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NOTA 7,0 Zac Efron busca provar que é bom ator investindo em drama com temática espírita para adolescentes |
Filmes que abordam o tema espiritismo geralmente pertencem aos gêneros de terror e suspense, mas parece que a onda dos dramas acerca dos mistérios do além ultrapassou as fronteiras brasileiras. As obras adaptadas ou sobre a vida do médium Chico Xavier viraram uma febre nacional, mas a relação entre vivos e mortos levada a sério ganhou caráter internacional e chegou até o público adolescente com A Morte e a Vida de Charlie tendo como garoto propaganda o ídolo teen Zac Efron. Ele vive Charlie, um jovem que sempre se deu muito bem com Sam (Charlie Tahan), seu irmão mais novo. Ambos compartilhavam a paixão pelos esportes e eram grandes amigos. Prestes a passar por mudanças em sua vida, Charlie firma um compromisso com o caçula da família: todos os dias no final da tarde eles iam se encontrar em uma clareira na floresta para treinarem beisebol. Porém, um trágico acidente de carro vitimou Sam e os separou fisicamente, mas não espiritualmente. A ligação entre eles é tão forte que ainda conseguem manter contato mesmo após o fatídico acidente sempre no mesmo local de encontro combinado ainda em vida. Charlie se sente responsável pela tragédia e tornou-se recluso, abandonando seu futuro para trabalhar no cemitério da pequena cidade. Ao reencontrar uma amiga do passado, Tess (Amanda Crew), ele sente uma forte atração por ela e sua vontade de viver ganha um impulso, mas a atenção que dispensa à garota desagrada o espírito do irmão que se sente então abandonado. Agora, Charlie precisa se decidir entre manter a promessa que fez ao seu grande parceiro de nunca mais o abandonar ou aproveitar a chance que ganhou do amor para dar um novo rumo para a sua vida. Porém, outra surpresa será reservada ao jovem pelo destino.

Até o momento em que o acidente com os irmãos ocorre a trama causa expectativas. Logo depois, a tendência é que a atenção disperse, pois o roteiro linear não abre brechas para surpresas, nem mesmo quando um segredo importante envolvendo o novo amor de Charlie é revelado. Aliás, é justamente no segundo ato que a produção desanda. As dúvidas do protagonista passam a cansar o espectador e o grande problema desta história é justamente não ter um clímax bem colocado. Chama a atenção também um erro grave de composição de personagem. Se Charlie passou cerca de cinco anos com depressão e abdicando de sua própria vida para cultivar lembranças e culpas, como ele pode estar fisicamente tão bem? Quem vive tal situação não liga para aparência, assim aparar os cabelos e se exercitar são coisas que não condizem com o perfil de um depressivo. Mudanças físicas são necessárias para compor tipos críveis e colaboram para o próprio ator ganhar um reconhecimento extra. Mesmo com alguns deslizes e roteiro pouco explorado, todavia, A Morte e a Vida de Charlie não é uma obra ruim, longe disso. Simplesmente ela é correta e está no patamar dos produtos aceitáveis, ou seja, é mais uma entre milhares. Infelizmente, os veteranos Ray Liotta e Kim Basinger fazem apenas pontas de luxo, mas se tivessem a participação ampliada poderiam acrescentar uma carga dramática maior à história. Provável que não seja lembrado futuramente pelo título que faz uma alusão ao estado de espírito do protagonista em fases distintas de sua existência, mas fique conhecido como o "drama do carinha do High School Musical". De qualquer maneira, uma diversão de bom gosto e com um algo a mais para platéias que ainda estão vivendo a transição entre a fase infantil e a adolescência, mas nada prejudicial aos adultos.
Drama - 99 min - 2010
2 comentários:
Discordo......acho uma obra ruim sim.
Roteiro previsível e atuações abaixo de qualquer média.
Mas, gosto pessoal.
Então Renato, eu escrevi que o filme não é ruim vendo pelo lado do seu público alvo, ou seja, as platéias que buscam apenas se distrair, mas obviamente é ruim vendo com olhos mais críticos, pois realmente não inova, não surpreende... Simplesmente, mais do mesmo.
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