segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO

NOTA 7,0

Embora siga os clichês dos filmes
de assassinos mascarados, trama
ágil, com clima adequado e vitalidade
do elenco conquistam o espectador
O final da década de 1990 foi marcada pela volta dos slashers movies graças a revitalização que Pânico e sua primeira sequência trouxeram ao campo do terror. Obviamente dezenas de outras produções tentaram pegar carona nessa onda, mas todas qualitativamente revelaram-se inferiores. Desta safra salvam-se um ou outro título entre eles Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, que está longe de ser um marco, mas é bem melhor que qualquer Sexta-Feira 13 da vida mesmo com mote semelhante. Um pequeno toque e o argumento continua bastante atual e interessante. Vivemos em uma época em que ameaças podem ser feitas pela internet e se o autor delas não for perspicaz e arquitetar um engenhoso plano facilmente pode ser identificado. Fotos que podem ser manipuladas digitalmente, redes sociais, emails, torpedos... Existe um grande arsenal de, digamos, armas brancas para se amedrontar alguém, da mesma forma que elas também estão disponíveis para a vítima se defender e descobrir quem a persegue. Agora imagine-se vivendo em uma época em que a comunicação se não fosse via telefone era por meio de cartas ou bilhetes através dos quais um sádico podia se esconder atrás de uma caligrafia diferenciada ou escrevendo ameaças com letras recortadas de jornais e revistas. Pior ainda se os recadinhos amedrontadores tivessem fundamentos e você com culpa no cartório. É essa sensação de ser vigiado e de que a qualquer momento um segredo obscuro poderá vir a tona que vivenciam quatro jovens que após uma noite de festa e muita bebedeira acabam por atropelar acidentalmente um homem em uma estrada deserta. Inconsequentes, eles preferem não levar o caso à polícia e fazem um pacto de se livrar do corpo jogando-o ao mar e de que nunca mais tocariam no assunto, porém, a amizade deles nunca mais será a mesma... Nem suas vidas. A data para que voltem a ser atormentados é emblemática: próxima a 04 de julho (verão no hemisfério norte, inverno para nós), dia da independência dos EUA, uma comemoração pelo heroísmo da sociedade estadunidense, postura que os protagonistas do filme precisam adotar caso queiram sobreviver.

domingo, 13 de janeiro de 2019

O NOIVO DA MINHA MELHOR AMIGA

Nota 2,5 Com mote nada original e triângulo amoroso fraco, coadjuvantes seguram as pontas

Em 1997, O Casamento do Meu Melhor Amigo trouxe certo frescor ao já batido campo das comédias românticas contando uma história agradável e divertida comandada por um então jovem elenco em ascensão. Uma década depois O Melhor Amigo da Noiva tentou pegar carona não só no título do sucesso estrelado por Julia Roberts, mas a trama em si guardava certas semelhanças, porém, sem personagens carismáticos. Mais alguns anos se passam e O Noivo da Minha Melhor Amiga chegou para embolar ainda mais as coisas entre casamentos e melhores amigos, todavia, desta vez o título rebuscado e nada original faz jus ao conteúdo. O mote é similar aos longas citados. Rachel (Ginnifer Goodwin) e Darcy (Kate Hudson) são amigas inseparáveis desde a infância e o casamento de uma delas deveria ser motivo de alegria para ambas, não de discórdia. Rachel deixou escapar sua oportunidade de viver um grande amor quando apresentou Dex (Colin Egglesfield), seu colega no curso de direito, para a garota que sempre gostou de ser o centro das atenções e nunca teve papas na língua. Conhecendo o perfil da amiga, introvertida, com baixa auto-estima e centrada nos estudos, Darcy não pensa duas vezes antes de se atirar nos braços do rapaz. Rola algum sentimento entre eles, aquele típico caso dos opostos que se atraem, e o tempo passa rápido e não demora muito e já estão de casamento marcado, obviamente tendo Rachel convocada para ser a madrinha. Numa festa em comemoração ao seu aniversário de 30 anos a jovem advogada bebe um pouco além da conta e acaba passando a noite com o namorado da amiga. Ela já nutria uma paixão platônica por ele desde a juventude e tardiamente descobre que o sentimento é recíproco. Contudo, não seria tarde para assumirem a paixão? Dex tem receio de magoar a noiva, assim como Rachel não quer perder a sua grande amiga, porém, se amam de verdade e não querem viver como amantes.

sábado, 12 de janeiro de 2019

A INQUILINA

Nota 1,0 Mesmo com roteiro investindo em uma inversão de papeis, suspense é frio e arrastado

Dizem que existe uma maldição que ronda quem é premiado com o Oscar. A atriz Sally Field foi premiada como melhor atriz em 1979 por Norma Rae e cinco ano mais tarde por Um Lugar no Coração. Depois disso entrou numa maré de azar emendando papéis coadjuvantes e sem destaque e trabalhos para a televisão. Foram quase três décadas de espera até voltar a brilhar no tapete vermelho, desta vez como atriz coadjuvante por Lincoln. Será que a trajetória de Hilary Swank será parecida? Vencedora da estatueta dourada por Meninos Não Choram e Menina de Ouro, também prêmios em um curto espaço de tempo, depois disso ela tem estrelado verdadeiras bombas, salvo um ou outro trabalho. A Inquilina é mais um para engrossar a lista. Elá dá vida à Juliet, uma médica que está passando por um momento difícil após ser traída pelo namorado e decidida a procurar um novo endereço para ajudar a dar novos rumos a sua vida. Por coincidência ela recebe um telefonema com uma oferta inacreditável para alugar um apartamento em um antigo edifício. Max (Jeffrey Dean Morgan), o proprietário do imóvel, acolhe cordialmente a nova inquilina, mas logo nas primeiras noites a moça percebe que o local é estranho, com barulhos amedrontadores de madrugada. Em paralelo as noites mal dormidas, Juliet passa a flertar com seu senhorio, mas a relação com este homem aparentemente gentil e inofensivo pode se revelar um perigo iminente para esta fragilizada mulher. E a trama é essa. Bem manjada e pronto! O roteiro de Antti Jokinen e Tobert Orr não perde tempo criando desnecessárias situações de sustos e logo deixa clara a obsessão de Max pela médica, esta que tende a considerá-lo apenas um amigo, mesmo com uma latente tensão sexual entre eles.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

QUERIDA, ENCOLHI AS CRIANÇAS

NOTA 8,0

Divertida e nostálgica, mescla
de aventura e comédia ainda é
entretenimento garantido sem se
tornar refém de efeitos especiais
E.T. - O Extraterrestre, Os Goonies, Willow - A Terra da Magia, Labirinto - A Magia do Tempo, Viagem Insólita... Estes são apenas alguns títulos que mesclavam aventura, comédia e fantasia que marcaram a geração oitentista, mas entre eles não há nenhum com a chancela Disney de qualidade. Por um longo período o estúdio mergulhou em um abismo criativo, embora hoje algumas animações da época sejam consideradas clássicas como Aristogatas e Bernardo e Bianca. Mesmo com a criação de uma subsidiária especialmente para tocar projetos voltados ao público infanto-juvenil com atores de verdade, as cifras arrecadadas não justificavam os investimentos. O peso da morte do senhor Walt Disney se refletia visualmente na qualidade e lucros da sua produtora, até que já beirando a entrada da década 1990 uma luz no fim do túnel fora apontada. Disposta a recuperar seu espaço não só no campo da animação, impulsionada pelo sucesso de A Pequena Sereia, mas também como fábrica de blockbusters,  a empresa apostou em uma ideia relativamente simples. Querida, Encolhi as Crianças trata de um tema fascinante e já explorado diversas vezes pelo cinema e pela televisão. O que acontece quando uma pessoa é reduzida ao tamanho de uma formiga? Ou melhor, quando adquire altura menor ainda que a de um inseto? É isso que ocorre às inocentes vítimas de uma máquina miniaturizadora inventada pelo frustrado professor Wayne Szalinski (Rick Moranis) que sem perceber o que aconteceu em seu laboratório caseiro acaba varrendo os próprios filhos e os do vizinho junto com o lixo. Nick (Robert Olivieri), que com seus grandes óculos e estilo nerd não nega a vocação para seguir os mesmos passos que o pai, e sua irmã mais velha Amy (Amy O'Neill) então se veem obrigados a unir forças com o adolescente Junior (Thomas Wilson Brown) e o sarcástico garoto Ron (Jared Rushton), os herdeiros do mal humorado Russ Thompson (Matt Frawer).

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

APOCALYPTO

NOTA 8,0

Carente de registro fidedigno,
cultura maia é destaque em longa
que é um deleite para os olhos, mas
somente para quem tem estômago forte
Na ativa desde meados da década de 1970 e tornado-se símbolo do cinema de ação, tendo as franquias Mad Max e Máquina Mortífera como destaques em seu currículo, Mel Gibson construiu uma carreira vitoriosa como ator, mas desde que experimentou o gostinho de assumir o comando das câmeras sua trajetória profissional deu uma grande guinada. Após estrear como diretor discretamente no drama O Homem Sem Face, não demorou muito e logo abocanhou o Oscar pelo épico Coração Valente e então passou a atuar menos, mas nem por isso passou a dirigir um filme atrás do outro. Como cineasta bissexto, Gibson decidiu dar as costas ao cinemão americano e passou a se dedicar a projetos que o desafiassem na direção e produção. Assim, em 2004, causou frisson o lançamento de sua polêmica visão de A Paixão de Cristo, longa no qual dispensou o idioma inglês e afrontou a indústria hollywoodiana adotando os dialetos aramaico, latim e hebraico e obrigando os americanos a lerem legendas (eles odeiam e também não suportam dublagens). Abusando da violência explícita para retratar o calvário das últimas horas de vida de Jesus, ele tirou uma modesta quantia de sua própria conta bancária para custear seu duvidoso projeto, mas conseguiu faturar trocentas vezes mais que o valor investido e isso o incentivou a realizar um novo e excêntrico sonho. Certo que há público para apreciar coisas diferentes e afoito a oferecer uma experiência tão visceral e sensorial quanto seu trabalho anterior, Gibson mergulhou de cabeça na realização de Apocalyto, aventura épica abordando a cultura de um povo erradicado. Dividido em três atos bem específicos roteirizados pelo próprio em parceria com Farhad Safinia, o longa é ambientado na época da queda do império maia na América Central em meados do século 9. Com as parcas colheitas devido a falta de chuvas, os governantes desta civilização acreditavam que a solução para o problema agrícola envolveria erigir mais templos e oferecer um maior número de sacrifícios humanos para aplacar a ira de seu Deus.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

AMIGAS COM DINHEIRO

NOTA 6,0

Com alguns diálogos e situações
divertidas e críticas e estética e
narrativa de seriado, longa faz um
ligeiro retrato da classe média
Um grupo de amigas reunidas em torno de uma mesa de jantar e às gargalhadas. Elas não são mais adolescentes em busca de seus príncipes encantados. Já estão entre os 30 e 40 e poucos anos de idade, são bem resolvidas em suas vidas amorosas e realizadas na profissão. Bem, essa é a impressão que nos passa uma das cenas principais de Amigas com Dinheiro, porém, por trás da aparente felicidade todas elas têm seus problemas pessoais, mas suas finanças estão perfeitamente saudáveis. Todavia, uma delas em especial é a patinha feia da turma, ou melhor, a patinha sem dinheiro, já que beleza tem de sobra em Jennifer Aniston, apresentada como o nome principal do elenco, mas que divide a cena com coadjuvantes de peso e no final das contas todos acabam nivelados ao mesmo nível de importância na trama. O título seria perfeito para um enredo que mostrasse os dilemas de adolescentes patricinhas às voltas com compras de roupas e supérfluos, mas felizmente o caminho aqui é outro. A premissa pode vender a falsa ideia de esta ser mais uma simplória e repetitiva comédia romântica, mas em suas entrelinhas encontram-se críticas à classe média norte-americana (que também serve para os riquinhos de outros países, incluindo o Brasil), um retrato que, embora estereotipado em alguns momentos, procura desmascarar a falsa felicidade em que muitas pessoas vivem imersas, mas não espere algo na linha do premiado Beleza Americana por exemplo. Escrito e dirigido por Nicole Holofcener, responsável por alguns episódios de seriados com alma feminina como “Sex and the City” e “Gilmore Girls”, é perceptível que o longa procura repetir a estética e o estilo narrativo televisivo, incluindo um clima leve que para os mais desatentos pode ajudar a resumir a obra como apenas uma bobagem na qual um bando de mulheres sem ter o que fazer procuram nos pequenos detalhes do cotidiano alguma razão para se ocuparem, seja brigando com seus parceiros ou metendo o bedelho na vida das amigas. O roteiro segue o dia-a-dia de quatro amigas de infância que hoje estão numa fase mais madura e vivem em um bairro nobre de Los Angeles. Frannie (Joan Cusack) é uma boa dona de casa e organiza eventos beneficentes, Jane (Frances McDormand) é uma estilista respeitável e Christine (Catherine Keener) é um promissora roteirista.  A quarta mulher do grupo é Olivia (Anniston) que mesmo sendo uma professora formada não consegue ter um emprego fixo e ganha a vida como diarista. Todas elas se encontram com certa frequência, mas temas ligados a finanças ou ostentação procuram ser evitados, porém, sempre rola alguma saia justa que Olivia acaba levando na esportiva.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O CORAJOSO RATINHO DESPEREAUX

NOTA 8,0

Longa busca resgatar a fórmula
de contos de fadas e fugir dos padrões
das animações contemporâneas, mas se
atrapalha com a reunião de muitos temas
Ratinhos fofinhos e cativantes não são novidades nos filmes infantis. Minnie e Mickey Mouse, os camundongos amigos da Cinderela e a dupla dinâmica de roedores Bernardo e Bianca atravessam décadas conquistando gerações e provando a empatia destes bichinhos com seu público-alvo. Já O Pequeno Stuart Little alcançou expressiva popularidade junto aos adultos enquanto Ratatouille catapultou os bichanos ao patamar máximo, oferecendo além de uma animação de primeira também uma história que une com perfeição criatividade, diversão e emoção. Depois dessa aclamada produção Disney/Pixar ficou difícil para algum roedor alcançar o mesmo nível de repercussão. O Corajoso Ratinho Despereaux bem que tentou caprichando no visual, mas falhou no roteiro que não flui com naturalidade abordando vários assuntos. Temos em cena um herói inesperado, uma princesa incompreendida, um alguém precisando de redenção, uma jovem sonhadora, um rei amargurado e uma tragédia que mudará a trajetória de todo um reino. Ufa! Muitos temas para uma animação que a primeira vista visa crianças pequenas tendo como principal mensagem não subestimar pelas aparências. O ratinho que dá título ao longa nasceu dotado de extrema coragem, mas na Terra dos Camundongos isso não é encarado como uma virtude. Por lá impera a filosofia de que somente temendo os humanos, os gatos e alimentando o medo pelo desconhecido é que os roedores garantem suas sobrevivências. Detalhe, ratazanas não fazem parte do grupo, são automaticamente banidas para o subterrâneo. Amante da literatura, principalmente de aventuras épicas nas quais se imagina no papel principal de herói, Despereaux é motivo de preocupação para seus pais e professores pelo simples motivo de ser diferente dos demais de sua espécie que literalmente devoram livros com seus grandes dentes. Apresentar o protagonista desta maneira é o que se esperava, porém, antes do nascimento do camundongo de orelhas desproporcionais ao seu franzino corpo, ficamos conhecendo a história de Roscuro, uma ratazana que ao cair acidentalmente dentro do prato de sopa que seria servido à rainha, não só provoca a morte súbita da majestade pelo susto como também leva o rei a mergulhar em uma profunda depressão e a tomar duas medidas drásticas que mudariam a rotina de todo o Reino de Dor, sugestivo nome para a crise que a região se encontrará.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O CLUBE DE LEITURA DE JANE AUSTEN

NOTA 7,0

Misturando humor, drama e
romance, longa faz agradável
relação da vida de personagens com
as obras da famosa escritora inglesa
Hoje com o apelo de informações e distrações oferecidos pela internet, programação de TV dia e noite ininterruptas, aplicativos de relacionamentos, estresse pelo corre-corre do dia-a-dia, os apuros do trânsito, entre tantas outras distrações e problemas, quem ainda pensa em sentar em um lugar tranquilo, se acomodar relaxadamente e desfrutar do conteúdo de um bom livro? Se já é difícil para muitos reservar um tempo livre para tal passatempo, que dirá se reunir com um grupo de amigos para discussões literárias. Para intelectuais pode ser que encontros do tipo sejam corriqueiros, mas para pobres mortais que precisam se desdobrar para fazer o tempo render isso é quase uma utopia. Talvez seja essa aura de sonho o que mais encante em O Clube de Leitura de Jane Austen, um filme agradabilíssimo, mas difícil de classificar em um gênero específico. Tem romance, pitadas de drama e situações de humor totalmente verossímeis e cotidianas desprovidas de qualquer tipo de exageros ou histrionismos. O tal clube que intitula o longa é uma criação de Bernadette (Kathy Baker), uma cinquentona que contabiliza seis divórcios, mas mesmo sozinha no momento mantém um espírito jovem e divertido. Apaixonada pelos romances de Jane Austen, ela tem a ideia de montar um grupo de debate sobre os livros enquanto aguardava a entrada para um festival de cinema baseado nas obras da escritora inglesa. Na fila de espera ela conhece Prudie (Emily Blunt), uma professora de francês com problemas de relacionamento com a mãe e que se sente rejeitada pelo marido. A rápida conversa antes da sessão revela que os problemas pessoais de ambas são parcialmente sublimados quando submergem nas histórias da romancista, famosa por traduzir o universo feminino da forma mais apaixonante e fidedigna possível. Assim, fica estabelecido que elas precisam encontrar mais quatro mulheres que compartilhem o mesmo gosto de leitura. A cada mês uma delas ficaria encarregada de organizar uma reunião para discutirem suas percepções a respeito de um livro de Austen. Então juntam-se ao grupo Sylvia (Amy Brenneman), que está abalada ao descobrir que após quase vinte anos de união seu marido está apaixonado por outra, e sua filha Allegra (Maggie Grace), uma jovem orgulhosamente lésbica que adere ao clube simplesmente para poder ficar mais próxima da mãe e confortá-la nesse momento difícil.

domingo, 6 de janeiro de 2019

TURMA 94 - O GRANDE ENCONTRO

Nota 5,0 Com humor crítico, argumento sobre aceitação e maturidade cairia melhor a um drama

Ambiente universitário, descolados versus manés, Jack Black no elenco... Tá aí! Eis mais uma comédia escrachada, daquelas que rimos do início ao fim do constrangimento alheio. Quem assistir Turma 94 - O Grande Encontro pensando assim irá se decepcionar. O filme realmente diverte e se apoia em algumas situações vexatórias, mas é uma daquelas produções que tem muito mais conteúdo do que deixa transparecer a embalagem. Fala sério, com um título como o que ganhou no Brasil, de fato, é para espantar qualquer espectador. Escrito e dirigido pela dupla Andrew Mogel e Jarrad Paul, roteiristas de Sim Senhor, a trama tem como protagonista Dan Landsman (Black), um zero à esquerda na época do colégio e que ainda na vida adulta é um frustrado inveterado. Ele não consegue manter contato social com ninguém, a não ser com seus filhos, sua esposa (Katherine Hahn) e seu chefe (Jeffrey Tambor), talvez mais por necessidade do que por prazer. Mesmo não sendo muito popular, ele se impôs a missão de organizar a reunião que marcaria o reencontro dos estudantes após duas décadas. A festa tem tudo para ser um fiasco, a começar porque praticamente nenhum ex-aluno confirmou presença com antecedência e Landsman tem certeza que ele próprio é o problema, todos o detestam. No entanto, ele descobre por acaso que um dos antigos colegas, o popular Oliver Lawless (James Marsden), agora vive em Los Angeles e se tornou um famoso ator. Assim ele decide ir procurar o cara para convencê-lo a participar da festa, assim usando-o como chamariz para bombar o evento, mas é claro que as coisas não saem bem como o esperado. Landsman acaba caindo em um emaranhado de mentiras que ele próprio inventa e sua vida até então pacata muda completamente... E para pior.

sábado, 5 de janeiro de 2019

ENIGMAS DE UM CRIME

Nota 2,5 Apesar da boa premissa, suspense intricado decepciona com trama confusa e devagar

Um serial killer, teoricamente uma pessoa desequilibrada, teria a inteligência de utilizar conceitos matemáticos para arquitetar seus assassinatos? Enigmas de Um Crime, título genérico e desmotivador, tenta convencer o espectador que a resposta é sim, todavia, não chega a atingir plenamente seu objetivo. Baseado no romance de Guillermo Martinez, o roteiro de Jorge Guerricaechevarría e Álex De La Iglesia, este também assinando a direção, é uma reunião mau aproveitada de clichês de ideias já vistas e revistas em diversos outros filmes. A trama aborda temas ligados a religião, números, simbologias e medicina, uma variedade muito grande de assuntos que fatalmente confunde o espectador já fatigado pelo ritmo vagaroso. Uma série de assassinatos estão assombrando a cidade de Oxford e a esperança dos moradores da região está nas mãos de apenas dois homens: Martin (Elijah Wood), um jovem estudante que acaba de chegar à famosa universidade local para fazer sua pós-graduação na expectativa de sorver o máximo de conhecimento do inglês Arthur Seldom (John Hurt), um prestigiado e veterano professor de matemática. Tão logo o rapaz chega e já se vê envolvido em meio a um crime bárbaro ao encontrar o corpo da Sra. Eagleton (Anna Massey), de quem era inquilino, e na cena do crime estranha a presença de um símbolo. Em um curto espaço de tempo outros assassinatos semelhantes ocorrem e ao que tudo indica os crimes estão ligados por códigos, simbologias e equações matemáticas que também podem esconder ligações religiosas. A única coisa que se tem certeza é que o assassino procura saciar sua vontade de matar atacando pessoas que já estiveram à beira da morte, mas que conseguiram uma segunda chance para viver, ainda que breve. Agora o professor e o estudante, cuja relação é cheia de altos e baixos, precisam juntar suas habilidades para desvendar o mistério e montar esse complicado quebra-cabeças e na medida que Martin chega perto da verdade aumenta a sensação de insegurança e incompreensão com o mundo ao seu redor. Pena que Iglesia perca as rédeas ainda antes da metade e se intimide nos momentos de catarse, assim entregando um suspense frio que promete muito e cumpre pouco ou quase nada.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

CONTOS PROIBIDOS MARQUÊS DE SADE

NOTA 9,0

Enfocando os últimos anos de vida
do autor que deu origem a palavra
sadismo, longa é ágil e interessante,
 mas fica a dever em 
perversão
Não se engane pelo título. Pomposo e ao mesmo tempo lascivo, Contos Proibidos do Marquês de Sade tem todos os elementos de um grande filme de época, mas não apresenta conteúdo libidinoso gratuitamente. Quem espera muita nudez e tórridas cenas de atos sexuais se decepciona com certeza. A pornografia surge em forma de prosas e versos de autoria do famoso escritor, mas no fundo o longa deseja discutir obsessões e o deslumbramento que a crueldade desperta no ser humano. Nascido em 1740 e vindo a falecer em 1814, Donatien Alphonse François estudou em um internato jesuíta e teve uma brilhante carreira militar, mas não foram tais predicados que lhe deram fama. Encarnado com perfeição e vigor pelo talentoso Geoffrey Rush, o Marquês de Sade escandalizou a França pós-revolucionária com atitudes infames e seus contos pervertidos repletos de erotismo, violência e até mesmo obscenidades envolvendo religião. Em seu livro "Justine e 120 Dias de Sodoma", por exemplo, não se ateve a apenas falar sobre sexo, mas também agregou ao tema espancamentos, orgias, objetos de masturbação e tortura, líquidos afrodisíacos e tudo o mais que pudesse ser considerado perversão. Visto como uma ameaça à sociedade vitoriana, acabou internado em um sanatório condenado ao confinamento e silêncio pelo resto de sua vida. Na realidade, de natureza violenta, sua vida foi marcada por idas e vindas a prisões e sanatórios. O roteiro de Doug Wright, adaptado de sua própria peça teatral, aborda os últimos anos de vida do escritor em um hospício na cidade Charenton onde encontra certo apoio e até abusa de benevolência do padre Abbé Coulmier (Joaquin Phoenix), que tem fé que o paciente sublimará seus impulsos. Contudo, o interno continuou com sua escrita prolífera graças a ajuda de Madeleine (Kate Winslet), uma camareira da instituição que levava escondidos os manuscritos junto com os lençóis para lavar e os entregava a um editor que publicava os livros clandestinamente causando frisson e escandalizando Paris.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

DE VOLTA PARA CASA (2011)

NOTA 8,0

Intimista e com atenção voltada
ao que acontece a uma pessoa após
um trauma, longa francês recicla
temática do sequestro e foge de clichês
A publicidade do baseado em fatos reais é a arma de muitos cineastas para fazerem com que seus trabalhos sejam vistos, mas há quem prefira a discrição, seja para se preservar de polêmicas ou até mesmo problemas com a justiça. O diretor e roteirista francês Frédéric Videau não deixou claro seus motivos, mas o fato é que logo no início do drama De Volta Para Casa ele faz questão de afirmar que o que veremos a seguir é acerca de um caso puramente ficcional, mas na realidade há muitos elementos na narrativa que lembram ao caso de Natasha Kampusch, uma garota austríaca que foi sequestrada aos dez anos de idade e mantida enclausurada em um porão até completar dezoito anos. O próprio cineasta se esquivou de qualquer culpa afirmando que o episódio lhe serviu apenas como referência, mas enfatizou que esta história é sobre Gaëlle (Agathe Bonitzer), personagem que criou, detentora de seus próprios conflitos, e ponto final. Ao contrário do perfil que imaginamos de uma pessoa que passou pela experiência de crescer longe da família e sob pressão constante, a jovem não é apresentada como uma pobre vítima e sim como uma adolescente rebelde e impulsiva que aprendeu ao longo dos anos a conviver com Vincent (Reda Kateb), seu sequestrador. O longa começa com a jovem já sendo subitamente libertada, mas a narrativa segue entre idas e vindas no tempo oferecendo ao espectador um quebra-cabeças a ser montado, uma fragmentação que faz alusão a confusão mental dela ao ser obrigada a confrontar uma realidade totalmente alheia a que estava acostumada. A trama então segue duas linhas narrativas paralelas e de épocas distintas. O momento atual mostra sua readaptação à sociedade, principalmente a reintegração com sua família, e em flashbacks são revelados detalhes a respeito da complexa relação que mantinha com seu algoz. Por ter feito a passagem de criança para adolescente sem referências de comportamentos de outros de idades semelhantes, Gaëlle também tem um perfil quase bipolar, alternando momentos de extrema infantilidade e outros de maturidade súbita.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

MALDITAS ARANHAS!

NOTA 7,0

Resgatando o espírito dos filmes B,
longa tem raízes no terror, a fobia
por animais repugnantes, mas encontra
o tom no humor despojado e proposital
Sucessos no passado e com público cativo, produções protagonizadas por animais modificados geneticamente e com instinto assassino aflorado nunca deixaram de ser feitas, simplesmente foram acolhidas pelas videolocadoras e canais de TV. Salas de cinema dificilmente abrem espaços para fitas do tipo, mas Malditas Aranhas!, do então estreante diretor neozelandês Ellory Elkayem, conseguiu quebrar essa barreira, ainda que timidamente. Não importa, o pouco espaço que conquistou foi o bastante para ganhar publicidade com matérias em jornais, revistas e sites destacando a importância do resgate dos filmes trash, aquelas produções assumidamente toscas e geralmente ligadas aos gêneros de terror e ficção científica que marcaram a década de 1950. Alguns anos mais tarde, com o surgimento dos videoclubes, o subgênero foi resgatado lançando novas pérolas cujo baixo orçamento não é problema, pelo contrário, geralmente é um fator essencial para tirar uma ideia do papel. O pontapé para esta produção que leva a assinatura da dupla Dean Devlin Roland Emmerich, respectivamente produtor e diretor de filmes como Independence Day e o Godzilla de 1998, que apesar da avalanche de efeitos especiais tem a essência dos filmes B em seus DNA, surgiu quando eles assistiram ao primeiro curta de Elkayem sobre uma aranha que cresce desenfreadamente quando exposta a substâncias tóxicas e aterroriza uma dona de casa. Filmado em preto e branco, sua homenagem ao estilo foi seu cartão de visitas para assumir o comando de uma superprodução em Hollywood. Bem, quase isso. É certo que tinha em mãos uma grana razoável, mas o lance era propositalmente atingir resultados imperfeitos, principalmente quanto ao uso da computação gráfica. Também não havia preocupação em apresentar um roteiro redondinho, tampouco personagens com profundidade. No clima de paródia, a grande questão era recriar a ambientação e as situações tragicômicas que agitavam as antigas matinês. Ponto para Elkayem que divide os créditos do texto com Randy Kornfield e Jesse Alexander.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

OS FAROFEIROS

NOTA 3,5

Embora com certos momentos de
ousadia e algumas passagens divertidas
e de fácil identificação, longa é um
amontoado de gags que exaltam o bizarro
Tudo junto e misturado. Esse bem que podia ser o título de Os Farofeiros devido ao leque de situações e de personagens que estão em cena em um enredo bizarro, mas não muito distante da realidade. Quem nunca sonhou com as férias perfeitas que no fim resultou em algum tipo de frustração? Imprevistos acontecem, mas para a turma deste filme não foi uma ou outra coisinha que deu errado. Desculpem o linguajar, mas como popularmente se fala, do início ao fim fodeu tudo na viagem dessa galera como de costume em produções que abordam férias frustradas. Tudo é válido para levar o espectador ao riso fácil e por mais estapafúrdias que as situações possam parecer é duvidoso que nunca alguém tenha vivenciado ao menos uma delas. É justamente nesse poder de identificação que o roteiro de Paulo Cursino se sustenta sob a batuta do diretor Roberto Santucci. A dupla é responsável por sucessos como De Pernas Pro Ar e Até Que a Sorte nos Separe, mas também por projetos nem tão bem sucedidos como O Candidato Honesto e Um Suburbano Sortudo, estes que mesmo não caindo no gosto popular atraíram um público considerável aos cinemas. Esta nova empreitada em conjunto se encaixa no segundo grupo. A história começa com um garotinho em sala de aula sendo obrigado a ler sua redação sobre suas férias. Ele relembra o episódio que vivenciou com a família durante o feriado de Ano Novo. Alexandre (Antônio Fragoso), seu pai, teria motivos de sobra para festejar a virada, afinal foi promovido a gerente de seu departamento, mas junto com a boa nova veio a ingrata tarefa de realizar cortes na equipe assim que a empresa retomasse suas atividades. Em paralelo, lhe apavora a ideia de começar o ano brigado com a temperamental esposa Renata (Danielle Winits) que está estressada por ter sido desconvidada por parentes a passar alguns dias em Búzios. De última hora, o jeito é confiar nos amigos e assim ele aceita a tentadora proposta de Lima (Maurício Manfrini) que diz ter arranjado uma excelente casa na praia a preço irrecusável. O único inconveniente é que ele também passaria o réveillon com a família nesse local e já teria convidado outros colegas de trabalho. Assim, uma verdadeira gama de personagens estereotipados coloca o pé na estrada.

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