cenas escatológicas, de humor pastelão e de apelo sexual tão comuns em produções destinadas aos jovens (ainda bem), o cineasta teve a boa vontade de fazer algo diferente para este público, mas infelizmente se perdeu pelo caminho deixando o amor em segundo plano e exaltando a redenção adicionando exemplos edificantes ao enredo. O roteiro de Michael Seitzman conta a história de três jovens que tiveram suas vidas mudadas por completo quando seus caminhos se cruzaram. Prestes a se formar no colégio, o arrogante Kelley Morse (Chris Klein) ganhou um carro caríssimo do pai e certa noite resolve sair às escondidas com os amigos para comemorar e, obviamente, se exibir passeando por uma cidade vizinha a sua escola. Ele acaba arranjando confusão com alguns moradores em uma lanchonete de beira de estrada e provoca a ira do humilde Jasper (Josh Hartnett) quando começa a paquerar sua namorada, a recatada Samantha (Leelee Sobieski). Os rapazes então começam a disputar uma corrida de carros em alta velocidade que termina com a explosão de uma bomba de gasolina e a destruição da tal lanchonete que pertence a família da moça que sem querer motivou tudo isso. A velha regrinha do quebrou pagou é então aplicada. Como castigo, os dois marrentos precisarão reconstruir o estabelecimento, o que significa que por um bom tempo eles terão que conviver juntos e deixar o orgulho de lado, mesmo se odiando e pertencentes a mundos completamente diferentes. Contudo, a convivência com os mais simples, principalmente com Samantha, faz com que Kelley aprenda que dinheiro não é tudo na vida e passe a ver as coisas com um olhar mais otimista, inclusive deixando aflorar seus sentimentos pela moça. Já para Jasper a situação só deve ter lhe trazido dores no corpo, pois seu relacionamento com a adolescente é um tanto frio.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

PAPARAZZI

NOTA 6,5

A falta de escrúpulos dos
paparazzi é colocada em xeque,
mas longa de ação não se
aprofunda na discussão
Como diz o ditado, uma imagem vale mais que mil palavras. Desde o primeiro dia em que a fotografia passou a fazer parte dos jornais impressos, um elemento chamativo e que muitas vezes funciona melhor que um longo texto, certamente fotógrafos profissionais e amadores começaram a se espalhar por todos os cantos para conseguirem aquele flagra inesperado de um acidente, de uma situação bizarra ou de uma cena comprometedora de alguém público. A atividade passou a ganhar cada vez mais importância, principalmente após o surgimento da televisão e das revistas de fofoca, e hoje em dia vivemos o ápice do ataque dos fotógrafos de plantão já que vivemos tempos em que celebridades não preservam suas intimidades e subcelebridades chegam ao cúmulo de enviar comunicados aos membros da imprensa avisando sobre coisas prosaicas, como avisar que estarão em tal festa ou salão de cabeleireiros. Tudo vale para ter aquela foto que vai causar burburinho, mas nem sempre o resultado é positivo tanto para o famoso quanto para o anônimo que se encontra atrás dos flashes. É justamente essa relação conturbada que no fundo move o longa de ação Paparazzi, produção que infelizmente não fez muito sucesso, mas é divertida, levemente reflexiva e apesar de datada de 2004 continua super atual. Escrito por Forrest Smith, o filme conta a história de Bo Laramie (Cole Hauser), um ator que está em ascensão em Hollywood e virando um astro dos filmes de ação graças a um projeto que está para ser lançado e com possibilidades de se tornar uma rentável franquia cinematográfica. Logo na noite de pré-estreia de “Adrenaline Force”, seu mais novo trabalho, ele já sente o peso da fama e o incômodo dos flashs dos paparazzi, mas parece lidar bem com o assédio dos fãs e da imprensa. O problema é que por tabela sua mulher Abby (Robin Tunney) e seu filho pequeno Zach (Blake Bryan) também deverão aprender a ter jogo de cintura com toda fama repentina de Bo. As coisas complicam quando momentos íntimos e cotidianos do astro passam a estampar revistas e jornais com manchetes em tom de fofoca. Após ver publicadas fotos suas e da família nus em uma praia e a imagem de um abraço de uma fã descrita como uma possível amante de Bo, o bicho pega quando ele flagra Rex Harper (Tom Sizemore) fotografando seu filho durante um treino de futebol na escola. Sempre tentando contornar a situação da melhor maneira possível, ele tenta conversar amigavelmente com o fotógrafo, mas acaba perdendo a cabeça e lhe agredindo. Para sua surpresa, muitos outros paparazzi surgem inesperadamente de dentro de uma van e flagram mais essa situação. Do céu ao inferno, de uma hora para a outra Bo passa a ser acusado nas mídias como agressor e o caso vai parar nos tribunais, rendendo-lhe a sentença de uma grande quantia de indenização ao agredido e a obrigação do ator passar a frequentar a terapia.

domingo, 5 de junho de 2016

TEMPO DE APRENDER

Nota 4,0 Mais um drama explora a temática do mestre e aprendiz sem trazer novidades

Os americanos são apaixonados por esportes, sendo o beisebol um dos mais tradicionais, e levam a sério a crença de que investindo em atividades do tipo é possível transformar um ser humano através do trabalho em grupo e os conceitos da responsabilidade e da determinação. Tal ideia explica a grande quantidade de filmes com mensagens edificantes atreladas a temáticas esportivas que existem e continuam sendo lançadas todos os anos, embora dificilmente tragam alguma novidade. Virou um produto de nicho. Existe uma quantidade razoável de público para tais produções por isso elas continuam sendo feitas, geralmente lançadas diretamente em DVD, salvo raras exceções como o caso de O Homem que Mudou o Jogo que traz como respaldo Brad Pitt como protagonista, é baseado em fatos reais e ainda conquistou algumas indicações a prêmios, inclusive ao Oscar. Contudo, em geral, o destino destes filmes é juntar poeira na prateleira das locadoras ou na melhor das hipóteses tapar buracos nas programações da TV a tarde ou nas madrugadas. Tempo de Aprender é um bom exemplo de tal teoria. Cheio de boas intenções, simpático e com uma premissa bacana, simplesmente o longa chega ao fim deixando o espectador com cara de paisagem. Escrito e dirigido por James Ponsoldt, a trama gira em torno de dois homens de idades completamente diferentes, porém, cujas formas de encarar a vida são semelhantes. O adolescente Dave Tibbel (Trevor Morgan) é um desacreditado jogador de beisebol e seu treinador, Ray Cook (Nick Nolte), um sessentão com cara de poucos amigos e que não cria mais expectativas quanto sua carreira e talvez nem mesmo quanto a sua vida pessoal. Após perderem um jogo e culpando a falta de apoio do professor, alguns jovens do time decidem invadir a casa dele para lhe darem um susto, mas acabam surpreendidos pelo próprio e fogem causando alguns estragos do lado de fora da propriedade. Todos menos Dave que não consegue e acaba tendo que se entender com o treinador. Eles fazem o seguinte trato: se o rapaz reparar os estragos no jardim e pagar um novo vidro para substituir o quebrado do carro Ray não o denunciará à polícia. O convívio diário dos dois acaba fazendo com que nasça uma amizade entre eles de forma que ambos se sentem a vontade para falar de seus problemas um com o outro.

sábado, 4 de junho de 2016

BON COP BAD COP

Nota 6,0 Longa de ação canadense se beneficia de rixa entre cidades para explorar o humor

Os EUA reconhecidamente é um país sinônimo de cinema comercial e o gênero de ação continua sendo um dos carros-chefes dessa indústria, mesmo com as críticas negativas que longas do tipo recebem, além do fato da maioria nem chegar a passar em cinema, sendo lançada diretamente em DVD. Contudo, ainda existe platéia cativa para esses produtos, pessoas que construíram seu gosto cinematográfico influenciados por trabalhos de Arnold Schawznegger, Silvester Stallone e companhia bela, principalmente as gerações que cresceram na época do boom das locadoras, estabelecimentos que acolheram os astros brucutus quando as salas de cinema passaram a fechar as portas para eles. Mas deixando de lado os detalhes dos bastidores, é curioso que os fãs de ação hollywoodiana se acostumaram tanto a um padrão engessado que sentem dificuldades em aceitar produtos do gênero oriundos de outros países. Eles não vão mudar a vida de ninguém certamente, mas com sorte podem oferecer um divertimento de melhor qualidade que o habitual como é o caso de Bon Cop Bad Cop, mescla de ação, policial e comédia produzida pelo Canadá. A premissa do roteiro de Leila Basen, Kevin Tierney, Alex Epstein e de Patrick Huard, um dos protagonistas, pode parecer esquisita, mas vale a pena insistir. O filme começa com uma tola discussão sobre a venda de um tradicional time de hóquei canadense para os EUA. Ao mesmo tempo um homem mascarado vai sendo revelado pouco a pouco e já tem uma vítima a postos para ser executada. O corpo deste homem é encontrado em cima de uma placa rodoviária que demarca os limites de duas cidades, pernas de um lado e cabeça e tronco de outro. Dois tiras, um representante de cada município que cativam há nos certa rivalidade, são selecionados para investigar o caso, mas eles não podiam ser mais diferentes. Martin Ward (Colm Feore) é de Toronto, fala inglês e é muito correto com suas obrigações, o policial exemplar. Já David Bouchard (Huard) é de Quebec, fala francês e prefere levar a profissão sem grandes preocupações. Em comum eles têm apenas o fato de que entendem razoavelmente bem o idioma um do outro (fato esquecido lá pelas tantas quando eles passam a se comunicar fluentemente) e ambos possuem problemas de relacionamento com os filhos e não são casados.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

CISNE NEGRO

NOTA 10,0

Obra alia drama, suspense,
psicologia, arte e
entretenimento para falar
sobre a busca da perfeição
Buscar a perfeição em tudo o que fazemos é um objetivo que provavelmente todos sempre querem alcançar, mas muitos passam dos limites e acabam enlouquecendo. A obsessão desloca a pessoa da realidade e a leva a um mundo onde o real e o fictício se misturam e não se sabe onde um termina e o outro começa. O cultuado cineasta Darren Aronofsky não deve ter enlouquecido, mas buscou e conseguiu a perfeição com Cisne Negro, um trabalho que reuniu drama e suspense nas doses certas e que é um ótimo exemplo de que arte e entretenimento podem caminhar juntos. O longa é praticamente um thriller psicológico que divide opiniões. Muitos o cobrem de elogios e outros o insultam sem piedade, inclusive apontando erros onde não tem, por exemplo, ao tocar no assunto homossexualismo, um preconceito um tanto ultrapassado. Quem recrimina esta produção precisa assisti-la com mais atenção e livre de pré-julgamentos. É bem diferente analisar um filme pelo que os outros dizem e quando podemos julgar por aquilo que nós mesmos constatamos. Declaradamente artística esta obra conta com um trabalho de iluminação e edição essenciais para dar o clima de tensão que combinado com a bela e relativamente escura fotografia levam o espectador a um passeio por um mundo perturbador e angustiante, principalmente nos minutos finais quando a trama ganha uma forte densidade dramática e uma dose extra de adrenalina. Poucos diretores conseguem envolver o espectador usando histórias relativamente simples, mas que se tornam complexas conforme o andamento da trama, um verdadeiro turbilhão de emoções. Aronofsky, acostumado a narrativas de conteúdo forte e reflexivo como Réquiem Para um Sonho, parece gostar de explorar o quanto elementos externos influenciam um indivíduo para chegar ao sucesso de forma sadia ou degradando-o física e mentalmente. Em O Lutador, por exemplo, ele mostra o resgate da carreira de um boxeador que há muitos anos sofria com a rejeição da filha e a incapacidade de manter relacionamentos estáveis. Ainda em busca de esmiuçar o ápice de um profissional, aqui o cineasta aponta sua câmera para o mundo do balé, mais precisamente para uma bailarina em específico que deixou que as cobranças para que ela atingisse resultados excepcionais em sua arte a levassem a adquirir um quadro de problemas psicológicos sérios.  

quinta-feira, 2 de junho de 2016

MATEMÁTICA DO AMOR

NOTA 3,5

Jovem que cresceu em meio a
números e problemas mal
resolvidos repentinamente
precisa se adaptar ao mundo real
O título é bem simpático, poderia ser uma alusão a algo do tipo quando um não quer dois não brigam, mas na realidade o filme em si é estranhíssimo. As operações matemáticas já estiveram presentes em alguns filmes como os premiados Gênio Indomável e Uma Mente Brilhante, mas a diretora Marilyn Agrelo se perdeu entre os números e a poesia em Matemática do Amor, sua estreia nos cinemas. Baseado no livro “An Invisible Signo f My Own” de Aimee Bender, o longa é mais um a explorar o filão dos filmes sobre professores que inspiram e transformam a vida de alunos, uma lista extensa que tem como principais expoentes Ao Mestre com Carinho e Sociedade dos Poetas Mortos, por exemplo. Todavia, este aqui está longe de ser comparado aos grandes trabalhos do gênero, interessando mesmo (com esforço) a apenas aficionados por draminhas românticos. O roteiro criado por Pam Falk e Mike Ellis apresenta uma inversão narrativa sendo a professora no caso quem precisa de ajuda. O filme narra a história de Mona Gray (Jessica Alba), uma jovem que desde a infância demonstrava uma grande capacidade para lidar com números, algo que aprendeu com seu pai (John Shea), a quem idolatrava e o seguia na paixão pela matemática e pelas corridas ao ar livre. Certo dia, durante uma das práticas do esporte, seu pai acabou sentindo-se mal e tal episódio transformou a vida da garota completamente. Debilitado por uma espécie de colapso nervoso e afetado por um distúrbio mental, o matemático fica submetido aos cuidados de sua esposa (Sonia Braga) e Mona acaba sentindo-se desmotivada e sem rumo a seguir na vida. Ela simplesmente abdica de tudo o que gostava de fazer, restando-lhe apenas os números como companhia e distração, como se fosse um pacto com o universo ou uma promessa a algum santo em troca da recuperação da saúde de seu pai, mas infelizmente tudo é em vão. Tal ideia estapafúrdia surgiu das memórias que ela tinha sobre um conto de fadas que seu pai costumava lhe contar. Aliás, a sequência que abre a obra é justamente uma animação que ilustra tal história, uma fábula sombria na qual um rei ordena que cada família tenha um de seus membros executados como forma de sacrifício para o bem de todo o reino que sofria com a falta de espaço e o excesso de habitantes, mas uma em especial consegue “abrandar” a exigência, assim cada pessoa do clã perdeu apenas uma parte do corpo. Bizarro demais? Ao menos a introdução já dá mais ou menos ideia do que vem por aí. Se assistir com mente aberta à fantasia dá para engolir aos trancos. Se levar a sério demais...

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