sábado, 7 de setembro de 2013

MATADORES DE ALUGUEL

Nota 3,5 Enfadonho e desperdiçando talentos, mescla de drama e suspense é um bom sonífero

Quais critérios você utiliza para avaliar se um filme é ruim, regular ou excelente? Teoricamente, um filme minimamente bom deveria deixar alguma lembrança positiva em sua memória ao seu término, podendo a mesma perdurar ativamente por tempo indeterminado. Porém, o que não faltam são filmes que prometem muito, mas no final das contas nos deixam com uma sensação estranha, de desagrado, ainda que um ou outro ponto relevante positivamente possa ser identificado. No caso de Matadores de Aluguel o destaque estaria na premissa, mas é uma pena que o enredo aos poucos vai ficando desinteressante, perde o foco e quando percebemos estamos contando ansiosamente os minutos para que o filme termine logo. O roteiro de William Lipz começa de uma forma clichê. Vemos um pouco da difícil infância de um garoto negro que mais a frente saberemos que sofreu um grande trauma, um problema que certamente o influenciou a entrar para a vida criminosa. Ele é Mickey (Cuba Gooding Jr.), ou simplesmente Mike, um matador de aluguel que conta com a parceria de Rose (Helen Mirren), uma mulher mais velha e que está enfrentando um período difícil por conta de um câncer. Certo dia a dupla recebe uma nova tarefa: matar Vicky (Vanessa Ferlito), esposa do inescrupuloso Clayton (Stephen Dorff) que acredita ter sido traído. Na emboscada, Rose não pensa duas vezes antes de atirar friamente na moça, mas se arrepende ao perceber que ela estava grávida. Com o coração amolecido por conta de seu estado de saúde, ela acaba fazendo o parto e abrigando o bebê e a mãe em sua casa, aliás, residência comprada exclusivamente para se tornar realmente um lar feliz e saudável para uma criança crescer. O tempo passa, Mike e Vicky acabam se apaixonando, mas fatalmente chegará a hora em que Clayton descobrirá que o serviço que contratou não foi bem feito e vai querer cobrar. A trama é tipicamente de produções menores e super previsível, mas o trabalho do diretor Lee Daniels, estreando no cargo, acaba ganhando certo status por trazer dois nomes de atores consagrados encabeçando o elenco (Dorff poderia ser o terceiro, mas acabou sendo apenas um projeto de sucesso esquecido). Todavia, Gooding e Mirren ganharam papéis sem brilho, assim como a história no conjunto deixa muito a desejar. Talvez seja por isso que foi tão difícil fechar o elenco após muitas especulações de possíveis nomes como Anjelica Houston e Ryan Phillipe para os papéis principais.

A primeira vista apenas parceiros de crime. Depois se entende que são madrasta e enteado ou que vivem alguma relação de proteção, mas não tarda para que Rose e Mike troquem beijos e carícias íntimas. Afinal o que eles são? Eles se conheceram quando ela já era uma mulher adulta e ele apenas uma criança assustada com as atitudes violentas do pai, porém, fica nas entrelinhas a ideia de que o caso amoroso deles já vem de longa data, talvez envolvendo até pedofilia. O envolvimento entre eles é a deixa para Gooding desnecessariamente exibir seu corpo seminu em várias cenas, mas não chega ao ponto extremo de mostrar o órgão genital como fez Dorff em mais uma sequência do tipo “enche linguiça”. É entre palavrões, tiros e cenas com apelo erótico que Daniels conduz seu filme de forma frouxa e sem envolver o espectador, mesmo com a virada de caráter do protagonista, mas a essa altura fica difícil torcer por um personagem tão vazio em termos de sentimentos, literalmente só músculos. Vicky também não é a típica mocinha indefesa, não desperta reação alguma no espectador, e o longa perde muito com a saída precoce de Mirren de cena. Seu personagem aparentemente tinha muito mais a ser explorado, principalmente o contraste entre a mulher sem piedade que era e a sentimental que se tornou por motivos de força maior, mas acaba sumindo para abrir caminho a uma narrativa rasteira e que não cumpre o que promete, culminando em um final rápido e com Mike encarnando o herói indestrutível que com alguns poucos golpes consegue detonar Clayton e seus capangas. Aliás, fora ser um compulsivo sexual e matar qualquer pessoa que atrapalhe o seu caminho, que tipo de criminoso ele é? Resposta fica por conta da imaginação de cada um. Além da má exploração da ideia principal, os personagens secundários também são inseridos apenas para rechear de vento o filme. Nem mesmo o médico Don (Joseph Gordon-Levitt), homem de confiança dos criminosos em casos de emergência, consegue injetar algum ânimo nas coisas, pois sabe muita coisa que a polícia adoraria saber, mas aí o roteiro poderia ficar muito intricado e Daniels preferiu subestimar a inteligência do espectador. Matadores de Aluguel é o típico filme a la “Super Cine”, começa fisgando sua atenção, mas da metade para o final parece fazer questão de erros, furos, excessos e clichês afinal de contas a essa altura os espectadores já estão sonolentos e pouco importa o que estão vendo.

Drama - 93 min - 2006

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