segunda-feira, 26 de setembro de 2016

ABC DO AMOR

NOTA 8,0

De modo singelo e natural,
romance infanto-juvenil agrada
a todas as idades abordando a
descoberta do amor e amadurecimento
Falar de amor pela ótica infantil inerentemente carrega um irresistível quê de inocência, algo que infelizmente perdemos na vida adulta. Justamente por traduzir tão fielmente esta pureza ABC do Amor cativa crianças e adultos com a mesma facilidade, afinal quem nunca sofreu e fantasiou pensando em amar e ser amado? Para tanto, a escolha da dupla de protagonistas mirins é um trunfo e tanto da produção, nem parecem que estão atuando tamanha a naturalidade. A história é narrada por Gabe Burton (Josh Hutscherson), um garoto de 10 anos que adora esportes, se divertir com os amigos e assim como todos os meninos de sua idade tem verdadeira repulsa por garotas, afinal eles querem jogar bola e brincar de carrinhos e de bonecas e casinhas desejam ficar bem longe.... Isso até ele reparar em Rosemary Telesco (Charlie Ray), uma colega de classe desde o jardim de infância que agora será sua parceira nas aulas de karatê. Ele nunca teve amizade com ela, mas procurando um rosto conhecido nesta turma para não se sentir deslocado a simpatia dele é correspondida de imediato. Todavia, certa vez que a acompanha em uma prova de vestido de daminha de honra o garoto tem um estalo e passa a enxerga-la com outros olhos e percebe sentimentos que não consegue entender, ou melhor, não sabe apenas se expressar, pois tem certeza que é amor. Ele sofre, chora, tem ciúmes e aproveita ao máximo cada gesto de atenção de sua amada, enfim, vivencia o mesmo que um rapaz adulto sente quando gosta de alguém, mas não sabe se é correspondido e tampouco tem a coragem para se declarar. Por vezes Gabe exagera nas reações, mas quando se é criança tudo parece mais intenso, então se é para extravasar alegria que solte uma gostosa gargalhada e se é para expressar tristeza cair no choro sem pudor é a melhor solução. E assim ele vai cometendo erros e acertos, perde oportunidades de se declarar, mas de qualquer forma, o menino esquece todos os preconceitos que tinha quanto ao sexo oposto e torna-se amigo inseparável de Rosemary que inclusive vira sua confidente para certos assuntos, assim como ela sabe que pode contar com o amigo, ainda que o roteiro não apresente o ponto de vista dela quanto a essa relação, apenas sugestiona suas emoções e pensamentos.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O AMOR É CEGO

NOTA 6,5

Irmãos Farrelly, conhecidos pelo
estilo debochado e as vezes até de
mau gosto, se aventuram pelo campo
amoroso e com lições de moral e amizade
Os irmãos Bobby e Peter Farrelly ganharam fama na década de 1990 com as comédias escrachadas Débi e Lóide e Quem Vai Ficar Com Mary?, produções destinadas a um tipo específico de público. Escatológicas, ácidas e não raramente até beirando o mau gosto, suas piadas costumam fazer sucesso entre os adolescentes e plateia masculina, mas buscando ampliar seu público a dupla de cineastas e roteiristas resolveu sair discretamente de sua zona de conforto quando realizaram O Amor é Cego. O título deixa claro as intenções de flertar com o romantismo, sendo necessário pegar mais leve com as baixarias. Surpreendentemente, levando em consideração o histórico de seus realizadores, o longa não só é divertido na medida certa como também traz lições de moral, amizade e solidariedade. A partir de diálogos ágeis e irreverentes, o texto faz uma crítica a importância exagerada dada ao aspecto físico nas sociedades contemporâneas e certamente do futuro. A trama tem como protagonista o executivo Hal Larson (Jack Black), um sujeito fútil que se esforça ao máximo para cumprir a promessa que fez ao seu falecido pai de que jamais se envolveria com mulheres feias, assim coleciona apenas belas paqueras, ou melhor tenta. Sentindo-se a última bolacha do pacote, na verdade ele acaba gerando mais repulsa que atração, tanto no campo amoroso quanto profissional já que é frustrado por não ser promovido. Ainda que esteja longe do perfil de galã (seus quilinhos a mais depõem contra), o rapaz é cara-de-pau, bom de lábia e não se envergonha em dar em cima das garotas mais cobiçadas das festas, estas que, por sua vez, também não se intimidam em lhe dar um fora. Apesar de inicialmente arrogante, o protagonista consegue identificação imediata com os espectadores, afinal quem nunca julgou alguém pela aparência? Sua rotina e jeito de ser mudam completamente a partir do momento em que por um acaso do destino acaba ficando peso num elevador na companhia de Tony Robbins (Anthony Robbins), um guru de autoajuda que se impressiona com a visão simplista e preconceituosa que Larson apresenta das mulheres em um rápido bate-papo. Ele então o hipnotiza de forma que o rapaz passe a ver apenas a beleza interior das pessoas, principalmente das garotas.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A ÚLTIMA CASA DA RUA

NOTA 3,0

Suspense repleto de clichês e
trama enfadonha deposita suas
fichas sobre o carisma e repentino
sucesso de Jennifer Lawrence
Qual o segredo de um bom filme de suspense? Teoricamente, quando sentimos tensão crescente e constante a ponto de sofrer, investigar, duvidar ou até mesmo odiar juntamente com os personagens isso quer dizer que a produção cumpriu seus objetivos, mesmo que as vezes não em absoluto. A Última Casa da Rua peca justamente por não conseguir criar vínculos sólidos com o espectador, a começar pela história que não faz a menor questão de escamotear sua falta de criatividade. Buscando dar novos rumos às suas vidas, a jovem Elissa (Jennifer Lawrence) acaba de se mudar com sua mãe Sarah (Elizabeth Shue) para um isolado casarão em uma cidade do interior aparentemente pacata, mas na verdade assombrada pelas lembranças de um chocante crime que acabou desvalorizando as moradias da região. Os poucos vizinhos não tardam a dar detalhes sobre a tragédia ocorrida há cerca de quatro anos na tal casa do título quando um casal foi assassinado pela própria filha de apenas 13 anos e desde então a menina nunca mais foi vista, gerando a lenda urbana de que ela estaria habitando a densa floresta que circunda e distancia as residências umas das outras. Seu irmão mais velho Ryan (Max Thieriot) continuou morando no mesmo endereço do fatídico episódio, mas recluso e avesso a contatos sociais, isso até a chegada de Elissa que fazendo jus ao comportamento de uma típica adolescente rebelde acaba se apaixonando pelo esquisitão, um romance que obviamente vai encontrar objeções por parte de Sarah. O primeiro ato desta trama apresenta de forma clara seus personagens e conflitos, porém, não cativa e tampouco esconde seu clima de “déja vu”. O número de clichês é assustador. Um crime do passado, um personagem soturno, mãe e filha vivendo em conflito, alguém desaparecido e cenários propícios para sustentar histórias de arrepiar. Todavia, o diretor Mark Tonderai, então estreando na função, embora demonstre apreço pelo gênero, parece não saber como alinhavar tantos elementos e menos ainda como trabalhar com pistas falsas.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

CINCO ANOS DE NOIVADO

NOTA 5,0

Investindo mais em conteúdo
lançando mão de um arsenal de ideias,
comédia romântica não as aprofunda e
acaba em atropelos e final clichê  
O material publicitário de um filme deve vender sua ideia central, mas algumas vezes conseguem ir além. Cinco Anos de Noivado vende seu peixe com um casal visivelmente cansado após badalar na tão sonhada festa de casamento, mas a imagem também poderia ser interpretada como os noivos estavam se sentindo após tantos anos de espera: exaustos! Ou ainda poderia existir uma brincadeira do pessoal do marketing em relação ao próprio público que se sente fatigado após as longas duas horas de duração para contar uma história de amor cujo final já sabemos. O título resume a trama perfeitamente. Acompanharemos o início, o ápice, o rompimento e a reconciliação de um casal que durante os cinco anos que aguardaram para trocar alianças viveram os sabores e dissabores de uma relação a dois. Tom Solomon (Jason Segel) é um chef de cozinha em ascensão em Nova York e que após um ano de namoro decide pedir Violet (Emily Blunt) em casamento. Ela aceita sem pestanejar, porém, pouco tempo depois recebe uma oportunidade profissional e de estudos imperdível em Michigan, o que a obrigaria a se mudar e adiar os planos do casório. O noivo também recebe um convite para gerenciar seu próprio restaurante, mas altruísta como ele só decide abrir mão de seu sonho e embarcar no da companheira que estava apreensiva de deixar de investir na sua carreira e se frustrar mais adiante, temendo odiar e culpar o marido por isso. Contudo, é óbvio que a decisão não é boa para ambas as partes e isso se refletirá diretamente no relacionamento. O que duraria apenas dois anos acaba estendido por mais três, assim, em outra cidade, vivenciando novas experiências e se redescobrindo com o passar dos anos aprendendo a lidar com suas próprias limitações e consequências de suas escolhas, Solomon deixa para trás a imagem de homem seguro e responsável para assumir uma postura relaxada e infantilizada contentando-se com um emprego em uma pequena lanchonete e se acostumando a posição de voyeur do sucesso de Violet que cresce rapidamente como profissional de psicologia e não consegue perceber que pouco a pouco se afasta do namorado. Pior ainda, o destrói dia após a dia.

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