segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A BATALHA DE SEATTLE

NOTA 7,0

Alinhavando histórias ficcionais,
drama tenta retratar toda a tensão que
tomou conta de uma cidade por causa de
manifestação contra abusos de poderosos
Costumamos (ou ao menos deveríamos) valorizar filmes que privilegiam fatos históricos, mesmo aqueles que nada mais são que um pequeno grão de areia em meio a um episódio grandioso. Isso explica a enorme quantidade de títulos que envolvem a Guerra Fria, por exemplo, mas é uma pena que fatos mais recentes da História sejam esquecidos rapidamente como é o caso da temática de A Batalha de Seattle. Episódio marcante de revolta popular contra os abusos dos governantes, tal conflito não inspirou diretores de cinema, tanto que apenas o ator Stuart Townsend teve coragem de relembrá-lo anos depois. Estreando como diretor e roteirista, logo no início ele deixa claro que seu longa é baseado em fatos reais, porém, seus personagens são fictícios, mas nada que atrapalhe a dramaticidade da produção, pelo contrário, as várias tramas paralelas soam perfeitamente críveis. O problema é que a inexperiência como redator impediu que o estreante se aprofundasse em cada uma delas, sendo que o projeto como um todo é bastante ambicioso, seguindo o estilo narrativo de títulos consagrados como Crash – No Limite que ao mesmo tempo em que pretende fazer uma crítica social também tem a preocupação de desenvolver histórias que façam o espectador se identificar e criar um vínculo com os personagens e consequentemente se sentir atraído pela temática principal. Para compreender melhor o enredo, é necessário explicar o que foi o conflito do título. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, mais especificamente em 1947, foi assinado um acordo entre 23 países a respeito de tarifas para importações e exportações com o propósito de legalizar e expandir o comércio mundial. Ao longo de mais de 50 anos, outras nações se uniram ao projeto e assim surgiu a Organização Mundial do Comércio (OMC), que pouco a pouco passou a impor suas vontades sobre os governos e aqueles que desrespeitassem as regras eram punidos, podendo ser expulsos do grupo. A ganância dos membros fez com que o respeito a situações envolvendo o meio ambiente ou os direitos humanos ficassem em segundo plano, sendo que os interesses econômicos estão sempre acima de tudo, assim o órgão é muito criticado e alvo comum de protestos populares. O ápice desses conflitos ocorreu no final de 1999. A partir de 30 de novembro, durante cinco dias, dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de Seattle, cidade que serviria naquele período para sediar a chamada “Rodada do Milênio”, reunião da OMC de grande importância que tinha o objetivo de avaliar os resultados dos últimos anos das suas ações e planejamento para os próximos meses, ou em outras palavras, realizar um balanço do quanto se perdeu (mortes, desmatamentos, extinção de animais entre outros fatores negativos) em favor dos lucros que chegaram às contas dos poderosos e o quanto eles ainda poderiam somar futuramente.

domingo, 29 de novembro de 2015

SUPER-HERÓIS - A LIGA DA INJUSTIÇA

Nota 0,5 Esse valor mínimo é por conta dos créditos finais, a única coisa correta neste filme

É até difícil escolher uma única palavra que defina da melhor forma o que é Super-Herói - A Liga da Injustiça. Pense em todos os adjetivos negativos possíveis e ainda eles serão poucos para expressar o que sentimos em relação a este pastelão, um filme tão ruim que seu diretor Aaron Seltzer deveria ter sido condenado a prisão perpétua por crime contra os direitos humanos ou algo parecido. O mesmo vale para o roteirista Jason Friedberg que subestima a inteligência do espectador extrapolando os limites da anarquia e do jocoso. Esta comédia não chega a ter um fiapo de roteiro, sustentando-se unicamente sob a ideia de tentar parodiar os filmes de sucesso de determinada temporada, no caso, a avalanche de fitas de heróis e a respeito de catástrofes naturais. Contudo, desde o primeiro minuto o que vemos é um desperdício de tempo por parte dos espectadores e uma perda de material pela equipe de produção que deveria ter vergonha de ter seus nomes citados nos créditos finais. A trama (oi?) começa com Will (Matt Lantner) sendo alertado sobre a data em que o mundo acabará através de um sonho profético com a enlouquecida cantora Amy Winehouse (Nicole Parker). Sentiram o drama? Bem, tal situação não assusta o rapaz, pois ele se acha o todo poderoso, porém, por via das dúvidas, ele resolve dar uma possível última festinha. Depois disso ele resolve ir à luta, mas não está sozinho nessa tendo a companhia de um grupo de amigos para tentar evitar catástrofes envolvendo asteróides, tornados, terremotos, entre outros fatídicos efeitos naturais. Para acabar com esses eventos devastadores e evitar que o mundo acabe, é o próprio Will quem deverá devolver uma tal Caveira de Cristal ao seu lugar de origem, mas até conseguir cumprir a tarefa ele terá que lidar com pessoas e criaturas esquisitas (como se ele mesmo já não fosse o suficiente aloprado), além de se preocupar em tentar resgatar sua ex-namorada Amu (Vanessa Minnillo) que está presa no Museu de História Natural.

sábado, 28 de novembro de 2015

SUPER-HERÓI - O FILME

Nota 4,0 Parodiando um filme do Homem-Aranha, filme pastelão não é tão ruim quanto parece

Desde que Todo Mundo em Pânico surgiu, as comédias satíricas que tiram onda com o próprio cinema, uma espécie de metalinguagem esdrúxula, acabaram se tornando um subgênero e por um tempo eram constantes os lançamentos do tipo, mas nenhum voltou a repetir o sucesso da piada com as fitas de seriais killers. Até mesmo suas continuações falharam. A cada novo lançamento desta seara fica ainda mais nítido a precariedade destas produções e as brincadeiras se tornam cada vez mais obscenas e inacreditavelmente ridículas. Produções to tipo na verdade já existiam desde a década de 1980, em menor quantidade, diga-se de passagem, mas durante uma época houve um desencadeamento de fitas do tipo, comédias vexatórias que levam o espectador a rir inconscientemente de cenas absurdas que misturam críticas, esculachos, política, sexo, apologia às drogas, humilhação, personalidades, enfim um caldeirão de referências, a maioria politicamente incorreta no grau mais alto possível. Bem, até que a citada sátira ao sucesso teen Pânico e suas cópias tinha certa graça, era bem bolado e tinha uma dose de ousadia aceitável, mas o que veio depois são exemplos execráveis e praticamente uma ofensa aos adolescentes, declaradamente o público-alvo. Todavia, dessa leva de bobagens, podemos salvar ao menos um título: Super-Herói - O Filme. Embora mantenha a estrutura de alinhavar piadas fáceis acerca de sucessos do cinema, fofocas e polêmicas da vida real e atire para tudo quanto é lado em busca de gargalhadas, a grande inspiração do diretor e roteirista Craig Mazin veio do longa Homem-Aranha, o primeiro exemplar da trilogia protagonizada por Tobey Maguire. Qualquer semelhança não é mera coincidência. O jovem franzino Rick Riker (Drake Bell) sempre foi tímido, desengonçado e saco de pancadas da rapaziada do colégio, mas tudo muda após ele ser picado por uma libélula geneticamente modificada. O rapaz ganha habilidades sobre-humanas e decide então usar seus poderes para fazer o bem e transforma-se no Homem-Libélula que aos trancos e barrancos passa a combater crimes e rapidamente chamas a atenção da imprensa, dos populares e, obviamente, de inimigos.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

AS LOUCURAS DE DICK E JANE

NOTA 8,0

Jim Carrey e Téa Leoni
esbanjam sintonia e simpatia
vivendo um casal que entra de
gaiato no mundo dos crimes
Não importa o quanto o tempo passa ou o quanto se esforce, mas parece que Jim Carrey está fadado a ser amado e odiado em proporções semelhantes. Se para alguns ela provoca riso fácil com suas caras e bocas, para outros elas não passam de características de um bocó irritante. Quem aprecia comédias rasgadas certamente aprova as atuações do ator que vira e mexe tenta (e consegue) expor seu talento dramático, mas inevitavelmente está sempre com um projeto cômico engatilhado. Em As Loucuras de Dick e Jane mais uma vez ele não decepciona a quem curte seu jeito elétrico e despachado de atuar. Este filme é quase uma refilmagem de um trabalho da década de 1970 chamado Adivinha Quem Vem Para Roubar, mas só a premissa foi mantida. A história foi reformulada e adaptada para os novos tempos, sobrando até rápidas piadas críticas a respeito da imagem do imigrante latino nos EUA. Porém, o foco mesmo é fazer graça com piadas acerca de escândalos administrativos, algo muito em evidência na época do lançamento, usando o astro da comédia como o laranja de uma operação fraudulenta. A ideia principal poderia render uma comédia mais adulta, uma sátira mais refinada, mas foi feita a opção pelo humor rasgado e popularesco, porém, tal definição não deve ser confundida com grotesco. Dick (Carrey) e Jane Harper (Téa Leoni) formam um casal feliz com um filho pequeno e que levam uma vida confortável, mas eles querem mais e a grande chance parece bater à porta deles quando o patriarca do clã é promovido repentinamente a vice-diretor de relações públicas de uma grande corporação a qual se dedica há vários anos. Achando que vai ganhar horrores, o casal passa a comprar todos os bens de consumo que tanto desejavam, porém, a farra dura pouco. Logo vem a tona a notícia da falência da empresa devido a um desvio de dinheiro gigantesco feito pelo desonesto presidente da mesma, Jack McCallister (Alec Baldwin), e a bomba estoura nas mãos de Dick. A partir daí vemos uma série de esquetes cômicos nos quais os mais novos falidos da praça tentam reconquistar o padrão de vida que tinham ou ao menos não morrer de fome praticando roubos. Essa é a deixa para Carrey usar seu potencial físico e vocal para provocar humor seguido de forma tímida por sua parceira que parece transparecer preocupação ou ser mais sensata.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A PRINCESA DE NEBRASKA

NOTA 5,5

Com protagonista insossa,
drama é extremamente frio e
não cativa o espectador com
narrativa sem aprofundamentos
O tão aguardado século 21 está em andamento, porém, não trocamos os carros por aeronaves e nossa alimentação não é servida em práticos tubinhos como os de creme dental (felizmente só uma coisinha ou outra chega a nós nesse tipo de embalagem, mas com seus substitutos correspondentes). Bem, esse novo tempo tão aguardado não trouxe a tecnologia fantasiosa que esperávamos, mas é evidente que a modernidade está presente em todos os instantes influenciando a vida de todos, e não só de forma positiva. A primeira vista pode parecer inadequado fazer algum tipo de associação do conteúdo de A Princesa de Nebraska com os vícios da vida moderna, mas tal relação faz todo o sentido quando descobrimos o universo no qual está imersa a protagonista. Sasha (Li Ling) é uma jovem estudante chinesa que está vivenciando os primeiros meses de uma inesperada gravidez. Ela abandona o namorado em Pequim e viaja para São Francisco com o intuito de realizar um aborto. Já na cidade de destino, nos EUA, Sasha encontra um amigo de seu namorado, Boshen (Brian Danforth), e a jovem May (Lin Qing), com quem troca confidências e experiências. Entre momentos de prazer e outros de pura reflexão, cada passo dessa viagem de autoconhecimento é registrado pela gestante com a câmera de seu celular, como se ela fizesse um diário a respeito desse acontecimento único em sua vida, um registro dessas 24 horas decisivas nas quais as vastas possibilidades de uma cidade e os conselhos de estranhos podem mudar seus pensamentos e sua trajetória deste ponto em diante. Interromper a gravidez ou levá-la adiante? Gerar uma criança e aceitá-la com todas as alegrias e obrigações que ela exige ou aproveitar para ganhar um dinheiro com sua venda? Produzido em solo e com recursos americanos, o longa carrega em sua essência a estética dos filmes orientais. Tomadas intimistas, closes estendidos, muitos momentos de silêncio e até mesmo a ausência da trilha sonora em longas sequências, as grandes características do cinema que faz sucesso no circuito alternativo estão presentes aqui, mas não é todo mundo que consegue enxergar ou compreender o conceito de arte empregado neste caso pelo cineasta natural de Hong Kong Wayne Wang, famoso pelo delicado O Clube da Felicidade e da Sorte.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

MORCEGOS

NOTA 3,0

Reunindo características
dos trashs movies, longa é
até divertido, basta não
encará-lo com seriedade  
Os filmes trashs marcaram os anos 80. Com o advento do videocassete o que era proibido no cinema tornou-se de fácil acesso. Assim os adolescentes ávidos por sangue que antes precisavam estar acompanhados de algum responsável para curtir um terror podiam finalmente matar a vontade de ver corpos dilacerados banhados à catchup o quanto quisessem. Além dos populares seriais killers, faziam sucesso os filmes de monstros e animais geneticamente modificados como aranhas gigantes ou piranhas assassinas. Tais temas também foram muito populares entre os anos 50 e 60, quando os americanos e o mundo como um todo passava por períodos difíceis com muitos conflitos políticos e religiosos que geravam mortes e violência, um clima tenso que não difere muito de nossa atualidade. Se a vida real já era assustadora, o cinema saía prejudicado. O que pode ser mais assustador que colocar o pé para fora de casa e não saber se voltará vivo no fim do dia? Sendo assim, terror e comédia foram unidos para agradar platéias que buscavam no escurinho do cinema momentos de alívio para a tensão do dia-a-dia. O gênero trash nunca saiu da moda, mas é certo que vive de altos e baixos. Após um período de poucas produções, parece que os produtores voltaram suas atenções no final da década de 1990 para este pequeno nicho de mercado. Embora muitos destratem esse tipo de filme, há também um público fiel que adora se divertir com bobagens do tipo Anaconda. Para fechar aquela década, foram produzidos em 1999 pérolas como Do Fundo do Mar, Pânico no Lago e Morcegos, este último uma produção B que no geral até que cumpre seus objetivos e transforma seus defeitos em qualidades, tornando-se uma opção acima da média do gênero. Você deve estar pensando que só louco para curtir algo do tipo, mas se não levarmos a sério tal produto é possível sim se divertir. Certamente o diretor Louis Morneau já pensou em conceber este trabalho como um legítimo trash movie, não foi uma obra do acaso o resultado final. A premissa do longa até que é bem interessante. Se no passado o cultuado Alfred Hitchcock fez sucesso apavorando platéias com pássaros aparentemente inofensivos, por que com outros seres voadores a receita não daria certo? 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN

NOTA 9,0

Delicadeza e criatividade de
longa francês prova que o
cinema alternativo não é
apenas para intelectuais
Cinema europeu é chato e cabeça demais. Tal afirmação é muito comum, mas quem concorda com ela precisa rever seus conceitos e se abrir a novas experiências, como prova O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, um título apreciado e elogiado por muitos, mas considerado desinteressante e cansativo por tantos outros, mas será que essas pessoas que criticam negativamente realmente assistiram a obra ou simplesmente estão passando adiante pensamentos obsoletos? Com certeza o fato de ser uma produção francesa barra uma grande parcela dos espectadores que devem estar impregnados da ideia de que o cinema francês é contemplativo demais e com foco em histórias dramáticas ou muito romanceadas. Bem realmente, estas são características da produção cinematográfica local, mas sempre é possível encontrar algo diferenciado dando uma garimpada. No caso desta produção assinada por Jean-Pierre Jeunet nem é preciso fazer muito esforço para encontrá-la já que foi um título muito premiado e cumpriu sua trajetória de sucesso até a festa do Oscar chegando lá com pinta de campeã, mas acabou levando um banho de água fria perdendo suas cinco indicações. Porém, a análise de resultados finais tanto de críticas quanto de bilheterias resultou em um banho do melhor champagne francês. Assistido na época por cerca de vinte milhões de pessoas, até hoje esta obra é uma das mais procuradas em locadoras e se tornou um marco cinematográfico devido a sua estética, linguagem e ritmo atípicos para a filmografia de um país cujas marcas registradas são as longas sequências focadas em olhares e gestos e um erotismo quase sempre presente nas narrativas. Amado e odiado nas mesmas proporções, o cinema francês não se firmou como uma indústria de fazer dinheiro, mas sim como um estilo de produzir cinema que gera bons e maus resultados, mas sem causar estardalhaços tampouco criando ícones pop, bem diferente da cinematografia americana que quer vender muito mais que os tickets das salas de exibição e imprime uma velocidade em suas produções que acaba atrapalhando muitas vezes a condução das histórias, além dos muitos efeitos e tecnologias serem empregados para escamotear furos e ausências.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O SOM DO CORAÇÃO

NOTA 7,0

Drama é uma eficiente
reunião de clichês adornados
por bela trilha sonora e
interpretações sinceras
É curioso como o público se comporta em relação aos títulos indicados a prêmios, principalmente ao Oscar. Há anos os títulos mais badalados da festa da Academia de Cinema de Hollywood não conquistam bilheterias e repercussões estarrecedoras, aliás, a maioria, incluindo os vencedores da categoria de Melhor Filme, é esquecida rapidamente. Na contramão deste desinteresse, algumas produções que concorrem em menos categorias, geralmente os prêmios “menores”, acabam alcançando resultados muito superiores, principalmente quando são representantes do gênero drama. O Som do Coração é um bom exemplo desta tendência. Apreciado pelo público, mas rejeitado pela maioria dos críticos por considerarem uma história repleta de clichês e desnecessária, o longa era um dos cavaleiros solitários do Oscar 2008. Concorrendo apenas ao prêmio de Melhor Canção, a produção não levou a estatueta, mas ainda assim saiu vitoriosa da premiação consagrando-se como a obra de maior e melhor repercussão entre os espectadores comuns daquela safra e até hoje é um dos títulos líderes de procura para locação e venda. Ele faz parte de um seleto grupo de filmes que todos os anos é ampliado com o lançamento de pelo menos mais um expoente que chega tímido às premiações, mas surpreende e se torna tão ou mais famoso que os grandes vencedores da temporada. A história é muito simples e não esconde o objetivo de querer emocionar o espectador do início ao fim, tanto é que o protagonista é uma criança, artifício infalível para tocar os corações das platéias. Evan (Freddie Highmore) foi criado em um orfanato e possui um dom especial para lidar com música que impressiona a todos. Tal habilidade está em sua genética. Ele é filho da violoncelista Lyla Novacek (Keri Russell) e do roqueiro Louis Connelly (Jonathan Rhys Meyers), porém, nunca os conheceu. O casal se apaixonou a primeira vista, tiveram uma bela noite de amor, mas logo em seguida o romance foi interrompido pelos pais da moça. Cada um seguiu seu caminho, mas jamais conseguiram se esquecer um do outro. Alguns meses depois da separação, Lyla deu a luz a um garoto, mas seu pai o entregou à adoção sem nem ao menos deixar a moça conhecer o filho dizendo que o bebê morreu no parto. Assim, a moça caiu em depressão e passou a apenas dar aulas de música enquanto longe dela seu grande amor, que não sabia da gravidez, também desistiu de tocar com sua banda

domingo, 22 de novembro de 2015

ALGUÉM COMO VOCÊ

Nota 6,5 Com premissa interessante, longa é atrapalhado pelas diversas tramas paralelas

As comédias românticas estão cheias de personagens que procuram lógicas, estatísticas e teorias a respeito do comportamento das pessoas quanto aos relacionamentos amorosos, agora comparar a postura humana sobre esse assunto com a atividade sexual de bovinos renderia um bom filme?  Para o diretor Tony Goldwyn a resposta é sim. Alguém Como Você segue a risca a cartilha do gênero e o resultado como sempre é indolor e até agradável. Com o objetivo de justificar seus próprios fracassos no campo do amor, a protagonista começa a estudar o comportamento sexual das vacas e bois na tentativa de traçar um paralelo entre a infidelidade masculina e o instinto animal. Baseado no livro “Animal Husbandry”, levemente inspirado nas experiências de vida da própria autora, a jornalista Laura Zigman, o longa marcou a estreia da atriz Ashley Judd nas comédias românticas, a responsável pelas poucas cenas de humor. Ela interpreta Jane, a produtora de um programa de TV de grande repercussão e está envolvida com Ray Brown (Greg Kinnear), o produtor executivo da atração. Cansada de tantas decepções amorosas, ele parece ser o homem certo, mas as coisas mudam quando eles decidem morar juntos. Gradativamente o rapaz se distancia e logo diz que quer dar um tempo, mas na verdade está balançado com a possibilidade de voltar com sua ex. Além de ficar arrasada, Jane terá de entregar seu imóvel em poucos dias e como Eddie Alden (Hugh Jackman), um colega de trabalho, está alugando um quarto ela decide ir morar na casa dele que, diga-se de passagem, está acostumado a levar uma mulher diferente por noite para sua cama. Desesperada para entender o que aconteceu com seu namoro e compreender o comportamento mulherengo do amigo, Jane cria a "Teoria da Vaca Velha" para interpretar as relações entre homens e mulheres comparando o comportamento humano com o bovino. Ela divide este pensamento com a amiga Liz (Marisa Tomei), mas os desdobramentos desta ideia terão consequências imprevisíveis quando a produtora assume um pseudônimo e cria uma personagem para expor seus pensamentos, uma misteriosa escritora cujos artigos femininos chamam a atenção de Diane (Elle Barkin), a chefe de Jane que quer a todo custo entrevistar a tal pensadora.

sábado, 21 de novembro de 2015

O ENCONTRO (2002)

Nota 5,0 Visual datado e premissa interessante não são suficientes para segurar suspense

Mortes misteriosas, um buraco que esconde uma história macabra do passado, alucinações, religião e até um milharal. A maior parte dos clichês dos filmes de terror e suspense que fizeram sucesso nos anos 70 e 80 batem cartão em O Encontro produção que tem uma premissa bem interessante, mas esfria aos poucos culminado em um final pouco original e sem impacto. Nem quando os segredos são revelados percebemos que chegamos ao ápice da história devido a narrativa arrastada. Apesar disso, o recheio deste filme prende bastante a atenção, investindo em uma trama que mistura o sobrenatural com uma espécie de culto macabro do passado, quando algumas pessoas se encontravam em um templo para assistir o sofrimento de outras até morrerem. O roteiro de Anthony Horowitz nos leva para a Inglaterra onde dois jovens caem em um buraco e não resistem. Esse poderia ser só mais um corriqueiro acidente com final trágico, mas o tal buraco esconde segredos. Lá dentro existem diversas esculturas com formas humanas e esculpidas em relevo que parecem olhar para uma cruz. Simon Kirkman (Stephan Dillane), um especialista em religiões, é convocado para inspecionar o local e paralelamente a isso, Marion (Kerry Fox), sua esposa, atropela acidentalmente Cassie Grant (Christina Ricci), uma jovem que parece ter perdido a memória com o choque, apesar de fisicamente não ter sofrido nenhum trauma grave. Ela acaba sendo acolhida na casa dos Kirkman e informalmente se torna a babá das crianças da família. Conforme o tempo passa, a jovem começa a ter visões de pessoas ensanguentadas ou estranhas e a ouvir vozes. Aos poucos, esses acontecimentos vão sendo ligados à descoberta feita dentro do buraco e Dan Blakeley (Ioan Gruffudd), com quem a jovem faz amizade, pode ser uma peça importante para desvendar o mistério.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

SINAIS

NOTA 9,0

Para falar da importância da
fé, união familiar e de quebra
oferecer bons sustos, longa
aborda tema de ficção científica
Já faz algum tempo que o mundo todo vive um período em que se discute muito a respeito do poder das religiões, seja de forma positiva ou negativa, e certamente todos já ouviram dizer que quando deixamos de acreditar no poder da fé abrimos as portas para as forças ocultas atuarem. Colocar tal tema em evidência era a proposta real de Sinais, mas as intenções ficaram perdidas pelo caminho, ou melhor, acabaram sendo sucumbidas. O assunto que se destaca realmente é a possível presença de extraterrestres em nosso planeta baseando-se em eventos misteriosos amplamente divulgados pela mídia e vendidos como realidade na década de 1970. Sucesso de crítica e público nos EUA, a má recepção que esta produção teve no Brasil foi mais uma injustiça feita ao diretor e roteirista M. Night Shymalan que infelizmente vive com a fama de ser o tipo de diretor de um filme só. Até hoje ele é assombrado por seu grande sucesso O Sexto Sentido e viu seus trabalhos seguintes serem massacrados por opiniões negativas. Será que realmente ele perdeu a mão ou os espectadores é que estão exigindo demais de um homem que praticamente começou a carreira já surpreendendo? A segunda hipótese é a mais correta, pelo menos analisando os seus três trabalhos seguintes (Corpo Fechado, A Vila e o filme aqui em julgamento). Todos eles são produções de alta qualidade de entretenimento engajados com temáticas relevantes, mas que gradativamente provaram que o prestígio do cineasta caia com a mesma rapidez que aconteceu sua ascensão. É difícil expressar uma opinião honesta e individual quando meio mundo não compartilha dos mesmos pensamentos, mas realmente classificar este filme como ruim é demais. Regular ainda é discutível, mas talvez seja a alternativa mais correta. Em seu terceiro filme hollywoodiano com grande distribuição, o cineasta indiano investiu novamente naquilo que lhe trouxe notoriedade: personagens com história de vida para o espectador criar um elo, atmosfera de arrepiar, sequências incômodas de silêncio e introdução dos elementos clássicos de terror nos momentos oportunos. Bem, se muitos filmes sobre alienígenas decepcionam por não mostrarem as criaturas, aqui elas até aparecem demais e provocam um anticlímax. Só pode ser essa a grande queixa daqueles que apedrejam este trabalho. Shymalan errou ao trocar o horror sugestionado pelo explícito. Na realidade até pouco mais da metade do filme o diretor felizmente usa sons e imagens em relances para assustar e mesmo depois que a ameaça se revela em carne e osso (ou seja lá do que são feitos os corpos dos extraterrestres) a tensão não cai, pelo contrário, até aumenta. É o pulo do gato do roteiro. O espectador é convidado a participar do claustrofóbico lar da família Hess desde o início, já que basicamente todas as ações ocorrem por lá, mas no final a relação entre espectador e cenário é intensificada afinal eles literalmente se isolam do mundo. Nesta casa localizada em uma região rural da Pensilvânia vive Graham (Mel Gibson), um homem que abandonou a igreja após a morte de sua mulher em um acidente, seus dois filhos, Morgan (Rory Culkin) e Bo (Abigail Breslin), e seu irmão Merrill (Joaquim Phoenix). A paz deles é interrompida com o surgimento de grandes círculos em meio a suas plantações de milho, como se algo gigantesco tivesse pousado ali. O mesmo fenômeno começa a acontecer em outras fazendas mundo afora e tudo indica que seres de outros planetas estão rondando essas propriedades.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

DOCE LAR

NOTA 6,0

Embora não se aproveite da
fórmula do triângulo amoroso
tradicional, longa é previsível
e com algumas falhas agudas
Um título adocicado. Uma bela e cativante protagonista. Dois rapazes disputando seu amor. Para completar, um elenco coadjuvante simpático para pontuar os momentos cômicos e dar aquela palavra de solidariedade à mocinha quando ela chega ao ápice de seu dilema. Esses são os ingredientes do açucarado Doce Lar, mais um trabalho cuja receita foi escolhida a dedo no manual de comédias românticas de Hollywood. Se tal invenção realmente existisse em formato impresso certamente suas páginas já estariam bastante amarrotadas e emboloradas devido ao tempo e ao tanto de vezes que as fórmulas consagradas foram reutilizadas. Todavia, em menor ou maior grau, todas elas ainda conquistam público, como ocorreu neste caso, mesmo apostando na batida dúvida se a protagonista deve casar com o homem que pode lhe oferecer um futuro seguro ou arriscar em uma paixão repentina e avassaladora, mas cujo caminho a trilhar gera dúvidas. A grande, mas ironicamente despercebida diferença deste trabalho do diretor Andy Tennant, dos ótimos Anna e o Rei e Para Sempre Cinderela, é que os pretendentes da protagonista não chegam a brigar por ela, aliás, até boa parte do filme um deles não tem nem mesmo conhecimento da existência de um rival. A briga aqui é da mocinha com ela mesma, com seu próprio passado. Melanie Smooter (Reese Witherspoon) quando decidiu sair do pacato interior do Alabama rumo a agitada Nova York literalmente virou outra pessoa. Não só mudou sua maneira de agir e se vestir como também trocou seu nome pelo pomposo Carmichael. Sete anos mais tarde, ela já é considerada uma estilista famosa e está de casamento marcado com Andrew (Patrick Dempsey), ninguém menos que o filho da prefeita da cidade, Kate Hennings (Candice Bergen), esta que não aprova o namoro do filho com uma desconhecida. Procurando informações a respeita da jovem e sua família, a governante não descobre absolutamente nada, nem a favor e nem contra, o que explica o pavor de Melanie ao perceber que seu casamento já era destaque em toda a mídia. Não é só por ter nascido em um núcleo familiar simplório ou ter vivido até a adolescência em uma região campestre que ela tenta esconder seu passado, mas sim porque existe nele um ex-marido, porém, cujos laços matrimoniais ainda não foram desfeitos perante a Lei.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

À PROCURA DA FELICIDADE

NOTA 7,5

Assumidamente piegas e
feito para levar o público às
lágrimas, drama surpreende,
muito por conta de Will Smith
No Natal, na Páscoa, no Dia das Crianças ou no inverno. Em datas festivas ou em períodos críticos do ano é muito comum que pessoas sozinhas ou em grupos se dediquem à caridade, seja colaborando com dinheiro, produtos alimentícios, roupas ou simplesmente doando seu tempo fazendo companhia a algum idoso necessitado ou brincando com uma criança que vive em um orfanato.  Tudo isso é maravilhoso e nos faz acreditar que o mundo ainda tem conserto graças a pessoas como essas de bom coração. Porém, não é apenas em datas estratégicas que nosso espírito solidário deve ser aflorado. Sempre é tempo de estender a mão ao próximo e ajudá-lo no que for preciso e o cinema está repleto de belas histórias de solidariedade e perseverança. À Procura da Felicidade é um filme que nos faz sentir vontade de fazer o bem e acreditar que o futuro pode ser melhor, mesmo diante das dificuldades do presente. Repleto de clichês, o longa é praticamente um conto de fadas moderno, mas sem princesas ou bruxas. Aqui vemos um homem comum tentando sobreviver em uma sociedade canibalista em que cada dia é preciso vencer uma batalha para garantir o próprio sustento. E olha que a história se passa na década de 1980, detalhe que acaba passando despercebido já que o mundo em que o protagonista vive basicamente continua o mesmo até hoje ou está até pior. A única diferença é que atualmente temos muito mais bugigangas tecnológicas para ampliarem o abismo da desigualdade social. Enquanto alguns se preocupam em dormir em uma fila para garantir uma das primeiras unidades do celular mais bombado do momento, outras tantas pessoas ficam dias e dias de plantão em portas de hospitais ou de instituições de caridade em busca de necessidades básicas para qualquer ser humano. Essa realidade não é só de nós brasileiros, mas se estende pelos quatro cantos do mundo, inclusive atingindo os americanos. Mas voltando a falar do filme, por ser baseado em uma história real vitoriosa, embora com alguns fatos tristes ampliados, a dramaticidade extrema do texto acaba se revelando como um atrativo para os espectadores, mas nada que se compare ao chamariz da produção ser protagonizada por um dos atores mais populares de Hollywood, Will Smith, merecidamente indicado a vários prêmios, incluindo o Oscar, pelo papel de um homem que ultrapassa os limites do fundo do poço para conseguir sobreviver ao lado da filho à selva de pedra que é a cidade grande.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A MÃO DO DIABO

NOTA 7,0

Bill Paxton dirige e atua em
suspense à moda antiga sem
usar violência explícita, mas
a obra carece de um clímax
É curioso como funciona o “star-system” de Hollywwod. Enquanto algumas figuras viram estreladas aplaudidas e elogiadas da noite para o dia, outras batalham durante anos e as vezes chegam ao fim da carreira sem o devido reconhecimento. Por exemplo, se você é realmente ligado em cinema já deve ter ouvido falar em Bill Paxton, certo? Opa, claro ele fez aquele filme... Aquele... Empacou? Sim, ele é aquele cara que participou de Apollo 13, Titanic, U-571 entre outras dezenas de produções e até perdeu o posto de protagonista em Twistter para os tornados. Realmente o nome deste ator não é um chamariz de público, porém, sua filmografia é bem interessante e foi enriquecida quando ele experimentou a carreira de diretor. Sua estreia no cargo ocorreu em 1982, mas não deve ter sido uma boa experiência afinal de contas ele demorou quase duas décadas para repeti-la. Sendo assim, podemos considerar que ele praticamente iniciou sua carreira na direção de longas-metragens com A Mão do Diabo, um suspense digno de elogios, mas é uma pena que até hoje poucos deram bola à essa obra. É muito raro que alguém consiga se dar bem logo em seus primeiros trabalhos atrás das câmeras, ainda mais explorando um combalido gênero, mas Paxton surpreende com uma direção segura e inesperada. A atmosfera que ele criou consegue ser tensa e ao mesmo tempo melancólica e sua narrativa comunica-se perfeitamente com as plateias contemporâneas ainda que preservando um delicioso resquício de nostalgia impresso no ritmo e no visual. O diretor também acerta ao não se entregar ao vício desse tipo de produção e carregar seu trabalho com tintas escuras. As cenas mantêm um clima obscuro até mesmo quando realizadas sob forte luz solar, graças também a escolha de locações e cenários que transmitem a perfeita sensação de isolamento geográfico no qual os protagonistas se encontram. O roteiro do estreante Brent Hanley não é fácil, exige muita atenção aos detalhes e traz a tona um tema polêmico: o poder de uma crença sobre uma pessoa sugestionável. A trama já começa de forma intrigante. No Texas, um homem procura o escritório do FBI afirmando que tem informações a revelar sobre o serial Killer conhecido como “Mão de Deus” e exige falar com o investigador Wesley Doyle (Powers Boothe). Fenton Meiks (Matthew McConaughey) diz que descobriu que seu próprio irmão mais novo, Adam (Levi Kreis), é o tal assassino e que a pouco ele cometeu suicídio. Como o rapaz chegou aparentando estar perturbado, no início sua história parece insana, mas o agente decide continuar ouvindo seus relatos. A partir de então, através de flashbacks, Fenton passa a narrar as tristes e trágicas lembranças que marcaram a sua infância.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O AVIADOR

NOTA 8,0

Através de uma biografia,
longa faz uma homenagem ao
cinema, mas esbarra na
impopularidade do homenageado
Existem alguns filmes que embora cercados de cuidados e tratados como superproduções desde a concepção da ideia inicial parece que já nascem com quase tudo contra o seu sucesso. O Aviador é um bom exemplo. Longo demais, uma biografia a respeito de um homem que deixou sua marca na história americana, mas estranho a boa parte da população mundial, jeito de dramalhão e Leonardo DiCaprio como protagonista, na época ainda batalhando para se livrar do estigma negativo que Titanic lhe deixou como herança para sua carreira. Por outro lado, o elenco coadjuvante repleto de nomes famosos e talentosos, a reprodução impecável da primeira metade do século 20 e a metalinguagem de homenagear o cinema dentro de um filme são pontos que chamam a atenção e trabalham a favor do longa. Somam-se a isso tudo a direção sempre competente de Martin Scorsese e muitas indicações a prêmios. Com essa mistura heterogênea de ingredientes, a biografia do excêntrico e milionário Howard Hughes ganhou notoriedade, levou bastante gente aos cinemas e movimentou o mercado de locações quando lançado em DVD, mas a aprovação não foi a esperada. Muita gente após o término (se é que assistiram até a última cena) provavelmente jurou não recomendar este filme nem para o seu pior inimigo. E isso não é exagero, é verídico, mas uma grande injustiça feita com uma produção que consegue ser mais que um drama biográfico sobre um homem que teve muita importância para a aviação, mas também um belo e merecido registro de um período da História do cinema americano, uma época importantíssima para consolidar esta arte como forma de entretenimento e geradora de renda e trabalho.  O filme é baseado em eventos reais da vida do megalomaníaco Hughes (DiCaprio), um homem cuja trajetória se confunde com os avanços da aviação e do cinema. Na década de 1920, depois de herdar uma verdadeira fortuna, o jovem passa a investir na sétima arte e filma um épico de realismo impressionante, porém, muito perfeccionista, ele decide regravar tudo quando surge o cinema sonoro e jamais aceitava trabalhar quando um detalhe mínimo lhe escapava, o que irritava muitos seus companheiros de trás das câmeras pelos constantes atrasos e imprevistos nas filmagens. Além disso, graças aos filmes, ele também entrou em contato com a área da aviação e assim também gastou boa parte de seu dinheiro investindo no que havia de mais moderno para melhorar este campo, algo que sem dúvida refletiu positivamente no futuro da área.

domingo, 15 de novembro de 2015

O INVISÍVEL

Nota 4,0 Flertando com o espiritismo, longa tem premissa interessante, mas é previsível

Filmes que abordam temas ligados ao espiritismo, como vida após a morte ou a possibilidade de ainda vivenciar o mundo real quando aparentemente a alma já está desvencilhada do corpo, chamam a atenção e já tem público cativo. Nos anos 2000, parece que a onda de longas espíritas pegou o mundo todo, principalmente depois que o suspense O Sexto Sentido aliou com perfeição sustos com mensagens que os interessados na área tanto buscavam. Tal obra reascendeu a procura por produtos do tipo, mas nem tudo que surgiu em seguida conseguiu resultados tão bons. O mesmo produtor que fez o mundo roer as unhas até o último minuto com a história do garoto que podia se comunicar com os mortos não repetiu o feito com O Invisível, suspense com pegada espírita, mas que está longe de ser um estudo profundo do assunto, parecendo mais uma introdução a esse universo para adolescentes. Nick Powell (Justin Chatwin), é um aspirante a escritor que promete trilhar um caminho profissional brilhante e se destaca no colégio com suas redações. Porém, sua vida é inesperadamente interrompida quando é brutalmente atacado numa noite e abandonado praticamente sem vida em um local afastado da cidade onde mora. No dia seguinte, o jovem está de volta à sala de aula, mas estranha o comportamento dos colegas e da professora que parecem ignorá-lo. O mesmo acontece quando chega em casa e ele encontra sua mãe, Diane (Marcia Gay Harden) que também parece não enxergá-lo. Pouco a pouco ele descobre que está preso entre o mundo dos vivos e dos mortos e que a única pessoa que pode entrar em contato com ele é Annie (Margarita Levieva), mas ela mesma pode estar envolvida com os fatos que levaram Powell a esta situação.

sábado, 14 de novembro de 2015

SOMBRAS DO MAL

Nota 5,5 Apesar da boa premissa, enredo não faz jus ao talentos dos protagonistas

Poder reunir em um mesmo filme dois nomes de intérpretes de peso deve ser o sonho de qualquer cineasta, mas isso de forma alguma significa que o sucesso está garantido. Hoje vivendo períodos pouco expressivos de suas carreiras, seja por falta de convites ou escolhas erradas, é fato que Robert De Niro sempre foi um nome em evidência e Jessica Lange, bem, ela já teve seus dias de glória também. No início da década de 1990, ambos em pleno auge profissional, eles tiveram a chance de estrelar Sombras do Mal, drama que flerta com o gênero policial e que poderia resultar em um memorável encontro de estrelas, porém, o resultado final é inferior ao esperado. Com roteiro de Richard Price, vencedor do Oscar pelo enredo de A Cor do Dinheiro, a trama nos apresenta a Harry Fabian (Robert De Niro), um advogado que sempre precisa recorrer a alguma picaretagem para conseguir alguns trocados. Quando enfrenta no tribunal Boom Boom Grossman (Alan King), um mafioso e empresário de lutas de boxe, ele tem uma grande ideia.  Organizar combates poderia render muito dinheiro, mas certamente não agradaria nada a seu adversário, mas Fabian tem uma carta na manga. Ele contrata como seu assessor o ex-boxeador Al Grossman (Jack Warden), ninguém menos que o irmão do gângster. Ambos estão brigados há anos e essa seria a chance do lutador dar o troco e o advogado ainda se dar bem financeiramente, porém, antes de qualquer coisa, é preciso arranjar patrocínio para esse negócio. O mais novo empresário da praça recorre então a sua amante Helen (Jessica Lange), mulher de Phil (Cliff Gorman), dono do bar que frequenta há tempos. A moça resolve ajudá-lo, mas também pede algo em troca. Querendo se separar do marido, ela pede a ajuda de seu caso para abrir um bar próprio. A sorte estaria mudando para ambos, mas tudo que começa errado pode ter um preço alto no futuro.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

HORROR EM AMITYVILLE

NOTA 8,0

Embora abuse da imaginação,
refilmagem acerta no ritmo,
ambientação e em sustos, sendo
um respiro ao gênero terror
Remexer em situações misteriosas do passado para conseguir material para filmes de terror e suspense pode soar como uma ideia batida e que vai dar com os burros n'água, mas esse tipo de produção tem seu público cativo e por isso anualmente algumas dezenas de títulos com pretensões de deixar os espectadores roendo as unhas desembarcam nos cinemas ou diretamente nas locadoras. O famoso baseado em fatos reais é o chamariz e quanto mais instigantes e bizarros forem os fatos que deram origem ao roteiro melhor, embora muitas produções utilizem esse recurso de forma desonesta só para atrair público. Ainda bem que vez ou outra surge um excelente filme de terror que não se prende a apenas agradar plateias acéfalas, mas tem pretensões de arrebatar novos fãs para o gênero e agregar ou até mesmo reconstruir sua imagem. Um bom exemplo disso é Horror em Amityville, longa dotado de muitas qualidades, como uma narrativa coesa, boas interpretações, ambientação aterrorizante e cenas que assustam, mas não chegam a chocar totalmente. Uma pena que pouca gente o tenha assistido, ao menos no cinema. Os fatos que originaram esta história começaram no dia 13 de novembro de 1974 quando a polícia da região de Amityville foi chamada para atender um caso de assassinato coletivo. Em uma casa grande, de estilo antigo e a beira de um lago, o sonho de muitas pessoas, a cena que foi encontrada é digna de pesadelo. Uma família inteira foi assassinada de madrugada enquanto dormia. Poucos dias depois, Ronald Defeo Jr. confessou ter matado com um rifle seus pais e seus quatro irmãos e alegou que foi levado a esses atos por vozes misteriosas que ouvia dentro da residência. Ignorando a história macabra, um ano depois a propriedade é adquirida pelo casal George (Ryan Reynolds) e Kathy Lutz (Melissa George) que vão morar lá com seus dois filhos. Não demora muito e situações estranhas passam a acontecer e o chefe da família começa a demonstrar um comportamento violento. Sua esposa então passa a investigar o passado da casa e tem certeza de que há algo de maligno por lá que precisa ser combatido o mais rápido possível antes que o destino de sua família seja o mesmo dos antigos habitantes.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O TEMPERO DA VIDA

NOTA 8,5

Drama grego envolve o
espectador com um enredo
emcionante e literalmente
bem temperado
Hoje em dia, felizmente, o acesso as produções estrangeiras está mais fácil. São várias as distribuidoras que investem em um segmento que dificilmente gera lucros de encher os cofres, mas ter tais títulos no catálogo traz prestígio à empresa e certamente atende a demanda de um nicho especial de público. Essas produções são muito procuradas em lojas e locadoras por platéias mais intelectuais, estas que geralmente repudiam a pirataria virtual ou de rua e se interessam em assistir até mais de uma vez uma mesma obra a fim de absorver o máximo que puderem de conteúdo. A grande disponibilidade de estrangeiros em DVD acaba fazendo também com que outros espectadores elevem seu padrão cultural e se engana quem acha que tudo que não é americano é cabeça demais. A prova disso é Tempero da Vida, um agradável drama resultado de uma co-produção entre a Grécia e a Turquia que além de nos presentear com belas paisagens também nos oferece imagens deliciosas que enchem nossos olhos e boca de vontade. Não se podia esperar algo diferente a julgar pelo apetitoso título. Esta produção mescla muito bem o drama com generosas pitadas de humor que fazem o espectador ficar constantemente com um sorriso no rosto. O enredo gira em torno da história de um menino turco de origem grega que acaba sendo deportado de seu país natal com a família, um fato verídico que milhares de pessoas viveram entre as décadas de 1950 e 1960 devido ao conflito entre os dois países. Fanis (Georges Corraface) passou sua infância em Istambul convivendo com seu avô Vassilis (Tassos Bandis), um filósofo culinário que ensinou ao neto tudo que sabia sobre a arte de cozinhar, alquimia dos temperos e os mistérios da vida. Quando são obrigados a voltar para Atenas, o avô não vai junto com os familiares. O garoto então fica na expectativa de quando voltará a vê-lo e começa a desenvolver o dom para a cozinha, o que irrita seus pais que acreditam que ele sofre de algum distúrbio e sentem medo do preconceito que ele pode vir a sofrer e fazem de tudo para evitar que ele encoste no fogão. Porém, quis o destino que ele não negasse sua vocação e alguns anos mais tarde já está trabalhando como chefe de cozinha. Mais maduro, acaba voltando para o lugar em que viveu sua infância devido a morte de seu avô e reencontra seu primeiro amor, Saime (Basak Koklukaya). As lembranças gostosas daquele tempo mexem com seu emocional e agora ele tem a chance de colocar em prática a grande lição que Vassilis lhe deixou: tanto na culinária quanto na vida é preciso caprichar no tempero para dar mais sabor.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

LISBELA E O PRISIONEIRO

NOTA 9,0

Comédia reúne elementos
típicos da TV, do teatro e
do cinema americano para
um conto brasileiríssimo
Há quem detesta e condena a idéia de que o cinema nacional para fazer sucesso precisa ter sua imagem atrelada à televisão ou no mínimo alguns elementos de fácil identificação pelas platéias populares, o que nos remete automaticamente ao bom e velho televisor. Essa visão do mercado cinematográfico ainda continua, embora algumas produções longe desse modelo atinjam relativo sucesso, mas é no início da primeira década do século 21 que essa idéia criou raízes, muito graças ao empenho do cineasta Guel Arraes, um experiente diretor que fez e ainda faz diversos humorísticos e projetos especiais para a Rede Globo. Ele criou em 1999 e em 2000 duas microsséries para a emissora que pouco mais de um ano após suas exibições foram compiladas para se tornarem alguns dos maiores sucessos da história recente do nosso cinema. Após a boa aceitação dos longas O Auto da Compadecida e Caramuru – A Invenção do Brasil (tudo bem, este segundo não fez tanto barulho quanto o anterior), Arraes decidiu se manter em solo nordestino e emplacou mais uma grande história em uma pequena cidade do interior, mas desta vez um trabalho desenvolvido inteiramente com o foco de chegar primeiro às telas grandes. Lisbela e o Prisioneiro traz uma divertida narrativa que de certa forma faz uma homenagem ao cinema de antigamente, com direito a um toque especial narrativo, e ao mesmo tempo uma leve crítica ao modelo hollywoodiano de produção de filmes. O resultado é uma obra divertida, muito interessante e que evidenciou o quanto é importante o trabalho das equipes de fotografia e edição. Esses dois elementos colaboram e muito para dar o tom satírico dessa produção desde a primeira cena na qual a protagonista narra como é a estrutura clássica de um filme ao mesmo tempo em que seu discurso já interage com as imagens intertextuais presentes a partir dos créditos do elenco. De quebra, a trilha sonora escolhida a dedo e interpretada por grandes nomes da nossa música ajuda o espectador a compreender a personalidade de cada peça do enredo, evidenciando assim o espírito leve e sapeca do protagonista, o romantismo da sonhadora mocinha e o caráter duvidoso do vilão que não sente vergonha de acender uma vela e fazer uma oração para cada alma que manda para o céu ou para o inferno, como se buscasse o perdão pelos seus atos. 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

CARTAS PARA JULIETA

NOTA 6,5

Longa açucarado demais até
tem um bom início, mas seu
desenrolar torna-se cansativo
e romances não convencem
Assim como um livro consegue fazer uma pessoa viajar pelos lugares mais distantes ou fantásticos, um filme pode fazer o mesmo e muitas pessoas não resistem as produções filmadas em terras exóticas, históricas ou românticas. A Itália é um dos destinos mais procurados no roteiro das viagens cinematográficas e Hollywood sabe disso e vira e mexe está enviando seus talentos da frente e de trás das câmeras para filmarem por lá como é o caso do diretor Gary Winick que escolheu a ensolarada e pitoresca cidade de Verona, o palco da famosa história de Romeu e Julieta, para ser o cenário daquele que seria seu último trabalho (ele faleceu pouco tempo depois). Não por acaso o nome da protagonista da famosa obra de William Shakespeare também está contido no título de seu filme. Cartas Para Julieta é um romance com generosas doses de açúcar que se passa em um belíssimo cenário, adornado por um clima bucólico inquestionável e um roteiro bem convencional e previsível, ou seja, a fórmula perfeita para encantar os eternamente apaixonados e principalmente o público feminino, mas também certeiro para irritar os críticos especializados. Claro que quando uma produção se propõe a inovar e consegue fazer isso com sucesso é motivo para festejar e elogiar, porém, não se pode condenar e detonar um trabalho que assumidamente é repleto de clichês e oferece o prato feito convencional afinal de contas o longa provavelmente nunca teve as intenções de oferecer mais do que isso. Talvez se houvesse um fim trágico como no conto citado do escritor europeu este trabalho tivesse um respeito maior, não é? A história é bonitinha e para muitos esquecível em pouco tempo, mas é fato que o filme já se tornou um clássico romântico moderno caindo no gosto popular de forma instantânea, principalmente entre as adolescentes, até porque a protagonista é uma estrela em ascensão. Amanda Seyfried desde que estrelou o musical Mamma Mia tem emendado diversos trabalhos e aqui encontrou mais uma chance para perpetuar sua imagem de boa moça. Ela interpreta Sophie, uma jovem que é noiva do latino Victor (Gael Garcia Bernal). Eles decidem fazer uma viagem para a Itália para recuperar o romantismo da relação que não anda muito bem, porém, o rapaz quer ter seu próprio restaurante e se tornar um grande chef de cozinha, assim ele não resiste as tentações de conhecer a culinária, os vinhos e os temperos daquela terra. A namorada então acaba dispensando seu tempo livre ajudando um grupo de voluntárias a responder cartas pedindo conselhos amorosos endereçadas a "Casa de Julieta", um ponto turístico que realmente existe onde mulheres são recrutadas para manterem o vivo o mito da famosa personagem romântica e atrair curiosos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

RANGO

NOTA 8,0

Animação conquista com seu
visual surreal e personagens
originais, mas enredo pode
não agradar totalmente
O nome de um dos atores mais excêntricos de Hollywood em destaque no material publicitário e a estampa de uma criatura que aparentemente tem olhos esbugalhados segurando um peixe nas mãos só podem indicar uma coisa: mais um pareceria entre Johnny Depp e o diretor Tim Burton. Errado! O astro empresta sua voz desta vez para uma animação de Gore Verbinski, o mesmo que o presenteou com o papel principal da série Piratas do Caribe. Se o ator é famoso por sua capacidade de mudar completamente seu visual de um trabalho para outro, nada melhor do que ele mesmo para dublar justamente um camaleão, réptil conhecido por sua constante mudança de cores dependendo do local ou circunstâncias em que se encontra. Todavia, o astro fez muito mais pelo protagonista. Simplesmente ele conseguiu dar profundidade dramática a um personagem animado, sem que ele precisasse estar presente em cena em carne e osso. Rango é o primeiro longa-metragem animado da Industrial Light & Magic, empresa que já conquistou diversos prêmios graças aos efeitos especiais que criaram para diversos produtos de sucesso como Parque dos Dinossauros.  Com argumento do próprio diretor em parceria com James Ward Byrkit e roteiro de John Logan, a história gira em torno do personagem-título, um camaleão sem identidade e com intenções artísticas que passou boa parte de sua vida dentro de um aquário até que acidentalmente foi parar em uma estrada no meio do deserto. Caminhando em meio a cactos, sob sol escaldante e passando por alguns contratempos, Rango conhece Feijão, uma lagarta cheia de personalidade que passa a acompanhá-lo em sua jornada sem destino. Após um bom tempo eles finalmente chegam a uma cidade chamada Poeira, local onde os habitantes sofrem com a falta de água. Muito convencido, o réptil começa a contar um monte de histórias fantásticas e de bravura como se fosse um herói de filme de faroeste e logo ele é eleito o xerife do vilarejo, assim, finalmente ele passa a ser reconhecido e se sente realmente importante. Algumas de suas primeiras obrigações no cargo são resolver o problema da escassez de água e enfrentar a ira de Bandido Bill e seu bando de malcheirosos do oeste, mas seu principal desafio na realidade é conhecer a si mesmo e tentar despertar o herói que existe dentro dele. Ou tal figura corajosa não passa mesmo de uma criação de sua mente fértil?

domingo, 8 de novembro de 2015

REFLEXOS DA AMIZADE

Nota 6,0 Estreia do ator David Duchovny na direção e como roteirista rende drama razoável

Desde que o seriado “Arquivo X” acabou o ator David Duchovny tem tentado encontrar seu espaço no cinema, mas sem sucesso. Talvez cansado de viver a sombra de seu personagem televisivo e não encontrando bons projetos na praça, em 2004 resolveu fazer ele mesmo o seu próprio filme ideal. Lançado diretamente em DVD no Brasil, Reflexos da Amizade é o primeiro trabalho escrito e dirigido por ele que também protagoniza a obra cuja forma narrativa descarta a rapidez hollywoodiana para adotar o estilo mais emotivo e reflexivo próximo do cinema tradicional europeu. O roteiro escrito em apenas seis dias conta a história de Tom Warshaw (Duchovny), artista plástico que leva uma vida boêmia em Paris, mas precisa urgentemente reatar laços com sua esposa Coralie (Magali Amadei) e Tommy (Anton Yelchin), seu filho de 13 anos. Para tanto ele começa a resgatar memórias de quando ele tinha a mesma idade do adolescente, período em que morava em Nova York. Ele havia perdido o pai recentemente e sua mãe, a enfermeira Katherine (Téa Leoni), ingenuamente acreditava que qualquer doença poderia ser evitada consumindo grandes quantidades de verduras, assim ela infernizava o filho na hora das refeições. Desde que perdeu o marido, ela oscilava entre momentos de lucidez e outros de insanidade, como resolver usar o banheiro ao mesmo tempo em que o filho tomava banho, além de ter se entregado ao vício dos cigarros e chorar constantemente. Para fugir desse ambiente depressivo e sufocante, o jovem Tom gostava de passar o máximo de tempo em companhia do seu melhor amigo, o deficiente mental Pappas (Robin Williams). Juntos eles faziam entregas para um açougue e juntavam trocados para gastar no cinema e com guloseimas. O que sobrava eles enterravam em frente a uma delegacia feminina, afinal elas já estavam presas e não ofereciam riscos, além de ser uma forma de evitar que o pai de Pappas (Mark Margolis) roubasse o próprio filho a quem ele culpava pela morte da esposa alegando que ela não suportou o fardo de ter um filho retardado.

sábado, 7 de novembro de 2015

O MERCADOR DE PEDRAS

Nota 2,0 Longa acaba deixando explícita uma mensagem de preconceito contra os muçulmanos

O fatídico 11 de setembro de 2001 continua rendendo ao cinema. Além das produções que enfocam eventos e tristes histórias ocorridos nesta data, há ainda os títulos que exploram o clima tenso e a aversão ao povo muçulmano que se propaga pelo mundo todo desde então, mas O Mercador de Pedras exagera na dose de preconceito e não faz questão alguma de ser imparcial. É preciso estar atento para não confiar que a visão do diretor e roteirista Renzo Martinelli seja uma verdade absoluta. Seu longa começa de forma bastante previsível mostrando uma tentativa de ataque terrorista no qual acaba se envolvendo a esposa de um estudioso sobre o islamismo. Alceo Rondini (Jordi Mollà) está passando férias na Turquia acompanhado de Leda (Jane March) e mantendo certa amizade eles nem desconfiam que estejam participando de um jogo perigoso tramado por Ludovico Vicedomini (Harvey Keitel), um carismático negociador de pedras preciosas que vive viajando para a Europa e o Oriente Médio. Contudo, por trás de sua amigável aparência ele esconde um grande segredo. Junto com seu parceiro de negócios Shahid (F. Murray Abraham) ele conspira um ataque terrorista em grande escala, mas quando seu plano está prestes a ser concretizado o destino acaba por surpreender fazendo-o se apaixonar por Leda que corresponde aos seus galanteios. Agora ela terá que escolher entre o amor e a segurança oferecidos pelo marido ou por essa paixão repentina e avassaladora, mas Rondini está disposto a desmascarar seu rival. Curiosamente aquele que deveria ser o herói da história na verdade acaba sendo o calcanhar de Aquiles da produção. Ele prega em seus discursos que os muçulmanos irão destruir o Ocidente e no final chega até a dar uma duvidosa lição de História afirmando que a luta entre o povo ocidental e o oriental já dura séculos, o que é um fato, mas fala com pessimismo quanto aos avanços do islamismo pelo mundo, inclusive taxando como uma religião doentia. Em outras palavras, ele trata a cultura e a religião dos muçulmanos com preconceito tratando de rotular a todos que fazem parte desse povo como criminosos inconsequentes e individualistas.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

ALMA PERDIDA

NOTA 1,0

Repleto de clichês, sustos
previsíveis e protagonista que
não cativa, longa ainda peca ao
buscar estopo em ferida histórica
Se pararmos para analisar as décadas de 1960 a 1980 chegaremos ao bom censo de que foram épocas de ótimas e marcantes produções de horror e suspense, mas se forçarmos a memória para lembrar filmes-ícones dos gêneros nos anos seguintes talvez dê para contar nos dedos o que se salva. O Sexto Sentido e Os Outros são verdadeiras aulas de como meter medo sem precisar fazer uso da violência gráfica ao mesmo tempo que se conta uma envolvente história, porém, é preciso traquejo e criatividade para feitos do tipo. Em tempos em que tudo é descartável, por que queimar os neurônios com algo que já nasce com prazo de validade determinado? Talvez assim pensava o diretor e roteirista David S. Goyer quando fez Alma Perdida, uma colcha de retalhos de referências a outros filmes que vão desde o clássico O Exorcista, chupando os últimos resquícios de criatividade de A Hora do Pesadelo até copiar escancaradamente ideias de refilmagens de fitas de horror orientais como O Chamado e O Grito, vertente já em decadência na época. A história começa com Casey Beldon (Odette Yustman) fazendo uma corrida em um parque quando leva um susto envolvendo a visão de um estranho garoto, figura que passa a atormentá-la seguidamente tanto acordada quanto dormindo. Fatos bizarros como cães que entortam a cabeça, agressões e ameaças do menino que toma conta e insetos que saem de dentro de ovos de galinha, diga-se de passagem, todos clichês de fitas do tipo aqui mal inseridos, também a deixam ressabiada. Paralelo a isso, volta à tona as lembranças de sua mãe Janet (Carla Gugino) que se suicidou quando ela era criança e lhe deixou mágoas e ainda certa dúvida quanto a diferença de pigmentação em um de seus olhos, algo que mais tarde vem a saber que seria um indício de que poderia ser gêmea. De fato, ela descobre que não seria filha única, mas quase teria tido um irmão que acabou falecendo ainda na barriga da mãe estrangulado pelo cordão umbilical. Seria ele o garoto que a está assombrando? Que mistério! Porém, Goyer tenta não entregar tudo de bandeja e cria uma mirabolante subtrama para explicar o drama de Casey que como a maioria das mocinhas de histórias do tipo parece abdicar de sua rotina para se dedicar exclusivamente a bancar a detetive.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

AMOR À SEGUNDA VISTA

NOTA 4,0

Encontro de dois ícones das
comédias românticas deixa a
desejar mal aproveitando até
mesmo os clichês básicos do gênero 
Sandra Bullock faz drama, suspense, ficção, ação, talvez lhe falte coragem para encarar o terror, mas não tem jeito sua imagem está irremediavelmente ligada ao humor. Já Hugh Grant é aquele galã à moda antiga que toda mulher romântica gostaria de ter ao seu lado, o que talvez explique a filmografia restrita do ator que coleciona papéis sempre muito semelhantes em histórias idem. Uma especialista em fazer rir e um sedutor nato. Dois nomes de pesos num mesmo projeto só poderia render sucesso. Bem, a comédia romântica Amor À Segunda Vista até cumpriu seu papel em termos financeiros na época de seu lançamento. Rendeu bem nas bilheterias norte-americanas e ocupou o primeiro lugar de público por umas duas ou três semanas em outros países, inclusive o Brasil, mas passados vários anos a produção não conseguiu alcançar o status de clássico de sessão da tarde, rótulo perfeito para um trabalho açucarado e que reuniu pela primeira e única vez ícones do gênero. Lucy Kelson (Bullock) é uma advogada especialista em direito ambiental e na defesa de minorias que vai fundo nas causas que abraça. Já George Wade (Grant) é um empresário milionário, almofadinha e namorador que tem tudo o que quer, mas sempre às custas do trabalho dos outros. Do setor imobiliário, o magnata está envolvido com um projeto que desapropriaria uma área ocupada por um antigo centro comunitário em um subúrbio de Nova York que além de deixar centenas de pessoas sem opções de lazer e integração também destruiria as lembranças da infância da ferrenha advogada. Quando vai pessoalmente interferir no caso, contudo, Lucy é surpreendida. Em menos de cinco minutos ela consegue demonstrar toda a sua eficiência a ponto de convencer Wade, que também a conquista com seu charme e lábia, a contratá-la como sua advogada prometendo um salário polpudo e a proteção do tal prédio que tanto defende. Quando a esmola é demais.... Não demora muito e Lucy descobre que lidar com problemas jurídicos do empresário é o de menos. Na verdade, ele a contratou para ser sua conselheira em praticamente todos os aspectos de sua vida, desde a escolha de uma simples roupa, passando por palpites para conquistar uma nova mulher até fechamentos de grandes negócios, esse sim o trabalho propriamente dito.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A CASA AMALDIÇOADA

NOTA 3,0

Com cenário rico em detalhes e
amedrontador, longa se preocupa
mais com o visual e o enredo
fica a mercê dos efeitos especiais 
Filmes sobre casas assombradas são como produções cujos protagonistas são vampiros ou mortos-vivos: não importa o quanto tempo passa, sempre haverá público para eles. O problema é quando a plateia passa a aceitar qualquer lixo, mas felizmente não foi o que aconteceu com A Casa Amaldiçoada, obra merecidamente esquecida pelo simples detalhe de que não assusta nem criancinhas. Aliás, calcada em exagerados efeitos especiais, a certa altura a produção ganha ares de videogame, detonando totalmente o clima razoavelmente eficiente construído até então. A trama começa nos apresentando a Eleanor Lance (Lili Taylor), ou Nell como gosta de ser chamada, uma mulher solitária que está prestes a ser despejada. Sofrendo com as lembranças da mãe que faleceu a pouco tempo, ela se interessa por um anúncio de jornal que convida insones a participarem de um estudo do psicólogo David Marrow (Liam Neeson). A gigantesca, secular e misteriosa mansão Hill House é o local escolhido para o exercício de observação que contará ainda com Theo (Catherine Zeta-Jones), uma mulher aparentemente fútil, mas que aos poucos se revela segura e fiel amiga, e Luke (Owen Wilson), rapaz boa praça e primeiro a perceber que os problemas de sono são mera desculpa para uma obsessão do médico que selecionou perfis que se enquadravam melhor a sua ideia de promover um estudo a respeito do medo e histeria influenciados pelas reações do próprio grupo pressionado por uma ambientação propícia e palco de uma intrigante história. O grupo é avisado de que ao cair da noite o portão da mansão é trancado com cadeados reforçados e que ninguém poderá ouvir seus gritos e acudi-los. Por melhor que fosse a recompensa, alguém em sã consciência toparia continuar como cobaia? O roteiro de David Self força a barra para nos fazer acreditar que haveriam sim loucos para topar passar alguns dias em um casarão escuro e repleto de ornamentos luxuosos, mas no fundo macabros. Sabe-se lá quais os critérios do médico para selecionar seus pacientes, todavia, Theo e Luke parecem não sofrer para dormir e mostram-se deslumbrados pelo cenário, ao contrário de Nell, a pessoa mais sensível do grupo e que de imediato revela ter um interesse maior pela casa, principalmente por conta das vozes de crianças que afirma ouvir clamando por socorro.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

MINHA MÃE QUER QUE EU CASE

NOTA 4,0

Mais uma vez Diane Keaton se
repete e interpreta uma mulher neurótica
e pentelha, mas ainda assim rouba
a cena e garante um pouco de graça
O título Minha Mãe Quer Que Eu Case já leva direto ao assunto sobre o que se trata esta comédia romântica, mas a objetividade da produção para por aí. A trama é estendida além do necessário para narrar o dilema de uma jovem que deve escolher entre um marido rico e sisudo ou o amor puro e a leveza de uma vida ao lado de um cara divertido e descolado, porém, que vive à base de trocados. Vão faltar doces para ofertar a quem acertar qual dos pretendentes a personagem Milly (Mandy Moore) vai desposar. Ela é a caçula de uma família composta só por mulheres que tem o azar de ser comandada pela neurótica matriarca Daphne (Diane Keaton), dona-de-casa que sem ter com o que se preocupar ocupa seu tempo pentelhando suas filhas das quais se orgulha de ter criado sem precisar de um homem ao lado. As mais velhas, Maggie (Lauren Graham) e Mae (Piper Perabo), parecem conformadas e lidam bem com os incisivos palpites da mãe, porém, a mais nova esconde um estilo um pouco rebelde por trás da faceta de boa moça. Independente financeiramente e já morando sozinha, a doceira Milly não tem sorte na vida amorosa, embora aparentemente goste de provar de um cardápio variado de homens, mas isso preocupa Daphne que na tentativa de tentar desencalhar a jovem resolve colocar em segredo um anúncio em um site de encontros. Muitos candidatos surgem, um mais estranho que o outro, porém, nada mais anormal que o fato de ser a futura sogra de um deles quem se apresenta para realizar a seleção. Munida de um roteiro de perguntas, parece que ela no fundo tenta encontrar o parceiro ideal que nunca teve, assim fica encantada pelo arquiteto Jason (Tom Everett Scott), um rapaz bonitão, bem-sucedido, de família tradicional e que cultiva um padrão de vida elitizado. Após um encontro armado pela alcoviteira, Milly realmente demonstra interesse por seu pretendente, mas o destino também colocou em seu caminho Johnny (Gabriel Macht), um pai solteiro que ganha a vida dando aulas de música e tocando em restaurantes. O que lhe falta de dinheiro e ambição sobram em alegria, atenção e carinho, ao contrário do arquiteto que aos poucos começa a demonstrar impaciência, sisudez e dominação, ainda que de leve.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

OS FANTASMAS SE DIVERTEM

NOTA 9,5

Irônico, diferente, escrachado,
nostálgico e com fundo melancólico,
comédia de humor negro só erra por
não explorar mais a fundo os personagens
O diretor Tim Burton ainda estava iniciando sua carreira, mas quando lançou Os Fantasmas se Divertem conseguiu apresentar todas as características que marcariam sua filmografia, do bizarro ao gótico, e obviamente atestando sua criatividade infinita. A ideia era fazer um filme de terror cujo protagonista seria um demônio que se disfarçaria de humano para se aproximar de duas famílias normais, porém, exterminaria uma delas e estupraria a filha adolescente da outra. Cruzes! Será que o projeto original daria certo? Tendo o cineasta no comando tudo é possível, mas certamente remodelar o argumento e transformá-lo em uma comédia foi uma jogada de mestre. Escrito por Michael McDowell, Warren Skaaren e Larry Wilson, na realidade trata-se de uma obra de humor negro que usa e abusa da criatividade e do que é pouco convencional, aproveitando-se de um elenco em ascensão na época para atrair público e acostumá-lo com o estilo de Burton. A trama começa nos apresentando o casal Barbara (Geena Davis) e Adam Maitland (Alec Baldwin) que levam uma rotina pacata e harmônica em um casarão numa colina de uma cidade bucólica no interior dos EUA. Certa tarde eles acabam sofrendo um acidente de carro (ridículo, porém, fatídico) e caem em um rio, mas só percebem que bateram as botas tempos depois. Muito apaixonados, eles não parecem se importar que morreram, afinal nem a morte foi capaz de separá-los e assim tentam manter suas rotinas, mas vão descobrir que a vida do além é cheia de regras e burocracia. Além das filas para serem atendidos no além (para fazer graça, um mundo retratado com um extravagante colorido tal qual em A Noiva Cadáver), durante mais de um século terão que viver presos dentro da própria casa, não podendo nem mesmo pisar no jardim, mas quando estão se acostumando com a situação a paz do casal é interrompida com a chegada de Delia (Catherine O’Hara) e Charles Deetz (Jeffrey Jones), excêntricos milionários que compram o casarão de uma parente dos antigos proprietários. Ou eles ainda seriam os donos do imóvel? Os Maitland não pretendem e nem podem sair dali, contudo, são inofensivos como fantasmas e os esforços para espantar os novos moradores acabam sempre em fracasso. A adolescente Lydia (Winona Ryder), a filha incompreendida e depressiva dos Deetz, talvez por não se enquadrar no mundo que vive é dotada de uma sensibilidade ímpar e é a única que consegue ver e interagir com os fantasmas e tentando ajuda-los só acaba piorando a situação para eles.

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