quinta-feira, 10 de novembro de 2016

ROUBO NAS ALTURAS

NOTA 7,0

Explorando a temática de
golpes, mas praticados por gente
do bem em busca de justiça, comédia
ganha simpatia por conta de elenco
Podem reclamar quanto a qualidade, mas é inegável que Eddie Murphy marcou época com filmes que mesclam humor e adrenalina em doses generosas como Um Tira da Pesada. Talvez buscando resgatar o espírito nonsense de produções do tipo é que o diretor Brett Rainer investiu seus esforços na realização de Roubo nas Alturas, fita razoavelmente divertida, bem-feita, mas que não resgata o prestígio do citado ator, embora ele roube a cena toda vez que apareça com seu jeito malandro característico. Todavia, o cabeça do elenco, ou no caso da quadrilha, é Ben Stiller. Ele não deixou de fazer o tipo bom moço de sempre, mas as circunstâncias levaram seu personagem Josh Kovacs a enveredar pelo mundo do crime. Ele é o administrador do Tower Heist, um luxuoso edifício incrustado em Nova York, local frequentado por pessoas endinheiradas, exigentes e que prezam por sigilo, assim ele trabalha exaustivamente e impõe regras quase militares para seus subordinados e para si próprio. Contudo, tanta dedicação é em vão. O equilíbrio do local é quebrado quando surge a notícia da caça do FBI ao investidor Arthur Shaw (Alan Alda), um dos inquilinos e um vigarista de mão cheia. Suas dezenas de negócios entram em colapso, autoridades o acusam de fraude e da noite para o dia sua fortuna some. Poderia ser apenas um problema pessoal do empresário, mas o gerente acaba sendo surpreendido com o roubo de seu fundo de pensão que havia confiado ao executivo para aplicações no mercado financeiro. O mesmo aconteceu com alguns colegas de trabalho de Kovacs que então se unem para aplicar um golpe no magnata que está sob regime de prisão domiciliar, mas desfrutando dos luxos de sua cobertura cinco estrelas. Não bastasse a revolta por conta do golpe, o gerente ainda quer vingança por causa do suicídio de um de seus amigos que entrou em desespero ao saber que perdeu suas economias. Que dramático! Mas calma, lembre-se que é Stiller quem chefia o bando, assim os risos estão garantidos. Não basta ter a intenção de roubar, é preciso ter talento para a coisa, tudo que falta à Kovacs que se junta aos também fracassados, porém, todos de bom coração, Sr. Fitzhugh (Matthew Broderick), ex-morador do arranha-céu e acionista falido, Enrique Dev’Reaux (Michael Peña), um ascensorista não muito inteligente, Charlie Gibbs (Casey Affleck), seu cunhado e antigo recepcionista, e Odessa (Gabourey Sidibe), uma camareira literalmente de peso e a única com certa habilidade para golpes devido a seu traquejo para abrir fechaduras.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A BRUXA

NOTA 8,5

Invertendo expectativas, obra foge
da previsibilidade e clichês para
narrar história de terror psicológico
em que fé e ignorância são os vilões
Basicamente histórias de horror são construídas tendo como base o bem contra o mal ou, seguindo tradições cristãs, resumem-se a batalha sem fim de Deus contra o Diabo. Dependendo das crenças de cada espectador uma mesma obra do tipo pode ter um amplo leque de interpretações, principalmente quando a violência gráfica não está no enfoque. Seguindo uma proposta razoavelmente incomum, a ideia do suspense A Bruxa tem como ponto de partida a dúvida sobre a existência daquilo que seus personagens acreditam. A introdução apresenta uma família, com todos os membros de costas para a câmera, ouvindo sua sentença em um tribunal que os acusa de heresia. O pai, a mãe e seus cinco filhos são expulsos da comunidade em que vivem. Estamos em meados do século 17 na Nova Inglaterra, época e local em que qualquer desvio do padrão religioso imposto é interpretado como uma grave ameaça para manter a sociedade no caminho considerado correto. Assim o título ganha duas conotações iniciais. O clã sentenciado poderia de fato adorar a figura concreta de uma feiticeira bem como encaixa-se uma metáfora a respeito da expressão caça às bruxas, como ficaram conhecidas as perseguições às pessoas que tinham comportamentos e ideais contraditórios ao que era imposto por regimes políticos e religiosos na Europa durante a Idade Média. No entanto, não fica claro qual o credo praticado pelos acusados e repudiado para tal sentença, mas é a partir do afastamento do tal núcleo familiar que eventos assustadores são desencadeados. Detalhe, não envolvendo a comunidade, mas sim os próprios membros da família que ironicamente partiram reafirmando que dificilmente existiriam outras pessoas tão apegadas a fé como eles. Os puritanos William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie) mudam-se para uma região inóspita e isolada do interior, próximo a uma floresta, e não tardam a sentir e presenciar sinais de que uma força estranha paira por lá. Os problemas começam quando, além do fracasso das colheitas das plantações que garantiriam o próprio sustento do clã e a rebeldia repentina doas animais que criam, a filha mais velha Thomasin (Anya Taylor-Joy) perde o irmão mais novo, um bebê de colo, de forma inexplicável. Foi só um segundo de distração e parece que alguma criatura maligna cruzou seu caminho. Logo os gêmeos Mercy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson) também vivenciam estranhas situações assim como Caleb (Harvey Scrimshaw), o filho do meio que se enche de coragem para ajudar os pais neste momento em que a fé de todos é colocada em xeque.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

SONHADORA

NOTA 7,0

Drama traz mensagens edificantes
através de história sobre superação
e união, temas clichês, mas o longa
se beneficia de protagonista mirim
Você já viu esse filme. E não apenas uma vez, mas algumas dezenas de vezes. No entanto, Sonhadora poderia ser apenas mais um título em meio a tantos outros idênticos abordando a superação através do esporte ou a reunião familiar em nome de um bem em comum, mas o fato é que seu diferencial tem nome e sobrenome: Dakota Fanning. Na época uma estrela infantil em ascensão, não há dúvidas de que a publicidade deste filme, ainda que bastante discreta, só foi possível por contar com a loirinha encabeçando o elenco. Ela dá vida a Cale Crane, uma garotinha muito devota a seu pai Ben (Kurt Russell) e que tenta ficar ao máximo de seu lado, porém, encontra barreiras por parte dele. Atualmente ele é um treinador de cavalos de corrida, mas um dia já foi um grande criador de equinos junto a seu pai, Pop (Kris Kristofferson). Por anos eles se dedicaram a manutenção de um respeitado haras, mas alguns problemas levaram o negócio a falência e ocasionou brigas que os forçaram a romper relações afetivas. Ben trabalha para o inescrupuloso Palmer (David Morse), administrador da tropa de equinos de um milionário príncipe árabe que reside na cidade de Lexington, no interior dos EUA. Contudo, certa vez que se recusa a cumprir uma ordem de seu chefe acaba sendo despedido de imediato. A tarefa era sacrificar um animal que caiu durante uma corrida e feriu gravemente uma das patas dianteiras. Sonhadora, também chamada de Sonya, era uma égua com um incrível potencial, mas agora só traria prejuízos e ninguém acreditava em sua recuperação. Quer dizer, Cale alimentava esperanças. Ela não entendia porque seu pai nunca a levou para conhecer seu local de trabalho, provavelmente porque não gostava do que fazia, mas justo no dia em que realizou a vontade da filha ela presenciou o acidente. Ben havia percebido que o animal não estava com a saúde em dia, mas Palmer exigiu sua participação em uma corrida e obviamente a culpou por alguns trocados que perdeu. A garota então convenceu seu pai a não matar Sonya, assim, como parte do acordo de demissão, o treinador leva a égua para sua casa, mas ciente de que teria que investir em sua recuperação e sua futura venda traria um lucro mínimo. No fundo a intenção era apenas realizar um capricho da filha, uma maneira de demonstrar que se importava com ela, mas economizando em palavras e sentimentalismo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

VOLCANO - A FÚRIA

NOTA 6,5

Para ser diferenciar de outros
filmes-catástrofe, longa abre mão
dos dramas paralelos e se resume a
efeitos especiais e doses de adrenalina
Imagine você acalentar um projeto durante meses, correr atrás de financiadores, escolher locações e elenco e quando tudo parece engatilhado vem uma bomba: um estúdio concorrente está para lançar um produto com temática semelhante. Já houveram várias histórias de coincidências do tipo, algumas inclusive bem suspeitas, e no mesmo ano em que O Inferno de Dante ferveu nos cinemas (ou ao menos almejou isso), uma outra produção trazia um vulcão como protagonista. Volcano – A Fúria é um legítimo representante do estilo catástrofe, vertente dos gêneros ação e suspense cuja diversão é sofrer com o calvário dos personagens por cerca de uma hora e meia e se sentir aliviado com a confirmação de um inerente final feliz para alguns deles, além de a maioria dar a deixa para uma possível continuação quem nem sempre sai do papel, mas que nos faz lembrar que apenas uma batalha foi vencida, outras virão. A trama escrita por Jerome Armstrong e Billy Ray se passa em Los Angeles, nos EUA, cuja rotina frenética e contínua é subitamente interrompida por conta de um forte terremoto logo pela manhã. Na sequência, vários outros incidentes acontecem ao longo do dia como a morte de alguns operários que trabalhavam em uma nova estação de metrô vítimas de profundas queimaduras. Mike Roark (Tommy Lee Jones), chefe da Defesa Civil, é acionado para encaminhar uma investigação dentro do túnel. Ele tem o poder de controlar todos os recursos públicos locais em caso de alguma catástrofe que neste caso se apresenta na forma da ameaça de uma incandescente lava. Isso mesmo! Em meio a cidade grande existe uma atividade vulcânica que interrompe as férias do oficial para decepção de Kelly (Gaby Hoffman), sua filha adolescente, a peça estrategicamente inserida no roteiro para forçar um draminha familiar e levar o espectador a sofrer com mais intensidade nos momentos em que eles são obrigados a vencer provas de fogo, literalmente. Enquanto isso, a Dra. Amy Barnes (Anne Heche), uma geóloga, traz a informação de que próximo a região existe um lago de alcatrão cuja temperatura aumentou consideravelmente, mas em um primeiro momento Roark não lhe dá ouvidos. Todavia, não demora muito e as suspeitas da moça se confirmam e de uma hora para a outra um vulcão rasga o concreto das ruas e bombeiros, policiais, médicos e até mesmo as pessoas comuns precisam se unir para evitar o avanço da lava que destrói absolutamente tudo por onde passa.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

QUANDO AS LUZES SE APAGAM

NOTA 6,0

Esquivando-se de erros técnicos
comuns às fitas que exploram o medo
do escuro, longa falha ao revelar
segredos cedo demais e pelo drama raso 
Já tivemos os tempos áureos das fitas de seriais killers, a época em que monstros clássicos da literatura tomaram de assalto a sétima arte, a onda das refilmagens de terror orientais e também o leve sopro de originalidade vindo das produções de horror e suspense assinadas por diretores e roteiristas espanhóis que mesmo quando são importados para Hollywood costumam deixar marcas próprias em suas obras. E não podemos deixar de mencionar também sobre a febre dos “found footage”, a edição de imagens de fitas amadoras supostamente reais, vertente que não tardou a enjoar tamanha repetição do recurso, mas logo os produtores já tinham uma nova brilhante ideia para tirar da cartola, ou melhor, neste caso da internet. Com a fácil e superexposição, muitos cineastas amadores ou profissionais em início de carreira fizeram da rede mundial de computadores sua vitrine, como Andrés Muschietti que conseguiu lançar o suspense Mama ao ser apadrinhado por Guillermo Del Toro que se encantou ao ver um de seus curtas-metragens. O estreante em longas David F. Sandberg teve a sorte de ter o Midas dos anos 2000 no gênero do horror para ajudar na publicidade de Quando as Luzes se Apagam, baseado em seu curta “Lights Out”. Bastaram apenas três, porém, curiosos e intensos minutos para James Wan, de Invocação do Mal, decidir bancar a extensão do projeto. O resultado é uma obra compacta e com méritos próprios para receber alguns elogios. A premissa é das mais interessantes. Um ser sobrenatural está literalmente tirando o sono de uma família dia e noite, basta alguém se arriscar a ficar no escuro. No entanto, um pequeno feixe de luz é o suficiente para que a ameaça desapareça, ainda que temporariamente. A trama então explora uma fobia bastante comum, porém, por um viés ligeiramente original. Martin (Gabriel Bateman) está constantemente tendo problemas na escola por não dormir, tanto pela dor de ter perdido seu pai recentemente quanto pelas preocupações com sua mãe, Sophie (Maria Bello), uma mulher que já a algum tempo apresenta sinais de demência. Ela demonstra que mantém contato amistoso com Diana (Alicia Vela-Bailey), a tal estranha criatura soturna que também aparece para o menino, porém, para atormentá-lo. O porto-seguro do garoto se torna Rebecca (Teresa Palmer), sua irmã mais velha que também revela que enquanto morava com a mãe sofria os mesmos temores quanto às visões, além do abalo com a ausência do pai que na época pediu o divórcio. Portanto, o ciclo de infortúnios se repete.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

TODO MUNDO HISPÂNICO

NOTA 4,0

Parodiando sucessos do cinema
espanhol, fita segue à risca fórmula
americana, incluindo seus defeitos,
mas até que pega leva com as piadas 
As paródias de grandes sucessos do cinema viraram febre nos EUA, tendo seu ápice com Todo Mundo em Pânico que tirava um sarro dos “slashers movies” que voltaram com tudo no final da década de 1990. A fita gerou diversas sequências, mas perdeu o fio da meada, embora ainda focando nos clichês e erros de filmes de terror e suspense. Apostando em um formato maluco para achincalhar sucessos do momento, mas sempre “homenageando” momentos marcantes de antigas produções, o liquidificador de referências inclui também piadas envolvendo escândalos e deslizes de políticos e celebridades, o que acaba deixando os filmes datados e perdendo a graça com o tempo. Alguém mais novinho hoje consegue entender logo de cara a zoeira com Tom Cruise no quarto filme da série? Ridículos, toscos, apelativos.... Já diz o ditado falem bem ou falem mal, mas falem de mim. Praticamente um subgênero no campo das comédias, esse tipo de paródia gerou inúmeros filhotes e não se pode negar que há um público cativo e elogiar a rapidez dos produtores para sacanearem sucessos quase que simultaneamente a seus lançamentos como, por exemplo, Espartalhões, que pegou carona no blockbuster 300, e Os Vampiros Que se Mordam, que bebeu no sangue da saga Crepúsculo. Vendo por esse lado, não deixa de ser curioso que até o cinema espanhol tenha se rendido à fórmula e se costumamos reclamar das traduções que os filmes ganham no Brasil, Todo Mundo Hispânico cai como uma luva. Vendendo bem seu peixe e ainda criando um vínculo explícito com sua maior fonte de inspiração, o longa de estreia do diretor Javier Ruiz Caldera não traz nada de novo em relação aos citados similares americanos a não ser o fato de ser o primeiro do tipo a deitar e rolar em cima de êxitos do cinema da Espanha que nos últimos anos tornou-se o berço do terror e suspense tendo vários profissionais importados para trabalharem em terras ianques, diga-se de passagem, trazendo um leve sopro de criatividade ao marasmo. No entanto, até os dramas latinos são zoados aqui, sobrando lembranças até ao estilo kitsch do cineasta Pedra Almodóvar. Ramira (Alexandra Jiménez) é a protagonista da película, uma bela e sensual morena cujo visual claramente é inspirado na personagem de Penélope Cruz em Volver. Por essas e outras, quem pouco conhece do cinema espanhol pode não compreender certas citações, mas em geral a diversão não fica comprometida afinal o grande barato é testar os limites da loucura que o tipo de produção permite, ainda que pegue leve com as piadas envolvendo erotismo.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

PENÉLOPE

NOTA 6,0

Brincando com chavões de
contos-de-fadas, comédia tinha
potencial de ir além aprofundando
críticas à mídia e ditadura da beleza
Os contos de fada sempre foram uma fonte de inspiração importante e das mais requisitadas pelo cinema desde seus primórdios e as paródias protagonizadas por princesas, bruxas, elfos e outros seres fantásticos formam praticamente um subgênero do campo da fantasia. Adaptada da obra da escritora Marilyn Kaye, a comédia romântica Penélope não é uma versão modernizada de uma história em específico, mas podemos perceber aqui e ali referências que estão enraizadas no imaginário popular. A talentosa Christina Ricci dá vida à moça do título, que assim como Aurora, a Bela Adormecida, logo que nasceu foi amaldiçoada, ou melhor, a maldição já estava em sua família, mas até então nunca manifestada. Filha do milionário e famoso casal Jessica (Catherine O’Hara) e Franklin Wilhern (Richard E. Grant), a garota sofreu por um deslize de um parente de muitas gerações anteriores. O assanhado Ralph (Nicholas Prideaux) viveu um romance com uma empregada de sua casa, mas acabou se casando com outra mulher de mesmo nível social por pressão da família. Grávida e desiludida a jovem acabou se suicidando e sua mãe quis se vingar. Revelando-se uma poderosa bruxa, ela lançou um feitiço: a primeira herdeira mulher do clã que nascesse seria castigada e teria que aprender a viver com um focinho de porco no lugar do nariz, trazendo vergonha aos que a cercam e que tanto davam valor a vaidade. No entanto, Ralph teve um filho homem, que por sua vez também teve um herdeiro do sexo masculino e assim por várias gerações a maldição não se manifestou até o nascimento da doce Penélope que passou sua infância e juventude trancada dentro de casa, como no conto de Rapunzel, muito mais pelo excesso de zelo de Jessica que não queria virar chacota da alta sociedade. O encanto só seria quebrado caso algum rapaz também de família nobre se apaixonasse pela garota, o que levou seus pais a uma busca desenfreada para arranjar um pretendente assim que ela completou 18 anos de idade. O problema é que não bastava marcar os encontros, mas também convencer os modernos príncipes que bastava um beijo de amor verdadeiro para o patinho virar cisne, ou melhor, a porquinha virar uma bela mulher. Todavia, assim que eles a viam, os rapazes fugiam histéricos. O mordomo Jack (Richard Leaf) até ganhou um par de tênis que em nada combinavam com seu informe para ajudá-lo a correr atrás dos noivos fugitivos.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

ELVIRA - A RAINHA DAS TREVAS


NOTA 8,0

Feito para dar sobrevida a
popular personagem da TV nos
EUA, longa virou uma pérola do
cinema trash e da década de 1980
No dia 31 de outubro comemoramos o Halloween, tradicional festa de origem europeia que criou raízes na cultura norte-americana e seus costumes acabaram sendo adotados para os festejos em outros países. No Brasil não foi criado um estilo próprio para celebrar a data, sendo mais comuns os bailes à fantasia e o rito da busca por doces ou travessuras perpetuados por ações escolares, mas por conta própria por aqui dificilmente alguém enfeita a casa com caveiras e abóboras, não faz parte da nossa cultura infelizmente. Para não dizer que nós brasileiros nunca tivemos uma tradição própria no Dia das Bruxas podemos considerar que por anos curtimos a data na ilustre companhia de Elvira – A Rainha das Trevas, um clássico do cinema trash e também dos bons tempos da “Sessão da Tarde”. Vivida por Cassandra Peterson, a protagonista foi criada pela própria atriz em 1981 já visando um perfil multifuncional. Paralelo ao trabalho em uma banda de rock, a personagem podia ser vista semanalmente apresentando uma sessão de filmes de terror na TV que logo chamou a atenção do público jovem. Sempre com comentários irônicos ou conflitantes a respeito das bobagens que era obrigada a exibir, a sinceridade somada a excentricidade e carisma transformaram Elvira em um sucesso que transcendeu os limites da televisão, assim sua imagem passou a ser requisitada para campanhas publicitárias, licenciamento de brinquedos e cosméticos entre outros contratos que lhe garantiram uma boa renda extra e sobrevida à personagem. Protagonizar seu próprio filme era só uma questão de tempo e para garantir que seu bizarro universo não sofresse modificações Peterson fez questão de cuidar do roteiro, mas ganhou auxílio de John Paragon e Sam Egan para construir um enredo em que as vivências da atriz e de sua criação se misturam homogeneamente. A trama é uma comédia com toques de horror que tem como ponto de partida a notícia de que Elvira ganhou uma inesperada herança de uma tia-avó cuja existência mal se lembrava tamanho seu apego com a família. Entediada com os rumos de seu programa (a vida imita a arte ou vice-versa?), esta seria sua chance de produzir um show como sempre sonhou e se apresentar em Las Vegas, mas para receber seus direitos precisa ir à Fallwell, uma pequena e provinciana cidade que entra em choque com a chegada de uma mulher liberal, desbocada e de visual provocante e ao mesmo tempo peculiar.

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