terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

PSICOSE (1998)

NOTA 8,5

Refilmagem de clássico suspense
segue a risca o original, mas lhe falta
aura de mistério e personalidade, 

ainda que seja uma opção acima da média
Por que refazer um filme considerado perfeito? Em contrapartida, a reposta pode ser e por que não fazer? Pois é justamente essa indagação que o cineasta Gus Van Sant assumidamente ofereceu como justificativa para milhares de pessoas que não viam razão para um remake de Psicose, um clássico por acaso do cultuado Alfred Hitchcock. A obra original foi concebida apenas para cumprir um contrato do diretor com a Paramount antes de seu desligamento e por isso ele não queria perder tempo e nem dinheiro e trabalhou em cima de um projeto pequeno que quis o destino que se tornasse uma de suas maiores obras. A legião de fãs, que só veio a somar adeptos com o passar dos anos, torceu o nariz logo que as primeiras informações sobre a refilmagem começaram a pipocar. Reinventar uma obra do mestre do terror seria como resgatar para a modernidade um dos trabalhos de Charles Chaplin, ou seja, invariavelmente iria se perder alguma coisa pelo caminho para atender as novas exigências do mercado. Contudo, Sant colocou sua cara a tapa e com o respaldo do sucesso inesperado de Gênio Indomável entre plateias adolescentes, adultas e até com os críticos conseguiu finalmente realizar um de seus maiores sonhos e não causou a decepção esperada, pois fez praticamente uma réplica copiando fotograma por fotograma com atenção especial para reproduzir cenários, diálogos e até repetir as características físicas dos personagens, isso sem se esquecer de utilizar a clássica e marcante trilha sonora que de tão difundida já foi utilizada até em sátiras de filmes de terror e em publicidade para vender mata insetos, o que não deixa de ser um ultraje afinal não é uma melodia qualquer, foi composta para o filme de um cineasta de peso. Bem, como dizia Sant em 1998, muita gente hoje em dia sequer sabe do que se trata esta obra e como o público está sempre se renovando vamos ao enredo baseado nos escritos originais de Joseph Stefano. Em Phoenix, no Arizona, Marion Crane (Anne Heche) é uma infeliz secretária de uma imobiliária que tem raros momentos de felicidade ao lado do namorado Sam Loomis (Viggo Mortensen), dono de uma loja de bugigangas, assim o futuro não lhe parece muito promissor. Certo dia, em uma sexta-feira, seu patrão lhe confia a exorbitante quantia de 400 mil dólares para ser levada ao banco. A tentação é maior e a moça decide roubar o dinheiro e fugir da cidade. Na segunda-feira, quando descobrissem o roubo, ela já estaria longe e só então se comunicaria com o namorado para marcar um ponto de encontro e enfim conseguirem construir uma vida juntos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

DESEJOS E TRAIÇÕES

NOTA 6,5

Reencontro de irmãos é um
prato cheio para explorar, mas
longa perde bons ganchos adotando
estrutura teatral que engessa a obra
Roteiros com temáticas que abordam famílias problemáticas são as matérias-primas preferidas dos cineastas independentes que encontram neles possibilidades de trabalharem com questões psicológicas ou simples fatos cotidianos sem a necessidade de se preocupar em criar finais apoteóticos ou situações impactantes. Quem curte esse tipo de produção já sabe o que vai encontrar. Geralmente são obras que deixam pontas soltas para instigar o espectador a refletir sobre os assuntos propostos, mas nem sempre eles acertam em cheio o seu emocional. Por exemplo, talvez quem é filho único e viveu cercado de mimos não se envolva com os conflitos apresentados em Desejos e Traições, drama basicamente estruturado na reunião de quatro irmãos que quando adultos veem a necessidade de tentar resolver assuntos do passado a partir de situações do presente que os colocam a debater ideias, comportamentos e sonhos desfeitos. O roteiro de Richard Alfieri baseia-se em uma peça de sua própria autoria, “The Sisters”, e tem como ponto de partida uma festa surpresa para Irene (Erika Christensen), a caçula da família Prior cuja trajetória gira em torno de uma conceituada universidade na qual o chefe do clã era um dos mais importantes professores que já passaram por lá e seu legado é levado adiante por alguns de seus alunos e admiradores. Mesmo já falecido a algum tempo, seus filhos tocaram suas vidas também mantendo ligações estreitas com a faculdade, todos se formaram lá em profissões distintas, assim os festejos do aniversário da moça irão acontecer em uma das salas da instituição, mas o ponto ápice da festa acontece antes mesmo de Irene chegar. Suas irmãs mais velhas não perdem a oportunidade de discutirem. Olga (Mary Stuart Masterson) é mais séria, solteira e assumiu um papel masculino na família após a morte do pai. Já Marcia (Maria Bello) é extrovertida, casada com o psicólogo Harry Glass (Steven Culp), também ex-aluno da universidade, mas tem o grave defeito de falar o que lhe vem a cabeça sem pensar nas consequências, assim vive trocando farpas com Olga, mas com a caçula estranhamente adotou uma postura protetora, assim Irene cresceu educada por falsos valores moralistas que acreditava serem herança da educação que o pai deixou aos outros filhos já que ela era muito novinha quando ele veio a falecer. Veremos mais a frente que o passado desta família tem seus segredos obscuros.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

VIVENDO NA ETERNIDADE

Nota 7,0 Apesar de curto e sem grande profundidade, drama cativa com sua pureza e belo visual

Quem nunca imaginou viver para sempre e o melhor sem envelhecer? A busca pela receita da juventude eterna é uma grande fonte de inspiração para cineastas e é óbvio que uma temática tão fantasiosa não podia faltar no catálogo dos estúdios Disney, ainda que descartados em partes os aspectos negativos de tal devaneio. Não é só a madrasta da Branca de Neve ou a mãe postiça de Rapunzel que já buscaram esse milagre da vida nos filmes da empresa. Com atores de carne e osso, Vivendo na Eternidade é um adocicado drama típico para uma sessão em família a tarde e apesar da simplicidade do texto chama a atenção pelo seu visual bucólico e nomes consagrados que atraiu para seu elenco. Baseado no livro de Natalie Babbitt, a trama roteirizada por Jeffrey Lieber e James V. Hart tem como ponto de partida as memórias da juventude de Winnie Foster (Alexis Bledel) narradas em off. Ela relembra o tempo que conviveu com uma família completamente diferente da sua, pessoas para quem o passar do tempo literalmente demorava toda a eternidade. A garota vivia em um casarão requintado e levava um cotidiano um tanto formal, mas seus pais (Victor Gaber e Amy Irving) ainda assim queriam mandá-la para um colégio interno distante onde teria uma educação ainda mais rígida, porém, tudo o que ela mais desejava era descobrir o mundo ao seu redor, principalmente visitar as terras de um bosque próximo cujas terras pertencem à sua família. Certo dia ela toma coragem e vai escondida até a floresta e conhece Jesse Tuck (Jonathan Jackson) que parece afoito, diz que ela não deveria estar lá e muito menos tocar na água do riacho que estaria contaminada. É óbvio que Winnie não está disposta a obedecer as ordens de um desconhecido e quando está prestes a se aproximar da água é capturada por Miles (Scott Bairstow), irmão de Jesse. Eles a levam para a casa dos Tucks onde a jovem é bem recepcionada pela mãe dos rapazes, Mae (Sissy Spacek), que diz que ela voltará para sua família assim que possível. Angus (William Hurt), o patriarca, também a recebe bem, mas em suas falas deixa no ar que existe algo muito estranho com essa família, como se sua existência no meio da mata fosse desconhecida por todos na região e assim deveria permanecer.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

O VIZINHO PERFEITO

Nota 6,0 Dentro de suas limitações, suspense entretém mesmo com toda a sua previsibilidade

Não cobiçarás a mulher do próximo. Esse é um mandamento bastante conhecido, mas que há muitos anos precisa andar acompanhado de sua variação: não cobiçarás o homem de tua semelhante. Embora a frase original coloque o homem na posição de traidor, o que tem de histórias por aí a respeito de mulheres de olho do marido alheio é impressionante. O pior é quando não é só o amor que está em jogo, mas também uma polpuda conta bancária, o sentimento de superioridade, padrão social... É por esse viés que a trama de O Vizinho Perfeito se desenrola, suspense com todas as características típicas de um telefilme, mas que consegue entreter e não constrange o espectador, mesmo com toda a previsibilidade do roteiro de Richard Dana Smith. O filme começa com Donna Germaine (Barbara Niven) viajando de ônibus até a casa de sua tia Grace (Linda Darlow), a quem não via a cerca de vinte anos. Recentemente ela foi abandonada pelo marido que a traía e como desgraça pouca é bobagem ela ainda perdeu seu emprego e estava cheia de dívidas. Mesmo baqueada por todos esses acontecimentos, ela chega à casa da tia toda sorridente e prestativa, no melhor estilo falsa fofa como popularmente são chamadas as mulheres que parecem uns amores, mas no fundo fazem tudo com segundas intenções e chegam até a atos criminosos para conseguirem o que querem. Obviamente, casos extremos não são apenas frutos de má índole, mas também estão ligados a problemas psicológicos e emocionais e o diretor Douglas Jackson não faz questão alguma de esconder que Donna é desequilibrada deixando pequenas pistas logo nos primeiros minutos de projeção.  Ela logo conhece suas novas vizinhas, a pequena Trish (Lila Bata-Walsh) e sua mãe Jeannie (Susan Blakely), que formam uma família feliz com William Costigan (Perry King), o alto executivo de uma emissora de TV. Anualmente esta família oferece uma aguardada festa para a comunidade e Donna obviamente é convidada e comparece disposta a distribuir sorrisos e beijinhos, mas por trás de seus olhinhos brilhantes ela é corroída por um incontrolável ciúme. Automaticamente ela decide conquistar William para destruir uma família feliz, afinal se ela não pôde ter uma por que deixar os outros terem?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O RETRATO DE DORIAN GRAY (2009)

NOTA 7,0

Baseado em romance clássico,
longa deixa de lado o espírito
da obra original para investir em
suspense para atrair plateias jovens
O sonho da eterna juventude é uma utopia que atravessa séculos despertando discussões e fantasias, tanto que é um argumento comumente utilizado no campo artístico-cultural, tendo inspirado desde as artes plásticas até o cinema, passando obviamente pela literatura e o teatro. O problema é que todos pensam nos aspectos positivos de ser jovem para sempre, mas poucos refletem a respeito das consequências negativas e do que é preciso compactuar ou abrir mão para ter tal dádiva. É esse olhar que temos em O Retrato de Dorian Gray, suspense de época baseado no romance homônimo do dramaturgo irlandês Oscar Wilde, famoso por contos que revelam lados sórdidos ou que criticam de forma bem humorada a burguesia de sua época. Aqui ele deixa os sarcasmos de lado para abordar de forma mais aterrorizante e dramática o culto a beleza. Ele teria profanado o pensamento de que todo autor em seu primeiro romance acaba se colocando como Cristo ou Fausto no lugar do personagem. Neste caso ele optou pela segunda opção. Adaptado até para humorísticos de televisão, todos já tiveram contato de alguma forma com a história do homem que vendeu sua alma ao Diabo em troca de reconquistar sua juventude para ganhar o amor de uma mulher. Aqui temos mais uma releitura deste argumento. O roteiro, assinado pelo estreante Toby Finlay, se passa na lúgubre Londres do século 19 e gira em torno de Dorian Gray (Ben Barnes), rapaz que herdou os bens e fortuna de um parente e agora quer se adaptar ao estilo de vida da alta sociedade inglesa. Logo em seu primeiro evento social, ele faz amizade com Basil Hallward (Ben Chaplin), um pintor que fica tão impressionado com os traços perfeitos do jovem que pede para ele posar para um de seus quadros. Estarrecido com a sua própria beleza na tela, Gray não resiste a força persuasiva de Lorde Henry Wotton (Colin Firth), um sujeito de caráter duvidoso e comportamento estranho que seduz o novo amigo a viver em busca da beleza eterna e do prazer sem limites. Tal convivência acaba levando-o a se afastar dos planos de constituir uma família e certo dia ele questiona se não haveria a possibilidade de trocar sua alma em troca da manutenção de sua juventude e beleza intactas para sempre. O pedido é aceito e o passar dos anos são sentidos por sua imagem no quadro que pouco a pouco vai absorvendo as marcas de expressões e até os ferimentos conquistados pelo rapaz que se aventura em orgias sexuais regadas a bebedeiras e com direito a masoquismo, afinal sofresse o que for sua pele sempre era regenerada e voltava à perfeição. Tais cenas não chegam a chocar, mas seria de bom tom apenas sugestioná-las.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ADORAÇÃO

NOTA 6,0

Proposta relativamente simples de
discutir o terrorismo através de um
drama familiar acaba tornando-se
complexa pelos exageros do diretor
Estranho, tedioso, vazio ou confuso. Realmente quem assistir uma única vez o filme Adoração não terá muito subsídios para rotular este drama de forma positiva. O público em geral nem deve se interessar pela temática, até porque não há atores renomados no elenco. No entanto os cinéfilos e adeptos de cinema alternativo devem ficar tentados a realizar um repeteco para avaliar melhor a produção já que o diretor e roteirista é Atom Egoyan, famoso nos anos 90 por Exótica e O Doce Amanhã. Natural do Egito, este profissional radicado no Canadá vem construindo uma carreira relativamente de sucesso e a maioria de suas obras trazem uma espécie de assinatura através de elementos em comum: a atmosfera introspectiva para contar histórias que procuram traçar paralelos entre tragédias coletivas e dramas particulares, tramas que irremediavelmente exigem atenção redobrada do espectador. É uma pena que até uma segunda avaliação neste caso não deve trazer um saldo muito positivo. A melhor forma de se julgar um filme é tentando recontar em detalhes sua trama. Quando não é fácil fazer isso significa que o filme tem problemas ou não te envolveu satisfatoriamente. As duas opções justificam as dificuldades para escrever uma crítica a respeito deste trabalho de Egoyam. Ao mesmo tempo em que tem muito conteúdo a oferecer, faz isso de forma que no fundo parece não ter nada a dizer, apenas alimentar o ego de deslumbrados cinéfilos que acreditam que mencionar que viu o filme de um cineasta renomado ou participante de festivais possa rotulá-los como mentes privilegiadas. A obra em questão não foge a regra do manual de trabalho de Egoyan e conta uma história sobre intolerância a cultura muçulmana atrelada a um problema familiar, todavia, o que fica mais em evidência é discutir os limites entre a realidade e a ficção, principalmente em tempos de tecnologia comandando os rumos e a velocidade da comunicação.  Simon (Devon Bostick) é um jovem estudante que lê para seus colegas de classe uma redação na qual aborda um assunto relacionado ao passado de seus pais, algo envolvendo um ato terrorista. A atividade fazia parte da aula de francês de Sabine (Arsinée Khanjian), uma libanesa que também é professora de teatro e que contou a tal história primeiro com o intuito dos alunos a reescreverem com as suas próprias palavras. Há cerca de 18 anos atrás um árabe teria usado a própria esposa grávida em um plano para explodir um avião que seguia para Israel, porém, o artefato não chegou a funcionar e o bebê nasceu.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A COR DE UM CRIME

NOTA 5,0

Suspense começa intrigante,
mas logo se torna previsível e
desperdiça um bom pano de fundo a
ser discutido: o preconceito racial
Todo mundo sabe que o racismo é um problema social universal, mas chama a atenção que em alguns países chegam a existir bairros exclusivamente habitados por negros e os papéis se invertem. Uma pessoa branca nos arredores é sinal de encrenca. É essa guerra travada entre humanos que se distinguem pela cor da pele e que são separados geograficamente por algum elemento urbano, tal qual um muro ou uma linha de trem, o grande foco de discussão do suspense A Cor de um Crime. Ou melhor, deveria ser. A trama começa em uma noite qualquer do mês de maio em 1999 e tem como palco principal o residencial Armstrong localizado em um subúrbio de Nova Jersey nos EUA. Brenda Martin (Julianne Moore) chega ao hospital com as mãos ensanguentadas e desesperada, é atendida pela equipe médica, mas ainda está em estado de choque quando recebe a visita do detetive Lorenzo Council (Samuel L. Jackson) a quem passa a relatar o que lhe aconteceu. Ela afirma que estava nos arredores do tal condomínio quando foi surpreendida por um homem negro que a arrastou violentamente para fora do carro e levou o veículo. Ela não chegou a ser estuprada e nem teve outros pertences roubados, assim o investigador fica desconfiado do porquê de tanto desespero, ainda mais por ela fazer questão de que um detetive de sua confiança seja chamado para tratar do caso. Council conhece bem os moradores e os problemas do bairro, é visto como uma espécie de autoridade a qual a maioria respeita e pede auxílio quando necessário, e sabe que um caso desses pode trazer a tona sérios problemas relacionados ao preconceito racial, mas não tem como tentar fugir da raia quando algumas horas depois da primeira conversa Brenda revela que sua preocupação pelo roubo do carro é porque seu filho Cody de apenas seis anos estava no banco traseiro. A situação fica ainda mais complicada porque a pessoa que ela deseja que leve adiante as investigações é seu próprio irmão, Danny Martin (Ron Eldard), um policial metido a valentão que vê o caso como uma afronta pessoal e consegue criar um cerco em torno de Armstrong de forma que os moradores ficam com restrições para entrar e sair do local enquanto o sobrinho não fosse encontrado. É óbvio que os habitantes se revoltam e encaram a decisão não como uma precaução, mas sim como uma atitude preconceituosa.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

SAHARA (2005)

NOTA 5,0

Muito extenso e pretensioso,
filme não cumpre sua promessa
de ser uma super aventura, mas
quebra o galho como passatempo
O título nos lembra a deserto, que nos remete a aventura e que por sua vez evoca diversão. Matthew McConaughey, Penélope Cruz (antes de serem premiados e fazerem parte do alto escalão de Hollywood) e Steve Zahn, aquele cara que já fez vários filmes, mas é um eterno ilustre desconhecido, encabeçam o elenco de uma produção que tinha tudo para ser um legítimo representante do estilo sessão da tarde, porém, peca em um requisito básico: ser envolvente. Um filme-pipoca não precisa ser necessariamente calcado no humor ou na aventura, mas quando até seu material publicitário vende esse peixe é preciso no mínimo honrar o compromisso. Eis o problema. Quem se prepara para ver Sahara imbuído do sentimento nostálgico das antigas aventuras no deserto deve se decepcionar. A trama nos apresenta ao explorador e caçador de tesouros Dirk Pitt (McConaughey) e ao sue fiel companheiro de aventuras Al Giordino (Zahn) que após encontrarem uma moeda mitológica começam uma obcecada busca por um encouraçado dos tempos da Guerra Civil norte-americana que naufragou na perigosa região do Oeste Africano. Conhecido pelos nativos sugestivamente como Navio da Morte, a embarcação estaria em Mali, mais precisamente nos arredores do deserto do Saara. A dupla, obviamente de perfis opostos, um é bonitão e metido a valente enquanto o outro é o engraçadinho e desengonçado, trabalham para o almirante Jim Sandecker (William H. Macy) que os apoia reticente nessa empreitada, mas quis o destino que cruzasse os seus caminhos a doutora Eva Rojas (Cruz), uma bela pesquisadora que está estudando a origem de uma estranha epidemia que está se alastrando pelo continente africano. Claro que a origem deste mal estaria em Mali e com ligações com o tal navio misterioso, no entanto, o ditador local, o General Kazim (Lennie James), não quer que a notícia se espalhe e prontamente recruta soldados para impedir a cientista. Ganha um doce quem descobrir quem a salvará. O pior é que a previsibilidade não se reserva apenas ao final, mas toda a narrativa é certinha demais, tudo se encaixa perfeitamente. Quando duas pessoas com objetivos opostos, mas com interesses de ir a um mesmo local, coincidentemente iriam se encontrar em um momento oportuno e em pleno oceano? Em nome da diversão, acatamos as soluções esquemáticas. Sem elas não teria filme, não é?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A OUTRA FACE DA RAIVA

NOTA 7,0

Talento e carisma do elenco são
essenciais para prender atenção em

filme que mescla drama e humor para
contar história simples, mas envolvente
É repetitivo dizer que devemos encarar nossos erros e frustrações tentando tirar algum saldo positivo, aquele velho ditado que diz que o não te mata te fortalece. Isso é o que as pessoas mais velhas sabiamente chamam de experiência de vida, mas a maioria não se dá conta que as decepções e até mesmo os momentos de triunfo não influem em nossas vidas apenas no futuro, mas atuam diariamente na construção do caráter e personalidade de todo ser humano. Às vezes é preciso que filmes como A Outra Face da Raiva nos lembre ou nos faça tomar consciência disso, um bom exemplo que se encaixa na linha de obras que abordam problemas familiares ou a volta por cima de um desacreditado. O filme dirigido e roteirizado por Mike Binder tem uma introdução que atrelada à narração em off já deixa o final revelado para quem tem um mínimo de cultura cinematográfica, mas o segredo da produção é cativar o espectador para convidá-lo a vivenciar os fatos que culminaram nesta cena. Três anos antes do funeral do patriarca dos Wolfmeyer, sua esposa Terry (Joan Allen) mudou seu comportamento radicalmente. Antes considerada a pessoa mais doce do mundo por suas filhas, ela tornou-se uma mulher triste e amarga desde que descobriu que o marido a traía com a secretária, mas piorou muito depois que foi abandonada repentinamente por ele. Sempre em posição defensiva, ela sabe que agora terá o difícil desafio de criar suas quatro filhas, embora já sejam bem crescidinhas, mas cada uma com seus problemas particulares a resolver. A narradora da história é Popeye (Evan Rachel Wood), a mais jovem e a que parece se compadecer mais com a situação da mãe, porém, fica perturbada quando se apaixona por um colega de escola mesmo tendo dúvidas sobre sua sexualidade; Hadley (Alicia Witt) é a mais velha e embora não more mais com a família culpa Terry pela fuga do pai, ainda mais agora que está com os hormônios a flor da pele devido a uma gravidez inesperada; Emily (Keri Russell) sonha em ser bailarina, mas seu futuro pode estar comprometido por conta de uma grave doença; e, por fim, Andy (Erika Christensen) deseja ser jornalista e acaba se envolvendo com seu patrão alguns anos mais velho. Para aguentar tantos problemas, Terry acaba se entregando ao vício do alcoolismo que a leva a se tornar uma pessoa sempre a beira de um ataque de nervos e desleixada.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

ONDE NASCE O AMOR

Nota 6,0 Embora agradável, novas gerações podem não se envolver com este estilo de romance

Romances em que o amor fica em segundo plano e o sexo está em primeiro lugar certamente devem horrorizar as vovós que não se sentem envolvidas pelas produções românticas atuais que visam se comunicar com platéias mais jovens que em geral começam relacionamentos direto na cama e sem precisar necessariamente saber os nomes dos envolvidos. Para gerações mais antigas, filmes de amor eram sinônimos de E o Vento Levou e Casablanca, por exemplo. Para atender a esse público desamparado e tentando conquistar novos adeptos, algumas produtoras estão preocupadas em produzir romances mais tradicionalistas, aqueles melosos e de época que podem parecer antiquados, mas que possuem fãs cativos. A literatura é uma fonte rica de inspiração para tanto e são das páginas do livro de Janette Oke que surgiu Onde Nasce o Amor, uma cativante e bucólica história de amor que do início ao fim transpira nostalgia, a começar por sua ambientação que remete aos antigos cenários de faroestes, mas esqueça os tiroteios e as perseguições a cavalo. Adaptada por Michael Moran, a trama se passa em meados do século 19, época da febre da Corrida do Ouro na Califórnia, tempos em que muitos homens abandonaram suas famílias para ir em busca do sonho de enriquecerem as custas da garimpagem, alguns prometendo só voltarem ao lar quando ficassem ricos. Clark Davis (Wes Brown) e seu amigo Daniel (David Tom) são dois jovens caubóis que também se iludiram com essa história, mas tiveram a viagem interrompida ao pararem em um pequeno restaurante para fazerem uma refeição. Daniel corteja uma moça e acaba comprando briga com alguns homens que a defendem. O episódio acabou causando danos ao estabelecimento e culminou na prisão dos rapazes que teriam que esperar cerca de um mês na prisão até a chegada do delegado responsável que então resolveria suas sentenças. Daniel acaba conseguindo fugir, mas Clark, mais ajuizado e honrado, decide ficar e propõe ao xerife Holden (Jere Burns) que possa sair da cadeia em troca de serviços prestados para pagar a sua dívida com Millie (Nancy McKeon), a dona do restaurante que ficou no prejuízo.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

OLHO POR OLHO (2007)

Nota 1,5 Com protagonistas violentados, mas que não cativam, fica difícil torcer pela revanche 

Problemas envolvendo motoristas imprudentes são corriqueiros e diariamente são notícias em jornais, mas é impressionante como nos últimos tempos tem surgido informações de muitos casos de um outro tipo de violência no trânsito: a falta de respeito versus a intolerância. No estresse ou na pressa do dia-a-dia muitas pessoas acabam reagindo de maneira impulsiva e xingam, fazem gestos obscenos, deixam reclamações ou ofensas por escrito ou ainda usam o próprio veículo para fazer vingança. Além de situações extremamente desagradáveis, existe o problema de não se saber quem está no outro carro e como esta pessoa pode reagir a uma agressão física, material ou verbal. Uma simples ultrapassagem no trânsito já pode ser o estopim para uma tragédia. Bem, um filme com tal premissa poderia render um bom caldo, mas não basta ter um bom argumento. É preciso também um bom desenvolvimento narrativo e nesse quesito Olho por Olho peca feio. Com roteiro e direção de Dan Reed, este suspense já começa com uma péssima introdução. Alice (Gillian Anderson) é uma executiva aparentemente bem de vida que contrata os serviços de Adam (Danny Dyer), um instalador de alarmes e câmeras de segurança. Quando ela chega em casa o serviço está pronto, sabe-se lá o porque do rapaz estar repousando na varanda do apartamento como se fosse íntimo do local e em menos de cinco minutos eles já combinam de sair juntos. Bem envolvente, não? Eles então vão a uma festa da empresa de Alice em uma mansão isolada cercada por um bosque e no final acabam transando no meio do mato. No caminho de volta, ela ultrapassa um carro em uma estrada deserta e Adam provoca o motorista com uma piadinha. Infortunadamente, a pressa acaba fazendo com que eles atropelem um veado e quando o rapaz está tentando tirar o animal do caminho o casal é surpreendido por alguns homens mal encarados. Adam é espancado violentamente e Alice é estuprada. No dia seguinte eles retornam para a cidade grande e então passam a alimentar o desejo de vingança. A premissa é até interessante, mas o problema é que não conseguimos nos simpatizar pelos protagonistas e consequentemente não nos impactamos com a violência que sofreram.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

LADRÃO DE SONHOS

NOTA 7,5

Bom argumento é desperdiçado
em produção cujo roteiro foi
construído em cima de belas,
oníricas e originais imagens
Cada país pode e deve produzir os mais variados estilos de filmes, mas sem querer um ou mais gêneros acabam se tornando a marca registrada do cinema local. Por exemplo, a cinematografia francesa é muito lembrada pelos romances com toques de sensualidade ou dramas que carregam na emoção ou na contemplação do silencio no lugar dos diálogos, mas garimpando sempre é possível encontrar algum tesouro esquecido nesta filmografia. Uma das obras mais destacadas dos últimos tempos do cinema francês foi O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, uma obra que rompe com estilos narrativos convencionais, além de apresentar inovações no processo de edição e o uso de muitas cores em seus cenários e paisagens. Dirigido por Jean-Pierre Jeunet, certamente o cineasta trouxe para este seu primeiro trabalho solo muito do que aprendeu trabalhando ao lado do diretor Marc Caro. Juntos eles revolucionaram a maneira de fazer filmes na França trabalhando com enredos e visuais criativos capazes de deixar até o excêntrico Tim Burton com inveja. Uma prova disso está em Ladrão de Sonhos, uma fábula infanto-juvenil com toques sombrios, mas ainda assim um tanto onírica. Este tipo de cinema que capta a atenção do espectador muito pelo visual se tornaria bastante popular nos anos seguintes, inclusive em solo americano, mas realmente fica difícil definir se o estilo de Burton influenciou os cineastas franceses neste caso ou se foram eles que inspiraram o gótico diretor em seus projetos futuros, lembrando que anos antes Caro e Jeunet já haviam chamado a atenção com a comédia de humor negro Delicatessen. Como sempre dito neste blog, imagem não é tudo e um bom enredo é preciso para sustentar uma produção. Você já imaginou o quanto desgastante e sem motivação seria a vida se não pudéssemos sonhar? É partindo dessa hipótese fantasiosa que os diretores em parceria com Gilles Adrien desenvolveram o roteiro cujo foco central é o sofrimento pelo qual passa Krank (Daniel Emilfork), um homem que envelheceu prematuramente e a cada dia sua própria face deixa transparecer que seu quadro só vem se agravando. Tal distúrbio ocorre pela incapacidade que ele tem de sonhar e, na tentativa de achar uma solução definitiva ou ao menos frear a rápida passagem de sua vida que não acompanha o tempo real, ele passa a sequestrar crianças para roubar seus sonhos através de uma invenção que criou.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

TUDO POR VOCÊ

NOTA 6,5

Equilibrando-se entre o drama
e a comédia, longa tem uma
bela história, mas demora um pouco
para seus objetivos serem revelados
Cinebiografias costumam chamar atenção devido ao apelo de serem baseada em fatos verídicos, mas se o homenageado não é muito famoso, o ostracismo é praticamente o destino certo da fita, ainda mais quando não há nada no material publicitário e nem mesmo no enredo que deixe claras as intenções da produção. Tudo por Você se encaixa nessa definição. Com um título desses e elenco encabeçado por Renée Zellweger, nada mais natural que o espectador julgar ser mais uma comédia romântica açucarada, mas quem se arrisca a assistir este filme pode ter uma surpresa, positiva ou negativa, depende do ponto de vista. Escrito por Charlie Peters, o roteiro começa de uma maneira estranha. Em 1953, um jovem de apenas 15 anos, muito bem apessoado e com roupas bem alinhadas, está em uma loja de automóveis pretendo adquirir um Cadillac e prometendo pagamento a vista em dinheiro. Os vendedores muito desconfiados logo começam a lhe fazer perguntas, assim o menino procura resumir os fatos que o levaram até aquele momento levemente constrangedor. Ele é George Devereaux (Logan Lerman), que em seus pensamentos posteriores conclui que deveria ter saído da concessionária assim que recebeu o primeiro chamado de atenção de um dos atendentes por tocar no carro, quem sabe assim ele não teria a memória de tantas frustrações. Em um flashback rápido ficamos conhecendo um pouco sobre sua família. Ele é filho de Dan (Kevin Bacon), um músico de razoável fama, mas que se sustenta com um único sucesso de sua autoria, a canção “My One and Only” que também é o título original do filme. Ele sempre deu tudo de bom e do melhor para a esposa, Anne (Zellweger), uma mulher deslumbrada e deslocada do mundo real. Talvez essa fosse mesmo a intenção do marido. Oferecendo um padrão de vida elevado ele enrolava a mulher para que ela não descobrisse suas traições, mas eis que um dia ele foi flagrado com outra e, pior ainda, na própria cama do casal. Anne desce do salto, discute e decide sair de casa, provavelmente já desconfiava da infidelidade do companheiro. Vai ao banco resgatar algum dinheiro e suas joias e parte para buscar os filhos na escola e colocar o pé na estrada com o tal carro que George estava comprando. Tudo isso é apresentado em cerca de dez minutos de filme, afinal o que está em discussão é o que Anne fará de sua vida agora que está separada.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

PLANETA DO TESOURO

NOTA 6,5

Texto clássico sobre aventura
de piratas ganha repaginada
e cenário futurista, mas falha
com personagens que não cativam
Quando a Fox lançou Anastácia, a Disney não estava preocupada com a concorrência e relançou nas férias de verão A Pequena Sereia. Um ano depois, a Dreamworks trouxe O Príncipe do Egito e houve a coincidência do lançamento de Formiguinhaz quase que simultaneamente a Vida de Inseto. Os estúdios Aardman, apadrinhado por Steven Spielberg, trouxe o excelente A Fuga das Galinhas para duelar com A Nova Onda do Imperador. Parecia que a concorrência não assustava a casa do Mickey Mouse até que Atlantis – O Reino Perdido foi massacrado por Shrek. O sinal de alerta enfim foi aceso e chegou a hora dos chefões do tradicional estúdio de animação tomarem providências. Planeta do Tesouro pode ser visto como a primeira grande tentativa de recuperação da empresa já que moderniza radicalmente um clássico texto literário, contudo, o projeto já era idealizado desde 1985 pelos diretores Ron Clements e John Musker, mesma época em que propuseram a realização de A Pequena Sereia, longa que, curiosamente, marcou o renascimento da Disney após um período de dificuldades internas e produções de menor porte e baixa repercussão. Baseado no romance “A Ilha do Tesouro”, de Robert Louis Stevenson escrito em 1883, com certeza a antiga ideia deveria ser bem diferente do longa que foi entregue em 2002. Adaptado em um inusitado formato de ficção científica pelos próprios diretores em parceria com Rob Edwards, a obra literária já havia rendido uma versão live-action clássica e inspirado uma aventura dos Muppets, ambas produções assinadas pelo mesmo estúdio que neste caso trouxe para o campo da animação a aventura de piratas com uma nova roupagem. A história gira em torno do jovem Jim Hawkins, um adolescente rebelde que só traz problemas a sua mãe, Sarah, a dona de uma pequena estalagem em algum canto do espaço sideral. Sua grande diversão é fazer manobras radicais em sua prancha voadora por uma área proibida, praticamente um skatista futurista, mas em um desses momentos ele acaba sendo pego por policiais e é ameaçado de perder sua liberdade condicional. Embora não seja especificado em que século a trama se passa, o grande problema do rapaz e sua mãe não é estranho as pessoas do presente: falta de dinheiro. Para piorar, certo dia um grupo de piratas ataca o comércio da família e coloca fogo no local, mas depois disso Jim encontra o mapa de um grande tesouro escondido há anos por um pirata espacial, confirmando o ditado que diz que há males que vem para o bem.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

FÚRIA PELA HONRA

NOTA 6,5

Drama aborda as etapas que
levaram um estudante sonhador
do céu ao inferno, mas termos
científicos entediam a narrativa
Muitas pessoas desconhecem a força das palavras, mas quem nunca se sentiu melhor ao ouvir uma mensagem de conforto, um elogio ou uma frase positiva? E quem nunca se sentiu mal ou entristecido devido a uma fofoca, intriga ou frase mal elaborada que acabou sendo interpretada de forma errada? O pior é quando constatamos que fomos enganados por palavras amigáveis e essa sensação amarga é sentida plenamente pelo protagonista Fúria Pela Honra, drama pouco conhecido mesmo tendo como coadjuvante de luxo Meryl Streep. Com direção de Shi-Zheng Chen, tentando fazer carreira fora da China, a primeira vista o longa pode parecer tedioso e até didático demais tentando ensinar, sem sucesso, ciências cósmicas a um público leigo. No entanto, uma apreciação livre de preconceitos, nos faz atentar mais à trama e percebemos que há sim muito conteúdo emocional e humano por trás dos cálculos e termos técnicos. Baseado em uma história real, o roteiro de Billy Shebar gira em torno do jovem Liu Xing (Ye Liu), um brilhante estudante chinês que passa em um teste para fazer seu doutorado em uma conceituada universidade dos EUA. Muito otimista quanto a seus estudos sobre as origens do universo, logo ele chama a atenção do professor Jacob Reiser (Aidan Quinn) que, além de orientar seu projeto de doutorado, o convida para participar de seu grupo de cosmologia elogiando muito sua inteligência. A proposta caiu dos céus afinal de contas o homem que ele tanto admirava e cujos estudos lhe inspiravam estava lhe dando uma prova de confiança, a pista de que ele estava no caminho certo. Xing não é o único estrangeiro chinês a viver essa experiência. Historicamente conhecidos pela intimidade com as mais variadas formas de ciência, além dos chineses que já eram estudantes, mais dois novatos foram aceitos e assim eram oferecidas reuniões de orientação para ajudar os alunos asiáticos a se adaptaram ao solo norte-americano. Joanna Silver (Streep) é uma entusiasta da cultura chinesa e costuma levar os estudantes a passeios por pontos turísticos, ao mesmo tempo em que quer mostrar que no novo país eles não precisam abandonar suas raízes, como mostra a sequência do espetáculo teatral tipicamente oriental, contudo, não é bem isso que Xing vai perceber com o passar do tempo. No início, Reiser mostra-se um grande parceiro do estudante incentivando-o a levar adiante suas teorias e aumentando suas responsabilidades no estágio, inclusive o próprio jovem chega a ajudar seu mentor quando este é desafiado pelo professor Gazda (Erick Avarai) a comprovar uma ideia. Todavia, quando ganha total confiança, o aluno acaba tendo suas asinhas cortadas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

GOMORRA

NOTA 7,0

Procurando desmistificar a
imagem de glamour em torno da
máfia, longa abusa do realismo e não
envolve o espectador completamente
Gangue ou máfia? Qual o melhor termo para se referir ao grupo de pessoas ligadas ao crime organizado? Bem, as duas caem muito bem, mas dependendo do nível cultural e financeiro dos envolvidos apenas uma é a melhor escolha. Quando falamos em facções criminosas no Brasil dificilmente nos vem a cabeça a imagem de engravatados, mas sim de marginais que sonham com roupas da moda e correntes gigantes de ouro penduradas no pescoço, mas se falarmos por exemplo em bandidos italianos logo resgatamos as lembranças dos criminosos elegantes do clã protagonista de O Poderoso Chefão, longa que ajudou a dar certo glamour aos inescrupulosos foras-da-lei. No entanto, há tempos e no mundo todo, criminosos que ouvem ópera e fumam charutos dividem o cenário da criminalidade com bandidos pé-de-chinelo adeptos de drogas e música popular. Enquanto a elite dá ordens a ralé tenta cumprir tudo direitinho sonhando inocentemente com o dia em que serão promovidos, pena que quando estão no limite dos esforços também estão prestes a terem suas vidas interrompidas por acertos com a Lei ou com os próprios criminosos. O filme Gomorra aborda justamente isso: como o mundo do crime tem poder de persuasão, a sedução do dinheiro fácil que cega novos adeptos que pedem para entrar nesse perigoso universo como se pedissem emprego em uma vendinha na esquina. Mal sabem alguns no que estão se metendo. O título é um trocadilho com uma conhecida figura de escrituras católicas, um Deus que propagava a ideia de que a destruição é uma obra do próprio ser humano. Entrelaçando algumas histórias de pessoas envolvidas de forma direta ou indiretamente com a Camorra, nome dado a máfia da cidade de Nápoles, na Itália, o longa mostra como a organização incentiva a degradação do homem e consequentemente de tudo que o cerca em busca de poder e riquezas. A obra ganhou repercussão internacional e chegou a ser considerado a versão italiana do nosso Cidade de Deus, mas com o acréscimo de mais violência. O roteiro do jornalista Roberto Saviano (dividindo o crédito na função com outros cinco autores) é uma adaptação do livro homônimo de sua própria autoria no qual se baseou em uma série de entrevistas com cidadãos napolitanos e em suas próprias experiências infiltrado na máfia local. A obra vendeu milhares de exemplares na Europa e irritou os mafiosos, obrigando o autor a viver durante um bom tempo sob proteção policial. Com relatos tão verídicos em mãos, não é a toa que o filme soa realista demais, chegando a algumas passagens fazerem o espectador se sentir mal diante de tanta crueldade. É preciso ter estômago, sem dúvida, mas também atenção para não perder o fio da meada.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

A CRECHE DO PAPAI

NOTA 6,0

Investindo em piadas previsíveis
e deixando o elenco infantil a
vontade, comédia é rara opção para
família toda sem constranger
A vida moderna exige que homens e mulheres cada vez mais abandonem o desejo de formar famílias, preferindo a liberdade da solteirice ou no máximo a confiança que deve ser compartilhada em uma relação a dois. Agora quando entre um terceiro e pequeno elemento nessa união as coisas complicam. Um casal pode ser feliz só se encontrando a noite e/ou fins de semana, mas os filhos não podem ser prejudicados pela ausência dos pais devido a compromissos de trabalho ou com estudos. É um verdadeiro dilema. A solução nesses casos é colocar as crianças em escolas ou creches onde seriam cuidadas por profissionais especializados e ainda vivenciariam atividades educativas e recreativas, além de tomarem contato com outras pessoas da mesma idade aprendendo no dia-a-dia noções de educação, disciplina e tolerância. Parece perfeito, isso se os pimpolhos não forem matriculados em uma instituição amadora como a que serve de cenário para A Creche do Papai. Bem, pelo menos inicialmente o local não é nenhum exemplo arrebatador, servindo mesmo apenas aos pais desesperados que veem o lugar como última solução. A trama roteirizada por Geoff Rodkey mostra como dois homens com carreiras promissoras se viram de uma hora para a outra numa pior, mas deram a volta por cima aos trancos e barrancos. Charlie (Eddie Murphy) e Phil (Jeff Garlin) trabalhavam na área de publicidade de uma grande empresa alimentícia e tinham pouco tempo para passar com seus filhos, mas após falharem em uma campanha para divulgar um cereal à base de vegetais os dois são demitidos. Agora, enquanto suas esposas saem para trabalhar, eles são obrigados a cuidarem de suas crianças, mas não levam o menor jeito para a coisa. Eles decidem colocá-los em uma creche para poderem se dedicar a busca de um novo emprego, mas na região em que vivem a única disponível é a metódica e rígida instituição Chapman Academy comandada com punhos de ferro pela Srta. Gwyneth Harridan (Anjelica Huston). O modelo de educação opressor é dos males o menor. O preço é o real problema. Cada mês equivale ao pagamento de um ano de uma creche comum. O jeito então é os pais se virarem como podem, embora Ben (Khamani Griffin), filho de Charlie, seja até bastante quietinho, contentando-se com as inúmeras vezes que seu pai brinca com ele de “foguetinho”, ingenuamente acreditando estar cuidando bem do garoto.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O JOGO DA MORTE (2006)

Nota 7,0 Apesar de lento, suspense é claustrofóbico, intrigante e com conteúdo relevante

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, muitos produtores começaram a caçar roteiros que trabalhassem com a temática do preconceito e o medo dos americanos em relação aos povos árabes, mas e o avesso desta situação seria possível? É esse o foco do diretor Laurence Malkin com o suspense O Jogo da Morte, título genérico que não vende bem o filme. Quem busca ação, tiros e sopapos certamente irá se decepcionar, pois na realidade o que impera é uma narrativa lenta e que alterna momentos de puro silêncio a outros de grandes diálogos que podem parecer confusos inicialmente, mas pouco a pouco vão envolvendo o espectador que certamente não espera a conclusão crítica oferecida pelo roteiro escrito pelo próprio cineasta em parceria com Chad Thumann. O filme é centralizado em um idealista holandês, Martijin (Ryan Philippe), que estava muito entusiasmado com sua viagem ao Marrocos com o objetivo de iniciar um fundo de caridade. O rapaz contrata os serviços de Gavin (Colm Meaney), um guia turístico que só conheceu pessoalmente já no aeroporto. Chegando ao destino, o ônibus que a dupla estava foi atacado por bandidos e quando eles se dão conta se encontram em uma espécie de galpão abandonado onde estão amarrados, um de costas para o outro, e com os olhos vendados. Imediatamente o holandês começa a acusar o guia de que tudo isso seria sua culpa, ainda mais depois que ficou sabendo que no passado ele trabalhava em uma empresa de produtos químicos que oferecia treinamentos anti-sequestros por conta dos perigos que alguns países ofereciam por serem contra tais atividades, provavelmente algo envolvendo exploração do trabalho. A discussão é observada de longe por Ahmat (Laurence Fishburne), líder de um grupo terrorista que não pensa duas vezes antes de matar o guia turístico. O problema era o próprio Martijin que então é obrigado a jogar xadrez com seu algoz que passa a questioná-lo sobre sua verdadeira identidade e seus reais interesses em solo árabe. A cada resposta que não o agrade, uma tortura é aplicada ao prisioneiro, até mesmo a perda de alguns dedos caso julgue necessário. Entre conversas tolas a respeito de sexualidade, preconceitos e etnias, Ahmat consegue torturar psicologicamente Martijin demonstrando saber muito sobre sua vida, detalhes que vão desde o conhecimento do conteúdo de conversas particulares até a respeito de números de seus documentos. Em flashbacks, um pouco de seu passado vai sendo revelado, deixando cada vez mais latente que o rapaz foi ao Marrocos em missão de paz, assim acentuando o perfil de vilão de Ahmat.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

MORTO EM 03 DIAS

NOTA 7,0

Produção austríaca investe
no terror adolescente, mas
surpreende com uma bem-vinda
reviravolta e narrativa envolvente
Os filmes de horror teen bombaram nos anos 80 com os vilões das séries Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, ambos que surgiram na esteira do sucesso Halloween. Também começaram a surgir fitas similares e medonhas para abastecer o comércio do home vídeo e o resultado foi a saturação do subgênero. Em 1996, Pânico resgatou a fórmula do serial killer que caça jovens, geralmente bem apessoados e populares, mas mais uma vez filmes semelhantes foram surgindo aos montes e a receita desandou tornando-se cada mais previsível. E o pior: os assassinos passaram a agir por motivos idiotas e suas vítimas adolescentes mais babacas e salientes que de costume, o que acaba levando o público a vibrar com suas merecidas mortes. É uma pena que algumas boas produções cujas premissas sejam semelhantes acabam sendo desprezadas pagando pelo erro de suas antecessoras como é o caso de Morto em 03 Dias, que só pelo fato de ser uma fita de terror austríaca já merecia algum crédito por conta da curiosidade. Conhecemos a cartilha dos filmes de horror americanos de trás para frente e até da filmografia oriental do gênero, mas o estilo europeu de fazer esse tipo de cinema ainda não tem um modelo definido. Com direção de Andreas Prochaska, que também assina o roteiro com Thomas Baum, a obra começa apontando caminhos previsíveis, ou melhor, quase isso. Durante os créditos iniciais, vemos um homem se enforcando e em seguida uma jovem ferida pedindo ajuda em meio a um matagal. Desconexo? Está claro que a intenção é deixar o espectador ligado, colocá-lo para caçar pistas que possam ser vinculadas com as primeiras imagens, mas a trama começa mesmo recapitulando fatos de quatro dias antes quando um grupo de jovens está entretido com as apresentações de trabalhos de conclusão de curso da universidade. Em breves diálogos, já vamos definindo a personalidade de cada um dos personagens que nos próximos minutos serão vítimas de mortes violentas, quem sobreviverá é a incógnita. Bem, sabemos que a destemida e justa protagonista Nina (Sabrina Reiter) vai sofrer o pão que o Diabo amassou, mas sua sobrevivência está garantida, afinal sua morte seria uma ousadia muito grande. Botamos fé na renovação do subgênero dos slashers, mas...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

MALDITA SORTE

NOTA 3,0

Abusando de cenas apelativas
e sem graça, comédia 
desperdiça
boa premissa e nem o casal
principal desperta interesse
Quando um filme é lançado em DVD, no verso existe um pequeno quadrado com um numeral e algumas palavras escritas com letras bem pequenas. Esse é o informativo quanto a classificação indicativa relacionando os motivos das inadequações do filme para determinada faixa etária. O mesmo esquema serve para orientar os cinemas que devem barrar clientes menores de idade que estejam desacompanhados para assistir filmes proibidos para sua condição. Na teoria tudo é bem esquematizado, mas na prática é uma grande bobagem que só chega a ser aplicada quando o filme é indicado a maiores de 18 anos. A classificação existe em todo o mundo, sendo que cada país adota seus parâmetros individuais para aplicá-las, mas o mesmo deveria ser feito fiscalizando os próprios bastidores dos filmes. Quer coisa mais constrangedora que uma produção com temática adulta contar com elenco mirim? É logo na introdução que Maldita Sorte mostra a que veio e faz o espectador mais consciente perder o interesse rapidamente. A trama redigida por Josh Stolberg começa em 1985 mostrando uma típica e caseira reunião de pré-adolescentes aparentemente inocentes, no entanto, o passatempo deles é uma brincadeira “educativa” com uma garrafa que é girada de forma que um dos lados aponte para um garoto e o outro seja direcionado a uma menina. Os felizardos dos “sete minutos no paraíso” devem passar esse tempo trancados em um armário onde tudo pode acontecer. Por mais que os diálogos tentem nos fazer crer que os personagens mal sabem o que estão fazendo (me engana que eu gosto!) a cena poderia ter o mesmo efeito se realizada com mais cautela. Bastava mostrar que quis o destino que um dos garotos fosse contemplado a se juntar com a esquisitinha da turma, porém, periguete. O visual gótico da menina já deixaria implícita a repulsa do contemplado que ainda enfatizaria sua reação com uma careta e em resposta ela lançaria a maldição de que toda a mulher com quem ele se relacionasse amorosamente iria logo em seguida abandoná-lo e casar com o próximo homem com quem ficasse. Simples assim, mas tiveram o mal gosto de praticamente colocar a garota implorando para ser estuprada ou fazer o mesmo com o virgenzinho. Tal sequência não coloca os atores jovens ligados diretamente com o que vem a seguir, mas qual criança que teve a chance de atuar no cinema não ia querer ver o resultado? Melhor que seus pais tenham as proibido. O restante da história tem um ou outro momento divertido e sem apelações, porém, o conjunto faz o filme de estreia do diretor Mark Helfrich parecer um pornô-soft-picante.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

HABITANTES DA ESCURIDÃO

NOTA 2,0

Mesmo com premissa interessante,
longa não consegue conexão
com espectador com sua trama
enfadonha e clichês bobocas
O diretor Wes Craven marcou os anos 80 com a série A Hora do Pesadelo e na década seguinte iniciou outra franquia de sucesso, Pânico. Antes destes lançamentos, também criou pequenos clássicos do suspense e terror como Aniversário Macabro e Quadrilha de Sádicos e até surpreendeu anos mais tarde com uma inversão de expectativas quanto ao conteúdo de A Maldição dos Mortos-Vivos. Não é a toa que é chamado de mestre do terror, porém, os últimos anos não tem sido bons para este profissional que também é roteirista, ator e produtor. Aliás, esta última denominação tem sida usada com muita frequência para fins de publicidades de filmes de terror menores e de cineastas pouco conhecidos. Já com mais de 70 anos de idade, Craven sabe o legado que deixará e, embora ainda mantenha-se ativo no meio cinematográfico, está apadrinhando a nova geração do horror produzindo seus filmes e de quebra lhes garantindo um mínimo de publicidade graças ao seu nome atrelado aos projetos. Pena que nem sempre uma grife é garantia de qualidade como prova Habitantes da Escuridão, do diretor Robert Harmon. Bem, este não é um trabalho de um cineasta em início de carreira, pelo contrário, ele logo na estreia em 1986, com A Morte Perde Carona, conseguiu gerar um interessante burburinho em torno de seu trabalho, mas sua carreira não vingou como a do colega produtor. A união dos dois poderia resultar em algo bom, mas este suspense está longe de ser memorável, sendo apenas um passatempo para aficionados pelo gênero quando já não tem mais o que assistir ou para plateias adolescentes que estão começando a ter contato com o cinema e ainda não estão totalmente familiarizados com clichês. Todavia, a premissa é instigante prometendo que o enredo será desenvolvido em cima de uma fobia muito comum: o medo do escuro. O que existe nele de tão ameaçador? Por que alguns adultos não conseguem perder o velho hábito de dormir com uma luminária acesa? Logo na introdução, durante uma noite chuvosa, temos um garotinho com medo de dormir no escuro, sua mãe tenta tranquiliza-lo, mas algo inexplicável acontece em seu quarto assim que a escuridão toma conta. Billy Parks (Jon Abrahams) cresceu atormentado por este e outros episódio semelhantes e apesar de ter pouco tempo de cena é seu drama que serve de fio condutor da narrativa.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

ENCONTROS E DESENCONTROS (2003)

NOTA 9,0

Sem apelar para clichês, longa
se sustenta em cima de situações
corriqueiras engrandecidas por
interpretações emotivas e sinceras
Filho de peixe, peixinho é. Tal ditado popular cai como uma luva para muitos profissionais que passaram aos herdeiros o talento e o amor pelas carreiras que os consagraram. No meio artístico isso é muito comum e Sofia Coppola não nega o provérbio. Filha do cultuado Francis Ford Coppola, o responsável pelos três filmes da série O Poderoso Chefão, ela até tentou fugir um pouco da sombra do pai, mas não conseguiu se desgarrar totalmente. Ela arriscou a carreira de atriz fazendo seu debout no último filme da famosa trilogia do papai, mas foi extremamente criticada e por anos seu nome sumiu da mídia, até que em 1999 ele voltou a ser destacado com sua elogiada estreia como diretora em As Virgens Suicidas. Poderia ser apenas um golpe de sorte de uma mulher que teria que ralar muito para ser respeitada no meio cinematográfico, mas seu segundo projeto, Encontros e Desencontros, veio para provar que talento e vocação estão em seu sangue. Neste trabalho ela mostra que o amadurecimento e a cautela foram essenciais já que quatro anos separam os dois filmes. Neste tempo que ficou em off, Sofia deve ter passado horas diárias refletindo sobre sentimentos e contrastes, assim esta obra não nasceu hermética a um gênero específico. A vida, as pessoas, o mundo são feitos de diferenças e as variações podem acontecer em um estalar de dedos e este roteiro, escrito por ela própria, tem um pouco de tudo. Drama, romance e um sutil humor se misturam e até um leve suspense pode ser levado em consideração visto que os protagonistas se encontram em um país completamente diferente e não sabem o que os espera. Bob Harris (Bill Murray) é um ex-astro do cinema americano que está em Tóquio para fazer um comercial de uísque aproveitando os últimos suspiros de sua carreira. Frustrado com os rumos da sua vida profissional e ainda tendo que lidar com um casamento em crise, mesmo assim ele é dotado de senso de humor. No mesmo hotel em que está hospedado ele conhece Charlotte (Scarlett Johansson), também norte-americana e que está acompanhando John (Giovanni Ribisi), seu marido, um fotógrafo que está viajando a trabalho e a deixa sozinha o tempo todo, assim ela está deprimida. O fuso horário diferenciado acaba fazendo com que os dois sofram de insônia e eles se encontram no bar do hotel por acaso e imediatamente surge uma empatia mútua, mas engana-se quem pensa que a partir de então uma previsível história de amor será desenvolvida.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ALEX E EMMA

NOTA 5,5

Longa conta duas histórias de
amor paralelas, mas nenhuma
delas cativa ou diverte por completo,
mesmo assim é uma opção razoável
Toda comédia romântica precisa de alguns ingredientes básicos para funcionar. Um par romântico bonito e simpático, um punhado de cenas cômicas, algumas situações que atrapalhem o casal protagonista momentaneamente e um final feliz. A fórmula mágica usada e abusada geralmente tem seu público cativo que ajuda na manutenção do caixa deste gênero e banca futura produções semelhantes, mas tem diretor que ainda tem a boa vontade de tentar fazer algo diferente sem fugir muito do tradicional. No caso de Alex e Emma o diretor Rob Reiner, de Harry e Sally – Feitos um Para o Outro e Sintonia de Amor, um especialista em comédias românticas, adotou como elemento surpresa contar duas histórias de amor, uma dentro da outra. O roteiro de Jeremy Leven nos apresenta ao escritor Alex Sheldon (Luke Wilson) que está sendo ameaçado por agiotas cubanos que cobram uma grande quantia que lhe emprestaram para que ele pudesse torrar tudo em uma corrida de cães (!) em que ele perdeu absolutamente tudo. Depois de sofrer ameaças, o romancista resolve recorrer ao seu editor para pedir um adiantamento por conta de um livro que está lhe devendo, mas o pedido é negado já que ele ganhou uma graninha antes como incentivo e também gastou tudo tentando agradar uma garota que lhe deu um fora. De qualquer forma, ele terá trinta dias para entregar o manuscrito e assim receber exatamente a mesma quantia que está devendo aos mafiosos que concordam em esperar mais um tempo, porém, um dia de atraso e ele pode se considerar um homem morto. Tudo poderia ser resolvido com o prazo extra, mas o problema é que Sheldon está sofrendo um bloqueio criativo, ou melhor, sob pressão não conseguiria criar um história e redigi-la ao mesmo tempo, assim ele tem a ideia de colocar um anúncio falso em um jornal requisitando os serviços de algum profissional da área de advocacia, tudo para usufruir de sua experiência com taquigrafia, a transcrição de diálogos em tempo real. Bem, qualquer desocupado poderia fazer isso em troca de uma merreca, mas se fosse fácil assim não haveria filme. Emma Dinsmore (Kate Hudson) é atraída para esta armadilha e obviamente se enfurece quando descobre que foi enganada por um escritor desconhecido e que teria que trabalhar por horas seguidas em um pequeno e decadente apartamento de um solteirão desligado. Após um breve tempo para pensar, Emma aceita o trabalho mediante a um bom pagamento (endividado até o pescoço, sabe-se lá como o escritor iria ressarcir a moça).

domingo, 5 de fevereiro de 2017

UM CAMINHO PARA RECOMEÇAR

Nota 5,5 Durante viagem, pai e filho tentam se entender, mas faltam ingredientes a esse clichê

O que se pode esperar de um filme que logo na introdução deixa claro que o filho de uma lenda do beisebol está tentando seguir os mesmos passos do pai, mas está encontrando dificuldades? Cenas e mais cenas de árduos treinos, brigas com o treinador e amigos provocando e outros dando força para o protagonista chegar a atingir seu grande objetivo. Se você também faz tal ideia, Um Caminho Para Recomeçar pode te surpreender levemente por enfocar o esporte somente na introdução e ao longo da narrativa vez ou outra lembrar que ele é talvez o único gosto em comum entre os protagonistas. Ou talvez nem isso. Na trama escrita e dirigida por Michael Meredith, o jovem Carlton (Justin Timberlake) está tentando seguir carreira no beisebol, assim como seu pai que se tornou uma lenda da modalidade. No entanto, ele não parece motivado nos treinos e está sendo ameaçado de ser cortado de seu time, mas realmente neste momento suas atenções estão mais voltadas à saúde da mãe, Katherine (Mary Steenburgen), que sofre de um grave problema cardíaco e precisa se submeter a uma cirurgia o quanto antes. O problema é que ela se recusa a assinar o documento que autoriza o procedimento até que ela possa reencontrar o ex-marido, já que acredita que pode vir a falecer, e o filho fica encarregado da difícil missão de promover esse reencontro. Kyle Garret (Jeff Bridges) não fala nem mesmo com Carlton há cerca de cinco anos, mas antes desse sumiço já demonstrava mais apreço pela carreira esportiva que pela própria família. Entrando em contato com o agente do pai, o rapaz descobre que ele está participando de um evento em Ohio e viaja para lá na companhia da amiga Lucy (Kate Mara). Na realidade, eles namoraram por algum tempo, mas a obsessão de Carlton em ser um exímio jogador acabou deixando-o sem tempo para sua vida pessoal, assim eles preferiram se separar e continuar bons amigos. O reencontro de pai e filho é cordial, mas sem emoção, todavia, ao saber os motivos da procura Kyle concorda em voltar a sua antiga cidade para atender aquele que poderia ser o último desejo da ex-esposa.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

MENTES DIABÓLICAS

Nota 5,5 Suspense psicológico tem boa premissa, mas se perde em seu clímax, um tanto confuso

Adolescentes problemáticos são fontes inesgotáveis de inspiração para o cinema, principalmente aqueles com mentes privilegiadas, mas estado emocional instável. Mentes Diabólicas acompanha o caso do jovem Alex Bennett (Eddie Redmayne) que está preso por conta da morte de Nigel Colby (Tom Sturridge). O rapaz alega que o amigo precisava realmente morrer e que na hora que isso aconteceu ele teve a impressão de ouvir estranhos sons, como se os deuses festejassem tal fato. Apesar de aparentemente confessar o crime e terem sido encontrados resíduos de pólvora em suas mãos, não há provas claras para indiciá-lo, mas o detetive Martin Mckenzie (Richard Roxburgh) está certo que o garoto é um assassino psicótico que não tem remorso de seus atos, porém, trabalha sob a pressão do pai do suspeito (Patrick Malahide), um homem influente disposto a fazer de tudo para abafar o caso. A psicóloga Sally Rowe (Toni Collette) então é chamada para ajudar nas investigações e logo no primeiro encontro com Alex percebe que ele tem conhecimentos a respeito de História e religião que influenciam diretamente em seu cotidiano. Ele fala sobre Gestalt, um grupo organizado no qual cada parte individual influencia a todas as outras, sendo o bem estar do conjunto o mais importante. A morte de Nigel poderia estar ligada a esse conceito de preservação de um bem maior. O longa escrito e dirigido por Gregory J. Read aposta em flashbacks que ilustram as conversas entre o detento e a médica e assim ficamos conhecendo um pouco a respeito do convívio dele com o rapaz assassinado. Alex se interessou por Nigel logo que o novato chegou na escola porque ele era diferente dos outros garotos, nutrindo interesse por assuntos mórbidos e bizarros. Obrigados a dividir o mesmo quarto no colégio interno, inicialmente os dois não se davam bem. O pai de Alex é o diretor do colégio e obrigava seu filho a viver naquele ambiente sufocante e sem lhe oferecer regalias, exigindo que fosse um aluno brilhante e não abria mão de que ele dividisse seu dormitório com outro estudante. Como forma de demonstrar rebeldia, o jovem confrontava os ensinamentos religiosos e históricos das aulas. Tal empáfia justifica a forma agressiva com que ele se comporta na delegacia, tirando do sério os policiais, mas Sally quer conduzir o caso ao seu modo, na base do diálogo e da interpretação.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A CASA DOS PÁSSAROS MORTOS

NOTA 2,5

Ambientação e introdução prometem
um bom filme de terror, mas longa é
arrastado, sem impacto e os tais
pássaros mortos não existem na trama
É preciso reconhecer que produtores, roteiristas e diretores que desejam ainda investir em histórias de casas assombradas são pessoas dotadas de muita coragem e autoestima, pois é preciso estar preparado para a avalanche de críticas negativas que inevitavelmente surgirão. Já faz anos que este subgênero do horror e suspense não traz absolutamente nada de novo, apenas copia os acertos e principalmente os erros de outras produções semelhantes. Diante desse quadro, é inegável que pode surgir uma pontinha de esperança a quem der uma chance para A Casa dos Pássaros Mortos, a começar pelo seu mórbido título. A empolgação pode ser confirmada pelos primeiros minutos do longa dirigido por Alex Turner que situa a ação nos arredores do vilarejo de Fairhope, no Alabama, no ano de 1863. Sim, a mistura de terror e faroeste é intrigante. Um grupo de soldados chega ao banco local para depositar uma grande quantia de ouro sob ordens de seus superiores, mas no mesmo momento são surpreendidos por outro bando que diz ser oriundo de um acampamento nas proximidades. A cara de poucos amigos dos membros e suas vestes simplórias já deixam os seguranças do banco em alerta e nem a presença da jovem Annabelle (Nicki Aycox) entre eles os fazem baixar a guarda, mas um descuido rápido e essa é a brecha que o grupo precisava para roubar o estabelecimento e promover uma grande chacina a base de tiros e facadas. Após escaparem da revolta dos populares, o bando quer colocar em prática o mais rápido possível os planos de fugir para o México, mas a ameaça de um temporal os leva a adentrar na floresta em busca de abrigo em uma velha e abandonada propriedade cujo herdeiro, Jeffy Hollister (Harris Mann), morreu na Guerra Civil norte-americana na qual também lutou William (Henry Thomas), o namorado de Annabelle e líder dos criminosos. O embate inicial com jeitão de briga de filme de faroeste com dose extra de sanguinolência, as sequências de caminhada na mata densa e as tomadas acompanhando o bando atravessando um seco milharal para chegar ao tal casarão parecem indicar que algo bom está por vir, mas quando rola um desespero por conta de uma estranha criatura que surge inesperadamente e morre na frente dos bandidos as expectativas já começam a ceder. O bizarro neste caso trabalha contra a produção. Na pior das hipóteses poderíamos esperar que o roteiro de Simon Barrett tem pressa para começar o show de carnificina, mas pode surpreender tanto negativa quanto positivamente os rumos que a trama toma.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

DO FUNDO DO MAR

NOTA 3,0

Tubarões assassinos caçam
humanos em uma estação de
pesquisas em produção com um pé
no cinema trash, mas fora de época
Na década de 1970 eram muito populares os filmes-catástrofes, produções cujo mote principal são tragédias como naufrágios, terremotos ou acidentes de aviões, por exemplo, mas Steven Spielberg, sempre à frente do seu tempo, com seu clássico Tubarão já antecipava uma tendência dos anos seguintes. As fitas estreladas por animais assassinos ou geneticamente modificados nem sempre encontravam espaço nas salas de cinema, mas bombavam nas videolocadoras, inclusive com muitos lançamentos do tipo exclusivos para abastecer tal mercado que faturou horrores com fitas trash. O VHS do híbrido de aventura e suspense Do Fundo do Mar certamente não iria parar nas prateleiras das lojas, porém, foi produzido tardiamente, às vésperas da virada para o novo século e milênio. Filme certo na hora errada. Se fosse contemporâneo à onda de aranhas, cobras, crocodilos e outras tantas fitas que exploravam ao máximo aberrações da natureza ou o instinto selvagem de animais alterados em laboratórios, o trabalho do diretor Renny Harlin até que poderia ter alcançado certa repercussão e lucros. No entanto, em 1999, ano em que blockbusters calcados em efeitos especiais de ponta como Matrix, A Múmia e o retorno da saga Star Wars bateram recordes de bilheteria, quem se interessaria por uma história de tubarões superdesenvolvidos e assassinos? Os roteiristas Donna e Wayne Powers, em parceria com Duncan Kennedy, acreditaram que haveria público para tal filão e criaram uma trama bastante sufocante tendo como cenário principal uma estação submarina de pesquisas genéticas. Chefiada pela doutora Susan McAlister (Saffron Burrows), a equipe se empenhava no desenvolvimento de uma terapia para a cura do Mal de Alzheimer. A pesquisa visava ampliar a capacidade cerebral de tubarões através de intervenções da engenharia genética e o tecido encefálico alterado seria utilizado na criação de uma fórmula neuro-estimulante capaz de diminuir os efeitos da doença em humanos em estágio avançado de degeneração, como o próprio pai de Susan, esta que obviamente deseja mais que o reconhecimento profissional. O gancho do ser humano brincando de Deus manipulando a natureza também nos remete ao tema de central de outro clássico de Spielberg, Parque dos Dinossauros... Obviamente guardadas as devidas proporções.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O PALHAÇO

NOTA 8,0

Longa mostra a realidade dos
artistas circenses através do
olhar de um palhaço que busca
sua identidade fora do palco
Em meio ao bombardeio de inovações tecnológicas e efeitos especiais de última geração que chegam aos nossos cinemas e ao mercado de vídeo doméstico semanalmente não é de se espantar que um simples filme brasileiro perca espaço, podendo ter uma exibição restrita ao circuito alternativo e de arte ou até mesmo ser lançado diretamente em DVD sem qualquer tipo de respaldo publicitário. Ainda bem que existem apreciadores e realizadores para obras mais simplórias e com preocupação maior com o conteúdo, pessoas realmente apaixonadas pela sétima arte.  É isso que o ator e diretor Selton Mello prova com a sua segunda incursão cinematográfica atrás das câmeras após Feliz Natal, seu elogiado drama de estreia. O Palhaço é uma produção relativamente simples, mas que conquista a atenção dos espectadores com seu visual colorido e história emocionante e extremamente simpática, contando com diversas citações para homenagear aqueles que já trouxeram muita alegria ao público, como o quarteto dos Trapalhões e Oscarito. A história gira em torno do palhaço Pangaré (Selton Mello), uma das estrelas do circo Esperança que, infelizmente, cada vez mais sente a escassez de público a cada nova cidade que passa. As grandes gargalhadas, olhares curiosos e expressões de felicidade de outrora ficaram como uma doce e inesquecível lembrança para a maior parte dos funcionários e artistas. Porém, o rapaz que ainda continua bem jovem e com disposição usa e abusa de expressões corporais e faciais e lança mão de algumas piadas mais fortes para conseguir segurar a atenção do público e manter a sua trupe circense em atividade. Bem, essa imagem positiva ele tem no picadeiro diante da plateia, mas nos bastidores a coisa é bem diferente. Seu nome de batismo é Benjamim e o rapaz anda muito insatisfeito com a vida que leva, um incômodo que aparentemente só ele tem e não é compartilhado por outros membros dessa grande família itinerante que se acostumaram com um cotidiano sem luxos e finanças escassas. As razões para seu desgosto podem estar em seu relacionamento com seu pai Valdemar (Paulo José), que lidera o circo e dá vida ao palhaço Puro Sangue. Ironicamente, entre tantas dúvidas e melancolia, Benjamim fica obcecado pela ideia de conseguir um ventilador para a namorada do pai, a dançarina Lola (Giselle Motta), como se a aquisição desse objeto que para tantos já é algo obsoleto significasse um sinal de que as coisas vão melhorar ou simplesmente uma desculpa para o protagonista descobrir pelo menos um pouquinho do mundo que até então desconhecia. Durante o trajeto, diversos tipos bizarros cruzam seu caminho e o ajudam em sua busca que no fundo é a procura por sua real identidade.

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