quinta-feira, 30 de novembro de 2017

OS GIRASSÓIS DA RÚSSIA

NOTA 8,5

Considerado hoje em dia uma
obra-prima, longa foi criticado
na época do lançamento devido
ao sentimentalismo exagerado
O cineasta italiano Vittorio De Sica tem um currículo repleto de obras hoje consideradas clássicas, como Ladrões de Bicicletas e Matrimônio à Italiana, mas algumas delas curiosamente sofreram repúdio da crítica quando lançadas, como é o caso do belíssimo drama Os Girassóis da Rússia, obra injustiçada nos anos 70 sendo acusada de apelativa e de sentimentalismo barato, algo inaceitável na visão dos especialistas para fazer parte do currículo de um grande diretor. Também há boatos de que o passado de estilo neorrealista deste profissional foi deixado de lado neste caso com o único objetivo de fazer um filme que valorizasse a personagem feminina central, interpretada por Sophia Loren, não por acaso esposa do produtor da fita, Carlo Ponti. Picuinhas à parte, felizmente o tempo passou e fez muito bem à produção que ao longo dos anos acabou conquistando a atenção do público e criando fãs cativos que hoje querem que as novas gerações se encantem com esta história. Com argumento e roteiro de Tonino Guerra e Cesare Zavattini, com a colaboração de Gheorghij Mdivani, a trama se passa em plena época da Segunda Guerra Mundial, quando Giovanna (Sophia Loren) e Antonio (Marcello Mastroianni) se apaixonam perdidamente e partem em lua-de-mel, porém, a felicidade dura pouco. Os perigos dos tempos de confronto se aproximam e o rapaz é obrigado a ir à Rússia para lutar. Os anos passam e quando os sobreviventes retornam Giovanna se enche de esperanças, mas seu amado não regressa. Ela é avisada por um soldado que a última vez que ele viu Antonio seu estado físico estava muito debilitado e dificilmente teria conseguido sobreviver. Todavia, confiante de que ele está vivo, ela parte para a Rússia com toda a coragem para encontrá-lo ou ao menos conseguir notícias. Chegando lá, ela consegue descobrir onde o marido está, mas acaba tendo uma desagradável surpresa. Ele agora vive na casa de uma moça russa chamada Mascia (Ludmila Savelyeva) e está levando uma vida muito diferente, justamente um homem que se declarava inimigo irremediável dos russos. Neste momento, Giovanna precisa se decidir entre lutar pelo seu amor ou seguir seu caminho sem ele.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

PRONTA PARA AMAR

NOTA 5,0

Longa tragicômico é ligeiro,
não aprofunda conflitos e
conta com um casal cujo
romance não empolga
Existem dois tipos de filmes que costumam garantir boas bilheterias ou repercussão mesmo quando lançadas diretamente em home vídeo e ainda demonstrar força para se tornarem aquelas produções que ficam eternizadas nas mentes do público. Dramas acerca de doenças e comédias românticas sem dúvidas são paixões universais e a junção destes gêneros só poderia trazer resultados positivos. Bem, Pronta Para Amar prova que nem sempre tal fórmula mágica funciona. O grande problema se encontra no roteiro da estreante Gren Wells que cria uma protagonista carregada de conflitos, mas a maioria mal explicados, pouco explorados e vistos até com certa naturalidade pelas pessoas que a cercam. Marley Corbett (Kate Hudson) é realizada profissionalmente e vive a vida intensamente. Ela faz questão de propagar a ideia de que a mulher poder ser muito feliz sozinha e tem os mesmos direitos que o homem de se divertir o quanto quiser, incluindo rápidos relacionamentos, mesmo que eles durem apenas uma noite. Sua vida muda completamente quando descobre estar com câncer de cólon e que a doença está se espalhando rapidamente por seu corpo todo. A partir de então ela passa a se submeter a sofridos tratamentos e sua doença a aproxima mais dos amigos e da família, inclusive de seus pais que estão separados, mas a grande mudança é o fato de finalmente ela se apaixonar de verdade por alguém. O problema é que o tal homem é seu próprio médico, o latino Julian Godstein (Gael Garcia Bernal), que além da timidez coloca como barreira para esse amor o fato de sua profissão proibir o envolvimento mais íntimo com seus pacientes. A premissa é piegas, mas um drama verossímil e que merece sempre uma revisão, afinal de contas infelizmente todos os dias novas pessoas se encontram na mesma situação que a protagonista. Simplesmente de uma hora para a outra podem ser diagnosticadas com uma doença que por mais boa vontade que se tenha para encará-la com valentia inevitavelmente ela trará sempre algum pensamento triste. Abordar tal tema é importante, mas a forma de conduzir a narrativa é algo ainda mais preocupante e é nesse ponto que o caldo entorna neste longa. 

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O CHEIRO DO PAPAIA VERDE

NOTA 10,0

Drama passado nas castigadas terras
do Vietnã mostra o amadurecimento
de uma jovem durante tempos difíceis,
mas que não perdeu sua inocência e sonhos
O cinema oriental nos últimos anos conseguiu extrapolar as barreiras do cult e chegar ao grande público graças a grande projeção de obras como O Tigre e o Dragão, Herói, O Clã das Adagas Voadoras e Memórias de Uma Gueixa, porém, hoje até é possível observar um leve retrocesso na procura de filmes asiáticos por parte dos espectadores, sendo que a maior parte das obras do tipo fica restrita ao circuito alternativo de exibição ou são lançadas diretamente em DVD. Na década de 90, os filmes produzidos do outro lado do mundo chegavam até nós graças aos prêmios e indicações que conquistavam, o que reforçavam sua publicidade, mas ainda assim a procura não era suficiente. Felizmente, sempre existiram distribuidoras com o intuito de levar raridades aos países mais distantes e foi assim que alguns cinéfilos ficaram conhecendo a cultura dos povos dos olhinhos puxados. Entre alguns dos títulos lançados na época encontramos algo inusitado, O Cheiro do Papaia Verde, um filme poético passado no Vietnã. Sim, o país eternamente associado à imagem das atrocidades de uma guerra também faz cinema, aliás, com conteúdo e imagens deslumbrantes. Na realidade esta é uma produção franco-vietnamita escrita e dirigida por Tran Anh Hung. Dividindo os elogios entre a França e o Vietnã, a obra participou de festivais e ganhou alguns poucos prêmios, mas o suficiente para transformá-lo em um título cultuado, ainda mais após a indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A obra segue a receita das grandes produções de estilo oriental. A estética, o texto e o ritmo parecem ser comandados por uma única pessoa de tão perfeita que é a harmonia entre eles. Trilha sonora tranquila, cores sutis, fotografia impecável e interpretações que nos fazem acreditar realmente que uma imagem vale mais que mil palavras. No mesmo estilo de seu contemporâneo Como Água Para Chocolate, aqui a comida é um adorno essencial para falar de relacionamentos, o que explica o seu curioso título.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

SOMBRAS DE UM DESEJO

NOTA 6,0

Inspirado em suspense coreano,
versão americana tenta fugir da
temática espiritual, mas outros
clichês tornam a obra previsível
Devem existir espalhados pelo mundo milhares de filmes praticamente desconhecidos, mas muitos deles provavelmente podem surpreender e serem bem melhores que alguns títulos cheios de banca lançados por grandes estúdios. Contudo, é triste constatar que a maioria até conta com boas premissas, mas perde-se no meio do caminho, ainda que existam produções como o suspense Sombras de um Desejo que não chegam a ser um completo engodo. Não é revolucionário e tampouco algo para marcar a vida de alguém, aliás, para os mais críticos deve parecer muito mais uma colcha de retalhos que alinhava situações previsíveis e já vistas em tantas outras produções do tipo, porém, este modesto filme merece certo reconhecimento por cumprir bem seu objetivo de deixar o espectador intrigado e entretido por pouco mais de uma hora. A trama roteirizada por Michael Petroni é protagonizada por Sarah Michelle Gellar que parece nunca encontrar seu espaço no meio cinematográfico, ainda que tenha participado de projetos visados como Segundas Intenções e Scooby-Doo e sua continuação. De qualquer forma ela parece se contentar com produtos menores e convence na pele de Jess, uma jovem advogada que leva uma vida perfeita ao lado do marido Ryan (Michel Landes) até o dia em que o problemático e ex-presidiário Roman (Lee Pace), seu cunhado, chega para passar uns dias com eles, mas sem data para ir embora. Com o novo hóspede, a harmonia da casa é quebrada, Jess se sente desconfortável com os olhares indiscretos de outro homem, mas entende que o marido se sente na obrigação de ajudar o irmão. As coisas se complicam drasticamente quando estes dois homens sofrem um grave acidente de carro e ambos entram em coma. O tempo passou e Roman reage e acorda, mas surpreendentemente assumiu a personalidade de Ryan, este que ainda encontra-se imóvel e dependente de sedação. Seria uma confusão mental passageira ou um golpe do rapaz? Desorientada, Jess aceita receber a contragosto o cunhado em sua casa, pois é a única parente próxima, mas desconfia de seu problema de personalidade. O fato é que pouco a pouco Roman começa a dar indícios de que conhece detalhes íntimos da vida de casado de seu irmão, o que leva a advogada a admitir que de alguma forma inexplicável o espírito ou a memória de seu marido tenha sido incorporado por outro, ainda que ele não estivesse oficialmente morto.

domingo, 26 de novembro de 2017

RECÉM-FORMADA

Nota 2,0 Comédia romântica comete os grandes pecados do gênero: é sem graça e sem emoção

Existe algo pior que uma comédia romântica previsível? Para os detratores do gênero a resposta é sim, pois a lista de exemplos de produções do tipo que além de serem clichês não tem graça alguma e tampouco a trama romântica funciona é extensa. Esse é o caso de Recém-Formada, típico produto para preencher as tardes de ócio. Com roteiro de Kelly Fremon, a premissa já denuncia que não devemos esperar grande coisa da produção protagonizada por uma jovem adulta sonhadora. Ryden Malby (Alexis Bledel) não é mais uma colegial, pelo contrário, está se formando na faculdade e já tem planejado seu futuro (pelo menos os próximos meses). Vai conseguir um emprego em uma empresa respeitável, se mudar para um apartamento maravilhoso em uma agitada metrópole e se divertir o quanto pode com os amigos até que o homem da sua vida surja. Todos os seus sonhos começam a ruir quando uma colega da universidade, Jessica Bard (Catherine Reitman), consegue a vaga de trabalho que ela almejava e assim a jovem é obrigada a ficar morando com os pais, o teimoso Walter (Michael Keaton) e a despachada Carmella (Kelly Lynch), em sua pacata cidade natal. Sentindo que a cada dia a realização de seus desejos se torna mais distante e ainda tendo que aturar as excentricidades de sua avó Maureen (Carol Burnett) e as pentelhices do irmão caçula Hunter (Bobby Coleman), Ryden só consegue ter alguns poucos momentos de felicidade quando está acompanhada do seu melhor amigo Adam (Zach Gilford) ou do vizinho David (Rodrigo Santoro), pessoas que podem ajudá-la a traçar novos rumos para seu futuro. Bem nem é preciso dizer que o inseparável companheiro da moça é apaixonado por ela, esta que por sua vez não corresponde sua paixão preferindo investir no homem mais maduro e com pinta de galã latino. E mais uma vez nosso compatriota está fazendo uma ponta insignificante, mas de qualquer forma está inserido no cinema americano. Falando pouco, porém, marcando presença. O problema é que o longa é tão esquecível quanto a atuação tola de Santoro.

sábado, 25 de novembro de 2017

EM SUAS MÃOS

Nota 5,0 Argumento frágil compromete narrativa que compensa com clima de mistério envolvente

Quer coisa pior que um filme que sugere um suspense e o mesmo é desvendado rapidamente? Pode parecer um ato suicida dos responsáveis pela produção, mas isso não é visto como um problema para diretores fora de Hollywood. Existem muitos exemplos de histórias que poderiam ser intrigantes no cinema europeu, mas que na realidade são dramas. Enquanto os americanos tentam confundir o espectador com mil e uma pistas e ainda deixar para o final uma revelação surpresa que geralmente acaba sendo uma grande decepção, algumas produções européias preferem revelar para o público rapidamente qual o segredo da trama e concentrar seus esforços em analisar as personalidades e comportamentos dos personagens, sejam eles vítimas, suspeitos ou criminosos. Talvez por isso não cause impacto produtos como Em Suas Mãos, mescla de drama e suspense oriundo da França lançado diretamente em DVD no Brasil. Inspirado no romance “Les Kangourus” de Dominique Barberis, o roteiro de Julien Boivent em parceria com Anne Fontaine, também diretora da fita, não é dos mais atraentes. Claire Gautier (Isabelle Carré) trabalha no departamento de reclamações de uma companhia de seguros e se vê envolvida com o problema de um cliente, o veterinário Laurent Fessier (Benoit Poelvoorde) que reclama que uma inundação aconteceu em seu estabelecimento e o seguro que fez não cobre tal imprevisto. Muito prestativa, a moça vai até a clínica veterinária para fazer uma inspeção, faz uma nova proposta de contrato e eles voltam a se ver para assinar a papelada. Nestes encontros, Laurent acaba seduzindo a corretora mesmo ela já sendo casada e até com uma filha. Ele diz que tem predisposição as tragédias e que seu passatempo favorito é conhecer mulheres e ouvir as histórias, sonhos e pensamentos delas. Obviamente a atração será tanta que Claire não irá resistir certa noite que o marido não está e vai marcar um encontro com o sedutor, o problema é que na região onde vive existe um serial killer agindo e que já matou quatro mulheres com a ajuda de um bisturi. Pronto! Ligue os pontos e em meia hora de filme (ou até mesmo em cinco minutos) você já desvendou o mistério.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

DE REPENTE 30

NOTA 8,5

Comédia exala nostalgia do
início ao fim e parece ter
sido encomendada para se
tornar clássico adolescente
Quem nunca imaginou quando era criança crescer rapidamente para poder fazer tudo o que quisesse sem ter que dar satisfações para os outros? Tal fantasia era um tema recorrente nas produções infanto-juvenis da década de 1980 e são essas memórias que provavelmente inspiraram o diretor Gary Winick a assumir as rédeas de De Repente 30, uma deliciosa comédia contemporânea, mas com um ar irresistivelmente nostálgico. O enredo gira em torno de uma pré-adolescente não muito popular no colégio que em um piscar de olhos se transforma em uma linda mulher. No dia do seu aniversário, com a ajuda de um pouco de um pó mágico, Jenna Rink (Jennifer Garner) pula da noite para o dia dos 13 para os 30 anos de idade e se transforma em uma mulher maravilhosa do jeito que sempre sonhou. Linda, com um cotidiano profissional agitado e muitos amigos novos, a vida desta jovem editora de uma popular revista feminina poderia ser a melhor possível, mas aos poucos ela se desanima. Nem tudo são flores. Ela mora sozinha, é muito namoradeira e interesseira, se afastou da família há anos e descobre que perdeu a amizade de Matt (Mark Ruffalo), seu melhor amigo nos tempos da escola. O pior é que ela não se lembra de nada que tenha feito para chegar ao que ela é hoje, uma pessoa ambiciosa e sem escrúpulos. A mágica que fez com que ela pulasse importantes partes da sua vida a impediu de vivenciar momentos que seriam cruciais para determinar seu caráter e personalidade futuros, mas o destino vai dar uma mãozinha para que ela tenha uma chance para consertar tudo que fez de mal em seu passado desconhecido. Ela consegue reencontrar Matt e está disposta a reverter seus erros e compreender melhor sua situação no presente para voltar a ser a mesma Jenna de dezessete anos atrás.
 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

ANTES DO ANOITECER

NOTA 8,5

Cinebiografia de poeta cubano
que sofreu com autoritarismo do
governo de Fidel Castro é aula
de história e de cinema cultural
Existe um grande número de pessoas no mundo todo que fazem ou fizeram a diferença através de seus atos, sejam eles voluntários, de rebeldia ou através de suas manifestações artísticas, mas poucas dessas histórias ficam conhecidas fora de seu país de origem. Ainda bem que tem o cinema para enaltecer os nomes delas, por outro lado, é uma pena que muitas vezes tais homenagens só despertem a atenção de um seleto grupo de espectadores, até por que geralmente elas já chegam até nós brasileiros rotuladas como produções elitizadas. É fato que a maioria das cinebiografias feitas fora dos padrões hollywoodianos (aquelas que tentam escamotear o máximo possível o sofrimento dos protagonistas e caprichar nas conclusões edificantes) realmente não são de fácil compreensão e as vezes até mesmo de difícil digestão como é o caso de Antes do Anoitecer, drama que sintetiza em pouco mais de duas horas a história de vida, profissional e de batalhas contra preconceitos do poeta e escritor cubano Reinaldo Arenas (Javier Barden) que sentiu na pele e no coração as dificuldades impostas por um regime governamental autoritário que proibia as pessoas de viverem da maneira que achavam mais adequado e também fiscalizava as manifestações culturais. Ele foi um homem que viveu exilado boa parte de sua curta existência, de certa forma mesmo quando estava em liberdade, e amando profundamente suas raízes, sua terra, sua gente e seus ideais. Desde a infância sofrida em região campestre, nos anos 40, já se mostrava sensível e que tinha intimidade com as palavras, o que causou repulsa em seus familiares e o levou a fugir de casa para se unir aos rebeldes do período pré-revolucionário de Cuba. No entanto, seus planos acabam frustrados e ele é obrigado a amadurecer diante das dificuldades que a vida lhe impõe no caminho. Na juventude despertava olhares atentos de meninas e meninos, o que para ele era algo natural e pouco relutou quanto a esses desejos assumindo sua homossexualidade publicamente, decisão que só veio a agregar negativamente a seu perfil perante a sociedade, já que os intelectuais eram vistos como seres desvirtuados que através dos seus trabalhos tentavam desviar a atenção dos populares do caminho correto, ou seja, as regras impostas pelo governo comunista de Fidel Castro que vigiava ferrenhamente os passos dos desencaminhados. 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

MORTE NO FUNERAL (2010)

NOTA 6,0

Refilmagem americana de comédia
inglesa pode divertir quem não
conhece a original, mas obra perde
pontos por limitar-se a fazer uma cópia
Antigamente eram muito comuns aquelas comédias em que durante reuniões familiares a câmera passeava ocultamente entre os diversos espaços da ambientação a fim de bisbilhotar os momentos mais íntimos e vexatórios dos convidados e anfitriões até culminar em um desfecho em que as diversas tramas se fundiam para o pronunciamento da mensagem-clichê de que família é tudo, é preciso esquecer as mágoas e todo esse blá-blá-blá meloso. Para fazer humor essa tática é um prato cheio, mas a fórmula nem sempre é bem aplicada e hoje em dia ela sobrevive em Hollywood graças às comédias feitas com elenco predominantemente negro. Praticamente todo ator afrodescendente bem-sucedido que construiu carreira no cinema ianque tem ao menos um exemplar do tipo em seu currículo, geralmente produções que marcam suas principais experiências profissionais. Vendo por esse lado, por que então atores consagrados toparam participar do remake de Morte no Funeral? Comédia de humor negro de origem inglesa e que fez sucesso no circuito alternativo de vários países, não havia uma justificativa plausível para a realização de uma versão americana, ainda mais depois de apenas três anos do lançamento do filme original. Existe a desculpa que o público da terra do tio Sam não curte legendas e tampouco dublagens (um doce para quem revelar qual a grande diferença entre o inglês usado na Inglaterra e o praticado nos EUA), mas ao que tudo indica é que os profissionais hollywoodianos não suportam ver o sucesso de outro país naquele que antes era seu terreno seguro. Filmes-pipoca são símbolos da cultura norte-americana e deve ser um baque e tanto quando o produto alheio é melhor. O ator Chris Rock, em parceria com Aeysha Carr, tratou de adaptar o roteiro original de Dean Craig, mas basicamente só mudou os nomes dos personagens e nem se deu ao trabalho de procurar outro ator para viver um tipo-chave da trama. Aaron (Rock) é um rapaz íntegro e responsável que está apreensivo para a cerimônia de funeral do pai. Como filho mais velho ele se encarregou de tudo, inclusive redigir um belo discurso para homenageá-lo, enquanto seu irmão Ryan (Martin Lawrence), um escritor de sucesso e que esbanja dinheiro com futilidades, parece pouco ligar para a perda da família.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

CASAMENTO GREGO 2

NOTA 6,0

Continuação de grande sucesso
demorou demais a ser lançada e
apenas repete situações do original,
mas sem contar com o fator novidade
Lançada em 2002, a comédia Casamento Grego chegou aos cinemas ianques como quem não quer nada e surpreendeu com uma gigantesca bilheteria (visto sob o ângulo da ninharia que custou e a exorbitância que lucrou pode-se afirmar que é um dos longas mais lucrativos de todos os tempos) e conquistou a crítica especializada. Sem efeitos especiais, tampouco apelações e elenco até então desconhecido, o longa já chegou ao Brasil e em outros tantos países ancorado por uma campanha de marketing que enfatizava sua lucratividade e que ganhou um bônus com a indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Logo começaram rumores de que uma continuação já estava nos planos. Pena que o projeto demorou demais a ser concretizado. Quase quinze anos depois do original houve a estreia de Casamento Grego 2, mas sem a pompa do original. Público e crítica já não estavam na expectativa de um segundo encontro da família Portokalos e talvez só o elenco ainda alimentasse alguma esperança para voltar a ficar em evidência. Nesse meio tempo Nia Vardalos, protagonista e também roteirista e produtora das duas produções, encarou o fracasso de Falando Grego e Eu Odeio o Dia dos Namorados, e os outros atores amargaram o ostracismo. Porém, não é por falta de talento. Nesta nova reunião familiar os intérpretes mostram mais uma vez ótima sintonia e conquistam o público graças a rápida identificação com seus personagens. É como uma reunião familiar no Natal ou em algum aniversário. Todos tem pelo menos um parente caracterizado por seu jeito extremamente espontâneo, sisudez ou involuntariamente divertido. Eles podem nos fazer passar por momentos vexatórios, mas sejamos sinceros, que graça tem um encontro familiar sem essas situações para servir como lembrança? Vardalos parece plenamente ter consciência da comoção que seu filme anterior causou e de certa forma conseguiu manter a essência. Agora sua Toula é uma mulher mais segura de si para poder dar conta de cuidar de sua casa, do marido Ian Miller (John Corbett), seu primeiro e único amor, e da filha adolescente Paris (Elena Kampouris) que está preste a se formar no colégio e sonha em fazer faculdade fora.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

CASAMENTO GREGO

NOTA 8,0

Tirando sarro de uma
patriota família grega,
longa conquista com seu
humor simples e leve 
Para um filme ser um estrondoso sucesso e levar sua fama para todos os cantos do mundo é necessário que ele tenha um roteiro inteligente e complexo, um elenco estrelar, efeitos especiais de ponta ou, melhor ainda, a mistura de todos esses ingredientes. Graças a Deus vez ou outra uma produção extremamente simples e bobinha, no melhor sentido da expressão, surge para nos lembrar que cinema de verdade deve tocar no emocional do espectador e não se resumir a um show pirotécnico ou a uma história que pouca gente entende, mas que mesmo assim enche a boca para falar que adorou só para se passar por esperto. Casamento Grego foi um sucesso espetacular por todos os cantos onde passou isso porque já chegou com uma bela campanha publicitária destacando o número gigantesco de espectadores que conquistou em solo americano. É considerado um feito e tanto por ser uma produção extremamente simples, sem nada de extraordinário no visual e tampouco contando com um elenco famoso, mas que conseguiu chamar a atenção do grande público talvez justamente pela sua falta de brilhantismo ou novidades em sua confecção, algo que causou a fúria dos críticos que desceram a lenha no filme dirigido por Joel Zwick, veterano de programas de TV. Os entendidos de cinema não se conformaram, e provavelmente até hoje não, que um produto estilo sessão da tarde tenha se tornado um fenômeno mundial. Na realidade devem ter se sentido menosprezados já que o público preferiu confiar nas indicações boca-a-boca do que nos textos rebuscados deles (justiça seja feita, alguns críticos até foram bonzinhos com a fita). A obra em si não tem mesmo nada demais, porém, é bem realizado, tem uma história agradável e com boas situações cômicas, os ingredientes básicos de qualquer comédia, embora estejam em falta em diversas produções do tipo contemporâneas. A trama gira em torno de Toula Portokalos (Nia Vardalos), uma mulher grega que já está na casa dos trinta anos e vive com sua enorme, animada e pitoresca família em solo americano. Ela gerencia o restaurante dos pais de comida típica da sua terra natal, mas na realidade ela faz de tudo naquele lugar e não tem tempo para viver uma vida normal e quando o tem se sente um peixe fora d’água em qualquer lugar que vá. Como seus familiares são muito rígidos quando o assunto é manter as tradições do povo grego, a moça cresceu se sentindo uma estranha nos EUA e talvez por isso enterrou sua vida no trabalho.

domingo, 19 de novembro de 2017

DENNIS - O PIMENTINHA

Nota 6,0 Repleto de clichês, clássico sessão da tarde vale a pena por ter o saudoso Walther Matthau

Quem nunca aprontou alguma peraltice na infância que atire a primeira pedra. Curtir umas zoeiras de vez em quando faz parte e é necessário nessa fase da vida, inclusive para tirar lições dos erros, porém, o protagonista de Dennis - O Pimentinha extrapola os limites, mas ainda assim cativa o espectador com sua cara fofa e esperteza. Vivido pelo carismático Mason Gamble, o personagem-título é o típico moleque travesso que existe em toda vizinhança. Sempre com as mãos inquietas e com a cabeça fervilhando mil e umas travessuras, ele não consegue ficar parado e a principal vítima de suas brincadeiras é George Wilson (Walther Matthau), seu vizinho já de idade que tudo que desejava a essa altura da vida era curtir sossegadamente sua bela casa, principalmente seu prezado jardim que cuida com tanta dedicação, ao lado da esposa Martha (Joan Plowright). Contudo, basta ouvir o sonoro "Sr. Wilsooooooonnnnn!!!!" para seus poucos cabelos ficarem em pé. O garoto não faz nada por maldade, mas foi apenas sem querer querendo que entre tantas outras coisas ele joga tinta no churrasco do coroa, troca os dentes de sua dentadura por chicletes ou lhe rouba a atenção na tão aguardada noite em que veria florescer uma exótica planta que cuida nada mais nada menos que a quatro décadas, mas cujo esplendor duro míseros segundos. Rabugento, mas no fundo de coração mole, o florista aceita cuidar do garoto por uns dias quando seus pais precisam viajar a trabalho. Conhecendo a fama de Dennis, nenhuma babá se prontificou a cuidar do ferinha que além de suas costumeiras confusões ainda irá enfrentar, mesmo que levando tudo como uma grande brincadeira, o vagabundo Sam (Christopher Lloyd) que está rondando a pacata vizinhança planejando roubos. Com este simples argumento o diretor Nick Castle criou um dos filmes que viria a se tornar símbolo de nostalgia da década de 1990 e marco na infância de muita gente... Bem, nem tanto por méritos próprios, mas sim pela avalanche de reprises na televisão.

sábado, 18 de novembro de 2017

7 DESEJOS

Nota 1,5 Egoísmo e valor da vida são temas desperdiçados em terror teen genérico e ruim

Tudo o que você faz um dia volta para você. Quem nunca ouviu tal máxima e se pegou refletindo sobre a mesma em momentos de dificuldades? A protagonista de 7 Desejos talvez nunca tenha tido contato com tal pensamento popular. Tampouco os realizadores da fita, visto que abordam uma premissa um tanto surrada sem um pingo de criatividade e de forma assumidamente trash, uma desculpa para investir em cenas pretensamente impactantes com muito sangue e trabalhadas com o trivial do gênero. Os clichês de pouca iluminação, efeitos sonoros estridentes e edição rápida são usados em excesso como em uma ação desesperada para que ao menos visualmente o longa compense a total falta de originalidade ou empatia do roteiro, mas tudo é em vão. Assim como em seu primeiro longa-metragem, Verdade ou Consequência,  a roteirista Barbara Marshall aborda o universo feminino, mais especificamente o microcosmo das adolescentes, e constrói sua narrativa em cima de arquétipos. Desde o inexplicável suicídio da mãe, Clare Shannon (Joey King) leva uma vida infeliz principalmente no colégio onde é vítima de bullying por conta de seu jeito reprimido e por ser ignorada por Paul (Mitchell Slaggert), colega por quem é apaixonada. Contudo, sua pacata rotina vira dos avessos quando Jonathan (Ryan Phillippe), seu pai que vive de catar bugigangas no lixo, encontra uma bela caixa de música com ornamentos orientais e oferece para a filha sem saber dos poderes mágicos do artefato. Ao perceber essa particularidade, a jovem começa a lapidar sua vida através de desejos insanos e sem perceber as consequências, assim tudo que pede é transformado em realidade de forma literal. Por exemplo, quando pede que Darcie (Josephine Langford), sua pior inimiga na escola, apodrecesse de fato a garota de uma hora para a outra apresenta deformações na pele como se estivesse se degenerando como um cadáver. Tudo piora quando Clare faz o pedido para que Paul se apaixone perdidamente por ela, ignorando por completo os sentimentos de Ryan (Ki Hong Lee), que realmente demonstra gostar da garota sem precisar de mandingas para tanto.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CADA UM TEM A GÊMEA QUE MERECE

NOTA 2,0

Com o humor raso e grosseiro
como de costume, Adam Sandler se
divide em dois personagens e carrega
Al Pacino para uma absurda produção
Homens vivendo papeis femininos há tempos não causam estranheza graças ao empenho e talento de atores como Dustin Hoffman em Tootsie, Robin Williams em Uma Babá Quase Perfeita e até mesmo John Travolta em Hairspray - Em Busca da Fama, este com certo quê de caricatural propositalmente. Um ator contracenar consigo mesmo também se tornou algo obsoleto, principalmente depois que Eddie Murphy conseguiu a proeza de contracenar com meia dúzia de personagens vividos por ele próprio sob pesada maquiagem (literalmente) em O Professor Aloprado. Sendo assim, o que teria chamado a atenção de Adam Sandler para protagonizar em dose dupla a comédia grosseira Cada Um Tem a Gêmea Que Merece? Bem, seu currículo prova que surpreender o expectador com novidades não é lá sua praia, mas melhor acreditar que tenha topado participar de um projeto tão tolo em nome da amizade de longa data com o diretor Dennis Dugan. Até então este era o sétimo trabalho da dupla, uma parceria iniciada em 1996 com Um Maluco no Golfe e que a cada novo filme lançado parece querer superar o nível de baixaria alcançado pelo anterior. O Paizão, de longe, pode ser considerado o que de melhor fizeram juntos. No longa em questão Sandler se desdobra para viver os irmãos Jack e Jill Sadelstein, gêmeos que apesar de fraternos (de sexo oposto) são idênticos tal qual fossem univitelinos, uma mera desculpa para colocar o ator em trajes ridículos e com peruca desgrenhada compondo uma figura que é uma verdadeira aberração. Há anos eles não se encontram, mas certa vez ela decide aparecer na casa do irmão para passar o feriado do Dia de Ação de Graças, a oportunidade perfeita para reatarem os laços familiares.  Será mesmo? Jack está casado, tem filhos, vive em uma bela casa e dirige uma agência de publicidade. Já Jill viveu por anos na barra da saia da mãe recentemente falecida e acabou solteirona, vivendo em uma cidade do interior e ocupando seu tempo com fofocas e perturbando qualquer um que cruze seu caminho com seu jeito expansivo e inconveniente. É óbvio que os irmãos não se dão bem e Jack conta os minutos para se livrar do tribufu o mais rápido possível, mas ela decide esticar um pouquinho  a temporada com a família que irá viver momentos um tanto constrangedores em sua companhia.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

UM BOM PARTIDO

NOTA 4,0

Com muitas tramas paralelas sem
função, argumento que envolve amor
e redenção se perde em trama chata que
não cativa nem mesmo pelo bom elenco
O título cai como uma luva para uma típica comédia romântica, mas mais do que contar uma historinha de amor Um Bom Partido se propõe a falar de redenção através dos aprendizados de George Dryer (Gerard Butler), um ex-jogador de futebol de origem escocesa que já foi um ídolo, inclusive chegou a dividir os gramados com o mito David Beckham da Inglaterra, mas por conta de uma contusão acabou sendo cortado do time e acabou na falência e sem perspectivas de recuperar seu padrão de vida. Tal fato também contribuiu para o fim de seu casamento com Stacie (Jessica Biel) e consequentemente seu afastamento de Lewis (Noah Lomax), seu pequeno filho. Tentando reatar os laços com a família, ele decide se mudar para os EUA e consegue um emprego como técnico esportivo na escola do garoto onde de certa forma reassume sua imagem de celebridade, mas isso é apenas um quebra-galho. Na verdade ele tenta em paralelo se tornar comentarista em um programa de TV em um conceituado canal, mesmo que para isso tenha que fazer uso de seus dotes físicos e beleza. Isso mesmo! Quando não está ensaiando o papel de pai zeloso ou de namorado perfeito para reconquistar a ex, o esportista está enrolado com a mulherada, mais especificamente com as mães dos amiguinhos do filho que descaradamente dão em cima dele. Contudo, o diretor italiano Gabriele Muccino evita explorar o gancho sexual e apenas sugestiona suas aventuras de alcova, preferindo mostrar o protagonista como um homem-objeto no sentido de ser uma pessoa que não toma as rédeas da própria vida e está sempre precisando de um empurrãozinho alheio para se mexer. Por exemplo, consegue bancar um estilo de vida de bacanão com a ajuda do amigo Carl (Dennis Quaid) que lhe oferece uma boa quantia em dinheiro e até uma Ferrari (não tinha um carrinho mais popular para a caridade?) e seu sonhado emprego como apresentador lhe cai nas mãos graças aos contatos de Denise (Catherine Zeta-Jones), uma das bondosas mamães que lhe arranja um teste em troca de uns amassos. Até ter a companhia de Lewis para dormir em sua casa depende do próprio garoto ter a iniciativa para tal aproximação.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

SEM ESCALAS

NOTA 7,0

Com argumento intrigante e que
coloca sob suspeita qualquer
personagem, suspense se sustenta
graças a destreza do diretor
Receio de viajar de avião é uma fobia bastante comum por conta dos riscos de falhas mecânicas que podem resultar em tragédias, embora exista a máxima que garanta que é o meio de transporte mais seguro. Já Hollywood vem alimentando tal medo com um ingrediente a mais: criminosos em ação a muitos pés de altura. Em um ambiente claustrofóbico, vivenciando uma situação limite orquestrada por algum psicopata e sem ter para onde fugir, o que fazer? Voo United 93, Força Aérea Um, Voo Noturno e até o super trash Serpentes a Bordo são alguns exemplos de produções que colocaram os passageiros em apuros por conta de planos mirabolantes de chantagistas ou terroristas. Engrossando a lista temos o eficiente thriller Sem Escalas que tira uma onda com os clichês desse tipo de enredo, especialmente de seus personagens estereotipados. No caso um avião está repleto de pessoas com caráter suspeito, a julgar por seus aspectos físicos ou comportamentos, uma visão mesquinha e preconceituosa que certamente sempre fez parte cultura dos norte-americanos, mas ganhou força com a paranoia instaurada após os atentados de 11 de setembro de 2001. Desconfiar uns dos outros virou uma obrigatoriedade do cotidiano. Embora temos um representante árabe a bordo obviamente visto com provável aspirações terroristas, a ameaça também pode se manifestar na figura de um negro que leva jeito de arruaceiro ou de uma loira bonita e insinuante com poder de persuasão. Por pouco mais de uma hora e meia o diretor catalão Jaume Collet-Serra se diverte colocando sua câmera à disposição para flagrar pistas como olhares suspeitos, cochichos e uso de celulares, o que não seria nenhum problema caso Bill Marks (Liam Neeson) não estivesse sendo chantageado. O ator não é mais jovenzinho e tampouco ostenta um corpo musculoso, mas tendo a sisudez como sua principal característica, além de seus quase dois metros de altura, após a maturidade foi alçado ao posto de herói adicionando uma seriedade dramática aos seus personagens que o afastam do estilo truculento defendido no passado por Arnold Schwarzenegger ou Dolph Lundgren.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

UMA LADRA SEM LIMITES

NOTA 5,0

Melissa McCarthy mais uma vez
faz o papel da gordinha divertida, mas
encrenqueira, em comédia que requenta
velhas fórmulas e piadas desagradáveis
Todo gordinho obrigatoriamente deve ser engraçado? Bem, se depender dos esforços de Melissa McCarthy tal estereótipo continuará prevalecendo. Desde que foi catapultada ao sucesso com Missão Madrinha de Casamento a atriz vem emendando uma comédia atrás da outra e sempre com uma característica em comum: o humor por vezes grosseiro. Com Uma Ladra Sem Limites as coisas não são diferentes. Aqui ela interpreta Diana, uma experiente estelionatária que aplica um golpe que complica a vida de Sandy Patterson (Jason Bateman), um homem honrado e dedicado à família, mas com azar na vida profissional. Embora seja um aplicado profissional da área financeira ele nunca teve seu talento reconhecido por Harold Cornish (Jon Fraveau), seu chefe que não perde oportunidades para humilhá-lo, mas mesmo assim ele ainda confia que as pessoas boas são de alguma forma recompensadas pela vida. Quando alguns de seus colegas de trabalho resolvem se unir para começarem um negócio próprio o rapaz se entusiasma e decide abraçar a ideia, no entanto, sua documentação é rejeitada devido a inúmeras e pesadas dívidas que constam em seu nome. Por uma feliz coincidência, daquelas que só acontecem na ficção, Sandy recebe um telefonema de um salão de beleza na Flórida para confirmar um horário (descobriram seu número na internet, simples assim). Ele então se recorda que passou dados sigilosos em uma ligação que acreditava ser do banco, mas como a polícia faz corpo mole decide por conta própria investigar. Rapidamente ele chega ao nome de Diana que está usando e abusando da boa índole do nome do rapaz aproveitando-se que Sandy é uma alcunha unissex (tal piada perde totalmente a graça por ser usada a exaustão pelo enredo). Sem pensar duas vezes ele sai de Denver, sua cidade, e viaja para encontrar a criminosa e obrigá-la a se apresentar às autoridades e o inocentar, mas mal sabia ele o tipo de pessoa que encontraria.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

EU OS DECLARO MARIDO E... LARRY

NOTA 7,0

Adotando um discurso politicamente
correto, mas sem dispensar piadas de
gosto duvidoso, longa consegue
divertir e trazer mensagens positivas
Adam Sandler não é um excepcional sinônimo para o gênero comédia. Não para aqueles que apreciam um humor de qualidade ou até mesmo satírico. Seus trabalhos são puro nonsense. Todavia o ator acabou conquistando uma legião de fãs e geralmente extrapola o aproveitamento de sua fama com atuações exageradas e repetitivas, porém, não se pode negar que é um astro que permite que seus companheiros de cena também se destaquem. Deixando o humor físico e as caras e bocas de lado (bem, nem tanto assim), Sandler divide com seu velho amigo Kevin James as boas piadas de Eu os Declaro Marido e... Larry, uma eficiente comédia na qual eles interpretam dois héteros tentando se passar por gays para ganharem benefícios de um programa social do governo. Embora a primeira vista possa parecer mais uma produção para achincalhar a imagem dos homossexuais, na realidade o humor aqui é usado de forma agradável e consciente levando uma mensagem otimista e reflexiva ao público, afinal todos têm direito a serem felizes, mas o caminho para alcançar tal felicidade cabe a cada um escolher e aos demais só resta ao menos respeitarem. É certo que não é com essas palavras que literalmente tiramos uma boa lição do filme, só os mais bondosos podem perceber tal ideia. O recado mais forte é sobre a valorização da amizade, principalmente nos momentos de dificuldades. Chuck Levine (Sandler) e Larry Valentine (James) são dois destemidos bombeiros que não são unidos apenas profissionalmente, mas também são grandes amigos quando estão longe dos incêndios e livre de seus uniformes de trabalho. Larry ficou viúvo muito cedo e se preocupa com o futuro dos filhos, mas devido a problemas burocráticos não consegue colocá-los como beneficiários em seu seguro de vida. Para tanto ele precisaria se casar novamente, mas o problema é que ele ainda não superou a perda da esposa e sabe que não pode confiar em qualquer mulher quando há dinheiro envolvido na relação. O jeito é recorrer ao seu grande amigo que tem com ele uma dívida de gratidão por ter salvo sua vida em um incidente de trabalho.

domingo, 12 de novembro de 2017

PALAVRAS E IMAGENS

Nota 7,5 Guerra de pontos de vistas de tema complexo sustenta romance fraquinho

O que é mais interessante: uma imagem cheia de simbolismos e significados ocultos ou um texto bem redigido com vocabulário rebuscado e mensagens subliminares? Intelectuais costumam admirar as artes visuais e a literatura com o mesmo grau de importância, mas mesmo dentro deste grupo tão seleto pode haver defensores ferrenhos de cada estilo de manifestação artística e cultural. É disto que se trama o romance Palavras e Imagens, do diretor australiano Fred Schepisi, de ótimos e saudosos títulos como Um Grito no Escuro e A Casa da Rússia.  O professor de literatura Jack Marcus (Clive Owen) idolatra as palavras e tenta ser um modelo de inspiração a seus alunos, principalmente por ostentar que ainda muito jovem publicou um livro premiado e elogiado pela crítica e por isso foi contratado a peso de ouro para lecionar, mas seu problema com o alcoolismo pode jogar por terra toda a sua boa reputação e carreira, aliás, já o castiga na vida pessoal visto que seu próprio filho tenta ao máximo evitar contato com ele. Já Dina Delsanto (Juliette Binoche) é uma artista plástica que já teve seus dias de glória expondo suas obras em importantes galerias, mas por causa de uma artrite reumatóide, uma séria inflamação degenerativa dos músculos, tem seus movimentos limitados e para sobreviver acaba tendo que se contentar com a vaga de professora de artes, profissão que exerce tentando persuadir com seus ideais e personalidade forte. Ele a saudando com um sonoro "foda-se" e ela por sua vez levantando na direção dos olhos dele o seu dedo do meio, de imediato eles se estranham no colégio e deixam claro serem ferrenhos defensores de suas respectivas áreas de trabalho e conhecimento, mas no fundo ambos sabem que tem uma faísca de sentimento amoroso que surgiu, só que extremamente orgulhosos não querem dar o braço a torcer. Contudo, como também não desejam dar as costas um para o outro, acabam iniciando uma guerra dentro do colégio utilizando como armas os próprios alunos que são instigado à rivalidade, assim vira e mexe estão em contato com a desculpa de precisarem solucionar problemas dos adolescentes.

sábado, 11 de novembro de 2017

MEDO (1996)

Nota 4,0 Apesar do título forte, o medo é praticamente nulo em suspense esquemático e bobinho

Para muitos Reese Witherspoon começou sua carreira em 1999, ano em que estrelou o drama juvenil Segundas Intenções e o cult Eleição, mas a atriz já estava na estrada há alguns anos participando de algumas produções pouco lembradas como o suspense Medo. Aqui ela vive Nicole Walker, uma adolescente que como outra qualquer sempre alimentou o sonho de se apaixonar e ser correspondida por alguém especial, um rapaz educado, sensível, mas obviamente belo e desejável. Ela encontra estas características em David McCall, vivido por um jovem Mark Wahlberg também galgando seus primeiros passos rumo ao estrelato. Ela o conheceu em uma festa na qual ele a ajudou em um tumulto e desde então passou a viver em função de agradar e fazer as vontades do rapaz, inclusive perder sua virgindade. Desde o início Steven (William L. Petersen), o pai da garota, demonstra-se reticente quanto a esse namoro porque o passado e a vida particular do rapaz são um mistério. Por outro lado, sua esposa Laura (Amy Brenneman) se simpatiza à primeira vista pelo rapaz, e isso faz com que seu relacionamento com a enteada melhore, e Toby (Christopher Gray), o pequeno filho do casal, se afeiçoa à David a ponto de respeitá-lo como se fosse um pai. Contudo, pouco a pouco a imagem de príncipe encantado vai sendo desconstruída por ele próprio que não consegue esconder seu ciúmes e começa a se enrolar com mentiras e atos violentos. Por amor, Nicole vai perdoando os deslizes, mas quando o flagra a traindo decide colocar um ponto final no relacionamento, porém, a essa altura ela e sua família correm perigo nas mãos de um desequilibrado sedento por vingança.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O FANTÁSTICO SR. RAPOSO

NOTA 8,0

Diretor especialista em
temáticas sobre famílias
excêntricas leva seu olhar
crítico para a animação
Os primeiros trabalhos da marca Disney encantavam adultos e crianças com suas imagens coloridas à mão e histórias clássicas. Depois Hanna-Barbera driblou a falta de recursos recorrendo a técnicas que movimentavam o mínimo possível os personagens em cenários estáticos, geralmente figuras que cativavam o público mesmo tendo as vezes atitudes dignas de anti-heróis. O campo de animação então foi ampliado e os mais variados tipos de desenhos foram surgindo até que a animação totalmente computadorizada chegou para dominar o mercado do gênero no século 21, principalmente porque agora os espectadores mais velhos estavam até mais interessados em produções do tipo que o próprio público-alvo. Ainda bem que existem cineastas com crédito na praça para poderem inovar, ou melhor, recorrer as técnicas do passado para conseguir um resultado magnífico e original em um cenário onde a mesmice impera. Wes Anderson é bastante famoso entre os adeptos de produções alternativas e cults e construiu sua carreira em cima de uma temática constante: as relações familiares entre pessoas excêntricas e problemáticas. Sempre recrutando um elenco recheado de nomes famosos e talentosos, em 2009 resolveu inovar utilizando apenas as vozes dos intérpretes, como George Clooney e Meryl Streep, mas deixando a tela livre para as peripécias de personagens criados e movimentados através do stop-motion, a mesma técnica de animação com massinha dos sucessos A Fuga das Galinhas e A Noiva Cadáver. O diretor trouxe seu olhar dissecador e crítico, já conhecido por obras como Os Excêntricos Tenembaums e Viagem à Darjeeling, de forma mais branda para o simpático e inteligente O Fantástico Sr. Raposo, produção com uma plasticidade magnífica e chamativa, mas cujo conteúdo pode não entreter as crianças ou nem interessá-las. É curiosa a opção de Anderson em trabalhar com uma técnica quase em extinção e que seria estranha à sua filmografia, mas de certa forma faz sentido sua escolha. É comum em seus filmes os atores ficarem estáticos e com olhar paralisado como se esperassem uma ordem para se movimentarem. Na animação, os humanos são trocados por raposas que agem de forma estranha, mas ainda assim irresistível.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

OS QUERIDINHOS DA AMÉRICA

NOTA 4,0

Elenco de peso e premissa
interessante são perdidos
em filme simplório que
prometia muito mais
Julia Roberts nos últimos tempos tem feito poucos filmes, preferindo se dedicar as personagens de mãe e dona de casa na vida real, mas nos anos 90 sua vida era bem diferente. Estrelou muitos filmes, procurou desafios na carreira e cada passo seu era vigiado por fotógrafos e jornalistas de plantão. Ela fechou sua década de sucesso ironicamente vivendo uma estrela de cinema em Um Lugar Chamado Notting Hill como se desse um recado à imprensa dizendo que sua profissão é a de atriz e que ela tem o dever de cumprir sua agenda de eventos ligados a seus filmes, mas quando está fora dos sets de filmagens ou das entrevistas coletivas ela é uma mulher comum que deseja ser amada, ter uma família e acima de tudo ter privacidade. Dois anos depois ela teve uma nova chance de expor implicitamente seus pensamentos quanto aos mecanismos da indústria do entretenimento e da fofoca, mas desta vez a crítica parecia um pouco mais ácida. Os Queridinhos da América é na teoria uma espécie de vingança dos envolvidos na produção de um filme contra os profissionais do jornalismo que quando participam de uma coletiva de lançamento não estão muito atrás de ver se o produto final ficou bacana, mas sim em flagrar gafes, desentendimentos ou deslizes das estrelas. Convidada para ser a protagonista, Julia preferiu um papel mais discreto, porém, não menos importante na trama. Ela vive Kiki, uma mulher tímida que trabalha como assistente de sua irmã Gwen Harrison (Catherine Zeta-Jones), uma famosa atriz de Hollywood que está prestes a se separar definitivamente de seu marido, o também ator Eddie Thomas (John Cusack), um cara metido a galã que não se conforma que sua ex está de caso com o galanteador espanhol Hector (Hank Azaria). O problema é que a vida conjugal destes astros está intimamente ligada com o sucesso profissional de ambos. Após estrelarem quase uma dezena de produções, agora eles têm um novo lançamento para entrar em circuito de exibição e precisam manter as aparências durante algum tempo de que ainda formam um casal feliz e apaixonado.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

EM UM MUNDO MELHOR

NOTA 8,5

A intolerância e a violência
é discutida por duas vias
diferentes, porém,
intimamente conectadas
Todos sabem que vivemos em uma época de intolerância, individualismo e nos acostumamos a conviver com a violência e o ódio. Falar que as coisas vão melhorar e que o ser humano precisa respeitar seu semelhante viraram frases de uso religioso ou de praxe para serem espalhadas na virada de ano. A dinamarquesa Susanne Bier procurou discutir a utopia da paz do mundo tratando o problema em duas vertentes: dentro de um restrito núcleo e outro mais universal. Não se pode esperar que a população mundial mude seu comportamento se cada um não realizar a sua parte e procurar mudar também. Em Um Mundo Melhor é uma obra que pelo título pode vender seu peixe de forma errada. Não é uma draminha edificante qualquer. Seu conteúdo, embora transmita mensagens aos espectadores, pode não ser do agrado de grandes platéias. Um dos protagonistas, por exemplo, confia que um dia os seres humanos passarão a ser mais corretos, respeitosos e éticos, mas sabe que o caminho para chegarmos a esse paraíso na Terra não é fácil e tampouco rápido. A trama nos apresenta à Anton (Mikael Persbrandt), um médico que trabalha em um campo de refugiados na África, mas quando pode ter folga volta para seu país natal, a Dinamarca. Ele tem dois filhos com Marianne (Trine Dyrholm), de quem está se separando, embora contrariado. Elias (Markus Ryggard), seu filho mais velho, sofre com a perseguição no colégio de um garoto maior que ele que se aproveita para humilhá-lo como pode. As coisas mudam quando ele conhece Christian (William Johnk Nielsen), um menino que perdeu a mãe recentemente e agora vive com o pai, Claus (Ulrich Thomsen). Ele acaba de ingressar no mesmo colégio que Elias, mas não se comporta como um novato na turma. Geralmente os recém-chegados se mostram tímidos e um ótimo alvo para chacotas e brincadeiras cruéis, mas com ele a banda toca de outra maneira. Após defender seu novo amigo em uma confusão, Christian é agredido e como vingança dá uma surra no agressor e o ameaça com uma faca. Assim, os garotos criam um forte laço de amizade, mas um episódio com possíveis consequências trágicas pode colocar essa relação em risco assim como suas vidas.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

ELEKTRA

NOTA 3,0

Personagem rico em conflitos
e personalidade é diminuído a
uma típica heroína de sessão da
tarde por exigências comerciais
Para boa parte dos brasileiros, com exceção daquela turma taxada de nerd, o mundo dos quadrinhos é repleto de mistérios. Existem os mais variados tipos de HQs, inclusive muitos que são destinados exclusivamente ao público adulto, mas sem dúvida os mais populares são aqueles protagonizados por super-heróis, embora no Brasil jamais tais publicações conseguiram o mesmo nível de repercussão que os simplórios traços e enredos de Maurício de Souza e sua Turma da Mônica. Todavia, para os aficionados, é totalmente compreensível a morte e o renascimento de seus ídolos e seus encontros com heróis e vilões pertencentes a outros universos, histórias contadas em revistas que as vezes nem chegam a ser lançadas por aqui, mas cujos originais valem ouro, ainda mais nestes primeiros anos do século 21, época em que a indústria dos quadrinhos viu seu prestígio ressurgir graças ao cinema, este, porém, sofrendo do mesmo mal que atingiu o mercado de tais publicações: a preocupação com o visual sobreponde-se a qualidade das histórias. Os longas baseados nas aventuras de heróis famosos e com apelo junto ao público infanto-juvenil até que conseguiram fazer fortuna e colher elogios, mas tudo que é demais enjoa e as vítimas desse excesso claramente foram os personagens menos conhecidos. Demolidor – O Homem sem Medo não foi o sucesso esperado e por aí já é de se estranhar as razões que levaram produtores a investir dinheiro em uma espécie de sequência não oficial. Elektra não traz de volta Ben Affleck, mas sim Jennifer Garner repetindo seu papel de ninja gostosa que curiosamente morreu em sua primeira aparição nos cinemas. Todavia, em Hollywood tudo é possível e como esta personagem feminina teve muito mais repercussão que o protagonista da aventura anterior, magicamente ela volta à vida por obra de Stick (Terrence Stamp), o líder de um culto cujos participantes são chamados de os Virtuosos e que travam uma guerra que já dura séculos contra o Tentáculo, uma organização de ninjas a serviço do mal. Ela recebeu treinamento baseado nas artes marciais e no uso de armas, no seu caso uma adaga especial, mas não se adequou ao estilo do grupo e acabou sendo expulsa pelo próprio homem que lhe ressuscitou, decidindo assim a tentar ganhar a vida como uma assassina profissional. Contudo, quando é contratada para Abby (Kristen Prout) e Mark Miller (Goran Visnjic), pai e filha, Elektra não aceita a missão, mesmo sendo eles os responsáveis por trazer a tona alguns traumas de sua infância, e passa a ajudá-los a fugir de seus perseguidores.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

DEMOLIDOR - O HOMEM SEM MEDO

NOTA 6,5

Longa protagonizado por herói 

pouco conhecido é prejudicado por
exigências para transformá-lo
obrigatoriamente em um sucesso
Os filmes de super-heróis acabaram formando um subgênero rentável, consagrado e explorado timidamente no passado, sendo as aventuras de Superman e do Batman as produções mais lembradas, mas desde que os mutantes de X-Men aportaram nos cinemas a onda de adaptações de quadrinhos tornou-se uma febre. Após a confirmação de sucesso do ramo com Homem-Aranha, parecia que apostar nos velhos gibis se tornaria a fórmula mágica de Hollywood e que qualquer projeto do tipo teria sua bilheteria inflada garantida, além é claro de ao menos uma continuação e de dezenas de produtos licenciados com a logomarca, mas Demolidor – O Homem Sem Medo veio logo em seguida para esfriar os ânimos. Embora seja uma produção caprichada que leva nos créditos o nome da editora Marvel, que acabou criando um braço cinematográfico, ela chegou aos cinemas pouco tempo depois da primeira aventura original do citado herói aracnídeo e essa proximidade de datas não lhe fez bem, sentindo os efeitos positivos e negativos dessa leve overdose de mascarados justiceiros. A culpa pelo fracasso nas bilheterias e repercussão é distribuída entre várias razões, a começar pelo fato do personagem-título jamais ter tido sua imagem explorada com afinco a âmbito mundial assim não tendo criado raízes na cultura pop. Só mesmo quem é aficionado por quadrinhos poderia conhecer o Demolidor e seu universo, mas mesmo hoje em dia, após anos do lançamento do filme, é triste verificar que o personagem não ganhou o prestígio que merece afinal suas origens são no mínimo curiosas. A história é de fácil compreensão até mesmo para quem nunca leu uma de suas aventuras e o leve tom dramático de sua história ajuda a segurar a atenção. Esta é a oportunidade do público conhecer um tipo diferente de herói, um ser com uma trajetória mais adaptável ao cotidiano da realidade, um homem vítima da violência que assola as sociedades em geral. Ele não tem poderes especiais oriundos de mutações ou experiências genéticas, pelo contrário, sua força provém da forma intensa com que treinou seus sentidos, como o tato e a audição, para enfrentar as dificuldades que a vida lhe impôs. Quando criança, após se decepcionar ao descobrir o verdadeiro ramo de trabalho de seu pai, o jovem Matt Murdock (Scott Terra) sofreu um acidente que acabou fazendo com que ele perdesse a visão. Porém, ele não deixa se abater e faz de seu sofrimento uma inspiração para desejar continuar a viver e a lutar por justiça. Mesmo sem poder enxergar, o garoto consegue perceber nitidamente o que ocorre a sua volta e não demonstra ter medo de absolutamente nada.

domingo, 5 de novembro de 2017

O CARA

Nota 5,5 Apostando numa parceria de trabalho improvável, comédia parece pinçada dos anos 80

É para dar vontade de matar quem ainda enche a boca para dizer que Samuel L. Jackson é “o cara”, aquele ator sinônimo de bons filmes. Está certo que ele já fez muita coisa boa, mas o que tem de abacaxi em seu currículo... Talvez para ironizar a sua fama é que ele tenha aceitado participar de uma comédia justamente chamada O Cara, mas cedendo o papel-título para o zero à esquerda Eugene Levy. Este ator não é ruim, mas fincou seu pé no campo do humor revezando-se no papel de bobalhão ou ranzinza, sendo sua atuação mais conhecida a de pai do protagonista dos três primeiros filmes da série American Pie. Nesta comédia mesclada com ação ele dá vida a Andy Fidler, um representante de produtos de higiene bucal e afins que está se preparando para realizar uma palestra para investidores em Detroit, cidade que está em meio a um alvoroço por conta do assassinato de um policial, o fiel parceiro de trabalho do agente federal Derrick Vann (Jackson). Conhecido por seu estilo marrento e desencanado, este tira também é um tanto durão. Agindo sempre disfarçado, ele passa seu dia-a-dia convivendo com as violentas gangues do subúrbio e no momento está tentando recuperar algumas armas que foram roubadas de um arsenal federal e estão prestes a serem vendidas, um crime que pode ter ligação com a morte de seu colega. Vann marca um encontro com um bandido fingindo estar interessado na mercadoria, mas na realidade quer fazer uma prisão em flagrante. Ele seria reconhecido em uma lanchonete por estar sentado à bancada e lendo um determinado jornal, mas os planos não saem como o esperado porque justamente o azarado Fidler estava no lugar e na hora errados. Confundido com o comprador, Joey (Luke Goss), um rapaz com cara de poucos amigos, lhe dá um saco de papel e parte rapidamente. Curioso, o vendedor acaba tirando do pacote um celular e uma arma assustando os frequentadores do local e chamando a atenção de Vann que logo percebe a confusão que aconteceu.

sábado, 4 de novembro de 2017

SOB A LUZ DA AMÉRICA

Nota 5,0 Longa busca abordar relacionamentos entre culturas de forma menos romanceada

Efeito da globalização, cada vez mais empresas estrangeiras estão se aliando ou prestando serviços para companhias norte-americanas, o que pode acabar ocasionando a aproximação de culturas e de seus membros. De olho nisso, nos últimos anos muitos filmes tem abordado as estreitas relações entre os EUA e a Índia, obviamente na expectativa de explorar respectivamente a sedução do estilo de vida propagado pelo primeiro e o exotismo das tradições do outro. Sob a Luz da América é uma produção indiana que tem uma premissa bastante previsível, mas seu desenvolvimento aponta para outros caminhos que dependendo do ponto de vista podem soar como preconceituosos para o próprio país oriental. Na trama escrita por Farrukh Dhondy, Sujata Khanna (Koel Purie) é uma jovem que como tantas outras indianas sonha com uma vaga em um serviço de call center, aparentemente a melhor opção do país para quem tem pouco estudo. A grande chance chega e ela é contratada por uma empresa que presta serviços terceirizados para uma companhia de cartões de créditos americana. Ela até ganha um novo nome, Sue, para não criar desconfianças entre os clientes e passa por um curso intensivo de cultura e idioma ianque, tudo para disfarçar o perfil do funcionário e quem estiver do outro da linha não descobrir que está sendo atendido por uma pessoa que está há milhares de quilômetros da agência matriz. No entanto, o insistente Lawrence Stokowski (Nick Moran) consegue arrancar de Sue informações sigilosas sobre o trabalho. Ela é a primeira a atendê-lo na ocasião em que fica atônito com o exagerado número de gastos creditados em seu cartão no último mês. A partir de então de olho na conta, para evitar toda vez ter que repetir dados de segurança ele exige ser atendido por Sue e o roteiro forçosamente sempre dá um jeito de o rapaz conseguir falar com a jovem, mais adiante até consegue manter contato por um telefone fora do call center. De qualquer forma, ele não é uma pessoa ruim, só quer evitar que Zelda (Jennifer Seibel), sua ex-esposa, o leve a falência, mas conforme seu envolvimento com a atendente avança a trama começa a ganhar contornos de suspense, culminando na coincidência dele ter que viajar a trabalho para a Índia.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

AUSTRÁLIA

NOTA 8,0

Tentativa de resgatar a aura
dos antigos romances épicos
é um pouco exagerada, mas
longe de ser um filme ruim
Os tempos dos grandes épicos em longa metragem ficaram no passado junto com as lembranças de grandes atores que abrilhantaram as telas dos cinemas do mundo todo com seu talento, mas tem cineastas tentando trazê-los de volta a tona, porém, dividindo opiniões. Há algumas produções de época mais recentes que merecem uma avaliação melhor por parte do público e que podem dar o empurrãozinho que faltava para encorajar os cinéfilos que ainda preterem obras com mais de duas horas de duração ou com ares de superprodução. Austrália é um dos títulos que merecem uma segunda chance, um grandioso e requintado trabalho que foi achincalhado pela crítica e consequentemente pelo público. O problema é que os críticos consideram que este longa é muito certinho, não ousa em nada, copia a receita direitinho de grandes épicos e é um tanto pretensioso. Sim, verdade, mas qual é o problema? Se nas salas de cinema ele não foi um estouro, no conforto do lar com o controle remoto em mãos para algumas paradinhas de descanso o longa pode funcionar melhor e provar que tem seu valor, embora com ressalvas. Narrado pelo garoto aborígene Nullah (Brandon Walters), a história começa no final dos anos 30 nos apresentando à Lady Sarah Ashley (Nicole kidman), uma aristocrata que deixa a Inglaterra rumo à Austrália para ir ao encontro de seu marido que se preocupa mais em cuidar da propriedade rural da família e da criação de gados, porém, ela também desconfia que está sendo traída. Ao chegar ao continente australiano, Ashley não é recebida pelo companheiro, mas sim pelo rude vaqueiro Drover (Hugh Jackman), com quem desde o primeiro momento passa a trocar farpas. Para sua completa surpresa, a dama descobre que seu marido está morto e que agora terá que tomar conta dos negócios da família antes que vá totalmente à falência. Ela precisará vender sua propriedade a um preço muito baixo caso contrário terá que enfrentar King Carney (Bryan Brown), o responsável pelo comércio de carne da região. Nesse momento difícil em que toda a população local parece estar contra Sarah, ironicamente, é Drover quem a ajudará a superar as dificuldades, assim como a inesperada amizade com Nullah fará com que a aristocrata não se deixe abater. É o garoto que a alerta sobre um complô armado por gente influente para enganá-la. Essa é a premissa do roteiro escrito por Stuart Beattie, Ronald Harwood e Richard Flanagan sob a batuta e a partir da ideia do próprio diretor, o megalomaníaco Baz Luhrman. Tantas mãos e cabeças agindo e pensando em um mesmo trabalho precisam estar completamente em sintonia para o projeto funcionar e é aí que o caldo provavelmente entornou.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

BULLYING - PROVOCAÇÕES SEM LIMITES

NOTA 8,0

Longa espanhol trata com
seriedade um problema que
tem se agravado a cada dia,
principalmente nas escolas
Cada vez mais tem se tornado frequente acompanharmos nos noticiários tristes episódios que envolvem a falta de respeito ao próximo que parece imperar na era contemporânea pretensiosamente chamada de moderna, mas parece que muita gente ainda é dos tempos das cavernas tamanha a ignorância que demonstra rotineiramente. Desde um simples xingamento até agressões físicas nas ruas, ambiente escolar ou no trabalho podem ser considerados casos de bullying, palavra estrangeira que acabou sendo incorporada ao nosso vocabulário e que dá nome a algo que não é nenhuma novidade. Ninguém sabe há quantas dezenas de anos ou até mesmo séculos começaram os atos de humilhação e exploração de semelhantes, talvez no Brasil isso ocorra desde o primeiro dia em que a família real portuguesa colocou os pés em nossas terras. O histórico de sofrimento de índios, pardos e negros mostra que sempre existiram pessoas que gostavam de se colocar numa posição superior na comparação do nível intelectual, poder financeiro ou até mesmo de cor de pele. Os anos passaram, mas os preconceitos do passado ainda continuam no presente e infelizmente devem permanecer em evidência no futuro. Parece que faz parte da natureza de grande parte da população mundial essa mania de superioridade. Quando conseguem exercer poder sobre alguém aproveitam para assediar, persuadir, humilhar e agredir, podendo chegar a resultados extremos e perigosos. Uma das manifestações desse tipo de violência que mais preocupa ocorre nas escolas e envolve desde crianças pequenas até marmanjos cursando a faculdade. Até professores sofrem e por incrível que pareça também podem praticar os atos discriminatórios travestidos de brincadeirinhas que aos poucos podem se tornar grandes problemas e virar casos de polícia e de tribunal.  Bullying – Provocação Sem Limites é um registro cinematográfico digno do tema e que aparenta ser um filme americano independente, mas na verdade é uma produção da Espanha dirigida por Josecho San Mateo que demonstrou coragem ao colocar o dedo em uma ferida social apresentando um retrato realista do drama vivido por aqueles que são humilhados constantemente. Não seria exagero dizer que é uma obra que define bem uma geração, mas devido a sua baixa popularidade infelizmente isso não é possível. A repercussão razoável do título na internet se deve a palavra bullying que quando jogada em sites de busca fatalmente apresentará arquivos a respeito do filme, mas se o longa fosse made in Hollywood e com alguma estrelinha do momento encabeçando o elenco o papo seria outro. Poderia gerar cifras generosas, mas dificilmente o conteúdo seria tão bom.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

AWAKE - A VIDA POR UM FIO


NOTA 6,0

Com elenco e duração enxutos,
suspense começa bem com uma
ideia bastante perturbadora, mas
não tarda a se entregar aos exageros
Precisar passar por uma cirurgia por si só já é motivo para tirar o sono de muita gente, mas imagine então entrar na sala de operação sabendo que as chances de tudo dar errado são altas ou, pior ainda, que esta não será a solução definitiva de seu caso, apenas um paliativo que lhe oferecerá mais alguns anos de vida. Se desgraça pouca é bobagem imagine ainda que você pode ser uma das pessoas que se enquadram em uma rara estatística. Existe um fenômeno no qual pessoas que recebem anestesia geral não perdem a consciência mental, apenas o corpo físico adormece, assim o paciente acompanha todo o procedimento cirúrgico. Esses são os dilemas vividos pelo jovem Clay Beresford (Hayden Christensen), o protagonista de Awake - A Vida Por Um Fio, uma interessante mescla de drama e suspense. Bem, isso até pelo menos a sua metade. O filme de estreia do diretor e roteirista Joby Harold começa de forma bastante competente apresentando sem pressa os poucos personagens e o cenário principal, um hospital. Pode parecer o mínimo que se espera de um roteiro bem estruturado, mas para uma produção enxuta que não chega a uma hora e meia de arte concreta esses minutos são preciosos. Um incauto qualquer poderia tentar resumir ao máximo a introdução para partir logo ao plot principal, o que certamente prejudicaria o envolvimento do espectador com o protagonista e até mesmo com sua mãe que ganha importância na segunda metade da trama. O milionário Beresford não chegou nem à casa dos trinta anos, mas já sofre de um grave problema cardíaco e só um transplante de coração poderia salvá-lo, ainda que prolongando sua vida por cerca de uma década. O problema é que seu tipo sanguíneo é raro, o que dificulta achar um órgão compatível, mas quando surge a oportunidade o rapaz se vê em meio a outro impasse. Certa vez ele sofreu um ataque cardíaco e por um triz foi salvo pelo Dr. Jack Harper (Terrence Howard) e desde então se tornaram amigos, assim o paciente faz questão que ele faça seu transplante contrariando a vontade de Lilith (Lena Olin), sua mãe que deseja que a cirurgia seja feita pelo renomado Dr. Jonathan Neyer (Arliss Howard).

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