sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

CHICAGO

NOTA 10,0

Drama, comédia, suspense
ou policial? Só mesmo um
espetáculo  musical como este

para agregar tantos gêneros
Os musicais nos últimos anos têm conseguido reencontrar seu público e conquistar novas plateias. Tivemos desde a recepção morna da adaptação cinematográfica da peça Os Produtores até a overdose mundial que se tornou Mamma Mia! e Hairspray – Em Busca da Fama. O gênero estava há décadas estagnado e sem muita apreciação por parte dos espectadores comuns e críticos, mas Hollywood nunca o esqueceu. Muitos espetáculos que aliavam perfeitamente dramaturgia, dança e cantoria bombavam nos palcos mundo a fora e chamavam as atenções de produtores que desejavam levar toda aquela magia para as telonas, mas faltava alguém se arriscar primeiro para em seguida outros apostarem as fichas. Assim, um ano após os diversos prêmios e a excelente bilheteria mundial de Moulin Rouge – Amor em Vermelho chegava diretamente da Broadway para as telonas, com muito fôlego e brilho, Chicago, um delicioso musical que veio para vingar uma grande injustiça feita ao seu antecessor. O Oscar praticamente ignorou a produção do diretor Baz Luhrmann que deu um novo fôlego ao gênero, mas teve que se redimir no ano seguinte premiando com seis estatuetas, inclusive a de Melhor Filme, este filme regado a muito jazz do estreante na direção de cinema Rob Marshall. Criado pelo famoso diretor e coreógrafo Bob Fosse, o mesmo de Cabaret e All That Jazz (mesmo nome de uma das canções mais conhecidas de Chicago), dois grandes sucessos nos palcos e nos cinemas da década de 1970, muita gente achava impossível levar a história de duas mulheres em busca da fama a qualquer preço para as telonas devido aos diversos números de dança e troca de cenários e figurinos, mas o infalível faro para o sucesso de Harvey Weinstein, o produtor Midas da Miramax, deu sinal verde para a produção. Claro que houve a preocupação de rejeição por ser um musical, principalmente pelos jovens, mas confiaram que uma dupla de belas e talentosas atrizes como protagonistas seria a solução. E assim aconteceu. Apesar de um ótimo elenco coadjuvante, a alma do longa se deve aos esforços de Catherine Zeta-Jones e Renée Zellweger, respectivamente Velma Kelly e Roxie Hart, ambas em busca do sucesso e se trombando na cadeia. A primeira se apresentava em uma casa noturna junto com a irmã, mas acabou presa após cometer um duplo assassinato contra o namorado e sua parceira de palco. A outra, sonhando em ser famosa, acaba confiando demais em um mulherengo que lhe promete facilitar seu caminho ao estrelato e quando descobre que tudo que ele dizia era mentira cometeu o ato impensado de atirar em seu peito.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

FIM DOS DIAS

NOTA 2,5

Excessivamente longo e com tema
repetitivo, longa foi apenas mais uma
produção oportunista a explorar o medo do
fim do mundo às vésperas do novo milênio
O final do ano de 1999 foi atípico. um misto de entusiasmo e tensão pairava no ar em todos os cantos do planeta. A chegada do ano 2000, também confundida com a virada para o novo milênio que na verdade aconteceria somente no reveillon seguinte, era embalada por diversas teorias apocalípticas a respeito do fim do mundo e cientistas e especialistas em informática se preparavam para passar a ceia de plantão com o intuito de evitar o chamado bug do milênio, uma falha de alguns softwares que poderiam não atualizar a mudança de data corretamente e acabar retrocedendo o relógio no tempo trazendo graves problemas para alguns setores como, por exemplo, o financeiro que sofreria prejuízos com taxas de juros e prazos de cobranças absurdamente alterados. Para o pessoal de Hollywood pouco importava o impacto  no dia-a-dia das pessoas, o que estava em jogo era aproveitar o climão e soltar os demônios. Literalmente! E nem Arnold Schwarzenegger escapou dessa onda. Longe das telas desde o fracasso de Batman e Robin, o ator foi obrigado a ficar pouco mais de dois anos afastado do trabalho por conta de uma cirurgia cardíaca e seu retorno foi marcado pelo oportunismo. Autoexplicativo até no título, Fim dos Dias é uma colcha de retalhos e não deixa dúvidas quanto a razão de ter sido produzido. No final daquele ano muitas produções foram lançadas a toque de caixa explorando temáticas sobrenaturais, a maioria descaradamente reciclando porcamente o argumento do Diabo vindo à Terra para procriar. O longa dirigido por Peter Hayams, de Timecop - O Guardião do Futuro, bebe nessa fonte e não desperdiça nenhuma gota. Tudo que já se viu em outros filmes do tipo é reaproveitado. Schwarzenegger interpreta Jericho Cane, um ex-policial que após perder a esposa e filha em um assalto planejado perdeu totalmente a fé e agora vive depressivo e entregue ao vício em bebidas. O perfil é bastante manjado, mas dramático demais para o talento restrito do ator mais acostumado a lidar com armas do que com pessoas.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

ENQUANTO VOCÊ DORMIA

NOTA 8,0

Longa que ajudou Sandra Bullock
a se tornar símbolo de comédia
romântica mantém seu frescor,
doçura e simplicidade intactos
Pode ser coincidência ou não. Quando Sandra Bullock se livrou do ônibus desgovernado de Velocidade Máxima, filme que alavancou sua carreira, não demorou muito e um outro meio de transporte viria a cruzar seu caminho, só que desta vez de forma mais leve, sem tanta adrenalina. Na comédia romântica Enquanto Você Dormia ela interpreta Lucy Moderatz, uma solitária funcionário do metrô de Chicago que fantasia uma possível relação amorosa com um passageiro que diariamente e no mesmo horário passa por lá, todavia, eles nunca trocaram uma palavra sequer. Ele é Peter Callaghan (Peter Gallagher), um jovem bem-sucedido que na véspera de Natal finalmente cumprimenta a moça ao comprar seu bilhete, mas poucos minutos depois acaba sendo abordado por um grupo de criminosos, se desequilibra e cai nos trilhos do metrô. Lucy imediatamente o socorre e o acompanha até o hospital onde, em um de seus devaneios, deixa escapar na frente dos familiares do rapaz que está em coma seu desejo de se casar com ele. A partir de então ela passa a ser considerada a noiva que ele tanto falava, mas jamais havia apresentado, o que traz certo conforto à família neste momento difícil. Assim Lucy assume tal papel e ganha a chance única de poder transformar seu amor platônico em algo real e de quebra ser acolhida pelos parentes do acidentado suprindo sua solidão. A farsa ia de vento em popa mesmo quando Peter recobra a consciência e ela o faz acreditar que está sofrendo de amnésia e por isso não a reconhece, mas as coisas saem do controle quando ela conhece Jack (Bill Pullman), o irmão mais velho de seu noivo, por sinal bem mais divertido e agradável que o esnobe caçula. Lucy se apaixona de imediato e tem seu sentimento plenamente correspondido, mas como viver esse amor sem machucar os demais membros do clã dos Callaghan, inclusive o próprio noivo supostamente desmemoriado?

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

UM HERÓI DE BRINQUEDO

NOTA 7,0

Com os costumeiros exageros das
produções natalinas, longa diverte e
traz uma atemporal crítica ao espírito
consumista que impera no fim de ano
Que saudades do tempo em que as crianças acordavam no dia 25 de dezembro empolgadas para ver se ganharam os brinquedos que pediram de Natal. Hoje muito cedo elas estão trocando as cartinhas para o Papai Noel por mensagens diretas aos pais através de celulares e ipads que provavelmente serão trocados por produtos idênticos entregues comodamente por sites de empresas loucas para destroçarem lojas físicas. Qual a graça de uma festa sem surpresa, magia e principalmente corre-corre de última hora? Assistir Um Herói de Brinquedo é nostalgia pura, é lembrar de uma época em que os brinquedos já flertavam com os avanços da tecnologia, mas ainda assim deixavam espaço para a imaginação da criançada rolar e não as escravizavam. O gostinho de lembrança boa é acentuado ao ver o grandalhão Arnold Schwarzenegger fazendo caras e bocas a cada tropicão ou vacilo ao tentar realizar o desejo do filho. Ele vive Howard Langston, o típico homem de negócios que coloca o trabalho à frente da família, não raramente frustrando a esposa Liz (Rita Wilson) e o pequeno Jamie (Jake Lloyd). Após perder a apresentação de caratê do garoto na qual ele trocaria de faixa, para tentar compensar mais um furo ele promete dar ao menino qualquer coisa que pedisse para o Natal. O filho então pede algo aparentemente muito simples: um boneco do "Turbo Man", o brinquedo sensação da época oriundo de uma série de TV. Teoricamente ele poderia ser encontrado facilmente em qualquer loja de brinquedos ou departamentos, mas não às vésperas dos festejos natalinos. Todas os estabelecimentos estão com estoques zerados, mas Langston se propõe a cumprir sua promessa custe o que custar e assim ele se mete em uma série de enrascadas em uma verdadeira odisséia em busca do boneco tendo em sua cola o carteiro Myron Larabee (Sinbad), um trapaceiro que também fez a mesma promessa ao filho.

domingo, 24 de dezembro de 2017

KRAMPUS - O TERROR DO NATAL

Nota 7,0 Apesar do título, longa não assusta, mas prende atenção com seu exercício de estilo

Natal é época de reunir a família, trocar presentes e plantar a discórdia. É isso mesmo! Todos sabemos que desavenças fazem parte das relações entre parentes o ano todo, mas parece que o estresse causado pelos preparativos dos festejos de fim de ano acentuam os problemas e quando todos estão reunidos fica difícil manter a pose e as desavenças vem a tona. O resultado é que cada vez mais o espírito natalino está em decadência e Krampus - O Terror do Natal tira proveito disso. O casal Sarah (Toni Collette) e Tom Engel (Adam Scott), embora esteja passando por uma crise, recebe alguns parentes para passarem o Natal juntos, todavia, Max (Emjay Anthony), o filho caçula, se desilude com as tantas alfinetadas entre os parentes e o desrespeito com os símbolos natalinos. Seus tios Linda (Allison Tolman) e Howard (David Koechner), acompanhados de nada menos que quatro filhos, só ajudam a aumentar a tensão com seus comentários desagradáveis e fora de hora. Já a tia Dorothy (Conchata Farrell) ferve o sangue de qualquer um com seu jeito inconveniente de ser e agir enquanto a calada vovó Omi (Krista Stadler) parece a mais sensata de todos, mas a maior parte do tempo parece alheia ao que acontece à sua volta. Irritado, o menino acaba rasgando a cartinha que havia escrito para o Papai Noel pedindo que os festejos voltassem a ser agradáveis como antigamente e jogando os pedaços para o céu deixando explícita sua ira e decepção. Seu pessimismo, no entanto, acaba despertando uma força demoníaca materializada na forma do Krampus, uma criatura que representa o espírito maligno que ataca as pessoas desacreditadas no Natal. Como a sombra do bom velhinho, ele não vem para presentear e sim para punir e sua primeira vítima é Beth (Stephanie LaVie Owen), a irmã mais velha de Max, que preocupada que o namorado não atende o telefone decide enfrentar uma forte nevasca para ir à sua casa e desaparece misteriosamente, assim como parece ter acontecido com toda a vizinhança.

sábado, 23 de dezembro de 2017

TAL MÃE, TAL FILHA

Nota 7,0 Juliette Binoche se destaca em em comédia em que mãe e filha se descobrem grávidas

Uma cinquentona que leva a vida sem responsabilidades tal qual uma adolescente se vê inesperadamente grávida de seu ex-marido ao mesmo tempo que sua filha um tanto mais ajuizada também anuncia que está esperando um bebê. O argumento de Tal Mãe, Tal Filha é típico de historinhas água-com-açúcar americanas e até poderia cair como uma luva a uma comédia popular brasileira daquelas que levam multidões aos cinemas, no entanto, é o ponto de partida de uma simples e divertida produção francesa. Para dar visibilidade ao filme, não por acaso a versátil e mundialmente conhecida Juliette Binoche, prata da casa, assume o papel de Mado, uma mulher de meia-idade que não tem trabalho fixo, tampouco objetivos de vida, e que se comporta como uma jovem rebelde desde que foi abandonada pelo marido Marc (Lambert Wilson). Perambulando pelas ruas de Paris montada em uma chamativa moto cor-de-rosa, a espevitada senhora dificilmente perde o bom humor e suas atitudes infantis chegam a ser confundidas até com mal de Alzheimer, mas nada que a faça perder o rebolado. Já sua filha Avril (Camille Cottin) está na casa dos trinta anos, é bem-sucedida profissionalmente e apaixonada por Louis (Michaël Dichter), seu marido que não trabalha, apenas estuda. Pouco vaidosa, por vezes bronca e bastante metódica, a jovem vive trocando farpas com a mãe que vive de favor em seu apartamento. Cada um pode e deve viver como bem entender, isso desde que seja respeitada a individualidade e privacidade dos demais e é nesse ponto que a relação delas estremece. A princípio a diretora e roteirista Noémie Saglio parece se ater ao clichê do choque entre gerações reciclando piadas previsíveis e impregnadas de vícios ianques, contudo, quando mãe e filha se descobrem grávidas praticamente simultaneamente a trama ganha outros rumos. Abobalhada com a ideia de ser mãe e avó e coagida por Avril, Mado aceita a ideia de fazer um aborto, mas atrapalhada como sempre se esquece de tomar no tempo certo o medicamento (fique claro prescrito por um obstetra, diga-se de passagem, um tanto estranho) e decide levar a gravidez adiante em segredo até onde puder, ou seja, a omissão não vai muito longe.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

TINHA QUE SER ELE?

NOTA 4,0

Com piadas de conflitos de gerações
e de rivalidade entre genro e sogro,
comédia oferece o trivial e perde chance
de explorar perfil de jovem excêntrico
O ator Ben Stiller interpretou um rapaz que passou por vários sufocos para tentar conquistar o sogrão vivido por um desconfiado e esperto Robert DeNiro em Entrando Numa Fria e suas continuações, produções sempre tentando manter as situações cômicas no limite para poder passar pelo crivo de uma censura mais branda. Com piadas de teor sexual a vontade e investindo pesado em diálogos repletos de palavrões,  Tinha Que Ser Ele? basicamente conta com o mesmo argumento, os problemas e desconfianças entre futuros parentes, mas no caso é o sogro que vai passar um dobrado nas mãos do namorado da filha. Ned Flaming (Bryan Cranston) viaja com a esposa Barb (Megan Mullally) de Michingan até a California para conhecer o genro Laird Mayhew (James Franco), um multimilionário do ramo de tecnologia e dos games cuja personalidade expansiva e sem papas na língua de imediato batem de frente com o jeitão careta do pai de Stephanie (Zoey Deutch). Desde quando viram o rapaz por acaso ao fundo numa videoconferência com a filha, diga-se de passagem, ele se despindo sem pudor algum, os pais da jovem já ficaram com um pé atrás quanto a este relacionamento, contudo, mal sabiam eles o que estava por vir. Convidados para passar o Natal na mansão do jovem empresário levando a tira-colo o caçula do clã Scotty (Griffin Gluck), os Flamings se deparam com um cara completamente excêntrico que não se intimida em cumprimentar a sogra com beijinho de leve na boca, tatuou a família da namorada nas costas e até fez uma pista de boliche adornada com seus rostos antes mesmo de conhecê-los e, talvez o pior de tudo, embora muito inteligente tem seu vocabulário bastante reduzido e a cada dez palavras que emite oito são "foda". Ned desde o início deixa claro que reprova o namoro, mas seu genro tinhoso vai fazer de tudo para ganhar a bênção para se casar, até mesmo apelar para o truque apelativo de que o sogro não vai perder uma filha e sim ganhar um novo filho.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS

NOTA 8,0

Embora suavize o quanto pode as
feridas do nazismo, drama consegue
emocionar e divertir de forma equilibrada
e conta com elenco afiado e cativante
O nazismo é uma das temáticas de época mais exploradas pelo cinema. A intensa e controversa ditadura do alemão Adolf Hitler já rendeu diversos filmes, cada qual abordando um viés diferente seja por meio de um acontecimento específico, consequências de algum fato ou a maneira como um grupo de pessoas ou até mesmo um único indivíduo vivenciou tal período. Baseado no best-seller de Markus Zusak, em A Menina Que Roubava Livros temos um modesto retrato da época pelos olhos da esperta e sensível Liesel Meminger (Sophie Nélisse), ou melhor, a história da garota está inerentemente atrelada às atrocidades do regime alemão e curiosamente nos é contada por ninguém menos que a própria Morte (que se faz presente pela voz soturna de Roger Allam no original). Sim, o espectro que tantas boas almas levou por conta da guerra se interessou pela menina quando veio buscar seu irmão mais novo durante a viagem que faziam rumo a um subúrbio da Alemanha para serem adotados por uma nova família depois que a mãe fora acusada e perseguida por comunismo. A popularmente chamada de "ceifadora de almas" poupou a jovem certamente por ter sua curiosidade aguçada já que ela surrupia durante o sepultamento do irmão um livro que o coveiro deixou cair, uma espécie de manual para rituais funerários. Por que uma criança se interessaria por tal leitura? A Morte então passa a acompanhar a trajetória de Liesel desde sua chegada à rua Paraíso, de fato um local que parece transpirar tranquilidade, mas seus moradores apenam tentam levar uma rotina normal, no fundo vivem em constante clima de tensão já que nunca se sabe quando haverá uma batida policial ou uma bomba pode ser lançada por lá. Em troca de dinheiro um casal de meia-idade, adoradores do nazismo apenas de fachada, aceita dar asilo à Liesel que curiosamente aos dez anos de idade ainda era analfabeta, porém, demonstrava uma enorme vontade de saborear a descoberta das palavras. Essa é a deixa para que Hans Hubermann (Geoffrey Rush), seu afetuoso pai adotivo, possa estreitar laços com ela ensinando-a a ler e a escrever.

domingo, 17 de dezembro de 2017

DUPLEX

Nota 9,0 Humor negro e piadas escrachadas pontuam comédia em que veterana dá um show

Quem não tem ao menos uma história engraçada ou irritante envolvendo um velhinho sem noção ou literalmente pentelho que atire a primeira pedra. É fato que conforme a idade avança o idoso acaba perdendo um nível considerável de sua capacidade intelectual e bom senso, mas alguns representantes dessa faixa etária muito bem de saúde acabam se aproveitando da generalizada condição para se dar bem e tirar o melhor proveito da situação. É mais ou menos nisso que provavelmente pensou Danny DeVito ao aceitar dirigir Duplex extraindo o máximo de humor de situações anárquicas do início ao fim. A direção não poderia ser de outra pessoa que não uma experiente no campo do humor. Aos politicamente corretos, que fique claro que a índole da personagem idosa do filme não deve ser encarada como uma ofensa as pessoas acima dos 60 anos, até porque no final existe uma justificativa hilária para seu comportamento no ágil e eficiente roteiro de Larry Doyle. Quem é ela? A senhora Connelly (Eileen Essel) é a inquilina de Alex Rose (Ben Stiller) e Nancy Kendricks (Drew Barrymore), um jovem casal que tinha um sonho de consumo: ter um belo duplex no famoso bairro do Brooklyn, na cidade de Nova York. Quando eles enfim encontram o apartamento dos seus sonhos, precisam enfrentar um problema que pouco a pouco torna-se um perturbador pesadelo. A antiga e simpática moradora do segundo andar se recusa a deixar o local e pelas leis do inquilinato americano ela não pode ser despejada. O casal tenta viver pacificamente com a vizinha, mas a senhora apronta tudo que pode e mais um pouco para deixá-los irritados 24 horas por dia literalmente. Até mesmo quando eles tentam dormir a velhinha está com todo pique para aprontar algo. Assim, o casal passa a perceber o real preço de seus sonhos, mesmo com o acréscimo do dinheiro do aluguel que recebem dela. No limite da situação, para conseguirem finalmente o imóvel só para eles, Alex e Nancy começam a planejar várias tentativas de tirá-la do local e pensam até mesmo em matar a aparente doce velhinha.

sábado, 16 de dezembro de 2017

SEGREDOS NA NOITE

Nota 4,0 Boa premissa e bons ganchos são desperdiçado em suspense arrastado e sem clímax

Robin Williams é um ator sinônimo de comédia devido aos seus trabalhos consagrados no gênero, no entanto, seu talento também já foi emprestado com sucesso a dramas e suspenses, mas é uma pena que nem sempre essa fuga do terreno seguro seja proveitosa como prova Segredos na Noite. O problema não é especificamente o ator, que está cativante como de costume, mas seu personagem é limitado demais para os conflitos que carrega, assim como a história criada por Armistead Maupin, Terry Anderson e Patrick Anderson que parece nunca sair do lugar. Muitas cabeças para pensar em um roteiro tão fraquinho e que poderia ser perdoado caso o clímax compensasse, mas parece que nunca chegamos a tal ponto. O que poderia ser um suspense razoável acaba sendo mais parecido com um drama arrastado por vezes sustentado a um fiapo de enredo. Contudo, existem bons ganchos na trama, porém, extremamente mal aproveitados. Baseado em fatos reais que deram origem a um romance do próprio Maupin, a trama gira em torno de Gabriel Noone (Williams), o apresentador de um famoso programa noturno de rádio no qual faz relatos sobre assuntos cotidianos e conquistou uma audiência cativa ao expor seu relacionamento com Jess (Bobby Cannavale), um homossexual portador de HIV e muitos anos mais jovem. A exposição fez com que a relação dos dois estremecesse e o rapaz decide ir embora de casa e nesse momento difícil o radialista acaba se entretendo com uma misteriosa história. Ele recebe do amigo Ashe (Joe Morton) o esboço de um livro redigido por um grande fã seu, Pete Logand (Rory Culkin), um adolescente de 14 anos que relata os abusos que sofreu dos próprios pais que realizavam orgias com outros adultos e as filmagens eram vendidas pela internet. Após tais crimes serem descobertos, a justiça determinou que o garoto fosse criado pela assistente social Donna (Toni Collette) com quem Noone passa a manter contato por telefone. A identificação acontece principalmente porque o garoto também é aidético, mas não teve chances de se tratar como Jess, assim ele constantemente é internado no hospital por conta de complicações respiratórias e tinha nas palavras de seu ídolo o conforto necessário para suportar a doença.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

OS GOONIES

NOTA 10,0

Aventura leva espectador
praticamente a uma outra
realidade, um tempo em que ser
criança era bem mais divertido
Hoje quando se fala em filme de aventura para toda a família os títulos que surgem em nossas mentes certamente são aqueles protagonizados por super-heróis ou então as narrativas desenvolvidas em reinos fantásticos onde tudo pode acontecer. Alguns deles são realmente excelentes, mas não há como negar que a maioria só existe por causa da tecnologia, seja por uma necessidade real ou apenas uma desculpa para fisgar público com um visual arrebatador. Se analisarmos bem, boa parte das produções desse tipo vendem embalagem e pouquíssimo conteúdo. É claro que se você questionar alguma criança ou adolescente ou até mesmo uma pessoa com seus vinte e poucos anos, idade já impregnada dos vícios negativos da geração imagem é tudo, sobre a qualidade das aventuras contemporâneas eles vão dizer que elas são excepcionais e que os efeitos especiais são essenciais. Por outro lado, se a mesma questão for feita a um adulto ou jovem que viveu intensamente os anos 80 a resposta tende a ser diferente, cabendo comparações aos popularmente conhecidos clássicos da “Sessão da Tarde”, aqueles filmes símbolos de uma geração que misturavam diversos gêneros, predominando a aventura, mas que além de oferecerem um visual arrebatador também continham histórias que dialogavam plenamente com seu público-alvo, crianças e adolescentes que ao mesmo tempo que procuravam manter o espírito infantil vivo também eram obrigadas a amadurecerem precocemente assumindo responsabilidades, mesmo que simples tarefas do dia-a-dia. Para resumir a conversa, estes tais clássicos oitentistas tinham alma, vida, emoção de pessoas apaixonadas por cinema que desejavam levar ao espectador a mesma explosão de sentimentos que sentiam quando iam a uma matinê no cinema, sensações que poderiam ser renovadas na época com o advento das fitas VHS e as reprises na TV. Hoje o gênero de aventura se resume a imagens e sons de última geração oferecidos com campanhas de marketing agressivas, mas pouco conteúdo e emoção. O papo é combustível puro para um duelo entre as antigas e novas gerações, mas o objetivo desse texto é relembrar Os Goonies, mostrar sua importância como registro histórico de uma época e agradar aos nostálgicos, mas quem curte um bom cinema também não deve se sentir fora da conversa. Com produção assinada por Steven Spielberg e direção de Richard Donner, dois nomes emblemáticos da cinematografia da época (um até hoje em evidência, o outro sobrevivendo à custa de produções medianas), este é um daqueles filmes únicos que surgem de tempos em tempos para marcar época. Em cada cena estão impressos importantes elementos que ajudaram a caracterizar a tão saudosa década de 1980 como a trilha sonora, os figurinos, hábitos de consumo e, claro, a ingenuidade e o companheirismo inerente a qualquer grupo de jovens que se uniam em uma espécie de clubinho param se divertirem e ajudarem uns aos outros. Para não dizer que tudo que é feito hoje em dia no gênero se resume ao lado comercial, Super 8 foi lançado com o intuito de homenagear esse passado cinematográfico. Não por acaso Spielberg também é o produtor da fita.

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