quarta-feira, 14 de setembro de 2016

HERÓIS FORA DE ÓRBITA

NOTA 7,0

Comédia tira sarro, mas também
homenageia, o gênero ficção científica
e mesmo não explorando a fundo as
possibilidades é divertido e surpreende
Durante quatro anos a corajosa e destemida tripulação da NSEA Protector honrou seu uniforme e partiu para emocionantes e perigosas aventuras desbravando o espaço sideral.... Isto até que o seriado foi cancelado. O reencontro do elenco quase vinte anos depois é o ponto de partida da comédia Heróis Fora de Órbita que parodia, mas ao mesmo tempo homenageia, Jornada nas Estrelas e todo seu legado. “Galaxy Quest”, o seriado dentro do filme e que também o intitula originalmente, era produzido no início da década de 1980, mas mesmo tantos anos após seu término sua legião de fãs nunca deixou de vivenciar o cotidiano dessa espécie de universo paralelo que se formou entre realidade e fantasia. Eles compram souvenires, fantasias e ainda discutem sobre possíveis enredos para novos episódios e até sobre erros técnicos envolvendo leis da física que tornariam impossíveis certas façanhas dos heróis. Os atores, por sua vez, precisaram se acostumar com a escassez de novos trabalhos e reconhecer que estariam atrelados para sempre à imagem de seus personagens, assim sobrevivendo com os cachês que recebem para participar de convenções de ficção científica nas quais saudosistas e novas gerações ainda os idolatram. Bem, os mais novos nem tanto. Após um encontro com fãs no qual foram exibidos alguns trechos ainda inéditos da série, o ator Jason Nesmith (Tim Allen), intérprete do Comandante Peter Taggert, acaba ouvindo sem querer uma conversa entre adolescentes que tiram sarro do seriado, da situação do elenco e até mesmo da conduta dos fãs ardilosos. Sempre egocêntrico, nesse momento lhe cai a ficha de que parou no tempo e estava vivendo uma ilusão, sua vida é considerada uma piada fora do mundo dos “trekkers” (como são chamados os aficionados pela cultura sci-fi).  O restante do elenco também goza de uma vida sem graça. Gwen de Marco (Sigourney Weaver), a Tenente Tawny Madison cuja participação se resumiria a repetir as mensagens do computador de bordo e exibir seu decote, continua vivendo às custas de seus atributos físicos. Alexander Dane (Alan Rickman), que dava vida ao sábio alienígena Dr. Lazarus, não aguenta mais ter que repetir aonde vai a icônica frase que seu personagem bradava repetidamente, além de não esconder a frustração de nunca ter tido a chance de demonstrar seus talentos dramáticos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

OS FANTASMAS SE DIVERTEM

NOTA 9,5

Irônico, diferente, escrachado,
nostálgico e com fundo melancólico,
comédia de humor negro só erra por
não explorar mais a fundo os personagens
O diretor Tim Burton ainda estava iniciando sua carreira, mas quando lançou Os Fantasmas se Divertem conseguiu apresentar todas as características que marcariam sua filmografia, do bizarro ao gótico, e obviamente atestando sua criatividade infinita. A ideia era fazer um filme de terror cujo protagonista seria um demônio que se disfarçaria de humano para se aproximar de duas famílias normais, porém, exterminaria uma delas e estupraria a filha adolescente da outra. Cruzes! Será que o projeto original daria certo? Tendo o cineasta no comando tudo é possível, mas certamente remodelar o argumento e transformá-lo em uma comédia foi uma jogada de mestre. Escrito por Michael McDowell, Warren Skaaren e Larry Wilson, na realidade trata-se de uma obra de humor negro que usa e abusa da criatividade e do que é pouco convencional, aproveitando-se de um elenco em ascensão na época para atrair público e acostumá-lo com o estilo de Burton. A trama começa nos apresentando o casal Barbara (Geena Davis) e Adam Maitland (Alec Baldwin) que levam uma rotina pacata e harmônica em um casarão numa colina de uma cidade bucólica no interior dos EUA. Certa tarde eles acabam sofrendo um acidente de carro (ridículo, porém, fatídico) e caem em um rio, mas só percebem que bateram as botas tempos depois. Muito apaixonados, eles não parecem se importar que morreram, afinal nem a morte foi capaz de separá-los e assim tentam manter suas rotinas, mas vão descobrir que a vida do além é cheia de regras e burocracia. Além das filas para serem atendidos no além (para fazer graça, um mundo retratado com um extravagante colorido tal qual em A Noiva Cadáver), durante mais de um século terão que viver presos dentro da própria casa, não podendo nem mesmo pisar no jardim, mas quando estão se acostumando com a situação a paz do casal é interrompida com a chegada de Delia (Catherine O’Hara) e Charles Deetz (Jeffrey Jones), excêntricos milionários que compram o casarão de uma parente dos antigos proprietários. Ou eles ainda seriam os donos do imóvel? Os Maitland não pretendem e nem podem sair dali, contudo, são inofensivos como fantasmas e os esforços para espantar os novos moradores acabam sempre em fracasso. A adolescente Lydia (Winona Ryder), a filha incompreendida e depressiva dos Deetz, talvez por não se enquadrar no mundo que vive é dotada de uma sensibilidade ímpar e é a única que consegue ver e interagir com os fantasmas e tentando ajuda-los só acaba piorando a situação para eles.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

CINCO ANOS DE NOIVADO

NOTA 5,0

Investindo mais em conteúdo
lançando mão de um arsenal de ideias,
comédia romântica não as aprofunda e
acaba em atropelos e final clichê  
O material publicitário de um filme deve vender sua ideia central, mas algumas vezes conseguem ir além. Cinco Anos de Noivado vende seu peixe com um casal visivelmente cansado após badalar na tão sonhada festa de casamento, mas a imagem também poderia ser interpretada como os noivos estavam se sentindo após tantos anos de espera: exaustos! Ou ainda poderia existir uma brincadeira do pessoal do marketing em relação ao próprio público que se sente fatigado após as longas duas horas de duração para contar uma história de amor cujo final já sabemos. O título resume a trama perfeitamente. Acompanharemos o início, o ápice, o rompimento e a reconciliação de um casal que durante os cinco anos que aguardaram para trocar alianças viveram os sabores e dissabores de uma relação a dois. Tom Solomon (Jason Segel) é um chef de cozinha em ascensão em Nova York e que após um ano de namoro decide pedir Violet (Emily Blunt) em casamento. Ela aceita sem pestanejar, porém, pouco tempo depois recebe uma oportunidade profissional e de estudos imperdível em Michigan, o que a obrigaria a se mudar e adiar os planos do casório. O noivo também recebe um convite para gerenciar seu próprio restaurante, mas altruísta como ele só decide abrir mão de seu sonho e embarcar no da companheira que estava apreensiva de deixar de investir na sua carreira e se frustrar mais adiante, temendo odiar e culpar o marido por isso. Contudo, é óbvio que a decisão não é boa para ambas as partes e isso se refletirá diretamente no relacionamento. O que duraria apenas dois anos acaba estendido por mais três, assim, em outra cidade, vivenciando novas experiências e se redescobrindo com o passar dos anos aprendendo a lidar com suas próprias limitações e consequências de suas escolhas, Solomon deixa para trás a imagem de homem seguro e responsável para assumir uma postura relaxada e infantilizada contentando-se com um emprego em uma pequena lanchonete e se acostumando a posição de voyeur do sucesso de Violet que cresce rapidamente como profissional de psicologia e não consegue perceber que pouco a pouco se afasta do namorado. Pior ainda, o destrói dia após a dia.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

VOCÊ É O PRÓXIMO

NOTA 9,0

Terror surpreende com cenas
sádicas e violentas aliadas a um
texto que, embora não guarde surpresas,
deixa o espectador em tensão constante
Se em décadas passadas John Carpenter, de A Bruma Assassina, e Wes Craven, de Pânico, eram sinônimos de terror, agora é o momento de passar o bastão para outros. James Wan, de Invocação do Mal, é “o cara” quando o assunto é meter medo, mas correndo por fora temos também Adam Wingard... Quem? Realmente seu nome ainda não tem o poder de atrair público aos cinemas, mas já tem sua turminha de fãs virtuais. Com um ritmo de trabalho acelerado, suas produções de baixo orçamento e calcadas em violência e realismo certamente fariam sucesso caso o mercado de locação estivesse em voga, assim como bombam entre os adeptos de download e assistir online. O ABC da Morte e V/H/S são alguns dos longas lacradores que lançou, mas que para nós brasileiros só se tornaram conhecidos pela internet. Enquanto Wan tem o respaldo de grandes produtoras e distribuidoras a seu favor, Wingard conta com a sorte do boca-a-boca do público. De olho nesses sucessos paralelos, Você é o Próximo acabou se tornando uma experiência, ainda que tímida, para ver a repercussão do trabalho do diretor em circuito comercial. A trama gira em torno da família Davison que vai um passar um fim de semana em uma casa de campo para comemorar o aniversário de casamento dos patriarcas Paul (Rob Moran) e Aubrey (Barbara Crampton). O primeiro convidado a chegar é Crispian (A. J. Bowen) que traz a namorada Erin (Shami Vinson), uma tímida e doce ex-aluna sua. Frustrado com os rumos de sua vida, ele é o tipo que almeja demais, porém, não é destemido e inveja seu irmão mais velho Drake (Joe Swanberg), considerado o orgulho da família com um emprego estável e já formando sua própria família com Kelly (Sarah Myers), esta que no fundo esconde sua infelicidade. Já Felix (Nicholas Tucci) seria a ovelha negra do grupo, desajustado, misterioso e que se relaciona com Zee (Wendy Glenn), uma companheira tão excêntrica quanto ele. Por fim, a caçula Aimée (Amy Seimetz) é o xodó de todos, mas não deixa de ter um problema a tiracolo visto que seu namorado Tariq (Ti West) é um diretor de cinema incompreendido. Os vinte minutos iniciais que servem para apresentar tais personagens são pontuados por pistas do que está por vir, podendo até tornar-se óbvio o mistério antes mesmo das ameaças surgirem, mas nada que desmereça a produção. O negócio aqui é suspense, violência e sangue, muito sangue!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O GATO DO RABINO

NOTA 8,0

Resumindo a trama à diálogos
acerca de discussões sobre crenças,
ritmo fica comprometido, compensando
a beleza e a riqueza da animação
Graças a festivais e premiações temos a oportunidade de assistir a animações fora do eixo Hollywood e com estéticas e propostas diferenciadas, mas são raras as produções do tipo que depois de sessões especiais para cinéfilos de carteirinha conseguem distribuidores para entrarem em circuito de exibição ou lançamento para consumo doméstico. Ainda que timidamente, O Gato do Rabino conseguiu quebrar esse paradigma, mas ainda assim ficou restrito aos espectadores mais cults, a começar pelo fato de não ser destinado às crianças e sim pensado para os adultos. Vencedora do César (o Oscar Francês) de melhor animação e premiado no Festival de Annecy (destinado apenas a produções do gênero), a produção, embora de época, aborda assuntos ainda em voga em torno de dogmas religiosos, mas sem envolver questões a respeito de políticas e disputas de territórios, focando mais nas ideologias que regem as crenças. Como o próprio título deixa claro, o protagonista não tem nome, sempre foi chamado simplesmente de o gato do rabino. Embora culto e refinado, o bichano ainda mantém os institutos naturais de sua espécie, o que o leva a devorar o papagaio de seu dono, o rabino Sfar. Imediatamente após este fato ele começa a falar, embora jure que não comeu a tal ave, e assim passa a verbalizar suas ideias acerca de amor, sociedade e crenças. Chocado com os pensamentos e questionamentos do animal, Sfar passa a temer pela má influência que ele poderia exercer sobre sua filha, a jovem e bela Zlabya. Ela e o gato não se desgrudam e agora que ele sabe falar e até ler a convivência torna-se ainda mais intensa. O rabino então procura impor limites para esse relacionamento, mas amolece seu coração quando o felino lhe conta sobre o desejo de se tornar judeu, incluindo a expectativa para a hora de fazer seu Bar Mitzvá, tradicional cerimônia judaica que marca para os meninos a transição da adolescência para a maioridade religiosa. Seu dono então precisa consultar seu próprio rabino, este que repudia a ideia de converter um animal, o que gera discussões envolvendo questões filosóficas e de teologia que infelizmente acabam comprometendo o ritmo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

AS AVENTURAS DE PADDINGTON

NOTA 7,0

Popular personagem inglês ganha
seu próprio filme e embora divertido,
bem realizado e ideal para toda família,
 não teve reconhecimento merecido
Os EUA é uma verdadeira fábrica de personagens populares e icônicos criados para livros, televisão, quadrinhos e cinema, porém, suas famas atravessam fronteiras com enorme facilidade. Provavelmente todos os países tem o mesmo potencial para lançar tipos interessantes, mas talvez não o mesmo traquejo para torna-los universais. Alguém já imaginou nossos folclóricos Saci Pererê ou Currupira ou até mesmo os personagens do “Sítio do Pica-Pau Amarelo” formando fila nos cinemas ou nas livrarias americanas por exemplo? Já Maurício de Souza encontrou no marketing social as vias para levar Mônica e sua turma para centenas de países, conseguindo projeção atingindo certos nichos de público, mas nunca houve notícias de que os filmes da trupe tenham bombado fora do Brasil. E o que dizer do ursinho inglês Paddington?... Quem? Certamente é este desconhecimento que fez o filme-família As Aventuras de Paddington passar em brancas nuvens e até mesmo os canais de TV fechados o esnobarem, uma grande injustiça com uma produção caprichada e divertida, embora previsível e bastante infantil, porém, de fácil identificação com os adultos de coração e mente abertos. O pequeno e educado urso do título foi criado em 1958 pelo escritor Michael Bond e desde então protagonizou diversas aventuras literárias e até estrelou uma série de animação para a televisão na década de 1970, mas fora do território britânico ele é um desconhecido, mesmo após o lançamento do filme cuja intenção era popularizar sua imagem e certamente abrir caminho para uma franquia cinematográfica acompanhada de licenciamento de produtos. A narrativa tem um prólogo em preto-e-branco apresentando um pequeno e antigo filme gravado pelo explorador Montgomery Clide (Tim Downie) em busca de uma rara espécie de ursos nas florestas do Peru (forçando a globalização da trama?), animais com quem acaba fazendo amizade e prometendo hospedagem caso algum dia resolvessem passear pela longínqua Londres. Durante o tempo que conviveu especificamente com uma família deles, o estudioso lhes ensinou um pouco de sua língua e passou o hábito de comer marmelada, segundo os próprios ursos o alimento perfeito para suprir as necessidades diárias de um membro da espécie. Décadas mais tarde, esse clã vive uma tragédia sobrando apenas o caçula e sua tia que acha melhor mandá-lo em busca do tal explorador levando junto o chapéu vermelho que o britânico havia deixado de lembrança.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

ANNABELLE

NOTA 6,0

Embora com furos, clichês e atuações
robóticas, longa ganha pontos por
reverenciar o clássico O Bebê de Rosemary
e usar a boneca do mal eficientemente 
Pode parecer loucura, mas não é de se estranhar caso encontre alguém que tenha fobia de bonecas aparentemente inocentes. Hollywood tem certo fetiche por transformar brinquedos em vilões, ironicamente um prazer que teve seu auge e também seu declínio nas mãos do maquiavélico Chuck de Brinquedo Assassino. Depois dele, qualquer produção semelhante automaticamente era rotulada como trash, até que surgiu Annabelle, cuja primeira aparição ao grande público se deu no bem-sucedido Invocação do Mal, do diretor James Wan. Depois de abastecer sua conta bancária e valorizar seu nome com Jogos Mortais, o cineasta passou a investir pesado no campo sobrenatural, mas desta vez por conta da agenda superlotada decidiu assinar a fita apenas como produtor passando a batuta da direção para um de seus pupilos. John R. Leonetti já era seu habitué colaborador quanto a fotografia de suas obras e como diretor já havia feito Mortal Kombat – A Aniquilação e Efeito Borboleta 2, ou seja, seu histórico é bastante suspeito. A história da boneca amaldiçoada não agrega muito ao seu currículo, mas demonstra um pouco mais de consciência cinematográfica, certamente uma conquista que deve a convivência com Wan. A trama tem como protagonistas um jovem casal que está cheio de expectativas com a chegada da primeira filha. Próximo ao fim da gravidez, John (Ward Horton) presenteia sua esposa Mia (Annabelle Wallis) com uma rara boneca para sua coleção e que obviamente virará adorno no quarto criança. Certa noite a casa deles é invadida por um atormentado e agressivo homem membro de uma seita satânica e a esposa do maluco no meio da confusão acaba se suicidando no quarto do bebê e seu corpo é encontrado abraçado junto a tal boneca. Após a tragédia e mais alguns estranhos episódios, como o fogão que provoca um incêndio como se fosse por vontade própria, o casal decide mudar para um apartamento, mas levam a tiracolo o brinquedo e voltam a colocá-lo em posição de destaque no quarto da filha agora já nascida. Obviamente, eles não terão paz na nova moradia, principalmente Mia que passa a maior parte do tempo em casa e assombrada pelas manjadas luzes que piscam em momentos inoportunos, vultos nas escadarias, crianças que fazem desenhos bizarros, visões a qualquer hora do dia e objetos funcionando como se tivessem vida própria, como uma máquina de costura com som atordoante.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

EU TE AMO, CARA

NOTA 7,5

Embora previsível, comédia
ganha pontos colocando os homens em
destaque, discutindo e fazendo graça
com os problemas dos jovens adultos
As comédias românticas há décadas repetem fórmulas manjadas e focam a atenção em personagens femininos estereotipados, relegando aos homens papéis de meros coadjuvantes. Eu Te Amo, Cara se destaca nesta seara por justamente colocar o sexo masculino em destaque, embora não escape da estrutura tradicional do gênero: primeiro encontro, pico da paixão, separação e reconciliação, porém, tudo adaptado à relação de dois brothers e sem o tradicional beijo dos protagonistas no final. O filme não aborda uma temática homossexual, ainda que por vezes resvale no assunto. Na verdade, a fita soa mais como uma exaltação ao sentimento de amizade. O jovem agente imobiliário Peter Klaven (Paul Rudd) está prestes a dar um importante passo em sua vida. Ele acaba de propor casamento à Zooey (Rashida Jones), com quem já vive uma união estável há alguns anos. Tudo parecia perfeito, mesmo com as dificuldades profissionais, mas quando o rapaz escuta por acaso uma conversa da namorada com as amigas um grande vazio o pega de surpresa. Ele se dá conta de que não tem nenhum amigo para compartilhar a novidade, muito menos para convidar para ser seu padrinho. Mais preocupado em colecionar namoradas, engatando uma paquera atrás da outra, e depois sendo fiel à mulher que acredita ser seu par ideal, agora lhe caiu a ficha que de certa forma perdeu parte de sua juventude não dispensando tempo e tampouco vontade de cultivar amizades. Sem lembranças de uma noitada de bebedeira ou de se reunir com a galera para ver um filme ou o futebol pela TV, suas preocupações não são exatamente sobre o que deixou de experimentar e sim o receio de ser apontado como um esquisitão. Desesperado, Klaven decide pedir ajuda à Robbie (Andy Samberg), seu irmão gay que trabalha como instrutor em uma academia. Como conhece muita gente certamente ele lhe arranjaria algum amigo, mas o corretor de imóveis acaba participando de uma série de encontros fracassados, desde imbróglios marcados pela internet, passando por uma vexatória noite com um grupo de machos convictos até o óbvio jantar com um homossexual que desconhece as reais intenções do jovem.

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