sábado, 11 de novembro de 2017

MEDO (1996)

Nota 4,0 Apesar do título forte, o medo é praticamente nulo em suspense esquemático e bobinho

Para muitos Reese Witherspoon começou sua carreira em 1999, ano em que estrelou o drama juvenil Segundas Intenções e o cult Eleição, mas a atriz já estava na estrada há alguns anos participando de algumas produções pouco lembradas como o suspense Medo. Aqui ela vive Nicole Walker, uma adolescente que como outra qualquer sempre alimentou o sonho de se apaixonar e ser correspondida por alguém especial, um rapaz educado, sensível, mas obviamente belo e desejável. Ela encontra estas características em David McCall, vivido por um jovem Mark Wahlberg também galgando seus primeiros passos rumo ao estrelato. Ela o conheceu em uma festa na qual ele a ajudou em um tumulto e desde então passou a viver em função de agradar e fazer as vontades do rapaz, inclusive perder sua virgindade. Desde o início Steven (William L. Petersen), o pai da garota, demonstra-se reticente quanto a esse namoro porque o passado e a vida particular do rapaz são um mistério. Por outro lado, sua esposa Laura (Amy Brenneman) se simpatiza à primeira vista pelo rapaz, e isso faz com que seu relacionamento com a enteada melhore, e Toby (Christopher Gray), o pequeno filho do casal, se afeiçoa à David a ponto de respeitá-lo como se fosse um pai. Contudo, pouco a pouco a imagem de príncipe encantado vai sendo desconstruída por ele próprio que não consegue esconder seu ciúmes e começa a se enrolar com mentiras e atos violentos. Por amor, Nicole vai perdoando os deslizes, mas quando o flagra a traindo decide colocar um ponto final no relacionamento, porém, a essa altura ela e sua família correm perigo nas mãos de um desequilibrado sedento por vingança.

Como uma produção típica para entretenimento do público adolescente, o roteiro de Christopher Crowe, de O Último dos Moicanos, é bastante previsível e não deixa margens para dúvidas quanto ao caráter do personagem defendido por Wahlberg, uma falha imperdoável da trama que o apresenta sem nuances e tampouco oferece explicações para o comportamento obsessivo do rapaz. É possível até mesmo adivinhar cada passo do jogo de sedução do vigarista, mas ainda assim é possível continuar se entretendo com a fita graças ao trabalho de direção de James Foley que a julgar por também assinar anos mais tarde A Estranha Perfeita parece um aficionado por tramas envolvendo relacionamentos movidos a interesses ou obsessões. Ainda que leve seu trabalho no banho-maria até mais da metade, o ato final é bem orquestrado com altas doses de tensão e cenas bem amarradas, mas nada que evite uma conclusão patética ao vilão ou desnorteie a redenção da mocinha, tudo como já se esperava desde o início. Aliás, a personagem de Witherspoon também é apresentada de forma chapada. É uma adolescente mimada e com espírito confrontador aflorado, mas sua rebeldia jamais é explorada a fundo. Simplesmente parece uma criançona que faz birra por conta de um brinquedo novo até consegui-lo, no caso um namorado que de certa forma atestaria sua passagem para a vida adulta. Quanta ingenuidade! Para o público adolescente que nunca assistiu Medo a fita pode gerar algum interesse por se equiparar à qualidade narrativa de outras tantas produções de suspense voltadas aos teens, talvez até leve vantagem na comparação. Para quem revê ou vai assistir já no auge da maturidade a decepção deve ser certa, muito fraquinho para justificar o título imponente, uma única palavra que exprime pavor, tensão, aflição, receio... Pouco sentimos estas reações negativas, mas um ar de nostalgia inerente acaba ajudando a encarar a fita sem muito tédio.

Suspense - 96 min - 1996

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