segunda-feira, 21 de agosto de 2017

AMORES POSSÍVEIS

NOTA 8,0

A partir de um mesmo ponto de
partida, longa apresenta três versões
para o futuro de um casal em uma
narrativa envolvente e bem amarrada
O início da década de 1990 marcou a estagnação do cinema nacional, ou melhor, seu declínio, talvez sua pior fase. Empresas quebraram, o governo deu uma rasteira econômica nos produtores e os poucos filmes lançados foram finalizados a duras penas e provavelmente mais com o intuito de satisfazer o ego de seus realizadores. Público mesmo não esperavam. A segunda metade da década já foi marcada por um reaquecimento da indústria com produção mais regular, salas de exibição mais generosas e apoio para divulgação. A partir do ano 2000 as pessoas pararam de se envergonhar e começaram a assumir com orgulho: vou ao cinema assistir filme nacional! O mesmo acontecia com a ida às videolocadoras que então colocavam o acervo recente verde e amarelo em destaque, não mais escondidinho em um canto qualquer. Claro que para tanto a produção passou por uma recauchutada e os realizadores precisaram tentar se aproximar a um estilo mais hollywoodiano e Amores Possíveis é um bom exemplar. Não fez fortuna e tampouco levou multidões para as salas escuras, mas representou um salto qualitativo, tanto narrativo quanto de parte técnica. A trama entrelaça três possibilidades de encaminhamento para o futuro de Carlos (Murilo Benício) e Júlia (Carolina Ferraz), que marcaram de ir juntos ao cinema em uma noite chuvosa, mas a moça não apareceu. A partir disso a diretora Sandra Werneck devaneia sobre o que aquele desencontro poderia ocasionar em suas vidas quinze anos depois. O rapaz poderia se tornar um respeitado advogado, mas levar uma vida acomodada ao lado da esposa Maria (Beth Goulart) e ficar balançado ao reencontrar seu amor do passado. Em outra versão, ele até teria casado com Júlia e se tornaria pai, mas assumiria ser homossexual e trocaria a esposa por Pedro (Emílio de Mello), um colega com quem jogava futebol. Por fim, a terceira ideia seria a de que Carlos se tornaria um mulherengo dependente da mãe (Irene Ravache) evitando qualquer relacionamento sério até reencontrar a paquera do cinema através de uma agência de encontros acreditando de fato ela ser a mulher da sua vida.

domingo, 20 de agosto de 2017

O RIO SELVAGEM

Nota 6,0 Embora divirta, rara incursão de Meryl Streep no gênero de ação não faz jus a seu talento

Meryl Streep é reconhecidamente uma atriz dramática de mão cheia e esporadicamente surge em alguma comédia demonstrando mesma desenvoltura em fazer rir quanto para fazer chorar. Apesar de aparentemente não ter medo de desafios, atuar em outros gêneros não faz muito sua cabeça. Com dois Oscars em casa, uma premiação em Cannes e muitos outros prêmios e elogios da crítica e público em seu currículo, ela em 1994 não tinha necessidade de provar seu talento e força de vontade, mas surpreendeu ao protagonizar a aventura com toques de suspense O Rio Selvagem. A surpresa não é só pela estranheza em vê-la em uma produção que lhe exige mais força física que lágrimas, mas também porque o papel não está a altura de sua importância. Qualquer atriz mediana poderia dar vida à Gail Hartman, uma dona-de-casa que abriu mão de sua vida profissional para cuidar da família, embora sua relação com o marido Tom (David Straithairn) esteja indo de mal a pior por ele se preocupar demais com o trabalho. Com saudades de sua antiga rotina como guia turística, ela resolve comemorar o aniversário de Roarke (Joseph Mazello), seu filho mais velho, com um acampamento em família com direito a passeio de canoa pelas perigosas águas do Rio Salmon na região de Idaho, nos EUA, cujo percurso ela conhece como ninguém. O passeio segue outros rumos quando ganham a companhia de Wade (Kevin Bacon), um sujeito inicialmente bastante amistoso e que logo conquista a atenção do garotinho que passa admirá-lo pelas atitudes bacanas que seu próprio pai nunca teve com ele. Contudo, não demora para o rapaz se revelar um bandido e que havia planejado o encontro com esta família justamente porque precisa dos conhecimentos de Gail a respeito do trajeto do rio para conseguir atravessar a fronteira para o Canadá com uma fortuna roubada ao lado de seu companheiro de crimes Terry (John C. Reilly).

sábado, 19 de agosto de 2017

O IDIOTA DO MEU IRMÃO

Nota 5,5 Carisma e talento do protagonista segura as pontas em comédia que carece de clímax

O título certamente cairia como uma luva para um filme estrelado por Adam Sandler ou alguém do seu estilo fanfarrão, mas a alcunha O Idiota do Meu Irmão não deve ser levado ao pé da letra. Trata-se de uma comédia americana no melhor estilo independente, ou seja, acerca de personagens cheios de defeitos e problemas e que a certa altura da vida se veem forçados a reatar laços familiares, o típico tema desse tipo de produção. Ned (Paul Rudd) é um rapaz que sempre levou a vida na flauta como popularmente se diz. Vivendo do que ganha em uma barraquinha de orgânicos na feira, ele tira um extra vendendo maconha por fora, mas se dá mal quando cai na armadilha de um policial que mesmo fardado se faz passar por viciado. Desligado e ingênuo, o feirante acaba sendo preso em flagrante, porém, com sua bondade extrema ele acaba ajudando outros presos e tendo bom comportamento na cadeia, assim é liberado alguns meses antes do previsto sob regime de liberdade condicional. Todavia, a vida do lado de fora das grades não parou e sua namorada Janet (Kathryn Hahn) já está vivendo com outro homem e ele acaba sendo acolhido pela irmã Liz (Emily Mortimer), uma mãe de família neurótica que está sendo traída por Dylan (Steve Coogan), seu marido que praticamente não lhe dá atenção. Entretanto, sua companhia acaba trazendo alguns problemas de relacionamento para essa família e que o obrigam a passar alguns dias com suas outras irmãs, a frustrada repórter Miranda (Elizabeth Banks), que justamente agora ganha uma boa chance de trabalho, e a lésbica não tão convicta Natalie (Zooey Deschanel), que anda balançando quanto a seus reais sentimentos pela namorada Cindy (Rashida Jones). Nas temporadas que passa na casa de cada uma delas Ned vai as enlouquecendo com suas manias e atitudes sem noção ou pudor, principalmente seu costume de falar absolutamente tudo que lhe passa pela cabeça sem filtrar informações.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

CHRISTINE - O CARRO ASSASSINO

NOTA 8,0

Marco do terror, longa aborda
a carência de um jovem suprimida
pelo amor à um veículo que assume
uma posição de controle em sua vida
Ter medo de dirigir é algo bastante comum, mas ter fobia de um carro, em sua figura propriamente dita, é um tanto estranho. Contudo, o mestre do terror John Carpenter provou com Christine - O Carro Assassino que tal repulsa tem fundamentos e faz total sentido. Claro que isso no âmbito da fantasia, mais especificamente dentro do universo de outro mestre do gênero, o escritor Stephen King. A trama se passa em 1978 e tem como protagonista Arnold Cunningham (Keith Gordon), ou simplesmente Arnie, um adolescente não muito popular, sempre ameaçado pelos valentões e que vive à sombra de seu melhor amigo, Dennis Guilder (John Stockwell), o astro do time de futebol do colégio e alvo de desejo das garotas, o estereótipo do jovem de sucesso. O tímido rapaz ainda tem que conviver com sua mãe repressora, Regina (Christine Belford), que parece não querer que ele cresça. Sua vida muda completamente quando avista em um ferro-velho a carcaça da velha Christine, um glamoroso exemplar do Plymouth Fury vermelhão embora deteriorado, e torna-se obcecado pelo veículo. Ele junta suas economias e o compra passando a dar-lhe mais importância do que a tudo e a todos, inclusive sua família e Leigh (Alexandra Paul), a garota por quem era apaixonado. Dennis tenta ao máximo alertar o amigo sobre sua mudança de comportamento e obsessão pelo seu novo brinquedinho, mas diante das agressões e repulsa que passa a sofrer pouco a pouco começa a se afastar. Desse ponto em diante já é possível prever os próximos acontecimentos. Nesta relação de amor entre homem e máquina, onde o carro assume praticamente uma postura humana quanto ao ciúme e senso de justiça, o jovem Arnie não percebe suas mudanças de personalidade, mas tem consciência de que está encobrindo crimes cometidos pelo seu veículo que literalmente ganha vida quando se trata de proteger seu dono a quem deve sua segunda chance de sobrevivência. Detalhe, seu velho rádio interno serve como forma do possante se expressar, sempre com boas canções de rock, mas cujas letras são escolhidas a dedo para amedrontar qualquer um que estivesse dentro ou fora dele.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

UM AMOR DE VIZINHA

NOTA 4,0

Colocando novamente dois grandes
astros na condição de protagonistas,
romance não foge do convencional e nem
oferece oportunidades para brilharem
Michael Douglas e Diane Keaton já foram nomes disputadíssimos por diretores. Cada um com uma estatueta do Oscar em casa e com alguns sucessos de público e crítica nos currículos, é uma pena que nos últimos anos tenham sofrido com o preconceito da idade. A aura brilhante que carregavam pouco a pouco minguou e com os convites cada vez mais escassos se viram obrigados a aceitar participar de qualquer bobagem. Não que precisassem de dinheiro, mas para continuarem a se sentirem vivos e com dignidade, mesmo que fossem relegados a papéis coadjuvantes e muitas vezes desnecessários. O primeiro e tardio encontro da dupla em Um Amor de Vizinha os elevou novamente a condição de protagonistas, porém, um projeto apagadinho e que não oferece a oportunidade de mostrarem que o físico de um ator obviamente envelhece, mas seu talento permanece intacto ou até aperfeiçoado. Nesta comédia romântica voltada para a terceira idade Douglas vive Oren Little, um agente imobiliário sessentão que precisa realizar uma última grande venda para então usufruir de uma boa aposentadoria. A casa em questão é sua própria moradia onde agora vive sozinho após a morte da esposa e a partida do filho Luke (Scott Shepherd) viciado em drogas com quem não tem contato há anos. Rabugento, egoísta e solitário, mas com uma polpuda conta bancária, ele é a prova de que dinheiro não compra felicidade. Sua vida muda quando é obrigado a receber a neta em sua casa, Sarah (Sterling Jerins), prestes a completar dez anos e que até então não conhecia, enquanto seu filho cumpre uma temporada na prisão. No entanto, é óbvio que inicialmente ele não tem o menor traquejo com a menina, assim ela passa alguns dias hospedada com Leah (Keaton), uma adorável e prestativa vizinha, mas com quem Oren vive trocando farpas, para variar. Todavia, eles tem algo em comum: dificuldades para lidar com assuntos mal resolvidos do passado, principalmente perdas.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

DIAS INCRÍVEIS

NOTA 6,0

Mais um exemplar da safra de
comédias sobre homens que não querem
amadurecer, filme não aprofunda o tema,
apoiando-se no humor dos protagonistas
Prorrogar ao máximo a juventude, esse é sem dúvida o maior sonho de todas pessoas e o cinema por diversas vezes se aproveitou de tal devaneio, mas a mensagem final geralmente é a mesma: viva intensamente o momento, envelhecer é preciso. Passar por procedimentos estéticos e viver de remédios ditos milagrosos apenas retardam rugas, mas algum sinal de que a idade avançou mais cedo ou mais tarde aparecerá. E como lidar com o espírito da juventude que teima em não amadurecer? Pensando nisso, tem uma turma de atores americanos que se especializou em lidar com tal temática e praticamente criou um subgênero para a comédia. Nos últimos anos tem se popularizado as fitas de humor focando as desventuras de trintões e quarentões que precisam na marra aceitar que já não são adolescentes, mas sempre que tentam dar um passo adiante parece que há uma força sobrenatural que os puxa para retroceder outros dois. Dias Incríveis segue bem essa linha e traz um trio bastante representativo encabeçando o elenco e que resolve exorcizar as mágoas da vida adulta voltando aos bons tempos da escola literalmente. Mitch (Luke Wilson) sofreu uma decepção amorosa quando voltou de viagem e encontrou a namorada em sua casa praticando swing. Frank (Will Ferrell) conseguiu se casar, mas basta o mínimo contato com alguma lembrança dos tempos de escola para que perca as estribeiras e não se importe de sair pelado correndo pelas ruas. Já Beanie (Vince Vaughn) também casou e tem filhos, mas não trai a mulher, embora sinta saudades de quando era livre e sem as responsabilidades de assumir uma família. Quando Mitch aluga uma casa dentro de um campus universitário, os amigos logo lançam a ideia de montar uma república estudantil à moda antiga, ou seja, um lugar para homens se reunirem e darem altas festas com muita música, bebidas e mulheres, muitas mulheres. Logo na primeira balada tem a presença luxuosa do rapper Snoop Doggy. Como pagaram seu cachê?... Bem, isto é uma comédia, então vale tudo, até mesmo um cantor famoso acostumado com multidões aceitar fazer um pequeno show em um jardim.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O SEGREDO DA CABANA

NOTA 8,0

Com base em uma trama comum
de fitas de horror, longa desconstrói
chavões do gênero e surpreende com
final que reverencia monstros sagrados
Um grupo de jovens decide passar um final de semana em uma isolada cabana no meio de uma floresta, uma viagem movida a bebidas, drogas, sexo e.... Mortes! Tal argumento caberia como uma luva para centenas de títulos, assim como se encaixa perfeitamente para O Segredo da Cabana, mas não se engane com a alcunha genérica. Este não é um filme de terror convencional, mas uma produção ímpar que ao mesmo tempo reverencia, desconstrói e também parodia (não no sentido pejorativo) chavões do gênero tendo como referência óbvia o cultuado (e também odiado em proporções semelhantes) The EviL Dead – A Morte do Demônio. Quando Sam Raimi realizou sua obra maldita ele ainda era apenas um aspirante a cineasta, mas transbordava criatividade e paixão por fazer cinema. Provavelmente não lhe passava pela cabeça de que o filme que realizou aos trancos e barrancos e na base de trucagens caseiras viria a se tornar um modelo para tantos outros diretores, ainda que os trabalhos dos pupilos por acaso inevitavelmente deixassem transparecer certa deficiência de personalidade. Não é o caso da fita em questão. Basicamente deitando e rolando sobre os principais clichês do cinema de horror, a fita nem de longe lembra o estilo tosco e debochado da série Todo Mundo em Pânico graças ao tom de homenagem adotado pelo diretor Drew Goddard, co-roteirista do superestimado Cloverfield - Monstro no qual precisou segurar as rédeas de sua imaginação em nome do suspense. Em sua estreia na direção, agora ele pôde  literalmente exorcizar seus monstros. A metalinguagem se faz presente do início ao fim revelando os mecanismos que sustentam as produções de terror. A aguardada viagem que os estudantes planejavam a meses na realidade é uma armação da equipe de um macabro reality show onde cada um deles tem um personagem definido de acordo com suas personalidades para fins de estudos de psicologia ou algo assim. Dana (Kristen Connoly) é a puritana e certinha do grupo, Jules (Anna Hutchinson) é garota sexy e burra, Curt (Chris Hemsworth) é o esportista metido a valentão, Holden (Jesse Williams) faz as vezes do nerd sedutor e Marty (Fran Kranz) é o chapadão da galera, porém, com inteligência acima da media e o único a sacar os clichês dos filmes de terror que passam a atrapalhar a viagem.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

NÃO É MAIS UM BESTEIROL AMERICANO

NOTA 5,5

Parodiando comédias e romances
teens, longa é acima da média para
seu estilo e com boas citações a filmes da
época e também clássicos da década de 1980
No ano 2000 Todo Mundo em Pânico foi produzido com uma ninharia e faturou alto, muito alto, achincalhando os filmes de terror e alguns sucessos da época de outros gêneros. Não demorou muito para produtores despertarem interesse pela paródia de gêneros e assim é que surgiu Não é Mais um Besteirol Americano, uma brincadeira em cima de comédias e alguns poucos dramas voltados para os jovens. O título original seria algo como "não é outro filme de adolescentes", mas tanto ele quanto a alcunha que ganhou no Brasil não vendem corretamente a ideia da fita. Este é sim mais um filme para adolescente e também é mais um besteirol americano, porém, que surpreendentemente conta com algumas boas piadas como a inserção de um número musical com as entonações e coreografias calcadas no exagero do exagero. A trama principal, parodiando Ela é Demais, tem como protagonista Janey Briggs (Chyler Leigh), uma estudante de um tradicional colégio para riquinhos e metidos, mas quem não segue um padrão estético definido automaticamente é marginalizado. É bem o caso. Mal vestida, com óculos chamativos e um rabinho de cavalo broxante, ela não tem muitos amigos e sonha em se tornar uma famosa artista plástica. Sem querer ela acaba entrando na mira de Jake Wyler (Chris Evans), o bonitão do colégio que aposta com os colegas que conseguirá transformar a garota mais feia do pedaço na rainha do baile de formatura. Enquanto isso, o time de futebol americano dos estudantes, liderado pelo próprio Jack assumindo o lugar do capitão Reggie Ray (Ron Lester), seu melhor amigo que corre risco de vida após um acidente, está enfrentando problemas no campeonato que estão disputando por despreparo do novo líder, a desculpa perfeita para as líderes de torcida darem aquela forcinha se exibindo em minúsculas roupas e em coreografias sensuais para os rapazes, como a piriguete Priscilla (Jaime Pressly).

domingo, 13 de agosto de 2017

O PAIZÃO

Nota 7,5 Despretensiosa e divertida, comédia já ditava o estilo de trabalho de Adam Sandler

Muitos homens fogem como o Diabo da cruz quanto a ideia de se tornarem pais. Assumir responsabilidades, ter que alterar suas rotinas e de certa forma perder a liberdade que tanto se orgulham de ter são alguns dos empecilhos de colocar um filho no mundo. E o que dizer de caras dispostos a encarar o desafio por amor a uma criança que literalmente bate à sua porta sem mais nem menos? Esse é o plot da comédia O Paizão, mais uma entre tantas comédias semelhantes no currículo de Adam Sandler, na época já um astro nos EUA, mas no Brasil um ilustre desconhecido. Na trama que o próprio assina como produtor e o roteiro em parceria com Steve Franks e Tim Herlihy, ele dá vida ao boa-vida Sonny Koufax, rapaz formado na faculdade de direito, mas que se contenta com a merreca que ganha trabalhando como cobrador em um pedágio em Nova York, ao contrário de seus amigos que exercem a profissão e ganham altos salários. Sua preocupação no momento é a todo custo provar para namorada Vanessa (Kristy Swanson) que não é nenhum inútil e assim reconquistá-la. O pé na bunda era o que ele precisava para acordar para a vida e amadurecer. No entanto, essa mudança de vida só é possível a partir do momento que conhece o pequeno Julian (papel revezado pelos gêmeos Cole e Dylan Sprouse), um garotinho de cinco anos que é abandonado com um bilhete da mãe pedindo para procurar certo homem. Sonny não é o tal cara, mas de imediato compra a ideia da adoção pensando em reconquistar a namorada, mas não esperava se afeiçoar tanto ao menino. A transição de adolescente fanfarrão para adulto responsável é feita de maneira convincente. O roteiro aborda várias situações em que ele educa o garoto como se fosse um amigo dando conselhos ao outro, claro que a maioria reprováveis, mas dentro de seu universo perfeitamente aceitáveis, até seus amigos aprovam. Somente quando é criticado por alguém de fora de seu circuito de amizades é que lhe cai a ficha dos erros que está cometendo.

sábado, 12 de agosto de 2017

40 DIAS E 40 NOITES

Nota 7,0 Com temática sexual, comédia surpreende com texto mais maduro e piadas inteligentes

Todo homem gosta em uma roda de amigos de bancar o pegador e se conseguir levar para cama mais de uma mulher em uma mesma noitada melhor ainda. Agora, será que alguém se gabaria de passar muito tempo sem sexo? Esse é o desafio que o jovem Matt Sullivan tenta vencer na comédia 40 Dias e 40 Noites, uma espécie de filhote não-reconhecido da franquia American Pie. Vivido por Josh Hartnett, colhendo frutos do épico Pearl Harbor e então uma promessa de astro que não vingou, o protagonista acaba de terminar de forma desastrosa o relacionamento com Nicole (Vinessa Shaw) e cai na farra. Como numa espécie de vingança contra o sexo feminino ele passa a dormir com praticamente todas as garotas que cruzam seu caminho, como se a maioria fosse se importar de ser usada. Contudo, ele passa a enxergar em todas as mulheres o semblante da ex e decide que é hora de dar um tempo em sua vida sexual e faz uma promessa a si mesmo: ficará uma temporada sem qualquer tipo de contato físico com o sexo oposto. Pensamentos que induzam a masturbação também são proibidos durante pouco mais de um mês. Inicialmente ele até resiste as tentações e conta com o apoio de seu irmão John (Adam Trese), que está estudando para ser padre e aconselha o irmão quanto aos pecados da carne, mas quando conhece Erica (Shannyn Sossamon), que julga ser a companheira ideal, seus planos de castidade podem ir por água abaixo. Eles começam a ter encontros frequentes amigavelmente, mas esfriar os hormônios não será nada fácil. O rapaz sofre pressão dos amigos para deixar a promessa de lado, tudo para ganharem um bolão promovido por Ryan (Paulo Costanzo) que lançou a proposta em uma página na internet. Com lances de grana alta em jogo e a participação de desconhecidos, a vida sexual do jovem então passa a ser acompanha com torcida e atenção como uma final de Copa do Mundo.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PETS - A VIDA SECRETA DOS BICHOS

NOTA 7,0

Apesar do ritmo frenético, tramas
paralelas e personagens cativantes,
animação fica a dever a diversão e
curiosidade prometidas em seu título
Quem nunca imaginou o que deve fazer seu bichinho de estimação quando ele está sozinho em casa? Será que ele dorme o tempo todo? Fica admirando a paisagem pela janela? Ou na mesma posição que fica quando seu dono se despede pela manhã permanece até a sua volta? Explorar tal ideia é o argumento que sustenta Pets - A Vida Secreta dos Bichos. Ou assim deveria ser. A publicidade do filme vendia a fantasia de que na ausência de seus tutores por algumas horas os animais curtiam baladas alucinantes e zoavam a torto e a direito com outros vizinhos pets. Umas duas ou três cenas de fato traduzem este espírito anárquico, mas o roteiro em si apresenta uma outra proposta explorando a jornada de personagens reencontrando o caminho de casa, mas também aprendendo como é a vida longe do conforto de seus lares. Max é um cãozinho com pedigree acostumado aos paparicos de sua dona e que aproveita todas as regalias de seu apartamento durante o dia enquanto ela sai para trabalhar. Quando ela volta ele a enche de carinhos como retribuição, mas certa noite uma surpresa faz seu mundo perfeito cair. Ela chega em casa acompanhada de Duke, um vira-lata peludo e grandalhão com quem agora terá que aprender a dividir as atenções e seu espaço físico. À primeira vista os cãezinhos já se estranham, não só pelo ciúme, mas também pelo choque de personalidades, afinal um é extremamente mimado e organizado enquanto o outro é espaçoso e desordeiro. Em uma das brigas que travam eles acabam indo parar no meio da rua e passam a ser caçados não só pelo controle de zoonoses como também por um bando de malvados felinos e por uma gangue de animais rejeitados. A dupla então se mete em uma série de aventuras enfrentando o trânsito caótico de Nova York, o submundo das tubulações de esgoto e os perigos oferecidos pelas construções e monumentos da cidade. E assim o filme se resume a muita ação e poucos conflitos. Os animais correm de um lado para o outro, soltam piadinhas visuais ou em diálogos aqui e ali, mas seus perfis são bastante limitados. Sabemos apenas o estritamente necessário para diferenciar os mocinhos da turminha do mal, embora é bom destacar a inversão de personalidade de alguns poucos personagens.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A CASA DAS COELHINHAS

NOTA 3,0

Apesar do argumento principal
explorar a valorização da imagem,
comédia dispensa aprofundamentos e
pega leve até mesmo com piadas picantes
Não é só no Brasil que a revista Playboy já não goza mais do prestígio de outrora. Com a popularidade da internet, a publicação deixou de ter o gostinho de proibido que aguçava adolescentes e que garantia milhões de dólares mensalmente na conta bancária de seu criador Hugh Hefner. Todavia, ainda há muitas garotas que sonham em se tornar coelhinhas, nome carinhoso dado as ninfetas que estampam as edições, e a famosa mansão de mesma alcunha continua enraizada no imaginário masculino. Nela vivem lindas jovens com corpos esculturais e que passam dia após dia se divertindo em festas a beira piscina e com pouquíssima roupa. Bem, na verdade essa imagem da Mansão Playboy é mais uma especulação, mas não deve ser muito diferente do que vemos na comédia A Casa das Coelhinhas, que não só homenageia ao mesmo tempo que debocha do status ilusório que este universo paralelo adquiriu, como também retrata uma problemática intrínseca à cultura jovem dos EUA. Se você não é popular você não existe. Será mesmo? Shelley Darlingson (Anna Faris) é uma das dondocas que habita o casarão, mas ao atingir 27 anos, o que em sua "carreira" é como se já beirasse a terceira idade, ela acaba sendo expulsa. Na verdade ela é vítima de uma de suas coleguinhas invejosas que arma uma cilada que a faz crer estar sendo dispensada, isso sem ter tido a honra de ser fotografada para algum ensaio. Como nunca trabalhou ou estudou, simplesmente viveu de pernas para o ar e fazendo caras e bocas, a moça se vê sem rumo e vai bater na porta de uma irmandade onde apenas patricinhas populares e ricas vivem, mas para sua surpresa é logo de cara dispensada. Transtornada, literalmente ela cai na frente da Zeta Alpha Zeta, o lar que abriga as estudantes desajustadas, problemáticas e nerds. O local está sob ameaça de ser fechado pela universidade por falta de interesse de novas moradoras em dividir o espaço e então Shelley encontra a maneira perfeita para pagar sua estadia: ajudando as garotas a mudarem de vida, tornando-as atraentes e alvo de cobiça dos rapazes, assim a casa viraria sinônimo de alegria e diversão e atrairia novas hóspedes. Detalhe: ela vira a líder das perdedoras sem nem mesmo ser uma estudante, contrariando uma regrinha básica das tais irmandades. Todavia, sua personalidade altiva perante a postura cabisbaixa de suas pupilas a rotulam naturalmente como um ser superior, um modelo a ser seguido.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A FAMÍLIA FLYNN

NOTA 7,5

Baseado em fatos reais, drama
comove com história de reencontro
de pai e filho com passado conturbado,
mas arrastado último ato prejudica obra
Saber lidar com os infortúnios da vida não é nada fácil. Assumir fracassos ou frustrações menos ainda. Histórias baseadas em fatos reais do tipo sempre foram uma grande fonte de inspiração para o cinema, mas o que não é comum é que o próprio personagem da vida real participe da realização de seu filme autobiográfico. A Família Flynn não só é inspirado no livro de memórias "Another Bullslit Night in Suck City" escrito pelo romancista Nick Flynn como ele próprio é um dos produtores. A narrativa aborda suas difíceis lembranças da infância e juventude e seu complicado relacionamento com seu pai. Interpretado por Paul Dano na fase adulta, Nick é posto para fora de casa após trair a namorada e está precisando de um emprego que lhe ofereça estabilidade. Já alimentava o sonho de ser escritor há um bom tempo, mas ainda assim duvidava de seu próprio talento e o destino parecia lhe negar a chance de melhorar de vida. Em suas andanças acabou conhecendo dois rapazes de índole duvidosa e foi morar com eles em um imóvel que ocupavam ilegalmente. Vivendo no submundo, inevitavelmente acabou caindo no vício das drogas e só não deu continuidade a sua degradação graças ao apoio de Denise (Olivia Thireby), uma jovem que trabalha em um abrigo para sem-tetos. Eles começam a namorar e ela lhe consegue um emprego no local. Quando acredita que as coisas estão melhorando, sua tranquilidade é abalada por um telefonema de Jonathan (Robert De Niro), seu pai que não via e nem mesmo conversava há quase vinte anos. Quando o filho era pequeno ele foi preso por alguns delitos, o que explica o afastamento entre eles, mas também sempre foi um homem desajustado, violento, alcoolatra, preconceituoso e homofóbico. Parece que todos os adjetivos negativos se encaixam na descrição de seu perfil que também engloba a mania de grandeza e o sentimento de superioridade. Considerando-se um grande contador de histórias, acredita que os EUA teve apenas três grandes escritores e é óbvio que ele seria um deles, embora por toda a sua vida tenha se dedicado a escrever um calhamaço sem fim que ninguém nunca leu, mas que autointitula como o maior romance americano de todos os tempos.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O MISTERIOSO CASO DE JUDITH WINSTEAD

NOTA 3,0

Apesar da boa proposta, montar um
documentário com edição de imagens de
um caso de possessão demoníaca,
fita entedia com ritmo lento e poucos sustos
Zumbis, assassinos mascarados, monstros, casas assombradas, eventos sobrenaturais... O gênero terror possui diversas vertentes e é interessante que os estilos e temas acabam marcando determinadas épocas. A década de 1980 ficou rotulada pelas fitas de horror trash, a década seguinte pelo revival dos seriais killers e os anos 2000 pelo ápice do cinema gore. Em paralelo as vísceras expostas e torturas sem limites, os primeiros anos do novo milênio também serão lembrados por uma técnica em específico que se encaixa em todos os estilos citados no início: o found footage. Compilação de imagens de vídeos caseiros, o recurso caiu como uma luva para ajudar a contar histórias de arrepiar supostamente reais, mas tudo que é demais não tarda a enjoar. Desde o final de 1999 quando A Bruxa de Blair causou frisson e faturou alto vendendo a ideia de um filme exclusivamente editado a partir de fitas encontradas em uma floresta onde adolescentes desapareceram, muitas outras produções tentaram repetir o sucesso imbuídos do espírito altruísta de que para fazer cinema basta uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. A realidade não é tão fácil assim e com exceção de Atividade Paranormal filmes do tipo costumam dar prejuízos o que nos leva a questionar o porquê de alguns diretores ainda apostarem no estilo. O Misterioso Caso de Judith Winstead procurou dar um gás para à técnica assumindo a identidade de um documentário, mas para um filme cujo principal objetivo é aterrorizar o espectador o casamento de gêneros falhou. Fora um ou outro momento, no geral não impacta e tampouco assusta na medida necessária. Acompanhamos com tédio a história escrita e dirigida por Chris Sparling, do pouco visto Enterrado Vivo, apesar de seus esforços para oferecer algo diferenciado.  A trama nos apresenta o Dr. Henry West (Willian Maphother), cientista que em meados da década de 1970 criou o Instituto Atticus, local para estudos psicológicos voltado para pessoas com habilidades especiais.  Muitos pacientes foram submetidos a diversos testes para verificação de atividades paranormais, alguns poucos casos de fato comprovados e tantos outros considerados fraudes, mas nenhum deles desafiou tanto a equipe médica quanto o episódio da jovem do título.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

MORTDECAI - A ARTE DA TRAPAÇA

NOTA 3,0

Estranha e confusa, comédia
comete o pecado de não ser engraçada
e atuação afetada de Johnny Depp
revela necessidade de se reciclar
Johnny Depp é reconhecidamente um ator que não tem vergonha em literalmente vestir um personagem e por muitas vezes se entregou de corpo e alma às bizarrices de seu amigo pessoal Tim Burton, o diretor com quem mais trabalhou. Com outros no comando, é fato que ele tem certas dificuldades e não rende o esperado. Uma rara exceção foi a criação do excêntrico Jack Sparrow em parceria com Gore Verbiski que dirigiu os três primeiros filmes da série Piratas do Caribe. Não é a toa que nos demais episódios das aventuras pelos sete mares o ator apenas repetiu trejeitos e caras e bocas, seus diretores não souberam extrair vivacidade do papel. Sim, Depp é o tipo do ator que parece deixar transparecer quando não está a vontade em uma produção e é essa a sensação que temos ao assistir Mortdecai - A Arte da Trapaça, mais uma tentativa do astro em provar que não precisa ser refém de personagens (não tão) bizarros e tampouco se aposentar representando um pirata trapaceiro, bêbado e de sexualidade duvidosa. Contudo, não se pode dizer que com este filme esperava ser levado a sério, afinal o objetivo é fazer graça com as peripécias do personagem-título. Charles Mortdecai é um conhecido negociador de obras de artes que conhece muito bem as artimanhas e vigarices que movimentam este meio. Ele próprio é um vigarista de mão cheia. Casado com Johanna (Gwyneth Paltrow) e tendo Jock (Paul Bettany) como seu fiel escudeiro, ele está passando por dificuldades financeiras, o que o obriga a colocar a venda algumas das preciosidades de seu acervo pessoal. Sabendo da crise, o inspetor Martland (Ewan McGregor) pede a ajuda de Mortdecai para solucionar o mistério em torno do assassinato de uma restauradora de quadros que no momento de sua morte trabalhava em um valiosa pintura do espanhol Goya que sumiu. Ele aceita a tarefa, pois ao final poderá ter sua dívida com o governo abonada e assim viaja na companhia de seu guarda-costas para várias partes do mundo para descobrir o paradeiro do quadro, deixando assim o caminho livre para o inspetor dar em cima de sua mulher por quem é apaixonado desde a juventude.

sábado, 5 de agosto de 2017

TAMARA

Nota 3,5 Com uma ou outra morte criativa, longa se arrasta com sua previsibilidade e chatice

Quando nos sentimos rejeitados ou humilhados a primeira e mais natural reação é desejar que algo de ruim aconteça a quem nos machucou, porém, o tempo é o melhor remédio e percebemos que muitas vezes o episódio negativo acabou sendo positivo, nos fazendo crescer emocionalmente e ajudando a nos tornarmos pessoas melhores... Bem, são belas palavras que sempre são proferidas quando querem nos consolar, mas só quem sofreu a ação sabe o quanto é doído. Os noticiários vira e mexem lançam histórias estarrecedoras de casos de problemas banais que acabaram virando histórias de polícia, algumas até com mortes como desfechos. Pela busca da autoafirmação, ser aceito em grupos ou por paixões avassaladoras, a maioria das agressões e óbitos acontecem na faixa etária adolescente, justamente a qual pertence a protagonista da fita de terror Tamara, cuja trama inicialmente aborda a questão do bullying, mas rapidamente engrena por outro caminho esquivando-se de discussões sérias e satisfazendo de certa forma os mórbidos desejos daqueles que tem dificuldades para perdoar a quem lhe fez mal. Sim, se você está com raiva de algum colega da escola ou trabalho aqui consegue aliviar a tensão, mas lembre-se não faça o mesmo na vida real. Jenna Dewan interpreta a reclusa personagem-título que é alvo de chacota por parte dos bonitões e gostosonas do colégio por não ser muito atraente e tampouco popular. Aluna muito aplicada, ela nutre uma paixão platônica pelo professor Bill Natoly (Matthew Marsden) e isso é descoberto por outros estudantes que veem nessa fofoca uma maneira de se vingarem da garota que publicou uma matéria no jornal da escola acusando membros do time de futebol de fazerem uso de drogas. O grupo então monta uma elaborada pegadinha de mau gosto na qual fazem a garota acreditar que o professor corresponde sua paixão e marcaria um encontro em um motel. Enquanto se prepara para o amado, no quarto ao lado Shawn (Bryan Clark), Chloe (Katie Stuart), Jesse (Chad Faust), Patrick (Gil Hacohen), Kisha (Melissa Elias) e Roger (Marc Devigne) se divertem vendo tudo que acontece ao vivo através de uma câmera escondida.

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