segunda-feira, 26 de setembro de 2016

ABC DO AMOR

NOTA 8,0

De modo singelo e natural,
romance infanto-juvenil agrada
a todas as idades abordando a
descoberta do amor e amadurecimento
Falar de amor pela ótica infantil inerentemente carrega um irresistível quê de inocência, algo que infelizmente perdemos na vida adulta. Justamente por traduzir tão fielmente esta pureza ABC do Amor cativa crianças e adultos com a mesma facilidade, afinal quem nunca sofreu e fantasiou pensando em amar e ser amado? Para tanto, a escolha da dupla de protagonistas mirins é um trunfo e tanto da produção, nem parecem que estão atuando tamanha a naturalidade. A história é narrada por Gabe Burton (Josh Hutscherson), um garoto de 10 anos que adora esportes, se divertir com os amigos e assim como todos os meninos de sua idade tem verdadeira repulsa por garotas, afinal eles querem jogar bola e brincar de carrinhos e de bonecas e casinhas desejam ficar bem longe.... Isso até ele reparar em Rosemary Telesco (Charlie Ray), uma colega de classe desde o jardim de infância que agora será sua parceira nas aulas de karatê. Ele nunca teve amizade com ela, mas procurando um rosto conhecido nesta turma para não se sentir deslocado a simpatia dele é correspondida de imediato. Todavia, certa vez que a acompanha em uma prova de vestido de daminha de honra o garoto tem um estalo e passa a enxerga-la com outros olhos e percebe sentimentos que não consegue entender, ou melhor, não sabe apenas se expressar, pois tem certeza que é amor. Ele sofre, chora, tem ciúmes e aproveita ao máximo cada gesto de atenção de sua amada, enfim, vivencia o mesmo que um rapaz adulto sente quando gosta de alguém, mas não sabe se é correspondido e tampouco tem a coragem para se declarar. Por vezes Gabe exagera nas reações, mas quando se é criança tudo parece mais intenso, então se é para extravasar alegria que solte uma gostosa gargalhada e se é para expressar tristeza cair no choro sem pudor é a melhor solução. E assim ele vai cometendo erros e acertos, perde oportunidades de se declarar, mas de qualquer forma, o menino esquece todos os preconceitos que tinha quanto ao sexo oposto e torna-se amigo inseparável de Rosemary que inclusive vira sua confidente para certos assuntos, assim como ela sabe que pode contar com o amigo, ainda que o roteiro não apresente o ponto de vista dela quanto a essa relação, apenas sugestiona suas emoções e pensamentos.

domingo, 25 de setembro de 2016

ACHO QUE AMO MINHA MULHER

Nota 3,0 Premissa razoável é desperdiçada em longa cheio de citações preconceituosas implícitas

Chris Rock é um ator que dedica praticamente toda a sua carreira as comédias e curiosamente criou a fama do seu nome à custa de personagens estereotipados que já vimos encarnados ao longo dos anos por nomes consagrados como, por exemplo, Will Smith e Martin Lawrence. No entanto, a repetição de papéis é o de menos, o que pega mais negativamente é que quando vemos o intérprete cercado por outros negros no pôster do cinema ou na capa do DVD é impossível não sentir automaticamente um desânimo. Lá vem mais uma daquelas produções que ao invés de quebrar preconceitos implicitamente acaba por reforçá-los visto que dificilmente algum longa do tipo não joga seu protagonista em um mundo a parte, um lugar onde os brancos parecem não ter lugar e os próprios representantes da raça negra alimentam algum tipo de preconceito entre o grupo. Assim, para aqueles que sentem essa sensação de que já viu esse filme diversas vezes e com todas as variações possíveis deve ser difícil embarcar na dinâmica de Acho Que Amo Minha Mulher, projeto que para reforçar rótulos é vendido como uma comédia romântica quando na verdade o humor é dosado e o teor dramático acentuado. Rock interpreta Richard Cooper, um executivo bem sucedido que tem dois filhos pequenos e é casado com a professora Brenda (Gina Torres). Ele teria a vida perfeita, isso se não estivesse passando pela famosa crise de sete anos de casado. Sem ter intimidades com a esposa a um bom tempo, o rapaz constantemente sonha com outras mulheres, mas jamais extrapola os limites da fantasia. Quer dizer, sua fidelidade é colocada em xeque quando ele reencontra a sensual Nikki (Kerry Washington), uma antiga amiga que mexe com seus sentimentos, mas valeria a pena ele colocar seu casamento e família em risco em troca de uma experiência que poderia não passar de uma aventura descartável? Ainda que lutando contra os seus instintos, Cooper passa a sair de vez em quando com Nikki, mas jamais tenta algo a mais com ela. Para ele a relação é de pura amizade, porém, quem os vê junto logo pensa que são amantes e mais cedo ou mais tal boato pode chegar aos ouvidos de Brenda.

sábado, 24 de setembro de 2016

DEMÔNIOS

Nota 1,0 Longa enfadonho recicla, e de forma péssima, os clichês de filmes sobre possessão

É curioso o fascínio que o gênero terror exerce sobre seu público aficionado e principalmente nas platéias adolescentes. Chama ainda mais a atenção a quantidade de filmes medíocres do tipo que são lançados anualmente, mas ao que tudo indica os trashs movies nunca saíram de moda e quanto mais toscas as produções melhor para agradar os espectadores cativos. Só assim para explicar a existência de fitas como Demônios e os seus diversos comentários razoavelmente positivos de populares que pipocam em sites e blogs especializados. A julgar pelo título, não é preciso ser gênio para descobrir que o filme escrito e dirigido por Warren P. Sonoda foi buscar inspiração em questões religiosas e ainda procurou abordar o tema bruxaria na mesma receita. A trama se passa na soturna escola católica para meninas St. Marks, local onde no passado a jovem aluna Elizabeth (Krysta Carter) foi possuída por uma entidade demoníaca e desapareceu. Por causa do escândalo durante anos a instituição ficou fechada, mas reabriu suas portas para agora servir como uma espécie de reformatório para moças desencaminhadas na vida. Sob a tutela do padre Drake (Ron Perlman) e da diretora Anne (Amy Ciupak) as novas alunas Alex (Jennifer Miller), Mara (Jordan Madley), Connie (Tasha May Currie), Leah (Barbara Mabolo) e Cecília (Terra Vnesa) vão viver dias terríveis sendo forçadas a orar, ter lições em latim, sofrerem castigos perversos além de viverem trancadas na escola. Seus pais a enviaram à instituição por já estarem cansados de seus comportamentos desvirtuados, como o uso de drogas e constantes acessos de raivas, mas parece que tais rebeldias eram requisitos básicos para elas entrarem em St. Marks, além do fato incomum de todas serem virgens, detalhes que começam a fazer sentido quando estranhos acontecimentos passam a colocar em risco a vida e a sanidade das garotas. Explorando as dependências proibidas do prédio, elas descobrem a história de Elizabeth que se suicidou para se defender da Legião, maneira como o demônio se apresenta afirmando que ele não é apenas uma entidade, mas sim a reunião de muitas almas más. A jovem que se matou era uma alma muito boa, portanto, não servia para propósitos maléficos.

domingo, 18 de setembro de 2016

O ANJO DA GUARDA

Nota 4,0 Bom argumento é desperdiçado em trama rasa, muito ligeira e sem humor

Qual criança em um acesso de fúria já não desejou poder ter outros pais, de preferência um casal que possa ela própria escolher? Tal devaneio é o ponto de partida da produção infantil O Anjo da Guarda que pode ser antiga, mas sua premissa ainda é muito atual acerca do sentimento de abandono proporcionado por pais despreparados. Pena que o tema seja tratado de forma superficial e estereotipado. Embora o ritmo “clipado” (muitas situações para pouco tempo de arte) da produção possa não agradar, mesmo às pessoas acostumadas com a hiperatividade dos filmes de hoje em dia, o nome de Elijah Wood nos créditos pode funcionar como chamariz para aqueles que cresceram idolatrando a série O Senhor dos Anéis. Aqui ele aparece muito pequeno, em início de carreira, dando vida a North, um garotinho de 11 anos que não recebia praticamente atenção dos pais (Jason Alexander e Julia Louis-Dreyfus) que viviam brigando por motivos banais. Essa situação o sufocava a tal ponto que afetava sua vida em vários aspectos, inclusive na escola, assim seu futuro poderia ser comprometido. Certo dia, acompanhando os pais no shopping, para variar ele é esquecido e se aconchega em uma poltrona onde costumava ir quando queria refletir, ou melhor, sonhar como sua vida poderia ser diferente. Eis que surge um homem vestido de coelho que estava fazendo promoção em uma loja e escuta com atenção os lamentos do garoto, lembrando-o que grandes homens da História mundial viveram problemas parecidos na infância. Nesse momento, North tem a ideia de que considerando-se um filho dedicado e amoroso não faltariam candidatos a serem seus pais substitutos. Com a ajuda de um de seus colegas de escola, o metidinho Winchell (Matthew McCurley), e do advogado canastrão Arthur Belt (Jon Lovitz), o garoto leva o caso aos tribunais e abre um processo contra os próprios pais que nesse momento se encontram em estado de choque e sem chances de se defenderem. Perante o ineditismo do caso, o juiz Buckle (Alan Arkin) decide dar dois meses para North procurar os pais que julga ideais, caso contrário terá que voltar a morar com os biológicos ou até mesmo ir parar em um orfanato. Muito decidido, o menino aceita as condições e sua peregrinação pelo mundo começa no sugestivo feriado de 04 de julho, dia em que os EUA comemora sua independência.

sábado, 17 de setembro de 2016

YES

Nota 8,0 Premissa convencional ganha fôlego com enredo reflexivo sobre rejeição

Embora o cinema independente tenha conquistado público e espaço consideráveis nos últimos anos, ainda existem centenas ou talvez milhares de títulos espalhados por todo o mundo que ainda são desconhecidos e nem mesmo o público cativo desse tipo de produção as vezes toma conhecimento de certas obras. É raro, por exemplo, alguém conseguir encontrar o filme Yes, inédito nos cinemas brasileiros e lançado em DVD sem publicidades, mas se você tiver a sorte de achá-lo e for apreciador de obras reflexivas não pense duas vezes. Dirigido e escrito pela inglesa Sally Potter, que ficou conhecida na década de 1990 por Orlando, este longa aparentemente pode ser apenas mais uma variação do tema triângulo amoroso, mas a trama segue caminhos bem mais profundos. She (Joan Allen) e Anthony (Sam Neil) são duas pessoas muito bem sucedidas na vida profissional, mas na pessoal são fracassados. Há anos eles vivem uma relação desgastante e estão vivendo um casamento de fachada. O que antes era a união de duas pessoas em busca de um relacionamento aberto e sem segredos, acabou se tornando uma relação metódica, melancólica e extremamente fria. Ambos escondem alguns atos e vontades e a comunicação entre eles basicamente é feita através de recados escritos em papel e o contato pessoal é o mínimo possível. Sentindo-se rejeitada, She acaba traindo o marido ao aceitar os galanteios de He (Simon Abkarian), um libanês exilado em Londres. Esta relação extraconjugal acaba se tornando cada vez mais sólida, mas não forte o suficiente para vencer barreiras ideológicas e preconceituosas. O roteiro não coloca em xeque apenas a insatisfação de um casal com o rumo que suas vidas tomaram, mas também é questionada a soberania da cultura americana e o receio quanto a outros povos, principalmente os de origem árabe, embora a cineasta fuja do clichê de tocar na questão do fatídico episódio de 11 de setembro de 2001 para apresentar o pulo do gato de sua história.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O AMOR É CEGO

NOTA 6,5

Irmãos Farrelly, conhecidos pelo
estilo debochado e as vezes até de
mau gosto, se aventuram pelo campo
amoroso e com lições de moral e amizade
Os irmãos Bobby e Peter Farrelly ganharam fama na década de 1990 com as comédias escrachadas Débi e Lóide e Quem Vai Ficar Com Mary?, produções destinadas a um tipo específico de público. Escatológicas, ácidas e não raramente até beirando o mau gosto, suas piadas costumam fazer sucesso entre os adolescentes e plateia masculina, mas buscando ampliar seu público a dupla de cineastas e roteiristas resolveu sair discretamente de sua zona de conforto quando realizaram O Amor é Cego. O título deixa claro as intenções de flertar com o romantismo, sendo necessário pegar mais leve com as baixarias. Surpreendentemente, levando em consideração o histórico de seus realizadores, o longa não só é divertido na medida certa como também traz lições de moral, amizade e solidariedade. A partir de diálogos ágeis e irreverentes, o texto faz uma crítica a importância exagerada dada ao aspecto físico nas sociedades contemporâneas e certamente do futuro. A trama tem como protagonista o executivo Hal Larson (Jack Black), um sujeito fútil que se esforça ao máximo para cumprir a promessa que fez ao seu falecido pai de que jamais se envolveria com mulheres feias, assim coleciona apenas belas paqueras, ou melhor tenta. Sentindo-se a última bolacha do pacote, na verdade ele acaba gerando mais repulsa que atração, tanto no campo amoroso quanto profissional já que é frustrado por não ser promovido. Ainda que esteja longe do perfil de galã (seus quilinhos a mais depõem contra), o rapaz é cara-de-pau, bom de lábia e não se envergonha em dar em cima das garotas mais cobiçadas das festas, estas que, por sua vez, também não se intimidam em lhe dar um fora. Apesar de inicialmente arrogante, o protagonista consegue identificação imediata com os espectadores, afinal quem nunca julgou alguém pela aparência? Sua rotina e jeito de ser mudam completamente a partir do momento em que por um acaso do destino acaba ficando peso num elevador na companhia de Tony Robbins (Anthony Robbins), um guru de autoajuda que se impressiona com a visão simplista e preconceituosa que Larson apresenta das mulheres em um rápido bate-papo. Ele então o hipnotiza de forma que o rapaz passe a ver apenas a beleza interior das pessoas, principalmente das garotas.

domingo, 11 de setembro de 2016

JOVENS BRUXAS

Nota 3,0 Sucesso juvenil dos anos 90, suspense envelheceu e hoje deixa claro suas fragilidades

Tem muitos filmes juvenis que viraram ícones dos anos de 1980, mas se pararmos para analisar bem eles não tem nada de muito especial em suas histórias e acabaram se tornando uma forçosa lembrança para aqueles que foram obrigados a ver e rever tais produções a tarde na TV. Contudo, a batida das canções da época, o estilo de se vestir extravagante ou largadão, os cortes de cabelos exóticos e até o som abafado e as imagens ligeiramente desbotadas dão um charme irresistível a tais produções. É natural que pessoas na casa dos 30 ou 40 anos lembrem com saudades de um tempo em que suas maiores preocupações eram fazer a lição de casa o mais rápido possível para poder curtir uma sessão da tarde, melhor ainda se com os amigos a tiracolo. Agora também já podemos ter esse gostinho nostálgico revendo fitas lançadas na década de 1990 como Jovens Bruxas. Lançando luz sobre os adeptos da moda gótica e apresentando o tema paganismo à chamada geração MTV (como ficaram conhecidas as turmas que foram influenciadas pelo conteúdo liberal do canal), o suspense resgatava uma temática em desuso e já preparava terreno para a atriz Neve Campbell virar queridinha dos adolescentes, sendo que no mesmo ano viria a estrelar Pânico. Contudo, ela não é a protagonista. A trama gira em torno da personagem Sarah defendida inicialmente sem muito vigor por Robin Tunney. Desde sempre carregando o fardo de ter perdido a mãe em seu parto, ela tenta suicídio na adolescência e seu pai e a madrasta decidem levá-la para morar em Los Angeles, onde poderia viver sem tristes lembranças. No novo colégio ela já sente o peso de ser retraída virando alvo de comentários maldosos alimentados por Chris (Skeet Ulrich), o típico pegador e esportista por quem as meninas seriam capazes de tudo para passarem uma noite junto. No entanto, Sarah se recusa a transar e o rapaz espalha que eles de fato ficaram, mas ele se arrependeu porque ela é péssima de cama. Parece um boato tolo, mas na juventude uma intriga do tipo soa como o apocalipse, coisas dos tempos da puberdade.

sábado, 10 de setembro de 2016

A VIRGEM DE JUAREZ

Nota 2,5 Temas polêmicos envolvendo religião e crimes são desperdiçados por falta de coragem

Ter certo apego a algum tipo de religião faz bem, mas pode se tornar algo perigoso quando as crenças tomam proporções exageradas. São vários os casos espalhados pelo mundo todo sobre pessoas comuns que repentinamente passaram a ser idolatrados como ídolos religiosos, mas tais exemplos são mais frequentes em países latinos devido as suas tradições predominantemente católicas. Também são corriqueiras as notícias de que em regiões menos favorecidas muitas mortes acontecem e geralmente envolvendo imigrantes que buscam melhores condições de vida, sendo que as mulheres são as principais vítimas. O diretor Kevin James Dobson aliou estes dois temas em A Virgem de Juarez, que traz a atriz Minnie Driver interpretando Karina Davies, uma repórter investigativa que viajou para Juarez, uma pequena e antiquada cidade que fica na fronteira entre o México e os EUA, para fazer reportagens sobre a série de assassinatos de mulheres que estavam ocorrendo no local. A coincidência é que todas as vítimas são imigrantes e operárias de fábricas da região, o que indica que uma gangue organizada está envolvida nestes casos. Todavia, o que impressiona a jornalista é a história da “Virgem de Juarez”, uma garota que sangra nas mãos através de misteriosas chagas, semelhantes a de Jesus Cristo quando crucificado, o que seria um sinal de santidade. Mariela (Ana Claudia Talancón) reforça os boatos afirmando que viu a Virgem Maria e que ela lhe passou uma missão. Karina então vê a garota ser explorada como um símbolo religioso com o consentimento de Herrera (Esai Morales), um pároco local, e vai fazer de tudo para abrir os olhos da jovem e denunciar o esquema de corrupção ali instaurado, contudo, vai acabar mexendo em um verdadeiro vespeiro. Como a personagem de Driver diz, em outras palavras, se muitas reportagens foram publicadas sobre estas situações problemáticas e nada foi feito para barrá-las não se deve abandonar os casos. Mesmo com todos os indícios sobre exploração de trabalhadoras, sequestros, mortes e ligação de grupos religiosos com estes e outros crimes, as autoridades pouco fazem para detê-los alegando falta de estrutura e problemas burocráticos para agirem ativamente. Por isso até hoje os noticiários vira e mexe trazem a tona tais assuntos e muitas vezes com finais trágicos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A ÚLTIMA CASA DA RUA

NOTA 3,0

Suspense repleto de clichês e
trama enfadonha deposita suas
fichas sobre o carisma e repentino
sucesso de Jennifer Lawrence
Qual o segredo de um bom filme de suspense? Teoricamente, quando sentimos tensão crescente e constante a ponto de sofrer, investigar, duvidar ou até mesmo odiar juntamente com os personagens isso quer dizer que a produção cumpriu seus objetivos, mesmo que as vezes não em absoluto. A Última Casa da Rua peca justamente por não conseguir criar vínculos sólidos com o espectador, a começar pela história que não faz a menor questão de escamotear sua falta de criatividade. Buscando dar novos rumos às suas vidas, a jovem Elissa (Jennifer Lawrence) acaba de se mudar com sua mãe Sarah (Elizabeth Shue) para um isolado casarão em uma cidade do interior aparentemente pacata, mas na verdade assombrada pelas lembranças de um chocante crime que acabou desvalorizando as moradias da região. Os poucos vizinhos não tardam a dar detalhes sobre a tragédia ocorrida há cerca de quatro anos na tal casa do título quando um casal foi assassinado pela própria filha de apenas 13 anos e desde então a menina nunca mais foi vista, gerando a lenda urbana de que ela estaria habitando a densa floresta que circunda e distancia as residências umas das outras. Seu irmão mais velho Ryan (Max Thieriot) continuou morando no mesmo endereço do fatídico episódio, mas recluso e avesso a contatos sociais, isso até a chegada de Elissa que fazendo jus ao comportamento de uma típica adolescente rebelde acaba se apaixonando pelo esquisitão, um romance que obviamente vai encontrar objeções por parte de Sarah. O primeiro ato desta trama apresenta de forma clara seus personagens e conflitos, porém, não cativa e tampouco esconde seu clima de “déja vu”. O número de clichês é assustador. Um crime do passado, um personagem soturno, mãe e filha vivendo em conflito, alguém desaparecido e cenários propícios para sustentar histórias de arrepiar. Todavia, o diretor Mark Tonderai, então estreando na função, embora demonstre apreço pelo gênero, parece não saber como alinhavar tantos elementos e menos ainda como trabalhar com pistas falsas.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

CINCO ANOS DE NOIVADO

NOTA 5,0

Investindo mais em conteúdo
lançando mão de um arsenal de ideias,
comédia romântica não as aprofunda e
acaba em atropelos e final clichê  
O material publicitário de um filme deve vender sua ideia central, mas algumas vezes conseguem ir além. Cinco Anos de Noivado vende seu peixe com um casal visivelmente cansado após badalar na tão sonhada festa de casamento, mas a imagem também poderia ser interpretada como os noivos estavam se sentindo após tantos anos de espera: exaustos! Ou ainda poderia existir uma brincadeira do pessoal do marketing em relação ao próprio público que se sente fatigado após as longas duas horas de duração para contar uma história de amor cujo final já sabemos. O título resume a trama perfeitamente. Acompanharemos o início, o ápice, o rompimento e a reconciliação de um casal que durante os cinco anos que aguardaram para trocar alianças viveram os sabores e dissabores de uma relação a dois. Tom Solomon (Jason Segel) é um chef de cozinha em ascensão em Nova York e que após um ano de namoro decide pedir Violet (Emily Blunt) em casamento. Ela aceita sem pestanejar, porém, pouco tempo depois recebe uma oportunidade profissional e de estudos imperdível em Michigan, o que a obrigaria a se mudar e adiar os planos do casório. O noivo também recebe um convite para gerenciar seu próprio restaurante, mas altruísta como ele só decide abrir mão de seu sonho e embarcar no da companheira que estava apreensiva de deixar de investir na sua carreira e se frustrar mais adiante, temendo odiar e culpar o marido por isso. Contudo, é óbvio que a decisão não é boa para ambas as partes e isso se refletirá diretamente no relacionamento. O que duraria apenas dois anos acaba estendido por mais três, assim, em outra cidade, vivenciando novas experiências e se redescobrindo com o passar dos anos aprendendo a lidar com suas próprias limitações e consequências de suas escolhas, Solomon deixa para trás a imagem de homem seguro e responsável para assumir uma postura relaxada e infantilizada contentando-se com um emprego em uma pequena lanchonete e se acostumando a posição de voyeur do sucesso de Violet que cresce rapidamente como profissional de psicologia e não consegue perceber que pouco a pouco se afasta do namorado. Pior ainda, o destrói dia após a dia.

domingo, 4 de setembro de 2016

NELLY

Nota 1,5 Mais uma vez a atriz Sophie Marceau mostra que tem de dedo podre para escolhas

Sophie Marceau é uma das atrizes mais famosas e requisitadas da França e até Hollywood já esteve de olho na moça, todavia, ultimamente ela está precisando parar para pensar melhor em suas decisões profissionais. Embora mais apreciadas e divulgadas nos últimos, é certo que as produções francesas ainda costumam sofrer com o preconceito, o estigma de serem chatas e cheias de simbolismos, e ao que tudo indica os últimos trabalhos de Marceau querem reforçar tal negativismo com o agravante de serem confusas como é o caso de Nelly, um estranho drama com toques de humor (prêmio para quem achar algum momento de graça) que marca a estreia da atriz Laure Duthilleul como diretora e roteirista, este último crédito que divide com Jean-Pol Fargeau e Pierre-Erwan Guillaume. Teoricamente, com mais de uma pessoa na função, seria possível ver os possíveis erros uns dos outros e acrescentar melhorias ao roteiro, mas alguém teria que fazer a revisão final, a limpeza do texto. Duthilleul, atribulada com as funções de direção, pode não ter tido tempo para tanto e o que se vê é uma reunião de cenas que parecem não ter muita conexão. Quando encontramos um eixo para nos situar, infelizmente percebemos que nada demais acontece para justificar a existência desta obra. A história começa apresentando alguns personagens desesperados a procura de Manuel (Sébastien Derlich), médico de um pequeno vilarejo e cuja secretária eletrônica está lotada de recados. Ao mesmo tempo, Nelly (Marceau) está em meio aos preparativos para levar seus filhos para passar o dia na praia. Outros personagens surgem, pessoalmente ou só ouvimos seus nomes, desestimulando o espectador tamanha a insanidade da introdução, mas é perceptível que a diretora não queria contar uma história com tudo mastigadinho e sim aguçar a curiosidade para pouco a pouco serem revelados detalhes e a trama ser completada na cabeça de quem assiste. Então, mais a frente, ficamos sabendo que Nelly, além de secretária, também era a esposa de Manuel que é descoberto morto em sua casa.

sábado, 3 de setembro de 2016

TOQUE DE RECOLHER (2006)

Nota 3,5 A partir de situação caótica, longa coloca em xeque os sentimentos de um casal

Epidemias, tsunamis, terremotos, tufões, erupções de vulcões, doenças sem precedentes e eventos inexplicáveis da natureza. O cinema já achou as mais variadas formas de exterminar a humanidade e destruir o mundo, mas sempre tem algum cineasta de plantão para voltar ao tema. Quando são superproduções, o negócio é investir em efeitos especiais para atrair público, ainda mais em tempos que os cinemas se renderam e se sustentam por conta de firulas tecnológicas, mas quando o orçamento é limitado o jeito é se virar como pode. Existe a opção pelo trash apelando para efeitos precários para ilustrar um provável fiapo de história ou o caminho mais inteligente de focar a atenção no enredo e se preocupar em mostrar como as pessoas reagem diante do desconhecido ou da iminência da morte. Ensaio Sobre a Cegueira e Contágio são bons exemplos desta segunda alternativa com o bônus de contar com um elenco de estrelas e cineastas renomados. O diretor e roteirista Chris Gorak não teve a mesma sorte com seu Toque de Recolher, mas nem por isso quis fazer um lixo qualquer, optando por uma abordagem mais intimista de uma temática tão grandiosa. A trama começa com o início de mais um dia aparentemente normal para a cidade de Los Angeles e para o casal Lexi (Mary McCormack) e Brad (Rory Cochrane). Eles estão vivendo uma fase difícil do relacionamento, mas a aproximação vem ironicamente de uma situação que também implica a separação. Logo após a moça ir para o trabalho, o marido escuta no rádio a notícia de que a cidade está sendo atacada por bombas químicas, verdadeiras armas de materiais radioativos cujos malefícios para os humanos não são totalmente conhecidos. Como prevenção, o governo implanta o toque de recolher, medida para que as ruas sejam evacuadas o mais rápido possível diminuindo ao máximo os riscos a saúde da população até que existam dados mais consistentes a respeito dos efeitos negativos do episódio. Todos devem permanecer trancados em casa e vedar todas as janelas e portas para evitar a inalação do ar contaminado. A deflagração deste conflito é feita de forma rápida e eficiente e o espectador participa do caos a medida que Brad vai colhendo novas informações através das mídias. Ao primeiro sinal de alerta ele tenta ir atrás da esposa, mas é impedido por policiais.

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