terça-feira, 6 de janeiro de 2015

PROJETO DINOSSAURO

NOTA 0,5

Recorrendo ao recurso da colagem
de cenas supostamente reais, longa
não tem gênero definido e reforça a cada
minuto sua vocação trash e despropósito
O cinema de tempos em tempos se reinventa, mas o que é novidade hoje amanhã já pode estar ultrapassado. Há alguns anos os filmes-mosaicos, aqueles que intercalam história de diversos personagens e que quase sempre deixam interrogações aos espectadores, viraram febre. Dramas pesados e com verniz de produções para intelectuais ganharam as salas de multiplex, mas hoje já parecem realocados nos circuitos alternativos. Outra mania que pegou nos últimos tempos são os “found footage”, filmes que vendem a ideia de serem uma edição de imagens de fitas amadoras, mas que na verdade são produções razoavelmente elaboras que usam o recurso para escamotear precariedades, embora existam exceções. Pode-se dizer que A Bruxa de Blair deu o pontapé inicial na onda, mas o que economizou financeiramente esbanjou em criatividade para sua campanha publicitária. [Rec] e Cloverfield – Monstro usaram a técnica justamente para fugir da mesmice que assolava o gênero de terror e suspense. Já Atividade Paranormal e suas continuações, ainda que tenham se tornado sucessos comerciais, contribuíram para que a colagem de imagens supostamente reais caísse em decadência, ainda mais porque produções menores e de segunda usaram e abusaram do recurso. Projeto Dinossauro veio para engrossar essa lista de fracassos, apesar da premissa curiosa. Um grupo inicia uma expedição por uma área remota do Congo para investigar indícios da existência de estranhos animais na região, espécies que deveriam estar extintas a milhões de anos ou que poderiam ser mutações de répteis com traços pré-históricos. Marchant (Rochard Dillane) é o líder da missão e terá que lidar com diversos imprevistos, como a presença de Luke (Matt Kane), seu filho adolescente que embarca na viagem clandestinamente, e também a repentina mudança de personalidade de Charlie (Peter Brooke), até então seu melhor amigo e que se transforma no vilão da história. Epa! Isso é mesmo preciso em um filme cujos astros deveriam ser ferozes dinossauros? O problema é que este é o primo pobre de Jurassic Park e o constrangimento diante das figuras criadas pela equipe de efeitos especiais (se é que podemos chamar assim) é inevitável, assim como também soam ridículas as atuações, direção e a trama. Não há nada que salve a produção. Sua nota mínima seria apenas pelo argumento, embora desperdiçado.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

PÂNICO NA FLORESTA (2003)

NOTA 4,0

Basicamente repetindo clichês e
erros de filmes de terror teen, longa
escamoteia suas falhas com clima
envolvente e violência gráfica intensa
Grupo de jovens incautos vai parar em um local aparentemente longe de tudo e de todos, mas logo vão descobrir que não estão sozinhos e terão que correr contra o tempo para fugir de uma trupe de sádico assassinos. Mudam os cenários, os atores e a caracterização dos psicopatas, mas tal argumento é o que sustenta praticamente dez em cada dez filmes para adolescentes e Pânico na Floresta não foge à regra. O título genérico e que pega carona descaradamente na produção que revitalizou o gênero do terror já mostra que criatividade não é o forte desta fita que começa com um manjado prólogo envolvendo um casal de alpinistas que já entrega tudo que podemos esperar. Depois somos apresentados ao protagonista, o jovem Chris Flynn (Desmond Harrington), um estudante de medicina que está a caminho de uma entrevista de emprego e dirige por uma rota segura, mas um acidente na pista o faz tomar outro rumo. Ele vai até um obscuro posto de gasolina à procura de um telefone e lá descobre um mapa que indica uma estrada alternativa em meio à mata cerrada. Antes tivesse aguardado a liberação da pista e optado pelo trajeto tradicional. Na mesma estrada remota ele encontra um grupo de jovens que tiveram os pneus do carro furados por um arame farpado largado no meio do caminho. Jessie (Eliza Dushku) estava deprimida e seus amigos Evan (Kevin Zegers), Francine (Lindy Booth), Scott (Jeremy Sisto) e Carly (Emmanuelle Chriqui) queriam lhe proporcionar uma viagem para melhorar seu astral, mas tudo parece conspirar contra. Chris acaba batendo na traseira do veículo deles e estando todos literalmente em um mato sem cachorro o jeito era unir forças para tentar pedir ajuda, todavia, eles nem imaginam que tenham companhia na floresta. A certa altura o grupo se divide e alguns deles se deparam com uma cabana cercada de automóveis deteriorados. Dentro da choupana, muitas armas de caças, sujeira e pedaços de carne humana por todos os lados. Eis a única novidade (se é que podemos considerar assim) que o longa trás em relação a tantos outros filmes de slasher. Os vilões não são apenas frios psicopatas, mas canibais desfigurados frutos de relações incestuosas, quase monstros, porém, nem tão irracionais quanto parecem. Ágeis, estratégicos e íntimos de tudo quanto é instrumento que possa ferir, eles seriam as figuras mais interessantes do longa. Ou quase isso.

domingo, 4 de janeiro de 2015

UM AMOR PARA RECORDAR

 Nota 7,5 Previsível e maniqueísta, romance caiu no gosto popular e é amado pelas adolescentes

Quando os cinemas multiplex surgiram vendia-se o benefício do poder de escolha dado ao cliente afinal em um mesmo shopping ao invés de dois ou três filmes em cartaz era possível encontrar de dez a quinze opções diferentes. Não demorou muito para a cobiça corromper tal ideia e os blockbusters passarem a ocupar até metade destes complexos de exibição. E quem deseja ver um filme de menos destaque? Para tanto é preciso garimpar endereços e horários em cinema alternativos e é nessas horas que pinta a saudade das videolocadoras. Além da variedade de títulos, tais estabelecimentos traziam a vantagem do atendimento personalizado e da troca de experiência direta com outros clientes, assim muitos filmes com passagem relâmpago ou que sequer chegaram a ser exibidos nos cinemas conquistaram fama. Foi na base da propaganda boca-a boca que o romance Um Amor Para Recordar tornou-se um moderno clássico, pelo menos essa é a opinião de boa parte do público juvenil, o grande alvo da fita. A trama escrita por Karen Janszen se sustenta sobre a manjada premissa do jovem rebelde que imediatamente muda de vida e comportamento ao se apaixonar por uma garota exemplar, mas nada popular no colégio. Landon Carter (Shane West) é um rapaz irresponsável e impulsivo que acabou sendo punido na escola por fazer uma brincadeira de mau gosto com um colega que quase ficou paraplégico. Como punição, porém, com finalidade socioeducativa, ele é obrigado a participar da montagem de uma peça teatral, algo que queimaria o filme de qualquer moleque metido a bad boy. Todavia, durante os ensaios, ele faz amizade com Jamie Sullivan (Mandy Moore), a filha do pastor da cidade, uma moça conservadora e exemplar em suas atitudes e talvez por isso um tipinho nada popular ou atraente.

sábado, 3 de janeiro de 2015

A MALDIÇÃO DA SÉTIMA LUA

Nota 4,0 Com inspiração em mito chinês, longa não foge dos clichês e falhas hollywoodianas

Vale a pena iniciar uma carreira almejando reconhecimento máximo logo de cara? Ou é melhor começar modestamente e pouco a pouco conquistar seu espaço e elogios quanto a sua evolução? O cineasta cubano Eduardo Sánchez certamente escolheu a primeira opção para entrar com tapete vermelho em Hollywood e se deu mal. Não ligou o nome à pessoa? Não se preocupe, realmente seu nome não é prestigiado no meio cinematográfico, mas basta dizer que ele é o responsável pela criação e direção do fenômeno A Bruxa de Blair para entender sua situação. Numa época em que para muitos a internet era algo fora do comum, o cara simplesmente revolucionou a maneira de divulgar um filme. Além da publicidade de realizar uma produção simplesmente alinhavando imagens de fitas caseiras supostamente reais e feitas por um grupo de jovens desaparecidos em meio a uma floresta tida como amaldiçoada, o diretor ainda se deu ao trabalho de criar todo um histórico para a tal bruxa do título e o publicou na rede mundial de computadores aguçando a curiosidade de milhões de pessoas no mundo todo. O resultado foi uma polpuda bilheteria, porém, acompanhada por críticas mistas, pois é claro que quando a verdade veio à tona muitos se sentiram enganados. O problema maior de Sánchez na realidade não era se explicar, mas sim o que oferecer após sua estreia fenomenal. Ele levou sete anos para realizar seu segundo filme, o fraco Aterrorizados, mas parecia disposto a mostrar serviço quando lançou A Maldição da Sétima Lua. A história nos apresenta a Yul (Tim Chiou), um chinês radicado nos EUA que se casou com a americana Melissa (Amy Smart). Para agradar o marido ela aceita viajar na lua-de-mel para conhecer seu país de origem e sua família, mas antes tivessem escolhido uma praia ensolarada em solo ianque mesmo. O jovem casal chega bem na época das festividades do Senwun, o mês dos fantasmas. Existe um mito local que prega que na lua cheia do sétimo mês lunar os portões do inferno se abrem e os espíritos dos mortos são libertados para circular entre os vivos.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

QUERO MATAR MEU CHEFE

NOTA 7,0

Comédia exagera nos estereótipos,
mas arranca risadas com situações
que beiram o absurdo interpretadas por
elenco afiado e a vontade com o gênero
Janeiro está aí e as férias estão começando para muita gente. Embora o período seja aproveitado muito mais pelas crianças e adolescentes com folga dos estudos, sempre alguns adultos têm a sorte de tirar uns dias de descanso nessa época, seja apelando para a ideia de que precisam aproveitar um pouco a companhia dos filhos ou sacrificando alguns dias que poderiam tirar mais para frente passando um mês inteirinho de pernas para o ar. O fato é que muitos já estão cansados das broncas e ordens dos patrões, assim a pedida para começar bem as férias é se divertir com Quero Matar Meu Chefe, mais um exemplar da corrente de humor negro e politicamente incorreto que pegou de jeito o cinema americano e que busca agradar o público na casa dos 20 aos 40 anos, mas que acaba fazendo a diversão de todas as idades. Ok, não é uma opção aconselhável para crianças, mas os adolescentes com certeza vão curtir. Basta trocar a imagem do chefe pelo professor. Quem na hora da raiva nunca pensou em castigar um deles? Em tempos em que as sociedades de todo o mundo buscam a paz, no mínimo, entre as pessoas que são obrigadas a conviver em um mesmo ambiente, pode soar controversa a ideia de que um subalterno trame uma vingança fatal contra o chefe, uma afronta a hierarquia das organizações, mas tal gancho já foi utilizado com estilo por Alfred Hitchcock em Pacto Sinistro na década de 1950 e de forma bem escrachada por Danny DeVito mais de três décadas depois levando o assunto para a cozinha em Jogue a Mamãe do Trem. Agora o tema volta à tona em dose tripla pelas mãos de Seth Gordon, o mesmo diretor de Surpresas do Amor, e o título nacional resume perfeitamente a premissa do longa. Ainda bem.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A LENDA DO PIANISTA DO MAR

NOTA 9,0

Em tom de fábula, drama conta
a história de um homem que viveu
recluso em um navio e fez da música sua
aliada e contato com o mundo exterior
Giuseppe Tornatore é um grande diretor italiano que escreveu seu nome na História do cinema com grandes obras, sendo a mais marcante e internacionalmente conhecida a vencedora do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro Cinema Paradiso. Sempre em busca de belas narrativas nas quais o enfoque são os conflitos e desejos dos seres humanos e tendo como pano de fundo ou alusão alguma manifestação artística ou fato histórico, é de se estranhar que os trabalhos do cineasta se tornem raridades no mercado com velocidade ímpar. O Homem das Estrelas, em que mais uma vez faz uma homenagem ao cinema, e Malena, obra na qual relembra a Itália linha dura e preconceituosa dos seus tempos de infância, são alguns exemplos que aguçam a curiosidade de colecionadores que seriam capazes de pagar pequenas fortunas para ter estes títulos em suas prateleiras. Para engrossar esta lista também podemos citar A Lenda do Pianista do Mar, filme que exalta a paixão de Tornatore também pela música, mas que infelizmente passou voando pelos cinemas e não teve grandes chances de encontrar seu público quando lançado em vídeo ou DVD.  Primeiro trabalho falado em inglês do diretor, certamente alguma estratégia de bastidores para atrair mais público ao filme, esta é a história de um garoto que nasceu em pleno alto-mar no primeiro dia do século 20 e foi abandonado de imediato. Ele foi encontrado por um dos engenheiros do navio, o bondoso Danny Boodmann (Bill Nunn), dentro de uma caixa com a inscrição “T.D”. O homem decide criar o bebê como se fosse seu filho, pois acredita que tais iniciais significam “Thanks Danny”, um agradecimento de uma mãe desesperada lhe confiando a criação de seu rebento. Chamado de Mil Novecentos por causa de sua histórica data de nascimento, o garoto cresceu em meio ao carvão e as caldeiras da embarcação, pois foi criado as escondidas não podendo frequentar as demais dependências. Mesmo assim foi criado com todo amor e carinho, mas quando completou oito anos de idade seu benfeitor acabou sofrendo um acidente de trabalho e faleceu.

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