sábado, 29 de março de 2014

HENRIQUE IV - O GRANDE REI DA FRANÇA

Nota 7,5 Épico francês surpreende com sua qualidade técnica e narrativa focada em conteúdo

Filmes que retratam períodos históricos costumam ter seu público cativo e Hollywood tem investido pesado em produções do tipo, mas provavelmente não com a preocupação de levar algum conhecimento ao público e sim lucrar alto investindo em muitas cenas de batalhas para justificarem os altos ingressos das salas 3D e outras firulas que vendem tecnologia e não conteúdo. Na contramão desse movimento, é comum que algumas obras épicas europeias sejam lançadas diretamente em home vídeo e sem respaldo de publicidade, assim muito provavelmente só mesmo os fiéis clientes de locadoras físicas é que tomam conhecimento de tais produtos e isso se os funcionários derem aquela badalada no título para convencer o consumidor. Bem, quem indicar Henrique IV – O Grande Rei da França não poderá ser tachado de enrolador. Realmente esta superprodução entre a Alemanha e a França revela-se uma opção de qualidade que nos faz pensar ao final como ela não encontrou espaço em circuito de exibição comercial em meio a tanto lixo lançado semanalmente. Para quem gosta de História e está cansado de apenas conhecer o passado do Brasil, Portugal e quiçá EUA, o longa do diretor alemão Jo Baier é um prato cheio. Baseado no livro de Heinrich Mann, a trama escrita pelo próprio cineasta em parceria com Coocky Ziesche começa com um breve prólogo que situa o espectador a respeito do estado em que se encontrava a França em 1561. O país mais poderoso da Europa estava divido por uma guerra religiosa que escamoteava a cobiça por terras e poder. O lado católico era o mais populoso e o que controlava a corte em Paris, o que dificultava os avanços da minoria protestante, estes também conhecidos como huguenotes que pouco a pouco foram conquistando a confiança de quem estava descontente com o governo. Catarina de Médici (Hannelore Hoger) conduzia os assuntos do Estado e tentava a todo custo manter o direito ao trono sob sua batuta para proteger o futuro de seus três filhos. Nessa mesma época, crescia um adversário ainda ignorado pela família real na região sudoeste do país. Henrique de Navarra (Julien Boisselier) desde pequeno era metido a valente e tinha pompa de nobre herdada de seus pais, mas fazia questão de viver como um jovem comum entre os camponeses, mas uma profecia o apontava como um líder natural e quem daria novos rumos ao país.

Henrique cresceu sendo educado para ser rei por seu tutor, Gaspard de Coligny (Karl Markovics), um homem muito respeitado entre os huguenotes que fez o possível para instruir seu pupilo a levar os protestantes à vitória. O Sr. Beauvoise (Sven Pippig) é outra figura muito importante na vida do rapaz e também ajudou a alimentar seu ódio por tudo que era católico e a incentivá-lo a participar de batalhas. A fama de conquistador de mulheres foi um predicado que o próprio príncipe de Navarra tratou de construir, mas talvez esse detalhe tenha chamado a atenção de Catarina que surpreendeu a todos com o pedido de cessar os conflitos religiosos oferecendo como prova de sua palavra a mão de sua filha Margot (Armelle Deutsch) para Henrique, literalmente uma representação do casamento entre o catolicismo e o protestantismo, o símbolo da unificação religiosa. Margot detesta a ideia, mas sua reputação na corte também não é das melhores e seu jeito fogoso de ser acaba casando bem com a maneira impulsiva de agir do noivo. O início do relacionamento entre Henrique e Margot é na base do desejo sexual, mas a convivência acaba harmonizando o casal, ou melhor, quase isso. Após algum tempo juntos, o príncipe descobre que Catarina jamais quis a paz religiosa, mas sim pressioná-lo para que ele se convertesse também ao catolicismo e assim convencesse o seu povo a fazer o mesmo caso contrário uma guerra de extermínio seria instaurada. Com a recusa do genro, a rainha promove o episódio que ficou conhecido como o Massacre do Dia de São Bartolomeu, um verdadeiro banho de sangue comandado pelos católicos contra os protestantes. Henrique sobrevive a chacina, mas é feito prisioneiro durante quatro anos, tempo que usou para arquitetar um plano para virar o jogo a favor de seu povo e seus ideais. Apesar de algumas desnecessárias cenas de apelo sexual no início, Henrique IV – O Grande Rei da França tem foco genuíno no conteúdo histórico e envolve a contento o espectador, embora na reta final a atenção tenda a dispersar talvez pela longa duração do filme. De qualquer forma, é uma opção acima da média e com reconstituição de cenários, figurinos e fotografia de encher os olhos.

Drama - 148 min - 2010

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