segunda-feira, 18 de setembro de 2017

WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS

NOTA 8,0

Embora se alongue e ainda assim
esconda alguns fatos sobre os bastidores
do clássico Mary Poppins, fita conquista
com força de seus protagonistas e nostalgia
Por pouco uma das histórias mais clássicas do cinema e dos estúdios Disney não teve um final feliz. Não seria nenhuma tragédia, não houve incêndio e tampouco mortes, mas por um triz o mundo poderia ficar sem um dos mais belos e singelos contos já levados às telas por conta de uma acirrada briga de bastidores. Walt nos Bastidores de Mary Poppins aborda a difícil produção do longa de uma das babás mais famosas de todos os tempos. Lançado em 1964, o longa conquistou cinco Oscars, entre eles o de Melhor Atriz para a inglesa Julie Andrews estreando no cinema no papel-título, uma mulher com poderes mágicos que transforma a amarga rotina de uma família com seu otimismo e alegria. Dizem que na infância as filhas de Walt Disney (Tom Hanks) se apaixonaram pelo livro publicado em 1934 pela escritora australiana Pamela L. Travers (Emma Thompson) e ele fez uma promessa aparentemente bastante simples para quem criara um verdadeiro império da cultura e do entretenimento: transformar as páginas de papel em belas imagens em celulóide. Contudo, não bastava seu dinheiro, fama e poder. Mais do que tudo era preciso vencer a empáfia da criadora que não via com bons olhos o tipo de trabalho do mestre das animações. Durante mais de duas décadas ela resistiu as investidas do magnata, mas quando se viu em apuros financeiros, devido a crise literária que enfrentava a concorrência da televisão e do próprio cinema como meios de entretenimento, aceitou negociar os direitos de sua obra com a condição que pudesse acompanhar de perto o trabalho da equipe por trás das câmeras. Saindo a contra-gosto de sua pacata rotina em Londres para o agitado cenário de Los Angeles, mais especificamente em Hollywood, na realidade ela queria forçar a desistência do projeto uma vez que inseriu no contrato a cláusula de que poderia vetá-lo caso não aprovasse certas liberdades de criação.  A relação de Travers com seu livro não é meramente profissional ou intelectual, mas acima de tudo íntima e nostálgica, o que justifica seu comportamento irascível descaradamente fazendo inúmeras exigências para tentar desanimar a todos. Entrando na pré-estreia de braços dados com Mickey Mouse, o longa tenta fazer média e mostrar a escritora até se divertindo em alguns momentos, mas na realidade odiou o filme e nunca mais cedeu os direitos de suas obras para adaptações.

sábado, 19 de agosto de 2017

O IDIOTA DO MEU IRMÃO

Nota 5,5 Carisma e talento do protagonista segura as pontas em comédia que carece de clímax

O título certamente cairia como uma luva para um filme estrelado por Adam Sandler ou alguém do seu estilo fanfarrão, mas a alcunha O Idiota do Meu Irmão não deve ser levado ao pé da letra. Trata-se de uma comédia americana no melhor estilo independente, ou seja, acerca de personagens cheios de defeitos e problemas e que a certa altura da vida se veem forçados a reatar laços familiares, o típico tema desse tipo de produção. Ned (Paul Rudd) é um rapaz que sempre levou a vida na flauta como popularmente se diz. Vivendo do que ganha em uma barraquinha de orgânicos na feira, ele tira um extra vendendo maconha por fora, mas se dá mal quando cai na armadilha de um policial que mesmo fardado se faz passar por viciado. Desligado e ingênuo, o feirante acaba sendo preso em flagrante, porém, com sua bondade extrema ele acaba ajudando outros presos e tendo bom comportamento na cadeia, assim é liberado alguns meses antes do previsto sob regime de liberdade condicional. Todavia, a vida do lado de fora das grades não parou e sua namorada Janet (Kathryn Hahn) já está vivendo com outro homem e ele acaba sendo acolhido pela irmã Liz (Emily Mortimer), uma mãe de família neurótica que está sendo traída por Dylan (Steve Coogan), seu marido que praticamente não lhe dá atenção. Entretanto, sua companhia acaba trazendo alguns problemas de relacionamento para essa família e que o obrigam a passar alguns dias com suas outras irmãs, a frustrada repórter Miranda (Elizabeth Banks), que justamente agora ganha uma boa chance de trabalho, e a lésbica não tão convicta Natalie (Zooey Deschanel), que anda balançando quanto a seus reais sentimentos pela namorada Cindy (Rashida Jones). Nas temporadas que passa na casa de cada uma delas Ned vai as enlouquecendo com suas manias e atitudes sem noção ou pudor, principalmente seu costume de falar absolutamente tudo que lhe passa pela cabeça sem filtrar informações.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

CHRISTINE - O CARRO ASSASSINO

NOTA 8,0

Marco do terror, longa aborda
a carência de um jovem suprimida
pelo amor à um veículo que assume
uma posição de controle em sua vida
Ter medo de dirigir é algo bastante comum, mas ter fobia de um carro, em sua figura propriamente dita, é um tanto estranho. Contudo, o mestre do terror John Carpenter provou com Christine - O Carro Assassino que tal repulsa tem fundamentos e faz total sentido. Claro que isso no âmbito da fantasia, mais especificamente dentro do universo de outro mestre do gênero, o escritor Stephen King. A trama se passa em 1978 e tem como protagonista Arnold Cunningham (Keith Gordon), ou simplesmente Arnie, um adolescente não muito popular, sempre ameaçado pelos valentões e que vive à sombra de seu melhor amigo, Dennis Guilder (John Stockwell), o astro do time de futebol do colégio e alvo de desejo das garotas, o estereótipo do jovem de sucesso. O tímido rapaz ainda tem que conviver com sua mãe repressora, Regina (Christine Belford), que parece não querer que ele cresça. Sua vida muda completamente quando avista em um ferro-velho a carcaça da velha Christine, um glamoroso exemplar do Plymouth Fury vermelhão embora deteriorado, e torna-se obcecado pelo veículo. Ele junta suas economias e o compra passando a dar-lhe mais importância do que a tudo e a todos, inclusive sua família e Leigh (Alexandra Paul), a garota por quem era apaixonado. Dennis tenta ao máximo alertar o amigo sobre sua mudança de comportamento e obsessão pelo seu novo brinquedinho, mas diante das agressões e repulsa que passa a sofrer pouco a pouco começa a se afastar. Desse ponto em diante já é possível prever os próximos acontecimentos. Nesta relação de amor entre homem e máquina, onde o carro assume praticamente uma postura humana quanto ao ciúme e senso de justiça, o jovem Arnie não percebe suas mudanças de personalidade, mas tem consciência de que está encobrindo crimes cometidos pelo seu veículo que literalmente ganha vida quando se trata de proteger seu dono a quem deve sua segunda chance de sobrevivência. Detalhe, seu velho rádio interno serve como forma do possante se expressar, sempre com boas canções de rock, mas cujas letras são escolhidas a dedo para amedrontar qualquer um que estivesse dentro ou fora dele.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

UM AMOR DE VIZINHA

NOTA 4,0

Colocando novamente dois grandes
astros na condição de protagonistas,
romance não foge do convencional e nem
oferece oportunidades para brilharem
Michael Douglas e Diane Keaton já foram nomes disputadíssimos por diretores. Cada um com uma estatueta do Oscar em casa e com alguns sucessos de público e crítica nos currículos, é uma pena que nos últimos anos tenham sofrido com o preconceito da idade. A aura brilhante que carregavam pouco a pouco minguou e com os convites cada vez mais escassos se viram obrigados a aceitar participar de qualquer bobagem. Não que precisassem de dinheiro, mas para continuarem a se sentirem vivos e com dignidade, mesmo que fossem relegados a papéis coadjuvantes e muitas vezes desnecessários. O primeiro e tardio encontro da dupla em Um Amor de Vizinha os elevou novamente a condição de protagonistas, porém, um projeto apagadinho e que não oferece a oportunidade de mostrarem que o físico de um ator obviamente envelhece, mas seu talento permanece intacto ou até aperfeiçoado. Nesta comédia romântica voltada para a terceira idade Douglas vive Oren Little, um agente imobiliário sessentão que precisa realizar uma última grande venda para então usufruir de uma boa aposentadoria. A casa em questão é sua própria moradia onde agora vive sozinho após a morte da esposa e a partida do filho Luke (Scott Shepherd) viciado em drogas com quem não tem contato há anos. Rabugento, egoísta e solitário, mas com uma polpuda conta bancária, ele é a prova de que dinheiro não compra felicidade. Sua vida muda quando é obrigado a receber a neta em sua casa, Sarah (Sterling Jerins), prestes a completar dez anos e que até então não conhecia, enquanto seu filho cumpre uma temporada na prisão. No entanto, é óbvio que inicialmente ele não tem o menor traquejo com a menina, assim ela passa alguns dias hospedada com Leah (Keaton), uma adorável e prestativa vizinha, mas com quem Oren vive trocando farpas, para variar. Todavia, eles tem algo em comum: dificuldades para lidar com assuntos mal resolvidos do passado, principalmente perdas.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

DIAS INCRÍVEIS

NOTA 6,0

Mais um exemplar da safra de
comédias sobre homens que não querem
amadurecer, filme não aprofunda o tema,
apoiando-se no humor dos protagonistas
Prorrogar ao máximo a juventude, esse é sem dúvida o maior sonho de todas pessoas e o cinema por diversas vezes se aproveitou de tal devaneio, mas a mensagem final geralmente é a mesma: viva intensamente o momento, envelhecer é preciso. Passar por procedimentos estéticos e viver de remédios ditos milagrosos apenas retardam rugas, mas algum sinal de que a idade avançou mais cedo ou mais tarde aparecerá. E como lidar com o espírito da juventude que teima em não amadurecer? Pensando nisso, tem uma turma de atores americanos que se especializou em lidar com tal temática e praticamente criou um subgênero para a comédia. Nos últimos anos tem se popularizado as fitas de humor focando as desventuras de trintões e quarentões que precisam na marra aceitar que já não são adolescentes, mas sempre que tentam dar um passo adiante parece que há uma força sobrenatural que os puxa para retroceder outros dois. Dias Incríveis segue bem essa linha e traz um trio bastante representativo encabeçando o elenco e que resolve exorcizar as mágoas da vida adulta voltando aos bons tempos da escola literalmente. Mitch (Luke Wilson) sofreu uma decepção amorosa quando voltou de viagem e encontrou a namorada em sua casa praticando swing. Frank (Will Ferrell) conseguiu se casar, mas basta o mínimo contato com alguma lembrança dos tempos de escola para que perca as estribeiras e não se importe de sair pelado correndo pelas ruas. Já Beanie (Vince Vaughn) também casou e tem filhos, mas não trai a mulher, embora sinta saudades de quando era livre e sem as responsabilidades de assumir uma família. Quando Mitch aluga uma casa dentro de um campus universitário, os amigos logo lançam a ideia de montar uma república estudantil à moda antiga, ou seja, um lugar para homens se reunirem e darem altas festas com muita música, bebidas e mulheres, muitas mulheres. Logo na primeira balada tem a presença luxuosa do rapper Snoop Doggy. Como pagaram seu cachê?... Bem, isto é uma comédia, então vale tudo, até mesmo um cantor famoso acostumado com multidões aceitar fazer um pequeno show em um jardim.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O SEGREDO DA CABANA

NOTA 8,0

Com base em uma trama comum
de fitas de horror, longa desconstrói
chavões do gênero e surpreende com
final que reverencia monstros sagrados
Um grupo de jovens decide passar um final de semana em uma isolada cabana no meio de uma floresta, uma viagem movida a bebidas, drogas, sexo e.... Mortes! Tal argumento caberia como uma luva para centenas de títulos, assim como se encaixa perfeitamente para O Segredo da Cabana, mas não se engane com a alcunha genérica. Este não é um filme de terror convencional, mas uma produção ímpar que ao mesmo tempo reverencia, desconstrói e também parodia (não no sentido pejorativo) chavões do gênero tendo como referência óbvia o cultuado (e também odiado em proporções semelhantes) The EviL Dead – A Morte do Demônio. Quando Sam Raimi realizou sua obra maldita ele ainda era apenas um aspirante a cineasta, mas transbordava criatividade e paixão por fazer cinema. Provavelmente não lhe passava pela cabeça de que o filme que realizou aos trancos e barrancos e na base de trucagens caseiras viria a se tornar um modelo para tantos outros diretores, ainda que os trabalhos dos pupilos por acaso inevitavelmente deixassem transparecer certa deficiência de personalidade. Não é o caso da fita em questão. Basicamente deitando e rolando sobre os principais clichês do cinema de horror, a fita nem de longe lembra o estilo tosco e debochado da série Todo Mundo em Pânico graças ao tom de homenagem adotado pelo diretor Drew Goddard, co-roteirista do superestimado Cloverfield - Monstro no qual precisou segurar as rédeas de sua imaginação em nome do suspense. Em sua estreia na direção, agora ele pôde  literalmente exorcizar seus monstros. A metalinguagem se faz presente do início ao fim revelando os mecanismos que sustentam as produções de terror. A aguardada viagem que os estudantes planejavam a meses na realidade é uma armação da equipe de um macabro reality show onde cada um deles tem um personagem definido de acordo com suas personalidades para fins de estudos de psicologia ou algo assim. Dana (Kristen Connoly) é a puritana e certinha do grupo, Jules (Anna Hutchinson) é garota sexy e burra, Curt (Chris Hemsworth) é o esportista metido a valentão, Holden (Jesse Williams) faz as vezes do nerd sedutor e Marty (Fran Kranz) é o chapadão da galera, porém, com inteligência acima da media e o único a sacar os clichês dos filmes de terror que passam a atrapalhar a viagem.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

NÃO É MAIS UM BESTEIROL AMERICANO

NOTA 5,5

Parodiando comédias e romances
teens, longa é acima da média para
seu estilo e com boas citações a filmes da
época e também clássicos da década de 1980
No ano 2000 Todo Mundo em Pânico foi produzido com uma ninharia e faturou alto, muito alto, achincalhando os filmes de terror e alguns sucessos da época de outros gêneros. Não demorou muito para produtores despertarem interesse pela paródia de gêneros e assim é que surgiu Não é Mais um Besteirol Americano, uma brincadeira em cima de comédias e alguns poucos dramas voltados para os jovens. O título original seria algo como "não é outro filme de adolescentes", mas tanto ele quanto a alcunha que ganhou no Brasil não vendem corretamente a ideia da fita. Este é sim mais um filme para adolescente e também é mais um besteirol americano, porém, que surpreendentemente conta com algumas boas piadas como a inserção de um número musical com as entonações e coreografias calcadas no exagero do exagero. A trama principal, parodiando Ela é Demais, tem como protagonista Janey Briggs (Chyler Leigh), uma estudante de um tradicional colégio para riquinhos e metidos, mas quem não segue um padrão estético definido automaticamente é marginalizado. É bem o caso. Mal vestida, com óculos chamativos e um rabinho de cavalo broxante, ela não tem muitos amigos e sonha em se tornar uma famosa artista plástica. Sem querer ela acaba entrando na mira de Jake Wyler (Chris Evans), o bonitão do colégio que aposta com os colegas que conseguirá transformar a garota mais feia do pedaço na rainha do baile de formatura. Enquanto isso, o time de futebol americano dos estudantes, liderado pelo próprio Jack assumindo o lugar do capitão Reggie Ray (Ron Lester), seu melhor amigo que corre risco de vida após um acidente, está enfrentando problemas no campeonato que estão disputando por despreparo do novo líder, a desculpa perfeita para as líderes de torcida darem aquela forcinha se exibindo em minúsculas roupas e em coreografias sensuais para os rapazes, como a piriguete Priscilla (Jaime Pressly).

domingo, 13 de agosto de 2017

O PAIZÃO

Nota 7,5 Despretensiosa e divertida, comédia já ditava o estilo de trabalho de Adam Sandler

Muitos homens fogem como o Diabo da cruz quanto a ideia de se tornarem pais. Assumir responsabilidades, ter que alterar suas rotinas e de certa forma perder a liberdade que tanto se orgulham de ter são alguns dos empecilhos de colocar um filho no mundo. E o que dizer de caras dispostos a encarar o desafio por amor a uma criança que literalmente bate à sua porta sem mais nem menos? Esse é o plot da comédia O Paizão, mais uma entre tantas comédias semelhantes no currículo de Adam Sandler, na época já um astro nos EUA, mas no Brasil um ilustre desconhecido. Na trama que o próprio assina como produtor e o roteiro em parceria com Steve Franks e Tim Herlihy, ele dá vida ao boa-vida Sonny Koufax, rapaz formado na faculdade de direito, mas que se contenta com a merreca que ganha trabalhando como cobrador em um pedágio em Nova York, ao contrário de seus amigos que exercem a profissão e ganham altos salários. Sua preocupação no momento é a todo custo provar para namorada Vanessa (Kristy Swanson) que não é nenhum inútil e assim reconquistá-la. O pé na bunda era o que ele precisava para acordar para a vida e amadurecer. No entanto, essa mudança de vida só é possível a partir do momento que conhece o pequeno Julian (papel revezado pelos gêmeos Cole e Dylan Sprouse), um garotinho de cinco anos que é abandonado com um bilhete da mãe pedindo para procurar certo homem. Sonny não é o tal cara, mas de imediato compra a ideia da adoção pensando em reconquistar a namorada, mas não esperava se afeiçoar tanto ao menino. A transição de adolescente fanfarrão para adulto responsável é feita de maneira convincente. O roteiro aborda várias situações em que ele educa o garoto como se fosse um amigo dando conselhos ao outro, claro que a maioria reprováveis, mas dentro de seu universo perfeitamente aceitáveis, até seus amigos aprovam. Somente quando é criticado por alguém de fora de seu circuito de amizades é que lhe cai a ficha dos erros que está cometendo.

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