Nota 8,0 Embora envelhecido, longa ainda traz uma contundente crítica ao sistema capitalista

Os primeiros minutos do longa mostram
parte da rotina de Jewell que, além de cuidar das meninas, diariamente prepara
marmitas para levar ao marido e ao filho que estão no campo trabalhando. Uma
família harmoniosa e típica de interior, mas já anunciando os avanços e impacto
da modernidade sobre suas vidas com a sutil referência da mãe encontrando nas
coisas do adolescente um preservativo e mostrando-se notoriamente contrariada. Com
tais sequências o diretor Richard Pearce, então estreante, deseja anunciar que
suas intenções são observar de perto e detalhadamente o cotidiano de seus
personagens para mostrar o impacto que a iminência da perda de suas terras
poderia provocar. Seria o fim de um século de tradição e de tempos felizes, a
extinção da simplicidade e a submissão a um sistema capitalista voraz onde
pessoas são transformadas em apenas números e estatísticas. O roteiro de
William D. Wittliff então escancara seu empenho em fazer crítica às políticas
agrícolas impostas pelo então presidente Ronald Reagan que chegou a declarar
que Minha Terra, Minha Vida seria uma mensagem
evidente de propaganda contra seu governo. O filme foi tão importante à sua
época que Lange, indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro pelo longa que ela própria produziu, chegou a ser usada como
porta-voz do congresso americano para testemunhar como especialista em vida em
fazendas familiares, relatando a penosa rotina de quem vive equilibrando-se entre
boas e má fases dependo das colheitas e abates de animais, mas cuja esperança em
tempos melhores mantinha-se sempre viva. Embora apoie-se em uma questão
relevante e evidente na época, quase que um filme feito sob encomenda para
servir como alerta, é estranho constatar seu esquecimento, afinal sua mensagem
não colocou um ponto final na questão. Entra e sai governo, problemas com a
economia rural continuam existindo e a crítica implícita ainda poderia se estender
a outros setores como indústria, educação, saúde, segurança... Em todas as
áreas os governantes querem levar vantagem. Querem gastar o mínimo possível e
lucrar ao máximo às custas do povo que não é tratado como gente de verdade, mas
apenas como números que no final dos balanços devem oferecer um saldo positivo
ao governo, contas onde sentimentalismos não alteram o produto.
Drama - 105 min - 1984
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