sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

A COISA (2011)

NOTA 1,0

Idealizado como um prólogo tardio
de uma ficção de sucesso e vendido
fazendo alusão ao título de outro filme,
fita é apenas desculpa para efeitos visuais
Apesar de sempre serem aguardados com ressalvas por parte do público e crítica, as refilmagens continuam sendo feitas de vento e popa em Hollywood, sendo o gênero de terror o que mais levanta a bandeira das releituras. A Coisa foi lançado em 1985 e rapidamente se tornou um trash movie de sucesso, assim uma segunda versão seria apenas questão de tempo até para tirarem proveito do avanço dos efeitos especiais que poderiam melhorar (ou não) a proposta original que envolvia extraterrestres, poder da mídia e os exageros consumistas dos humanos. Com o mesmo título, simplesmente A Coisa, em 2011 alguns espectadores mais dispersos devem ter tido a sensação de serem enganados. Não se trata de um remake e sim de um erro grosseiro da distribuidora no Brasil que traduziu fielmente o título original, certamente uma estratégia para fazer um filme ruim chamar ao menos a atenção de saudosistas. Não deu certo. A fita passou em brancas nuvens, apesar de ser uma espécie de prelúdio tardio do clássico oitentista O Enigma de Outro Mundo, assinado por John Carpenter, então pela primeira vez tendo um polpudo orçamento em mãos e investindo mais em efeitos especiais e maquiagens, o que lhe rendeu críticas negativas visto que era reconhecido por trucagens artesanais. Os anos passaram e trataram de revelar o valor da obra, uma assustadora e desesperançosa visão do mundo. Seu suposto prólogo tardiamente lançado também usa e abusa dos avanços tecnológicos para a construção de seres bizarros, mas fica a dever em conteúdo que o passar dos anos certamente não irá revelar. A trama se passa dias antes da história do longa de 1982, que por sua vez já era uma refilmagem de O Monstro do Ártico baseado em conto de John W. Campbell Jr. Uma equipe de cientistas liderada pelo Dr. Sander Halvorson (Ulrich Thomsen) trabalha em uma remota região da Antártica e Kate Lloyd (Mary Elizabeth Winstead) é uma paleontóloga que se junta ao grupo para investigar a possível descoberta de uma nave alienígena próxima a uma base norueguesa de pesquisas. Claro que dentro dela existe um estranho ser louquinho para ser descongelado por uma trupe de incautos com quem vai aloprar a vontade. Detalhe: tal criatura tem o poder de entrar dentro de corpos humanos e reproduzir personalidades, assim gerando muitas suspeitas e intrigas entre o pessoal da expedição sobre quem poderia estar infectado. Enquanto a paranoia toma conta de todos, as mortes acontecem em ritmo de maratona.

domingo, 22 de janeiro de 2017

O REI DA ÁGUA

Nota 2,0 Um dos primeiros sucessos de Adam Sandler já mostrava o ator rendido a trejeitos

Hoje todos sabemos o quanto Adam Sandler é queridinho nos EUA, exceto pelos críticos, é claro! No início de sua carreira, apesar de ter atuado no lendário programa "Saturday Night Live", apostar no ator podia ser uma opção arriscada, mas a partir de 1998 seu nome passou a ser sinônimo de polpudas bilheterias e... de más críticas também. O Rei da Água parece ter sido feito sob medida para o ator usar e abusar de seu jeito espalhafatoso e bobalhão. O ator tenta divertir o público gaguejando, usando voz anasalada e projetando o queixo pra frente para intensificar piadas visuais. Nem precisava se esforçar, afinal é um filme basicamente sustentado por uma única piada e o diretor Frank Coraci parece ter dado carta branca para Sandler fazer o que bem entendesse diante da câmera. Seu personagem, Bobby Boucher, é um zero à esquerda, então você já sabe que tudo que possa dar errado e humilhar o rapaz vai acontecer. Ele é um cara na casa dos trinta anos, solteirão e que vive sob super proteção da mãe Helen (Kathy Bates). Desde a adolescência ele trabalha entregando garrafas de água aos jogadores de um grande time de futebol americano e, sem estudo, ingênuo e tampouco ambições para sua vida, acostumou-se a ser hostilizado pelos atletas com boladas, rasteiras e tudo quanto é tipo de zoeira. Apesar de tudo, ele amava esse emprego e fica sem chão quando de uma hora para a outra é sacaneado e demitido pelo técnico da equipe. Ele então se oferece para trabalhar até de graça para um pequeno time que não vence uma partida sequer há quatro anos. A partir de então seu destino muda completamente incentivado pelo treinador Klein (Henry Winkler) que enxerga nele um talento nato para o esporte prestando atenção em certa peculariedade do seu comportamento. Quando irritado, Boucher extravasa uma força descomunal e o técnico decide incorporá-lo à equipe como uma espécie de coringa. Bastava irritá-lo antes de cada partida, geralmente o fazendo lembrar de algum desafeto, para colocá-lo em campo para acabar com os adversários. Como pagamento, o rapaz tem a chance de voltar a estudar.

domingo, 15 de janeiro de 2017

LUTA E GLÓRIA

Nota 3,0 Drama sobre boxeador que vence na carreira não traz novidade alguma à temática

Além do tênis, golfe e do beisebol, o cinema americano parece ter verdadeiro fetiche pelo boxe, tanto que produções cujo pano de fundo são os ringues de luta existem em quantidade consideráveis e os críticos parecem gostar da temática e não poupam elogios. Bem, nem sempre. A cada um Menina de Ouro ou O Vencedor que surge, temos pelo menos uns dez títulos menores como Luta e Glória lançado diretamente nas locadoras ou na TV. O filme dirigido por Eddie O’Flaherty não é de todo ruim, tem algumas boas passagens, mas no fundo é vazio, dispensável. A trama é roteirizada pelo ator J. P. Davis que também a protagoniza vivendo o rebelde Tommy Riley. Ele foi descoberto por acaso pelo caçador de talentos Marty Goldberg (Eddie Jonnes), um veterano treinador que está desmotivado e com saudades da época áurea do boxe. O rapaz tem habilidade para o esporte, mas treina sozinho e apenas como distração. Na realidade ele é técnico de informática desde que foi eliminado das Olimpíadas de 1999. Diana (Diane M. Tayler), sósia de Goldberg, mostra a ele um vídeo de Riley e imediatamente ele decide investir na carreira do jovem. O problema é que o rapaz também parece desmotivado. Treinado pelo padrasto que não tinha paciência, ele foi colocado para fora de casa quando perdeu uma importante luta e desde então desanimou do esporte, mas o veterano treinador consegue enxergar dentro dele potencial para ser um lutador renomado e não quer deixar que essa chama se apague. A partir daí a narrativa segue um caminho comum. Rilley inicialmente rejeita a proposta de voltar aos ringues, Goldberg insiste, o início da relação pupilo e aprendiz é difícil, mas como manda a cartilha dos filmes sobre esportes é preciso que o protagonista seja vitorioso como incentivo a espectadores que não precisam necessariamente serem esportistas, mas devem enxergar na fita um exemplo de superação e estímulo para buscarem seus objetivos seja na vida profissional ou afetiva.

sábado, 14 de janeiro de 2017

BRIGADAS DO TIGRE

Nota 4,0 Excesso de nomes e diálogos prolixos prejudicam obra tecnicamente perfeita

O cinema francês costuma investir em vários gêneros, mas os dramas e os romances ainda são o carro-chefe de sua cinematografia. Contudo, é preciso valorizar as tentativas de surpreender com algo diferente. É uma pena que as vezes nem com muita vontade isso seja possível como no caso de Brigadas do Tigre, produção de época até difícil de classificar em uma categoria específica. Tem drama, romance, toques de ação e de thriller policial e um visual caprichado digno de épicos, porém, é enfadonho do início ao fim. A história roteirizada por Xavier Dorison e Fabien Nury é baseada em um seriado de TV de Victor Vicas que foi sucesso na França entre meados dos anos 70 e 80, mas inédita no Brasil. A trama começa no ano de 1907 durante a chamada Belle Époque, período em que uma onda de crimes sem precedentes estava aterrorizando o território francês. Os anarquistas entram em ação promovendo atos criminosos como forma de protestar contra a assinatura da Tríplice Aliança, um pacto entre a França, a Inglaterra e a Rússia a fim de combater o perigo alemão, a gota d’água para o início da Primeira Guerra Mundial. Para combater os vândalos, o Ministro do Interior George Clemenceau, conhecido como Tigre, decide criar uma força policial móvel. Brigadas do Tigre era um grupo formado por homens bem treinados para usar a força e manusear armamentos que não mediam esforços para cumprir seus objetivos de proteger a população. O príncipe russo Radetsky Bolkonski (Aleksandr Medvedev) está prestes a chegar a Paris acompanhado de sua esposa Constancia (Diane Kruger) para assinar o acordo político entre os países e obviamente é um alvo potencial dos anarquistas liderados por Jules Bonnot (Jacques Gamblin). A Brigadas do Tigre então é chamada para fazer a segurança do nobre casal, mas conforme o comissário Valentin (Clovis Cornillac), o mais destemido do grupo, começa a ficar mais próximo dos seus protegidos ele vai descobrindo segredos que o envolvem em uma perigosa trama política e de traição. Resumidinho assim o enredo é compreensível e poderia indicar um bom filme, mas infelizmente o resultado final é confuso e desinteressante. Pelo menos é uma ação que nos poupa de banhos de sangue, mas por outro lado a pancadaria rola solta.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A HORA DO PESADELO (1984)

NOTA 9,0

Ainda que com efeitos envelhecidos
e ideia que poderia render muito mais,
primeiro filme da saga de Freddy Krueger
faz jus a fama que o vilão alimenta até hoje
Qual o nome do assassino de Pânico? E de Lenda Urbana ou Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado? Podendo assumir identidades diferentes de acordo com as “novas” histórias a serem contadas, tais seriais killers não chegaram a ter o mesmo status de seus antecessores da década de 1980, como o lendário Freddy Krueger, interpretado com maestria pelo ator Robert Englund. Com seu olhar psicótico, vozes e gestos característicos e sorriso debochado, a fama do vilão acabou sobressaindo ao próprio título do filme. A alcunha A Hora do Pesadelo pode causar confusão por ser genérico demais, mas basta citar a asquerosa e hipnótica figura do homem deformado com suéter vermelho listrado, chapéu e garras afiadas para que muitos se lembrem que já passaram muitas noites em claro por causa dele. E quem é mais novinho e amante de terror certamente tem a curiosidade aguçada para entender qual a importância deste personagem para o gênero e até mesmo para a cultura pop. O esquecível remake não conta como referência. É preciso estar imerso no clima oitentista para a experiência ser completa. Curiosamente no Brasil, ainda sob controle da censura, o filme estreou com quase dois anos de atraso, quando a primeira continuação já arrastava multidões aos cinemas ianques. A trama, como de costume, apresenta um grupo de adolescentes que é aterrorizado por um sádico assassino, porém, ele só os ataca em pesadelos. Sem fazer rodeios a introdução, além de mostrar como o vilão adquiriu suas famosas garras de metais, já revela também os seus métodos de “trabalho”. Nancy (Heather LangenKamp), Glen (Johnny Depp), Tina (Amanda Wyss) e Rod (Nick Corri) por uma estranha coincidência sonham constantemente com violentos ataques de Krueger e quando acordam as marcas dos ferimentos estampam seus corpos. Os adultos fazem vista grossa para o problema e buscam explicações racionais, inclusive para as mortes de alguns jovens, mas Nancy acredita que o homem que invade seus sonhos e matou seus amigos trata-se de um personagem real, alguém atrelado ao sombrio passado do seu bairro, um segredo que inclusive envolveria seus próprios pais. Como uma vítima em potencial, ela começa a investigar o caso a fim de descobrir o que ou quem é que lhe aterroriza todas as noites e uma forma de acabar com os pesadelos. Você pode aguentar uma, duas ou até três noites sem dormir direito, mas imagine sempre ter o receio de que suas horas de descanso serão na verdade momentos de pura tensão.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

MATO SEM CACHORRO

NOTA 6,5

Começando como uma comédia
romântica tradicional, longa
traz boas piadas e ideias, deixando
o amor em segundo plano 
É fato que o cinema nacional se sustenta pelas comédias populares. É uma realidade que dificilmente irá mudar. O problema é que temos dezenas de lançamentos do tipo anualmente, mas o crescimento quantitativo não acompanha o ritmo em termos de qualidade. A maioria parece esquecíveis episódios de seriados de TV esticados ao máximo para justificar seus lançamentos nos cinemas e posteriormente para acesso doméstico. Com elenco capitaneado de sucessos da telinha, Mato Sem Cachorro passa resvalando por este crivo por um detalhe crucial: troca o humor pastelão pela ironia crítica. O prólogo é bastante emblemático. Pela orla de uma praia carioca uma família aparentemente perfeita passeia feliz e tranquila curtindo um belo dia de sol, bem no estilo publicidade de margarina só que sem a mesa de café da manhã em exposição. No entanto, tudo é fachada. Como todo ser humano comum eles têm lá seus problemas, muitos problemas, e os momentos de descontração são pontuais, mas a opção de terem ao menos um animalzinho de estimação revela que entre brigas e alegrias o equilíbrio prevalece, afinal qual família-propaganda que se preze abre mão de ter um cachorrinho? É esse o gancho para narrar a história de Deco (Bruno Gagliasso) e Zoé (Leandra Leal). Desorganizado e desatento, o rapaz quase atropela um cãozinho quando fugia do assédio de alguns vendedores de rua querendo convencê-lo a comprar algumas bugigangas. Antes tivesse comprado. Os populares queriam linchá-lo em praça pública, mas acabou sendo salvo pela jovem, uma produtora de rádio que cai de amores pelo bichinho... E pelo rapaz também, obviamente. Seguindo o estilo definido por Hollywood para sustentar uma historinha água-com-açúcar, os primeiros minutos são dedicados a mostrar de forma acelerada como nasceu o amor dos protagonistas que acabam adotando o cão, batizado de Guto e que sofre de narcolepsia, uma rara doença que o faz desmaiar em situações de estresse ou animação (!). Assim, às pressas, uma família se forma, porém, a ruptura não tarda graças as atrapalhadas de Deco que produz um vídeo que viraliza na internet e tira do sério sua companheira. Cansada de tanta imaturidade, Zoé vai embora de casa e leva o “filhinho” do casal, deixando o marido mais perdido e apático que de costume.

domingo, 8 de janeiro de 2017

ENTÃO VEM O AMOR

Nota 4,0 Mulher independente conhece tardiamente o amor, mas nunca é tarde para se apaixonar

Mulher na casa dos 30 anos, bonita, independente, destemida, realizada profissionalmente, porém, lhe faltava alguma coisa para ser completamente feliz. Um marido certamente. Não! Um filho é o que ela quer, realmente um homem que lhe amaria incondicionalmente e jamais a abandonaria. Todavia, anônimo ou não, todo mundo tem que ter um pai e é óbvio que mais cedo ou mais tarde a criança fruto de uma produção independente vai querer conhecer suas origens e o destino pode pregar uma peça na mamãe que tanto prezava sua individualidade. Quem nunca ouviu uma história assim? Mudam os atores, uma coisinha aqui outra ali, mas a essência continua a mesma. Então Vem o Amor é previsível desde o título. Julie Davidson (Vanessa Williams) é uma colunista de jornal muito bem sucedida, especializada em falar sobre a mulher moderna, e que sempre dedicou muito amor ao filho Jake (Jeremy Gumbs), mas agora que o garoto está começando a entender mais as coisas a relação dos dois começa a ficar estremecida. A falta de dedicação aos estudos pode ser um sinal de déficit de atenção, mas os problemas do garoto, que incluem rompantes de agressividade, também podem estar ligados a falta de uma figura paterna em sua vida, ainda que sua mãe esteja namorando a algum tempo com Ted (Michael Boatman), um premiado foto jornalista. Mesmo se esforçando para suprir todas as necessidades de Jake, Julie começa a ficar incomodada com o filho inventando coisas a respeito de um pai que idealizava para os colegas e até mesmo pelos constantes comentários de que o garoto não parece muito com ela, assim a jornalista decide rever a ficha do doador de esperma e começa a desconfiar que suas características e seu perfil são bons demais para ser verdade. Ela então decide contratar os serviços de um detetive que a leva até o nome de Paul Cooper (Kevin Daniels), aparentemente o pai que não sonhava para seu filho.

sábado, 7 de janeiro de 2017

11:59 - CORRIDA CONTRA O TEMPO

Nota 6,5 Produção modesta e com elenco desconhecido cumpre razoavelmente sua missão

Um bom argumento e até razoavelmente bem trabalhado pode acabar se tornando um projeto obscuro por conta de atores desconhecidos e/ou empresa distribuidora raquítica? O adjetivo negativo no caso de 11:59 – Corrida Contra o  Tempo não é usado no sentido pejorativo, mas sim para destacar que um suspense que cumpre seus objetivos de entreter e intrigar o espectador e que acabou sendo esquecido desde o seu lançamento feito pela pouco conhecida Ocean Pictures, empresa especializada em resgatar faroestes antigos e que raramente tem algum bom produto contemporâneo em seu catálogo. Quando tem a própria não se esforça para divulgá-lo. Escrito e dirigido por Jamin Winans, a trama começa mostrando um dia atribulado na redação de um telejornal que está se esforçando para dar um furo de notícia exclusivo e ao vivo.  Thomas Hastings (Chris Kelly) é suspeito de matar duas crianças e está sendo perseguido pela polícia e pela repórter Lisa Winders (Laura Fuller) que só deve entrar no ar no momento exato em que o criminoso for pego. Todavia, o cinegrafista Aaron Daugherty (Raymond Bailey) acaba levando a melhor e consegue encontrá-lo antes mesmo da polícia flagrando a sua declaração de inocência e logo em seguida sua prisão. Embora atrás das câmeras, o rapaz acaba sendo saudado na redação por sua coragem e profissionalismo e sua chefe Adele (Liz Cunningham) até sinaliza a possibilidade de em um futuro próximo ele vir a ser promovido, o que deixa Lisa enciumada acusando o colega de fazer um jornalismo apelativo e sensacionalista. Contudo, a moça ainda tem a chance de vir a ser reconhecida profissionalmente caso encontre alguma ligação estranha entre Hastings e um político para o qual prestava serviços coordenando eventos pré-eleição. Na noite anterior ao julgamento do prisioneiro, Aaron sente-se mal em uma boate, escuta um zumbido estranho e quando acorda está em um campo deserto. Ele pega uma carona para retorna à cidade e então descobre que esteve desaparecido por 24 horas, mas nada se lembra sobre este período. Sua única certeza é que sua vida está um caos. Adele pede explicações para o sumiço e apenas lhe dá uma suspensão por levar em consideração seu ato heroico um dia antes, mas o avisa que ele perdeu a matéria de sua vida e consequentemente a emissora saiu perdendo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

TUDO PARA FICAR COM ELE

NOTA 1,5

Procurando unir clichês das
comédias românticas com humor
escatológico e apelativo, fita perde
completamente o rumo, se é que tinha
No início dos anos 2000 a atriz Cameron Diaz já tinha seu talento reconhecido e era sondada para atuar em produções de maior relevância que suas habituais comédias românticas, assim não há justificativas para ter aceito estrelar Tudo Para Ficar Com Ele, uma verdadeira mancha em seu currículo. Aparentemente a ideia seria experimentar um novo tempero para o manjado gênero sem excluir o felizes para sempre, mas a receita falhou e um sabor amargo de decepção é inevitável. Apesar do que o título e o material publicitário nacionais indicam não se trata da história de três mulheres disputando um mesmo homem, mas sim uma trama sobre amigas que compartilham mesmas opiniões e sentimentos quanto aos relacionamentos amorosos e se aventuram para conquistar cada uma seu par ideal. Bem, elas não são mais menininhas, já passam da casa dos trinta anos, mas a maturidade parece passar bem longe delas. Comportando-se como adolescentes vivendo suas primeiras experiências amorosas, elas alternam ingenuidade com altas doses de libido e não se envergonham de assumirem que são verdadeiras caçadoras de homens. Diaz encabeça o trio interpretando Christina, linda, gostosa, divertida, enfim o tipo que tem todos os parceiros que quiser a seus pés, ainda mais porque ela só pensa em curtir a vida com liberdade e foge de compromissos sérios. Courtney (Christina Applegate) também pensa e age de maneiras semelhantes, mas já faz planos de encontrar um companheiro fixo e sossegar, mas é claro que quanto mais tarde isso acontecer melhor. Completando o grupo temos Jane (Selma Blair) que está sofrendo com o término de um namoro, mas nada que a impeça de procurar diversão e novas aventuras sexuais. Certa noite elas vão a uma balada dispostas a beber e dançar muito, além de ampliar suas listas de conquistas, nada fora de suas rotinas, isso se Christina não tivesse conhecido Peter (Thomas Jane), um bonitão com pinta de pegador que surpreendentemente esnoba a loiraça que desse momento em diante não o tira da cabeça confundindo seus sentimentos entre orgulho ferido ou paixão verdadeira. Disposta a conquistá-lo de qualquer maneira, ela viaja com as amigas rumo a uma cidadezinha próxima a São Francisco onde descobre que o irmão do rapaz irá se casar, uma ótima oportunidade para declarar seu amor ou no mínimo dar a chance dele se redimir do gelo que lhe deu. No entanto, na afobação não checaram as informações corretamente, pois quem vai se casar é o próprio Peter. Já é de se esperar que o matrimônio vai por água abaixo, o problema é a maneira ridícula com que os ventos sopram a favor da protagonista.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

AS FÉRIAS DO PEQUENO NICOLAU

NOTA 8,0

Segunda aventura do pequenino
e inventivo garoto francês mantém
a graça e a leveza, mas erra levemente
ao dar espaço maior aos adultos
Em 2009, um despretensioso filme francês movimentou o circuito alternativo de exibição em vários países atraindo não só o público cativo de um cinema mais qualificado, mas também conquistou uma nova plateia. Adultos puderam levar seus filhos, sobrinhos e netos a tiracolo para curtirem juntos o delicioso O Pequeno Nicolau, um sucesso que em algumas capitais brasileiras como em São Paulo, por exemplo, permaneceu em cartaz por mais de um ano mesmo com mídia física já disponível. O segredo do sucesso é traduzido em duas palavras: simplicidade e inocência, justamente o que falta a maioria das produções destinadas a agradar a toda família. Criado por René Goscinny e ilustrado por Jean-Jacques Sempé, o personagem-título é um dos mais famosos da literatura infanto-juvenil francesa e ganhou uma segunda incursão cinematográfica, As Férias do Pequeno Nicolau, novamente sob a batuta do diretor Laurent Tirard, um amante do universo infantil tanto que também dirigiu Astérix e Obélix - A Serviço de Sua Majestade resgatando mais um dos patrimônios culturais de seu país. É uma pena que Maxime Godart não pode assumir mais uma vez o papel de protagonista. E nem teria como. Cinco anos separam o filme original desta continuação que narra novas peripécias do garoto como uma ação quase imediata aos acontecimentos da primeira fita. Se antes a preocupação era que seus pais o descartassem por conta de uma nova criança na família, agora suas aflições giram em torno de um casamento forçado. Nicolau não cresceu de tamanho, continua miudinho, mas está amadurecendo, porém, não a ponto de perder sua inocência. Ainda bem! Mathéo Boisselier assume o papel e dá conta direitinho da tarefa de apresentar a visão curiosa e sonhadora do mundo através da ótica infantil, embora o episódio das férias tenha um foco maior no núcleo adulto liderado por Valérie Lemercier e Kad Merad novamente interpretando os pais do protagonista cujos nomes não são revelados.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O PEQUENO NICOLAU

NOTA 9,0

Produção francesa é uma
excelente e delicada opção
para agradar a todas as idades
resgatando o humor ingênuo
Já faz algum tempo que os filmes infantis deixaram de ser bobinhos para agradar também aos pais das crianças. A indústria de cinema americana cada vez mais capricha na produção de animações com piadas e situações que conquistem também os adultos, mas ainda não consegue as mesmas proezas quando quer contar uma história infantil com elenco e cenários reais. Hollywood poderia mirar então no exemplo do diretor Laurent Tirard e sua produção francesa O Pequeno Nicolau, uma fita simples, ingênua e divertida como há muito tempo não se via. A história se passa na França da década de 1950 e gira em torno do tal garoto do título. Interpretado com muita desenvoltura pelo estreante Maxime Godart, excepcional e muito cativante, o menino leva uma vida tranquila, é muito amado por sua mãe (Valérie Lamercier) e por seu pai (Kad Merad) e tem diversos amigos, com os quais se diverte um bocado. Tudo vai bem até que um dia ele houve uma história sobre irmãos mais novos que o assusta. A partir de então, o menino passa a prestar atenção no comportamento de seus pais e se surpreende. Ele acredita que sua mãe está grávida e logo entra em pânico, pois acha que assim que o bebê nascer ele não receberá mais atenção. A paranóia aumenta quando sua mãe o convida para um passeio, pois tem certeza que será abandonado na floresta. Para escapar desse terrível destino, Nicolau faz de tudo para mostrar aos pais o quanto é indispensável e, por tentar agradá-los demais, acaba cometendo vários tropeços o que faz com que eles fiquem enfurecidos. Desesperado, ele muda de tática e, com a ajuda de seus amigos desastrados, bola diversos planos para achar uma solução para seu problema. É essa ingenuidade em lidar com um medo tão comum entre as crianças que faz a fita prender a atenção.

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