domingo, 29 de abril de 2018

MEU MONSTRO DE ESTIMAÇÃO

Nota 7,0 Mesclando fantasia e realidade, fita entretém adultos e crianças sem subestimar

É curioso, mas desde pequenos somos encorajados por nossos pais a não crer em monstros, todavia, o cinema está aí para plantar no imaginário coletivo dos pequenos tais criaturas, sejam elas malvadas ou do bem. Neste segundo caso se enquadra o ser fantástico que motiva a trama de Meu Monstro de Estimação, baseado no livro "The Water Horse" do inglês Dick King-Smith, o mesmo autor da obra que inspirou o clássico Babe - O Porquinho Atrapalhado. A famosa lenda do monstro do lago Ness é contada aqui por um senhor de idade (Brian Cox, em pequena participação) para dois jovens turistas a passeio pela Escócia, uma ótima opção para apresentar paisagens diferenciadas ao espectador. Ele narra um curioso episódio vivido ha muitos anos por um garotinho chamado Angus MacMorrow (Alex Etel), que vivia em um casarão com sua mãe Anne (Emily Watson) e a irmã Kristie (Priyanka Xi) e aguardava ansioso o retorno de seu pai, Charlie (Craig Hall), que fora convocado para se juntar à Marinha durante o período da Segunda Guerra. Sem amigos para brincar, seu passatempo predileto era apanhar conchas na beira da praia, embora não entrasse no mar por não saber nadar, e certo dia é surpreendido com algo estranho que encontra, uma pedra diferente de tudo que já havia visto e decide levar para casa. Não demora muito para descobrir que na verdade aquilo era um ovo de alguma espécie de animal estranho. Com pena do filhotinho que ganha o nome de Crusoé, em homenagem ao famoso conto do náufrago homônimo, Angus o trata como se fosse um cachorrinho de estimação, mas às escondidas para a família não descobrir. Em paralelo, sua casa recebe hóspedes, um batalhão do exército liderado pelo disciplinado Capitão Thomas Hamilton (David Morrissey), cumprindo ordens do pai do garoto. Também chega à residência o misterioso Lewis Mowbray (Ben Chaplin) que é contratado como uma espécie de zelador da propriedade e de imediato passa a ocupar a antiga oficina de Charlie, o que acaba estremecendo sua relação com Angus que, de certa forma, acredita que o rapaz está tentando tomar o lugar de seu pai.

sábado, 28 de abril de 2018

A NOITE É DELAS

Nota 2,5 Temática masculina sob o prisma das mulheres resulta em um nonsense constrangedor

Qual o pior pecado de uma fita de humor? Provavelmente apresentar nos trailers as suas ou até mesmo sua única cena divertida. É desse mal que padece A Noite é Delas, a versão feminina, ou melhor, a tentativa fracassada de emplacar mais um sucesso seguindo o estilo de humor de Se Beber Não Case!. Na comédia que acabou virando trilogia, um grupo de amigos vai para Las Vegas a fim de curtir uma despedida de solteiro e se mete em grandes enrascadas sem lembrarem de um minuto sequer do que aprontaram durante a noitada. A variante cor-de-rosa segue linha parecida com um grupo de amigas se reunindo em uma luxuosa casa de praia em Miami para festejarem os últimos momentos de solteira de uma amiga. Jess (Scarlett Johansson) é a noiva que vai se encontrar com quatro de suas melhores amigas, sendo apenas uma fora do saudoso grupo dos tempos de faculdade, para uma festinha particular recheada de brinquedinhos eróticos, mas o ponto alto do encontro é a visita de um stripper, mas não são bem seus músculos e requebrado que vão tirar o sono dessa mulherada. Alice (Jillian Bell), a entusiasmada da turma, fica mais maluca que de costume a ponto de se esquecer que passa longe de ser um peso pluma. Resultado, ao pular em cima do saradão ele não aguenta o tranco, cai e acaba batendo a cabeça na quina de uma mesa falecendo imediatamente para desespero da noiva que não parece muito preocupada com o casamento e sim em manter sua imagem intacta visto que pleteia uma vaga na política. Em meio a loucura do momento elas só pensam em se livrar do corpo de qualquer maneira, mas por estarem drogadas e bêbadas preferem fazer isso com as próprias mãos sem meter a polícia no meio. Eis a deixa para reações inesperadas de cada uma delas, como o ataque de ciúmes de Alice ao perceber que Jess está muito mais íntima da australiana Pippa (Kate Mckinnon) com quem conversa rotineiramente pela internet. Resquícios de Missão Madrinha de Casamento? Sem dúvidas.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

BURLESQUE

NOTA 5,0

Encontro de estrelas da música
de épocas distintas resulta em algo
frio, sabotado por uma trama simplória
que apóia-se em belos números musicais
Tal qual os westerns, os musicais já tiveram sua fase de ouro e renderam grandes clássicos, mas hoje são considerados opções de risco ou de ousadia por quem faz cinema. Ainda assim, existem pessoas que acreditam no gênero, ainda mais quando se tem em mãos possíveis trunfos. Com canções pop, danças bem coreografadas, edição em ritmo frenético, belos e insinuantes figurinos destacados em todo seu brilho em cenários propositalmente escuros, enfim Burlesque tem todo o glamour que uma produção do gênero pede, mas ainda tem duas cartas na manga. Apoiando-se na publicidade do encontro de Cher e Christina Aguilera, duas grandes estrelas da música e de épocas completamente diferentes, o longa de estreia do diretor Steve Antin, que também assina o roteiro, poderia ter sido um sucesso nos moldes de Moulin Rouge ou Chicago, mas não basta impactar visualmente e contar com a fidelidade dos fãs das cantoras. Uma boa história para contar é fundamental. Famosa por seu vozeirão, Aguilera fez seu debute nas telonas interpretando Ali, a típica garota do interior que vai com a cara e a coragem tentar a vida na cidade grande acreditando na realização de seus sonhos. Em Los Angeles ela vem a conhecer uma decadente casa de shows, a Burlesque Lounge, onde belas garotas se apresentam em números de danças sensuais (não são shows de strip-tease), mas não cantam de verdade, é tudo na base do playback. Tendo ciência de seu poderoso timbre de voz, Ali logo tenta uma vaga como artista da casa alegando poder cantar de verdade, porém, a dona do pedaço é jogo duro. Cher surge com seu natural jeito de diva na pele de Tess que demonstra altivez e deixa claro que não gosta que palpitem na maneira como conduz a boate, aliás, diga-se de passagem, o local passa por problemas financeiros, mas visto que todas as noites não há praticamente uma mesa vazia só podemos concluir que de fato, para o show continuar, algumas coisas precisam mudar. Ali não se importa com a negativa que recebe e como não dá ponto sem nó logo dá um jeitinho de conseguir um emprego como garçonete com a ajuda de Jack (Cam Gigandet), o barman que tem talentos para compositor, mas tem vergonha de expor seus dotes artísticos, porém, os seus físicos não faz questão alguma de esconder. De imediato eles começam a flertar, mas ficar servindo bebidas e assistindo de camarote as apresentações das colegas não é suficiente para a moça.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

SERÁ QUE ELE É?

NOTA 8,5

Sem deixar a diversão de lado, longa
aborda o homossexualismo de forma
respeitosa através de um boato que põe
em xeque a masculinidade de um homem
A ideia para um roteiro pode surgir de onde menos se espera. Uma palavra ou imagem, algum acontecimento ou notícia, enfim, basta um olhar atento e criatividade e uma boa história pode surgir. Quando recebeu o Oscar por sua atuação em Filadélfia, Tom Hanks fez questão de agradecer em frente as câmeras à Rawley Farnsworth, um antigo professor de artes dramáticas assumidamente homossexual e que de certa forma o inspirou para sua laureada interpretação. O homenageado havia permitido a citação de seu nome, assim a declaração não causou mal estar a ninguém, contudo, assistindo a este momento o produtor Scott Rudin e o roteirista Paul Rudnick, de A Família Addams 2, logo imaginaram o contrário da situação. E se o agradecimento acabasse expondo ao ridículo a imagem de um homem idôneo e convicto heterossexual? Assim surgiu Será Que Ele É?, uma deliciosa comédia e pela primeira vez um sucesso de bilheteria que aborda o homossexualismo de maneira divertida, mas sem apelar para piadas de difamação ou retratando os gays como promíscuos condenados a morte por doenças venéreas. Cameron Drake (Matt Dillon) é um jovem ator que vence o maior prêmio do cinema interpretando um militar gay que assume o relacionamento com um colega de combate, diga-se de passagem, a brincadeira de colocar uma longa sequência destacando a sua atuação "arrebatadora" (na verdade puro pastiche) é uma alfinetada aos votantes do prêmio que adoram premiar atuações que levantam bandeiras. Ao subir ao palco para agradecer, ele menciona ao vivo que sua inspiração veio de Howard Brackett (Kevin Kline), um antigo professor que não se intimidou em sair do armário. O problema é que o próprio mestre não sabia desta sua opção sexual. Isso mesmo! Após tal declaração, sua pacata rotina muda completamente com todos, inclusive ele mesmo, questionando sua sexualidade. Prestes a se casar com Emily Montgomery (Joan Cusack), após um noivado arrastado por anos, ela prefere acreditar que tudo não passa de um mal entendido, mas como não duvidar da masculinidade de um homem que vira e mexe demonstra trejeitos afeminados, vai para o trabalho alegremente pedalando sua bicicleta usando sapatos mocassim, cultiva um visual impecável e roupas engomadinhas e, o fator principal, é um fã confesso de Barbra Streisand... Suspeito. Muito suspeito.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

SEXTA-FEIRA 13 (2009)

NOTA 4,5

Tentativa de resgatar um dos
ícones do cinema dos anos 80
soa frustrante, não agradando fãs
antigos e tampouco novas plateias
Falar que é apaixonado por cinema, mas simplesmente dedicar atenção apenas aos filmes lançamentos é um dos maiores pecados daqueles que desejam a alcunha de cinéfilo de carteirinha. Para fazer uma análise mais profunda de qualquer filme, mesmo os mais recentes, é preciso se informar sobre seus bastidores, tentar descobrir o que levou produtores a investir em determinado produto. São inúmeros fatores que influenciam nessa decisão e quanto as refilmagens, embora sempre previamente massacradas pela crítica, não se pode negar que elas têm histórias curiosas por trás das câmeras para serem contadas. Nesses casos talvez a melhor maneira para apreciá-las seja esquecer a contemporaneidade e imaginar o que aquele filme significou em sua época de lançamento original. Só assim (e com muito esforço) para encontrar alguma graça em Sexta-Feira 13 lançado em 2009, produção que para alguns é uma refilmagem, para outros mais um capítulo da série de terror oitentista ou ainda para as novas gerações um filme de horror carregado de novidades. Sim, para alguns o formato é um tanto desgastado, mas há quem tenha visto algo novo neste trabalho do diretor Marcus Nispel, o mesmo que relançou O Massacre da Serra Elétrica em 2003 em grande estilo. Pena que nesta reinvenção de outro clássico do terror o cineasta erre em diversos pontos resumindo-se a um festival de clichês. Para entender o porquê de tentarem resgatar a franquia vamos a um breve histórico da obra. O filme original foi lançado em 1980, está longe de ser uma obra-prima do gênero, mas serviu para saciar a sede de sangue e masoquismo dos fãs de Halloween - A Noite do Terror, do cultuado John Carpenter, lançado dois anos antes. Começava assim a moda dos slasher movies ou dos filmes sobre seriais killers, assassinos psicopatas que por onde passam deixam dezenas de vítimas. O sucesso foi enorme e com a invenção dos videocassetes e das videolocadoras o gênero estourou, pois o que era proibido para menores de idade nos cinemas ou só passava na TV tarde da noite então estava disponível para qualquer um e a qualquer hora. Bastava fazer amizade ou ter lábia para falar com o atendente da loja que os adolescentes faziam a festa e assim o personagem Jason Vorhees, que morreu afogado ainda criança, mas retornou do além já bem crescido e fortão para matar quem estivesse na sua frente, tornou-se popular e protagonizou outros nove longas-metragens, fora seu retorno pelas mãos de Nispel. Olhando toda sua saga cinematográfica, é possível perceber que o famoso assassino do acampamento de Crystal Lake não surgiu por acaso. Provavelmente já se pensava em continuações, talvez uma trilogia. No primeiro filme era a mãe de Jason quem tinha o instinto assassino, sendo que apenas no segundo ele toma o posto de vilão propriamente dito usando um saco para esconder seu rosto deformado. A icônica e amedrontadora máscara de hóquei só foi incorporada ao personagem no terceiro capítulo.

domingo, 8 de abril de 2018

A ESTRANHA VIDA DE TIMOTHY GREEN

Nota 7,0 Em clima fantasioso, longa aborda adoção e aceitação do diferente, mas não se aprofunda

Já diz o ditado, quem casa quer casa, e ainda poderíamos acrescentar mais uma coisinha: também quer ter filhos. É certo que hoje em dia há muitos casais que preferem levar literalmente uma via a dois para todo o sempre, sabemos que a instituição familiar está em crise ou em constante fase de aperfeiçoamentos, mas também temos ciência de que é um desejo quase unânime de quem sobe ao altar poder gerar uma criança. Quando é preciso encarar a frustração de não poder realizar tal sonho, não são todos que conseguem manter a harmonia do relacionamento e muitas separações tem como ponto inicial um momento que deveria ser de reflexão, parceria e avaliações de novas possibilidades. A Estranha Vida de Timothy Green apresenta em flashbacks a curta, porém, riquíssima experiência de um jovem casal que teve a oportunidade de experimentar os prazeres e dissabores de serem pais adotivos por alguns dias do garoto do título, interpretado pelo carismático C. J. Adams, que literalmente brota de dentro da terra da noite para o dia. Cindy (Jennifer Garner) e Jim Green (Joel Edgerton) estavam cabisbaixos após diversas tentativas de terem um filho biológico e certa noite, embriagados, começam a divagar sobre como seria a criança perfeita e listam as características em um papel que guardam em uma caixinha de madeira e enterram em seu jardim. Durante a madrugada, uma forte chuva cai e o casal acorda com uma estranha ansiedade e começa a vasculhar a casa como se tivessem tido algum sonho premonitório e eis que em um dos cômodos, mais especificamente no quarto que haviam reservado para o tão sonhado rebento, encontram Timothy completamente sujo de terra. Tal fato deveria surpreender os Green, mas eles o encaram com certa normalidade, como se estivessem colhendo o que eles plantaram poucas horas antes. O menino também não demonstra estranheza e logo já está os chamando de pai e mãe.  O casal decide assumir a adoção, mesmo com um detalhe peculiar que certamente acarretaria especulações: o menino tem folhas que crescem em suas pernas. Todavia, o que significa essa excentricidade diante de tantas características positivas de seu perfil? Educado, sincero, prestativo, cativante... Enfim, o filho perfeito!

sábado, 7 de abril de 2018

PINÓQUIO (2002)

Nota 6,0 Belo visualmente, adaptação italiana de clássico infantil afugenta com seu histrionismo

Ganhar um Oscar sem dúvidas é o maior sonho de um ator, uma láurea que se já é difícil de ser conquistada por um americano para os estrangeiros é uma dádiva que não só dignifica seu nome, mas colabora e muito para o desenvolvimento do cinema de seu país, contudo, sabemos que existem inúmeros artistas que após colocarem as mãos na famigerada estatueta dourada viram suas carreiras irem por água abaixo e até com certa velocidade. O italiano Roberto Benigni só faltou dançar a tarantela quando ouviu seu nome ser anunciado duas vezes na premiação de 1999 por sua atuação e também por assinar a produção do belíssimo A Vida é Bela. Para os brasileiros, sua euforia ofereceu um gostinho amargo de decepção pela derrota de nosso Central do Brasil, tão emocionante e bem realizado quanto o drama de guerra vencedor. Contudo, seu projeto pós-Oscar (e tantos outros lançados depois) demonstram que o alegre ragazzo contou com um belo golpe de sorte. Pinóquio, sua versão para o clássico conto infantil de seu conterrâneo Carlo Collodi, no qual também se encarrega de interpretar o protagonista, obviamente foi escolhido para representar a Itália na disputa por uma vaga no Oscar 2003, mas toda a expectativa depositada em cima da produção virou poeira em questão de poucos dias após seu lançamento. A história, co-escrita por Vincenzo Cerami, não difere muito de outras tantas adaptações que já narravam as desventuras do famoso boneco de que ganha vida própria, mas sonha em tornar-se um menino de verdade. Gepetto (Carlo Giuffrè), um velho e solitário marceneiro, certo dia encontra um belo pedaço de madeira e de imediato se sente incentivado a esculpir a sua melhor marionete, mas tem uma grata surpresa quando sua criação demonstra poder falar, se movimentar e até pensar. Como qualquer criança travessa, Pinóquio adora se meter em confusões e mentir para poder escapar dos problemas, mas sua desonestidade é sempre denunciada por seu nariz que cresce a cada história que inventa.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

PLEASANTVILLE - A VIDA EM PRETO E BRANCO

NOTA 9,0

Usando com criatividade a
metalinguagem e os efeitos especiais,
longa faz ótimas críticas à hipocrisia de
uma sociedade com medo de transformações
Quem nunca ouviu alguém mais velho relembrando como a vida era boa antigamente? Para quem passou longe dos considerados bons tempos do século 20 o cinema é uma ótima fonte de referências para ter uma ideia sobre costumes, moda, comportamento entre outras coisas cotidianas, influências que certamente geraram desdobramentos futuros. Se quando lançado Pleasantville - A Vida em Preto e Branco já carregava um irresistível apelo nostálgico por resgatar a década de 1950, visto anos mais tarde a experiência é ainda mais gratificante por também servir como um retrato do finzinho daquele século. O diretor e roteirista Gary Ross então oferecia um filme que de certa forma reverenciava o cinemão clássico de Hollywood apostando em uma singela, porém, belíssima fotografia em preto-e-branco. Poderia ser apenas um detalhe técnico, mas tal escolha é peça fundamental da narrativa cuja ideia central é fugir de padronizações impostas. A trama começa em época contemporânea ao lançamento do filme, mais especificamente o ano de 1998, nos apresentando aos irmãos David (Tobey Maguire) e Jennifer (Reese Witherspoon), jovens estudantes que na sala de aula são bombardeados com péssimas notícias e estatísticas a respeito do mundo para um futuro não muito distante. O mercado de trabalho ficará cada vez mais acirrado, o efeito estufa poderá destruir o planeta, a juventude se tornará refém de doenças derivadas de atos prazerosos e por aí vai. O rapaz é muito pacato e foge dessa triste realidade curtindo seu passatempo preferido que é assistir "Pleasantville", um seriado das antigas e politicamente correto ao extremo, enquanto sua irmã já é bem mais inquieta, namoradeira e não é uma audiência cativa do programa. Certo dia eles discutem por conta do controle remoto da televisão que acaba quebrando ao cair no chão. Imediatamente um técnico (Don Knotts - ele próprio um veterano em seriados) é chamado e lhes oferece um novo acessório e com o apertar de um simples botão a dupla acaba parando em um passe de mágica dentro da tal sitcom que se passa em uma cidade fictícia que é uma verdadeira utopia. Lá tudo é perfeito e os intrusos do futuro acabam virando personagens da trama, porém, intencionalmente ou não, suas ações moderninhas acabam desvirtuando este mundo ideal, a começar pelas cores que começam a tomar conta deste acinzentado ambiente, para alegria de alguns e a ira de muitos outros. Há então uma ruptura desta sociedade puritana.

domingo, 1 de abril de 2018

HOP - REBELDE SEM PÁSCOA

Nota 7,5 Produção infantil recicla com sucesso a fórmula do bichano quer quer ser famoso

Se existem aos montes filmes a respeito da época do Natal ou do Dia das Bruxas, por que não dar chance também para o feriado de Páscoa? Pegando o gancho na popular data festiva em que as trocas de chocolates são as principais marcas, o diretor Tim Hill conduziu Hop – Rebelde Sem Páscoa, mistura de produção live-action com animação nos mesmos moldes da franquia Alvin e os Esquilos, projeto do próprio cineasta. O roteiro de Brian Lynch, Cinco Paul e Ken Daurio tem dois protagonistas vivendo em universos completamente opostos. Junior é um coelho adolescente que adora tocar bateria e sonha em fazer sucesso no mundo da música, mas seu pai deseja que ele dê continuidade à tradição milenar de sua família e se torne o seu sucessor no cargo de Coelho da Páscoa oficial. Ele tenta convencer o pai de que seu caminho é outro, mas não tem sucesso e assim parte para a cidade grande onde acredita que poderá enfim se tornar um grande astro. Ao chegar lá, por pouco ele não é atropelado por Fred Lebre (James Marsden), um trintão que tem sido pressionado pela família para que enfim consiga um emprego e deixe a casa dos pais. Após a surpresa inicial por encontrar um coelho falante, Fred aceita levá-lo até a mansão onde está trabalhando como vigia enquanto o dono está viajando. Apesar dos problemas iniciais de adaptação, eles se tornam amigos, assim Fred topa ajudar Junior a conseguir espaço no cenário musical. Enquanto isso, uma conspiração está sendo organizada contra o pai do coelhinho rebelde organizada pelo ganancioso Carlos que deseja tomar o controle da produção de doces todo para ele. Para quem presta atenção em detalhes, é inegável que surjam ideias que gerem comparações entre o citado filme dos esquilos e o do coelhinho, a começar pelo fato dos bichinhos de ambas as produções adorarem música pop e terem um humano meio perdido na vida como agente e grande amigo. O sucesso dos músicos também é a glória de seus tutores, assim como a fofura e a tagarelice dos protagonistas se equiparam. Porém, as semelhanças não atrapalham o resultado final e só mesmo os mais chatos devem resmungar.

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