segunda-feira, 6 de abril de 2020

PRESENTE DE GREGO

NOTA 8,0

Ainda que antigo, temática ainda se
faz presente em nossa sociedade com
mulheres em busca do equilíbrio
entre a vida profissional e a familiar
O cinemão hollywoodiano da década de 1980 buscou reforçar valores familiares frente a revolução que a sociedade americana experimentava. Divórcios, famílias desestruturadas, liberação sexual, a homossexualidade ganhando as ruas assim como o consumo de drogas e bebidas sem qualquer pudor. Tais temas obviamente também eram abordados pelo cinema, mas ficavam mais restritos a produções independentes ou sem grandes ambições de bilheterias. Quem queria encher a conta bancária atacava o mercado com produções leves e divertidas e que diluíam os assuntos polêmicos em meia a tramas açucaradas. Não é a toa que os grandes filmes infanto-juvenis e para toda família da época ditaram o estilo do que seria apresentado por décadas na "Sessão da Tarde", que mais que um programa de TV se tornou o batismo de uma forma popular de catalogar as produções. A comédia Presente de Grego é um dos títulos ícones do período abordando a luta das mulheres por sua independência não só financeira, mas também pessoal. A talentosa executiva J. C. Wiatt (Diane Keaton) é exemplo de uma das donzelas que conseguiram vencer na vida profissional, mas não sem acarretar problemas para sua rotina particular. Até o detalhe de seu primeiro nome não ser mencionado reforça a posição austera que a personagem desejava alcançar. Ela chegou a tal ponto de se auto reprimir sexual e afetivamente que até mesmo seu companheiro Steven Buchner (Harold Ramis), seu "namorido" digamos assim ,mantém com ela um relacionamento frio como se dividissem um ambiente de trabalho. Os poucos momentos íntimos que vivenciam são rápidos e robóticos, afinal ambos compartilham do pensamento que tempo é dinheiro. Também pudera, não era apenas ele que seria um workaholic (tal expressão começava a se popularizar) e sem apreço a sentimentalismos. O maior prazer de Wiatt também se resumia em cumprir prazos e tarefas com eficácia e seu grande desejo era se tornar sócia da empresa onde trabalha. Quando seu sonho está prestes a se concretizar, ela recebe inesperadamente uma herança, contudo, algo que ela não estava preparada para lidar. O tal presente do título é a pequena Elizabeth (papel revezado entre as gêmeas Kristina e Michelle Kennedy), uma bebezinha de apenas um ano filha de um casal de primos recém-falecidos que tinham como único parente vivo a executiva.

domingo, 5 de abril de 2020

A ENFERMEIRA BETTY

Nota 9,0 Com trama inteligente e sarcástica, longa debocha dos americanos e da influência da TV

No Brasil conhecemos bem o poder de atração que as telenovelas exercem sobre o público, chegando em alguns casos a parar o país para acompanhar o último capítulo. Tal produto também é de apelo popular em outros países latinos, mas é difícil acreditar que em solo americano, onde os seriados são uma febre, os dramalhões televisivos sejam capazes de envolver da mesma forma. Todavia, é justamente esse o cerne da simpática comédia A Enfermeira Betty que catapultou a carreira de Renée Zellweger sendo eleita a Melhor Atriz de Comédia ou Musical no Globo de Ouro. Ela interpreta o papel-título que na verdade é uma simples garçonete de uma cafeteria que leva uma vida medíocre ao lado do marido infiel, o mulherengo Del (Aaron Eckhart) que a trata com desdém. Seu cotidiano monótono só ganha vida nos momentos em que assiste "Uma Razão Para Amar", uma novela capaz de afastá-la da apatia de seu casamento e trabalho, a fascinadando principalmente pelo protagonista, o charmoso médico cirurgião David Ravell (Greg Kinnear). Mal sabia a jovem que sua vida viria a se cruzar com a ficção quando testemunha às escondidas o violento assassinato de seu companheiro por uma dupla de criminosos que invade sua casa a fim de recuperar drogas que ele roubou. Chocada com o episódio, Betty sofre um baque psicológico e entra em uma realidade alternativa passando a acreditar que é uma enfermeira, profissão que de fato desejaria ter, mas também acha que as ações do folhetim são verdadeiras, assim segue rumo a Los Angeles para encontrar o tal ator da atração crente que ele é realmente um médico e também o grande amor de sua vida, o qual abandonou no altar anos atrás. Contudo, enquanto vive esta fantasia, o mundo real está em movimento. Para pôr o pé na estrada, Betty acaba se apossando do veículo dos bandidos, assim Wesley (Chris Rock) ironicamente passa a considerá-la uma pessoa perigosa, de sangue frio e calculista, enquanto Charlie (Morgan Freeman) apaixona-se por ela a conhecendo apenas por fotografia. Ambos então seguem no encalço da sonhadora mulher que realmente encontra Ravell, ou melhor, o ator George McCord que pensa que ela é uma aspirante a atriz cheia de vontade e autoconfiança e assim lhe arranja um papel na novela como assistente de seu personagem.

sábado, 4 de abril de 2020

SEM RETORNO

Nota 3,0 Boa premissa sobre vida eterna é desperdiçada e conduzida por clichês de thrillers de ação

Uma maneira para prolongar a vida eternamente é um dos temas mais explorados pelo cinema nos mais diversos gêneros mostrando a loucura que tal poder acarretaria nas mãos de inescrupulosos, a tristeza que poderia proporcionar aos mais sensíveis a certa altura ou até mesmo o lado cômico da situação obrigando um indivíduo a reciclar seus conhecimentos e maneira de viver constantemente. Geralmente a abordagem é  feita com ações que mantém a pessoa para todo o sempre sem envelhecer, mas o que aconteceria caso apenas sua consciência sobrevivesse dentro de um outro corpo? Essa é a proposta de Sem Retorno, mescla de suspense, ação e ficção científica que tem um primeiro ato interessante, mas aos poucos se torna enfadonha e excedendo o tempo tolerável. O milionário Damian Hale (Ben Kingsley) conquistou profissionalmente tudo o que seria possível, mas o diagnóstico inesperado de um câncer terminal o fez repensar toda sua trajetória, incluindo sua relação com Claire (Michelle Dockery), sua filha a quem nunca deu muita atenção devido a sua rotina atribulada. Quando o cientista Albright (Matthew Goode) lhe informa sobre um procedimento médico revolucionário, no qual a consciência de alguém é transferida para um corpo saudável criado em laboratório para fins experimentais, o magnata se interessa de imediato em se submeter ao método concordando com o ônus de que toda sua vida anterior deveria ser abdicada. Assim ele assume uma nova identidade, passando a atender pelo nome de Edward Kidner (Ryan Reynolds) e com rotina completamente diferente. Seu novo eu, digamos assim, é acompanhado de perto pelos realizadores do experimento, garantindo assim toda a estrutura para apoiar os pacientes a terem uma vida o mais próximo do normal, incluindo a oferta de medicamentos para prevenir possíveis surtos psicóticos. Entretanto, ao contrário do que Hale imaginava, a tecnologia que lhe proporciona a imortalidade também tem seu lado negativo, guardando muitos segredos e colocando inocentes em risco, assim, mesmo em outro corpo, decide investigar a fundo os bastidores dessa tecnologia.

domingo, 29 de março de 2020

MINHA MÃE É UMA VIAGEM

Nota 5,5 Mãe quase enlouquece o filho em uma viagem, mas que soa sem graça aos espectadores

Barbra Streisand canta, interpreta e até produz e dirige filmes, mas tornou-se um figura bissexta, tanto na música quanto no cinema. Vencedora do Oscar de Melhor Atriz por Funny Girl - A Garota Genial e de Melhor Canção pelo filme Nasce uma Estrela, a refilmagem de 1976, a artista é uma figura icônica da cultura pop, mas parece que chegou em um momento de sua carreira que lhe caiu a ficha de que não tinha mais nada a provar quanto a seu talento. Quando todos já davam como certa sua aposentadoria das telonas ela voltou cheia de energia na comédia Entrando Numa Fria Maior Ainda e em sua continuação interpretando a mãe superprotetora e sem papas na língua de Ben Stiller, mostrando que estava mais interessada em se divertir trabalhando do que encarar desafios cinematográficos. Ela talvez tenha gostado tanto da brincadeira que aceitou encarnar papel semelhante em Minha Mãe é Uma Viagem, mas desta vez exagerando na dose de estereótipo. Ela interpreta Joyce, uma viúva que com bastante tempo ocioso decide acompanhar seu filho Andy Brewster (Seth Rogen) em uma viagem de negócios cruzando todo o território dos EUA. Ele acaba de criar um revolucionário produto de limpeza e precisa divulgá-lo e encontrar algum parceiro empresarial para investir em sua produção em grande escala. Contudo, a mamãe o acompanha em todos os compromissos de trabalho e acaba de certa forma colocando-se à frente nas situações como uma espécie de porta-voz, contudo, com seu jeito naturalmente extrovertido e sincero, Joyce obviamente atrapalha as negociações sem querer querendo. Além desses contratempos, Brewster ainda tem que lidar pacientemente com as intromissões desta mulher em sua vida pessoal, porém, apesar das rusgas, aproveitando que estão com o pé na estrada em determinado momento eles se unem para tentar descobrir o paradeiro do pai do rapaz que abandonou Joyce grávida. E assim a diretora Anne Fletcher, dos superiores A Proposta e Vestida Para Casar, tenta fazer graça e comover reciclando a velha fórmula dos tipos antagônicos obrigados a conviver e que por fim se chegam a um entendimento.

sábado, 28 de março de 2020

MA

Nota 3,0 Apesar do interessante perfil, personagem-título se perde em trama tediosa e previsível

É sempre interessante quando um artista se permite ousar e se arriscar em papéis com os quais tem pouca intimidade. É bom para o intérprete para exercitar seu talento e também para aguçar a curiosidade do público que pode já estar cansado de vê-lo sempre fazendo personagens muito parecidos. Octavia Spencer, por exemplo, já tem irremediavelmente sua imagem atrelada a figuras de meia idade carinhosas e acolhedoras, mesmo quando um pouco sarcástica como em Histórias Cruzadas que lhe rendeu o Oscar de atriz coadjuvante. Provavelmente por conta da afinidade conquistada neste superestimado trabalho, o diretor Tate Taylor a escolheu para protagonizar o suspense Ma cujo título tem dupla função. Realmente a protagonista é uma pessoa má, porém, a simples sílaba refere-se ao modo como ela gosta de ser chamada, uma abreviação ou anagrama para a palavra mother, mãe em inglês, assim o batismo do longa é bastante eficiente para o entendimento de nós brasileiros. Trata-se então da história de uma mamãe malvada. Talvez sim, talvez não.  A trama começa com a chegada na escola de Maggie (Diana Silvers) que se junta a um grupo de jovens que querem curtir a vida se divertindo em encontros regados a muita bebida alcoólica. Contudo, por serem menores de idade, eles sempre pedem para algum adulto, geralmente desconhecido, para realizar a compra das biritas e certa vez quem aceita a tarefa é a gentil Sue Ann (Spencer) que ainda oferece o porão da sua casa para os adolescentes realizarem festinhas sem serem incomodados. Não demora muito para o local virar o point da galera sendo frequentado cada vez mais por um número maior de jovens em busca de liberdade, ainda que por algumas poucas horas. Mesmo com certas regras, a turma encara o gesto como uma atitude de Ma para fazer amigos já que aparentemente é muito sozinha, porém, aos poucos ela vai apresentando algumas atitudes estranhas e se torna invasiva parecendo que está sempre à espreita deles e pronta para tentá-los a voltar à sua casa. Os adolescentes então aprendem tarde demais o sentido do velho conselho de seus pais de nunca falar com estranhos. Muito menos aceitar presentes ou favores.

sexta-feira, 27 de março de 2020

O BABADOOK

NOTA 7,0
Mãe e filho sofrem com problemas de
relacionamento e passam a ser atormentados
por uma criatura que pode ser real ou  apenas
manifestação de seus estados emocionais
Nos últimos anos muitos pequenos filmes de horror ganharam projeção como A Visita, A Bruxa e Hereditário, mas curiosamente outras produções tão boas quanto encontram dificuldades para chegarem a ser exibidos nos cinemas, mas felizmente, na ausência das locadoras físicas, os serviços de streaming estão dando visibilidade a essas pérolas do gênero. Oferecido pela Netflix, O Babadook conta a história de Amelia (Essie Davis) que vive sozinha com o filho pequeno Sam (Noah Wiseman) em uma casa antiga e muito escura. Atormentada pela morte do marido, esta mulher jamais se permitiu viver seu luto, mas progressivamente foi definhando e tendo seu estado emocional cada vez mais abalado, principalmente porque o garoto está sempre repercutindo lembranças do pai e fazendo questão de ressaltar que o falecido foi vítima de um acidente enquanto levava a mãe para o hospital para dar a luz. O menino tem um perfil bastante problemático mesclando atos violentos a outros de histeria, perturbando ainda mais sua mãe que na ânsia de protegê-lo de qualquer temor vai pouco a pouco se afastando do trabalho e do convívio social. A situação só piora quando Sam pede à mãe para lhe contar a história do Badabook, um livro que encontrou sem assinatura do autor e tampouco sinopse. O menino já tinha pesadelos constantemente com um monstro e ao ver as ilustrações passa a achar que o personagem da publicação é o mesmo de seus sonhos e que vai matar Amelia. O menino então passa a agir irracionalmente na intenção de proteger a mãe e a si mesmo diante de eventos que ambos não conseguem compreender. A entidade abordada na publicação pode representar uma perturbação imaginária que se manifesta aproveitando-se do estado emocional abalado de mãe e filho, mas a condução do longa também não descarta a hipótese da presença de algo paranormal na casa deles que por si só já carrega uma aura bastante negativa. A diretora Jennifer kent ampliou o universo que criou e dirigiu para Monster, um curta-metragem lançado cerca de uma década antes. Fantasiosa ou real, a existência da criatura é um ponto de discussão comum nas duas obras, mas na versão longa-metragem é adicionado todo um contexto a fim de explicar as origens do terror psicológico que abala os personagens.

quinta-feira, 26 de março de 2020

EPIDEMIA

NOTA 7,5

Usando um vírus fictício como alegoria
a uma ameaça real, longa foca o jogo
de interesses por trás de uma grave
crise, embora vise o puro entretenimento
De tempos em tempos surgem ameaças invisíveis a olho nu, mas tão ameaçadoras quanto uma enchente, um incêndio ou um desastre de aviões. Os efeitos de novas bactérias e vírus podem ser devastadores visto que muitos se disseminam com velocidade surpreendente e a ciência pode não conseguir caminhar no mesmo compasso em busca de uma solução. Leva tempo para estudar o comportamento dos microorganismos, seus efeitos, detectar fatores de riscos e, principalmente, investigar as drogas que podem ser eficazes no tratamento. Nessa corrida contra o tempo, cientistas e médicos esbarram em percalços como questões éticas, econômicas, religiosas e políticas. De pessoas solidárias do povão à egocêntricas figuras de governos, o problema pode atingir todos os grupos sociais e em escala mundial independente de condições financeiras, religião, etnia ou grau de instrução. O cinema por várias vezes abordou surtos de doenças, fictícias ou não, e em 1995 Epidemia foi produzido a toque de caixa para aproveitar todo o frisson e pânico causado por notícias que propagavam os efeitos devastadores do vírus Ebola. Tudo começou quando um artigo de uma respeitável revista americana relatou os esforços de uma equipe militar de análises biológicas para evitar que um vírus letal e altamente contagioso escapasse do controle dos cientistas Se o tal agente contaminasse um grande centro urbano, como a capital americana, por exemplo, os danos poderiam ser catastróficos e inevitavelmente a ameaça poderia chegar a outras localidades e até se espalhar para outros países. Atentos produtores de cinema viram então uma sinopse bem delineada e imediatamente começou um leilão pela disputa dos direitos do tal artigo. A Warner perdeu a disputa, mas não deu-se por vencida e criou sua própria versão desta história. O roteiro de Laurence Dworet e Robert Roy Pool aborda o assunto de maneira alegórica através da ameaça do fictício agente Motaba, uma ameaça descoberta em selvas africanas no final da década de 1960 e capaz de matar poucas horas depois de contraída. Para mantê-lo em segredo e evitar disseminação, os oficias do exército americano decidem destruir o acampamento que abrigava os soldados envolvidos na missão. Contudo, em 1995, o agente infeccioso ressurge no Zaire e imediatamente Sam Daniels (Dustin Hoffman), um respeitável virologista, é enviado ao país para investigar o caso na companhia do Tenente Casey Schuler (Kevin Spacey) e do  Major Salt (Cuba Gooding Jr.).

quarta-feira, 25 de março de 2020

O MERCADOR DE VENEZA

NOTA 6,5

Com impecável recriação de
época e ótimas atuações, longa
excede o tempo necessário e pode ser
cansativo pela linguagem rebuscada
Não é nada fácil adaptar para a linguagem cinematográfica uma obra de William Shakespeare. Há sempre o medo de descaracterizar o texto original na tentativa de ser criativo e se conectar com plateias contemporâneas ou então afugentar o público ao ser muito fiel ao estilo do dramaturgo, assim construindo diálogos rebuscados e que exigem interpretações mais exageradas. Talvez nesse segundo modelo se encaixe O Mercador de Veneza, adaptação de 2004 que fracassou e que no Brasil foi lançado com dois anos de atraso, apesar de contar com protagonistas de peso e o próprio título ter sua fama já de longa data. Todavia, é um texto menos popular do dramaturgo inglês e poucos saberiam dizer ao certo do que se trata, isso porque foi pouco difundido pelos meios culturais, ao contrário do drama de Hamlet ou da história de amor de Romeu e Julieta, por exemplo, que receberam inúmeras adaptações para cinema, televisão e teatro. O cultuado cineasta Orson Welles chegou a trabalhar em uma versão cinematográfica que sequer foi lançada comercialmente, mas curiosamente, nos primórdios da sétima arte, uma adaptação marcou a estreia de uma mulher como diretora nos EUA, honra de Lois Weber. Anos mais tarde, esta produção datada dos primeiros anos do século 21, evita modernizar o texto e preserva bem mais que sua essência. Em Veneza, em meados do século 16, o jovem Bassanio (Joseph Fiennes) deseja cortejar e impressionar Pórcia (Lynn Collins), uma rica herdeira, e para tanto decide pedir dinheiro tirando proveito do poder que sua beleza exerce sobre o amigo Antonio (Jeremy Irons), um rico comerciante, mas que está com toda sua  fortuna investida em embarcações. Seduzido, o negociante decide pedir um empréstimo ao judeu Shylock (Al Pacino), que faz da agiotagem, prática ilegal na cidade, a sua fonte de renda já que devido a sua religião não tem os mesmos direitos dos cristãos. Certa vez destratado por Antonio, que lhe deu uma cusparada no rosto, agora chegou a vez do agiota se vingar. Ele faz o empréstimo, mas firma um acordo: caso não seja ressarcido em três meses, o comerciante será obrigado a dar um pedaço de sua própria carne como pagamento. Obviamente, o trato não será cumprido e o caso será levado à corte para julgamento e Shylock mostra-se irredutível quanto a cobrança da dívida.

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