sábado, 31 de outubro de 2015

CONTOS DO DIA DAS BRUXAS

Nota 7,5 Reunião de contos busca resgatar verdadeiro espírito dos festejos do Halloween

Original, esquisito, interessante, confuso, apavorante e engraçado. Todos esses adjetivos, embora antagônicos, caem como uma luva para o filme Contos do Dia das Bruxas, produção de horror idealizada para resgatar o verdadeiro espírito do Halloween perdido ao longo dos anos pelo cinema. O dia 31 de outubro é marcado em diversos países por festejos que incluem desfiles, bailes à fantasia, a busca das crianças de porta em porta muito mais por doces que por travessuras e as tradicionais maratonas de filmes de terror na televisão. De origem europeia, a comemoração acabou sendo mais difundida e modelada pela cultura americana, principalmente pelo cinema que dava atenção a data com produções enfocando fantasmas, bruxas, vampiros e tudo que é criatura que pudesse arrancar gritos da plateia, contudo, com o tempo os filmes de seriais killers acabaram roubando a cena afinal os festejos são ideias para qualquer maluco literalmente extravasar seus demônios e vítimas bobinhas é o que não faltam à solta nas ruas. Que o diga o psicopata Michael Meyers e seu sugestivo Halloween – A Noite do Terror. Michael Dougherty, roteirista de X-Men 2 e dos questionáveis Lenda Urbana 3 e Superman – O Retorno, certamente guarda boas lembranças de seus tempos de criança e adolescente quando saia para se divertir no Halloween e ouvir histórias de arrepiar com os amigos e essas memórias parecem impressas em seu filme. Como em um pesadelo no qual os maiores absurdos podem acontecer e não há ordem para começo, meio e fim, o diretor e roteirista procura alinhavar cinco histórias aparentemente ligadas por uma estranha e perigosa criatura disposta a manter acesa as tradições do Halloween. A primeira trama mostra o casal Emma (Leslie Bibb) e Henry (Tahmoh Penikett) voltando para a casa após uma festa, mas a moça mostra-se visivelmente irritada com a bagunça deixada na porta da sua casa e decide pôr um fim nos festejos em seu pedaço antes do sol raiar. O problema é que há uma tradição que diz que aquelas famosas lanternas de cabeça de abóbora não devem ser apagadas ou destruídas tão cedo, caso contrário...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

LENDA URBANA

NOTA 3,0

Apesar da premissa interessante,
terror não foge dos clichês e se
perde em seu mirabolante argumento
até chegar a um clímax vexatório 
Quem já foi em um acampamento escolar certamente já se apavorou com as histórias de terror contadas em torno de uma fogueira tarde da noite, mas se você também já morou em uma república já deve ter vivido situação parecida. Bem, viver no campus de um colégio ou universidade não faz parte da realidade de nós brasileiros, mas para os americanos isso é de praxe. Sem muito pensar nos estudos, os jovens ianques entregues ao ócio gastam seu tempo com paqueras, baladas e amedrontando os colegas com contos macabros a respeito de mortes misteriosas. É esse o ponto de partida de Lenda Urbana, mais um exemplar da onda dos “teen slashers”, filmes que se resumem a um psicopata perseguindo um grupo de jovens incautos, filão que na época estava em alta com os sucessos de Pânico e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado. Sem comprovação real dos acontecimentos, os mitos populares que dão título ao filme geralmente envolvem assassinatos, aparições ou desparecimentos mal esclarecidos e eis o grande diferencial da fita. O serial killer utilizaria algumas lendas urbanas para emboscar suas vítimas, contudo, hoje essa peculiaridade não agrega em nada à produção afinal já estamos saturados de assassinatos clichês. De qualquer forma, o prólogo continua sendo um dos melhores do gênero, apesar de bastante esquemático a favor do vilão. Michelle (Natasha Gregson Wagner) está dirigindo a noite por uma estrada deserta e em meio a uma forte chuva quando percebe que seu combustível está acabando, forçando-a a parar em um posto de gasolina de beira de estrada. Ela é atendida por Michael (Brad Dourif, estranhamente não creditado), um sujeito esquisitão, maltrapilho e gago que com suas expressões e forma de agir deixa no ar certa ambiguidade. Não convém dizer o que acontece para não estragar a surpresa de quem por ventura não tenha assistido ainda (alguém?), mas há uma boa inversão de expectativas na introdução que, embora até a metade da projeção pareça não ter uma ligação direta com o restante da trama, serve para ilustrar o que são as tais lendas urbanas. Depois somos apresentados ao grupo de desafortunados que passará a ser vítima de um maníaco que está agindo em um campus universitário, obviamente já deixando claro quem serão os heróis, a boa moça Natalie (Alicia Witt) e o jornalista amador Paul (Jared Leto). O lance é descobrir qual dos coadjuvantes será promovido nos minutos finais revelando-se ser o mascarado da vez, ou melhor, o encapuzado, já que ele se esconde sob a proteção de uma veste de inverno.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O HOMEM DO FUTURO

NOTA 8,0

Longa nacional surpreende
ao enveredar pela trilha da
ficção científica e ao
assumir suas inspirações
Você ainda é do tipo que tem preconceito com o cinema brasileiro por ter na sua cabeça a imagem de filmes que enfocam pobreza, miséria no nordeste, denúncia social ou adaptações literárias? Realmente ainda há muitos cineastas que investem em tais temas em busca de reconhecimento da crítica e prêmios e pouco se importando se haverá público para suas obras, mas felizmente o nosso cinema comercial caminha a passos largos e não depende mais de Xuxa ou Didi e tampouco do humor afiado e nem sempre bem usado de Marcelo Adnet. Existe vida inteligente e antenada tentando dar novos rumos a sétima arte nacional e um deles é Cláudio Torres, um diretor de cinema que não nega seu repertório cinematográfico oriundo de terras americanas. Embora acostumado a apreciar a arte nacional desde a forma mais simples até a mais mirabolante, afinal ele é filho de Fernanda Montenegro e do finado Fernando Torres, gente de teatro, o cineasta tem imprimido em seus trabalhos referências explícitas ao cinema americano, o que não é nenhum problema e sim uma qualidade já que é uma ousadia tomar tal decisão quando nosso mundinho cinematográfico está repleto de defensores da nossa cultura e prontos para atacar qualquer coisa que a negue. Torres na verdade adapta coisas estrangeiras ao nosso padrão de filmes, como o uso de efeitos especiais em Redentor e uma protagonista imaginária como no caso de A Mulher Invisível, e os resultados são no mínimo curiosos e parecem estar agradando o público. Em seu terceiro longa, O Homem do Futuro, ele envereda pelos caminhos da ficção científica, mas ainda mantém um pé na realidade. Embora exista a forte presença de um cenário hi-tech e alguns efeitos especiais chamativos, o roteiro se dedica a contar uma história de amor levemente dramática com a premissa do que uma pessoa faria se pudesse voltar no tempo para corrigir algo, um tema explorado, por exemplo, em Um Homem de Família, De Volta Para o Futuro e tantos outros títulos. O protagonista é João (Wagner Moura), um excêntrico cientista que durante um acidente com uma de suas novas invenções acaba reencontrando sua juventude e tendo a chance de corrigir algo que aconteceu e que mudou sua vida futura completamente.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

LETRA E MÚSICA

NOTA 8,0

Comédia romântica segue
cartilha do gênero a risca,
mas se destaca ao criticar
de leve o mundo da música 
Cinema e música fazem um casamento perfeito e ambas as manifestações culturais já tiraram bons proveitos desta união, como fica comprovado em Letra e Música, uma deliciosa comédia romântica que apesar de ser contemporânea (lembrando que o filme é de 2007) resgata muito da ingenuidade e da badalação dos anos 80, época em que os bailinhos dos jovens bombavam com canções agitadas ou românticas nas vozes de garotos de vinte e poucos anos que vendiam milhões de discos e suas fotos eram acessórios obrigatórios no quarto de qualquer garota descolada. Quem tem ao menos uma pequena noção de como foi aquela época certamente se sentirá fisgado a acompanhar este filme só de ver os primeiros minutos. A introdução não poderia ser mais criativa. Uma melodia pegajosa embala o videoclipe de uma “boy band” chamada POP. Pode soar como um nome nada original, mas é usado em tom de ironia. Esses rapazes fizeram sucesso no passado fazendo caras e bocas para conquistar as menininhas e seus passinhos de dança, figurinos e cortes de cabelo marcaram época. O clipe reúne todos os elementos característicos do período no que diz respeito ao mundo da música e da TV ou, em outras palavras, como a MTV ditava a moda aos adolescentes já naqueles tempos. O tempo passou, a tal bandinha teen deixou de ser popular, terminou desgastada, seus integrantes envelheceram e cada um seguiu seu próprio caminho. Alex Fletcher (Hugh Grant) continuou investindo no mundo da música, ainda que se apresentando para pequenas platéias em parques e feiras de todos os tipos, mas longe dos palcos das grandes casa de shows. Mesmo assim ele foi convidado para escrever uma nova canção e gravá-la junto com um dos maiores fenômenos midiático dos anos 2000, Cora Corman (Haley Bennett). Porém, ele não compõe há anos, sente-se despreparado e está desesperado, pois não pode perder a chance de voltar à mídia em grande estilo. Quem pode salvá-lo é Sophie Fisher (Drew Barrymore), ironicamente a simples  jovem que cuida das plantas do ex-astro. Estudante de Letras, ela é ótima para se comunicar, tem boas idéias, mas é desiludida no amor, os ingredientes perfeitos para uma boa compositora escrever uma canção que envolva o público. 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

NAS PROFUNDEZAS DO MAR SEM FIM

NOTA 7,0

Clichê da família em crise por
conta do sumiço de um membro
ganha fôlego com exploração das
dificuldades da fase de readaptação
Família feliz tem suas estruturas abaladas quando um de seus três filhos pequenos some e precisa se adaptar a nova realidade. Por essa brevíssima descrição muita gente não se animaria a ver um filme do tipo, diga-se de passagem, um tanto clichê e ainda mais se for um típico drama familiar hollywoodiano. É previsível que a choradeira é inevitável ou na melhor e mais açucarada das hipóteses tal grupo voltaria a viver feliz com a volta repentina do membro desaparecido. Existem muitos exemplos de obras cuja ideia principal pode ser sintetizada como na frase que abre este texto, mas outras como Nas Profundezas do Mar Sem Fim procuram dar um passinho adiante na discussão da reestruturação familiar. Não apenas discute-se como lidar com a dor da perda, como também agir na hipótese de um final feliz, mas que pode não ser tão alegre para todos. Vamos por partes. A trama roteirizada pelo ex-crítico de cinema Stephen Schiff começa em 1988 quando a fotógrafa Beth Cappadora (Michelle Pfeiffer) decide levar seus três filhos pequenos junto a uma viagem para Chicago onde ela participará de uma reunião de ex-colegas de escola. No saguão do hotel em que se hospeda ela se distrai por um minuto apenas e quando se dá conta perdeu de vista seu filho do meio, Ben (Michael McElroy), então com apenas três anos de idade. A tranquilidade inicial desta mãe pouco a pouco vai dando lugar aos sentimentos de desespero e de culpa, ainda mais quando as buscas comandadas pela investigadora Candy Bliss (Whoopi Goldberg) revelam-se fracassadas. Após algumas semanas esperando por qualquer novidade, Beth retorna para sua casa com o marido Pat (Treat Williams) e com a difícil tarefa de encarar a triste realidade. Ela culpa-se pela negligência, decide parar de trabalhar e sem perceber passa a punir o marido e os outros filhos, o adolescente Vincent (Jonathan Jackson) e a garota Kerry (Alexa Veja), já que passa a tratar a família com displicência. Contudo, Beth não está completamente fora de seu juízo perfeito. Ela discute com o marido afirmando que não quer engravidar novamente, pois uma nova criança jamais substituiria Ben, e se irrita com um familiar que compra um presente de Natal para o garoto sumido como se fosse uma forma de alimentar as expectativas de sua mãe que um dia ele voltaria. Ela está totalmente cética quanto a isso.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

UMA MANHÃ GLORIOSA

NOTA 6,0

Comédia não se aprofunda
nas questões sobre o mundo
do jornalismo, mas diverte e
tem um elenco talentoso
Quando a televisão foi inventada logo surgiram os boatos de que isso significaria o fim do cinema. Os anos passaram e os dois veículos de comunicação continuam ativos, provavelmente ambos não tão bem como antigamente, mas é fato que o mundo da TV sempre fascinou cineastas, roteiristas e produtores. Seja qual for o gênero em que o tema é utilizado, geralmente as propostas giram em torno da desmistificação do ambiente televisivo, ou seja, mostrar que se nas imagens que chegam até nossas casas tudo é perfeito, nos bastidores as coisas podem ser bem diferentes. Problemas de relacionamento entre os profissionais, divergências de ideias, omissão de fatos, enfim, muita coisa acontece nos camarins e corredores das emissoras que não chegam ao conhecimento dos espectadores. Uma Manhã Gloriosa foi criado para falar do mundo do telejornalismo, mas pelo título já dá para perceber que o objetivo não é realizar um estudo profundo do tema, no máximo instigar o espectador a procurar conhecer mais sobre ele. A workaholic Becky Fuller (Rachel McAdams) é uma produtora de TV que foi demitida inesperadamente, mas conseguiu uma vaga para tentar alavancar a audiência de um programa matinal em uma nova emissora a convite do executivo Jerry Barnes (Jeff Goldblum). O problema é que tal tarefa exigirá muitas mudanças e esforços como, por exemplo, convencer o premiado, mas odiado, jornalista Mike Pomeroy (Harrison Ford) a apresentar matérias sobre comportamento, moda, beleza entre outros assuntos amenos ao lado da ex-miss Arizona, Colleen Peck (Diane Keaton), seu desafeto há anos.  Os dois têm gênios fortes, língua afiada e não pensam duas vezes antes de começar uma briga. Mesmo com o pepino em suas mãos de administrar essa guerra de egos, Becky demonstra muito entusiasmo pelo seu trabalho e se esforçará ao máximo para que o tal programa matinal conquiste público e se torne respeitável no prazo de apenas seis meses. Em resumo, o enredo é sobre uma jovem esforçada que quer apresentar o melhor trabalho possível, mas sempre esbarra na soberba e falta de educação de seus superiores (alcunha dada simplesmente por eles terem os nomes famosos e colocarem a cara para bater na frente das câmeras). Premissa conhecida não? As semelhanças com O Diabo Veste Prada não são coincidências, afinal os dois roteiros são de autoria de Aline Brosh McKenna, porém, a relação difícil de Diane e Rachel, ou melhor, de suas personagens, não é tão empolgante quanto o embate entre Meryl Streep e Anne Hathaway, mas dá para encarar sem problemas.

domingo, 25 de outubro de 2015

ATRAÇÃO IRRESISTÍVEL

Nota 6,0 Romance água com açúcar é prejudicado por excesso de personagens e subtramas

Existem alguns filmes que quando não saem lá grande coisa acabam caindo no ostracismo automaticamente depois de prontos, pois nem seus produtores confiam no potencial do que criaram e preferem perder dinheiro a se exporem às críticas negativas. Atração Irresistível foi filmado no início de 1997 e só estreou em circuito comercial no final do ano seguinte e apenas na Austrália. No Brasil, foi muito mal lançado em DVD em 2001, mas perto de tanto lixo que semanalmente vai parar em tela grande ou nas prateleiras de locadoras, até que esta mistura de comédia, romance e drama não passa tanta vergonha nas comparações. Existem similares bem piores, apesar do início bizarro com um pai ensinando o filho pequeno a fazer um parto não indicar um futuro promissor à fita. Após perder o emprego e a namorada, Danny (Jude Law), um restaurador de mosaicos, volta para uma pequena cidade londrina onde viveu no passado. Lá ele vai morar em uma pensão cujos donos também têm uma padaria para qual ele irá realizar entregas para ganhar alguns trocados. Em um desses trabalhos ele se perde e vai pedir auxílio em uma residência que ele repara bem e descobre que já esteve naquele lugar. Atendido por Anna (Gretchen Moll), o rapaz relembra que quando era criança ajudou o seu pai a realizar o parto da jovem e que naquele exato momento ele havia dito profeticamente que um dia iria se casar com a menina. O destino deu uma mãozinha e o aproximou do momento de cumprir sua promessa, porém, ela já está noiva de Eric (Jon Tenney), mas isso não impede que Danny se aproxime do cotidiano da família da jovem e todos respeitam e gostam muito dele. Por fim, ele acaba conquistando o amor da moça a partir do momento em que ela se dá conta da maneira carinhosa que ele lida e encoraja Nina (Jennifer Tilly), a irmã deficiente visual de Anna.

sábado, 24 de outubro de 2015

MORTOS DE FOME

Nota 6,5 Longa ousa ao usar canibalismo para criticar as sociedades, mas público rejeita temática

Todos os anos muitos filmes com pegada de horror são produzidos, mas entre refilmagens e sequências, os poucos títulos inéditos que sobram acabam sumindo no mapa ou curiosamente se destacando pelos seus repetitivos roteiros. Porém, quando alguém tenta fazer algo diferente o público acaba rejeitando como é o caso de Mortos de Fome, longa do final dos anos 90 que passou em brancas nuvens pelos cinemas, aterrissou na surdina nas locadoras e nem na televisão encontrou espaço. O repúdio é compreensível. Existem produções muito difíceis de serem classificadas em um gênero específico e aqui está um bom exemplo. Embora vendido como filme de terror, o tema central ser o canibalismo e apresentar algumas cenas repletas de sangue e restos mortais, o longa não assusta de forma surpreendente ou tradicional. Apesar do título também não é comédia, nem de humor negro embora nesse quesito este produto seja um prato cheio. Drama poderia ser uma rotulagem válida visto que a obra explora as dificuldades de um grupo de homens em uma época conturbada, mas passa longe de levar o espectador as lágrimas. No fundo esta é uma produção alternativa que reúne um elenco respeitável e características de diversos gêneros, mas uma obra que sofre para achar seu público. O fato é que este trabalho da cineasta inglesa Antonia Bird, que antes havia causado certo burburinho com o polêmico O Padre, não é de fácil digestão. O roteiro de Ted Griffin acompanha o Capitão John Boyd (Guy Pierce), condecorado por sua bravura nas lutas na fronteira com o México, porém, mais tarde decepcionando seus superiores e assim sendo transferido para um isolado forte na Califórnia em 1847 que servia de assistência para os viajantes que atravessavam a perigosa região das Serras Nevadas Ocidental. Ele passa a conviver então com um excêntrico grupo formado pelo chefe da liderança do local, o Coronel Hart (Jeffrey Jones), alguns oficiais, como o religioso Toffler (Jeremy Davies), o esquentadinho Reich (Neal McDonough), o viciado em ervas alucinógenas Cleaves (David Arquette) e o alcoólatra Knox (Stephen Spinella), e com dois ajudantes, os irmãos indígenas George (Joseph Runningfox) e Martha (Sheila Tousey).

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O EXORCISMO DE EMILY ROSE

NOTA 9,0

Baseado em fatos reais, longa
de horror ganha certo ar de
novidade ao investir em um
confronto entre a fé e a razão
Uma jovem aparentemente inocente, mas com andar e gestos estranhos, caminhando em direção a uma árvore seca em meio a um clima enevoado. Esta cena simplória acabou se tornando uma marca registrada de um filme vendido como uma produção de horror, mas que no tem um aspecto dramático bem mais profundo e característico. Tal cena ganhou tanto destaque que acabou sendo usada para ilustrar o material publicitário de O Exorcismo de Emily Rose, uma interessante produção que envolve um drama de tribunal que chegou na época do seu lançamento a ser anunciada como um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos, mas ainda não alcançou o status de O Exorcista e talvez jamais chegará a tal ponto. Porém, isso de forma alguma desmerece este trabalho assinado por Scott Derrickson que não tinha um currículo muito atraente acumulando o roteiro de Lenda Urbana 2 e direção de um dos episódios de Hellraiser. Bem, intimidade com o gênero ele tem, mas prova aqui que não precisa se rebaixar a escrever tramas bobocas para assustar adolescentes. Ele escreveu o roteiro em parceria com Paul Harris Boardman e ambos devem ter virado noites assistindo os clássicos de terror dos anos 70, época em que o público chegava a não dormir por várias noites após assistir produções como A Profecia e o já citado clássico de William Friedkin. O produto que eles criaram exala nostalgia e veio em boa hora para suprir um mercado que na época já estava saturado dos fantasmas dos remakes orientais e de suas próprias cópias originais que invadiram o mundo ocidental. A recepção foi muito positiva, mas obviamente não tão impactante como um lançamento do tipo a 30 ou 40 anos atrás. Jennifer Carpenter estreou na carreira de atriz com o pé direito aceitando o difícil papel que empresta o nome à produção, uma jovem que deixou sua casa e família para ir estudar em uma região afastada. No alojamento em que passa a viver certa noite Emily tem uma alucinação e desmaia. O que poderia ser um acontecimento sem importância, acaba se tornando um grande problema na vida dela. Os surtos passam a ficar cada vez mais frequentes e ela volta para a casa dos pais. Muito religiosos, eles recorrem ao padre Richard Moore (Tom Wilkinson) e todos estão certos de que a medicina nada pode fazer para ajudar Emily já que acreditam que se trata de um caso de possessão demoníaca. Deixando o tratamento médico de lado e aceitando se submeter ao exorcismo, a jovem acaba falecendo e o pároco vai parar nos bancos dos réus acusado de negligência e homicídio doloso. Erin Bauner (Laura Linney) é a escolhida para defendê-lo, mas faz isso em nome de interesses próprios e financeiros, já que ela mesma é cética quanto ao assunto, porém, conforme a investigação avança suas crenças e convicções podem mudar. Já o promotor Ethan Thomas (Campbell Scott) é religioso, mas age segundo a razão e está disposto a provar que a intervenção do padre no caso levou ao fim trágico.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

QUERIDO FRANKIE

NOTA 8,5

Drama carrega consigo a
nobre essência do cinema
europeu e não cede ao
dramalhão completamente
É curioso que algumas produções não americanas que seguem fórmulas consagradas por Hollywood acabem não repetindo o mesmo sucesso que outras semelhantes, principalmente quando há no elenco pelo menos um nome de peso. Querido Frankie é uma obra linda, melosa na dose certa e preocupada em transmitir emoções e algumas mensagens para fazer o espectador refletir. Mesmo contando com a participação do astro Gerard Butler, este drama é praticamente desconhecido. Há duas explicações para isso. Além de o filme ser uma co-produção entre a Escócia e a Inglaterra, o que implicitamente já a carrega de uma essência européia que pode afastar o público, o protagonista era um Zé ninguém na época do lançamento. Butler se tornaria famoso pouco tempo depois pelo musical O Fantasma da Ópera. É uma pena que até hoje poucos tiveram o prazer de ter contato com essa tocante obra da cineasta britânica Shona Auerbace. Em sua estréia na direção de longas-metragens, um projeto que levou cerca de seis anos para ser concluído devido a falta de recursos financeiros e de um grande estúdio por trás, ela não inova e até recorre a muitos clichês, contudo, entrega um trabalho honesto e que consegue envolver o espectador justamente pela autenticidade que transmite, fruto do lado maternal da diretora aflorado que ao longo dos anos se dividiu entre os preparativos do filme e os cuidados com dois filhos gerados no período. Não é a toa que a relação de uma mãe e seu filho é o tema principal. Frankie (Jack McElhone) é um garoto que vive numa pequena cidade localizada no litoral escocês junto com a mãe Lizzie (Emily Mortimer) e a avó Nell (Mary Riggans). Ele sofre de deficiência auditiva e talvez por isso também tenha dificuldades para falar. Sua voz só é ouvida quando ele lê em pensamentos o que escreveu nas cartas que envia regularmente ao seu pai, mas ele jamais o conheceu pessoalmente ou pelo menos não lembra. Porém, quem responde tais correspondências é a própria mãe do menino que não chega a enviar as cartas e sustenta esta farsa há anos, tudo para proteger Frankie de um trauma de infância por não ter uma figura paterna presente, mas principalmente para conhecer melhor o garoto, pois ele só se expressa quando escreve.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

ELSA E FRED - UM AMOR DE PAIXÃO

NOTA 10,0

Longa trata de temas
ligados à terceira idade
com emoção, humor e
protagonistas cativantes
Chegar à velhice com saúde e ainda conseguindo manter certa independência financeira e até mesmo dos parentes é o sonho de qualquer pessoa que deseja ter uma vida longa, afinal de contas o que adianta viver muitos anos sem poder aproveitá-los plenamente? A co-produção entre a Argentina e a Espanha Elsa e Fred – Um Amor de Paixão trata justamente sobre os problemas e anseios da terceira idade, uma fatia da população que cada vez cresce mais e precisa reconquistar seu espaço na sociedade. Eles não estão mortos por isso ainda tem o direito, ou melhor, o dever de sonhar e fazer planos para o amanhã. Rotina, manias, amor e lembranças dos protagonistas são abordados pelo divertido e emocionante enredo desenvolvido pelo diretor e roteirista Marcos Carnevale. Elsa (China Zorrilla) é uma mulher de 82 anos cheia de vida que procura aproveitar ao máximo cada novo dia. A viúva passa a sentir certo interesse em seu novo vizinho, o também idoso Alfredo (Manuel Alexandre), que perdeu sua esposa há sete meses. O problema é que ele é muito introspectivo, sofre por ser hipocondríaco e preferiu aproveitar seus últimos anos de viva isolado tendo apenas a companhia de seu cachorro de estimação. Eles se conhecem por conta de uma das trapalhadas de Elsa que bate sem querer seu carro no da filha de Alfredo e é obrigada a pagar os custos do concerto. Logo nos primeiros minutos já descobrimos o perfil da idosa. Ela espia a movimentação da mudança do vizinho, foge para não pagar o prejuízo que causou com o carro e inventa uma desculpa lacrimejante para não entregar o cheque à filha de Alfredo, mas não a julguem como uma pilantra. Digamos que no jargão popular ela é uma velhinha sacudida. O vizinho, ao contrário, é sincero, recluso, correto, metódico e demonstra ter bom coração. Pouco a pouco seu pacato cotidiano vai ganhando vida com os insistentes convites para sair e telefonemas de Elsa, que um dia já foi uma bela mulher que lembrava a protagonista do filme A Doce Vida, de Frederico Fellini. Apaixonada pela cena em que a musa entra na Fontana di Trevi, em Roma, e se declara para o mocinho, a espevitada senhora sonha em um dia poder repetir a sequência lá mesmo naquele monumento.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O MELHOR AMIGO DA NOIVA

NOTA 7,0

Patrick Dempsey é o
chamariz de longa que
apenas recicla velhas e
consagradas receitas
Se já não bastasse as comédias sofrerem com trailers que fazem questão de reunir as melhores piadas e praticamente contar suas histórias do início ao fim, os títulos nacionais, e até mesmo alguns estrangeiros, fazem questão de estragar qualquer surpresa. Tome-se como exemplo O Melhor Amigo da Noiva catalogado como comédia romântica e com uma publicidade centrada na imagem em um belo casal. Alguém espera algo como o amigo gay da noiva (raramente não existe um nessas histórias) vivendo o protagonista de um conto de fadas? Claro que não. Está claro que o enredo trata de um cara que deixou a mulher da sua vida escapar e só se deu conta disso quando ela estava prestes a subir ao altar com outro. Essa é premissa do longa assinado pelo diretor Paul Weiland que segue a risca a fórmula de sucesso de filmes como O Casamento do Meu Melhor Amigo protagonizado por Julia Roberts. Sai a beldade de cena e entra agora o galã Patrick Dempsey para ocupar a vaga do apaixonado desatento que tenta correr atrás do prejuízo. Ele vive Tom, um homem sedutor e que sempre prezou a quantidade à qualidade, ou em outras palavras, colecionar conquistas e abominar o compromisso sério. Milionário, ele não precisa se preocupar com o trabalho e está sempre com tempo livre para passear ou jogar basquete com os amigos, mas um de seus programas favoritos é sair com Hannah (Michelle Monaghan), sua amiga nos tempos da escola e que tornou-se sua confidente e álibi para fugir das mulheres indesejáveis que o perseguem. Eles sabem tudo um do outro, compartilham segredos e são íntimos o suficiente para trocarem ironias e críticas a respeito de como levam suas vidas. Qualquer um que os vê juntos acreditam que são namorados, mas parece que só os dois não se dão conta disso. Se um relacionamento sério depende de amor e respeito e menos de paixão e atração carnal, talvez esteja ai o impedimento para este casal.  Sempre juntos e em plena sintonia eles não sentem falta de um algo a mais e vivem um amor platônico sem saberem, mas tudo pode mudar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

ANTES DE PARTIR

NOTA 8,5

Dois pacientes com doenças
graves deixam de lado suas
diferenças para aproveitarem
o tempo de vida que lhes restam
É curioso como alguns filmes conseguem equilibrar perfeitamente humor e drama na mesma receita. Mais curioso ainda é terminar de assistir a uma obra que no fundo é triste e ainda assim se sentir com o espírito elevado. É no significado dos velhos clichês do viva a vida intensamente ou de aproveite cada dia como se fosse o último que está o segredo do sucesso de Antes de Partir, longa que não ganhou prêmios e teve uma passagem modesta nos cinemas, mas que acabou se tornando um título grandioso conforme o tempo passou, um daqueles tipo cujo nome está sempre na ponta da língua quando se deseja indicar um bom programa no aconchego do lar. O diretor Rob Reiner já trazia em seu currículo outro trabalho que se tornou um clássico entre populares, Conta Comigo, e que guarda certas semelhanças com esta produção protagonizada por Jack Nicholson e Morgan Freeman. Em ambos ele trabalha com as temáticas da amizade e da morte e consegue uma excelente mistura entre diversão e reflexão. A trama começa nos apresentando a Edward Cole (Nicholson), um empresário frio e calculista que administra um hospital. Para reduzir os gastos da instituição e consequentemente aumentarem seus lucros ele dá ordens irrevogáveis de que cada leito deve ser ocupado por dois pacientes sejam eles pobres, ricos, negros, brancos, jovens ou velhos. Ironicamente a vida lhe prega uma peça. Quando descobre que está com câncer ele é obrigado a dividir seu quarto com o pacato Carter Chambers (Freeman), um mecânico negro que já está a algum tempo se submetendo a um tratamento experimental para a mesma doença. Relutante no início de ter que vivenciar uma situação que ele próprio causou, Cole acaba se acostumando com a presença do colega de quarto e ambos começam a trocar ideias e experiências. Chambers então lhe apresenta uma espécie de lista de desejos que aprendeu com um professor da época de faculdade. Nela devem constar todas as vontades e maluquices que a pessoa gostaria de realizar antes de morrer, funcionando assim como um traçado de metas, algo que ilusoriamente prolongaria o desejo de viver. Cole então propõe que eles façam uma lista em conjunto e tentem aproveitar ao máximo os seus últimos meses de vida, a deixa perfeita para dar um respiro a um enredo que poderia ser denso e depressivo.

domingo, 18 de outubro de 2015

AMOR POR ACIDENTE (1996)

Nota 5,0 Garota assume nova personalidade em romance previsível e que dispensa o humor

As comédias românticas são um gênero que inevitavelmente vive de reciclar clichês. É praticamente impossível hoje em dia pensar em algo original nesse campo, mas essa escassez de ideias aparentemente já é um problema antigo o que explica a pouca repercussão de Amor por Acidente lançado pouco tempo depois do estrondoso sucesso Enquanto Você Dormia que já mostrava o carisma de Sandra Bullock junto ao público. Ambos os filmes tem em comum a troca de identidade a partir de um acidente. Baseado no romance “Eu me Casei com um Homem”, de Conell Woolrich, o longa conta a história de Connie Doyle (Ricki Lake) que era uma adolescente quando Steve (Loren Dean) lhe ofereceu carinho e proteção, tudo que uma adolescente sonhadora gostaria, porém, aos dezoito anos descobriu estar grávida e ele a colocou para fora de casa. Sozinha e sem emprego, a jovem decide ir embora de Nova York e voltar para Boston, mas não tinha nem mesmo dinheiro para pagar a viagem de trem. Quando tenta enganar o cobrador, Hugh Winterbourne (Brendan Fraser) escuta a conversa e muito bondoso resolve ajudá-la fingindo ser seu marido e lhe pagando a passagem. O rapaz na realidade é casado com Patricia (Susan Haskell), que também está na viagem e coincidentemente grávida. Um grave acidente acaba acontecendo com o trem e Connie desperta no hospital após alguns dias em coma. Ela já teve seu filho e então percebe que na pulseira de identificação do bebê está o nome Patricia. Os médicos acreditam que ela está confusa por causa do trauma e não se recorda de quem é. Passado o susto ela se dá conta de que o casal Winterbourne faleceu, mas devido a uma brincadeira antes do episódio envolvendo uma aliança acreditam que ela seja Patricia, chegando ao ponto de receber um telefonema da sogra, a milionária Sra. Grace (Shirley MacLaine), convidando-a para viver em sua mansão já que a moça não teria família nos EUA. Pensando no bem estar do filho, Connie decide levar a mentira adiante e acaba conquistando a confiança da matriarca da família. Fraser ainda não era um astro na época, mas sua participação não podia se resumir a alguns poucos minutos no início da fita. Os roteiristas Phoef Sutton e Lisa-Maria Radano trazem o ator de volta na pele de Bill, irmão gêmeo de Hugh. O rapaz é esnobe e não aceita bem a presença da cunhada em sua casa.

sábado, 17 de outubro de 2015

O SUSPEITO MORA AO LADO

Nota 3,0 Apesar de contar com um serial killer, enredo é centrado na estranha relação de vizinhos

Trabalhar com o gênero suspense não é uma tarefa fácil. Conseguir interpretações convincentes, segurar segredos, criar uma ambientação adequada e, principalmente, fugir dos clichês. Se um cineasta consegue ao menos preencher um desses requisitos já devemos dar algum crédito. No caso de O Suspeito Mora ao Lado, escrito e dirigido pelo jovem e também ator Jacob Tierney, digamos que é perceptível a forte influência de inúmeros thrillers que são produzidos para a TV americana e que aqui no Brasil são lançados diretamente em DVD e posteriormente recheiam os “Super Cine” da vida. A trama se passa em meados de 1995 e tem como protagonistas Louise (Emily Hampshire) e Spencer (Scott Speedman) que são vizinhos em um mesmo prédio localizado em um bairro suburbano de Montreal, no Canadá. Sarcástico e um pouco arrogante, o rapaz praticamente não sai de seu apartamento, já que é dependente de cadeira de rodas desde que sofreu um acidente de carro no qual sua esposa veio a falecer. O edifício não oferece suporte para deficientes, assim ele conta com a generosidade e companhia de Louise, a inquilina do andar de cima e garçonete do restaurante chinês que funciona no térreo do edifício, uma garota que pouco revela sobre sua intimidade e talvez esta aura de mistério tenha conquistado o novo morador do condomínio, Victor (Jay Baruchel), um cara boa praça que logo procura fazer amizade com os demais moradores. Tudo estava bem até que alguém suspeito passou a ser notado andando pelas redondezas do edifício, coincidindo com a chegada novo inquilino. Como os jornais estão noticiando a presença de um serial killer atuando na área todo o cuidado é pouco, mas cada um desses jovens reage de uma maneira diferente a essas notícias. Seria um deles o tal assassino? Nesse interim, Valérie (Anne-Marie Cadieux), uma vizinha alcoólatra, não faz a menor questão de esconder que odeia os gatos de estimação de Louise que os trata como se fossem filhos. Sentindo-se ameaçada, a garçonete resolve dar um susto na rabugenta senhora, mas acaba na mira do detetive e psicólogo comportamental Roland Brandt (Gary Farmer) que também fica no pé de Victor e Spencer.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O LABIRINTO DO FAUNO

NOTA 10,0

Diretamente do México, o
mundo ganhou uma bela obra
que dá um novo tempero ao
tema infância versus guerra
Fazer o espectador sonhar e transportá-lo para universos fantásticos onde a imaginação não tem limites é uma das funções que o cinema acumula para si. Em uma época em que bruxinhos, duendes, trolls, feiticeiros e afins invadiram as salas de exibições de todo o mundo com pretensões de agradar adultos e crianças, todos acabamos sendo presenteados com uma jóia rara em meio a mesmice. Não se trata de uma franquia e nem mesmo visa o público infantil. A primeira vista parece uma super produção hollywoodiana, mas na realidade ela é oriunda do México. O Labirinto do Fauno é uma elogiada e premiada obra do cultuado Guillermo Del Toro, cineasta que construiu sua carreira sobre os alicerces da fantasia, ainda que sempre mantenha um pé na realidade. No início da década de 2000, ele já havia surpreendido com A Espinha do Diabo, uma eficiente mistura de suspense e drama histórico passada durante a Guerra Civil espanhola, mesmo cenário que utilizou para contar mais uma história triste sob a ótica imaginativa de uma criança. Roteirizado pelo próprio diretor, foi criado para a obra um mundo fantástico, quase como o de um conto de fadas, para contrastar com a nebulosa e triste realidade do ano de 1944. Transitando entre estes dois ambientes está Ofélia (Ivana Baquero), uma garota que se muda com a mãe Carmem (Ariadne Gil) que está grávida para a casa de seu padrasto, o capitão Vidal (Sergi Lopez). Ele trabalha para as forças fascistas da Espanha em favor dos poderosos com a aprovação da Igreja Católica. Com a Guerra Civil já encerrada, o capitão caça os últimos rebeldes pela região enquanto sonha com o nascimento de seu filho que viverá em uma residência que mais parece um quartel-general repleto de regras, preocupações e nenhuma diversão ou demonstração de carinho. Procurando fugir da melancólica vida que lhe é proporcionada, a menina passa a explorar os arredores de sua nova casa e encontra um labirinto que a leva para uma trilha subterrânea. Guiada por estranhos insetos, Ofélia acaba conhecendo o Fauno (Doug Jones, ator acostumado a atuar sob pesadas maquiagens e figurinos), uma criatura mitológica meio bode e a outra metade humano. Este curioso ser revela que ela na verdade é a princesa de um reino existente debaixo da terra que desejou conhecer a realidade dos seres comuns e as consequências de seus atos. Para retomar o seu lugar de direito, a menina precisa cumprir três tarefas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

MISSÃO MADRINHA DE CASAMENTO

NOTA 7,0

Vendida com muita pompa e
elogios, comédia romântica
não é muito diferente de
outras produções do gênero
Embora muitos casais apenas se casem no civil ou simplesmente juntam os trapinhos sem festejos, ainda há muitas pessoas que sonham com uma festa deslumbrante, principalmente as mulheres, sejam elas brasileiras, americanas ou de qualquer outra parte do mundo. A obsessão pelo casamento perfeito é um tema constante para as comédias românticas hollywoodianas, assim muitas delas acabam não passando de um filminho bacana para matar uma tarde livre, porém, Missão Madrinha de Casamento é uma exceção à regra e foi além do trivial. Sucesso indiscutível em terras ianques, conquistando inclusive duas indicações ao Oscar, o longa na realidade é apenas mais uma comédia eficiente como passatempo e só. Com estética e diálogos perfeitos para agradar fãs de Sex and the City e tantos outros filmes em que as mulheres são o centro das atenções, a trama gira em torno dos preparativos do casório de Lilian (Maya Rudoplh) que convida Annie (Kristen Wiig), sua melhor amiga, para ser uma de suas madrinhas. O problema é que esta convidada de honra está enfrentando problemas pessoais e profissionais que a tiram do sério e a fazem se sentir inferior e infeliz, mas mesmo assim ela quer se dedicar ao máximo para fazer o melhor casamento possível para sua amiga, ainda que sentindo uma pontinha de inveja da felicidade da noiva. Muito atrapalhada para organizar listas de presentes, escolher vestidos, fazer o chá de cozinha entre outras obrigações de uma boa madrinha, uma tradição americana, Annie ainda terá que enfrentar uma rival. Entre outras convidadas a ocupar a função de estar ao lado da noiva até o último minuto da festa, Helen (Rose Byrne) também está disposta a ser a melhor amiga de Lilian, assim como ocupar o posto de exímia organizadora de eventos matrimoniais.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A MORTE E A VIDA DE CHARLIE

NOTA 7,0

Zac Efron busca provar
que é bom ator investindo
em drama com temática
espírita para adolescentes
Filmes que abordam o tema espiritismo geralmente pertencem aos gêneros de terror e suspense, mas parece que a onda dos dramas acerca dos mistérios do além ultrapassou as fronteiras brasileiras. As obras adaptadas ou sobre a vida do médium Chico Xavier viraram uma febre nacional, mas a relação entre vivos e mortos levada a sério ganhou caráter internacional e chegou até o público adolescente com A Morte e a Vida de Charlie tendo como garoto propaganda o ídolo teen Zac Efron. Ele vive Charlie, um jovem que sempre se deu muito bem com Sam (Charlie Tahan), seu irmão mais novo. Ambos compartilhavam a paixão pelos esportes e eram grandes amigos. Prestes a passar por mudanças em sua vida, Charlie firma um compromisso com o caçula da família: todos os dias no final da tarde eles iam se encontrar em uma clareira na floresta para treinarem beisebol. Porém, um trágico acidente de carro vitimou Sam e os separou fisicamente, mas não espiritualmente. A ligação entre eles é tão forte que ainda conseguem manter contato mesmo após o fatídico acidente sempre no mesmo local de encontro combinado ainda em vida. Charlie se sente responsável pela tragédia e tornou-se recluso, abandonando seu futuro para trabalhar no cemitério da pequena cidade. Ao reencontrar uma amiga do passado, Tess (Amanda Crew), ele sente uma forte atração por ela e sua vontade de viver ganha um impulso, mas a atenção que dispensa à garota desagrada o espírito do irmão que se sente então abandonado. Agora, Charlie precisa se decidir entre manter a promessa que fez ao seu grande parceiro de nunca mais o abandonar ou aproveitar a chance que ganhou do amor para dar um novo rumo para a sua vida. Porém, outra surpresa será reservada ao jovem pelo destino.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

ALGUÉM TEM QUE CEDER

NOTA 8,5

Veteranos protagonistas dão
um tempero novo à batida
receita das comédias
românticas, mas sem apelações
A estrutura básica de uma comédia romântica é composta por um casal bonito e charmoso, uma ou duas pessoas que surgem para atrapalhar esse amor, muitos conflitos, fofocas e micos para encher linguiça e por fim o tão esperado beijo e a declaração de amor destes jovens apaixonados que ainda podem subir ao altar para fechar com chave de ouro este filme-clichê que tanto faz a alegria de milhares de espectadores que adoram sofrer com os dilemas e desventuras dos personagens, mesmo sabendo que no fim o amor prevalecerá. Uma estrutura similar é a base de Alguém Tem Que Ceder, produção que traz como grande diferencial o fato de ser protagonizada por duas pessoas maduras redescobrindo o prazer de viver através do amor. Na época de seu lançamento, os adolescentes e jovens com idades até cerca de 30 anos se viam representados nos cinemas por atores como Jennifer Anniston e Mark Ruffallo, mas a turma mais velha não se identificava com personagens se apaixonando pela primeira vez ou buscando o amadurecimento e a responsabilidade através do matrimônio afinal já passaram por tudo isso. Assim não é de se estranhar o sucesso com os espectadores cinquentões ou de mais idade que resultou o reencontro de Jack Nicholson e Diane Keaton quase vinte anos depois deles atuarem juntos pela primeira vez no filme Reds. Para falar de amor na terceira idade e contando com uma história que mexe com a alma feminina, nada melhor que uma mulher já vivida na direção. Nancy Meyers há décadas acumula experiência atrás das câmeras e na redação de roteiros sempre optando pelas comédias românticas, mas constantemente seus trabalhos eram recepcionados de forma fria pela crítica, mas encontravam refúgio nos braços do público. Após o sucesso Do Que as Mulheres Gostam, no qual a cineasta arriscou-se a colocar Mel Gibson usando acessórios femininos e com uma sensibilidade ímpar para quebrar sua imagem de ator de filmes de ação e suspense, aqui ela não teve mede de apresentar Nicholson como um sessentão mulherengo e Diane exibindo um pouco mais de seu corpo, embora apareça em cena bem mais tempo vestindo roupas recatadas.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

OS DESCENDENTES

NOTA 7,0

Apesar da boa história, longa
deixa a desejar considerando-se
seu histórico de indicações a
prêmios e elogios
Todos os anos ao menos uma produção pequena e que possivelmente passaria pelos cinemas em brancas nuvens é acolhida pela alta temporada das premiações e ganha um gás em sua campanha de divulgação. No caso de Os Descendentes chama a atenção em seus créditos o nome Alexander Payne, diretor e roteirista que ainda pode vir a ser conhecido como uma grife cinematográfica tal qual Woody Allen ou os irmãos Coen. Este profissional teve uma ascensão rápida na carreira, embora em pouco mais de uma década tenha se envolvido em apenas quatro projetos. Para ele vale mais qualidade que quantidade. Seu nome ganhou a atenção dos holofotes timidamente com a pequena projeção que tiveram A Eleição e As Confissões de Schmidt, mas ganhou brilho quando Sideways – Entre Umas e Outras conquistou indicações importantes para o Oscar, embora muitos considerem que os críticos ficaram embriagados com a tal viagem etílica proporcionada pelo cineasta. Na realidade, enquanto muitos quebram a cabeça buscando a fama através do emprego cada vez maior de tecnologias nas filmagens, Payne segue o caminho inverso. Minimalista e emotivo, histórias e personagens são suas matérias-primas, mas não é de se estranhar a quantidade de críticas negativas que este seu trabalho recebeu, pois o público depositou nele muitas expectativas por causa das premiações. Se fosse simplesmente vendido como um projeto independente sem o respaldo de indicações ao Oscar, Globo de Ouro e outros eventos renderia menos dinheiro e exposição na mídia, mas certamente  venderia o produto de uma maneira mais honesta e a reação do público poderia ser outra. Matt King (George Clooney) é um advogado que sempre se dedicou muito ao trabalho, vive no Havaí, é casado há muitos anos, tem duas filhas e possui uma conta bancária generosa, enfim a vida perfeita que qualquer um sonharia. Errado! Quando sua esposa Elizabeth (Patricia Hastie) sofre um grave acidente e fica em coma, King começa a ver que não sabia de tudo que se passava em seu próprio lar. Ao se dar conta que se dedicava demais ao trabalho e pouco à família, o que acabou o afastando das filhas Scottie (Amara Miller), a caçula que não anda se comportando bem na escola, e Alexandra (Shailene Woodley), a mais velha que recusa qualquer gesto de carinho ou preocupação do pai, King finalmente descobre o porquê dessa repulsa e da briga entre ela e a mãe que já durava alguns meses. A garota sabia que ela tinha um amante. Transtornado por saber que Elizabeth desejava o divórcio e que agora suas filhas dependiam unicamente do pai, o advogado resolve levar a vida adiante de forma digna, assim ele decide descobrir quem era seu rival ao mesmo tempo em que precisa lidar com as negociações envolvendo um terreno herdado de seus antepassados, uma tarefa que acaba o aproximando de seus primos que estão de olho no que podem faturar.

domingo, 11 de outubro de 2015

MAMÃE VIREI UM PEIXE

Nota  6,0 Com trama ágil e animação tradicional, longa é prejudicado por temática genérica

Espionagem industrial ou pura coincidência? O que acontece as vezes no mundo do cinema? É até bem comum que duas ou mais produções com temas semelhantes sejam lançadas praticamente de forma simultânea aproveitando-se de algum assunto em evidência na época, mas quando se fala em desenhos animados a possibilidade de oportunismo não é das mais críveis devido ao demorado processo de elaboração, por mais simplório que seja o projeto. Em meados da década de 2000, por exemplo, muitas animações inspiraram-se em temáticas envolvendo o fundo do mar e foram protagonizadas por simpáticos peixinhos e outros seres marinhos, sendo que Procurando Nemo deu o pontapé inicial nessa onda e tudo que veio depois foram tentativas falhas em sua maioria de tentar repetir o mesmo nível de repercussão e principalmente de sucesso financeiro. Contudo, Mamãe Virei um Peixe foi finalizado cerca de três anos antes do longa da Disney/Pixar, mas seu súbito lançamento no mercado brasileiro e em outros países (embora de forma bastante tímida) obviamente foi para aproveitar essa boa marola. Comparar as duas produções chega a ser covardia, ainda mais em tempos que a animação computadorizada é tão valorizada. Infelizmente só crianças bem pequenas ou adultos nostálgicos ainda encaram numa boa desenhos com traços tradicionais. Todavia, esta co-produção entre a Alemanha, a Dinamarca e a Irlanda tem os seus méritos mesmo não contando com tecnologia de ponta e tampouco piadas ácidas ou críticas. Entre eles destaca-se o cuidado em ser um produto essencialmente infantil, algo raro hoje em dia quando os produtores pensam muito mais em agradar marmanjos que as crianças propriamente. Na trama, a caminho de uma pescaria, o aventureiro Fly, sua pequena irmã Stella e o primo deles Chuck descobrem por acaso o laboratório de um aloprado cientista, o Professor MacKrill, que está desenvolvendo uma poção que transforma seres humanos em animais marinhos visando a sobrevivência deles no futuro quando o mundo todo poderá vir a ser coberto por água. A ideia é altruísta, mas em mãos erradas...

sábado, 10 de outubro de 2015

CAÇADOR DE RECOMPENSAS

 Nota 4,5 Longa se apoia no carisma dos protagonistas que não se esforçam a apresentar algo novo

Além de um final feliz garantido, qual o ingrediente básico de uma boa comédia romântica? Acertou quem respondeu um bom par de protagonistas, uma dupla afinada, bonita e carismática. Caçador de Recompensas tem esse trunfo na manga, mas não sabe muito bem como utilizá-lo. Milo Boyd (Gerard Butler) é o tal carinha do título, um ex-policial exonerado por conta de seus exageros com a bebida e que está devendo um fortuna para Irene (Cathy Moriarty), uma agenciadora de apostas que não pensa duas vezes antes de colocar seus capangas atrás dele. Seu atual trabalho implica um certo quê de malandragem, algo já implícito também em sua personalidade. Sua ex-mulher Nicole Hurley (Jennifer Aniston) não fica atrás, também é bastante astuta e está em plena ascensão como repórter investigativa. Separados por um casamento fracassado, quis o destino uni-los novamente em uma corrida típica de gato e rato. O rapaz recebe a tarefa aparentemente fácil de prendê-la acusada de não ter comparecido à audiência em que deveria se justificar no caso de um acidente de trânsito, porém, no momento a moça está atrás de pistas sobre um intricado caso de suicídio e fica na mira de Earl Mahler (Peter Greene), um perigoso bandido. Entenderam a brincadeira? Caçar a ex-esposa parecia um trabalho fácil e rápido, mas os dois também estão sendo caçados. O argumento sugere uma trama divertida e movimentada, mas a roteirista Sarah Thorp parece andar em círculos e não sair do lugar. Sem ter muita noção de qual foco seguir, a história alterna momentos de comédia pastelão, outros mais românticos e há espaço para o gênero policial com perseguições e ameaças. A inserção de cenas com mais adrenalina é uma tentativa de atrair o público masculino cansado dos velhos argumentos do gênero como a garota que se apaixona pelo namorado da melhor amiga ou a noiva que tem como confidente um gay espevitado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

ENCONTRO MARCADO

NOTA 8,0

A Morte faz um pacto para
experimentar os prazeres da
vida, mas não esperava
viver um grande amor
Quando surge um filme do tipo épico já é de se esperar que precisaremos reservar de duas até três horas para podermos acompanhar batalhas, romances, dramas e um pouco de História. O público sabe o que vai encontrar em produções do tipo e geralmente compra a ideia, mas o que esperar de um romance contemporâneo de três horas de duração? Sim, prender a atenção do espectador por todo esse tempo contando uma história de amor era o grande desafio do diretor Martin Brest quando assumiu as rédeas de Encontro Marcado, um trabalho marcante que hoje já é considerado um clássico do gênero. Na época Brad Pitt já enlouquecia as mulheres e seu nome atrelado a um projeto era o suficiente para atrair atenções, mas o efeito seria ainda maior somando ao talento e ao prestígio do veterano Anthony Hopkins, assim revivendo a dupla que já havia estrelado Lendas da Paixão anteriormente. Todavia, o projeto era de risco. Há muitos anos o cinema não via um filme romântico fazer fortuna. Ok, naquela época Titanic já contabilizava um polpudo caixa, mas tal produção contava com a ajuda de um mega transatlântico naufragando pouco a pouco com a ajuda de efeitos especiais de ponta, o que lhe garantiu um público extra. O estúdio Universal bancou a ideia de Brest e até aquele momento este era o filme romântico mais caro de todos os tempos. Bem, classificar como romance é questionável, pois a carga dramática da obra é de peso também. Vamos por partes.  Logo no início ouvimos a seguinte frase: fazer a jornada sem nunca ter amado profundamente é como não ter vivido. Tal pensamento é dito pelo empresário William Parrish (Hopkins) para sua filha Susan (Claire Forlani) que está prestes a realizar um casamento claramente infeliz. Pouco tempo depois, a jovem conhece em um café um rapaz recém-chegado a Nova York e parece que nasce um interesse mútuo, mas tudo não passa de um flerte. Após uma agradável conversa, eles se despedem e esse jovem acaba morrendo atropelado ao sair da cafeteria, mas ganha uma segunda chance de viver curiosamente através do espírito da própria Morte que passa a usar o corpo do falecido para se aproximar de Parrish que está prestes a comemorar 65 anos de idade.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

CARAMELO

NOTA 8,0

Longa aborda assuntos
do mundo feminino através
das histórias de um grupo
de mulheres do Líbano
Se o cinema europeu já não é muito bem aproveitado e apreciado fora de sua região, o que dizer de uma produção árabe? Bem, os brasileiros que gostam de filmes alternativos e ficam com os ânimos exaltados nas temporadas de prêmios sérios ou nas de festivais e mostras podem se dar por satisfeitos de felizmente algumas distribuidoras nacionais se preocuparem em trazer obras de diversas nacionalidades para cá. Hoje é possível encontrar sem muito esforço trabalhos de países famosos, como Espanha e França, e com um pouco mais de boa vontade e espírito curioso descobrir verdadeiros tesouros oriundos da Índia, Bósnia, Grécia, enfim, a produção cinematográfica dos quatro cantos do mundo pode ser conhecida por todos, ainda que em pequenas e espaçadas doses. O fato de vários países se unirem para realizar um mesmo trabalho também ajuda a aumentar a distribuição dos títulos como é o caso de Caramelo, uma co-produção da França com o Líbano. Este filme é uma agradável mistura de drama com boas doses de humor que convida o espectador a conhecer o cotidiano e a intimidade de um grupo de mulheres que trabalham ou frequentam um salão de beleza cuja especialidade é a depilação feita com uma velha receita oriental que leva água, açúcar e limão ao fogo até formar uma massa pegajosa, o que explica o curioso título. Em um bairro simples de Beirute, no Líbano, o salão de beleza Sibelle parece ser o local mais agitado do local. As funcionárias e algumas frequentadoras estão passando por momentos conturbados de suas vidas e precisam refletir para tomar as melhores decisões. Através de cinco mulheres, temos um painel social que revela preconceitos, tradições e convenções que regem suas vidas, mas no fundo todas elas desejam ser felizes. Layale (Nadine Labaki) comanda o salão, mas sua grande preocupação no momento é com o relacionamento que mantém com um homem casado que prometeu abandonar a esposa para ficar com ela. Nisrine (Yasmine Elmasri) é muçulmana e está prestes a se casar, mas não é mais virgem e está com medo da repulsa do noivo e sua família. Rima (Joanna Moukarzel) sente atração por mulheres e gosta de usar roupas mais masculinizadas, porém, reprime sua homossexualidade e só dá vazão aos seus sentimentos quando lava os cabelos das clientes, podendo acariciá-las superficialmente, mas o suficiente para se satisfazer. Uma das clientes mais assíduas é Jamale (Gisèle Aouad), uma atriz madura que nunca atingiu o estrelato e é obcecada pela ideia de se manter jovem.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

SOBRE MENINOS E LOBOS

NOTA 9,0

Clint Eastwood comanda
drama visceral que mexe com
o emocional através de diálogos
e interpretações impactantes
Um filme que trabalha com temas espinhosos como assassinato, pedofilia e traição e que deseja manter a tensão em alta do início ao fim precisa obrigatoriamente conter tiroteios, sangue, cenas fortes, muito palavrão e quem sabe até o ato corajoso de colocar um ator-mirim para dar mais credibilidade ao assunto do abuso sexual infantil. Bem, essa é a receita básica dos diretores que se aventuram no mundo do suspense, mas quem tem um currículo repleto de sucessos com certeza procura de todas as formas fugir do lugar comum e surpreender às avessas. É investindo em uma excepcional mescla dos gêneros drama e policial que Clint Eastwood construiu Sobre Meninos e Lobos, um filme capaz de deixar qualquer um com um nó na garganta sem precisar se chocar com imagens, mas sim embarcando em uma história forte e realista conduzida por um elenco competente. Lançado em uma época em que o cinema estava no auge da invasão de magos, duendes e outras criaturas fantásticas, obviamente este trabalho não fez fortuna e até hoje muitos não tiveram coragem em assisti-lo. Não é a toa que a carga pesada de sentimentos contida no enredo seja a grande marca desta obra, agindo de forma negativa e ao mesmo tempo positiva para a vida útil da mesma. De qualquer jeito, este é um daqueles títulos que ficam martelando em nossa cabeça até que arriscamos a sobreviver a esta imersão triste e angustiante proporcionada por um filme reflexivo e relativamente de difícil digestão.  A história começa em Boston, nos EUA, em meados dos anos 70 quando certo dia três crianças foram flagradas em meio a uma travessura por dois homens que se apresentaram como policiais. Um deles foi levado pela dupla sem que os outros interviessem por ele. O problema é que esse passeio forçado não era um castigo até que um dos responsáveis pelo garoto fosse buscá-lo, mas sim um sequestro no qual a vítima foi abusada sexualmente por vários dias. Cerca de três décadas mais tarde o destino acaba por unir os três jovens que agora são chefes de família e que há anos não mantinham contato próximo, apenas cumprimentos à distância. Katie (Emmy Rossum), a filha de Jimmy Markum (Sean Penn), está desaparecida e existem suspeitas de que ela pode ser a jovem encontrada morta em um barranco. Quem comanda as investigações é Sean Devine (Kevin Bacon), um dos meninos que escapou do abuso, que pouco a pouco chega a evidências que o levam a suspeitar do antigo amigo Dave Boyle (Tim Robbins), um homem amargurado que jamais se recuperou do trauma de infância. Portanto, mais um fato doloroso marcará a vida destes três homens que terão que enfrentar o passado para encarar o presente com maturidade, contudo, não é apenas Boyle que leva uma vida suspeita. Markum é um comerciante que tenta levar uma vida normal, mas tem um passado criminoso, ainda não está totalmente livre destas amarras e parece disposto a fazer justiça com as próprias mãos.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

REDENÇÃO (2009)

NOTA 6,0

Longa mostra como um ex
criminoso e drogado mudou
sua vida com a religião, mas
exagerou na dose de caridade
O título já diz tudo. Esta é mais uma história de uma pessoa que levava uma vida desregrada e que após se envolver com a religião passou a ver a vida com outros olhos e seu até então frio coração foi aquecido pelo sentimento da solidariedade e da justiça. Cada vez mais os filmes com temáticas religiosas aplicadas no cotidiano estão ganhando espaço no circuito comercial e chegando com mais facilidade aos “fiéis” que por sua vez tratam de fazer a propaganda boca-a-boca das produções assim aguçando a curiosidade de outros públicos. Se antes tais projetos eram restritos a profissionais pouco conhecidos ou até mesmo amadores, hoje eles já chamam a atenção de nomes de peso de Hollywood, como Gerard Butler que assume em Redenção o papel do ex-motoqueiro e traficante Sam Childers que se tornou um grande defensor das crianças do Sudão, inocentes obrigados a virarem soldados e cometerem atrocidades muito tempo antes de se tornarem homens. Conhecido como “pastor da metralhadora”, ele não pensa duas vezes antes de empunhar uma arma para defender seus ideais. O grande problema desta obra é não apresentar de forma convincente a mudança de perfil do protagonista de bad boy à herói. Childers levava uma vida criminosa e sem regras na Pensilvânia e passou muitos anos na cadeia. Quando volta à liberdade, a vida regada a sexo, drogas e crimes volta a tentar-lhe, mas sua família está a postos para ajudá-lo a mudar os rumos de seu futuro. Sua esposa Lynn (Michelle Monaghan), uma ex-dançarina de boates, o apresenta à religião e ele aceita se converter, decide levar uma vida longe de atos ilegais, consegue um trabalho honesto e até vende sua moto envenenada, tudo para ter mais qualidade e vida e viver em paz com a mulher e a filha, a jovem Paige (Madeline Carroll). Influenciado por um missionário, este novo homem acaba indo à África, mais precisamente em Uganda, como voluntário e sofre um violento choque de realidade que mexe completamente com sua vida. Ao se deparar com a brutalidade que impera na região do Sudão através dos atos cruéis de milícias que maltratam e exterminam a população, incluindo soldados obrigando uma criança a matar a própria mãe, ele passa a se dedicar à causa das crianças órfãs africanas, mas acaba por negligenciar sua própria família que fica esquecida no interior dos EUA. Em determinado momento, até o próprio “santo justiceiro” afasta-se de Deus e coloca seus ideais e objetivos em primeiro lugar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

AOS TREZE

NOTA 7,5

Longa mostra como uma má
companhia pode mudar a
drasticamente uma vida,
ainda mais na adolescência
A adolescência é um período da vida no qual qualquer ser humano está cheio de dúvidas e anseios e encontrar o equilíbrio entre o resquício da inocência da infância e a maturidade forçada por uma sociedade cada vez mais irracional é quase impossível. Aos olhos dos pais e protegidos dentro de seu lar, em geral, os filhos são vistos de forma positiva, a criança que cresceu bem educada e feliz, até porque a maioria já sabe usar muito bem os truques de personalidade para persuadir. Porém, quando estão fora de casa as regras são outras e os jovens gradativamente são levados a seguir caminhos torpes e como estão na idade de se auto-afirmarem como pessoas fazer parte de um grupo bacana na escola ou no bairro torna-se uma necessidade primordial. Ser você mesmo é descartável, o importante é parecer com a turma que escolheu fazer parte, o que implica certamente em mudanças de visual e de comportamento chegando inclusive a atos de extrema crueldade contra semelhantes ou a si próprios. De anjinho da mamãe à garota pervertida e problemática, a protagonista de Aos Treze mostra de forma realista e econômica o processo desta transformação, embora o roteiro seja baseado em episódios clichês já vistos em outras produções que lidam com temas parecidos. Tracey Freeland (Rachel Evan Wood) é uma adolescente aparentemente exemplar. Aos treze anos ela é excelente aluna, boa filha e ainda mantém ativo um irresistível jeitinho de criança, porém, ela já está se sentindo mal por ser esnobada na escola pelas garotas mais populares, aquelas que estão sempre na moda e chamam a atenção dos meninos. A chance de mudar esse quadro surge quando ela consegue se aproximar de Evie Zamora (Nikki Reed), o modelo de garota ideal que ela gostaria de seguir, mas o problema é que essa nova amizade não é uma boa companhia e assim Tracey acaba sendo pouco a pouco persuadida a se envolver com drogas, experimentar prazeres sexuais e até cometer pequenos crimes. As coisas complicam quando tais atos deixam de ser curiosidade e se tornam rotineiros desencadeando uma série de desentendimentos entre Tracey e sua mãe Melanie (Holly Hunter), ainda mais quando Evie tem a ideia de tentar morar na casa da nova amiga, claramente se aproveitando da relação em frangalhos que a jovem mantém com seus familiares.

domingo, 4 de outubro de 2015

UM CUPIDO CAIU DO CÉU

Nota 3,5 Um pato-cupido trata de aproximar casal em comédia romântica previsível, para variar 

Todos conhecem alguma história sobre o cupido, um anjo cuja origem se encontra na mitologia greco-romana e que pode se apresentar nas mais diversas formas com o intuito de unir casais, sendo a mais comum a imagem de uma criança de cabelos loiros cacheados, muito travessa e que pode voar livremente em busca de corações solitários que poderia atingir com suas flechas mágicas e assim aproximá-los. Contudo, tal entidade também pode vir a se materializar na figura de um adolescente ou idoso, desconhecido ou amigo, ser um vizinho, parente ou colega de trabalho, enfim, são inúmeras as possibilidades, até mesmo se apresentarem na forma de animais. No cinema já tivemos vários exemplos de relacionamentos que começaram com ajudinha de cães, como em Procura-se Um Amor Que Goste de Cachorros e Marley e Eu. Agora em Um Cupido Caiu do Céu quem assume o papel de casamenteiro é um pato! Algo incomum, mas as inovações do roteirista Nick Ward param por aí. Doug (Rhys Darby) acredita que leva uma vida perfeita até o dia em que seu mundo desaba ao levar um pé na bunda da namorada Susan (Faye Smythe), com quem ele mantinha um relacionamento estável já há alguns anos. Pouco tempo depois ele encontra um apoio para continuar vivendo da maneira mais inesperada possível. Ele se depara com um pato ferido no meio da rua e decide cuidar dele. Inicialmente sua ideia era apenas entregá-lo para um abrigo de animais, mas como nenhum lugar aceitou a ave ele acabou a adotando como bichinho de estimação. Pouco a pouco ele vai criando um vínculo de amizade com o pato, o qual batiza de Pierre, e isso lhe dá motivação para seguir sua vida e superar o fim de seu relacionamento. Nesta jornada de autodescobrimento, Doug conhece a veterinária Holly (Sally Hawkins) e vê a chance de dar novos rumos para sua vida.

sábado, 3 de outubro de 2015

CÓDIGO 46

Nota 6,0 Investindo na ficção científica e com roteiro cabeça, obra nos faz pensar sobre o futuro

No passado os filmes que focavam a possível realidade do futuro ou os avanços tecnológicos eram verdadeiros fetiches, até porque os efeitos especiais ainda estavam em plena fase de experimentações, portanto os filmes de ficção científica eram uma moda e tanto. Hoje o gênero já não tem o mesmo prestígio e facilmente é rotulado de filme B e desperta a desconfiança do público. Código 46, no entanto, foge a esse estereótipo, mas infelizmente não encontra seu público por mais que o tempo passe.  Esta é uma obra diferente em seu nicho, livre de naves espaciais, engenhocas mirabolantes ou heróis uniformizados. O viés da história é a investigação de temas mais humanos, um tanto perturbadores e reflexivos. A temática central é muito pertinente e trata sobre como as mudanças tecnológicas podem afetar as sociedades no futuro, algo que no presente já estamos tratando de abrir caminho graças ao consumo desenfreado e muitas vezes desnecessário de modernidades. O roteiro complexo criado por Frank Cottrell Boyce é um exemplo de bom aproveitamento do tempo disponível. Com duração de apenas uma hora e meia, talvez por questões financeiras ou na melhor das hipóteses por uma decisão bem pensada, o longa condensa muitas informações de forma sucinta e sem enrolações, uma tarefa difícil levando em consideração que as ações são concentradas em cima de dois personagens. Daqui a alguns anos (lembrando que o filme é de 2003), um governo totalitário monitora e controla a vida das pessoas na forma de uma grande corporação. O mundo está dividido em zonas e até a reprodução dos humanos é rigorosamente controlada para evitar os relacionamentos entre os seres com o mínimo de compatibilidade genética. Ninguém tem o direito de ir e vir de acordo com sua vontade. As viagens são restritas e só com um tipo de documentação específica é possível liberar o trânsito dos cidadãos. William Geld (Tim Robbins) é um investigador que vai até Xangai para resolver um caso de falsificação desses tais passaportes. Com o dom de ler o pensamento das pessoas, ele rapidamente descobre que a culpada é Maria Gonzáles (Samantha Morton), mas acaba se sentindo atraído por ela e decide acobertá-la. Há ainda mais agravantes nessa relação. Geld é casado e o seu DNA não bate com o de Maria, mas mesmo assim eles decidem viver esse romance.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

TERRA RASA

NOTA 0,5

Somente a sequência
inicial é digna de
elogios, o resto é enrolação
sem sentido e enfadonha
Quem nunca escolheu assistir a um filme simplesmente por se sentir atraído pelo pôster do cinema ou pela capa do DVD? Às vezes essa opção pode reservar uma excelente surpresa, mas é provável que o número de decepções seja bem maior. Quem curte filmes de terror deve se guiar muito mais pela arte publicitária de um longa do que pelo seu conteúdo, já que os enredos geralmente são repetitivos, mas os fãs do gênero gostam desses clichês e mesmo conseguindo prever o que vai acontecer a cada cena não resistem a dar uma espiadinha em qualquer produção do tipo. Terra Rasa é apenas mais um produto de horror feito para encher prateleiras de locadoras e embora seja desprovido de qualidades técnicas e de um bom roteiro até conseguiu um pequeno número de fãs. O longa não tem nem mesmo uma arte de capa chamativa, digamos que ela é apenas instigante e a única coisa que presta neste trabalho do diretor e roteirista canadense Sheldon Wilson cuja filmografia essencialmente calcada nos gêneros de suspense e terror possui trabalhos que só pelos títulos já dão arrepios de medo de assistir e se arrepender amargamente. A narrativa começa apresentando um rapaz (Rocky Marquette) coberto de sangue da cabeça aos pés que está vagando pela mata e observando de longe a movimentação de algumas pessoas que estão na região desativando um posto policial. Ele vai até o local e surpreende os tiras que ainda se encontram naquela base. Eles tentam descobrir quem é esse garoto e se o sangue que encobre seu corpo é dele mesmo ou se seria de algum animal ou até mesmo de um humano, visto que alguns estranhos desaparecimentos de pessoas estão ocorrendo por lá há cerca de um ano. O policial Jack Sheppard (Timothy V. Murphy) é uma das pessoas que ficam encarregadas de investigar este caso que une traços de realidade e de algo sobrenatural. Os exames de sangue feitos com o material colhido no corpo do estranho indicam células mortas de pessoas que estão desaparecidas há meses, mas ao mesmo tempo em que ele está detido outras mortes ocorrem nas redondezas. Haveria um serial killer por perto?

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...