domingo, 26 de novembro de 2017

RECÉM-FORMADA

Nota 2,0 Comédia romântica comete os grandes pecados do gênero: é sem graça e sem emoção

Existe algo pior que uma comédia romântica previsível? Para os detratores do gênero a resposta é sim, pois a lista de exemplos de produções do tipo que além de serem clichês não tem graça alguma e tampouco a trama romântica funciona é extensa. Esse é o caso de Recém-Formada, típico produto para preencher as tardes de ócio. Com roteiro de Kelly Fremon, a premissa já denuncia que não devemos esperar grande coisa da produção protagonizada por uma jovem adulta sonhadora. Ryden Malby (Alexis Bledel) não é mais uma colegial, pelo contrário, está se formando na faculdade e já tem planejado seu futuro (pelo menos os próximos meses). Vai conseguir um emprego em uma empresa respeitável, se mudar para um apartamento maravilhoso em uma agitada metrópole e se divertir o quanto pode com os amigos até que o homem da sua vida surja. Todos os seus sonhos começam a ruir quando uma colega da universidade, Jessica Bard (Catherine Reitman), consegue a vaga de trabalho que ela almejava e assim a jovem é obrigada a ficar morando com os pais, o teimoso Walter (Michael Keaton) e a despachada Carmella (Kelly Lynch), em sua pacata cidade natal. Sentindo que a cada dia a realização de seus desejos se torna mais distante e ainda tendo que aturar as excentricidades de sua avó Maureen (Carol Burnett) e as pentelhices do irmão caçula Hunter (Bobby Coleman), Ryden só consegue ter alguns poucos momentos de felicidade quando está acompanhada do seu melhor amigo Adam (Zach Gilford) ou do vizinho David (Rodrigo Santoro), pessoas que podem ajudá-la a traçar novos rumos para seu futuro. Bem nem é preciso dizer que o inseparável companheiro da moça é apaixonado por ela, esta que por sua vez não corresponde sua paixão preferindo investir no homem mais maduro e com pinta de galã latino. E mais uma vez nosso compatriota está fazendo uma ponta insignificante, mas de qualquer forma está inserido no cinema americano. Falando pouco, porém, marcando presença. O problema é que o longa é tão esquecível quanto a atuação tola de Santoro.

sábado, 25 de novembro de 2017

EM SUAS MÃOS

Nota 5,0 Argumento frágil compromete narrativa que compensa com clima de mistério envolvente

Quer coisa pior que um filme que sugere um suspense e o mesmo é desvendado rapidamente? Pode parecer um ato suicida dos responsáveis pela produção, mas isso não é visto como um problema para diretores fora de Hollywood. Existem muitos exemplos de histórias que poderiam ser intrigantes no cinema europeu, mas que na realidade são dramas. Enquanto os americanos tentam confundir o espectador com mil e uma pistas e ainda deixar para o final uma revelação surpresa que geralmente acaba sendo uma grande decepção, algumas produções européias preferem revelar para o público rapidamente qual o segredo da trama e concentrar seus esforços em analisar as personalidades e comportamentos dos personagens, sejam eles vítimas, suspeitos ou criminosos. Talvez por isso não cause impacto produtos como Em Suas Mãos, mescla de drama e suspense oriundo da França lançado diretamente em DVD no Brasil. Inspirado no romance “Les Kangourus” de Dominique Barberis, o roteiro de Julien Boivent em parceria com Anne Fontaine, também diretora da fita, não é dos mais atraentes. Claire Gautier (Isabelle Carré) trabalha no departamento de reclamações de uma companhia de seguros e se vê envolvida com o problema de um cliente, o veterinário Laurent Fessier (Benoit Poelvoorde) que reclama que uma inundação aconteceu em seu estabelecimento e o seguro que fez não cobre tal imprevisto. Muito prestativa, a moça vai até a clínica veterinária para fazer uma inspeção, faz uma nova proposta de contrato e eles voltam a se ver para assinar a papelada. Nestes encontros, Laurent acaba seduzindo a corretora mesmo ela já sendo casada e até com uma filha. Ele diz que tem predisposição as tragédias e que seu passatempo favorito é conhecer mulheres e ouvir as histórias, sonhos e pensamentos delas. Obviamente a atração será tanta que Claire não irá resistir certa noite que o marido não está e vai marcar um encontro com o sedutor, o problema é que na região onde vive existe um serial killer agindo e que já matou quatro mulheres com a ajuda de um bisturi. Pronto! Ligue os pontos e em meia hora de filme (ou até mesmo em cinco minutos) você já desvendou o mistério.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

CASAMENTO GREGO 2

NOTA 6,0

Continuação de grande sucesso
demorou demais a ser lançada e
apenas repete situações do original,
mas sem contar com o fator novidade
Lançada em 2002, a comédia Casamento Grego chegou aos cinemas ianques como quem não quer nada e surpreendeu com uma gigantesca bilheteria (visto sob o ângulo da ninharia que custou e a exorbitância que lucrou pode-se afirmar que é um dos longas mais lucrativos de todos os tempos) e conquistou a crítica especializada. Sem efeitos especiais, tampouco apelações e elenco até então desconhecido, o longa já chegou ao Brasil e em outros tantos países ancorado por uma campanha de marketing que enfatizava sua lucratividade e que ganhou um bônus com a indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Logo começaram rumores de que uma continuação já estava nos planos. Pena que o projeto demorou demais a ser concretizado. Quase quinze anos depois do original houve a estreia de Casamento Grego 2, mas sem a pompa do original. Público e crítica já não estavam na expectativa de um segundo encontro da família Portokalos e talvez só o elenco ainda alimentasse alguma esperança para voltar a ficar em evidência. Nesse meio tempo Nia Vardalos, protagonista e também roteirista e produtora das duas produções, encarou o fracasso de Falando Grego e Eu Odeio o Dia dos Namorados, e os outros atores amargaram o ostracismo. Porém, não é por falta de talento. Nesta nova reunião familiar os intérpretes mostram mais uma vez ótima sintonia e conquistam o público graças a rápida identificação com seus personagens. É como uma reunião familiar no Natal ou em algum aniversário. Todos tem pelo menos um parente caracterizado por seu jeito extremamente espontâneo, sisudez ou involuntariamente divertido. Eles podem nos fazer passar por momentos vexatórios, mas sejamos sinceros, que graça tem um encontro familiar sem essas situações para servir como lembrança? Vardalos parece plenamente ter consciência da comoção que seu filme anterior causou e de certa forma conseguiu manter a essência. Agora sua Toula é uma mulher mais segura de si para poder dar conta de cuidar de sua casa, do marido Ian Miller (John Corbett), seu primeiro e único amor, e da filha adolescente Paris (Elena Kampouris) que está preste a se formar no colégio e sonha em fazer faculdade fora.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

CASAMENTO GREGO

NOTA 8,0

Tirando sarro de uma
patriota família grega,
longa conquista com seu
humor simples e leve 
Para um filme ser um estrondoso sucesso e levar sua fama para todos os cantos do mundo é necessário que ele tenha um roteiro inteligente e complexo, um elenco estrelar, efeitos especiais de ponta ou, melhor ainda, a mistura de todos esses ingredientes. Graças a Deus vez ou outra uma produção extremamente simples e bobinha, no melhor sentido da expressão, surge para nos lembrar que cinema de verdade deve tocar no emocional do espectador e não se resumir a um show pirotécnico ou a uma história que pouca gente entende, mas que mesmo assim enche a boca para falar que adorou só para se passar por esperto. Casamento Grego foi um sucesso espetacular por todos os cantos onde passou isso porque já chegou com uma bela campanha publicitária destacando o número gigantesco de espectadores que conquistou em solo americano. É considerado um feito e tanto por ser uma produção extremamente simples, sem nada de extraordinário no visual e tampouco contando com um elenco famoso, mas que conseguiu chamar a atenção do grande público talvez justamente pela sua falta de brilhantismo ou novidades em sua confecção, algo que causou a fúria dos críticos que desceram a lenha no filme dirigido por Joel Zwick, veterano de programas de TV. Os entendidos de cinema não se conformaram, e provavelmente até hoje não, que um produto estilo sessão da tarde tenha se tornado um fenômeno mundial. Na realidade devem ter se sentido menosprezados já que o público preferiu confiar nas indicações boca-a-boca do que nos textos rebuscados deles (justiça seja feita, alguns críticos até foram bonzinhos com a fita). A obra em si não tem mesmo nada demais, porém, é bem realizado, tem uma história agradável e com boas situações cômicas, os ingredientes básicos de qualquer comédia, embora estejam em falta em diversas produções do tipo contemporâneas. A trama gira em torno de Toula Portokalos (Nia Vardalos), uma mulher grega que já está na casa dos trinta anos e vive com sua enorme, animada e pitoresca família em solo americano. Ela gerencia o restaurante dos pais de comida típica da sua terra natal, mas na realidade ela faz de tudo naquele lugar e não tem tempo para viver uma vida normal e quando o tem se sente um peixe fora d’água em qualquer lugar que vá. Como seus familiares são muito rígidos quando o assunto é manter as tradições do povo grego, a moça cresceu se sentindo uma estranha nos EUA e talvez por isso enterrou sua vida no trabalho.

domingo, 19 de novembro de 2017

DENNIS - O PIMENTINHA

Nota 6,0 Repleto de clichês, clássico sessão da tarde vale a pena por ter o saudoso Walther Matthau

Quem nunca aprontou alguma peraltice na infância que atire a primeira pedra. Curtir umas zoeiras de vez em quando faz parte e é necessário nessa fase da vida, inclusive para tirar lições dos erros, porém, o protagonista de Dennis - O Pimentinha extrapola os limites, mas ainda assim cativa o espectador com sua cara fofa e esperteza. Vivido pelo carismático Mason Gamble, o personagem-título é o típico moleque travesso que existe em toda vizinhança. Sempre com as mãos inquietas e com a cabeça fervilhando mil e umas travessuras, ele não consegue ficar parado e a principal vítima de suas brincadeiras é George Wilson (Walther Matthau), seu vizinho já de idade que tudo que desejava a essa altura da vida era curtir sossegadamente sua bela casa, principalmente seu prezado jardim que cuida com tanta dedicação, ao lado da esposa Martha (Joan Plowright). Contudo, basta ouvir o sonoro "Sr. Wilsooooooonnnnn!!!!" para seus poucos cabelos ficarem em pé. O garoto não faz nada por maldade, mas foi apenas sem querer querendo que entre tantas outras coisas ele joga tinta no churrasco do coroa, troca os dentes de sua dentadura por chicletes ou lhe rouba a atenção na tão aguardada noite em que veria florescer uma exótica planta que cuida nada mais nada menos que a quatro décadas, mas cujo esplendor duro míseros segundos. Rabugento, mas no fundo de coração mole, o florista aceita cuidar do garoto por uns dias quando seus pais precisam viajar a trabalho. Conhecendo a fama de Dennis, nenhuma babá se prontificou a cuidar do ferinha que além de suas costumeiras confusões ainda irá enfrentar, mesmo que levando tudo como uma grande brincadeira, o vagabundo Sam (Christopher Lloyd) que está rondando a pacata vizinhança planejando roubos. Com este simples argumento o diretor Nick Castle criou um dos filmes que viria a se tornar símbolo de nostalgia da década de 1990 e marco na infância de muita gente... Bem, nem tanto por méritos próprios, mas sim pela avalanche de reprises na televisão.

sábado, 18 de novembro de 2017

7 DESEJOS

Nota 1,5 Egoísmo e valor da vida são temas desperdiçados em terror teen genérico e ruim

Tudo o que você faz um dia volta para você. Quem nunca ouviu tal máxima e se pegou refletindo sobre a mesma em momentos de dificuldades? A protagonista de 7 Desejos talvez nunca tenha tido contato com tal pensamento popular. Tampouco os realizadores da fita, visto que abordam uma premissa um tanto surrada sem um pingo de criatividade e de forma assumidamente trash, uma desculpa para investir em cenas pretensamente impactantes com muito sangue e trabalhadas com o trivial do gênero. Os clichês de pouca iluminação, efeitos sonoros estridentes e edição rápida são usados em excesso como em uma ação desesperada para que ao menos visualmente o longa compense a total falta de originalidade ou empatia do roteiro, mas tudo é em vão. Assim como em seu primeiro longa-metragem, Verdade ou Consequência,  a roteirista Barbara Marshall aborda o universo feminino, mais especificamente o microcosmo das adolescentes, e constrói sua narrativa em cima de arquétipos. Desde o inexplicável suicídio da mãe, Clare Shannon (Joey King) leva uma vida infeliz principalmente no colégio onde é vítima de bullying por conta de seu jeito reprimido e por ser ignorada por Paul (Mitchell Slaggert), colega por quem é apaixonada. Contudo, sua pacata rotina vira dos avessos quando Jonathan (Ryan Phillippe), seu pai que vive de catar bugigangas no lixo, encontra uma bela caixa de música com ornamentos orientais e oferece para a filha sem saber dos poderes mágicos do artefato. Ao perceber essa particularidade, a jovem começa a lapidar sua vida através de desejos insanos e sem perceber as consequências, assim tudo que pede é transformado em realidade de forma literal. Por exemplo, quando pede que Darcie (Josephine Langford), sua pior inimiga na escola, apodrecesse de fato a garota de uma hora para a outra apresenta deformações na pele como se estivesse se degenerando como um cadáver. Tudo piora quando Clare faz o pedido para que Paul se apaixone perdidamente por ela, ignorando por completo os sentimentos de Ryan (Ki Hong Lee), que realmente demonstra gostar da garota sem precisar de mandingas para tanto.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CADA UM TEM A GÊMEA QUE MERECE

NOTA 2,0

Com o humor raso e grosseiro
como de costume, Adam Sandler se
divide em dois personagens e carrega
Al Pacino para uma absurda produção
Homens vivendo papeis femininos há tempos não causam estranheza graças ao empenho e talento de atores como Dustin Hoffman em Tootsie, Robin Williams em Uma Babá Quase Perfeita e até mesmo John Travolta em Hairspray - Em Busca da Fama, este com certo quê de caricatural propositalmente. Um ator contracenar consigo mesmo também se tornou algo obsoleto, principalmente depois que Eddie Murphy conseguiu a proeza de contracenar com meia dúzia de personagens vividos por ele próprio sob pesada maquiagem (literalmente) em O Professor Aloprado. Sendo assim, o que teria chamado a atenção de Adam Sandler para protagonizar em dose dupla a comédia grosseira Cada Um Tem a Gêmea Que Merece? Bem, seu currículo prova que surpreender o expectador com novidades não é lá sua praia, mas melhor acreditar que tenha topado participar de um projeto tão tolo em nome da amizade de longa data com o diretor Dennis Dugan. Até então este era o sétimo trabalho da dupla, uma parceria iniciada em 1996 com Um Maluco no Golfe e que a cada novo filme lançado parece querer superar o nível de baixaria alcançado pelo anterior. O Paizão, de longe, pode ser considerado o que de melhor fizeram juntos. No longa em questão Sandler se desdobra para viver os irmãos Jack e Jill Sadelstein, gêmeos que apesar de fraternos (de sexo oposto) são idênticos tal qual fossem univitelinos, uma mera desculpa para colocar o ator em trajes ridículos e com peruca desgrenhada compondo uma figura que é uma verdadeira aberração. Há anos eles não se encontram, mas certa vez ela decide aparecer na casa do irmão para passar o feriado do Dia de Ação de Graças, a oportunidade perfeita para reatarem os laços familiares.  Será mesmo? Jack está casado, tem filhos, vive em uma bela casa e dirige uma agência de publicidade. Já Jill viveu por anos na barra da saia da mãe recentemente falecida e acabou solteirona, vivendo em uma cidade do interior e ocupando seu tempo com fofocas e perturbando qualquer um que cruze seu caminho com seu jeito expansivo e inconveniente. É óbvio que os irmãos não se dão bem e Jack conta os minutos para se livrar do tribufu o mais rápido possível, mas ela decide esticar um pouquinho  a temporada com a família que irá viver momentos um tanto constrangedores em sua companhia.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

UM BOM PARTIDO

NOTA 4,0

Com muitas tramas paralelas sem
função, argumento que envolve amor
e redenção se perde em trama chata que
não cativa nem mesmo pelo bom elenco
O título cai como uma luva para uma típica comédia romântica, mas mais do que contar uma historinha de amor Um Bom Partido se propõe a falar de redenção através dos aprendizados de George Dryer (Gerard Butler), um ex-jogador de futebol de origem escocesa que já foi um ídolo, inclusive chegou a dividir os gramados com o mito David Beckham da Inglaterra, mas por conta de uma contusão acabou sendo cortado do time e acabou na falência e sem perspectivas de recuperar seu padrão de vida. Tal fato também contribuiu para o fim de seu casamento com Stacie (Jessica Biel) e consequentemente seu afastamento de Lewis (Noah Lomax), seu pequeno filho. Tentando reatar os laços com a família, ele decide se mudar para os EUA e consegue um emprego como técnico esportivo na escola do garoto onde de certa forma reassume sua imagem de celebridade, mas isso é apenas um quebra-galho. Na verdade ele tenta em paralelo se tornar comentarista em um programa de TV em um conceituado canal, mesmo que para isso tenha que fazer uso de seus dotes físicos e beleza. Isso mesmo! Quando não está ensaiando o papel de pai zeloso ou de namorado perfeito para reconquistar a ex, o esportista está enrolado com a mulherada, mais especificamente com as mães dos amiguinhos do filho que descaradamente dão em cima dele. Contudo, o diretor italiano Gabriele Muccino evita explorar o gancho sexual e apenas sugestiona suas aventuras de alcova, preferindo mostrar o protagonista como um homem-objeto no sentido de ser uma pessoa que não toma as rédeas da própria vida e está sempre precisando de um empurrãozinho alheio para se mexer. Por exemplo, consegue bancar um estilo de vida de bacanão com a ajuda do amigo Carl (Dennis Quaid) que lhe oferece uma boa quantia em dinheiro e até uma Ferrari (não tinha um carrinho mais popular para a caridade?) e seu sonhado emprego como apresentador lhe cai nas mãos graças aos contatos de Denise (Catherine Zeta-Jones), uma das bondosas mamães que lhe arranja um teste em troca de uns amassos. Até ter a companhia de Lewis para dormir em sua casa depende do próprio garoto ter a iniciativa para tal aproximação.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

SEM ESCALAS

NOTA 7,0

Com argumento intrigante e que
coloca sob suspeita qualquer
personagem, suspense se sustenta
graças a destreza do diretor
Receio de viajar de avião é uma fobia bastante comum por conta dos riscos de falhas mecânicas que podem resultar em tragédias, embora exista a máxima que garanta que é o meio de transporte mais seguro. Já Hollywood vem alimentando tal medo com um ingrediente a mais: criminosos em ação a muitos pés de altura. Em um ambiente claustrofóbico, vivenciando uma situação limite orquestrada por algum psicopata e sem ter para onde fugir, o que fazer? Voo United 93, Força Aérea Um, Voo Noturno e até o super trash Serpentes a Bordo são alguns exemplos de produções que colocaram os passageiros em apuros por conta de planos mirabolantes de chantagistas ou terroristas. Engrossando a lista temos o eficiente thriller Sem Escalas que tira uma onda com os clichês desse tipo de enredo, especialmente de seus personagens estereotipados. No caso um avião está repleto de pessoas com caráter suspeito, a julgar por seus aspectos físicos ou comportamentos, uma visão mesquinha e preconceituosa que certamente sempre fez parte cultura dos norte-americanos, mas ganhou força com a paranoia instaurada após os atentados de 11 de setembro de 2001. Desconfiar uns dos outros virou uma obrigatoriedade do cotidiano. Embora temos um representante árabe a bordo obviamente visto com provável aspirações terroristas, a ameaça também pode se manifestar na figura de um negro que leva jeito de arruaceiro ou de uma loira bonita e insinuante com poder de persuasão. Por pouco mais de uma hora e meia o diretor catalão Jaume Collet-Serra se diverte colocando sua câmera à disposição para flagrar pistas como olhares suspeitos, cochichos e uso de celulares, o que não seria nenhum problema caso Bill Marks (Liam Neeson) não estivesse sendo chantageado. O ator não é mais jovenzinho e tampouco ostenta um corpo musculoso, mas tendo a sisudez como sua principal característica, além de seus quase dois metros de altura, após a maturidade foi alçado ao posto de herói adicionando uma seriedade dramática aos seus personagens que o afastam do estilo truculento defendido no passado por Arnold Schwarzenegger ou Dolph Lundgren.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

UMA LADRA SEM LIMITES

NOTA 5,0

Melissa McCarthy mais uma vez
faz o papel da gordinha divertida, mas
encrenqueira, em comédia que requenta
velhas fórmulas e piadas desagradáveis
Todo gordinho obrigatoriamente deve ser engraçado? Bem, se depender dos esforços de Melissa McCarthy tal estereótipo continuará prevalecendo. Desde que foi catapultada ao sucesso com Missão Madrinha de Casamento a atriz vem emendando uma comédia atrás da outra e sempre com uma característica em comum: o humor por vezes grosseiro. Com Uma Ladra Sem Limites as coisas não são diferentes. Aqui ela interpreta Diana, uma experiente estelionatária que aplica um golpe que complica a vida de Sandy Patterson (Jason Bateman), um homem honrado e dedicado à família, mas com azar na vida profissional. Embora seja um aplicado profissional da área financeira ele nunca teve seu talento reconhecido por Harold Cornish (Jon Fraveau), seu chefe que não perde oportunidades para humilhá-lo, mas mesmo assim ele ainda confia que as pessoas boas são de alguma forma recompensadas pela vida. Quando alguns de seus colegas de trabalho resolvem se unir para começarem um negócio próprio o rapaz se entusiasma e decide abraçar a ideia, no entanto, sua documentação é rejeitada devido a inúmeras e pesadas dívidas que constam em seu nome. Por uma feliz coincidência, daquelas que só acontecem na ficção, Sandy recebe um telefonema de um salão de beleza na Flórida para confirmar um horário (descobriram seu número na internet, simples assim). Ele então se recorda que passou dados sigilosos em uma ligação que acreditava ser do banco, mas como a polícia faz corpo mole decide por conta própria investigar. Rapidamente ele chega ao nome de Diana que está usando e abusando da boa índole do nome do rapaz aproveitando-se que Sandy é uma alcunha unissex (tal piada perde totalmente a graça por ser usada a exaustão pelo enredo). Sem pensar duas vezes ele sai de Denver, sua cidade, e viaja para encontrar a criminosa e obrigá-la a se apresentar às autoridades e o inocentar, mas mal sabia ele o tipo de pessoa que encontraria.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

AMITYVILLE - O DESPERTAR

NOTA 3,5

Tentando dar novos rumos à
franquia de terror sem apelar para
um remake literal, fita não inova nos
sustos e trama fica a dever em emoção
Família se muda para uma casa que no passado foi palco de uma chacina e desde então todos os moradores tiveram terríveis experiência no local. Esse é o argumento básico dos filmes de residências assombradas, mas também é a semente de uma das mais longínquas franquias do cinema norte-americano. Amityville - O Despertar é nada mais nada menos que o 18º longa com raízes fincadas na obra do autor Jay Anson a respeito de um homem que assassinou toda a família supostamente guiado por vozes malignas que o obrigaram. A primeira adaptação foi lançada em 1979, mas Terror em Amityville teve uma recepção fria por parte de público e crítica e foi preciso o passar dos anos para ser reconhecido, tanto que hoje é considerado um clássico do terror. Depois vieram continuações, produtos caça-níqueis direto para consumo doméstico, teve um telefilme e em 2005 uma refilmagem tentou resgatar a franquia. Após quatro anos de adiamentos, o diretor e roteirista Franck Khalfoun encontrou uma boa ideia para voltar ao lendário casarão do vilarejo localizado na cidade de Babylon, uma remota parte de Nova Iorque. A quem interessar, a residência ainda existe e vira e mexe está disponível para novos e corajosos moradores. Talvez pensando justamente nisso, sobre como seria viver em um local cercado de negativismo e ciente de toda tragédia que lá aconteceu, é que o cineasta preferiu realizar uma história ligeiramente original e abandonar a ideia de mais um desnecessário remake (se bem que não dá para fugir muito do argumento original). Após sofrer um acidente indiretamente provocado por um ato inconsequente de sua irmã gêmea Belle (Bella Thorne), o jovem James (Cameron Monaghan) entrou em estado vegetativo e acabou tendo morte cerebral, porém, Joan (Jennifer Jason Leigh), sua mãe, decide se mudar com a família, que inclui a pequena Juliet (Mckenna Grace), para a tal casa macabra onde teria espaço para montar uma UTI doméstica. De fato, na nova moradia o rapaz começa milagrosamente a apresentar melhoras, mesmo com os médicos afirmando que seria impossível ele voltar do coma.

domingo, 12 de novembro de 2017

PALAVRAS E IMAGENS

Nota 7,5 Guerra de pontos de vistas de tema complexo sustenta romance fraquinho

O que é mais interessante: uma imagem cheia de simbolismos e significados ocultos ou um texto bem redigido com vocabulário rebuscado e mensagens subliminares? Intelectuais costumam admirar as artes visuais e a literatura com o mesmo grau de importância, mas mesmo dentro deste grupo tão seleto pode haver defensores ferrenhos de cada estilo de manifestação artística e cultural. É disto que se trama o romance Palavras e Imagens, do diretor australiano Fred Schepisi, de ótimos e saudosos títulos como Um Grito no Escuro e A Casa da Rússia.  O professor de literatura Jack Marcus (Clive Owen) idolatra as palavras e tenta ser um modelo de inspiração a seus alunos, principalmente por ostentar que ainda muito jovem publicou um livro premiado e elogiado pela crítica e por isso foi contratado a peso de ouro para lecionar, mas seu problema com o alcoolismo pode jogar por terra toda a sua boa reputação e carreira, aliás, já o castiga na vida pessoal visto que seu próprio filho tenta ao máximo evitar contato com ele. Já Dina Delsanto (Juliette Binoche) é uma artista plástica que já teve seus dias de glória expondo suas obras em importantes galerias, mas por causa de uma artrite reumatóide, uma séria inflamação degenerativa dos músculos, tem seus movimentos limitados e para sobreviver acaba tendo que se contentar com a vaga de professora de artes, profissão que exerce tentando persuadir com seus ideais e personalidade forte. Ele a saudando com um sonoro "foda-se" e ela por sua vez levantando na direção dos olhos dele o seu dedo do meio, de imediato eles se estranham no colégio e deixam claro serem ferrenhos defensores de suas respectivas áreas de trabalho e conhecimento, mas no fundo ambos sabem que tem uma faísca de sentimento amoroso que surgiu, só que extremamente orgulhosos não querem dar o braço a torcer. Contudo, como também não desejam dar as costas um para o outro, acabam iniciando uma guerra dentro do colégio utilizando como armas os próprios alunos que são instigado à rivalidade, assim vira e mexe estão em contato com a desculpa de precisarem solucionar problemas dos adolescentes.

sábado, 11 de novembro de 2017

MEDO (1996)

Nota 4,0 Apesar do título forte, o medo é praticamente nulo em suspense esquemático e bobinho

Para muitos Reese Witherspoon começou sua carreira em 1999, ano em que estrelou o drama juvenil Segundas Intenções e o cult Eleição, mas a atriz já estava na estrada há alguns anos participando de algumas produções pouco lembradas como o suspense Medo. Aqui ela vive Nicole Walker, uma adolescente que como outra qualquer sempre alimentou o sonho de se apaixonar e ser correspondida por alguém especial, um rapaz educado, sensível, mas obviamente belo e desejável. Ela encontra estas características em David McCall, vivido por um jovem Mark Wahlberg também galgando seus primeiros passos rumo ao estrelato. Ela o conheceu em uma festa na qual ele a ajudou em um tumulto e desde então passou a viver em função de agradar e fazer as vontades do rapaz, inclusive perder sua virgindade. Desde o início Steven (William L. Petersen), o pai da garota, demonstra-se reticente quanto a esse namoro porque o passado e a vida particular do rapaz são um mistério. Por outro lado, sua esposa Laura (Amy Brenneman) se simpatiza à primeira vista pelo rapaz, e isso faz com que seu relacionamento com a enteada melhore, e Toby (Christopher Gray), o pequeno filho do casal, se afeiçoa à David a ponto de respeitá-lo como se fosse um pai. Contudo, pouco a pouco a imagem de príncipe encantado vai sendo desconstruída por ele próprio que não consegue esconder seu ciúmes e começa a se enrolar com mentiras e atos violentos. Por amor, Nicole vai perdoando os deslizes, mas quando o flagra a traindo decide colocar um ponto final no relacionamento, porém, a essa altura ela e sua família correm perigo nas mãos de um desequilibrado sedento por vingança.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

AWAKE - A VIDA POR UM FIO


NOTA 6,0

Com elenco e duração enxutos,
suspense começa bem com uma
ideia bastante perturbadora, mas
não tarda a se entregar aos exageros
Precisar passar por uma cirurgia por si só já é motivo para tirar o sono de muita gente, mas imagine então entrar na sala de operação sabendo que as chances de tudo dar errado são altas ou, pior ainda, que esta não será a solução definitiva de seu caso, apenas um paliativo que lhe oferecerá mais alguns anos de vida. Se desgraça pouca é bobagem imagine ainda que você pode ser uma das pessoas que se enquadram em uma rara estatística. Existe um fenômeno no qual pessoas que recebem anestesia geral não perdem a consciência mental, apenas o corpo físico adormece, assim o paciente acompanha todo o procedimento cirúrgico. Esses são os dilemas vividos pelo jovem Clay Beresford (Hayden Christensen), o protagonista de Awake - A Vida Por Um Fio, uma interessante mescla de drama e suspense. Bem, isso até pelo menos a sua metade. O filme de estreia do diretor e roteirista Joby Harold começa de forma bastante competente apresentando sem pressa os poucos personagens e o cenário principal, um hospital. Pode parecer o mínimo que se espera de um roteiro bem estruturado, mas para uma produção enxuta que não chega a uma hora e meia de arte concreta esses minutos são preciosos. Um incauto qualquer poderia tentar resumir ao máximo a introdução para partir logo ao plot principal, o que certamente prejudicaria o envolvimento do espectador com o protagonista e até mesmo com sua mãe que ganha importância na segunda metade da trama. O milionário Beresford não chegou nem à casa dos trinta anos, mas já sofre de um grave problema cardíaco e só um transplante de coração poderia salvá-lo, ainda que prolongando sua vida por cerca de uma década. O problema é que seu tipo sanguíneo é raro, o que dificulta achar um órgão compatível, mas quando surge a oportunidade o rapaz se vê em meio a outro impasse. Certa vez ele sofreu um ataque cardíaco e por um triz foi salvo pelo Dr. Jack Harper (Terrence Howard) e desde então se tornaram amigos, assim o paciente faz questão que ele faça seu transplante contrariando a vontade de Lilith (Lena Olin), sua mãe que deseja que a cirurgia seja feita pelo renomado Dr. Jonathan Neyer (Arliss Howard).

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