quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ARISTOGATAS

NOTA 8,5

Animação ainda preserva
a ingenuidade, as cores
e traços suaves que são
marcas do passado Disney
Desde Branca de Neve e os Sete Anões os estúdios Disney se transformaram no Midas do mundo do cinema e tudo que lançavam imediatamente se tornava sucesso. O status da empresa só foi balançado no final dos anos 90 quando as animações computadorizadas se tornaram populares e novos estúdios passaram a investir no filão dos desenhos. Não é bem assim. Muitas das produções da casa do Mickey Mouse que hoje consideramos clássicas tiveram problemas de aceitação por parte da crítica e até mesmo do público quando estrearam, sendo que só tiveram seus valores reconhecidos anos mais tarde com a popularização das fitas VHS. Um dos períodos mais críticos para todos os envolvidos nesse mundo mágico certamente foi o final dos anos 60 até meados da década de 1980, época em que a empresa sobreviveu pouco do cinema e mais da TV com séries animadas e telefilmes. Dessa safra faz parte Aristogatas, animação envolvendo uma família de felinos vivendo forçosamente uma aventura. Nos anos 30, na França, madame Adelaide Bonfamille, uma excêntrica milionária, resolve fazer um testamento para beneficiar sua gata de estimação Duquesa e seus filhotes, Marie, Berlioz e Toulouse. Porém, após a morte dos bichanos, toda a fortuna seria repassada a Edgar, o mordomo da casa e única companhia humana da velha senhora. Sabendo disso por um acaso, ele resolve apressar as coisas e arma um plano para desaparecer com os gatinhos. Após dopá-los, ele os leva para um lugar afastado, mas seu plano é atrapalhado pelos zelosos cães Napoleon e Lafayette. Perdidos no meio do mato, os gatos tem a sorte de encontrarem um esperto felino, Thomas O´Malley, e seus amigos. Acostumados com a vida de malandragem das ruas, essa trupe irá ajudar seus semelhantes de fino trato a voltarem para casa e confrontar o malvado mordomo. 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

NOTA 9,0

Martin Scorsese mergulha fundo
na fantasia para homenagear os
primórdios do cinema ao mesmo
tempo em que experimenta inovações
No início de 1896 um curto filme intitulado A Chegada do Trem na Estação impactou quem o viu. Em Paris, os irmãos Auguste e Louis Lumière, considerados por boa parte dos historiadores como os criadores da arte cinematográfica, filmaram o veículo do título em perspectiva lateral e isso causou na platéia a impressão de que os vagões estavam realmente seguindo em direção a ela e invadiria a aconchegante sala escura a qualquer momento. O resultado é que os desavisados espectadores ficaram em pânico e uma grande confusão começou. Mais de um século se passou e hoje o público deseja realmente assistir a um filme no qual possa ter a sensação de que o imaginário invadiu a realidade, mas para tanto não basta apenas a imaginação. Agora os efeitos 3D tratam de aproximar ao máximo os espectadores dos elementos cinematográficos, o que em alguns casos pode empobrecer a experiência de ir ao cinema ou até mesmo ver um filme em casa. Todavia, o mercado atual pede tecnologia para gerar lucros e até um dos mais renomados cineastas de vanguarda ainda em atividade aderiu ao sistema. A Invenção de Hugo Cabret marca a estreia de Martin Scorsese no gênero fantasia e também no mundo das inovações. Acostumado há anos a trabalhar com temas fortes, realistas e principalmente o mundo dos gângsteres, Scorsese aceitou realizar este trabalho para agradar a esposa e a filha de 12 anos que lhe apresentou o livro homônimo de Brian Selznick. Já idoso, mas ainda com muito pique e criatividade, o cineasta não fez simplesmente um filme para entreter crianças, muito pelo contrário. Além de a história ser palatável para adultos, Scorsese fez uma bela homenagem à própria sétima arte e a si mesmo de certa forma, pois se o cinema é a arte que transforma sonhos em realidade, faltava em seu currículo um trabalho literalmente fantasioso para dar o último atestado de que ele sem dúvida é um dos maiores e melhores cineastas de todos os tempos. Indicado a onze categorias do Oscar 2012, o longa venceu em cinco merecidas categorias técnicas, mas a Academia de Cinema ficou devendo a estatueta para o diretor, talvez porque ele já tenha uma em sua casa por Os Infiltrados. Na comparação entre as duas produções digamos que o premiaram na época errada acreditando que em 2007 seria a última chance de corrigir injustiças com este profissional que ajudou a escrever a História do cinema e até do próprio Oscar com clássicos como Táxi Driver e Touro Indomável. Pesou também a concorrência com o francês O Artista que coincidentemente também fala dos primórdios da atividade cinematográfica, mas Scorsese vai além em sua empreitada e realizou praticamente uma declaração de amor ao cinema como forma de enriquecimento cultural e emocional.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

ED WOOD

NOTA 10,0

Longa homenageia um
verdadeiro entusiasta do
cinema que não media
esforços para viver da arte
Tim Burton é uma grife do cinema. Seu nome é sinônimo de criatividade e excentricidade e praticamente todos os seus filmes são conhecidos nos mínimos detalhes pela maior parte de seus fãs, mas um título muito curioso e especial em sua trajetória é pouco conhecido pelo público, mas aclamado pela crítica. Ed Wood é uma verdadeira homenagem ao cinema a partir da retrospectiva de parte da biografia pessoal e profissional do cineasta que dá título a esta obra baseada nos registros do escritor Rudolph Grey. Conhecido como o pior diretor de cinema de todos os tempos, curiosamente sua estranha filmografia foi reconhecida devidamente algum tempo depois após a sua morte. Johnny Depp interpreta de forma vigorosa Edward D. Wood JR., um jovem sonhador e entusiasmado que sonhava em ser famoso fazendo filmes e para tanto não media esforços. Dirigia, produzia e até atuava, mas sempre acabava se decepcionando com as recusas de ajuda de investidores ou até mesmo com os estúdios que não queriam distribuir suas produções ou colaborar com novos projetos. O motivo para tal depreciação é o fato de que seus filmes eram toscos visualmente e com argumentos pouco convencionais ou explorados de maneira superficial, porém, boa vontade nunca lhe faltou. Até mesmo aceitou filmar uma produção erótica sonhando em fazer dela uma obra-prima que marcasse época e fosse além da expectativa do público mostrando o lado dramático e psicológico que afeta um travesti. Foi com Glen ou Glenda que Wood tomou coragem para assumir que embora fosse heterossexual adorava se vestir com roupas femininas desde criança, fato que estremeceu sua relação com a namorada Dolores Fuller (Sarah Jessica Parker). É nesta época também que ele estreita laços de amizade com seu ídolo, o ator Bela Lugosi (Martin Landau). Pouco antes da década de 1940 ele era um grande astro graças as clássicas fitas de horror lançadas pela Universal, mas sua carreira entrou em declínio e ele se entregou ao vício da morfina. A força da amizade com o jovem diretor tratou de resgatar em partes sua vontade de viver, mas era comum que seu nome fosse ouvido com espanto já que a maioria pensava que ela havia falecido há tempos.

domingo, 28 de agosto de 2016

SIMPLESMENTE IRRESISTÍVEL

Nota 0,5 Romance afunda pelo excesso de açúcar e exageros e não envolve em momento algum

O cinema não tem o poder de transmitir cheiros e tampouco sabores, mas o mundo das cozinhas é uma grande fonte de inspiração, principalmente para histórias românticas. O problema é que alguma delas levam a sério a alcunha de água-com-açúcar e exageram na sacarose como é o caso do esquecido (e com razão) Simplesmente Irresistível, inadvertidamente comparado por alguns com o famoso, premiado e infinitamente superior romance mexicano Como Água Para Chocolate. Este filme na verdade é talhado para agradar adolescentes na idade de acreditar em paixão à primeira vista e usado como veículo para alavancar a carreira de Sarah Michelle Gellar na época em alta com o sucesso do seriado de TV “Buffy – A Caça Vampiros” e dos filmes Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado e Segundas Intenções, este que parecia ser um divisor de águas em sua carreira. Tentaram fazer a atriz se tornar uma nova queridinha da América da noite para o dia, mas na verdade sua trajetória prova que lhe faltou orientação para seguir em frente e certamente o açucarado romance em questão ajudou e muito a degringolar as coisas. Gellar interpreta Amanda Shelton, uma jovem que herdou um pequeno restaurante da mãe, mas não o seu talento para a culinária. Ela tentou pôr a mão na massa literalmente, mas a clientela pouco a pouco foi sumindo e assim ela teria que encerrar as atividades, mas de repente ganha uma ajuda vinda dos céus e estranhamente manifestada na forma de um caranguejo mágico que consegue em uma feira. No mesmo instante ela conhece Tom Barlett (Sean Patrick Flanery), um jovem produtor de eventos que está prestes a inaugurar um restaurante para o empresário Jonathan Bendel (Dylan Baker), este que quer assegurar que seu empreendimento tenha pelo menos uma cotação de quatro estrelas pelos críticos gastronômicos. O tal crustáceo já começa a mexer seus dedinhos, ou melhor, suas patinhas, e faz com que surja uma atração instantânea entre os dois, mas reserva outras surpresas para Amanda.

sábado, 27 de agosto de 2016

SEQUESTRO SEM PROVAS

Nota 2,0 Com final tolo, longa prova que um filme pode se auto-detonar em poucos minutos

Filmes menores a respeito de sequestros costumam entreter, ainda mais quando a vida de uma criança bonitinha está em jogo, mas as pretensões de ser um suspense daqueles que dão nós na cabeça do espectador podem atrapalhar. Com estética e narrativa típicas de telefilmes, não há muito que se esperar de Sequestro sem Provas a julgar por sua curtíssima duração. A trama começa com Beck (Jennifer Beals – estrela dos anos 80 tentando sobreviver com seu suposto talento como atriz), uma agente do FBI envolvida com um caso que não terminou bem, mas sim com duas mortes. Após os créditos iniciais, diga-se de passagem, bem longos para encher linguiça, a ação volta três dias antes para mostrar o início de um novo e aparentemente normal dia para a família Waters. Teria algo a ver a introdução e esse clã? Pode ser que sim ou pode ser que não. Apesar de muitos já sacarem a relação entre essas cenas, o roteiro de David Robbeson consegue intrigar o espectador até pouco mais da metade com o perfil de Beck, uma mulher que parece esconder um grande mistério, algo ligado a sua saúde mental devido a algum fato traumático que viveu recentemente, podendo inclusive ser o malfadado caso do início. Ela é destinada a investigar o caso do desaparecimento de Megan (Olivia Dallantyne), a filha pequena de Julia (Shauna Black) e Mike Waters (David Storch). O casal aparentemente vive feliz como garotos propagandas de margarina, mas aos poucos vamos conhecendo pequenos detalhes dessa união que colocam em xeque tal felicidade. O marido parece se dedicar demais ao trabalho, inclusive o sequestro da garotinha se deu durante mais uma de suas viagens profissionais.  Estranhamente seu sócio, Ben Tomlisson (Stuart Hughes), há tempos não viaja alegando passar mal em voos. Com a ajuda de seu companheiro de trabalho Andy (Jonathan Goad), Beck começa a suspeitar de que o rapto claramente foi feito por alguém que conhecia bem a família, afinal em meio a uma importante negociação que Mike fecharia durante a viagem à Nova York, nada mais apropriado que pedir um polpudo resgate. Beck ainda tem a sorte de contar com uma espécie de poder mediúnico que a faz ver imagens do sequestro com riqueza de detalhes, mas o rosto do criminoso obviamente não aparece afinal algum mistério tem que ficar no ar.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

VOCÊ É O PRÓXIMO

NOTA 9,0

Terror surpreende com cenas
sádicas e violentas aliadas a um
texto que, embora não guarde surpresas,
deixa o espectador em tensão constante
Se em décadas passadas John Carpenter, de A Bruma Assassina, e Wes Craven, de Pânico, eram sinônimos de terror, agora é o momento de passar o bastão para outros. James Wan, de Invocação do Mal, é “o cara” quando o assunto é meter medo, mas correndo por fora temos também Adam Wingard... Quem? Realmente seu nome ainda não tem o poder de atrair público aos cinemas, mas já tem sua turminha de fãs virtuais. Com um ritmo de trabalho acelerado, suas produções de baixo orçamento e calcadas em violência e realismo certamente fariam sucesso caso o mercado de locação estivesse em voga, assim como bombam entre os adeptos de download e assistir online. O ABC da Morte e V/H/S são alguns dos longas lacradores que lançou, mas que para nós brasileiros só se tornaram conhecidos pela internet. Enquanto Wan tem o respaldo de grandes produtoras e distribuidoras a seu favor, Wingard conta com a sorte do boca-a-boca do público. De olho nesses sucessos paralelos, Você é o Próximo acabou se tornando uma experiência, ainda que tímida, para ver a repercussão do trabalho do diretor em circuito comercial. A trama gira em torno da família Davison que vai um passar um fim de semana em uma casa de campo para comemorar o aniversário de casamento dos patriarcas Paul (Rob Moran) e Aubrey (Barbara Crampton). O primeiro convidado a chegar é Crispian (A. J. Bowen) que traz a namorada Erin (Shami Vinson), uma tímida e doce ex-aluna sua. Frustrado com os rumos de sua vida, ele é o tipo que almeja demais, porém, não é destemido e inveja seu irmão mais velho Drake (Joe Swanberg), considerado o orgulho da família com um emprego estável e já formando sua própria família com Kelly (Sarah Myers), esta que no fundo esconde sua infelicidade. Já Felix (Nicholas Tucci) seria a ovelha negra do grupo, desajustado, misterioso e que se relaciona com Zee (Wendy Glenn), uma companheira tão excêntrica quanto ele. Por fim, a caçula Aimée (Amy Seimetz) é o xodó de todos, mas não deixa de ter um problema a tiracolo visto que seu namorado Tariq (Ti West) é um diretor de cinema incompreendido. Os vinte minutos iniciais que servem para apresentar tais personagens são pontuados por pistas do que está por vir, podendo até tornar-se óbvio o mistério antes mesmo das ameaças surgirem, mas nada que desmereça a produção. O negócio aqui é suspense, violência e sangue, muito sangue!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

UM FAZ DE CONTA QUE ACONTECE

NOTA 8,5

Adam Sandler dosa seu
humor caracterísico para
se enquadrar ao estilo
Disney de fazer cinema
Adam Sandler é um ator que fincou raízes no gênero comédia e coleciona milhares de fãs por todo o mundo, principalmente pelo fato de seus personagens conquistarem a simpatia imediata com as platéias. Ele está acostumado a viver trintões que se esqueceram de crescer e que só pensam em diversão e mulheres, assim palavrões e piadas de duplo sentido estão sempre na ponta de sua língua, ainda que ele não seja o ator mais desbocado de sua geração. Porém, muitas crianças também são fãs do comediante e talvez por isso ele tenha sido escalado para protagonizar Um Faz de Conta que Acontece, comédia familiar dos estúdios Disney que nos últimos anos tem repensado seu manual de trabalho. Antes seria difícil acreditar que um longa protagonizado pelo astro de Click ou Gente Grande saísse da casa do Mickey Mouse, entretanto, a escolha foi acertada. O ator está totalmente a vontade interpretando, para variar, um cara que já não é mais nenhum adolescente, mas ainda não sabe bem o que quer da vida e vive de sonhos. Ele interpreta Skeeter Bronson, um rapaz que cresceu vivendo o cotidiano agitado de um gigantesco e refinado hotel que seu finado pai construiu. Já adulto, ele é uma espécie de funcionário mil e uma utilidades do local, mas sonha com uma grande chance de trabalho lá mesmo. Sua pacata vida muda completamente quando sua irmã Wendy (Courteney Cox) deixa seus dois filhos, Patrick (Jonathan Morgan Heit) e Bobbi (Laura Ann Kesling), aos seus cuidados. Entreter as crianças não é uma tarefa fácil, mas ele recebe a ajuda de uma amiga da sua irmã, Jill (Keri Russell), que as leva e busca na escola, assim diariamente encontrando com Skeeter. Como praticamente tudo na vida do rapaz, conquistar o amor da jovem parece ser um sonho impossível. Aliás, é justamente colocando a imaginação em primeiro lugar que esse tiozão consegue prender a atenção dos sobrinhos. Ele começa a contar histórias e elas o ajudam a narrar eventos inimagináveis e nos mais diferentes lugares, desde a antiguidade na Grécia, passando pelo velho oeste e chegando até o futuro no espaço. Descartando os cenários improváveis, Skeeter se surpreende ao perceber que situações do seu dia-a-dia passam a acontecer de acordo com o rumo que as crianças deram à história que foi contada no dia anterior, mas a diversão acaba se tornando um problema a partir do momento em que ele começa a manipular os sobrinhos para eles criarem a continuidade dos contos de acordo com aquilo que ele deseja que aconteça de verdade em sua vida. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

DEIXE-ME ENTRAR

NOTA 8,0

Refilmagem de inesperado
sucesso sueco literalmente
copia o original e traz uma
nova visão sobre os vampiros
O cinema produzido fora do circuito hollywoodiano cada vez mais vem ganhando projeção e admiração não só da crítica especializada, mas também do público. Porém, basta fazer sucesso que logo os produtores ianques se entusiasmam e correm atrás dos responsáveis para comprar os direitos de refilmagens. Isso acontece há anos, mas essa onda tem se intensificado devido a escassez de ideias que o cinema americano frequentemente enfrenta. Um dos trabalhos do tipo que gerou certo burburinho foi o suspense Deixe-me Entrar, produção que foi lançada com a propaganda extra de ser baseada no longa sueco Deixa Ela Entrar, um sucesso inesperado que foi exibido em diversos festivais de filmes de terror e independentes e chamou a atenção dos americanos. Produção de horror fazendo um paralelo com a chegada da adolescência, o longa de Tomas Alfredson reúne uma série de virtudes, ainda mais se considerando o gênero ao qual pertence. Roteiro inteligente, boas atuações, efeitos especiais usados com parcimônia e uma fotografia invejável são alguns dos elogios que cabem à fita. Como em Hollywood hoje em dia pouco se cria e muito se copia, não demorou muito e o texto já estava nas mãos do diretor Matt Reeves para ganhar uma refilmagem. Diretor do inesperado sucesso Cloverfield - Monstro, o cineasta foi escolhido justamente por saber como aguçar a curiosidade dos espectadores. Somado a isso o entusiasmo pela boa aceitação da obra original e a atração que vampiros sempre exerceram em um público cativo, o projeto já nascia com tudo para dar certo e até serviu para mostrar uma nova forma de enxergar tais criaturas, não tão sanguinolentas e perversas como nos filmes de terror e longe da aura romântica que ganharam em Crepúsculo. A trama gira em torno de Owen (Kodi Smit-McPhee), um garoto solitário que vive com a mãe após a separação dos pais. Frequentemente ele é provocado e humilhado pelos valentões da escola e nutre dentro de si um desejo de vingança que extravasa as escondidas e para si mesmo. Certa noite ele conhece sua vizinha Abby (Chloe Moretz), uma garota que aparenta ter a mesma idade que ele, vive nas sombras e é tão quieta e sozinha quanto Owen, o que gera uma identificação imediata entre eles. Logo os dois estão trocando confidências e debatendo sobre a solidão ou a sensação de se sentir diferente dos outros, porém, o garoto nem desconfia que a jovem guarda segredos muito peculiares: ela é muito mais velha que sua aparência indica e precisa se alimentar de sangue. Para consegui-lo, seu acompanhante (Richard Jenkins) realiza assassinatos na calada da noite com o intuito de retirar o sangue das vítimas e levá-lo para Abby que se esforça ao máximo para não deixar que seus instintos a dominem forçando-a a matar para sobreviver, mas certamente uma hora será impossível conter seu instinto de violência. Ambos tentando se esconder daqueles que podem lhes fazer algum mal, não é de se estranhar que a noite para eles é uma benção e o momento que se sentem mais a vontade.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

DESVENTURAS EM SÉRIE

NOTA 10,0

Junção de enredos de três
livros infanto-juvenis resulta
em excelente filmes que mescla
comédia e suspense com perfeição
Existem estilos de filmes que marcam determinadas épocas e sem dúvida a primeira década do século 21 foi marcada pelo gênero fantasia e adaptações de uma literatura que dificilmente cai no gosto dos críticos especializados, mas encontra as atenções que merece por quem realmente importa: o público. Os longas acerca de circunstâncias fantasiosas e oníricas bombaram nos anos 80, como A História Sem Fim e A Princesa Prometida, e em pleno início do século 21 eles continuam com tudo tendo como suporte a literatura. Visando lucrar não só no escurinho do cinema e com a venda de mídias domésticas, mas também com bugigangas e produtos alimentícios, por exemplo, muitas produtoras e estúdios bancaram as adaptações de livros que não raramente caíram no gosto popular, porém, nem todos os filmes representantes dessa corrente foram sucesso ou alguns precisaram da ajuda do tempo para consolidar-se. Desventuras em Série é um título de destaque desta safra, ainda que sua publicidade não tenha tido o alicerce de um conglomerado extra de produtos como mochilas e lancheiras para garantir sua longínqua vida. Contudo, até hoje ele permanece vivo na memória de quem o viu e aguçando a vontade de novos espectadores simplesmente com sua história deliciosa e criativa que mescla fantasia, humor e suspense em doses generosas para agradar crianças e adultos. Baseado na série de livros “A Series of Unfortunate Events”, de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), o longa conta a história dos irmãos Baudelaire, Klaus (Liam Aiken), Violet (Emily Browning) e Sunny (Kara e Shelby Hoffman, gêmeas que se alternaram nas filmagens), que repentinamente recebem a notícia de que seus pais morreram em um incêndio. Como são menores de idade eles não podem herdar a fortuna da família até que Violet, a mais velha dos três, completar a maioridade. Enquanto isso, eles devem ficar sob a tutela de algum parente. Assim, as crianças são levadas pelo Sr. Poe (Timothy Spall), um amigo da família, para morar com o Conde Olaf (Jim Carrey), um parente distante, muito ganancioso e esquisito, que deseja tomar a fortuna deles. Para isso, ele não medirá esforços para se livrar do trio. Começa assim a peregrinação das crianças em busca de uma vida digna de casa em casa de parentes excêntricos e desconhecidos, mas sempre com Olaf por perto preparando alguma armadilha afinal se nenhuma das crianças existissem um outro parente poderia usufruir do benefício legalmente.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O GATO DO RABINO

NOTA 8,0

Resumindo a trama à diálogos
acerca de discussões sobre crenças,
ritmo fica comprometido, compensando
a beleza e a riqueza da animação
Graças a festivais e premiações temos a oportunidade de assistir a animações fora do eixo Hollywood e com estéticas e propostas diferenciadas, mas são raras as produções do tipo que depois de sessões especiais para cinéfilos de carteirinha conseguem distribuidores para entrarem em circuito de exibição ou lançamento para consumo doméstico. Ainda que timidamente, O Gato do Rabino conseguiu quebrar esse paradigma, mas ainda assim ficou restrito aos espectadores mais cults, a começar pelo fato de não ser destinado às crianças e sim pensado para os adultos. Vencedora do César (o Oscar Francês) de melhor animação e premiado no Festival de Annecy (destinado apenas a produções do gênero), a produção, embora de época, aborda assuntos ainda em voga em torno de dogmas religiosos, mas sem envolver questões a respeito de políticas e disputas de territórios, focando mais nas ideologias que regem as crenças. Como o próprio título deixa claro, o protagonista não tem nome, sempre foi chamado simplesmente de o gato do rabino. Embora culto e refinado, o bichano ainda mantém os institutos naturais de sua espécie, o que o leva a devorar o papagaio de seu dono, o rabino Sfar. Imediatamente após este fato ele começa a falar, embora jure que não comeu a tal ave, e assim passa a verbalizar suas ideias acerca de amor, sociedade e crenças. Chocado com os pensamentos e questionamentos do animal, Sfar passa a temer pela má influência que ele poderia exercer sobre sua filha, a jovem e bela Zlabya. Ela e o gato não se desgrudam e agora que ele sabe falar e até ler a convivência torna-se ainda mais intensa. O rabino então procura impor limites para esse relacionamento, mas amolece seu coração quando o felino lhe conta sobre o desejo de se tornar judeu, incluindo a expectativa para a hora de fazer seu Bar Mitzvá, tradicional cerimônia judaica que marca para os meninos a transição da adolescência para a maioridade religiosa. Seu dono então precisa consultar seu próprio rabino, este que repudia a ideia de converter um animal, o que gera discussões envolvendo questões filosóficas e de teologia que infelizmente acabam comprometendo o ritmo.

domingo, 21 de agosto de 2016

STAN HELSING

Nota 0,5 Sátira a filmes de terror limita-se a oferecer apenas erros e vergonhas de seus similares

Quando estreou o primeiro filme da série Todo Mundo em Pânico ninguém duvidava que muitos capítulos iriam vir a seguir afinal de contas material para satirizar jamais faltaria. O problema é que após o original perdeu-se o fio da meada (o mínimo que segurava as pontas) e os roteiros começaram a atirar para tudo quanto é lado sem chegar a lugar algum. Variando os gêneros a serem achincalhados, outros derivados dessa linha como Deu a Louca em Hollywood, Super-Herói- O Filme e Espartalhões mostraram esgotamento da fórmula logo em seus primeiros filmes, provando o oportunismo que os sustentam. A ideia basicamente é fazer alguns trocados tirando sarro de produções famosas, de preferência recentes para não exigir demais do cérebro do público-alvo dessas fitas. Vendo por esse lado, Stan Helsing tinha potencial para ir além, a começar pelo seu título que evoca a lendária figura de Van Helsing, o caçador de monstros. Stan (Steve Howey) poderia ser um descendente deste herói da antiguidade que em pleno século 21 deveria combater assombrações modernas oriundas do cinema como Freddy Krueger, Jason Vorhees e Michael Meyers, mas a vontade que temos é de que estes monstros não estejam de brincadeira e realmente trucidam o protagonista e sua turma de amigos. Depois eles mesmos poderiam se suicidar. São péssimos! Na noite de Halloween, esse babaca está a caminho de uma festa na companhia dos amigos Teddy (Kenan Thompson), Nadine (Diora Baird) e Mia (Desi Lydic), mas antes precisa fazer uma entrega para seu chefe em um lugar distante. Pegando um atalho, já sabemos que as coisas vão sair dos trilhos. O quarteto vai parar em um sombrio condomínio onde no passado funcionava uma produtora de filmes de terror, mas cujas atividades foram interrompidas por causa de um grave incêndio. Opa! Acidentes mal resolvidos, lugares assombrados, uma cidade que dá toque de recolher à meia-noite... até que o argumento tem potencial, mas tudo é desperdiçado pelo roteirista e diretor Bo Zenga que parece apenas querer brincar de alinhavar porcamente referências a filmes de terror, conseguindo risadas amarelas de alguns poucos que conseguem entender as piadas afinal quem não é fã de sangue e tripas deverá ficar boiando.

sábado, 20 de agosto de 2016

VENOM (2005)

Nota 3,0 Mais um serial killer indestrutível e repetitivo tenta inaugurar franquia de terror

Entre os anos de 1970 e 1980 ao menos três filmes de terror fizeram estrondoso sucesso apoiando-se nas enigmáticas e arrepiantes figuras de seus protagonistas psicóticos. Michael Myers, Jason Voorhees e Freddy Krueger, respectivamente de Halloween, Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, acabaram entrando com tudo na cultura pop de todo o mundo, mas suas continuações repetitivas e com declínio em termos de qualidade, além das centenas de produções genéricas que pegaram carona na moda dos slashers, acabaram esgotando a fórmula. Nas décadas seguintes muitos tentaram lançar um novo serial killer que fizesse tanto sucesso quanto seus antecessores, mas apenas o assassino da série Pânico teve êxito, ainda que não tenha escapado da derrocada também pela falta de originalidade de seus capítulos seguintes. Entre as várias tentativas de uma nova franquia de terror, muitos títulos caíram imediatamente no esquecimento como é o caso de Venom. Não! Um dos inimigos do Homem-Aranha não ganhou seu filme-solo, esta é apenas uma infeliz coincidência. A história é o basicão de sempre. Um grupo de adolescentes que temos vontade de trucidar com nossas próprias mãos, tamanha a empatia que se estabelece, passa a ser perseguido por um assassino implacável. Ele é Ray Sawyer (Rick Cramer), caminhoneiro que se envolve em um acidente fatal com a Sra. Emmie (Deborah Duke), mulher misteriosa conhecida por lidar com rituais de vodu. No momento da tragédia ela trazia uma maleta que guardava serpentes com dons sobrenaturais que caem em um pântano junto com o corpo do rapaz que é picado por elas e imediatamente volta à vida, porém, com uma força descomunal e parecendo imune a qualquer tipo de ameaça. Ray agora carrega a maldade de dezenas de pessoas exorcizadas em rituais de magia negra e como uma máquina de matar não pensará duas vezes quando alguém cruzar seu caminho.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A HORA DO ESPANTO (2011)

NOTA 7,0

Refilmagem procura manter
o clima obscuro e o tom de
humor da obra original, mas
efeitos especiais prejudicam
Em uma época em que o produto filme é tratado praticamente como um lixo até mesmo por aqueles que se dizem cinéfilos de carteirinha ou pode ser comparado a uma refeição de restaurante fast food que tem tempo cronometrado de validade e, diga-se passagem, uma vida útil bem curta, recorrer aos remakes infelizmente parece ser a única maneira de fazer com que as novas gerações conheçam produções de sucesso do passado. Os produtores de cinema, até pela falta de bons roteiros no mercado, acabam recorrendo ao túnel do tempo em busca de enredos que marcaram época acreditando que com um título famoso em mãos o sucesso é garantido, mas é certo que nas comparações entre o original e a refilmagem o precursor geralmente sai ganhando e a nova versão passa a ser alvo de críticas negativas afinal o primeiro é novidade, o que vem depois é mais do mesmo. O público provavelmente já devia estar cansado de decepções com remakes e por isso não deu muita bola para a segunda versão de A Hora do Espanto, clássico de terror dos anos 80 que conseguiu se destacar em meio a tantas produções sanguinolentas da época justamente por causar impacto nas plateias muito mais por sugestionar o medo do que o escancarando por completo. Nem mesmo a publicidade que a refilmagem chegaria aos cinemas em versão 3D fez o público se entusiasmar a sair de casa, tanto que no Brasil o longa teve uma passagem relâmpago e vergonhosa pelas salas de exibição e nem mesmo em solo americano fez barulho. Será que as pessoas já estavam calejadas de remakes duvidosos ou felizmente perceberam que os efeitos tridimensionais é apenas uma trucagem dos estúdios para roubar alguns trocados a mais de seus bolsos? Bem, realmente os efeitos em três dimensões neste caso são péssimos e nas versões comuns acabam estragando sequências inteiras pelo toque de artificialidade que conferem a elas. Por outro lado, é uma pena que alguns até hoje não tenham visto a recriação de Craig Gillespie, cineasta que despontou com a comédia dramática A Garota Ideal. Sua versão para este marco do terror não é tão boa quanto a original, mas passa longe de ser uma decepção total simplesmente porque ele tinha consciência de que este trabalho não poderia almejar ser mais do que o original foi: um delicioso “terrir”. Assim o diretor combinou diversão e tensão em doses generosas, uma mistura que parece que o cinema de horror descartou hoje em dia, mas precisou abrir mão do teor sexual que continha no primeiro filme afinal foi uma das empresas do grupo Disney que financiou o projeto. Todavia, ainda assim a obra não é açucarada, pelo contrário, conta com um delicioso clima sedutor sem precisar exibir nudez ou cenas constrangedoras. Além disso o tom de suspense foi mantido graças ao empenho da equipe cenográfica e de fotografia que capricharam para manter uma aura de mistério a cada novo take.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

LIÇÃO DE AMOR

NOTA 5,5

Comédia romântica italiana tenta
se aproximar ao estilo de Hollywood,
mas peca ao rechear a trama com
personagens e situações em excesso
Na Itália não se faz apenas dramas de época ou comédias escrachadas sobre relações familiares. Comédias românticas contemporâneas também têm espaço e isso é provado pela simpática produção Lição de Amor. Ela não é revolucionária e não apresenta novidade alguma que já não tenha sido visto e revisto em similares feitos em Hollywood, mas para os padrões de cinema italiano que estamos acostumados ela acaba se tornando um produto diferenciado, para o bem ou para o mal. É claro que chega a ser um crime querer fazer comparações entre este pequeno enlatado e obras primas de cineastas renomados como Frederico Fellini e Lucino Visconti ou até mesmo do contemporâneo Nanni Moretti, não há possibilidade alguma de identificar possíveis inspirações no trabalho dos mestres, mas é preciso constatar que para esta indústria de entretenimento funcionar é preciso ter algumas engrenagens defeituosas. Só assim para entrar dinheiro que possivelmente irá financiar projetos mais criativos e de melhor conteúdo. A situação é parecida com a que o cinema brasileiro vive. A sétima arte em solo italiano também está ensaiando uma fusão com o estilo televisivo e para cada trabalho relevante, mesmo que de pouca projeção popular, devem surgir mais uns oito ou dez descartáveis, porém, lucrativos, para pagar a conta dos “excessos”. Baseado no livro “Scusa ma ti Chiamo Amore” (ago como “desculpa se te chamo de amor” – também título original do filme) escrito por Federico Moccia, grande sucesso entre as adolescentes de lá, a obra aborda um romance vivido por um homem maduro e uma colegial. Falando assim parece que é a história de um aproveitador e uma menina inocente, mas não é nada disso e a diferença de idade entre eles é de 20 anos, o bastante para a relação ser contestada por sociedades conservadoras e muitas vezes hipócritas. Nikki Cavalli (Michela Quattrociocche) é uma alegre jovem de 17 anos que divide seu tempo entre os estudos e os momentos de diversão com os amigos. Já Alessandro Belli (Raoul Bova), ou simplesmente Alex, é um publicitário de sucesso que adora levar uma vida organizada e sem solavancos. Eis que ironicamente o destino lhe prepara duas surpresas. Abandonado pela namorada Elena (Veronica Logan), a mulher que julgava ser sua alma gêmea, o rapaz entra em uma profunda crise pessoal e sua vida social se restringe aos convites dos seus velhos amigos que tentam tirá-lo da fossa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

AS AVENTURAS DE PADDINGTON

NOTA 7,0

Popular personagem inglês ganha
seu próprio filme e embora divertido,
bem realizado e ideal para toda família,
 não teve reconhecimento merecido
Os EUA é uma verdadeira fábrica de personagens populares e icônicos criados para livros, televisão, quadrinhos e cinema, porém, suas famas atravessam fronteiras com enorme facilidade. Provavelmente todos os países tem o mesmo potencial para lançar tipos interessantes, mas talvez não o mesmo traquejo para torna-los universais. Alguém já imaginou nossos folclóricos Saci Pererê ou Currupira ou até mesmo os personagens do “Sítio do Pica-Pau Amarelo” formando fila nos cinemas ou nas livrarias americanas por exemplo? Já Maurício de Souza encontrou no marketing social as vias para levar Mônica e sua turma para centenas de países, conseguindo projeção atingindo certos nichos de público, mas nunca houve notícias de que os filmes da trupe tenham bombado fora do Brasil. E o que dizer do ursinho inglês Paddington?... Quem? Certamente é este desconhecimento que fez o filme-família As Aventuras de Paddington passar em brancas nuvens e até mesmo os canais de TV fechados o esnobarem, uma grande injustiça com uma produção caprichada e divertida, embora previsível e bastante infantil, porém, de fácil identificação com os adultos de coração e mente abertos. O pequeno e educado urso do título foi criado em 1958 pelo escritor Michael Bond e desde então protagonizou diversas aventuras literárias e até estrelou uma série de animação para a televisão na década de 1970, mas fora do território britânico ele é um desconhecido, mesmo após o lançamento do filme cuja intenção era popularizar sua imagem e certamente abrir caminho para uma franquia cinematográfica acompanhada de licenciamento de produtos. A narrativa tem um prólogo em preto-e-branco apresentando um pequeno e antigo filme gravado pelo explorador Montgomery Clide (Tim Downie) em busca de uma rara espécie de ursos nas florestas do Peru (forçando a globalização da trama?), animais com quem acaba fazendo amizade e prometendo hospedagem caso algum dia resolvessem passear pela longínqua Londres. Durante o tempo que conviveu especificamente com uma família deles, o estudioso lhes ensinou um pouco de sua língua e passou o hábito de comer marmelada, segundo os próprios ursos o alimento perfeito para suprir as necessidades diárias de um membro da espécie. Décadas mais tarde, esse clã vive uma tragédia sobrando apenas o caçula e sua tia que acha melhor mandá-lo em busca do tal explorador levando junto o chapéu vermelho que o britânico havia deixado de lembrança.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

OLDBOY (2003)

NOTA 9,0

Mescla de drama e suspense
é imprevisível, cheio de
reviravoltas e desperta as
mais variadas sensações
É curioso como uma pequena indicação no pôster ou na capa do DVD de que um filme concorreu ou ganhou algum prêmio consiga fascinar tanto o público. Se o Oscar ou o Globo de Ouro para alguns é sinônimo de qualidade, para um nicho apenas aparentemente pequeno outras premiações têm importância bem superior, como é o caso do Festival de Cannes, badalação que tratou de fomentar a fama de Oldboy, misto de drama, ação e suspense oriundo da Coréia do Sul cuja temática e estética estão longe da delicadeza das tradicionais obras locais ou da suntuosidade de seus longas de artes marciais e épicos. Quem encara produções do tipo apenas na lábia de que podem ser considerados intelectuais ou chiques por tal atitude certamente levam um soco no estômago duas vezes mais dolorido que aqueles que já estão acostumados e apreciam um cinema mais visceral. E o que deve ter de gente que se arrependeu amargamente de viver esta experiência proposta pelo cineasta Chanwook Park deve surpreender, mas não tanto quanto o espanto de ver o número de críticas positivas à produção. Goste ou não, é certo que esta obra não deixa de mexer com o emocional de ninguém. Pode arrancar elogios ou xingamentos inflamados, mas ninguém fica passivo à perturbadora e bizarra história de Dae-su Oh (Min-sik Choi), rapaz que é detido brevemente pela polícia após uma bebedeira, foi solto, mas foi novamente retido, porém, não sabe por quem. O fato é que ele acorda em uma espécie de quarto de hotel onde permaneceu enclausurado durante quinze anos. Nesse tempo ocioso ele só consegue pensar em descobrir quem fez aquilo, mas aparentemente existem diversas possibilidades para responder tal dúvida. Entre sessões de hipnose através de um gás que o faz dormir, treinos de boxe com a parede e a escrita de um diário pessoal, este homem vive alimentando o desejo de vingança a qualquer preço. O único contato seu com o mundo exterior é através das informações que consegue através da televisão e assim fica sabendo que sua esposa foi assassinada e que ele é o principal suspeito do crime. Quando libertado, mesmo com a memória comprometida, Dae-su imediatamente quer começar a desvendar o que aconteceu e aos poucos passa a encontrar pessoas que podem ajudá-lo nessa missão, mas nada que o faça esquecer da vingança.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O HOMEM DAS ESTRELAS

NOTA 9,0

Protagonista é o retrato do povo
humilde da Sicília após a Segunda
Guerra e faz uso da magia do cinema
para sobreviver em tempos de incertezas
Giuseppe Tornatore é um diretor italiano que gosta de exaltar sua terra natal em sua filmografia, porém, não deixou se inebriar totalmente pelo tom da regionalidade e se envolveu em projetos com temas universais e sempre que pode demonstra seu amor pelo cinema de forma implícita ou escancaradamente explícita. O resultado é que seu nome atravessou fronteiras e é famoso no mundo todo, apesar de uma filmografia irregular com altos e baixos, mas tudo leva a crer que daqui alguns anos qualquer trabalho seu será tratado como uma verdadeira preciosidade. Amantes da sétima arte já topam pagar qualquer pequena fortuna para ter em sua coleção algumas de suas obras e curiosamente boa parte delas permanecem inéditas em DVD, como por exemplo O Homem das Estrelas, um filme de muito requinte e bom gosto vencedor do Grande Prêmio Especial do Júri do Festival de Veneza, uma honra que o torna marcante, mas inexplicavelmente esquecido por grande parte do público. Assim como em seu grande sucesso Cinema Paradiso, Tornatore investe mais uma vez em uma homenagem ao mundo cinematográfico através do personagem Joe Morelli (Sergio Castellito), um homem solitário que no início da década de 1950 chega a uma cidadezinha no interior da Sicilia no período pós-guerra e anuncia que procura novos rostos para trabalharem em filmes. Ele arma uma barraca na praça central e oferece a uma quantia modesta testes com candidatos a futuros astros da telona. Na realidade tudo não passa de uma mentira que ele transforma em seu ganha pão sem se preocupar se quem vai procurá-lo é um milionário exibicionista ou um humilde que busca uma chance de crescer na vida. A cada nova pessoa que o procura, muito mais que revelar talentos, o rapaz encontra instigantes histórias pessoais, porém, ele não se envolve com elas e vê o seu trabalho com frieza e apenas pensando nos resultados financeiros. Tudo muda quando aparece em sua vida Beata (Tiziana Lodato), uma moça que também está sozinha no mundo e acaba se afeiçoando àquele homem. Não demora muito e o amor entre os dois floresce. Pena que as alegrias duram pouco, pois o casal irá pagar um preço caro pelo passado de erros de Morelli.

domingo, 14 de agosto de 2016

FORÇAS DO DESTINO

Nota 2,0 Carisma de atriz e beleza de astro não são suficientes para segurar fita sem história

Sempre que algum artista se destaca é batata que os produtores vão tentar sugar ao máximo desse sucesso e exposição, assim é comum observarmos algumas filmografias e identificarmos o auge de certos astros e estrelas, um ou mais períodos em que dominaram a cena. Como uma andorinha só não faz verão, muitos projetos visivelmente foram concebidos focados na união de intérpretes em evidência, mas as vezes o alvo que era para ser certeiro acaba sendo um tremendo tiro no pé. Forças do Destino é um bom exemplo. Simplesmente não enxergamos outro motivo para sua existência senão a vontade dos envolvidos em fazer grana fácil em cima da publicidade do primeiro (e se Deus quiser único filme para todo o sempre) encontro de Sandra Bullock e Ben Affleck. Ainda colhendo frutos do blockbuster de ação Velocidade Máxima, na época comemorando seu quinto aniversário, a atriz até então não havia estrelado nenhum outro fenômeno, mas seu nome por si só já garantia o aval para alguns filmes serem produzidos. Já o ator estava se habituando com a fama repentina conquistada após o Oscar como roteirista pelo drama Gênio Indomável e pela superexposição de ter protagonizado a aventura apocalíptica Armageddon. Ambos bem na fita, reuni-los em uma produção com pegada romântica era sucesso na certa, mas o fato é que a diretora Bronwen Hughes, da comédia-familiar A Pequena Espiã, confiou demais no poder de fogo da dupla e aparentemente os deixou livre para fazerem o que quisessem durante as filmagens. Divirtam-se! Façam aquilo que sabem ou gostam! Pelo menos é essa a sensação que temos ao ver um trabalho que não se define entre a comédia, o romance, a aventura, o drama ou se assume sua aura de pornô-soft. O resultado parece um clipe publicitário para os protagonistas venderem sorrisos de um branco reluzente e exibirem suas boas formas com uma ou duas cenas mais sensuais. Affleck interpreta o publicitário Ben Holmes (os problemas já começam por esta originalidade), um jovem a caminho de sua cidade natal e que faltando pouco mais de um dia para seu casamento se vê em meio a um turbilhão de emoções. Complicações durante a viagem de avião o forçam a seguir viagem por terra e o destino coloca em seu caminho a maluquinha Sarah, mais uma personagem de bem com a vida e desapegada para o currículo de Bullock. 

sábado, 13 de agosto de 2016

MARÉ DE SANGUE

Nota 1,0 Com início ruim, longa naufraga e nem as cenas violências e de gore o fazem reagir

Um material publicitário bem feito pode ser a salvação para um filme de baixo orçamento ressaltando suas qualidades implícitas ou ser a desgraça do espectador que acaba comprando gato por lebre. Nesta segunda opção se encaixa Maré de Sangue que só pelo fato de não ter passado nos cinemas e ser do gênero de terror já gera desconfianças de que bomba vem por aí. Dito e feito. O que parecia ser um filme épico sobre piratas sanguinários ou uma história de fantasmas passada em alto-mar no fim se resume a uma fraca trama envolvendo assassinos masoquistas e jovens cujo comportamento depravado e irritante nos faz torcer por suas mortes o mais breve possível. A história gira em torno de um grupo de amigos que buscam sarna para se coçar indo pescar no meio do nada e curtir um fim de semana no barco do playboyzinho Trailor (Jason Mewes). A trupe só quer saber de festa, bebidas e sacanagem e se empolga ainda mais quando a pescaria começa a render literalmente peixões, mas nem desconfiam que o misterioso capitão Belvin Lee Smith (Richard Riehle) está oferecendo a eles um tipo de isca muito especial, mais cara e eficiente que as comuns: carne humana. Não demora muito para a embarcação apresentar problemas e deixar os jovens à deriva, mas logo um outro barco surge e seus tripulantes oferecem ajuda quando na verdade estão pescando facilmente suas novas vítimas. Smith faz parte deste bando que sequestra, estupra e mutila em alto-mar, mas dificilmente algum espectador estará disposto a torcer para que alguém sobreviva ao massacre. Escrito e dirigido por Matt L. Lockhart, a produção começa com sinais de que do início ao fim a grande diversão será contar os seus erros, a começar pela ridícula abertura que já entrega o ouro mostrando uma garota sendo caçada por um dos bandidos, cena sem um pingo de tensão, mas risos garantidos com a atuação forçada da moça.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

ANNABELLE

NOTA 6,0

Embora com furos, clichês e atuações
robóticas, longa ganha pontos por
reverenciar o clássico O Bebê de Rosemary
e usar a boneca do mal eficientemente 
Pode parecer loucura, mas não é de se estranhar caso encontre alguém que tenha fobia de bonecas aparentemente inocentes. Hollywood tem certo fetiche por transformar brinquedos em vilões, ironicamente um prazer que teve seu auge e também seu declínio nas mãos do maquiavélico Chuck de Brinquedo Assassino. Depois dele, qualquer produção semelhante automaticamente era rotulada como trash, até que surgiu Annabelle, cuja primeira aparição ao grande público se deu no bem-sucedido Invocação do Mal, do diretor James Wan. Depois de abastecer sua conta bancária e valorizar seu nome com Jogos Mortais, o cineasta passou a investir pesado no campo sobrenatural, mas desta vez por conta da agenda superlotada decidiu assinar a fita apenas como produtor passando a batuta da direção para um de seus pupilos. John R. Leonetti já era seu habitué colaborador quanto a fotografia de suas obras e como diretor já havia feito Mortal Kombat – A Aniquilação e Efeito Borboleta 2, ou seja, seu histórico é bastante suspeito. A história da boneca amaldiçoada não agrega muito ao seu currículo, mas demonstra um pouco mais de consciência cinematográfica, certamente uma conquista que deve a convivência com Wan. A trama tem como protagonistas um jovem casal que está cheio de expectativas com a chegada da primeira filha. Próximo ao fim da gravidez, John (Ward Horton) presenteia sua esposa Mia (Annabelle Wallis) com uma rara boneca para sua coleção e que obviamente virará adorno no quarto criança. Certa noite a casa deles é invadida por um atormentado e agressivo homem membro de uma seita satânica e a esposa do maluco no meio da confusão acaba se suicidando no quarto do bebê e seu corpo é encontrado abraçado junto a tal boneca. Após a tragédia e mais alguns estranhos episódios, como o fogão que provoca um incêndio como se fosse por vontade própria, o casal decide mudar para um apartamento, mas levam a tiracolo o brinquedo e voltam a colocá-lo em posição de destaque no quarto da filha agora já nascida. Obviamente, eles não terão paz na nova moradia, principalmente Mia que passa a maior parte do tempo em casa e assombrada pelas manjadas luzes que piscam em momentos inoportunos, vultos nas escadarias, crianças que fazem desenhos bizarros, visões a qualquer hora do dia e objetos funcionando como se tivessem vida própria, como uma máquina de costura com som atordoante.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

CONFIAR

NOTA 7,0

A pedofilia através da internet
é tratada neste drama através de
um único caso, mas o suficiente
para levar jovens e adultos ao debate
Com dois anos de idade já tem crianças atualmente brincando com a tecnologia. Os quebra-cabeças e os jogos de memórias materiais foram substituídos pelos virtuais. Escolas já ampliam o uso do computador nas mais diversas disciplinas e muitos alunos estudam e fazem trabalhos em grupo sem sair de casa, apenas trocando ideias através de chats na internet. Da dúvida sobre matemática para um bate-papo erótico bastam alguns poucos cliques. Qual pai realmente pode afirmar o que seu filho está fazendo nas horas que passa debruçado sobre o computador ou qualquer outra bugiganga que tenha conexão com a rede mundial de computadores? E não venha dizer que os programas que oferecem bloqueios funcionam as mil maravilhas. Com a sexualidade despertada cada vez mais cedo a molecada não mede esforços para fuçar no que for preciso e dar um jeito de encontrar o mundo proibido que a internet oferece. Você pode dizer meu filho só entra em chats sobre futebol ou a filha só que saber de conversar sobre moda, não há riscos. Será mesmo? Uma rápida busca por alguma palavra-chave ligada ao sexo e você verá que a maioria dos frequentadores de bate-papo só pensa naquilo. Muitos utilizam a internet como uma forma de extravasar frustrações e atingir o prazer virtualmente, mas outros se utilizam desta ferramenta com reais e más intenções. Além dos roubos e sequestros, é preocupante o número de abusos sexuais que só aumentam a cada ano e em todo o mundo por conta de encontros marcados com desconhecidos.  É esse o ponto de partida de Confiar, drama com toques de suspense dirigido por David Schwimmer, ator famoso pelo seriado “Friends”. Após estrear na direção pisando em terreno seguro na comédia Maratona do Amor, o ator surpreendeu com a temática de seu segundo trabalho atrás das câmeras realizando uma espécie de filme-denúncia. Há anos ele apóia uma organização que ajuda vítimas de assédio sexual, principalmente garotas em idade escolar. Dessa forma não é de se estranhar que seu filme procura abordar os mais variados lados do tema, desde a abordagem dos criminosos, o envolvimento da vítima antes e depois do encontro, passando pela reação da família ao assédio e culminando no caso chegando ao conhecimento das autoridades especializadas. Tudo isso é apresentado em cima de um único caso, mas o bastante para envolver o espectador e fazer com que ele sinta as emoções de cada uma das personagens, visto que a grande qualidade desta obra está justamente em seu elenco competente e que encontra espaço para desenvolver seus perfis de maneira totalmente convincente, principalmente depois que o crime é consumado e a relação dos pais com a filha adolescente que já não eram boas ficam ainda mais estremecidas. Exibido nos EUA em circuito restrito por conta da classificação da censura, o longa já chegou a outros países como um produto qualquer, mas não merece tal desprezo, ainda mais pela coragem de trazer uma protagonista de apenas 14 anos para tratar de uma temática em que teoricamente ela também poderia ser uma vítima na vida real, o que explica a ausência de cenas fortes de sexo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

WALLACE E GROMIT - A BATALHA DOS VEGETAIS

NOTA 10,0

Com visual chamativo e retrô,
animação prende a atenção com
história divertida e inteligente,
além de personagens carismáticos
Já faz algum tempo que a animação se transformou em um dos gêneros mais rentáveis do cinema graças as técnicas avançadas de computação gráfica que permitem desenhos mais perfeitos, o que chama muito a atenção dos adultos que não usam mais as desculpas de ter que levar os filhos ao cinema ou alugar tais filmes para eles. Desenho animado virou coisa de gente grande também, tanto é que já existem até longas totalmente animados com temáticas adultas, mas ainda são as produções do tipo família que conquistam melhores resultados. Claro que além de uma excelente qualidade de imagem, também é preciso um bom roteiro para captar a atenção dos baixinhos e dos grandinhos e visando tal responsabilidade os estúdios têm caprichado nesse quesito cada vez mais. Mas será que em meio aos produtos de animação digital ainda há espaço para obras em estilo mais tradicional, como a simpática técnica do stop-motion, aquela que anima bonecos de massinhas? A resposta é sim e o estúdio inglês Aardman prova isso com Wallace e Gromit - A Batalha dos Vegetais, um trabalho com um colorido vivo, detalhista, criativo, ingênuo, divertido, enfim são muitos os adjetivos que podem ser empregados para classificar esta deliciosa animação que preserva em seu visual um irresistível tom nostálgico, mas aplica no texto conceitos que regem os modernos desenhos, como a sátira. Criados por Nick Park, os personagens principais, diga-se de passagem, extremamente carismáticos, já existiam antes do longa-metragem co-dirigido por Steve Box e protagonizaram uma série de curtas premiados, inclusive dois deles conquistaram o Oscar da categoria. Porém, antes de ganharem as telas grandes, o estúdio já havia surpreendido com o excepcional A Fuga das Galinhas que aliava com perfeição técnicas antigas e alguns retoques por computação para movimentar os personagens, um casamento perfeito que permite a produção ter vida em tempos em que muitas animações digitais naufragam justamente por parecerem trabalhos mortos, ainda que envoltos em esmerados cuidados com a parte visual, todavia, sem alma. 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O FADA DO DENTE

NOTA 5,5

Com lições de moral e superação
batidas, longa faz graça com jeito
brucutu do protagonista que literalmente
precisa fazer mágica para voltar a ser feliz
Filmes de ação cheios de pancadarias e tiroteios sabemos que não são feitos para agradar famílias e sim o público masculino, mas sabe como é. O papai começa a assistir, logo a mamãe está do lado no sofá e as crianças colam junto por tabela vidradas em adrenalina. Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone e Bruce Willis foram alguns dos astros fortões que se viram forçados a procurar alguns roteiros mais amenos para agradar a uma parcela de público com o qual não sonhavam. Foram vários os tropeços saindo do campo da ação, sendo que o primeiro grandalhão se saiu ligeiramente melhor encabeçando clássicos sessão da tarde como Um Tira no Jardim Da Infância e Irmãos Gêmeos. Os representantes da nova geração movida a energéticos também se aventuraram como Vin Diesel em Operação Babá, mas quem defende com fervor a bandeira dos valentões de bom coração é Dwayne Johnson, a muito tempo sem precisar acrescentar ao nome artístico a alcunha "The Rock", seu apelido nos tempos em que era lutador de vale-tudo. Assim como seus predecessores, o ator começou no gênero da pancadaria, mas seu sucesso extrapolou o campo da testosterona angariando fã clube feminino e infantil, assim não demorou muito para seu nome ser atrelado a comédias-família, geralmente tirando um sarro de seu jeito brucutu forçosamente tendo que aprender a lidar com crianças. O Fada do Dente deixa isso bem explícito. Ele interpreta Derek Thompson, uma ex-super estrela do hóquei no gelo, mas por conta de uma contusão acabou ficando afastado do esporte por um bom tempo e desacreditando em seu potencial. Quando volta acaba se atrapalhando nas partidas e quase sempre arrancando um dente dos adversários sem querer, assim ganhou o apelido de "o fada dos dentes", alusão a lenda que diz que a criança que perde um dente e deixa debaixo do travesseiro ao acordar ganha um dinheirinho. Contudo, ele faz questão de jogar por água abaixo tal história arruinando os sonhos de Tess (Destiny Whitlock), a filha de apenas seis anos de Carly (Ashley Judd), sua namorada, que estava empolgadíssima com a perda de seu dente de leite, mas ele esqueceu de deixar a recompensa.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

EU TE AMO, CARA

NOTA 7,5

Embora previsível, comédia
ganha pontos colocando os homens em
destaque, discutindo e fazendo graça
com os problemas dos jovens adultos
As comédias românticas há décadas repetem fórmulas manjadas e focam a atenção em personagens femininos estereotipados, relegando aos homens papéis de meros coadjuvantes. Eu Te Amo, Cara se destaca nesta seara por justamente colocar o sexo masculino em destaque, embora não escape da estrutura tradicional do gênero: primeiro encontro, pico da paixão, separação e reconciliação, porém, tudo adaptado à relação de dois brothers e sem o tradicional beijo dos protagonistas no final. O filme não aborda uma temática homossexual, ainda que por vezes resvale no assunto. Na verdade, a fita soa mais como uma exaltação ao sentimento de amizade. O jovem agente imobiliário Peter Klaven (Paul Rudd) está prestes a dar um importante passo em sua vida. Ele acaba de propor casamento à Zooey (Rashida Jones), com quem já vive uma união estável há alguns anos. Tudo parecia perfeito, mesmo com as dificuldades profissionais, mas quando o rapaz escuta por acaso uma conversa da namorada com as amigas um grande vazio o pega de surpresa. Ele se dá conta de que não tem nenhum amigo para compartilhar a novidade, muito menos para convidar para ser seu padrinho. Mais preocupado em colecionar namoradas, engatando uma paquera atrás da outra, e depois sendo fiel à mulher que acredita ser seu par ideal, agora lhe caiu a ficha que de certa forma perdeu parte de sua juventude não dispensando tempo e tampouco vontade de cultivar amizades. Sem lembranças de uma noitada de bebedeira ou de se reunir com a galera para ver um filme ou o futebol pela TV, suas preocupações não são exatamente sobre o que deixou de experimentar e sim o receio de ser apontado como um esquisitão. Desesperado, Klaven decide pedir ajuda à Robbie (Andy Samberg), seu irmão gay que trabalha como instrutor em uma academia. Como conhece muita gente certamente ele lhe arranjaria algum amigo, mas o corretor de imóveis acaba participando de uma série de encontros fracassados, desde imbróglios marcados pela internet, passando por uma vexatória noite com um grupo de machos convictos até o óbvio jantar com um homossexual que desconhece as reais intenções do jovem.

domingo, 7 de agosto de 2016

QUERO FICAR COM POLLY

Nota 4,0 Ben Stiller repete pela enésima vez papel do cara boa praça, mas que vive em confusão 

Ben Stiller está para as comédias dos anos 2000 assim como Jim Carrey é sinônimo do gênero para a década de 1990. Ambos usam e abusam de caras e bocas, além de movimentos corporais esdrúxulos para fazer o público rir. A diferença é que o astro da série Uma Noite no Museu encontrou um terreno seguro em produções com um leve teor romântico, mas sem abandonar seu estilo de humor que torna seus personagens cativantes. Com suas caretas e por vezes ingenuidade é que nos simpatizamos com Reuben Ferrer, o protagonista de Quero Ficar com Polly, um sujeito pacato que é um conceituado corretor de seguros de vida. Assim como faz no trabalho ele é precavido e calcula os riscos de cada passo que dá, mas tanto cuidado não evitou que sofresse uma baita decepção amorosa. Lisa (Debra Messing) parecia a esposa perfeita, mas em menos de 24 horas de casados ela o trai em plena lua-de-mel. Arrasado, o rapaz adianta sua volta para casa e mergulha de cabeça no trabalho, porém, poucas semanas após a separação encontra um novo amor, ou melhor, reencontra. Em uma badalada festa de grã-finos ele é abordado pela garçonete Polly Prince (Jennifer Aniston), uma amiga dos tempos do colégio. Embora atrapalhada, descolada e sem neuras, um perfil completamente diferente ao do metódico corretor, o rapaz acredita que poderia amar e ser amado novamente. Para tanto ele faz alguns esforços para conquista-la como aprender a dançar salsa ou frequentar restaurantes exóticos e provar pratos um tanto condimentados, mesmo sabendo de seu problema de intolerância alimentar. Já é de se esperar qual a cena mais emblemática do filme, não é? Pena que cego de amores Ferrer não percebe que apesar do carinho e atenção a moça não é muito acostumada a relacionamentos duradouros, mas quando ela está prestes a ceder à pressão o destino manda uma surpresinha que o corretor não calculava para sua vida a esta altura. E a trama se resume a isso. Claramente uma junção de piadas nem sempre funcionais alinhavadas por um fiapo de história de amor sustentada pelo carisma de seus protagonistas, valendo elogios à Aniston que parece bem a vontade no papel de moça aparentemente avoada, mas talvez mais pé no chão que seu interesse romântico.

sábado, 6 de agosto de 2016

A APARIÇÃO (2012)

Nota 0,5 Monótono, vazio e sem sustos, longa é má desculpa para dar sobrevida a jovens atores

Os filmes que usam o chamado “found footage” (edição de vídeos caseiros supostamente reais), como Atividade Paranormal, e aqueles que aprisionam alguns poucos personagens em um local assombrado, como A Casa Silenciosa, já deram o que tinha que dar e A Aparição era a pá de cal que faltava para cobrir seus túmulos. Simplesmente se resume a um mix de escancarados clichês sem propósito algum, a não ser uma tentativa desesperada de dar sobrevida a subcelebridades lançadas em filmes destinados ao público juvenil. Ashley Greene era uma das vampiras coadjuvantes de Crepúsculo e suas continuações, mas não tem o menor talento para protagonista, tampouco simpatia para tanto. O mesmo se pode dizer de seu parceiro de cena Sebastian Stan, cujo trabalho de maior destaque foi em O Pacto, terror adolescente esquecido. Sem o menor entrosamento, a dupla interpreta Kelly e Ben, um jovem casal de namorados que decide experimentar como é dividir o mesmo teto e vão passar uma temporada em uma propriedade da família dela. Obviamente a casa, embora faça parte de um conglomerado residencial, está isolada tanto por sua localização afastada quanto pela ausência praticamente de vizinhos. As expectativas de uma vida harmoniosa a dois caem por terra quando estranhos fenômenos passam a atormentá-los. Portas trancadas se abrem sozinhas, móveis mudam de lugar sem mais nem menos, problemas constantes com eletricidade, roupas aparecem com nós e bolores brotam nos mais diversos lugares da casa. Enfim, tudo quanto é clichê do gênero bate cartão. Só faltou a assombração que grunhe e de cabelos escorridos pinçada dos terrores orientais. Epa! Na verdade, até surge uma entidade do tipo, no entanto, sua participação é tão rápida que piscou perdeu, o que compromete a justificativa do título. Aliás, explicações, ou melhor, a falta delas é a palavra-chave para o fracasso da fita, até então a pior arrecadação de todos os tempos da Dark Castle, empresa especializada em filmes de terror e suspense que já teve resultados melhores mesmo com fracos produtos como Navio Fantasma.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

HERÓIS FORA DE ÓRBITA

NOTA 7,0

Comédia tira sarro, mas também
homenageia, o gênero ficção científica
e mesmo não explorando a fundo as
possibilidades é divertido e surpreende
Durante quatro anos a corajosa e destemida tripulação da NSEA Protector honrou seu uniforme e partiu para emocionantes e perigosas aventuras desbravando o espaço sideral.... Isto até que o seriado foi cancelado. O reencontro do elenco quase vinte anos depois é o ponto de partida da comédia Heróis Fora de Órbita que parodia, mas ao mesmo tempo homenageia, Jornada nas Estrelas e todo seu legado. “Galaxy Quest”, o seriado dentro do filme e que também o intitula originalmente, era produzido no início da década de 1980, mas mesmo tantos anos após seu término sua legião de fãs nunca deixou de vivenciar o cotidiano dessa espécie de universo paralelo que se formou entre realidade e fantasia. Eles compram souvenires, fantasias e ainda discutem sobre possíveis enredos para novos episódios e até sobre erros técnicos envolvendo leis da física que tornariam impossíveis certas façanhas dos heróis. Os atores, por sua vez, precisaram se acostumar com a escassez de novos trabalhos e reconhecer que estariam atrelados para sempre à imagem de seus personagens, assim sobrevivendo com os cachês que recebem para participar de convenções de ficção científica nas quais saudosistas e novas gerações ainda os idolatram. Bem, os mais novos nem tanto. Após um encontro com fãs no qual foram exibidos alguns trechos ainda inéditos da série, o ator Jason Nesmith (Tim Allen), intérprete do Comandante Peter Taggert, acaba ouvindo sem querer uma conversa entre adolescentes que tiram sarro do seriado, da situação do elenco e até mesmo da conduta dos fãs ardilosos. Sempre egocêntrico, nesse momento lhe cai a ficha de que parou no tempo e estava vivendo uma ilusão, sua vida é considerada uma piada fora do mundo dos “trekkers” (como são chamados os aficionados pela cultura sci-fi).  O restante do elenco também goza de uma vida sem graça. Gwen de Marco (Sigourney Weaver), a Tenente Tawny Madison cuja participação se resumiria a repetir as mensagens do computador de bordo e exibir seu decote, continua vivendo às custas de seus atributos físicos. Alexander Dane (Alan Rickman), que dava vida ao sábio alienígena Dr. Lazarus, não aguenta mais ter que repetir aonde vai a icônica frase que seu personagem bradava repetidamente, além de não esconder a frustração de nunca ter tido a chance de demonstrar seus talentos dramáticos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O AUTO DA COMPADECIDA

NOTA 9,0

Transposição de série de
TV para o cinema é um
marco do cinema nacional,
mas fórmula não vingou
Antes do diretor Guel Arraes levar multidões ao cinema para curtir o inovador (pelo menos na parte técnica e visual) Lisbela e o Prisioneiro, este mesmo profissional peitou a indústria e a crítica ao reabrir a discussão cinema aliado à televisão. Já houve crítico que chegou a afirmar que o Brasil não investia em cinema de qualidade e glamoroso porque tal estética o público tinha diariamente e de graça com as novelas da Rede Globo. A mesma empresa lançou no final dos anos 90 seu braço cinematográfico com o objetivo de lançar produções com o elenco da casa e ajudar na divulgação de projetos menores, mesmo que eles não tivessem um ator global envolvido. Como nem tudo cai do céu, o início da Globo Filmes não foi fácil e os trabalhos mais bem sucedidos eram protagonizados por Xuxa e Renato Aragão, artistas com público cativo, mas projetos como Orfeu e Bossa Nova não fizeram jus aos seus investimentos. Eis que em setembro de 2000 o público brasileiro foi surpreendido com o lançamento do longa O Auto da Compadecida, mesmo título de uma microssérie da Globo que fez sucesso em janeiro de 1999. Certamente muita gente foi pega de surpresa ao ver uma versão compactada da série ao invés de uma produção inédita. Uma estratégia escancaradamente do tipo caça-níquel? Imediatamente ficou comprovado que não e o passar dos anos só exalta ainda mais a ideia. Há anos muitos diretores sonham com a parceria entre TV e cinema visando uma agilidade maior para as pré e pós-produções, tempo de filmagens e principalmente divulgação. Arraes pensou longe e logo que começou a trabalhar na série já a imaginava também no escurinho do cinema e por isso adotou a película para as gravações, técnica hoje amplamente utilizada até mesmo em novelas. Baseado na obra de Ariano Suassuna, o longa acompanha as aventuras e desventuras de Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Natchergaele). O primeiro é um fanfarrão que só pensa em se divertir e se dar bem, mas quando o bicho pega ele mostra que é o mais covarde dos homens de sua terra. O outro é um sertanejo pobre e de bom coração, mas é mentiroso e também adora se meter em encrencas.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

INCENDIÁRIO

NOTA 7,0

Michelle Williams praticamente
carrega nas costas drama cuja
premissa soa estranha, mas que de
fato incendeia nossos pensamentos
Existem filmes que se iniciam de forma desinteressante e pouco cativante. Muitos espectadores têm o hábito de assistir alguns poucos minutos de uma produção e se não gostam da introdução não seguem adiante. O estilo de filmagem, o roteiro, o visual, as interpretações e a temática são alguns dos entraves que podem surgir na comunicação entre o filme e o público, mas algumas obras, ou talvez a maioria, que começam mal podem surpreender com o desenvolvimento da narrativa. Esse é o caso de Incendiário, um produto cujo título e premissa não soam como muito interessantes. Uma jovem mãe (Michelle Williams), cujo nome não é revelado, aparentemente vive feliz ao lado do marido, o policial Lenny (Nicholas Gleaves), e do filho (Sidney Johnston), também sem nome mencionado, porém, ela sente falta de amor no relacionamento com seu parceiro. Praticamente vivendo como amigos, o que indica que talvez a união entre eles foi forçada devido a uma gravidez inesperada, a mulher se sente instigada a conhecer um homem que avista pela janela entrando no prédio a frente do seu acompanhado de uma garota. Ele é Jasper Black (Ewan McGregor), um jornalista que gosta da fama de conquistador que tem. Propositalmente, certa noite a jovem vai até um bar em que o rapaz está e ele, obviamente, vê a chance de mais um nome figurar em sua lista de amores rápidos. Eles começam a ter encontros cada vez mais tórridos até que um dia são surpreendidos ao verem na TV ao vivo a explosão de um estádio esportivo enquanto mantinham relações. Era um ataque terrorista que vitimou o marido e o filho da adúltera que tinham ido assistir a um jogo de futebol por insistência dela. A partir de então ela está fadada a carregar, além da dor, a culpa de perder sua família por causa de uma atitude extremamente questionável sua.  

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