quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

DO FUNDO DO MAR

NOTA 3,0

Tubarões assassinos caçam
humanos em uma estação de
pesquisas em produção com um pé
no cinema trash, mas fora de época
Na década de 1970 eram muito populares os filmes-catástrofes, produções cujo mote principal são tragédias como naufrágios, terremotos ou acidentes de aviões, por exemplo, mas Steven Spielberg, sempre à frente do seu tempo, com seu clássico Tubarão já antecipava uma tendência dos anos seguintes. As fitas estreladas por animais assassinos ou geneticamente modificados nem sempre encontravam espaço nas salas de cinema, mas bombavam nas videolocadoras, inclusive com muitos lançamentos do tipo exclusivos para abastecer tal mercado que faturou horrores com fitas trash. O VHS do híbrido de aventura e suspense Do Fundo do Mar certamente não iria parar nas prateleiras das lojas, porém, foi produzido tardiamente, às vésperas da virada para o novo século e milênio. Filme certo na hora errada. Se fosse contemporâneo à onda de aranhas, cobras, crocodilos e outras tantas fitas que exploravam ao máximo aberrações da natureza ou o instinto selvagem de animais alterados em laboratórios, o trabalho do diretor Renny Harlin até que poderia ter alcançado certa repercussão e lucros. No entanto, em 1999, ano em que blockbusters calcados em efeitos especiais de ponta como Matrix, A Múmia e o retorno da saga Star Wars bateram recordes de bilheteria, quem se interessaria por uma história de tubarões superdesenvolvidos e assassinos? Os roteiristas Donna e Wayne Powers, em parceria com Duncan Kennedy, acreditaram que haveria público para tal filão e criaram uma trama bastante sufocante tendo como cenário principal uma estação submarina de pesquisas genéticas. Chefiada pela doutora Susan McAlister (Saffron Burrows), a equipe se empenhava no desenvolvimento de uma terapia para a cura do Mal de Alzheimer. A pesquisa visava ampliar a capacidade cerebral de tubarões através de intervenções da engenharia genética e o tecido encefálico alterado seria utilizado na criação de uma fórmula neuro-estimulante capaz de diminuir os efeitos da doença em humanos em estágio avançado de degeneração, como o próprio pai de Susan, esta que obviamente deseja mais que o reconhecimento profissional. O gancho do ser humano brincando de Deus manipulando a natureza também nos remete ao tema de central de outro clássico de Spielberg, Parque dos Dinossauros... Obviamente guardadas as devidas proporções.

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