domingo, 20 de julho de 2014

UMA COISA NOVA - AS SURPRESAS DO CORAÇÃO

Nota 3,5 Chato e previsível, romance explora o preconceito às avessas, o negro versus o branco

Estamos no século 21 e ainda existem sim muitos brancos preconceituosos, mas os negros também não ficam atrás. Ao mesmo tempo em que buscam seu lugar e respeito entre os caucasianos, também parecem almejar se cercarem ao máximo de pessoas de sua raça. Bem, como a certa altura esbraveja a protagonista de Uma Coisa Nova – As Surpresas do Coração, só quem diariamente é lembrado que é negro sente na pele o constrangimento e a necessidade de se firma como um igual. A trama de Kriss Turner gira em torno de Kenya McQueen (Sanaa Lathan), uma advogada que aparentemente tem tudo para ser feliz. Tem um trabalho de prestígio, é inteligente, sofisticada e muito bonita, um perfil que chamaria a atenção de qualquer homem, mas se casar é algo que ela não deseja a curto prazo. Contudo, ela se preocupa ao saber de uma pesquisa que aponta que boa parte das mulheres afro-americanas não consegue se casar. Além da lista de pré-requisitos básicos (bonito, alto, com padrão mínimo de vida e por aí vai) que já dificulta encontrar tantas qualidades em um mesmo homem, para a maioria das solteiras há outro empecilho. Elas querem um companheiro da mesma raça. De acordo com a educação que tiveram, lutar pela igualdade em termos sociais é válido, mas unir o sangue negro ao de um branco não é uma boa escolha. Diante das estatísticas, impulsivamente Kenya marca um encontro às escuras e para sua surpresa ela conhece o branquelo e loirinho Brian Kelly (Simon Baker), este que não demonstra qualquer objeção quanto a diferença de cor de pele, mas ela limita-se a ser educada, já tinha convicção de que teria que partir para outra. Na contramão, o destino parecia querer uni-los. Por um acaso eles se reencontram em uma festa e ela comenta que precisa arrumar o jardim da casa que acabara de comprar. Qual a profissão do rapaz? Paisagista é óbvio, assim eles começam a se encontrar com frequência durante a reforma e ele trata de jogar todo o seu charme. Conversa vai e conversa vem e eles estão apaixonados em um piscar de olhos. As amigas dela, também negras, vibram com a notícia, mas a garota que vestindo terninhos de cores sóbrias mostra-se tão confiante na realidade é cheia de grilos quanto a cor da sua pele e colocará tudo a perder.

A primeira crise do casal por incrível que pareça acontece simplesmente por causa dos cabelos de Kenya. Adepta de um aplique super liso, Brian a elogia ao ver suas madeixas mais naturais quando acorda, mas isso a irrita profundamente em um primeiro instante. Como o amor faz milagres, ela decide assumir seus cachos, mostra-se bem resolvida quanto aos preconceitos que tinha com ela mesma, mas basta uma reunião em família para todas as preocupações voltarem. Joyce (Alfre Woodard), sua mãe, ridiculamente lamenta que a filha tenha tirado o aplique, acreditava que os fios super lisos eram o sinal definitivo de sucesso da moça e seu irmão, o irritante Nelson (Donald Faison) que a cada nova aparição surge com uma namorada diferente, sempre negras obviamente, não gosta do cunhado pelo simples fato dele ser branco e força a barra para unir a irmã a Mark Hraper (Blair Underwood), um professor que teve na faculdade, um negro culto e bem vestido. Tentando se encaixar neste mundo onde os papéis se invertem e os brancos é que ficam no olho do furacão, Brian atura as piadinhas, as alfinetadas e até mesmo as ameaças, mas chega um momento que ele não suporta mais as lamentações da namorada quanto aos problemas com a família e no trabalho sempre envolvendo questões acerca dos tons de pele. No dia em que perde uma promoção para um jovem caucasiano de posição inferior a sua, tudo que Kenya precisava era do apoio do namorado, mas ele também teve um dia de cão e acaba falando o que não devia, assim abrindo caminho para Mark tentar conquistá-la e assim realizar o sonho perfeito da família McQueen. O amor perdoa tudo? E aquela história de que é nos momentos de raiva que as verdade são ditas? Com argumento bastante comum, Uma Coisa Nova – As Surpresas do Coração garante um passatempo sem nada a perder, mas poderia ir mais a fundo a respeito do preconceito e razões dos negros aparentemente buscarem a própria segregação. No fim, a diretora Sanaa Hamri comete os mesmos erros de seu trabalho anterior, Jogada Certa, apoiando-se em uma narrativa estressante de tão esquemática e mais uma vez enraizada em um universo insosso onde os brancos não têm vez, salvo o protagonista caso contrário não haveria filme.  

Comédia romântica - 100 min - 2006 - Dê sua opinião abaixo.

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