segunda-feira, 31 de outubro de 2016

ELVIRA - A RAINHA DAS TREVAS


NOTA 8,0

Feito para dar sobrevida a
popular personagem da TV nos
EUA, longa virou uma pérola do
cinema trash e da década de 1980
No dia 31 de outubro comemoramos o Halloween, tradicional festa de origem europeia que criou raízes na cultura norte-americana e seus costumes acabaram sendo adotados para os festejos em outros países. No Brasil não foi criado um estilo próprio para celebrar a data, sendo mais comuns os bailes à fantasia e o rito da busca por doces ou travessuras perpetuados por ações escolares, mas por conta própria por aqui dificilmente alguém enfeita a casa com caveiras e abóboras, não faz parte da nossa cultura infelizmente. Para não dizer que nós brasileiros nunca tivemos uma tradição própria no Dia das Bruxas podemos considerar que por anos curtimos a data na ilustre companhia de Elvira – A Rainha das Trevas, um clássico do cinema trash e também dos bons tempos da “Sessão da Tarde”. Vivida por Cassandra Peterson, a protagonista foi criada pela própria atriz em 1981 já visando um perfil multifuncional. Paralelo ao trabalho em uma banda de rock, a personagem podia ser vista semanalmente apresentando uma sessão de filmes de terror na TV que logo chamou a atenção do público jovem. Sempre com comentários irônicos ou conflitantes a respeito das bobagens que era obrigada a exibir, a sinceridade somada a excentricidade e carisma transformaram Elvira em um sucesso que transcendeu os limites da televisão, assim sua imagem passou a ser requisitada para campanhas publicitárias, licenciamento de brinquedos e cosméticos entre outros contratos que lhe garantiram uma boa renda extra e sobrevida à personagem. Protagonizar seu próprio filme era só uma questão de tempo e para garantir que seu bizarro universo não sofresse modificações Peterson fez questão de cuidar do roteiro, mas ganhou auxílio de John Paragon e Sam Egan para construir um enredo em que as vivências da atriz e de sua criação se misturam homogeneamente. A trama é uma comédia com toques de horror que tem como ponto de partida a notícia de que Elvira ganhou uma inesperada herança de uma tia-avó cuja existência mal se lembrava tamanho seu apego com a família. Entediada com os rumos de seu programa (a vida imita a arte ou vice-versa?), esta seria sua chance de produzir um show como sempre sonhou e se apresentar em Las Vegas, mas para receber seus direitos precisa ir à Fallwell, uma pequena e provinciana cidade que entra em choque com a chegada de uma mulher liberal, desbocada e de visual provocante e ao mesmo tempo peculiar.

domingo, 30 de outubro de 2016

ABRACADABRA

Nota 8,5 Nostálgico para muitos, bruxas da Disney ainda garantem uma boa sessão da tarde

É curioso como bruxas, fantasmas, vampiros e companhia bela ao mesmo tempo em que amedrontam as crianças também conseguem fasciná-las, uma particularidade que a sétima arte aproveita a exaustão há décadas. A receita básica para fisgar a atenção do público infantil abordando temas sinistros é praticamente sempre a mesma: colocar um bando de crianças e adolescentes em apuros fugindo das garras de seres horripilantes. Para completar o prato basta cercar-se de crendices populares e adicionar generosas pitadas de humor leve e inocente, além de adorná-lo com uma generosa dose de final feliz. É essa receita que serviu e ainda serve de base para muitas produções infanto-juvenis, sendo uma das mais influentes do gênero. Abracadabra segue os ensinamentos a risca e não dispensa nenhum ingrediente. Essa produção é dos tempos em que a Disney emplacava candidatos a clássicos das sessões da tarde em velocidade ímpar e um dos filmes que melhor capta o espírito de alegria e medo que se misturam na noite de Halloween. Com roteiro de David Kirschner e Mick Garris, a trama gira em torno de Winnie (Bette Midler), Sarah (Sarah Jessica Parker) e Mary (Kathy Najimy), três irmãs feiticeiras que desejam se tornar mais jovens sugando a energia vital das crianças da cidade de Salem. Banidas da face da Terra há 300 anos quando tiveram seus planos descobertos, elas chegam ao século 20 após seus espíritos serem evocados no Dia das Bruxas pelo jovem Max (Omri Katz), uma lenda na qual ele não acreditava assim como sua irmã Dani (Thora Birch) e sua colega da escola Allisson (Vinessa Shaw) também duvidavam. Agora, as feiticeiras estão dispostas a fazer de tudo para garantir sua juventude e imortalidade aproveitando esta única noite de sobrevida. Para tanto elas terão que capturar o maior número possível de crianças para tirar suas vidas, mas elas precisarão enfrentar Max e as meninas que vão fazer de tudo para tentar levar as bruxas de volta ao mundo dos mortos.

sábado, 29 de outubro de 2016

A DANÇA DAS PAIXÕES

Nota 6,5 Apesar de contar com boas histórias paralelas, drama não sabe qual destino dar a elas

Sabe aquele tipo de filme de época com cara de produção europeia talhada para ganhar prêmios e que você assiste, acha simpático, mas não te deixa emocionado ao extremo? Ou então sabe aquele estilo de filme que tem a pretensão de contar várias histórias ao mesmo tempo e no final das contas não atinge seu objetivo com perfeição? Pois é, A Dança das Paixões se encaixa nestas duas descrições, mesmo contando em seu elenco com a premiadíssima Meryl Streep, sendo que seu papel é bastante simples e poderia ter sido entregue a qualquer outra atriz veterana. Sim, infelizmente neste caso nem a interpretação de alguém tão experiente no gênero conseguiu salvar a produção. Não que o longa seja descartável do início ao fim, pelo contrário, até a metade ele caminha muito bem com boas histórias distribuídas entre um elenco talentoso, mas parece que em determinado momento o diretor Pat O´Connor não sabe como atar as pontas de tantos caminhos que abriu. A trama se passa em 1936 em um bucólico vilarejo no interior da Irlanda quando as vidas das irmãs Mundy passam por profundas transformações com a chegada de Jack (Michael Gambon), o irmão mais velho que está de volta após mais de vinte anos atuando como missionário na África, mas que agora está com a saúde debilitada. Como único homem da família, ele é recebido por suas irmãs, todas solteiras e cada uma com um temperamento diferente. A mais velha e que assumiu o posto de chefe da família é a recalcada professora Kate (Streep). Já Maggie (Kathy Burke) preferia uma vida sem preocupações enquanto as simplórias Agnes (Brid Brennan) e Rose (Sophie Thompson) ajudavam a sustentar a família vendendo artigos de tricô. Por fim, a irmã mais nova Christina (Catherine McComarck) provocou um pequeno escândalo ao dar a luz ao filho Michael (Darrell Johnston) sem ser casada com o pai do menino, Gerry (Rhys Ifans), este que também reaparece após muito tempo. Muitas mudanças estão por vir para a família Mundy.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

THE EVIL DEAD - A MORTE DO DEMÔNIO (2013)

NOTA 9,0

Refilmagem de terror que marcou
por sua criatividade e violência, nova
versão melhora o que já era bom indo
a fundo na escatologia e sadismo
Com orçamento paupérrimo, mas muita criatividade e vontade de realizar um sonho, em 1981 o então estreante diretor Sam Raimi, que anos mais tarde assinaria a milionária primeira franquia do Homem-Aranha, comprovava que para fazer cinema basta uma boa ideia na cabeça e uma câmera na mão. Certamente ele não devia ter a menor ideia de que estaria criando um marco cinematográfico, um trabalho cujo estilo seria perpetuado e cultuado, bem como odiado e rejeitado nas mesmas proporções. Mais de trinta anos se passaram e agora gozando de uma confortável posição na indústria do cinema, o cineasta decidiu que era hora de revisitar o universo de The Evil Dead – A Morte do Demônio, sua fita maldita que se tornou uma relíquia desejada por cinéfilos e em muitos países ficou proibida por anos por conta do alto grau de violência explícita. Agora assinando apenas como produtor, Raimi entregou a refilmagem nas mãos do uruguaio Fede Alvarez, uma atitude bastante simbólica. Ambos os diretores iniciaram suas carreiras no comando de curtas-metragens de horror amadores, mas produções que exalavam estilo próprio e talento. Assim como seu mentor quis transcender os limites do terror, Alvarez também quis levar a experiência de acompanhar uma produção gore (sanguinolenta e nojenta) a um novo patamar. Para tanto não refilmou a obra original, preferindo reinventá-la de modo a adequá-la aos novos tempos, porém, sem deixar as homenagens de lado. Quem nunca viu a primeira versão não terá a mínima dificuldade para se envolver e para os fãs a diversão ganha um extra reconhecendo o cenário e cenas icônicas que foram preservadas. Novamente a história gira em torno de um grupo de cinco amigos que vai passar alguns dias em uma cabana na floresta, só que ao invés de uma viagem de lazer a ideia é que o isolamento auxilie no tratamento de desintoxicação da dependente química Mia (Jane Levy), não por acaso a primeira a ser possuída pela entidade demoníaca que é libertada pelo “Livro dos Mortos”. O manuscrito feito com sague contendo imagens macabras e mensagens cifradas é descoberto pelo incauto Eric (Lou Taylor Pucci) que não tarda a sentir na pele os efeitos da possessão. O ritual de libertação do primeiro filme era mais sinistro acompanhado de um nostálgico toca-fitas do qual se ouvia uma amedrontadora voz entoando os espíritos do mal. A nova versão encontra outra maneira de impactar com a sequência, algo mais próximo da proposta séria e pesada adotada.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

PÂNICO NO LAGO

NOTA 4,0

Dentro do que se propõe e ao
que o gênero lhe permite, fita
sobre crocodilo gigante é acima da
média e o passar do tempo lhe fez bem
Cobras, aranhas, formigas, morcegos... Hollywood adora transformar animais em cruéis vilões, sejam por caprichos da própria natureza ou pela interferência do homem através de experiências genéticas. Antes podíamos achar que serpentes gigantescas, por exemplo, eram criações marqueteiras do cinema, mas uma busca por sites como o You Tube revela vídeos bizarros envolvendo bichos atípicos lutando por suas sobrevivências e levando seus instintos de caça às últimas consequências. Muito antes destes vídeos supostamente reais invadirem a internet, produtores norte-americanos já exploravam o filão de olho no público consumidor de fitas trash e masoquistas de plantão. Febre na década de 1980, principalmente por a maioria ser lançada diretamente ou realizada especialmente para abastecer o mercado de vídeo, produções do tipo pareciam não ter mais espaço no final do século 20, mas ainda assim vez ou outra algum título do tipo via a luz do dia como Pânico no Lago, que se beneficiou do passar do tempo que o transformou em uma espécie de filme B cult, ainda mais comparando sua razoável qualidade em comparação as suas ridículas continuações, uma mais tosca que a outra. Escrita por David E. Kelley, a trama se passa em uma pequena cidade do estado do Maine, nos EUA, cujo bucolismo é quebrado quando o xerife Hank Keough (Brendan Gleeson) encontra próximo a um lago o corpo partido ao meio de um rapaz com marcas de ataque de algum tipo de animal, provavelmente um crocodilo. Em todo caso, ele manda para um museu de história natural um pedaço de dente que estava incrustrado no cadáver e a paleontóloga Kelly Scott (Bridget Fonda) é obrigada a viajar para o local, mas logo de cara se estranha com Jack Wells (Bill Pullman), o oficial do Departamento de Caça e Pesca local, mas como onde há fumaça há fogo já sabemos no que vai dar isso. Por fim chega à cidade Hector Cyr (Oliver Platt), um excêntrico milionário que é obcecado por crocodilos por conta da mitologia que os cerca. Em várias culturas milenares tal bicho é reverenciado como uma figura religiosa, mais importante que qualquer deus, e a ao constatar que se trata de uma espécie rara com quase de dez metros de comprimento os interesses da equipe batem de frente. Para quem veio de fora seria um feito e tanto capturar e manter vivo o animal a fim de estudar melhor seu comportamento e origens, mas para quem mora na cidade isto é o mesmo que manter um assassino à solta e até os membros da expedição correm riscos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

UM SUBURBANO SORTUDO

NOTA 2,5

Seguindo a fórmula de humor
rasteiro das comédias populares
nacionais, longa claramente é feito
para exaltar seu ator principal
Quem disse que dinheiro não compra a felicidade? Em tempos de crise os brasileiros (quiçá a população mundial) estão colocando em xeque tal máxima, só assim para justificar o alto número de filmes lançados que giram em torno do mesmo argumento, principalmente no campo das comédias. Bilhetes premiados, caixa dois de empresas, golpes de sorte, heranças caídas do céu.... Parece que o público gosta de ver populares se dando bem financeiramente, seja de forma merecida ou até mesmo por trambiques, mas já diz o ditado quem nunca comeu melado quando come se lambuza e o que fazer quando o doce está acabando? É mais ou menos essa a ideia principal de Um Suburbano Sortudo acrescida de mensagens edificantes do tipo seja sempre você mesmo e quem tem amigos tem um tesouro. Apesar do discurso batido, curiosamente a produção gera simpatia apoiada no carisma do protagonista Denílson (Rodrigo Sant’Anna), um jovem camelô metido a malandro (no bom sentido) que sustenta seus tios e primos que o acolheram desde seu nascimento e ainda ajuda como pode um suposto filho. Sua vida sofrida e sem graça muda completamente quando descobre ser herdeiro de Damião (Stepan Nercessian), o milionário dono de uma rede de lojas de eletrodomésticos e artigos para o lar que acabara de falecer. Na leitura do testamento, ou melhor, na apresentação de um vídeo-revelação um tanto cafona, os demais beneficiários ficam sabendo da existência do bastardo que orgulhoso como só ele renega a herança em um primeiro momento, mas não tarda a se mudar de mala e cuia para a mansão do pai que nunca conheceu. As ex-mulheres do falecido, Narcisa (Claudia Alencar), a amante declarada, e Gogóia (Guida Vianna), a esposa oficial, vão armar todas as armadilhas possíveis para passarem a perna no ingênuo suburbano com a ajuda de Luiz Otávio (Victor Leal), o primogênito de Damião que ocupa a cadeira de presidente de sua empresa. Já sua meia-irmã Sofie (Carol Castro) herdou o sangue bom do pai e se recusa a participar do conchavo, tornando-se o inerente interesse romântico do novo milionário do pedaço. Detalhe, na primeira, na segunda, na terceira vez que Denílson a vê um pagodinho safado e fora de moda começa a tocar enfatizando o caminhar sinuoso e em câmera lenta da moça combinando com suas expressões faciais de desejo sexual. Obviamente tudo delírio do rapaz.

domingo, 23 de outubro de 2016

AMOR POR ACIDENTE (2010)

Nota 5,0 Longa repete todos os clichês possíveis de dramas leves e comédias românticas

Há alguns anos produções rotuladas como evangélicas, mas cujos conteúdos e mensagens podem e devem ser apreciados por todos independente da religião, começaram a se popularizar fazendo com que grandes distribuidoras investissem na importação de produtos do tipo e até empresas especializadas nessa filmografia surgiram para abastecer o mercado de vídeo doméstico. A partir de 2012, uma nova onda tomou de assalto as locadoras com títulos que se orgulham de trazer um símbolo que representa os títulos recomendados para toda a família, uma exclusividade que a Focus Filmes traz para o Brasil em parceria com produtoras internacionais que estão investindo pesado neste filão. A essência destes produtos é a mesma que rege o mercado de vídeo evangélico, histórias bonitas de amor e dramas leves envolvendo problemas familiares e do cotidiano que agradam a todas as idades, excluindo qualquer traço ofensivo, porém, não envolvendo necessariamente conceitos religiosos explícitos. Amor por Acidente é um dos exemplos desta seara que tende a conquistar a atenção do público mais sentimentalista com títulos açucarados e artes das capas dos DVD que investem em beleza visual e tons pastéis. A história criada por Charles T. Daniels e Peter Facinelli gira em torno de dois jovens que se conhecem através de um acidente de trânsito e para variar a convivência inicial é das piores já que os dois são um tanto orgulhosos. Eddie Avelon (Ethan Erickson) é um ator frustrado por não ter seu rosto reconhecido nas ruas, afinal ele está sempre coberto pelo pesado e quente figurino do coelho Mulligan, personagem de um popular programa infantil.  Annie Benchley (Jennie Garth) é uma jovem viúva que trabalha como garçonete em uma lanchonete. Após o acidente, eles passam a se esbarrar eventualmente e sempre trocam farpas já que a moça não se conforma que o rapaz praticamente ignorou o acontecido, embora ninguém tenha se ferido. O ponto de equilíbrio entre eles atende pelo nome de Taylor (Dannika Northcott), filha de Annie, uma garotinha de apenas seis anos de idade que é fã incondicional do coelho Mulligan.

sábado, 22 de outubro de 2016

CAÇADORES DE TRÓIA

Nota 6,0 Produção alemã tem clima de aventura dos anos 60 e explora lenda estrangeira

Em 2007 o cineasta Julio Bressane ousou ter a ideia de fazer uma versão da história de Cleópatra filmada em solo e com elenco brasileiro. Preconceituosos como somos, obviamente o longa teve uma passagem relâmpago pelos cinemas e hoje desfruta do pleno ostracismo. Por que isso? Na escola é costume aprendermos um pouco sobre a cultura de boa parte dos países que ajudaram a construir a história e a linha evolutiva das civilizações, portanto, não há nada de errado em um diretor brasileiro ter a ousadia de filmar sua visão sobre algum mito característico de outra nação, mas infelizmente nos acostumamos que é a turma norte-americana que pode usar e abusar de temáticas alheias, isso porque nas aulas de História por lá o patriotismo é exagerado e parece que só existe os EUA no mundo. Por causa desse conceito errado bons trabalhos acabam passando em brancas nuvens como é o caso da aventura Caçadores de Tróia, produção da Alemanha caprichada em termos visuais que aborda um mito da cultura grega. Na trama roteirizada por Don Bohlinger, Heinrich Schliemann (Heino Ferch) desde a infância tem seus sonhos povoados por aventuras passadas na cidade de Tróia e não por acaso quando adulto ele se tornou um especialista em antiguidades. Em Berlim, em 1868, durante uma conferência ele é achincalhado pelos colegas por causa de suas teorias de que a mítica cidade grega realmente existiu e poderia ser encontrada. Como um homem de posses, Heinrich resolve jogar tudo para o alto e se aventurar numa expedição, mas apaixonado pela cultura grega ele tem o excêntrico desejo de se casar com uma legítima mulher desta nacionalidade para ostentar como um troféu quando encontrasse seu tesouro e triunfasse sobre aqueles que um dia o humilharam. Assim ele consegue um casamento arranjado com a jovem Sophia (Mélanie Doutey), cujos pais estão de olho no que podem lucrar com essa união. O problema é que a moça namora escondido um rapaz de idade compatível e tão pobre quanto ela, o que faz com que ela trate com rispidez e rebeldia seu noivo. Todavia a união acontece e ambos partem juntos rumo a expedição.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

DUMBO (1941)

NOTA 8,5

Com orçamento limitado, mas
muita criatividade, desenho é
delicado, divertido e emociona
com um tema sempre atual
A história dos estúdios Disney e dos bastidores acerca de cada produção saída de lá até hoje despertam muita curiosidade e torna-se ainda mais especial revermos ou apresentarmos as novas gerações tais clássicos quando temos em mente o contexto histórico da época de seus lançamentos e percebemos que suas lições de moral ainda têm validade. Hoje em dia, as humilhações vividas por qualquer um em seu ambiente escolar, profissional, familiar ou até mesmo na rua estão no foco dos noticiários e debates em diversas instituições. Qualquer deslize ou algo diferente em seu aspecto físico pode virar alvo de chacota. Inicialmente pode até ser divertida a brincadeira, mas conforme ela se torna constante e ofensiva pode se transformar em um ato criminoso, o popular bullying, palavra estrangeira empregada para denominar tais práticas provenientes de pessoas sem o mínimo de respeito ao seu semelhante. Porém, o problema não é uma novidade do mundo moderno. Sem o título americano, esse inconveniente já ocorre há muitos anos, talvez desde os primórdios do homem na Terra, e é um conflito muito explorado pelo cinema, enfocando na maioria das vezes o público infantil, faixa etária em que a discriminação acontece em proporções assustadoras. Tal tema foi utilizado com sucesso, por exemplo, em uma inteligente metáfora na animação Dumbouma produção Disney lançada em 1941 e baseada na obra homônima de Helen Aberson e Harold Perl. Este é o quarto longa de animação do estúdio e é considerado um dos maiores clássicos do gênero de todos os tempos, tanto é que foi relançado em cinemas e em home vídeo diversas vezes, já que seu conteúdo é universal e atemporal, afinal é impossível encontrar alguém que pelo menos uma vez na vida não se sentiu excluído ou inseguro mesmo quando adulto. A história gira em torno de um elefantinho chamado Jumbo Jr. que, além de nascer com orelhas desproporcionais ao seu corpo, tem a fama de ser desengonçado, por isso ele recebeu o apelido de Dumbo, palavra que em inglês significa estúpido. Vivendo desde pequeno em um circo, ele sempre foi ridicularizado pelos outros elefantes que levavam a sério a frase da canção "um elefante incomoda muita gente", mas tudo por pura maldade. Dumbo só contava com o amor e carinho de sua mãe até que ele faz amizade com o prestativo ratinho Timóteo que vai ajudá-lo a enfrentar esses problemas e mostrar seu valor. Essa amizade, um dos pontos altos do filme, é uma clara paródia ao medo que esses grandes mamíferos têm de roedores.

domingo, 16 de outubro de 2016

DO OUTRO LADO DA LINHA

Nota 5,0 Comédia romântica segue caminho comum e desperdiça tema sobre choque cultural

Já faz algum tempo que a Índia está na moda no meio cultural e o cinema obviamente também quer tirar proveito disso como prova a avalanche de prêmios concedidos para Quem Quer ser um Milionário?, mas muitas produções menores e despretensiosas buscam inspiração nesse casamento de costumes.  Do Outro Lado da Linha é uma simpática comédia romântica que procura fazer uma ligação entre o oriente e o ocidente através das conversas telefônicas entre dois jovens de origens diferentes, mas objetivos idênticos: vencerem na vida e viverem um grande amor. Após ter problemas com seu cartão de crédito, o publicitário Granger Woodruff (Jesse Metcalfe) acaba fazendo amizade com a atendente de telemarketing de seu banco, a simpática Jennifer Davis (Shriya Saran). As conversas por telefone vão ficando cada vez mais frequentes até que um dia eles combinam de se conhecer pessoalmente, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância. Todavia, a jovem não aparece e Woodruff conhece uma outra indiana, Priya Sethi, que diz ter vindo aos EUA para o casamento de um parente. Os dois passam a se dar muito bem e o interesse é recíproco, porém, o rapaz tem uma grande surpresa quando descobre que essa moça é a mesma que o atendia pelo telefone e que fingiu ser uma outra pessoa para que ele não descobrisse suas origens e sua situação familiar afinal ela já é prometida a um noivo indiano, Vikram (Asheesh Kapur). Para a garota as coisas se complicam quando sua família viaja atrás dela cobrando explicações. A premissa poderia render uma boa comédia açucarada, mas o roteiro de Tracey Jackson, responsável pelo ótimo Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, neste caso é preguiçoso e aposta em uma trama um tanto clichê de romance baseada nos encontros ao acaso. Dessa forma, perde-se a oportunidade de aprofundar questões a respeito das diferenças de cultura entre os protagonistas. Ok, o público-alvo deste trabalho quer mesmo é ver uma variação dos contos de fadas e acompanhar a história da plebeia indiana e do príncipe americano com direito a todos os clichês possíveis do gênero.

sábado, 15 de outubro de 2016

AURORA BOREAL - ENCONTRO COM A VIDA

Nota 6,0 Drama sobre amadurecimento tardio é correto, mas não vai além dos clichês 

Filmes sobre jovens revoltados ou que não querem crescer são lançados aos montes todos os anos, mas são poucos os que se destacam e conseguem tratar o assunto de forma profunda.  Aurora Boreal – Encontro com a Vida não foge à regra. Esta produção independente é bem-feitinha, tem um elenco com nomes de peso, uma premissa interessante, mas não consegue explorar com profundidade o mundo vazio no qual o protagonista vive. Desde a prematura morte de seu pai, Duncan Shorter (Joshua Jackson) não tem levado a vida muito a sério. Ele só quer saber de garotas, festas, bebidas, odeia a melancolia da cidade em que vive e não se estabiliza em emprego algum. Sua decepção com a vida vem desde a adolescência devido ao fato de ter perdido seu pai por causa do vício em drogas e por sua mãe ter ido embora para outra cidade logo após ficar viúva, assim ele e seu irmão Jacob (Steven Pasquale), acabaram tendo que encarar os desafios da vida praticamente sem a segurança de um adulto por perto. Jacob adotou uma postura mais segura diante das dificuldades, conseguiu um bom trabalho, casou, teve filhos, mas de vez em quando recorre a ajuda do irmão para ter onde passar algumas horas com outra mulher. Já Duncan abandonou a promissora carreira como jogador de hóquei, afastou-se da família e passou a levar uma vida desregrada estendo sua adolescência além do permitido. Por outro lado, a saúde precária de seu avô Ronald (Donald Sutherland) acaba o mantendo sempre por perto principalmente quando ele consegue um trabalho para fazer a manutenção do edifício onde o idoso vive. É nesse lugar que surge a possibilidade de Duncan mudar os rumos de sua vida a partir de um novo amor. Kate (Juliette Lewis) é a enfermeira de Ronald, uma garota séria e bastante segura do que quer na vida. O interesse do rapaz pela moça é correspondido e logo eles estão namorando, mas ela está de mudança para a Califórnia em breve e para acompanhá-la Duncan terá de provar que amadureceu e que agora sabe que a vida não é feita só de curtições, mas também de responsabilidades.

domingo, 9 de outubro de 2016

O VIOLINISTA QUE VEIO DO MAR

Nota 7,0 Embora esteticamente bela, obra não explora todo potencial de seu elenco e argumento 

Como é bom quando começamos a assistir de forma descompromissada um filme pouco conhecido e ao final temos a sensação de termos descoberto uma pequena joia. Apesar de não aproveitar todo o potencial de seu argumento e elenco, O Violinista Que Veio do Mar é uma dessas gratas surpresas, embora por contar com as veteranas e exigentes Maggie Smith e Judi Dench como protagonistas já deixa claro que é um produto no mínimo com roteiro interessante. Aqui ainda há a contemplação de belíssimas imagens de um de cenário litorâneo, uma direção de arte impecável e uma trilha sonora encantadora. Inspirada em um conto do escritor inglês William Locke, a história se passa em meados da década de 1930 quando as irmãs Ursula (Dench) e Janet (Smith), já idosas, dividem a mesma casa em uma pequena vila na costa norte da Inglaterra. A rotina pacata delas é abalada ao encontrarem um jovem náufrago após uma forte tempestade. Com dificuldades inicialmente para se comunicarem com o alemão Andrea (Daniel Brühl), as bondosas senhoras lhe oferecem abrigo e cuidam para reestabelecer sua saúde. Com talento para tocar violino, aos poucos o rapaz vai aprendendo a falar uma nova língua e a criar intimidade com as irmãs, um sentimento de afeição mútuo, porém, com direções diferentes. A renovação de ânimos e de prazer em viver que o jovem traz acaba se tornando um motivo para tirar a paz de suas cuidadoras já que ambas se apaixonam por ele. Para Janet ele traz de volta lembranças do seu marido, o grande amor que perdeu na Primeira Guerra Mundial, enquanto a solteirona Ursula demonstra um carinho e preocupação exagerados pelo violinista impulsionada por sentimentos que até então jamais havia vivenciado. Todavia, Andrea acaba se apaixonando pela artista plástica russa Olga (Natascha McEllone) com quem divide o apreço pela arte e se identifica com as dificuldades de se adaptar a um novo endereço. Fascinada pelo dom musical do rapaz, a pintora convence seu irmão, um famoso maestro que comanda uma orquestra em Londres, a lhe dar uma chance de trabalho, contudo, ele vive o dilema de escolher realizar seu sonho profissional ciente de que sua partida traria sofrimento para aquelas que o acolheram num momento de dificuldades.

sábado, 8 de outubro de 2016

SETE ALMAS

Nota 0,5 Nota é só um agrado aos responsáveis pela edição forçados a horas de tortura 

Com a sugestiva frase de efeito “o mal encontrou um novo lar”, Sete Almas é uma tremenda decepção, um dos piores filmes dos últimos anos e Val Kilmer, que fora um dos grandes astros da década de 1990, encabeçando seu elenco apenas revela seu desespero para pagar as contas. Os minutos iniciais já deixam clara a falta de identidade e criatividade do longa. O prólogo bebe descaradamente na fonte de outras produções de horror como o lendário Terror em Amityville mostrando um garotinho que assassina toda sua família durante uma tenebrosa noite de chuva e escuridão obviamente culpando uma voz manipuladora como responsável pelos seus atos. O massacre aconteceu um século antes da ação principal da trama, porém, o diretor Kevin Carraway, de O Quarto do Medo, não explora as possibilidades e tem pressa em resumir o prólogo afinal tem consciência de que não está trazendo nada de novo ao espectador, nem mesmo quanto aos cortes de edição que revelam um manjado truque de câmeras em ritmo acelerado. Nos tempos atuais, o advogado Bill McCormick (Kilmer) e sua ex-esposa Brooklyn (Boonie Somerville) estão voltando de uma viagem após alguns dias para repensarem o casamento, mas sem sucesso. Na mesma van estão os irmãos Isaac (Luke Goss) e Adam (Matt Barr) e o Dr. Lipski (Christian Baha), todos que acabam presos em meio a mata fechada por conta de um acidente com o carro. Eles são socorridos pelo misterioso Jack (Ving Rhames) que os convida para passar a noite em sua casa por conta de uma forte tempestade e pelos acessos à estrada estarem interditados. O cara é sinistro! Quem em sã consciência toparia essa ajuda? A partir do momento que estão sob os cuidados desse completo desconhecido, eles percebem que há algo de estranho nesta acolhida e nem mesmo um telefone para pedir ajuda existe na casa. E os tropeços do roteiro de Lawrence Sara em parceria com Carraway surgem como avalanches. Mesmo sabendo que não teria para onde ir com um carro, Adam encasqueta que precisam ter alguns suprimentos para a noite que de antemão promete ser infernal.... Para eles, fique claro. Ao público um tremendo engodo.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O EFEITO DA FÚRIA

NOTA 4,0

Drama enfoca a vida de
personagens após sofrerem
um trauma, mas roteiro
frouxo não prende atenção
Quando somos crianças é comum termos medo de muitas coisas, afinal de contas estamos conhecendo o mundo. Observando dessa forma, ter medo de fantasmas é algo normal até para um adulto já que a vida após a morte é e provavelmente continuará sendo uma eterna incógnita. Porém, nos dias atuais nada deve causar mais medo do que o próprio homem e a violência que ele instiga no seu dia-a-dia nos mais diversos ambientes e contra pessoas conhecidas ou não. Já pensou você sair para jantar com a família em um restaurante e não ter a certeza se voltará são e salvo com todos? Isso poderia ser ficção, mas infelizmente tornou-se uma realidade frequente provocada pela maldade de algumas pessoas que cometem assaltos, sequestros e até mesmo assassinatos em troca de dinheiro, jóias, carros ou ainda pelo motivo de não satisfeitos com suas vidas alguns indivíduos decidirem se matar, mas não sem antes provocar o sofrimento de outras pessoas, como se fosse uma maneira de extravasar a raiva que sentem da vida por inúmeras razões. Roy Freirich optou pela segunda opção para desenvolver o roteiro de O Efeito da Fúria, um drama irregular que não joga o foco no “vilão”, mas centra suas atenções nos personagens que sobreviveram aos seus atos irracionais. Adotando uma linha narrativa fragmentada e com muitos flashbacks, ao longo do filme ficamos sabendo o que realmente aconteceu em uma tarde ensolarada dentro de uma lanchonete, o que houve com as pessoas que saíram com vida de lá e como tal fatalidade atingiu as pessoas que convivem com os sobreviventes. Todavia, esse vai e vem do tempo e algumas ações dos personagens acabam tornando este filme cansativo e por vezes confuso. Se a intenção era emocionar com o drama destas pessoas, o diretor Rowan Woods, do drama Sob o Efeito da Água, não conseguiu alcançar seus objetivos plenamente, no máximo causar certo desconforto no espectador que pode até julgar as ações de quem está em cena, mas como ele próprio reagiria se sobrevivesse a uma tragédia? É essa inquietação que o filme consegue provocar, uma sensação que corriqueiramente vivenciamos acompanhando a cobertura da mídia sobre episódios tristes e marcantes, como um tiroteio em uma sala de cinema, uma explosão em uma boate ou um sequestro que termina com morte. Indiferente, amedrontado, sensibilizado, desamparado, crítico, são várias as formas que um ser humano pode reagir a episódios do tipo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

VERÔNICA

NOTA 8,0

Thriller nacional tem
estilo próximo de filmes
americanos em termos de
agilidade e narrativa
O cinema nacional já deixou há muito tempo de ser sinônimo de filmes bobos ou de conteúdo duvidoso e cada vez mais está conseguindo se destacar em diversos gêneros. Algumas pessoas reclamam da repetição de temas como miséria e violência expostos em cenários de periferia ou tendo a aridez nordestina ou a paisagem rural como fundo. Bem, realmente vira e mexe as nossas produções enfocam personagens que retratam as pessoas marginalizadas que vivem em áreas com condições de vida precária, sejam elas de boa ou má índole. Grandes sucessos já surgiram a partir dessas temáticas, como Central do Brasil e Cidade de Deus, mas é muito maior o número de fracassos de público que surgiram visto que alguns cineastas enveredam pelo caminho da violência e da sexualidade exageradas em busca de reconhecimento da crítica sem se preocupar se realmente é isso que os espectadores esperam. Esses profissionais tendem a criticar aqueles que trabalham com um cinema mais comercial e cuja estética até se aproxime do que se espera de uma produção estilo Hollywood, guardada as devidas proporções obviamente. O fato é que existem diversos filmes muito bons em nossa filmografia que acabaram sendo prejudicados pela overdose de títulos com temas semelhantes que foram lançados em um passado recente e é claro que o preconceito com o cinema brasileiro ainda existe e continua causando impactos negativos. Verônica é uma vítima disso. Mesmo trazendo à tona um enredo que toca no tema violência e pobreza, tudo é tratado de forma menos chocante, porém, sem perder o foca na realidade. Fazendo denúncia social, a história é centrada em uma mulher do povão que vive em um pequeno apartamento do subúrbio, tem um jeitão de valentona e fala o que lhe vem a cabeça. Professora frustrada, de repente ela se vê em meio a uma intriga envolvendo um menor de idade e perigosos bandidos. Por estas poucas palavras já dá para sentir a inspiração nos filmes policiais americanos. Por que quando os ianques reciclam a fórmula pela centésima vez ainda tem pessoas prestigiando e na vez do Brasil tentar fazer sua versão o público apedreja? 

domingo, 2 de outubro de 2016

MAIS DO QUE VOCÊ IMAGINA

Nota 5,0 Comédia é correta e simpática, mas fora de seu tempo com suas situações nostálgicas

Quando você decide assistir uma comédia romântica automaticamente já compra a ideia de um final feliz e é justamente o que procura. Troca-se alguns elementos aqui, adiciona uma dose de ação ou drama ali, mas o gênero sobrevive sobre alicerces inabaláveis. Mais do Que Você Imagina passa longe da pretensão de revitalizar esse tipo de produção, mas consegue fazer um razoável casamento entre humor e uma trama de espionagem, porém, ao término fica a estranha sensação de nostalgia. O longa escrito e dirigido por George Gallo, de O Mestre da Vida, tem um quê de lembranças de filmes produzidos entre a década de 1980 e início dos anos 90 que por pouco não conseguimos ouvir o chiar dos cabeçotes do videocassete durante a projeção, mas isso não é necessariamente um problema. A fita simplesmente se resume a uma história um tanto ingênua, previsível e datada, um passatempo ligeiro que certamente bombaria nos áureos tempos da “Sessão da Tarde”. O filme começa com a despedida de Henry Durand (Colin Hanks), um jovem agente do FBI que está saindo de casa para morar e trabalhar em outra cidade e seguindo o protocolo da profissão deve manter sigilo absoluto sobre suas atividades de agora em diante, não podendo nem mesmo manter contato som sua própria mãe. Marta (Meg Ryan) vive infeliz desde a morte do marido, um fora-da-lei com quem não viveu um casamento de sonhos, e acabou se entregando aos vícios do cigarro, bebidas e guloseimas, tornando-se uma mulher obesa, de aspecto fatigado e sem vaidade alguma, não sendo à toa que chega a ser confundida com uma mendiga. Três anos se passam e finalmente Durand pode voltar para a casa da mamãe, agora trazendo a tiracolo a sua noiva, Emily (Selma Blair), também metida com missões de espionagem. Embora não soubesse da novidade Marta não se espanta, ao contrário, ela mesma é quem surpreende o filho. Após ganhar um bom dinheiro investindo na bolsa de valores, a cinquentona decidiu mudar sua rotina radicalmente, passou por algumas plásticas para ficar gostosona e decidiu curtir a vida sem medo de ser feliz colecionando paqueras, principalmente flertes com garotões com idade para serem seus filhos. Até o nome ela mudou para Marty, algo mais apropriado para essa sua nova fase.

sábado, 1 de outubro de 2016

RIPPER - MENSAGEIRO DO INFERNO

Nota 2,0 Mesmo buscando inspiração em lendário assassino, terror não sai do lugar comum

Sabe aquele sábado chuvoso ou de frio que te dá a maior vontade de ficar curtindo uma preguiça em casa? Datado desde seu lançamento, Ripper – Mensageiro do Inferno seria uma companhia típica para madrugadas do tipo. É um daqueles filmes que os amantes de terror certamente alugariam por não ter outra opção na locadora ou chamaria a atenção dando uma zapeada pelos canais de TV, mas acabaria sendo esquecido em poucos minutos. Lançado quando as fitas de seriais killers viviam um período já de franco esgotamento depois de Pânico e similares esgotarem as possibilidades de surpreender o público repaginando o subgênero tão característico da década de 1980, não sobrou muita coisa para o diretor John Eyres brincar de assustar. A história começa mostrando um massacre promovido por um psicopata ocorrido durante uma viagem de barco do qual apenas uma adolescente se salvou. Ela é Molly Keller (A. J. Cook) que após cinco anos da tragédia ingressa em um curso para se especializar na análise de perfis psicológicos e de comportamento de assassinos seriais. Suas ideias quanto ao histórico de vida e como ele influencia no jeito de ser e agir destes bandidos batem de frente com os pensamentos do misterioso professor Martin Kane (Bruce Payne). Em uma das aulas ele comenta sobre o lendário Jack, o Estripador, um dos primeiros assassinos em série da História que chocou a cidade de Londres, na Inglaterra, violentando e mutilando cruelmente prostitutas, sempre mantendo um mesmo estilo de ataque. Poucos dias após a tal aula, uma das alunas é assassinada com dezenas de facadas e requintes de crueldade (ou deveria ser assim) durante uma festa, o que aguça a curiosidade de um grupo de estudantes a traçarem o perfil do criminoso. Quando outra universitária é encontrada morta e seu corpo com sinais de violação praticamente idênticos ao da outra garota, eles passam a desconfiar que o assassino segue a mesma metodologia de Jack. Além disso, o detetive de polícia Kelso (Jurgen Prochnow), que investigou o massacre que traumatizou Molly, tem a certeza de que o mesmo psicopata está de volta para se vingar da jovem e todos que a cercam também correm perigo. Ou seria ela mesma a assassina?

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