terça-feira, 4 de julho de 2017

MINHA MÃE É UMA PEÇA 2

NOTA 7,0

Sequência das peripécias da
mãezona tresloucada é tão boa
quanto o filme original, mas acende o
sinal de alerta quanto a repetição de temas
Ela está em cena de novo! Minha Mãe é Uma Peça 2 traz de volta Dona Hermínia, a mãe superprotetora, falastrona e que não leva desaforo para casa, mas também uma mulher invariavelmente engraçada, carismática e fácil identificação com o público. Não é a toa que seu primeiro filme foi a maior bilheteria do cinema nacional em 2013 e sua continuação praticamente dobrou o número de espectadores. O segredo de tanto sucesso atende pelo nome de Paulo Gustavo, um fenômeno popular mesmo estando fora da maior vitrine publicitária do Brasil, a Rede Globo. Melhor dizendo, ele não é um contratado, mas sempre está em cartaz com algum seriado de humor no Multishow, canal fechado pertencente ao mesmo conglomerado de comunicação, e seus filmes ganham propaganda maciça na programação do plim-plim. Só não é ou foi um global ainda talvez porque seu estilo de fazer comédia não se encaixe em um padrão para toda família. É curioso que o cotidiano de Hermínia, que criou com inspiração em sua própria mãe, conquiste desde crianças até velhinhos, mesmo com palavrões e algumas poucas piadas de duplo sentido. Todos tem alguma tia, prima, vizinha ou até mesmo uma mãe nesse mesmo estilo e é praticamente impossível não dar algumas gargalhadas com suas atrapalhadas e jeito desbocado de ser. Mais uma vez com roteiro do próprio ator em parceria com Fil Braz, a sequência também se apoia totalmente sobre a protagonista que continua com suas exageradas preocupações a respeito do que seus filhos fazem ou deixam de fazer. Mais velhos e ligeiramente menos imaturos, os pimpolhos agora querem deixar Niterói, no Rio de Janeiro, e desbravar novos horizontes, mais especificamente a cidade de São Paulo. Marcelina (Mariana Xavier) continua a mesma esfomeada de sempre, mas decide ocupar parte de seu tempo ocioso investindo em um curso de teatro. Já Juliano (Rodrigo Pandolfo) está batalhando um emprego em um conceituado escritório paulista de advocacia e em dúvida quanto a sua sexualidade. Se antes se assumia um gay convicto, agora acredita que pode ser bissexual ou até mesmo um hétero pegador. E Garib (Bruno Bebianno), o primogênito, mais uma vez não recebe atenção do roteiro e é acionado apenas para lembrar que agora Hermínia também é vovó, notícia que encerrou abruptamente o filme original.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

MINHA MÃE É UMA PEÇA - O FILME

NOTA 8,0

Adendo "o filme" no título serve para
lembrar que estamos vendo um produto
feito para o cinema apesar de sua
estética e ritmo de humorístico de TV
Podem criticar à vontade, mas é inegável que se hoje temos produções nacionais suficientes para brigar por espaço com badalados filmes estrangeiros isso se deve a arrecadação de nossas comédias. E não são aquelas de humor cabeça que passam anos em produção para depois ficar uma semana em cartaz ou que apenas gastam incentivos do governo para massagear o ego de seus realizadores. O que dá dinheiro são aquelas bem populares com jeito de episódio de seriado da Globo com duração acima da média. Neste subgrupo se encaixam também as adaptações teatrais, textos que fizeram sucesso nos palcos e buscam ampliar seu público chegando a lugares onde as peças não teriam condições de serem apresentadas. Todavia, Caixa 2, Polaróides Urbanas  e Fica Comigo Esta Noite são apenas alguns exemplos de tentativas frustradas de se fazer essa transição dos palcos para a telona. Já A Partilha, E aí... Comeu? e Trair e Coçar é Só Começar conseguiram resultados mais satisfatórios em termos de repercussão popular, mas não podemos deixar de citar o fracasso do badalado projeto de Irma Vap – O Retorno. A onda de adaptações do tipo já poderia ter sido abolida há algum tempo, mas como lidar com a tentação de lucrar alguns trocados com projetos simples e de cronograma curto, ainda mais com o benefício de uma publicidade extra de uma boa carreira no teatro? Minha Mãe é Uma Peça – O Filme teve um lançamento sustentado pelo marketing de que mais de um milhão de espectadores assistiram ao espetáculo durante os seis anos em que foi encenado Brasil afora. A razão do sucesso atende pelo nome de Paulo Gustavo, comediante que despontou na mídia feito foguete mesmo sem o respaldo do “plim-plim”. Apesar de toda superexposição que teve repentinamente, o humorista não é contratado da Globo, fez seu nome basicamente no teatro e foi catapultado ao estrelato participando de seriados e programas de canais fechados (embora pertencentes ao grupo dos globais). Após atuar no filme Divã, ele virou uma espécie de arroz de festa. Vira e mexe está dando entrevistas ou fazendo participações especiais na TV, tornando-se um rosto tão famoso e enjoativo quanto de Fábio Porchat, Bruno Mazzeo ou Marcelo Adnet, todos coincidentemente bombando nos cinemas com produções de humor rasteiro e clichê tão similares que fica até difícil saber quem protagonizou o quê.

sábado, 1 de julho de 2017

A CHEFA

Nota 3,0 Feito para atriz principal brilhar, comédia é rasteira e com argumento mal desenvolvido

Quem é Melissa McCarthy? Até o sucesso de Missão Madrinha de Casamento, que lhe rendeu uma inesperada indicação ao Oscar como coadjuvante, ela era apenas uma ilustre desconhecida, aquela gordinha engraçada que você sabe que já viu em algum filme ou série, mas cujo nome não sabia ou lembrava. Sua primeira cena em A Chefa, coincidência ou não, lembra bastante a postura da atriz em aparições públicas após as indicações a prêmios: cheia de marra e vendendo a imagem de uma pessoa vitoriosa e amada por todos. Michelle Darnell, sua personagem, faz a abertura do show de um rapper e é ovacionada por milhares de pessoas inebriadas por sua aura de sucesso. Dona de várias empresas e autora de um best-seller de auto-ajuda, ela faz questão de destacar que se tem muito dinheiro e poder é graças a muita dedicação ao trabalho, mas nos bastidores ela é odiada por aqueles que são obrigados a conviver com sua tirania e futilidade. Claire (Kristen Bell), sua assistente há anos, nunca reclamou dos mandos e desmandos, mas está aguardando uma promoção faz tempo e quando decide colocar a empresária contra a parede é tarde demais. Investigada em um caso de corrupção e espionagem empresarial, a magnata que até então se considerava intocável e que tudo seu dinheiro poderia comprar acaba indo parar atrás das grades. Meses depois lhe é concedida liberdade condicional, mas agora todo seu patrimônio está confiscado e apenas Claire que tanto humilhou e explorou é quem oferece ajuda, muito por insistência de Rachel (Ella Anderson), a filha pequena de sua ex-colaboradora que é mãe solteira. Michelle então vai morar por alguns dias no pequeno apartamento delas, mas espaçosa como ela só a estadia acaba se estendendo a perder de vista e a convivência inicialmente é bastante conturbada. Contudo, o roteiro simplifica tal relação ao máximo e num passe de mágica  a harmonia reina absoluta entre elas a ponto de firmarem uma sociedade para venderem brownies, a especialidade de Claire na cozinha.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

A CIDADE DOS AMALDIÇOADOS

NOTA 6,5

Apesar de conter certo teor crítico,
conceito se perde em trama arrastada
e com vários aspectos que tornaram o
filme envelhecido desde o lançamento
Crianças endemoniadas, psicologicamente perturbadas ou simplesmente malvadas por natureza já renderam ótimos filmes de horror e suspense. O Exorcista, A Profecia e Colheita Maldita são alguns exemplos de produções de sucesso, mas há muitas outras que não conseguiram o mesmo nível de repercussão ou status, como é o caso de A Cidade dos Amaldiçoados. Mais conhecida por ser o último trabalho para o cinema do saudoso Christopher Reeve antes do acidente que o deixou paraplégico, a fita fracassou nas bilheterias e os críticos foram impiedosos em suas avaliações. Sem fôlego para ser considerado um clássico como os filmes citados, ao menos hoje o longa tem a seu favor o aspecto nostálgico. Além do chamariz de contar com o eterno Super-Homem como protagonista, a trama tem um ritmo bastante lento e mínimos efeitos especiais, atmosfera e estética que fazem a fita nem parecer ter sido realizada em meados da década de 1990. Poderia muito bem ter sido lançada nos tempos áureos do diretor John Carpenter, contemporânea a obras como Halloween - A Noite do Terror ou Christine - O Carro Assassino, todavia, pelo enredo e direção pouco inspirados certamente não escaparia de ser rotulado como um dos piores trabalhos do cineasta considerado um dos mestres do terror. Reeve interpreta Alan Chaffee, um homem comum que se vê envolvido com um problema sobrenatural após se tornar pai. Certo dia, exatamente as dez horas da manhã, a pequena cidade de Midwich é vítima de um estranho fenômeno no qual sua população e até mesmo os animais permanecem desmaiados por algum tempo. Quando recobram a consciência ninguém se lembra de nada, mas passados alguns dias constata-se que as mulheres em idade fértil estão grávidas. O período de gestação coincide com o estranho episódio e chama a atenção que até mesmo virgens, jovens viúvas e aquelas cujos companheiros não estavam no vilarejo naquele dia agora carregam um feto no ventre. O governo dos EUA escala a Dra. Susan Verner (Kirstie Alley) para investigar os casos e ela propõe total assistência médica e ajuda financeira vitalícia às crianças desde que seus desenvolvimentos possam ser acompanhados periodicamente por uma equipe médica especializada.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

CADÊ OS MORGAN?

NOTA 6,0

Encontro de dois queridinhos do
público feminino se apoia em piadas
previsíveis sobre choque cultural, mas
carisma dos atores eleva a produção
Sarah Jessica Parker caiu nas graças do público feminino com o seriado e os filmes Sex And The City. Hugh Grant construiu sua carreira tendo com alicerces sua cara de bom moço e charme inglês e se tornou um sinônimo de comédias românticas, tendo como um de seus ápices Um Lugar Chamado Notthing Hill. Um encontro cinematográfico entre eles demorou, mas aconteceu no despretensioso Cadê os Morgan? no qual vivem Meryl e Paul, ela uma corretora de imóveis de sucesso e ele um requisitado advogado. Workaholics assumidos, o tempo passou e eles não tiveram filhos, o que certamente balançou a relação. A gota d'água foi uma pulada de cerca do rapaz, mas prestes a assinarem o divórcio ele quase consegue fazê-la desistir da ideia após um jantar romântico. Isso se a noite não terminasse com o casal testemunhando um assassinato e visto o rosto do criminoso. Agora eles são obrigados pelo FBI a abandonarem Nova York e entrarem para o programa de proteção às testemunhas, assim são enviados à pequena cidade de Ray no interior dos EUA e ganham até novo sobrenome. Sem celular, internet e TV a cabo para se distraírem, o casal ainda será forçado a voltar a morar sob um mesmo teto, pelo menos por alguns dias, e serão acolhidos por um outro casal, o xerife Wheeler (Sam Elliott) e sua esposa Emma (Mary Steenburgen), mais experientes e em plena harmonia. A convivência obviamente fará com que os Morgan repensem a relação. E não é só isso. O cotidiano tranquilo do interior também os faz rever suas rotinas ensinando-os a valorizar as coisas simples da vida. O roteiro de Marc Lawrence, também diretor, é limitado a fazer graça contrastando os costumes e bucolismo do campo com a agitação e neuroses metropolitanas. Algumas piadas são previsíveis, como reclamarem do silêncio absoluto a noite e a sufocante pureza do ar. Outras soam exageradas, como ter à mão um manual de instruções para se proteger se porventura um urso invadir seu jardim. Todavia também há boas sacadas envolvendo a política da boa vizinhança que impera na cidade. Todos se conhecem e se ajudam.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A ÚLTIMA PREMONIÇÃO

NOTA 2,0

Calcado em clichês e com

atuações apáticas, longa tenta
surpreender com final surpresa que
no fundo é um tremendo engodo
O título nacional vende bem o peixe. Ou seria vende mal? A Última Premonição tem a proeza de entregar em apenas duas palavras o desfecho de uma história completamente insossa, porém, há quem aponte o último ato como uma cartada certeira para compensar a chatice do restante do filme. Surpreendente ou não, o desfecho não é o suficiente para poupar o diretor Kevin Greutert de umas boas broncas. Parece que se esforçou propositalmente para criar uma das piores produções de suspense dos últimos anos. Assim como em Jessabelle - O Passado Nunca Morre, seu trabalho anterior tão ruim quanto este, o cineasta se cercou de praticamente todos os clichês possíveis, a começar pelo gancho da protagonista traumatizada que se muda para um local isolado para recomeçar a vida. O casal Eveleigh (Isla Fisher) e David Maddox (Anson Mount) decidem deixar a cidade grande e adquirem uma chácara no interior onde pretendem reativar um abandonado vinhedo. Contudo, logo são questionados sobre a coragem de investirem seu tempo e suas economias em um local onde nada rende frutos, um sinal de que deveriam repensar se fizeram um bom negócio. Ganhar dinheiro para eles na verdade é o de menos. O que desejam é oferecer uma melhor qualidade de vida para o filho que estão esperando e esquecer as lembranças de um acidente de carro no qual a moça se envolveu há cerca de um ano e que resultou na morte de uma criança. Eveleigh desde então vive atormentada, principalmente agora que vai ser mãe, mas a mudança de endereço parece só ter piorado as coisas. Dia e noite ela é torturada por vozes, pesadelos, barulhos estranhos e visões de um vulto encapuzado. Para variar ninguém vê ou escuta tais alucinações e como sua atual residência é envolta de mistérios por conta de um episódio do passado a jovem acredita estar tendo visões de alguma tragédia ocorrida por lá, mas como o infeliz título deixa explícito não se tratam de memórias despertadas e sim previsões de algo que irá acontecer, mas Eveleigh só se dará conta disso tarde demais.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

DOIS É BOM, TRÊS É DEMAIS

NOTA 3,5

Com Owen Wilson apenas
reciclando o papel de marmanjo
imaturo, comédia não traz novidades
e se arrasta com piadas previsíveis
Você se lembra da comédia Duplex? Drew Barrymore e Ben Stiller interpretavam os simpáticos protagonistas começando a vida a dois de maneira bastante conturbada. Embora moradora do segundo andar, a velhinha vivida pela divertida Eileen Essell aprontava mil e uma para tirar o casal do sério propositalmente. Analisando de maneira bastante simplista, Dois é Bom, Três é Demais praticamente conta a mesma história com destaque para o personagem de Owen Wilson, também produtor da fita. Ele vive Randolph Dupree, o encosto da vez, porém, sem querer querendo. Sem ter onde morar e desempregado, ele acaba sendo acolhido por Carl Peterson (Matt Dillon), que acredita ter a obrigação moral de ajudar seu melhor amigo desde os tempos do colégio, uma amizade sincera embora os dois tenham perfis completamente opostos. O problema é que o jovem executivo acaba de se casar com Molly (Kate Hudson) e mal terá tempo para aproveitar o lar doce lar. Compreensiva, a esposa não faz objeções quanto ao ato de caridade, mas não tarda a se arrepender. Da posse da mensagem gravada na secretária eletrônica, passando pelo inconveniente de ter que dividir o banheiro da suíte dos pombinhos e chegando ao cúmulo de um aviso de não perturbe na porta de entrada para não atrapalhar uma transa, Dupree é um mala sem alça que leva ao pé da letra mensagens do tipo "fique à vontade" ou "sinta-se como se estivesse em sua casa". O que era para ser uma estadia de alguns dias, acaba se prolongando indefinidamente. Ao invés de procurar emprego, coisa que até tenta fazer, mas sempre ele próprio se desqualificando às vagas, o marmanjão gasta seu tempo brincando com as crianças e adolescentes da rua, organizando reuniões com amigos e não perde a chance de dar pitacos na vida do casal recém-formado e careta. Ele até tem consciência que erra e tenta se redimir com algumas boas ações, mas nunca aprende com seus deslizes. Sempre sendo perdoado, só lhe cai a ficha que é um fardo para os amigos quando literalmente coloca fogo na casa com mais uma de suas aventuras sexuais.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

OLIVER TWIST (2005)

NOTA 5,0

Adaptação de Roman Polanski de
clássico literário é esteticamente bela,
mas fica a dever em emoção e é estranha
à filmografia do premiado diretor
Clássico é sempre clássico e não pode ficar restrito a uma geração. Seja através da releituras literárias, adaptações para o cinema, televisão ou teatro ou tão somente ter algum trecho como fonte de inspiração para qualquer outra manifestação artística, é importante que obras de relevância do passado façam parte da cultura de épocas futuras. Pode-se inspirar nos originais para uma versão modernizada ou simplesmente seguir à risca os escritos sem permissão para ousadias, mas em ambos os casos existe o risco de errar. O clássico romance de Romeu e Julieta ou a trágica história de Hamlet são alguns exemplos de histórias que atravessam gerações, contadas e recontadas das mais variadas formas, mas certamente se algum diretor de cinema lançar a ideia de uma nova adaptação de qualquer uma destas obras será detonado nas redes sociais.  Com sua adaptação engessadinha de Oliver Twist o cultuado cineasta Roman Polanski não chegou a ser um grave alvo de chacotas, mas talvez tenha sentido o pior dos castigos para alguém que trabalha com artes: seu filme foi ignorado pelo público e crítica. Mesmo premiado no Festival de Toronto, o drama ganhou lançamento limitado nos EUA e em vários outros países. E infelizmente não podemos dizer que tenha sido uma injustiça. Visualmente belo, o grande problema deste trabalho está no roteiro que conta uma história que apesar de batida conquista inicialmente, mas perde o vínculo emocional com o espectador ao estender demais o drama do pequeno protagonista. O carismático Barney Clark defende o personagem-título, um garoto órfão que recebe em um orfanato um sobrenome um tanto sofisticado, porém, sua vida passa longe de luxos e riquezas. Pelo contrário. Sua infância é marcada por tristezas, abusos e miséria. À mercê da sociedade londrina do início do século 19, hipócrita e sem escrúpulos, o menino foge do cruel sistema de caridade governamental, no qual é submetido a trabalho escravo, e consegue ser adotado pela família do Sr. Sowerberry (Michael Heath) que vive da venda de caixões, mas sua sina de maus tratos não tem fim. Após uma desavença com Noah (Chris Overton), seu irmão de criação, o órfão é espancado e trancado em um frio e escuro porão. É quando decide fugir e se aventura a buscar melhores condições de vida.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

OS CROODS

NOTA 8,0

Abordando assuntos atuais tendo
como pano de fundo a idade da pedra,
animação tem ritmo frenético e boas
piadas, mas no fim se rende às tradições
Desde que Toy Story foi lançado tornou-se uma obsessão dos estúdios realizar animações com tecnologia de ponta e narrativas que agradassem não só as crianças, mas também aos adultos, estes que as vezes parecem ser o verdadeiro público-alvo de algumas fitas. Não basta mais apenas fazer a alegria dos filhos. Virou regra que os pais fiquem tão ou mais satisfeitos que os pequenos com o programa-família. Os Croods cumpre bem a tarefa de agradar a todas as idades contando uma história divertida e cujo subtexto debocha de assuntos sempre atuais, como a alienação e o medo. A grande sacada é tratar de assuntos contemporâneos e de fácil identificação tendo a idade da pedra como ambientação. Gru é o patriarca da família do titulo, um dos poucos grupos que sobreviveram as mudanças físicas e climáticas do planeta escondendo-se literalmente do mundo. Rude e avesso a novidades, ele acredita que a única maneira de manter seus parentes em segurança é alimentando seus medos, assim praticamente tudo é motivo para se meterem em qualquer buraco para se esconderem, principalmente a noite que com os possíveis perigos que carrega soa como um presságio de morte para o brucutu. Contudo, por mais que fosse cauteloso, ele não tinha o poder de parar o tempo, as coisas mudam constantemente e sua filha mais velha Eep já começava a apresentar sinais de rebeldia típicos de adolescentes afoitos para explorar novos horizontes. Com essa relação conflituosa estabelecida, a animação é calcada no processo de descobertas e adaptação dos Croods há uma nova realidade, tudo mediado por um jovem chamado Guy que se junto ao grupo trazendo conhecimentos do outro lado do mundo, como o conhecimento de lidar com o fogo. Física e emocionalmente mais evoluído que o tal clã, além de ser bem mais racional, o rapaz logo chama a atenção de Eep, mas seu estilo moderninho de ser e de viver bate imediatamente de frente com o jeitão super protetor e antiquado de Gru, este que mesmo sendo um boçal sempre fora respeitado como alguém sábio e com espírito de liderança. Perder tal papel para ele era inadmissível, tampouco dividir as atenções, ainda mais para o paquera da filhota.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A FAMÍLIA BÉLIER

NOTA 8,0

Apesar de não se aprofundar, longa francês
acerta ao abordar a realização de um
sonho estendendo a discussão sobre como
tal decisão pode afetar outras pessoas
Uma garota descobre por acaso seu talento para a música, mas para poder viver de seu dom terá de enfrentar diversas dificuldades, incluindo romper laços afetivos e afins. Hollywood há décadas aproveita tal argumento, principalmente para abastecer o entretenimento doméstico, um jeito fácil e barato que antes abastecia videolocadoras e hoje preenche a programação dos canais por assinatura. A tática também é utilizada quando há o desejo de lançar como atriz uma já famosa cantora. Mariah Carey, Britney Spears e Christina Aguilera tentaram carreira nas telonas, mas felizmente parecem ter tido noção da extensão de seus talentos e desistiram a tempo de evitarem ser alvo de eternas chacotas. Outras já tiveram mais sorte em transitar entre a música e o cinema como Cher, Beyoncé Knowles e Madonna, ainda que a diva loura colecione alguns lampejos de sucesso como atriz em meio a diversos fracassos. Filmes cujo real objetivo é promover cantoras dificilmente não deixam de ser meros passatempos esquecíveis desde sua concepção inicial, mas eis que diretamente da França chega uma agradável surpresa desta seara. A simpática comédia-dramática A Família Bélier ganha pontos em diversos quesitos, entre eles o elenco afiado e a narrativa que, embora não seja original, não se restringe a realização de um sonho individual, lançando um olhar mais amplo ao abordar as consequências de uma decisão para toda uma família. A trama tem como protagonista Paula, interpretada por Louane Emera que ficou famosa em território francês por participar do programa local "The Voice". A personagem vive em uma pequena cidade do interior e ajuda a família a cuidar da fazenda de onde tiram o próprio sustento. Mais do que ordenhar vacas ou semear pastos, a garota é quem faz o elo entre seus parentes e a sociedade. Rodolphe (François Damiens) e Gigi (Karine Viard), seus pais, e também Quentin (Luca Gelberg), seu irmão caçula, são surdos-mudos e Paula atua como intérprete se encarregando de traduzir a linguagem de sinais para amigos e vizinhos, além de mediar as negociações das vendas dos queijos que eles próprios produzem. Contudo, sua voz tem potencial para algo muito maior.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

AS BRANQUELAS

NOTA 2,0

Apesar de se sustentar sob uma
farsa tosca e mal arquitetada,
comédia é um sucesso de popularidade,
talvez justamente por ser mal feita
Quando vai ao ar a chamada de que mais uma vez A Lagoa Azul ou Ghost - Do Outro Lado da Vida vai ser exibido na "Sessão da Tarde" são inevitáveis as piadinhas quanto ao prazo de validade dos filmes (há controvérsias quanto a isso) e sobre a falta de bons programas para rechear a TV aberta. A lista de repetecos da clássica faixa de filmes da Globo é gigantesca, porém, o que é oferecido pelos canais pagos também não fica muito atrás. Reprises de fitas populares como De Repente 30, A Sogra e Como Se Fosse a Primeira Vez batem cartão com frequência em variados canais semanalmente, mas o caso da comédia besteirol As Branquelas é digno de uma análise mais profunda sobre números de audiência, perfil dos espectadores ou simplesmente para constatar a falta de conteúdo dos canais por assinatura. Praticamente todos os dias o longa é exibido em algum canal, isso quando também não é exibido duas vezes ou até mesmo simultaneamente. Qual o segredo para tanta popularidade? Aparentemente nenhum, apenas mais um certeiro golpe de sorte dos irmãos Marlon e Shawn Wayans que já tinham tirado a sorte grande com o deboche Todo Mundo em Pânico. Eles vivem respectivamente Marcus e Kevin Copeland, agentes do FBI que estão com o emprego por um fio após fracassarem feio em sua última missão. Dispostos a mostrar serviço eles embarcam por conta própria em uma secretíssima operação. Eles descobrem que as milionárias irmãs Wilson, Brittany (Maitland Ward) e Tiffany (Anne Dudek), duas patricinhas loucas por fama e diversão, estão na mira de sequestradores. Contudo, o caso é entregue aos agentes Vincent Gomez (Eddie Velez) e Jack Harper (Lochlyn Munro), uma dupla tão atrapalhada quanto os outros dois detetives que acabaram incumbidos da simplória e ingrata tarefa de escoltarem as jovens socialites durante um fim de semana em Beverly Hills. Elas vieram especialmente para participarem de um badalado evento em que sonham ser o centro das atenções e estamparem a capa de uma famosa revista. De fato elas vão roubar a cena, ou melhor, suas substitutas.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A TROCA

NOTA 9,0

Angelina Jolie carrega nas costas
drama baseado em fatos reais que se
estende além do necessário, mas ainda
assim uma opção de primeira e requintada
Histórias baseadas em fatos reais costumam dividir opiniões. Muitos compram a ideia de que realmente tudo que se vê na tela de fato aconteceu enquanto outros tem a sabedoria de compreender que muitas passagens são adaptadas ou até mesmo inventadas em prol dos objetivos de seus realizadores. Com A Troca, drama de época dirigido por Clint Eastwood, não foi diferente, sendo que a produção colheu um considerável número de críticas negativas. Ou melhor, em partes. Tecnicamente o longa é correto, com reconstituição de época, fotografia e iluminação de primeira, mas em questões narrativas muitos condenam a opção pelo melodrama rasgado e que estende além do necessário o drama vivido por Christine Collins (Angelina Jolie), embora ele propicie facilmente a identificação com o público. Em meados de 1928, em Los Angeles, a telefonista sai de casa em um sábado a tarde para trabalhar tranquilamente não imaginando que aquela seria a última vez que poderia abraçar e beijar seu pequeno filho Walter. Quando volta ele simplesmente sumiu sem sinal algum de que possa ter ocorrido algum tipo de violência ou furto em sua casa. De imediato ela procura ajuda da polícia que age desdenhosamente no caso. Após cerca de cinco meses de angústia finalmente vem a notícia de que o garoto fora encontrado, mas na verdade Christine é forçada a aceitar uma criança em sua vida. Na época o Departamento de Polícia local estava com sua credibilidade abalada e precisava com urgência de uma boa ação para recuperar seu prestígio. Atordoada com o assédio da mídia e dos populares, além de sua própria excitação com a boa nova, Christine aceita levar o suposto Walter para casa, mas no fundo sabe que está se agarrando em vão em um breve momento de conforto. Persuadida a acreditar que o menino está diferente tanto física quanto emocionalmente por conta do trauma do sumiço e pelo passar do tempo, ela tira a prova dos nove comprovando a ausência de um sinal de nascença no corpo da criança. Revoltada, ela decide enfrentar a justiça, mas acaba caindo em uma perigosa armadilha na qual sua vida é colocada em risco para manter uma farsa orquestrada por gente poderosa e influente. Mulher, mãe solteira e corajosa, Christine passa a ser vítima de preconceito e rejeição. Tachada como louca, ela chega inclusive a ser internada em um hospital psiquiátrico onde sofre diversos abusos e humilhações. Nessa fase ela conta com o apoio do Reverendo Gustav Briegleb (John Malkovich), que bem relacionado consegue colocar boa parte da imprensa e dos populares a seu favor e a ajudou a manter sua determinação viva em busca da verdade.

sexta-feira, 17 de março de 2017

A MORTE LHE CAI BEM

NOTA 8,0

Com protagonistas de peso e com
boa química, comédia ácida sobre o preço
da vaidade poderia ir além, mas nota-se
preocupação maior com efeitos especiais
O título cairia como uma luva para uma obra do excêntrico e mórbido Tim Burton, mas o fato é que A Morte Lhe Cai Bem passou bem longe das mãos do cineasta e caiu direto no colo de Robert Zemeckis, na época em evidência por conta do sucesso da trilogia De Volta Para o Futuro e do incrível encontro entre desenhos animados e atores reais que conseguiu com Uma Cilada Para Roger Rabbit. Sua então nova missão seria comandar uma comédia ácida e crítica a respeito do culto exagerado à beleza e até mesmo do sucesso, porém, mais uma vez colocando os efeitos especiais em destaque, mas nem por isso suplantando o trabalho do elenco talentoso e que deixa transparecer o quanto foi divertido atuar nesta produção. A trama roteirizada por David Koepp e Martin Donovan começa em meados da década de 1970 quando a pretensiosa atriz Madeline Ashton (Meryl Streep) está estreando seu show musical em um teatro. Enquanto se esgoela e requebra no palco o quanto pode, na plateia o público se divide entre caretas e fugas repentinas em sinal de reprovação, mas ainda assim ela consegue conquistar a atenção de um espectador em especial. Ernest Menville (Bruce Willis) é um bem-sucedido cirurgião plástico que se encanta a primeira vista com a atriz e de imediato é correspondido. Bem, por parte dela não era necessariamente amor e sim interesse em seus talentos profissionais que poderiam lhe economizar alguns milhões com procedimentos e produtos estéticos, além de alimentar seu prazer egoísta em mais uma vez atrapalhar a vida de Helen Sharp (Goldie Hawn), a noiva do médico. Escritora frustrada e mal amada, ela acaba perdendo o companheiro para a rival de longa data que já lhe roubara outros tantos namorados. Depressiva e sem rumo, a autora se entrega totalmente ao ócio e à gula e chega até a ser internada em um hospital psiquiátrico. Quando chega no fundo do poço acaba reagindo motivada pelo desejo de vingança e anos mais tarde eis que ressurge em grande estilo para colocar seu plano em prática.

domingo, 5 de março de 2017

MAIS QUE O ACASO

Nota 6,0 Romance não vai além de uma publicidade para casal de namorados na época

Não é só no Brasil que os casais famosos tentam lucrar com seus relacionamentos. Entre os astros de Hollywood a prática é bastante comum e certamente anos mais tarde, solteiros ou envolvidos com outras pessoas, devem se constranger quando questionados a respeito de como foi dividir a cena com antigos namorados em determinados filmes. Pior ainda quando em cena também precisaram dividir a cama como foi o caso de Ben Affleck e Gwyneth Paltrow em Mais Que o Acaso. Quando o filme foi lançado eles já estavam separados, o romance foi do tipo relâmpago, mas durou tempo suficiente para aguçar certas pessoas a tentarem lucrar com o relacionamento, a começar pelos próprios atores já que a moça indicou o então namorado para ser seu par romântico. Após trabalharem juntos no premiado Shakespeare Apaixonado, com a loirinha suscitando discussões a respeito de sua interpretação supervalorizada, chegava o momento do casal levar a química da vida real para as telas, mas o resultado é um tanto frio. Affleck vive Buddy Amaral, um bem-sucedido publicitário de Los Angeles que certo dia fica preso no aeroporto por conta de um atraso no seu voo o que lhe dá a oportunidade de conhecer uma bela garota com quem decide passar a noite. Antes disso ele também fez amizade com Greg Janello (Tony Goldwyn), um escritor da mesma cidade a quem o rapaz decide oferecer sua passagem. O problema é que seu ato de camaradagem acaba se tornando uma tragédia. A viagem de avião resulta em um grave acidente e o publicitário passa a se culpar pela morte do pai de família que só queria chegar mais cedo em casa para ver sua esposa e filhos. Amaral então se entrega ao vício em bebidas, uma mera desculpa do roteiro para aproximá-lo da jovem viúva. Seguindo os passos de um manual de recuperação, meses após a tragédia ele decide procurar Abby (Paltrow) para contar tudo o que aconteceu e pedir perdão, porém, acaba se apaixonando pela moça. Embora insista em sempre falar do marido e negar a viuvez intitulando-se divorciada, ela é quem procura insistentemente o rapaz que no início preferia ignorar as investidas. Contudo, quando percebe já está totalmente envolvido com ela e até com os filhos pequenos do falecido. E agora, como contar a verdade?

sábado, 4 de março de 2017

NINGUÉM SOBREVIVE

Nota 5,0 Ligeiro e sem muita história para contar, fita se resume a violência e mortes chocantes

O mundo está cheio de pessoas más, isso é fato. A ironia é que por mais que uma pessoa se considere terrível (no caso um autoelogio), sempre haverá alguém pior ainda para ocupar tal posto e nem mesmo quem faz parte de uma gangue da pesada está a salvo. Embora existam grupos em que a camaradagem reina absoluta, em geral para quem vive da criminalidade a morte é algo tão banal que estourar os miolos de um companheiro não significa nada. Proteger a si mesmo e seus interesses está sempre em primeiro lugar. Explorar ao máximo a crueldade do ser humano, revelando inclusive que até os mais bonzinhos tem escondido seu lado negro, o terror independente americano tem presenteado os fãs do gênero com carnificinas surreais. Com um epílogo clichê no qual uma jovem corre desesperadamente por uma densa floresta na calada da noite até cair em uma armadilha, Ninguém Sobrevive surpreende após o estranho primeiro ato. No início a trama pode confundir com histórias paralelas, mas que não demoram a convergir. Simplesmente creditado como "driver" (motorista), Luke Evans, que viria a fazer parte dos episódios 6 e 7 da franquia Velozes e Furiosos, surge na tela com pinta de herói viajando na companhia da namorada Betty (Laura Ramsey) viajando por estradas desertas, obviamente, até que eles têm a péssima ideia de parar em um restaurante entregue às moscas. Lá eles são provocados pelo marrentão e inconsequentente Flynn (Derek Magyar) que imaginando o casal como ricaços arma um plano para sequestrá-los em parceria com Ethan (Brodus Clay). Pouco antes sua gangue já havia realizado um assalto mal sucedido em uma casa de veraneio que invadiram, mas acabaram sendo supreendidos pelos donos que foram assassinados de imediato. Hoag (Lee Tergesen), o líder do bando, se desentende com Flynn que agora quer se redimir. Ele só não contava que o sequestro do tal casal reservaria desagradáveis surpresas.

sexta-feira, 3 de março de 2017

ARRASTE-ME PARA O INFERNO

NOTA 8,0

Voltando às origens, diretor Sam
Raimi revisita o terror trash
apostando em bizarrices, escatologia
e delicioso humor negro aliada à tensão
Praticamente todos os diretores de sucesso tiveram um início de carreira modesto como, por exemplo, Steven Spielberg e Tim Burton. Ainda que suas primeiras produções possam parecer toscas ou envelhecidas, nelas é possível identificar claros sinais de criatividade, paixão pelo cinema e diversas características que viriam a permear suas trajetórias artísticas, servir como assinaturas de suas obras e ainda inspirar outros cineastas. Sam Raimi começou sua carreira em meio a bizarrices, escatologia e verdadeiros banhos de sangue. The Evil Dead - A Morte do Demônio é um marco do terror e lembrado até hoje como um dos filmes mais insanos e nojentos de todos os tempos... E isso são elogios! Unindo originalidade e muita inventividade para driblar problemas de orçamento e contratempos, o então marinheiro de primeira viagem acabou realizando um perfeito casamento entre horror e comédia e o que antes era uma fita-maldita acabou ganhando status de cult com o passar dos anos, assim como também são consideradas suas continuações conhecidas no Brasil como Uma Noite Alucinante. Entretanto, vendo o gore show que são essas fitas, quem poderia imaginar que Raimi seria o homem por trás da luxuosa e milionária franquia original do herói Homem-Aranha? Ainda que a terceira e última parte estrelada por Tobey Maguire apresentasse já claros sinais de desgaste e dividiram opiniões, a trilogia faturou rios de dinheiro e deu a oportunidade do diretor criar sua própria produtora de fitas de horror e suspense de onde saíram produções como O Grito e 30 Dias de Noite. No entanto, ele próprio não assumia a direção de um longa do tipo desde 2000 quando lançou o super estrelado e pretensioso suspense O Dom da Premonição. Quase uma década mais tarde, eis que ele surpreende com Arraste-me Para o Inferno, uma divertida e nauseante volta às suas origens. Escrito pelo próprio diretor em parceria com Ivan Raimi, seu irmão, o roteiro gira em torno de Christine Browb (Alison Lohman), uma jovem analista de crédito financeiro de olho em uma promoção no trabalho, mas para tanto precisa convencer seu chefe que está preparada para assumir funções de maiores responsabilidades. Certo dia ela tem a infelicidade de atender a Sra. Ganush (Lorna Raver), aparentemente uma simplória e inofensiva velhinha implorando pela extensão do prazo de financiamento de sua casa.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

DO FUNDO DO MAR

NOTA 3,0

Tubarões assassinos caçam
humanos em uma estação de
pesquisas em produção com um pé
no cinema trash, mas fora de época
Na década de 1970 eram muito populares os filmes-catástrofes, produções cujo mote principal são tragédias como naufrágios, terremotos ou acidentes de aviões, por exemplo, mas Steven Spielberg, sempre à frente do seu tempo, com seu clássico Tubarão já antecipava uma tendência dos anos seguintes. As fitas estreladas por animais assassinos ou geneticamente modificados nem sempre encontravam espaço nas salas de cinema, mas bombavam nas videolocadoras, inclusive com muitos lançamentos do tipo exclusivos para abastecer tal mercado que faturou horrores com fitas trash. O VHS do híbrido de aventura e suspense Do Fundo do Mar certamente não iria parar nas prateleiras das lojas, porém, foi produzido tardiamente, às vésperas da virada para o novo século e milênio. Filme certo na hora errada. Se fosse contemporâneo à onda de aranhas, cobras, crocodilos e outras tantas fitas que exploravam ao máximo aberrações da natureza ou o instinto selvagem de animais alterados em laboratórios, o trabalho do diretor Renny Harlin até que poderia ter alcançado certa repercussão e lucros. No entanto, em 1999, ano em que blockbusters calcados em efeitos especiais de ponta como Matrix, A Múmia e o retorno da saga Star Wars bateram recordes de bilheteria, quem se interessaria por uma história de tubarões superdesenvolvidos e assassinos? Os roteiristas Donna e Wayne Powers, em parceria com Duncan Kennedy, acreditaram que haveria público para tal filão e criaram uma trama bastante sufocante tendo como cenário principal uma estação submarina de pesquisas genéticas. Chefiada pela doutora Susan McAlister (Saffron Burrows), a equipe se empenhava no desenvolvimento de uma terapia para a cura do Mal de Alzheimer. A pesquisa visava ampliar a capacidade cerebral de tubarões através de intervenções da engenharia genética e o tecido encefálico alterado seria utilizado na criação de uma fórmula neuro-estimulante capaz de diminuir os efeitos da doença em humanos em estágio avançado de degeneração, como o próprio pai de Susan, esta que obviamente deseja mais que o reconhecimento profissional. O gancho do ser humano brincando de Deus manipulando a natureza também nos remete ao tema de central de outro clássico de Spielberg, Parque dos Dinossauros... Obviamente guardadas as devidas proporções.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

A COISA (2011)

NOTA 1,0

Idealizado como um prólogo tardio
de uma ficção de sucesso e vendido
fazendo alusão ao título de outro filme,
fita é apenas desculpa para efeitos visuais
Apesar de sempre serem aguardados com ressalvas por parte do público e crítica, as refilmagens continuam sendo feitas de vento e popa em Hollywood, sendo o gênero de terror o que mais levanta a bandeira das releituras. A Coisa foi lançado em 1985 e rapidamente se tornou um trash movie de sucesso, assim uma segunda versão seria apenas questão de tempo até para tirarem proveito do avanço dos efeitos especiais que poderiam melhorar (ou não) a proposta original que envolvia extraterrestres, poder da mídia e os exageros consumistas dos humanos. Com o mesmo título, simplesmente A Coisa, em 2011 alguns espectadores mais dispersos devem ter tido a sensação de serem enganados. Não se trata de um remake e sim de um erro grosseiro da distribuidora no Brasil que traduziu fielmente o título original, certamente uma estratégia para fazer um filme ruim chamar ao menos a atenção de saudosistas. Não deu certo. A fita passou em brancas nuvens, apesar de ser uma espécie de prelúdio tardio do clássico oitentista O Enigma de Outro Mundo, assinado por John Carpenter, então pela primeira vez tendo um polpudo orçamento em mãos e investindo mais em efeitos especiais e maquiagens, o que lhe rendeu críticas negativas visto que era reconhecido por trucagens artesanais. Os anos passaram e trataram de revelar o valor da obra, uma assustadora e desesperançosa visão do mundo. Seu suposto prólogo tardiamente lançado também usa e abusa dos avanços tecnológicos para a construção de seres bizarros, mas fica a dever em conteúdo que o passar dos anos certamente não irá revelar. A trama se passa dias antes da história do longa de 1982, que por sua vez já era uma refilmagem de O Monstro do Ártico baseado em conto de John W. Campbell Jr. Uma equipe de cientistas liderada pelo Dr. Sander Halvorson (Ulrich Thomsen) trabalha em uma remota região da Antártica e Kate Lloyd (Mary Elizabeth Winstead) é uma paleontóloga que se junta ao grupo para investigar a possível descoberta de uma nave alienígena próxima a uma base norueguesa de pesquisas. Claro que dentro dela existe um estranho ser louquinho para ser descongelado por uma trupe de incautos com quem vai aloprar a vontade. Detalhe: tal criatura tem o poder de entrar dentro de corpos humanos e reproduzir personalidades, assim gerando muitas suspeitas e intrigas entre o pessoal da expedição sobre quem poderia estar infectado. Enquanto a paranoia toma conta de todos, as mortes acontecem em ritmo de maratona.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A HORA DO PESADELO (1984)

NOTA 9,0

Ainda que com efeitos envelhecidos
e ideia que poderia render muito mais,
primeiro filme da saga de Freddy Krueger
faz jus a fama que o vilão alimenta até hoje
Qual o nome do assassino de Pânico? E de Lenda Urbana ou Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado? Podendo assumir identidades diferentes de acordo com as “novas” histórias a serem contadas, tais seriais killers não chegaram a ter o mesmo status de seus antecessores da década de 1980, como o lendário Freddy Krueger, interpretado com maestria pelo ator Robert Englund. Com seu olhar psicótico, vozes e gestos característicos e sorriso debochado, a fama do vilão acabou sobressaindo ao próprio título do filme. A alcunha A Hora do Pesadelo pode causar confusão por ser genérico demais, mas basta citar a asquerosa e hipnótica figura do homem deformado com suéter vermelho listrado, chapéu e garras afiadas para que muitos se lembrem que já passaram muitas noites em claro por causa dele. E quem é mais novinho e amante de terror certamente tem a curiosidade aguçada para entender qual a importância deste personagem para o gênero e até mesmo para a cultura pop. O esquecível remake não conta como referência. É preciso estar imerso no clima oitentista para a experiência ser completa. Curiosamente no Brasil, ainda sob controle da censura, o filme estreou com quase dois anos de atraso, quando a primeira continuação já arrastava multidões aos cinemas ianques. A trama, como de costume, apresenta um grupo de adolescentes que é aterrorizado por um sádico assassino, porém, ele só os ataca em pesadelos. Sem fazer rodeios a introdução, além de mostrar como o vilão adquiriu suas famosas garras de metais, já revela também os seus métodos de “trabalho”. Nancy (Heather LangenKamp), Glen (Johnny Depp), Tina (Amanda Wyss) e Rod (Nick Corri) por uma estranha coincidência sonham constantemente com violentos ataques de Krueger e quando acordam as marcas dos ferimentos estampam seus corpos. Os adultos fazem vista grossa para o problema e buscam explicações racionais, inclusive para as mortes de alguns jovens, mas Nancy acredita que o homem que invade seus sonhos e matou seus amigos trata-se de um personagem real, alguém atrelado ao sombrio passado do seu bairro, um segredo que inclusive envolveria seus próprios pais. Como uma vítima em potencial, ela começa a investigar o caso a fim de descobrir o que ou quem é que lhe aterroriza todas as noites e uma forma de acabar com os pesadelos. Você pode aguentar uma, duas ou até três noites sem dormir direito, mas imagine sempre ter o receio de que suas horas de descanso serão na verdade momentos de pura tensão.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

MATO SEM CACHORRO

NOTA 6,5

Começando como uma comédia
romântica tradicional, longa
traz boas piadas e ideias, deixando
o amor em segundo plano 
É fato que o cinema nacional se sustenta pelas comédias populares. É uma realidade que dificilmente irá mudar. O problema é que temos dezenas de lançamentos do tipo anualmente, mas o crescimento quantitativo não acompanha o ritmo em termos de qualidade. A maioria parece esquecíveis episódios de seriados de TV esticados ao máximo para justificar seus lançamentos nos cinemas e posteriormente para acesso doméstico. Com elenco capitaneado de sucessos da telinha, Mato Sem Cachorro passa resvalando por este crivo por um detalhe crucial: troca o humor pastelão pela ironia crítica. O prólogo é bastante emblemático. Pela orla de uma praia carioca uma família aparentemente perfeita passeia feliz e tranquila curtindo um belo dia de sol, bem no estilo publicidade de margarina só que sem a mesa de café da manhã em exposição. No entanto, tudo é fachada. Como todo ser humano comum eles têm lá seus problemas, muitos problemas, e os momentos de descontração são pontuais, mas a opção de terem ao menos um animalzinho de estimação revela que entre brigas e alegrias o equilíbrio prevalece, afinal qual família-propaganda que se preze abre mão de ter um cachorrinho? É esse o gancho para narrar a história de Deco (Bruno Gagliasso) e Zoé (Leandra Leal). Desorganizado e desatento, o rapaz quase atropela um cãozinho quando fugia do assédio de alguns vendedores de rua querendo convencê-lo a comprar algumas bugigangas. Antes tivesse comprado. Os populares queriam linchá-lo em praça pública, mas acabou sendo salvo pela jovem, uma produtora de rádio que cai de amores pelo bichinho... E pelo rapaz também, obviamente. Seguindo o estilo definido por Hollywood para sustentar uma historinha água-com-açúcar, os primeiros minutos são dedicados a mostrar de forma acelerada como nasceu o amor dos protagonistas que acabam adotando o cão, batizado de Guto e que sofre de narcolepsia, uma rara doença que o faz desmaiar em situações de estresse ou animação (!). Assim, às pressas, uma família se forma, porém, a ruptura não tarda graças as atrapalhadas de Deco que produz um vídeo que viraliza na internet e tira do sério sua companheira. Cansada de tanta imaturidade, Zoé vai embora de casa e leva o “filhinho” do casal, deixando o marido mais perdido e apático que de costume.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

TUDO PARA FICAR COM ELE

NOTA 1,5

Procurando unir clichês das
comédias românticas com humor
escatológico e apelativo, fita perde
completamente o rumo, se é que tinha
No início dos anos 2000 a atriz Cameron Diaz já tinha seu talento reconhecido e era sondada para atuar em produções de maior relevância que suas habituais comédias românticas, assim não há justificativas para ter aceito estrelar Tudo Para Ficar Com Ele, uma verdadeira mancha em seu currículo. Aparentemente a ideia seria experimentar um novo tempero para o manjado gênero sem excluir o felizes para sempre, mas a receita falhou e um sabor amargo de decepção é inevitável. Apesar do que o título e o material publicitário nacionais indicam não se trata da história de três mulheres disputando um mesmo homem, mas sim uma trama sobre amigas que compartilham mesmas opiniões e sentimentos quanto aos relacionamentos amorosos e se aventuram para conquistar cada uma seu par ideal. Bem, elas não são mais menininhas, já passam da casa dos trinta anos, mas a maturidade parece passar bem longe delas. Comportando-se como adolescentes vivendo suas primeiras experiências amorosas, elas alternam ingenuidade com altas doses de libido e não se envergonham de assumirem que são verdadeiras caçadoras de homens. Diaz encabeça o trio interpretando Christina, linda, gostosa, divertida, enfim o tipo que tem todos os parceiros que quiser a seus pés, ainda mais porque ela só pensa em curtir a vida com liberdade e foge de compromissos sérios. Courtney (Christina Applegate) também pensa e age de maneiras semelhantes, mas já faz planos de encontrar um companheiro fixo e sossegar, mas é claro que quanto mais tarde isso acontecer melhor. Completando o grupo temos Jane (Selma Blair) que está sofrendo com o término de um namoro, mas nada que a impeça de procurar diversão e novas aventuras sexuais. Certa noite elas vão a uma balada dispostas a beber e dançar muito, além de ampliar suas listas de conquistas, nada fora de suas rotinas, isso se Christina não tivesse conhecido Peter (Thomas Jane), um bonitão com pinta de pegador que surpreendentemente esnoba a loiraça que desse momento em diante não o tira da cabeça confundindo seus sentimentos entre orgulho ferido ou paixão verdadeira. Disposta a conquistá-lo de qualquer maneira, ela viaja com as amigas rumo a uma cidadezinha próxima a São Francisco onde descobre que o irmão do rapaz irá se casar, uma ótima oportunidade para declarar seu amor ou no mínimo dar a chance dele se redimir do gelo que lhe deu. No entanto, na afobação não checaram as informações corretamente, pois quem vai se casar é o próprio Peter. Já é de se esperar que o matrimônio vai por água abaixo, o problema é a maneira ridícula com que os ventos sopram a favor da protagonista.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

AS FÉRIAS DO PEQUENO NICOLAU

NOTA 9,0

Segunda aventura do pequenino
e inventivo garoto francês mantém
a graça e a leveza, mas erra levemente
ao dar espaço maior aos adultos
Em 2009, um despretensioso filme francês movimentou o circuito alternativo de exibição em vários países atraindo não só o público cativo de um cinema mais qualificado, mas também conquistou uma nova plateia. Adultos puderam levar seus filhos, sobrinhos e netos a tiracolo para curtirem juntos o delicioso O Pequeno Nicolau, um sucesso que em algumas capitais brasileiras como em São Paulo, por exemplo, permaneceu em cartaz por mais de um ano mesmo com mídia física já disponível. O segredo do sucesso é traduzido em duas palavras: simplicidade e inocência, justamente o que falta a maioria das produções destinadas a agradar a toda família. Criado por René Goscinny e ilustrado por Jean-Jacques Sempé, o personagem-título é um dos mais famosos da literatura infanto-juvenil francesa e ganhou uma segunda incursão cinematográfica, As Férias do Pequeno Nicolau, novamente sob a batuta do diretor Laurent Tirard, um amante do universo infantil tanto que também dirigiu Astérix e Obélix - A Serviço de Sua Majestade resgatando mais um dos patrimônios culturais de seu país. É uma pena que Maxime Godart não pode assumir mais uma vez o papel de protagonista. E nem teria como. Cinco anos separam o filme original desta continuação que narra novas peripécias do garoto como uma ação quase imediata aos acontecimentos da primeira fita. Se antes a preocupação era que seus pais o descartassem por conta de uma nova criança na família, agora suas aflições giram em torno de um casamento forçado. Nicolau não cresceu de tamanho, continua miudinho, mas está amadurecendo, porém, não a ponto de perder sua inocência. Ainda bem! Mathéo Boisselier assume o papel e dá conta direitinho da tarefa de apresentar a visão curiosa e sonhadora do mundo através da ótica infantil, embora o episódio das férias tenha um foco maior no núcleo adulto liderado por Valérie Lemercier e Kad Merad novamente interpretando os pais do protagonista cujos nomes não são revelados.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O PEQUENO NICOLAU

NOTA 10,0

Produção francesa é uma
excelente e delicada opção
para agradar a todas as idades
resgatando o humor ingênuo
Já faz algum tempo que os filmes infantis deixaram de ser bobinhos para agradar também aos pais das crianças. A indústria de cinema americana cada vez mais capricha na produção de animações com piadas e situações que conquistem também os adultos, mas ainda não consegue as mesmas proezas quando quer contar uma história infantil com elenco e cenários reais. Hollywood poderia mirar então no exemplo do diretor Laurent Tirard e sua produção francesa O Pequeno Nicolau, uma fita simples, ingênua e divertida como há muito tempo não se via. A história se passa na França da década de 1950 e gira em torno do tal garoto do título. Interpretado com muita desenvoltura pelo estreante Maxime Godart, excepcional e muito cativante, o menino leva uma vida tranquila, é muito amado por sua mãe (Valérie Lamercier) e por seu pai (Kad Merad) e tem diversos amigos, com os quais se diverte um bocado. Tudo vai bem até que um dia ele houve uma história sobre irmãos mais novos que o assusta. A partir de então, o menino passa a prestar atenção no comportamento de seus pais e se surpreende. Ele acredita que sua mãe está grávida e logo entra em pânico, pois acha que assim que o bebê nascer ele não receberá mais atenção. A paranóia aumenta quando sua mãe o convida para um passeio, pois tem certeza que será abandonado na floresta. Para escapar desse terrível destino, Nicolau faz de tudo para mostrar aos pais o quanto é indispensável e, por tentar agradá-los demais, acaba cometendo vários tropeços o que faz com que eles fiquem enfurecidos. Desesperado, ele muda de tática e, com a ajuda de seus amigos desastrados, bola diversos planos para achar uma solução para seu problema. É essa ingenuidade em lidar com um medo tão comum entre as crianças que faz a fita prender a atenção.

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