terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

LETRA E MÚSICA

NOTA 8,0

Comédia romântica segue
cartilha do gênero a risca,
mas se destaca ao criticar
de leve o mundo da música 
Cinema e música fazem um casamento perfeito e ambas as manifestações culturais já tiraram bons proveitos desta união, como fica comprovado em Letra e Música, uma deliciosa comédia romântica que apesar de ser contemporânea (lembrando que o filme é de 2007) resgata muito da ingenuidade e da badalação dos anos 80, época em que os bailinhos dos jovens bombavam com canções agitadas ou românticas nas vozes de garotos de vinte e poucos anos que vendiam milhões de discos e suas fotos eram acessórios obrigatórios no quarto de qualquer garota descolada. Quem tem ao menos uma pequena noção de como foi aquela época certamente se sentirá fisgado a acompanhar este filme só de ver os primeiros minutos. A introdução não poderia ser mais criativa. Uma melodia pegajosa embala o videoclipe de uma “boy band” chamada POP. Pode soar como um nome nada original, mas é usado em tom de ironia. Esses rapazes fizeram sucesso no passado fazendo caras e bocas para conquistar as menininhas e seus passinhos de dança, figurinos e cortes de cabelo marcaram época. O clipe reúne todos os elementos característicos do período no que diz respeito ao mundo da música e da TV ou, em outras palavras, como a MTV ditava a moda aos adolescentes já naqueles tempos. O tempo passou, a tal bandinha teen deixou de ser popular, terminou desgastada, seus integrantes envelheceram e cada um seguiu seu próprio caminho. Alex Fletcher (Hugh Grant) continuou investindo no mundo da música, ainda que se apresentando para pequenas platéias em parques e feiras de todos os tipos, mas longe dos palcos das grandes casa de shows. Mesmo assim ele foi convidado para escrever uma nova canção e gravá-la junto com um dos maiores fenômenos midiático dos anos 2000, Cora Corman (Haley Bennett). Porém, ele não compõe há anos, sente-se despreparado e está desesperado, pois não pode perder a chance de voltar à mídia em grande estilo. Quem pode salvá-lo é Sophie Fisher (Drew Barrymore), ironicamente a simples  jovem que cuida das plantas do ex-astro. Estudante de Letras, ela é ótima para se comunicar, tem boas idéias, mas é desiludida no amor, os ingredientes perfeitos para uma boa compositora escrever uma canção que envolva o público. 

Fletcher e Sophie ficam cada vez mais próximos graças a esse trabalho, tornando realidade o amor entre uma fã e seu ídolo, ainda que no caso não exista demonstração de paixão exagerada afinal o rapaz já não é mais um cantor famoso, embora se ache a cereja do bolo, e ela já não acredita mais em príncipe encantado, o que nos leva a crer ainda mais que tal relação tem futuro. O diretor e roteirista Marc Lawrence, autor dos simpáticos enredos de Amor à Segunda Vista e Miss Simpatia, tem experiência no gênero e deixa claro que só quis flertar com a inovação, mas seu objetivo principal era entregar uma comédia romântica clássica do tipo que nos faz rir de piadas inocentes e a torcer pelo casal de protagonistas, não faltando nem mesmo uma briguinha entre eles para dar um pico dramático à trama, concluindo a produção com um final açucarado. No caso, não temos apenas doce para saborearmos, mas também leves e contundentes críticas ao mundo da música de hoje em dia. Ok, o filme já tem um tempinho de estrada, mas ainda vivemos em plena era da banalização musical em um mesmo nível, isso se não decaímos ainda mais. Tais alfinetadas ficam a cargo das cenas da personagem Cora Corman, uma mistura do que há de pior em Beyoncé, Shakira, Britney Spears e companhia bela, cenas que deixam explícito que uma imagem sedutora vale mais que mil palavras ou mil notas musicais. Essa parte mais crítica acaba sendo dissolvida no enredo, até porque a intérprete dessa “diva teen” não é muito esforçada. Aliás, depois deste filme será que ela fez algum outro? O tempo nos mostra que se seguiu carreira foi fazendo pontas usando sua apenas sua chamativa figura. Aliás, imagem não é o único cartão de visitas desta produção. A música é sem dúvida um elemento importante neste longa recheado de baladinhas agradáveis, mas é certo que o clipe-paródia da introdução é que deve grudar que nem chiclete em nossa memória. Fora os momentos musicais, o resto da narrativa segura seus inúmeros clichês graças a atuação de seus protagonistas, uma dupla já diplomada em comédias românticas.
Grant mais uma vez encarna o homem que se esqueceu de crescer, o tipo imaturo que adora fazer piadas depreciativas sobre si mesmo, o que não deixa de ser uma boa arma para conquistar corações. Sua química com Drew é perfeita e irresistível. Ao contrário de seu companheiro de trabalho que parece seguir a carreira com um personagem padronizado, não que isso o atrapalhe, ela parece ter mais desenvoltura para dar uma cara nova para cada mocinha romântica que interpreta. Não é necessariamente uma mudança de visual, o que certamente ajuda a compor novos perfis, mas com pequenas alterações comportamentais e trejeitos ela consegue sempre se renovar, ainda que neste caso sua personagem seja um tanto rasa em comparação ao seu par. Protagonista de mais de uma dezena de comédias, Drew aqui aparece como uma jovem paranóica e com constantes tiques nervosos. Vale também uma ressalva aos trabalhos de Brad Garrett e Kristen Johnston, respectivamente o agente de Fletcher e a irmã de Sophie, coadjuvantes que conquistam seu espaço para brilhar. Seguindo o esquema de qualquer comédia romântica, Letra e Música tem o mérito de prender o espectador com diálogos inteligentes que alternam romantismo e ironia, ainda que o ritmo narrativo caia consideravelmente quando a tal canção que eles escrevem é finalizada e outros conflitos são inseridos para rechear o filme que se beneficiaria com alguns minutos a menos. Não é uma obra para gargalhar, mas sim para deixar quem assiste com um sorriso constante no rosto. Lawrence acerta ao resgatar o clima oitentista de clássicos no melhor estilo sessão da tarde assim diferenciando seu trabalho no marasmo que o gênero se encontrava e ainda se encontra. Mesmo sem contar com um elemento surpresa ou uma grande virada de trama, só o fato de evitar piadas apelativas já faz valer a pena gastar alguns minutos do seu dia com este filme. Programa obrigatório para os antigos fãs da MTV e do grupo New Kids on The Block. Nunca ouviu falar dessa banda? Não faz mal, você irá se divertir do mesmo jeito.

Comédia romântica - 96 min - 2007 

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