terça-feira, 4 de julho de 2017

MINHA MÃE É UMA PEÇA 2

NOTA 7,0

Sequência das peripécias da
mãezona tresloucada é tão boa
quanto o filme original, mas acende o
sinal de alerta quanto a repetição de temas
Ela está em cena de novo! Minha Mãe é Uma Peça 2 traz de volta Dona Hermínia, a mãe superprotetora, falastrona e que não leva desaforo para casa, mas também uma mulher invariavelmente engraçada, carismática e fácil identificação com o público. Não é a toa que seu primeiro filme foi a maior bilheteria do cinema nacional em 2013 e sua continuação praticamente dobrou o número de espectadores. O segredo de tanto sucesso atende pelo nome de Paulo Gustavo, um fenômeno popular mesmo estando fora da maior vitrine publicitária do Brasil, a Rede Globo. Melhor dizendo, ele não é um contratado, mas sempre está em cartaz com algum seriado de humor no Multishow, canal fechado pertencente ao mesmo conglomerado de comunicação, e seus filmes ganham propaganda maciça na programação do plim-plim. Só não é ou foi um global ainda talvez porque seu estilo de fazer comédia não se encaixe em um padrão para toda família. É curioso que o cotidiano de Hermínia, que criou com inspiração em sua própria mãe, conquiste desde crianças até velhinhos, mesmo com palavrões e algumas poucas piadas de duplo sentido. Todos tem alguma tia, prima, vizinha ou até mesmo uma mãe nesse mesmo estilo e é praticamente impossível não dar algumas gargalhadas com suas atrapalhadas e jeito desbocado de ser. Mais uma vez com roteiro do próprio ator em parceria com Fil Braz, a sequência também se apoia totalmente sobre a protagonista que continua com suas exageradas preocupações a respeito do que seus filhos fazem ou deixam de fazer. Mais velhos e ligeiramente menos imaturos, os pimpolhos agora querem deixar Niterói, no Rio de Janeiro, e desbravar novos horizontes, mais especificamente a cidade de São Paulo. Marcelina (Mariana Xavier) continua a mesma esfomeada de sempre, mas decide ocupar parte de seu tempo ocioso investindo em um curso de teatro. Já Juliano (Rodrigo Pandolfo) está batalhando um emprego em um conceituado escritório paulista de advocacia e em dúvida quanto a sua sexualidade. Se antes se assumia um gay convicto, agora acredita que pode ser bissexual ou até mesmo um hétero pegador. E Garib (Bruno Bebianno), o primogênito, mais uma vez não recebe atenção do roteiro e é acionado apenas para lembrar que agora Hermínia também é vovó, notícia que encerrou abruptamente o filme original.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

MINHA MÃE É UMA PEÇA - O FILME

NOTA 8,0

Adendo "o filme" no título serve para
lembrar que estamos vendo um produto
feito para o cinema apesar de sua
estética e ritmo de humorístico de TV
Podem criticar à vontade, mas é inegável que se hoje temos produções nacionais suficientes para brigar por espaço com badalados filmes estrangeiros isso se deve a arrecadação de nossas comédias. E não são aquelas de humor cabeça que passam anos em produção para depois ficar uma semana em cartaz ou que apenas gastam incentivos do governo para massagear o ego de seus realizadores. O que dá dinheiro são aquelas bem populares com jeito de episódio de seriado da Globo com duração acima da média. Neste subgrupo se encaixam também as adaptações teatrais, textos que fizeram sucesso nos palcos e buscam ampliar seu público chegando a lugares onde as peças não teriam condições de serem apresentadas. Todavia, Caixa 2, Polaróides Urbanas  e Fica Comigo Esta Noite são apenas alguns exemplos de tentativas frustradas de se fazer essa transição dos palcos para a telona. Já A Partilha, E aí... Comeu? e Trair e Coçar é Só Começar conseguiram resultados mais satisfatórios em termos de repercussão popular, mas não podemos deixar de citar o fracasso do badalado projeto de Irma Vap – O Retorno. A onda de adaptações do tipo já poderia ter sido abolida há algum tempo, mas como lidar com a tentação de lucrar alguns trocados com projetos simples e de cronograma curto, ainda mais com o benefício de uma publicidade extra de uma boa carreira no teatro? Minha Mãe é Uma Peça – O Filme teve um lançamento sustentado pelo marketing de que mais de um milhão de espectadores assistiram ao espetáculo durante os seis anos em que foi encenado Brasil afora. A razão do sucesso atende pelo nome de Paulo Gustavo, comediante que despontou na mídia feito foguete mesmo sem o respaldo do “plim-plim”. Apesar de toda superexposição que teve repentinamente, o humorista não é contratado da Globo, fez seu nome basicamente no teatro e foi catapultado ao estrelato participando de seriados e programas de canais fechados (embora pertencentes ao grupo dos globais). Após atuar no filme Divã, ele virou uma espécie de arroz de festa. Vira e mexe está dando entrevistas ou fazendo participações especiais na TV, tornando-se um rosto tão famoso e enjoativo quanto de Fábio Porchat, Bruno Mazzeo ou Marcelo Adnet, todos coincidentemente bombando nos cinemas com produções de humor rasteiro e clichê tão similares que fica até difícil saber quem protagonizou o quê.

sábado, 1 de julho de 2017

A CHEFA

Nota 3,0 Feito para atriz principal brilhar, comédia é rasteira e com argumento mal desenvolvido

Quem é Melissa McCarthy? Até o sucesso de Missão Madrinha de Casamento, que lhe rendeu uma inesperada indicação ao Oscar como coadjuvante, ela era apenas uma ilustre desconhecida, aquela gordinha engraçada que você sabe que já viu em algum filme ou série, mas cujo nome não sabia ou lembrava. Sua primeira cena em A Chefa, coincidência ou não, lembra bastante a postura da atriz em aparições públicas após as indicações a prêmios: cheia de marra e vendendo a imagem de uma pessoa vitoriosa e amada por todos. Michelle Darnell, sua personagem, faz a abertura do show de um rapper e é ovacionada por milhares de pessoas inebriadas por sua aura de sucesso. Dona de várias empresas e autora de um best-seller de auto-ajuda, ela faz questão de destacar que se tem muito dinheiro e poder é graças a muita dedicação ao trabalho, mas nos bastidores ela é odiada por aqueles que são obrigados a conviver com sua tirania e futilidade. Claire (Kristen Bell), sua assistente há anos, nunca reclamou dos mandos e desmandos, mas está aguardando uma promoção faz tempo e quando decide colocar a empresária contra a parede é tarde demais. Investigada em um caso de corrupção e espionagem empresarial, a magnata que até então se considerava intocável e que tudo seu dinheiro poderia comprar acaba indo parar atrás das grades. Meses depois lhe é concedida liberdade condicional, mas agora todo seu patrimônio está confiscado e apenas Claire que tanto humilhou e explorou é quem oferece ajuda, muito por insistência de Rachel (Ella Anderson), a filha pequena de sua ex-colaboradora que é mãe solteira. Michelle então vai morar por alguns dias no pequeno apartamento delas, mas espaçosa como ela só a estadia acaba se estendendo a perder de vista e a convivência inicialmente é bastante conturbada. Contudo, o roteiro simplifica tal relação ao máximo e num passe de mágica  a harmonia reina absoluta entre elas a ponto de firmarem uma sociedade para venderem brownies, a especialidade de Claire na cozinha.

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