segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O GATO DO RABINO

NOTA 8,0

Resumindo a trama à diálogos
acerca de discussões sobre crenças,
ritmo fica comprometido, compensando
a beleza e a riqueza da animação
Graças a festivais e premiações temos a oportunidade de assistir a animações fora do eixo Hollywood e com estéticas e propostas diferenciadas, mas são raras as produções do tipo que depois de sessões especiais para cinéfilos de carteirinha conseguem distribuidores para entrarem em circuito de exibição ou lançamento para consumo doméstico. Ainda que timidamente, O Gato do Rabino conseguiu quebrar esse paradigma, mas ainda assim ficou restrito aos espectadores mais cults, a começar pelo fato de não ser destinado às crianças e sim pensado para os adultos. Vencedora do César (o Oscar Francês) de melhor animação e premiado no Festival de Annecy (destinado apenas a produções do gênero), a produção, embora de época, aborda assuntos ainda em voga em torno de dogmas religiosos, mas sem envolver questões a respeito de políticas e disputas de territórios, focando mais nas ideologias que regem as crenças. Como o próprio título deixa claro, o protagonista não tem nome, sempre foi chamado simplesmente de o gato do rabino. Embora culto e refinado, o bichano ainda mantém os institutos naturais de sua espécie, o que o leva a devorar o papagaio de seu dono, o rabino Sfar. Imediatamente após este fato ele começa a falar, embora jure que não comeu a tal ave, e assim passa a verbalizar suas ideias acerca de amor, sociedade e crenças. Chocado com os pensamentos e questionamentos do animal, Sfar passa a temer pela má influência que ele poderia exercer sobre sua filha, a jovem e bela Zlabya. Ela e o gato não se desgrudam e agora que ele sabe falar e até ler a convivência torna-se ainda mais intensa. O rabino então procura impor limites para esse relacionamento, mas amolece seu coração quando o felino lhe conta sobre o desejo de se tornar judeu, incluindo a expectativa para a hora de fazer seu Bar Mitzvá, tradicional cerimônia judaica que marca para os meninos a transição da adolescência para a maioridade religiosa. Seu dono então precisa consultar seu próprio rabino, este que repudia a ideia de converter um animal, o que gera discussões envolvendo questões filosóficas e de teologia que infelizmente acabam comprometendo o ritmo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

AS AVENTURAS DE PADDINGTON

NOTA 7,0

Popular personagem inglês ganha
seu próprio filme e embora divertido,
bem realizado e ideal para toda família,
 não teve reconhecimento merecido
Os EUA é uma verdadeira fábrica de personagens populares e icônicos criados para livros, televisão, quadrinhos e cinema, porém, suas famas atravessam fronteiras com enorme facilidade. Provavelmente todos os países tem o mesmo potencial para lançar tipos interessantes, mas talvez não o mesmo traquejo para torna-los universais. Alguém já imaginou nossos folclóricos Saci Pererê ou Currupira ou até mesmo os personagens do “Sítio do Pica-Pau Amarelo” formando fila nos cinemas ou nas livrarias americanas por exemplo? Já Maurício de Souza encontrou no marketing social as vias para levar Mônica e sua turma para centenas de países, conseguindo projeção atingindo certos nichos de público, mas nunca houve notícias de que os filmes da trupe tenham bombado fora do Brasil. E o que dizer do ursinho inglês Paddington?... Quem? Certamente é este desconhecimento que fez o filme-família As Aventuras de Paddington passar em brancas nuvens e até mesmo os canais de TV fechados o esnobarem, uma grande injustiça com uma produção caprichada e divertida, embora previsível e bastante infantil, porém, de fácil identificação com os adultos de coração e mente abertos. O pequeno e educado urso do título foi criado em 1958 pelo escritor Michael Bond e desde então protagonizou diversas aventuras literárias e até estrelou uma série de animação para a televisão na década de 1970, mas fora do território britânico ele é um desconhecido, mesmo após o lançamento do filme cuja intenção era popularizar sua imagem e certamente abrir caminho para uma franquia cinematográfica acompanhada de licenciamento de produtos. A narrativa tem um prólogo em preto-e-branco apresentando um pequeno e antigo filme gravado pelo explorador Montgomery Clide (Tim Downie) em busca de uma rara espécie de ursos nas florestas do Peru (forçando a globalização da trama?), animais com quem acaba fazendo amizade e prometendo hospedagem caso algum dia resolvessem passear pela longínqua Londres. Durante o tempo que conviveu especificamente com uma família deles, o estudioso lhes ensinou um pouco de sua língua e passou o hábito de comer marmelada, segundo os próprios ursos o alimento perfeito para suprir as necessidades diárias de um membro da espécie. Décadas mais tarde, esse clã vive uma tragédia sobrando apenas o caçula e sua tia que acha melhor mandá-lo em busca do tal explorador levando junto o chapéu vermelho que o britânico havia deixado de lembrança.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

ANNABELLE

NOTA 6,0

Embora com furos, clichês e atuações
robóticas, longa ganha pontos por
reverenciar o clássico O Bebê de Rosemary
e usar a boneca do mal eficientemente 
Pode parecer loucura, mas não é de se estranhar caso encontre alguém que tenha fobia de bonecas aparentemente inocentes. Hollywood tem certo fetiche por transformar brinquedos em vilões, ironicamente um prazer que teve seu auge e também seu declínio nas mãos do maquiavélico Chuck de Brinquedo Assassino. Depois dele, qualquer produção semelhante automaticamente era rotulada como trash, até que surgiu Annabelle, cuja primeira aparição ao grande público se deu no bem-sucedido Invocação do Mal, do diretor James Wan. Depois de abastecer sua conta bancária e valorizar seu nome com Jogos Mortais, o cineasta passou a investir pesado no campo sobrenatural, mas desta vez por conta da agenda superlotada decidiu assinar a fita apenas como produtor passando a batuta da direção para um de seus pupilos. John R. Leonetti já era seu habitué colaborador quanto a fotografia de suas obras e como diretor já havia feito Mortal Kombat – A Aniquilação e Efeito Borboleta 2, ou seja, seu histórico é bastante suspeito. A história da boneca amaldiçoada não agrega muito ao seu currículo, mas demonstra um pouco mais de consciência cinematográfica, certamente uma conquista que deve a convivência com Wan. A trama tem como protagonistas um jovem casal que está cheio de expectativas com a chegada da primeira filha. Próximo ao fim da gravidez, John (Ward Horton) presenteia sua esposa Mia (Annabelle Wallis) com uma rara boneca para sua coleção e que obviamente virará adorno no quarto criança. Certa noite a casa deles é invadida por um atormentado e agressivo homem membro de uma seita satânica e a esposa do maluco no meio da confusão acaba se suicidando no quarto do bebê e seu corpo é encontrado abraçado junto a tal boneca. Após a tragédia e mais alguns estranhos episódios, como o fogão que provoca um incêndio como se fosse por vontade própria, o casal decide mudar para um apartamento, mas levam a tiracolo o brinquedo e voltam a colocá-lo em posição de destaque no quarto da filha agora já nascida. Obviamente, eles não terão paz na nova moradia, principalmente Mia que passa a maior parte do tempo em casa e assombrada pelas manjadas luzes que piscam em momentos inoportunos, vultos nas escadarias, crianças que fazem desenhos bizarros, visões a qualquer hora do dia e objetos funcionando como se tivessem vida própria, como uma máquina de costura com som atordoante.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

EU TE AMO, CARA

NOTA 7,5

Embora previsível, comédia
ganha pontos colocando os homens em
destaque, discutindo e fazendo graça
com os problemas dos jovens adultos
As comédias românticas há décadas repetem fórmulas manjadas e focam a atenção em personagens femininos estereotipados, relegando aos homens papéis de meros coadjuvantes. Eu Te Amo, Cara se destaca nesta seara por justamente colocar o sexo masculino em destaque, embora não escape da estrutura tradicional do gênero: primeiro encontro, pico da paixão, separação e reconciliação, porém, tudo adaptado à relação de dois brothers e sem o tradicional beijo dos protagonistas no final. O filme não aborda uma temática homossexual, ainda que por vezes resvale no assunto. Na verdade, a fita soa mais como uma exaltação ao sentimento de amizade. O jovem agente imobiliário Peter Klaven (Paul Rudd) está prestes a dar um importante passo em sua vida. Ele acaba de propor casamento à Zooey (Rashida Jones), com quem já vive uma união estável há alguns anos. Tudo parecia perfeito, mesmo com as dificuldades profissionais, mas quando o rapaz escuta por acaso uma conversa da namorada com as amigas um grande vazio o pega de surpresa. Ele se dá conta de que não tem nenhum amigo para compartilhar a novidade, muito menos para convidar para ser seu padrinho. Mais preocupado em colecionar namoradas, engatando uma paquera atrás da outra, e depois sendo fiel à mulher que acredita ser seu par ideal, agora lhe caiu a ficha que de certa forma perdeu parte de sua juventude não dispensando tempo e tampouco vontade de cultivar amizades. Sem lembranças de uma noitada de bebedeira ou de se reunir com a galera para ver um filme ou o futebol pela TV, suas preocupações não são exatamente sobre o que deixou de experimentar e sim o receio de ser apontado como um esquisitão. Desesperado, Klaven decide pedir ajuda à Robbie (Andy Samberg), seu irmão gay que trabalha como instrutor em uma academia. Como conhece muita gente certamente ele lhe arranjaria algum amigo, mas o corretor de imóveis acaba participando de uma série de encontros fracassados, desde imbróglios marcados pela internet, passando por uma vexatória noite com um grupo de machos convictos até o óbvio jantar com um homossexual que desconhece as reais intenções do jovem.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O AMOR É CEGO

NOTA 6,5

Irmãos Farrelly, conhecidos pelo
estilo debochado e as vezes até de
mau gosto, se aventuram pelo campo
amoroso e com lições de moral e amizade
Os irmãos Bobby e Peter Farrelly ganharam fama na década de 1990 com as comédias escrachadas Débi e Lóide e Quem Vai Ficar Com Mary?, produções destinadas a um tipo específico de público. Escatológicas, ácidas e não raramente até beirando o mau gosto, suas piadas costumam fazer sucesso entre os adolescentes e plateia masculina, mas buscando ampliar seu público a dupla de cineastas e roteiristas resolveu sair discretamente de sua zona de conforto quando realizaram O Amor é Cego. O título deixa claro as intenções de flertar com o romantismo, sendo necessário pegar mais leve com as baixarias. Surpreendentemente, levando em consideração o histórico de seus realizadores, o longa não só é divertido na medida certa como também traz lições de moral, amizade e solidariedade. A partir de diálogos ágeis e irreverentes, o texto faz uma crítica a importância exagerada dada ao aspecto físico nas sociedades contemporâneas e certamente do futuro. A trama tem como protagonista o executivo Hal Larson (Jack Black), um sujeito fútil que se esforça ao máximo para cumprir a promessa que fez ao seu falecido pai de que jamais se envolveria com mulheres feias, assim coleciona apenas belas paqueras, ou melhor tenta. Sentindo-se a última bolacha do pacote, na verdade ele acaba gerando mais repulsa que atração, tanto no campo amoroso quanto profissional já que é frustrado por não ser promovido. Ainda que esteja longe do perfil de galã (seus quilinhos a mais depõem contra), o rapaz é cara-de-pau, bom de lábia e não se envergonha em dar em cima das garotas mais cobiçadas das festas, estas que, por sua vez, também não se intimidam em lhe dar um fora. Apesar de inicialmente arrogante, o protagonista consegue identificação imediata com os espectadores, afinal quem nunca julgou alguém pela aparência? Sua rotina e jeito de ser mudam completamente a partir do momento em que por um acaso do destino acaba ficando peso num elevador na companhia de Tony Robbins (Anthony Robbins), um guru de autoajuda que se impressiona com a visão simplista e preconceituosa que Larson apresenta das mulheres em um rápido bate-papo. Ele então o hipnotiza de forma que o rapaz passe a ver apenas a beleza interior das pessoas, principalmente das garotas.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

MAMA

NOTA 7,0

Em tom quase de fábula, longa
narra uma história de terror em que
os aspetos dramáticos se sobressaem
aliados a estética sombria e fantasiosa 
Como diz o velho ditado popular, ser mãe é padecer no paraíso e o cinema de horror e suspense bebe sem moderação nessa fonte. Desde o clássico O Bebê de Rosemary até as releituras ianques de sucessos orientais como O Chamado, o pânico de mães tentando proteger seus rebentos de forças do mal parece uma inspiração sem fim. O terror soft Mama trafega com dois argumentos a serem desenvolvidos, o de uma mãe em busca de alguma cria para oferecer sua atenção e carinho e o de uma tia rebelde que é forçada a cuidar das sobrinhas e aos poucos aprende os sabores e dissabores da maternidade. O prólogo é dos mais interessantes. As irmãs Vitoria (Megan Charpentier) e Lilly (Isabelle Nélisse), respectivamente com cerca de 3 e 1 ano de idade, foram levadas pelo próprio pai para uma isolada cabana na floresta após ele assassinar a esposa e sofrer um acidente de carro na neve durante a fuga. Arrependido ou talvez envergonhado por algo que ela tenha feito, agora sua intenção era também matar as crianças e depois se suicidar, mas alguma estranha criatura dá cabo de sua vida, porém, salva e passa a criar as meninas. Consideradas desaparecidas, elas são reencontradas cinco anos depois vivendo praticamente como animais, andando de quatro, grunhindo e ariscas a qualquer tipo de contato social, seguindo apenas seus instintos. Agora elas estão sob a guarda temporária de seu tio paterno Lucas (Nicolaj Coster-Waldau) que mal conhecem, mas mostra-se paciente e amável, todavia, passarão mais tempo com a namorada dele, Annabel (Jessica Chastain), roqueira que preza sua liberdade e que ironicamente surge a primeira vez em cena agradecendo aos céus por um teste de gravidez negativo. A vida desregrada do casal muda completamente e com a ajuda do Dr. Dreyfuss (Daniel Kash) eles tentam incorporar os papéis de pais, mas o médico tem um interesse maior no caso e deseja estuda-lo profundamente. Ele acredita que as garotas inventaram uma mãe postiça, a quem chamam de Mama, e alimentando esta fantasia conseguiram sobreviver, no entanto, como praticamente única referência de carinho e proteção que tinham, agora estão com dificuldades para se desvencilhar da invenção. Contrariando as explicações científicas, o comportamento das irmãs e diversas situações levam a crer que a tal entidade realmente existe. Possessiva e cruel, ela não gosta nada de ver suas meninas criando laços afetivos com outros e passa a manifestar sua insatisfação até mesmo ameaçando-as. Ainda há um gancho paralelo envolvendo Jean (Jane Moffat), uma tia materna das meninas, mas a disputa judicial é descartada e a personagem só terá uma sutil serventia próximo a conclusão.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A SÉTIMA ALMA

NOTA 2,0

Apesar da boa premissa, longa
peca pela falta de originalidade,
ritmo irregular e aspecto datado,
não dialogando com o público alvo
Não é a toa que o diretor Wes Craven ganhou a alcunha de Mestre do Terror. Na década de 1980 ele deu vida a um icônico serial killer, o repulsivo Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo, mas ele não só encontrou uma fórmula criativa e extremamente gráfica de assustar como também teve o mérito de certa forma pintar um retrato da juventude ianque suburbana que consequentemente viria a se tornar um espelho para jovens de outros países. Entre uma cena e outra de morte, o cineasta conseguiu inserir temas pertinentes ao universo de seu público-alvo como a perda da inocência e a sensação de impotência dos adolescentes diante de uma realidade que os sufocava. Os tempos eram outros e as produções de horror tinham uma preocupação maior com o conteúdo, assim por trás do sucesso da franquia (ou pelo menos de alguns de seus capítulos) haviam ideias relevantes para justificar os ataques em sonhos bem realísticos do cara das famosas garras afiadas. Muitos tentaram o mesmo sucesso investindo em vilões sarcásticos ou irremediavelmente impiedosos e o próprio diretor precisou se reinventar dentro das regras que o próprio ajudou a sedimentar. Contudo, A Sétima Alma, penúltimo filme do cineasta que faleceu em 2015, não tem um porquê de existir. Não traz nada substancial em seu enredo e tampouco assusta, pelo contrário, até exagera nos momentos de humor involuntário. A produção parece envelhecida em diversos aspectos e desconectada das novas gerações que pensam e agem na mesma velocidade de um computador top de linha. A trama se passa em Riverton, pequena cidade do interior que está sendo assolada por um serial killer conhecido como Estripador. Criativo não? O criminoso seria Abel Plenkov (Raul Esparza), um homem que anos atrás sofria com o transtorno de múltiplas personalidades e em um de seus surtos assassinou a esposa grávida na frente da própria filha pequena que por pouco teve sua vida poupada. Em um lapso em que recobra o seu juízo perfeito o rapaz pede socorro ao médico que já acompanhava seu caso de esquizofrenia, mas de nada adianta. Qualquer incauto que cruzasse seu caminho era cruelmente morto, até mesmo policiais e socorristas, porém, o maluco não era indestrutível. Bastante ferido, ele cai em um rio e acredita-se que tenha se afogado, embora seu corpo jamais fora encontrado.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A MULHER DE PRETO 2 - ANJO DA MORTE

NOTA 2,5

Com a assombração e o cenário do
primeiro filme amarrados em uma trama
independente da original, longa parece não
ter identidade própria ou razão de existir 
Entre as décadas de 1930 e 1940 o estúdio Universal era o santuário dos filmes de terror, produções no sentido mais clássico do gênero e protagonizadas por lendárias criaturas como Drácula, Múmia e Frankenstein. Fundada quase que simultaneamente, a produtora inglesa Hammer cerca de três décadas depois tomou tal posto para si também investindo em adaptações e improváveis continuações para as histórias dos famosos monstros, mas em tempos em que fitas abordando exorcismos e psicopatas bombavam não havia mais espaço para o horror fantasioso. O ápice da companhia não durou muito e ela entrou em declínio rapidamente, porém, retomou suas atividades em 2007 com relativos sucessos como Deixe-me Entrar, remake de um cult sueco, e A Mulher de Preto, que ganhou projeção por ser a primeira grande produção do ator Daniel Radcliffe após anos dedicados a interpretar Harry Potter. Não foi um estrondoso sucesso, até porque o protagonista não convenceu muito em um papel tão complexo, mas o longa tem o mérito de resgatar um estilo de horror gótico há muito esquecido, salvo por produções assinadas pelo diretor Tim Burton. A ambientação sombria e o climão de filme antigo também deveriam ser os pontos fortes de A Mulher de Preto 2 – Anjo da Morte, previsível (literalmente!) continuação, porém, um projeto que desde o início já se mostrava problemático. Do longa anterior nem o astro principal e tampouco o diretor James Watkins aceitaram participar de um segundo capítulo, mas a vontade de dar o pontapé para uma possível franquia acabou levando produtores a bancar a fita que traz como único ponto em comum com seu predecessor o fato do argumento principal se basear no fantasma de uma mulher amargurada que atrai crianças para um destino cruel. Novamente inspirado no livro “Woman in Black” de Susan Hill lançado em 1983, a trama tem agora como protagonista Eve (Phoebe Fox), uma jovem professora que é contratada por uma escola do interior da Inglaterra para ajudar a cuidar da demanda de novos alunos. A Segunda Guerra está chegando ao seu clímax e a cidade de Londres é parcialmente destruída, forçando seus moradores a buscarem refúgio em regiões mais afastadas, assim muitas crianças foram obrigadas a se separar de suas famílias e os órfãos não tiveram outra escolha. Esse é o caso do pequeno Edward (Oaklee Pendergast), que não pronuncia uma palavra sequer.  Após perder seus pais ele foi levado para o colégio da severa Sra. Jean Hogg (Helen McCrory) que funciona justamente no casarão cercado por um pântano palco principal do filme anterior.

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...