quinta-feira, 2 de agosto de 2018

UM MOMENTO PODE MUDAR TUDO

NOTA 6,0

Longa aposta na velha fórmula
dos opostos que se atraem, no caso
uma amizade improvável, para
abordar doença degenerativa
A discussão sobre a esclerose lateral amiotrófica (ELA), problema que faz com que o portador perca o controle sobre seus músculos, é o tema do drama Um Momento Pode Mudar Tudo, que traz como protagonista a oscarizada Hilary Swank em um papel difícil. Após várias tentativas frustradas em emplacar em blockbusters e comédias românticas, a atriz aqui volta ao cinema mais introspectivo e reflexivo na pele de Kate, uma designer e pianista clássica que foi surpreendida com o diagnóstico da doença degenerativa que a fez perder os movimentos das mãos e das pernas. Logo que os primeiros sintomas se manifestaram ela já percebeu que sua relação com o marido Evan (Josh Duhamel) nunca mais seria a mesma coisa. Acostumados a frequentar festas e reuniões na casa de badalados amigos, pouco a pouco os convites cessam por conta das dificuldades para a moça se locomover e, obviamente, também por preconceito. Ao mesmo tempo, a intimidade do casal também vai minando já que um simples toque pode machucá-la. Necessitando de cuidados especiais diários, Kate decide contratar uma cuidadora, mesmo com o marido sendo contra a ideia, porém, uma garota um tanto improvável para a tarefa. Bec (Emmy Rossum) não tem talento para exercer tal função, sua experiência se resume a um trabalho voluntário em um asilo, e tampouco equilíbrio para controlar sua própria vida cheia de excessos. Todavia, uma amizade inusitada surge entre elas, o que ajuda a enferma não só a superar os obstáculos impostos por sua condição, mas também a enfrentar a crise em seu casamento. Tudo que Kate precisava era de alguém que a ouvisse, compreendesse e não a tratasse como um estorvo com prazo de validade a vencer.  O roteiro dedica-se a construção da amizade entre essas duas mulheres tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão necessárias uma a outra. Enquanto uma é retraída, introvertida e organizada, a outra é bagunceira, desbocada e liberal. O convívio e a troca de experiências diárias trará o equilíbrio para ambas.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

K-19 - THE WIDOWMAKER

NOTA 6,0

Retratando episódio propositalmente
esquecido da Guerra Fria, longa peca
por sua duração excessiva, não se definir
por um gênero e se repetir diversas vezes
A Guerra Fria, tal qual a Segunda Guerra Mundial, já serviu e continuará servindo como cenário de inúmeros filmes, seja pelo enfoque da espionagem ou nas corridas armamentistas e especiais dos EUA e da antiga União Soviética. A diretora Kathryn Bigelow, anos antes de consagrar-se a primeira mulher a vencer o Oscar de direção por Guerra ao Terror, já demonstrava apreço por histórias densas e de conflitos políticos como revela K-19 - The Widowmaker, baseado em fatos reais narrados pelos sobreviventes do submarino homônimo ao filme. Suas versões do episódio só vieram à tona após o fim da URSS, visto que antes disso foram obrigados a selar um pacto de silêncio sobre o ocorrido para não mancharem o nome de uma nação. Sem rodeios, logo na sequência inicial somos apresentados ao K-19, o primeiro submarino nuclear soviético que seria enviado até as geleiras do Pacífico Norte pata testes com mísseis. Estamos em 1961 e os comunistas competem com os norte-americanos pela supremacia bélica mundial. Mikhail Polenin (Liam Neeson), o capitão da embarcação, era contra lançá-lo ao mar, afinal ainda faltavam reparos para garantir a segurança do submergível, mas seus apelos não foram considerados. Após a falha ser constatada em um primeiro teste, o posto de comando é passado para Alexei Vostrikov (Harrison Ford), que fica encarregado da primeira missão do K-19 que seria lançar um míssil-teste em região de alcance a Nova York e Washington de forma que a máquina de guerra funcionasse como um elemento dissuasivo impedindo um possível ataque americano aos soviéticos. Contudo, as coisas se complicam quando o veículo começa a apresentar consecutivos problemas colocando em risco a vida de toda a tripulação. Logo no momento do embarque, um médico que acompanharia o trajeto morre atropelado e é prontamente substituído por um senhor com inclinação a enjôos. Sinal de alerta aceso. A tripulação empreende uma desesperada corrida contra o tempo não somente para salvar suas próprias vidas como também para evitar o início de uma Terceira Guerra Mundial. Em pleno auge da Guerra Fria, um acidente nuclear poderia ser interpretado como uma agressão militar.

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...