quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

MATO SEM CACHORRO

NOTA 6,5

Começando como uma comédia
romântica tradicional, longa
traz boas piadas e ideias, deixando
o amor em segundo plano 
É fato que o cinema nacional se sustenta pelas comédias populares. É uma realidade que dificilmente irá mudar. O problema é que temos dezenas de lançamentos do tipo anualmente, mas o crescimento quantitativo não acompanha o ritmo em termos de qualidade. A maioria parece esquecíveis episódios de seriados de TV esticados ao máximo para justificar seus lançamentos nos cinemas e posteriormente para acesso doméstico. Com elenco capitaneado de sucessos da telinha, Mato Sem Cachorro passa resvalando por este crivo por um detalhe crucial: troca o humor pastelão pela ironia crítica. O prólogo é bastante emblemático. Pela orla de uma praia carioca uma família aparentemente perfeita passeia feliz e tranquila curtindo um belo dia de sol, bem no estilo publicidade de margarina só que sem a mesa de café da manhã em exposição. No entanto, tudo é fachada. Como todo ser humano comum eles têm lá seus problemas, muitos problemas, e os momentos de descontração são pontuais, mas a opção de terem ao menos um animalzinho de estimação revela que entre brigas e alegrias o equilíbrio prevalece, afinal qual família-propaganda que se preze abre mão de ter um cachorrinho? É esse o gancho para narrar a história de Deco (Bruno Gagliasso) e Zoé (Leandra Leal). Desorganizado e desatento, o rapaz quase atropela um cãozinho quando fugia do assédio de alguns vendedores de rua querendo convencê-lo a comprar algumas bugigangas. Antes tivesse comprado. Os populares queriam linchá-lo em praça pública, mas acabou sendo salvo pela jovem, uma produtora de rádio que cai de amores pelo bichinho... E pelo rapaz também, obviamente. Seguindo o estilo definido por Hollywood para sustentar uma historinha água-com-açúcar, os primeiros minutos são dedicados a mostrar de forma acelerada como nasceu o amor dos protagonistas que acabam adotando o cão, batizado de Guto e que sofre de narcolepsia, uma rara doença que o faz desmaiar em situações de estresse ou animação (!). Assim, às pressas, uma família se forma, porém, a ruptura não tarda graças as atrapalhadas de Deco que produz um vídeo que viraliza na internet e tira do sério sua companheira. Cansada de tanta imaturidade, Zoé vai embora de casa e leva o “filhinho” do casal, deixando o marido mais perdido e apático que de costume.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

TUDO PARA FICAR COM ELE

NOTA 1,5

Procurando unir clichês das
comédias românticas com humor
escatológico e apelativo, fita perde
completamente o rumo, se é que tinha
No início dos anos 2000 a atriz Cameron Diaz já tinha seu talento reconhecido e era sondada para atuar em produções de maior relevância que suas habituais comédias românticas, assim não há justificativas para ter aceito estrelar Tudo Para Ficar Com Ele, uma verdadeira mancha em seu currículo. Aparentemente a ideia seria experimentar um novo tempero para o manjado gênero sem excluir o felizes para sempre, mas a receita falhou e um sabor amargo de decepção é inevitável. Apesar do que o título e o material publicitário nacionais indicam não se trata da história de três mulheres disputando um mesmo homem, mas sim uma trama sobre amigas que compartilham mesmas opiniões e sentimentos quanto aos relacionamentos amorosos e se aventuram para conquistar cada uma seu par ideal. Bem, elas não são mais menininhas, já passam da casa dos trinta anos, mas a maturidade parece passar bem longe delas. Comportando-se como adolescentes vivendo suas primeiras experiências amorosas, elas alternam ingenuidade com altas doses de libido e não se envergonham de assumirem que são verdadeiras caçadoras de homens. Diaz encabeça o trio interpretando Christina, linda, gostosa, divertida, enfim o tipo que tem todos os parceiros que quiser a seus pés, ainda mais porque ela só pensa em curtir a vida com liberdade e foge de compromissos sérios. Courtney (Christina Applegate) também pensa e age de maneiras semelhantes, mas já faz planos de encontrar um companheiro fixo e sossegar, mas é claro que quanto mais tarde isso acontecer melhor. Completando o grupo temos Jane (Selma Blair) que está sofrendo com o término de um namoro, mas nada que a impeça de procurar diversão e novas aventuras sexuais. Certa noite elas vão a uma balada dispostas a beber e dançar muito, além de ampliar suas listas de conquistas, nada fora de suas rotinas, isso se Christina não tivesse conhecido Peter (Thomas Jane), um bonitão com pinta de pegador que surpreendentemente esnoba a loiraça que desse momento em diante não o tira da cabeça confundindo seus sentimentos entre orgulho ferido ou paixão verdadeira. Disposta a conquistá-lo de qualquer maneira, ela viaja com as amigas rumo a uma cidadezinha próxima a São Francisco onde descobre que o irmão do rapaz irá se casar, uma ótima oportunidade para declarar seu amor ou no mínimo dar a chance dele se redimir do gelo que lhe deu. No entanto, na afobação não checaram as informações corretamente, pois quem vai se casar é o próprio Peter. Já é de se esperar que o matrimônio vai por água abaixo, o problema é a maneira ridícula com que os ventos sopram a favor da protagonista.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

CAMINHOS DA FLORESTA

NOTA 8,0

Junção de contos de fadas tem
seus furos e equívocos narrativos, mas
carisma e talento do elenco e recursos
técnicos apurados garantem a qualidade
Espetáculos de sucesso da Broadway mais cedo ou mais tarde terão sua versão cinematográfica, isso é fato. Desde os tempos áureos dos musicais no estilo My Fair Lady, passando pelo premiado Cabaret e culminando em fracassos como Rent – Os Boêmios, projetos que migram dos palcos para as telonas sem dúvida são apostas arriscadas. Teatro e cinema, embora compartilhem características, no fundo são artes distintas, cada qual com seus encantos e recursos para fisgar a atenção de quem assiste. O que pode dar certo ao vivo pode não funcionar na versão filmada e vice-versa. Contando com o aval popular e da crítica graças ao sucesso nos palcos de muitos países, além do chamariz de narrar uma história de fácil assimilação interligando personagens e contos clássicos do universo infantil, Caminhos da Floresta parecia uma aposta segura, mas sua realização complicada se reflete claramente no resultado final. “Into The Woods” foi lançado nos teatros americanos em 1986 com a proposta inovadora de misturar várias histórias dos lendários irmãos Grimm. A adaptação cinematográfica quase três décadas mais tarde já esbarraria na questão criatividade. A saga de Shrek levou ao ápice a fórmula de reinventar e mesclar os contos de fadas e outras produções seguiram a tendência como a própria Disney que em Encantada deitou e rolou tripudiando (ainda que com classe e respeito) em cima dos próprios estereótipos que fizeram a fama do estúdio. A casa do Mickey Mouse mais uma vez banca uma brincadeira com seu portfólio neste musical que não abandona as lições de moral, mas em muitos momentos transpira originalidade e vai muito além do felizes para sempre com uma guinada tensional da trama quando achamos que estamos no clímax. Não é a toa que muitos dizem que o filme poderia ter sido dirigido por Tim Burton devido ao casamento do lúdico com o sombrio. No entanto, a produção é responsabilidade de Rob Marshall, amante dos musicais, tendo acumulado prêmios com o divertido Chicago, incluindo seis Oscars, e sofrido com as críticas ao inconsistente Nine onde os números musicais deveriam alinhavar uma trama que apesar do argumento metalinguístico, um cineasta com bloqueio criativo que busca inspiração nas mulheres que de alguma forma marcaram sua vida, revelou-se um videoclipe megalomaníaco. Nesta nova incursão no gênero, o diretor procurou se ater mais ao script original e a cantoria é parte imprescindível da narrativa substituindo vários diálogos, um tipo de armadilha que o longa supera graças ao carisma do elenco.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

BONECO DO MAL

NOTA 5,0

Inicialmente intrigante, bom
argumento aos poucos é minado por
trama repleta de clichês, situações
inverossímeis e final desconectado
Realizar um filme de terror original é uma obsessão de muitos cineastas e ao mesmo tempo uma tarefa ingrata. É provável que todos os tipos de fobias já tenham sido explorados e nos últimos anos um dos poucos cineastas a dar certa vivacidade ao gênero foi o mexicano Guillermo del Toro com suas produções esmeradas no apuro técnico e visual e seu estilo já vem fazendo escola. Boneco do Mal não é sequer produzido pelo premiado criador de O Labirinto do Fauno, mas muitas características presentes em sua filmografia compõem o universo deste trabalho calcado na mistura do lúdico com o tensional. A história tem como protagonista Greta (Lauren Cohan), uma jovem americana que está de mudanças para um antigo casarão na Inglaterra para cuidar do filho do casal Heelshire (Jim Norton e Diana Hardcastle) que viajarão em breve deixando pela primeira vez o herdeiro aos cuidados de um estranho. Na verdade, muitas moças já foram recrutadas para ocupar o cargo em outras ocasiões, mas todas foram reprovadas pelo exigente Brahms. No entanto, ele não é um garoto de verdade e sim um boneco de cerâmica no tamanho real de uma criança de oito anos que é criado como se fosse alguém de carne e osso pelos pais idosos que nunca aceitaram a morte do filho verdadeiro em um incêndio há duas décadas. A babá obviamente não leva a sério quando lhe apresentam o menino, mas muda de ideia por conta da seriedade com a qual seus patrões lidam com a situação. Quando descobre sobre a tragédia que abalou a família ela se compadece, porém, existe um motivo bem mais forte para ela aceitar uma ridícula rotina que inclui aulas de música, fazer refeições balanceadas e até dar beijinho de boa noite em um brinquedo. A moça opta pelo trabalho levando em consideração não só o polpudo pagamento, mas também o refúgio oferecido, mantendo-a bem longe de Cole (Ben Robson), seu ex-namorado que a persegue. A mansão dos Heelshire pode ter parado no tempo, mas o mundo fora dele não e é óbvio que será fácil para Greta ser localizada, tempo suficiente para ela estabelecer uma estranha relação com Brahms. É um tanto forçada a ideia de que alguém aceitaria viver em um cinzento e depressivo mausoléu, ainda mais incumbida de ingratas tarefas, mas de alguma forma Laura faz o espectador criar rápida intimidade com o bizarro universo que adentra, ainda que ela siga à risca o perfil das protagonistas de filme de terror.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

COMO VOCÊ SABE

NOTA 3,0

Aposta em comédia romântica
amparada por questões mais complexas
sobre relacionamentos frustra com sua
falta de graça e elenco mal aproveitado
James L. Brooks é um diretor, produtor e roteirista que não tem um currículo muito extenso, porém, conta com produções de prestígio. Acumulando as três funções ele foi o grande vencedor do Oscar de 1984 com o dramalhão assumido Laços de Ternura, quatro anos depois figurou com Nos Bastidores da Notícia na lista de melhores do ano abordando um triângulo amoroso em meio ao dinâmico e estressante universo do jornalismo televisivo e ainda uma década mais tarde alcançou a maturidade do seu trabalho com Melhor Impossível, fita que deu a terceira e famigerada estatueta dourada para Jack Nicholson vivendo um maníaco-compulsivo, papel de repercussão que há anos o ator não tinha o privilégio de interpretar. No entanto, entre uma produção bombada e outra, Brooks parece querer descansar diminuindo consideravelmente seu ritmo de trabalho e cada vez mais dá indícios que carece de inspiração. A comédia romântica Como Você Sabe prova isso. A trama gira em torno de Lisa Jorgenson (Reese Whiherspoon), uma jovem que desde a infância desejou se tornar uma grande jogadora de beisebol, mas os anos passaram e mesmo com todos os seus esforços não conseguiu ser chamada para as principais competições. Aos 31 anos de idade, no momento ela já é considerada velha para o esporte e sua carreira já pode ser dada como encerrada, assim ela busca consolo no amor para preencher o vazio que sua vida se tornou e acaba se envolvendo com dois rapazes completamente diferentes. Matty Reynolds (Owen Wilson) também é esportista, milionário, narcisista e metido a conquistador. Já George Madison (Paul Rudd) é um executivo que leva uma vida mais leve, é sonhador e tem como principais qualidades a humildade e a educação. Já dá para saber com quem a mocinha vai ficar, não é? Entregando o jogo logo de cara, o roteiro então se alonga além do necessário para narrar as dúvidas e confusões de uma mocinha pouco cativante e com pretendentes que não chegam a duelar fisicamente, mas suas atitudes os colocam em guerra para saber qual o mais insosso. Escrito pelo próprio Brooks, há quem defenda o texto por fugir do esquematismo das comédias românticas tradicionais onde os diálogos soam piegas e decorados, mas o realismo pretendido em diversos momentos torna a fita distante do espectador, como se os assuntos discutidos fossem pertinentes unicamente ao universo dos personagens.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A COLINA ESCARLATE

NOTA 9,0

Inspirado na cultura gótica e com
estética de filme antigo, obra é um
espetáculo visual, mas narrativamente
mostra-se limitada e até previsível
O cineasta Guillermo del Toro é um visionário, não há dúvidas. Como ele poucos conseguem equilibrar conteúdo narrativo com estética que ultrapassa os limites da imaginação. Transitando entre o cinema independente, como no suspense A Espinha do Diabo, e os blockbusters americanos, como na aventura Círculo de Fogo, o mexicano consegui um perfeito híbrido de estilos com sua obra-prima O Labirinto do Fauno, mescla de drama, fantasia e terror na qual os atributos técnicos não apenas saltam aos olhos, mas reforçam suas importâncias para contar uma boa história. Seguindo a mesma linha de raciocínio, A Colina Escarlate é um leve sopro de criatividade e bom gosto em meio ao combalido, e por vezes grosseiro, gênero do terror. Projeto acalentado por mais de uma década, o longa é calcado no estilo gótico e uma declaração de amor ao estúdio Hammer, berço das produções de horror entre as décadas de 1950 e 1970. Não por acaso o cenário principal é um suntuoso casarão envolto em aura de mistério e melancolia, algo ressaltado pela fotografia propositalmente envelhecida. A opção além de colaborar para o clima de tensão constante, também destaca os elementos em vermelho carregados de mensagens subliminares. À primeira vista a trama é bem simplória evocando o tema-clichê da casa mal-assombrada, porém, como a protagonista Edith Cushing (Mia Wasikowska) deixa claro em sua narração, esta não é uma história sobre fantasmas e sim uma trama com a presença de seres do além, uma sutil diferença na forma de se expressar, mas que faz toda a diferença narrativamente. Ela é uma jovem aristocrata americana aspirante a escritora devota ao pai, o Sr. Carter (Jim Beaver), e que se apaixona pelo misterioso Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), um lorde que apesar da banca de ricaço na verdade está praticamente falido e busca alguém para financiar um projeto envolvendo a extração de uma argila vermelha encontrada sob o solo de sua residência na Inglaterra. Não demora muito e o rapaz desposa a garota e a leva para viver em sua decadente mansão localizada na tal colina que dá nome à fita, porém, o casal terá que dividir sua privacidade com Lucille (Jessica Chastain), a irmã mais velha dele, uma mulher com personalidade tão fria quanto a casa em que vive. Ela simplesmente ignora todas as iniciativas da cunhada para serem amigas e de certa forma parece exercer algum poder controlador sobre Thomas, o que leva Edith a acreditar que os irmãos possuem algum segredo em comum.

sábado, 26 de novembro de 2016

O CLÃ DOS VAMPIROS

Nota 2,0 Lento e sem emoção, suspense baseado em fatos reais desperdiça intrigante material

Praticamente todos os dias os veículos de comunicação têm ao menos um crime bárbaro em pauta. Psicopatas, pedófilos, adolescentes infratores, crianças problemáticas e até complôs em família, não importa o grau de crueldade e a quantidade de sangue envolvida, tais situações infelizmente se tornaram tão rotineiras que não chocam mais, porém, incitam sentimentos de comoção e indignação. O mundo cão inevitavelmente atrai a atenção de curiosos e não é uma exclusividade da mídia brasileira. Programas de TV, sites e publicações sensacionalistas não param de se multiplicar mundo a fora. Nos EUA, por exemplo, o cinema bebe muito na fonte das editorias policiais e mesmo quando os casos não possuem muitos desdobramentos tem sempre algum produtor disposto a tirar leite de pedra e os telefilmes tornaram-se uma forma rápida e barata para realização de trabalhos do tipo. Todavia, a maioria fica a dever em criatividade, capricho e podem até ser taxados como medíocres como é o caso de O Clã dos Vampiros que poderia ser um grande suspense, mas o resultado entregue pelo diretor John Webb é entediante, carente em emoção do início ao fim apesar de ser baseado em fatos reais que abalaram a sociedade norte-americana em novembro de 1996 na cidade de Eustis, na Flórida. Trabalho de estreia do roteirista Aaron Pope, este telefilme aborda o derradeiro episódio envolvendo o grupo que dá título à obra, jovens de classe média que se autodenominavam criaturas das trevas e acima do bem e do mal. O filme começa de maneira bastante clichê. Jeni Wendorf (Stacy Houge) está com o namorado dentro de um carro tarde da noite e em uma região desértica, tudo conspirando a favor para o incauto casal ser atacado por algum vampiro.... Errado! Invertendo expectativas, eles se despedem, o rapaz vai embora numa boa e a jovem consegue chegar tranquilamente em casa. Pelo horário ela não estranha o silêncio do local e o telefone que não funciona por estar com o fio cortado julga ser consequência de mais uma discussão entre Heather (Kelley Krugger), sua irmã caçula, com seus pais. Antes as coisas fossem assim. Os pais das garotas foram brutalmente assassinados em cômodos distintos da casa e ao que tudo indica a filha mais nova teve participação no crime que deveria se resumir a apenas um roubo de carro.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A CASA DAS ALMAS PERDIDAS

NOTA 6,0

Baseado em um atordoante caso de
manifestações demoníacas, longa peca ao
condensar sem aprofundamentos mais de
uma década de sofrimento de uma família 
Horror em Amitivylle, Invocação do Mal, Anabelle.... Todos estes filmes têm em comum o fato de serem originados das experiências profissionais vividas pelo casal Lorraine e Ed Warren. Não ligou os nomes às pessoas? De fato, eles são mais conhecidos nos EUA e entre os fãs de terror, mas por décadas se dedicaram fielmente ao estudo de fenômenos sobrenaturais e mesmo com a morte do companheiro em 2006 a corajosa senhora levou adiante seus trabalhos, inclusive cuidando da manutenção de um museu em sua própria casa. Nele estão arquivados objetos levados como souvenires dos locais onde realizaram sessões de exorcismos, uma maneira de tentar impedir que aqueles que imploraram ajuda à dupla ou por ventura outros azarados viessem a sofrer com novas armadilhas do além ligadas a tais peças. Apesar do repentino sucesso dos Warren nos anos 2000 graças ao cinema, um antigo telefilme baseado em um de seus causos já tirara o sono de muita gente em madrugadas insones e deve ter rodado muitas casas nos tempos das videolocadoras. A Casa das Almas Perdidas tem como protagonista a família Smurl que em 1975 se muda para uma grande e bonita casa em uma nova cidade onde são recebidos com muitas boas-vindas e quitutes pelos vizinhos, tudo ao melhor estilo da beleza americana. Nos primeiros meses, nada de mais aconteceu na residência, porém, não demorou muito para que estranhos fenômenos passassem a perturbar seus habitantes, tanto de dia quanto a noite. A mais afetada é a matriarca, Janet (Sally Kirkland) que passa a ouvir vozes lhe chamando, barulhos estranhos, problemas com eletrodomésticos que parecem ter vida própria e chega a ver vultos negros perambulando pelos cômodos. Jack (Jeffrey DeMunn), seu marido, inicialmente acredita que a esposa esteja tendo delírios, mas muda de ideia assim que presencia sua esposa sendo assediada por um espírito libidinoso. Ele próprio também é praticamente estuprado por uma dessas almas (uma cena grotesca, mas que na época deve ter embalado pesadelos). Do jeito que o diabo gosta, aparentemente o jogo destes fantasmas seria destruir a família usando a discórdia como ferramenta, por exemplo, colocando Janet contra a sogra Mary (Louise Latham) que diz com convicção que por várias vezes ouviu a nora falando palavrões e obscenidades, um ultraje para uma família que tanto prezava a religiosidade.

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