domingo, 14 de abril de 2019

TODOS OS CÃES MERECEM O CÉU

Nota 3,0 Abordando o mundo dos gângsteres, longa não dialoga com crianças e nem com adultos

Na Irlanda, ou melhor, na New Orleans da agitada e revolucionária década de 1930, o submundo do crime está efervescente. Um gângster todo poderoso que chefia uma casa de jogos clandestina na cidade quer se livrar a todo custo de seu terrível ex-sócio. Para isso lhe prepara um ajuste final: remete o rival para as portas do céu. O argumento aponta para um filme sério e violento, digno de uma produção estilo noir, isso se os personagens não fossem cãezinhos coloridos e falantes. Todos os Cães Merecem o Céu parte de uma premissa ousada, transpondo um universo adulto e cinzento tentando buscar a sintonia com o público infantil através de uma paleta de cores fortes e vívidas e de animaizinhos simpático. O roteiro de Mitchel Savage nos apresenta ao pastor alemão Charlie Barkin que acaba sendo traído e assassinado pelo inescrupuloso bulldog Cicatriz, até então seu sócio em negócios ilegais. Quando chega ao céu seu espírito consegue tomar posse do relógio da vida, um artefato mágico que lhe dá o direito de voltar ao mundo dos vivos e assim ter a chance de se vingar. Nesse retorno ele acaba descobrindo a arma secreta para o enriquecimento ilícito e contínuo de seu algoz. O bandidão mantém em cativeiro a graciosa orfãzinha Ana Maria que tem a habilidade e a sensibilidade para conversar com os animais, assim Cicatriz consegue saber antecipadamente os vencedores dos páreos de corridas de cavalos, ratos e até de tartarugas. Inicialmente o malandro Charlie também pretendia tirar proveito de alguma forma do dom especial da garotinha, mas acaba se afeiçoando a ela e decidindo protegê-la. E assim os dois, com  a ajuda do bassê Sarnento, procuram uma maneira de dar uma merecida lição em cicatriz e acabar com seu império de crimes.

sábado, 13 de abril de 2019

CANÇÃO PARA MARION

Nota 6,0 Na onda da valorização de talentos veteranos, longa se apóia em carisma dos protagonistas

A arte como ferramenta para educar, entreter e até mesmo dar sentido para a vida é um tema corriqueiro no cinema e a música se encaixa perfeitamente nessa vertente. Geralmente o tema é associado à educação de crianças e adolescentes, mas como o mundo está envelhecendo a temática também se aplica para ajudar os idosos a permanecerem ativos na sociedade. Se dedicar ao artesanato, à escrita ou a música são atividades que implicam no objetivo da superação, assim tornam-se grandes aliadas da terceira idade trazendo benefícios para a auto-estima e qualidade de vida dessas pessoas que, em geral, vivem seus últimos anos de forma melancólica seja pela solidão, marcas de um passado sofrido ou acometidas por doenças. Este último problema é o caso da personagem-título do drama  Canção Para Marion interpretada com sensibilidade ímpar pela veterana Vanessa Redgrave. Batatas fritas e sorvetes. Esta é a recomendação da médica para esta senhora que ama a vida, mas sofre com um agressivo câncer que já não tem mais possibilidades de cura. Em outras palavras, ela estava liberada para fazer o que quisesse com o tempo de vida que lhe resta e decide então se dedicar ao que mais lhe dá prazer: cantar. Ela passa a fazer parte do coral de um clube da terceira idade e é incentivada pela animada regente Elizabeth (Gemma Arterton), uma jovem que encoraja seus maduros pupilos a não se intimidarem e mostrar à sociedade que podem e devem se divertir cantando e dançando. Contudo, mesmo sabendo que tal atividade devolveu a alegria à sua esposa em um momento tão difícil, o fechado e rabugento Arthur (Terence Stamp) se opõe a tal exposição. Ele a acompanha nos ensaios, mas a espera fora da sala de aula e sempre faz questão de ser arredio com os outros velhinhos do coral que, ao contrário dele, esbanjam simpatia. A forma como o roteirista e diretor Paul Andrew Williams conduz a trama não deixa brecha para surpresas. Embora bastante previsível, não deixa de ser agradável acompanhar a rotina deste casal, o típico caso dos opostos que se atraem.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO

NOTA 7,0

Embora siga os clichês dos filmes
de assassinos mascarados, trama
ágil, com clima adequado e vitalidade
do elenco conquistam o espectador
O final da década de 1990 foi marcada pela volta dos slashers movies graças a revitalização que Pânico e sua primeira sequência trouxeram ao campo do terror. Obviamente dezenas de outras produções tentaram pegar carona nessa onda, mas todas qualitativamente revelaram-se inferiores. Desta safra salvam-se um ou outro título entre eles Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, que está longe de ser um marco, mas é bem melhor que qualquer Sexta-Feira 13 da vida mesmo com mote semelhante. Um pequeno toque e o argumento continua bastante atual e interessante. Vivemos em uma época em que ameaças podem ser feitas pela internet e se o autor delas não for perspicaz e arquitetar um engenhoso plano facilmente pode ser identificado. Fotos que podem ser manipuladas digitalmente, redes sociais, emails, torpedos... Existe um grande arsenal de, digamos, armas brancas para se amedrontar alguém, da mesma forma que elas também estão disponíveis para a vítima se defender e descobrir quem a persegue. Agora imagine-se vivendo em uma época em que a comunicação se não fosse via telefone era por meio de cartas ou bilhetes através dos quais um sádico podia se esconder atrás de uma caligrafia diferenciada ou escrevendo ameaças com letras recortadas de jornais e revistas. Pior ainda se os recadinhos amedrontadores tivessem fundamentos e você com culpa no cartório. É essa sensação de ser vigiado e de que a qualquer momento um segredo obscuro poderá vir a tona que vivenciam quatro jovens que após uma noite de festa e muita bebedeira acabam por atropelar acidentalmente um homem em uma estrada deserta. Inconsequentes, eles preferem não levar o caso à polícia e fazem um pacto de se livrar do corpo jogando-o ao mar e de que nunca mais tocariam no assunto, porém, a amizade deles nunca mais será a mesma... Nem suas vidas. A data para que voltem a ser atormentados é emblemática: próxima a 04 de julho (verão no hemisfério norte, inverno para nós), dia da independência dos EUA, uma comemoração pelo heroísmo da sociedade estadunidense, postura que os protagonistas do filme precisam adotar caso queiram sobreviver.

domingo, 13 de janeiro de 2019

O NOIVO DA MINHA MELHOR AMIGA

Nota 2,5 Com mote nada original e triângulo amoroso fraco, coadjuvantes seguram as pontas

Em 1997, O Casamento do Meu Melhor Amigo trouxe certo frescor ao já batido campo das comédias românticas contando uma história agradável e divertida comandada por um então jovem elenco em ascensão. Uma década depois O Melhor Amigo da Noiva tentou pegar carona não só no título do sucesso estrelado por Julia Roberts, mas a trama em si guardava certas semelhanças, porém, sem personagens carismáticos. Mais alguns anos se passam e O Noivo da Minha Melhor Amiga chegou para embolar ainda mais as coisas entre casamentos e melhores amigos, todavia, desta vez o título rebuscado e nada original faz jus ao conteúdo. O mote é similar aos longas citados. Rachel (Ginnifer Goodwin) e Darcy (Kate Hudson) são amigas inseparáveis desde a infância e o casamento de uma delas deveria ser motivo de alegria para ambas, não de discórdia. Rachel deixou escapar sua oportunidade de viver um grande amor quando apresentou Dex (Colin Egglesfield), seu colega no curso de direito, para a garota que sempre gostou de ser o centro das atenções e nunca teve papas na língua. Conhecendo o perfil da amiga, introvertida, com baixa auto-estima e centrada nos estudos, Darcy não pensa duas vezes antes de se atirar nos braços do rapaz. Rola algum sentimento entre eles, aquele típico caso dos opostos que se atraem, e o tempo passa rápido e não demora muito e já estão de casamento marcado, obviamente tendo Rachel convocada para ser a madrinha. Numa festa em comemoração ao seu aniversário de 30 anos a jovem advogada bebe um pouco além da conta e acaba passando a noite com o namorado da amiga. Ela já nutria uma paixão platônica por ele desde a juventude e tardiamente descobre que o sentimento é recíproco. Contudo, não seria tarde para assumirem a paixão? Dex tem receio de magoar a noiva, assim como Rachel não quer perder a sua grande amiga, porém, se amam de verdade e não querem viver como amantes.

sábado, 12 de janeiro de 2019

A INQUILINA

Nota 1,0 Mesmo com roteiro investindo em uma inversão de papeis, suspense é frio e arrastado

Dizem que existe uma maldição que ronda quem é premiado com o Oscar. A atriz Sally Field foi premiada como melhor atriz em 1979 por Norma Rae e cinco ano mais tarde por Um Lugar no Coração. Depois disso entrou numa maré de azar emendando papéis coadjuvantes e sem destaque e trabalhos para a televisão. Foram quase três décadas de espera até voltar a brilhar no tapete vermelho, desta vez como atriz coadjuvante por Lincoln. Será que a trajetória de Hilary Swank será parecida? Vencedora da estatueta dourada por Meninos Não Choram e Menina de Ouro, também prêmios em um curto espaço de tempo, depois disso ela tem estrelado verdadeiras bombas, salvo um ou outro trabalho. A Inquilina é mais um para engrossar a lista. Elá dá vida à Juliet, uma médica que está passando por um momento difícil após ser traída pelo namorado e decidida a procurar um novo endereço para ajudar a dar novos rumos a sua vida. Por coincidência ela recebe um telefonema com uma oferta inacreditável para alugar um apartamento em um antigo edifício. Max (Jeffrey Dean Morgan), o proprietário do imóvel, acolhe cordialmente a nova inquilina, mas logo nas primeiras noites a moça percebe que o local é estranho, com barulhos amedrontadores de madrugada. Em paralelo as noites mal dormidas, Juliet passa a flertar com seu senhorio, mas a relação com este homem aparentemente gentil e inofensivo pode se revelar um perigo iminente para esta fragilizada mulher. E a trama é essa. Bem manjada e pronto! O roteiro de Antti Jokinen e Tobert Orr não perde tempo criando desnecessárias situações de sustos e logo deixa clara a obsessão de Max pela médica, esta que tende a considerá-lo apenas um amigo, mesmo com uma latente tensão sexual entre eles.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

QUERIDA, ENCOLHI AS CRIANÇAS

NOTA 8,0

Divertida e nostálgica, mescla
de aventura e comédia ainda é
entretenimento garantido sem se
tornar refém de efeitos especiais
E.T. - O Extraterrestre, Os Goonies, Willow - A Terra da Magia, Labirinto - A Magia do Tempo, Viagem Insólita... Estes são apenas alguns títulos que mesclavam aventura, comédia e fantasia que marcaram a geração oitentista, mas entre eles não há nenhum com a chancela Disney de qualidade. Por um longo período o estúdio mergulhou em um abismo criativo, embora hoje algumas animações da época sejam consideradas clássicas como Aristogatas e Bernardo e Bianca. Mesmo com a criação de uma subsidiária especialmente para tocar projetos voltados ao público infanto-juvenil com atores de verdade, as cifras arrecadadas não justificavam os investimentos. O peso da morte do senhor Walt Disney se refletia visualmente na qualidade e lucros da sua produtora, até que já beirando a entrada da década 1990 uma luz no fim do túnel fora apontada. Disposta a recuperar seu espaço não só no campo da animação, impulsionada pelo sucesso de A Pequena Sereia, mas também como fábrica de blockbusters,  a empresa apostou em uma ideia relativamente simples. Querida, Encolhi as Crianças trata de um tema fascinante e já explorado diversas vezes pelo cinema e pela televisão. O que acontece quando uma pessoa é reduzida ao tamanho de uma formiga? Ou melhor, quando adquire altura menor ainda que a de um inseto? É isso que ocorre às inocentes vítimas de uma máquina miniaturizadora inventada pelo frustrado professor Wayne Szalinski (Rick Moranis) que sem perceber o que aconteceu em seu laboratório caseiro acaba varrendo os próprios filhos e os do vizinho junto com o lixo. Nick (Robert Olivieri), que com seus grandes óculos e estilo nerd não nega a vocação para seguir os mesmos passos que o pai, e sua irmã mais velha Amy (Amy O'Neill) então se veem obrigados a unir forças com o adolescente Junior (Thomas Wilson Brown) e o sarcástico garoto Ron (Jared Rushton), os herdeiros do mal humorado Russ Thompson (Matt Frawer).

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

APOCALYPTO

NOTA 8,0

Carente de registro fidedigno,
cultura maia é destaque em longa
que é um deleite para os olhos, mas
somente para quem tem estômago forte
Na ativa desde meados da década de 1970 e tornado-se símbolo do cinema de ação, tendo as franquias Mad Max e Máquina Mortífera como destaques em seu currículo, Mel Gibson construiu uma carreira vitoriosa como ator, mas desde que experimentou o gostinho de assumir o comando das câmeras sua trajetória profissional deu uma grande guinada. Após estrear como diretor discretamente no drama O Homem Sem Face, não demorou muito e logo abocanhou o Oscar pelo épico Coração Valente e então passou a atuar menos, mas nem por isso passou a dirigir um filme atrás do outro. Como cineasta bissexto, Gibson decidiu dar as costas ao cinemão americano e passou a se dedicar a projetos que o desafiassem na direção e produção. Assim, em 2004, causou frisson o lançamento de sua polêmica visão de A Paixão de Cristo, longa no qual dispensou o idioma inglês e afrontou a indústria hollywoodiana adotando os dialetos aramaico, latim e hebraico e obrigando os americanos a lerem legendas (eles odeiam e também não suportam dublagens). Abusando da violência explícita para retratar o calvário das últimas horas de vida de Jesus, ele tirou uma modesta quantia de sua própria conta bancária para custear seu duvidoso projeto, mas conseguiu faturar trocentas vezes mais que o valor investido e isso o incentivou a realizar um novo e excêntrico sonho. Certo que há público para apreciar coisas diferentes e afoito a oferecer uma experiência tão visceral e sensorial quanto seu trabalho anterior, Gibson mergulhou de cabeça na realização de Apocalyto, aventura épica abordando a cultura de um povo erradicado. Dividido em três atos bem específicos roteirizados pelo próprio em parceria com Farhad Safinia, o longa é ambientado na época da queda do império maia na América Central em meados do século 9. Com as parcas colheitas devido a falta de chuvas, os governantes desta civilização acreditavam que a solução para o problema agrícola envolveria erigir mais templos e oferecer um maior número de sacrifícios humanos para aplacar a ira de seu Deus.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

DUAS DE MIM

NOTA 3,0

Com características claramente
televisivas, comédia perde bom
argumento apostando em piadas
manjadas e elenco engessado
Fale bem ou fale mal, mas falem de mim. Tal frase parece guiar os caminhos das comédias brasileiras. Gênero tradicional de nosso cinema há alguns anos e porque não dizer o que o ajuda a sustentar nossa indústria, solidificou-se um estilo muito próximo ao do humor feito para a televisão. É como se o público estivesse acostumado a ir na sala escura para assistir o que pode ter de graça em casa. Não a toa muitos comediantes da telinha (bem com os super televisores de hoje em dia o termo é até obsoleto) foram catapultados a estrelas cinematográficas como Leandro Hassum, Ingrid Guimarães, Fábio Porchat, entre tantos outros. Em geral seus currículos agregam expressivos títulos, ao menos em temos de bilheterias, mas mesmo quando fracassam seus filmes continuam ecoando na memória do público graças a massivas campanhas de marketing que acompanham seus lançamentos, assim garantindo sobrevida aos mesmos em serviços de streaming e reprises na TV. Primeiro projeto como protagonista da comediante Thalita Carauta, que ficou conhecida pelo humorístico "Zorra Total", a comédia Duas de Mim poderia se encaixar neste pacote, mas infelizmente o acúmulo de equívocos depõem contra sua carreira. A atriz dá vida a Suryellen, uma moradora do subúrbio carioca que tem uma difícil rotina diariamente madrugando para preparar as marmitas que vende de porta em porta na parte da manhã antes de pegar no batente em seu emprego oficial. Ela lava pratos em um renomado restaurante, mas sonha com a oportunidade de ser a chef de cozinha do mesmo sem receber o mínimo de atenção da dona do estabelecimento, a antipática Valentina (Alessandra Maestrini). Em casa a pobre coitada ainda corta um dobrado para cuidar do filho pré-adolescente Maxsuel (Gabriel Lima), da mãe reclamona Sonja (Maria Gladys) e da irmã mais nova Sarelly (Letícia Lima) que só pensa em curtir a vida. Dia após dia a batalhadora mulher vive esse martírio, mas cansada de tanto trabalho e pouco retorno, tanto financeiro quanto de gratidão, certa vez inocentemente faz o pedido de ter outra de si mesma para dividir as tantas tarefas que acumula. Ela faz o pedido na frente de uma misteriosa, porém, simpática vendedora de doces (Stella Miranda) enquanto prova um de seus bolos. Logo na primeira mordida seu sonho se realiza  e surge uma cópia sua idêntica fisicamente, mas completamente diferente em termos de comportamento.

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