Nota 3,0 Feito para atriz principal brilhar, comédia é rasteira e com argumento mal desenvolvido

Tentando transmitir edificantes
mensagens a respeito de valorização das amizades, humildade, solidariedade e
outras coisas positivas, o roteiro de Steve Mallory com pitacos de McCarthy e
de seu marido Ben Falcone, também diretor da fita, acaba se perdendo em meio a situações
previsíveis e gags visuais nem sempre funcionais. É nítido que o filme foi
feito para a protagonista brilhar, assim como Tammy, projeto anterior do casal, mas talvez ela tenha levado isso
ao pé da letra e exagerou no histrionismo. O enredo simplesmente joga na tela
uma personagem rechonchuda, com visual espalhafatoso e escandalosa. Não há
construção de um perfil bem delineado. Um prólogo mal ajambrado nos revela que
na infância Michelle vivia de idas e vindas para um orfanato, sempre rejeitada
pelas famílias que tentavam adotá-la, o que revela seu gênio forte e indomável.
Poderia ser uma história de superação, mas o comportamento da personagem adulta
deixa explícito que enriqueceu pisoteando em cima dos outros. Não é a toa que
recém-saída da cadeia passa a ser persenguida por Renault (Peter Dinklage), seu
antigo namorado que também foi prejudicado por ela, apesar de ele também não
ser nenhuma flor que se cheire. O longa também perde a chance de trabalhar
temas a respeito da ascensão da mulher no mercado de trabalho e sobre
empreendedorismo. Michelle por trás da imagem segura que vende esconde uma
romântica inveterada (ou seria uma tarada?) e Claire obviamente não deixa de
ter um interesse romântico para incentivá-la nos negócios, no caso Mike (Tyler
Labine). E parte do argumento apesar de lembrar o esquecido Presente de Grego, no qual a personagem
de Diane Keaton enxerga na necessidade de fazer papinhas de bebê a oportunidade
de um negócio, aqui é usado como uma mera desculpa para a união da empresária
falida e sua ex-funcionária em prol de sua reestruturação financeira e de
status. Mesmo com problemas, A Chefa passa
despercebido como um passatempo, mas é a prova de que McCarthy já não pode mais
bancar a citada pose de bambambã. Tal qual sua personagem, sua carreira de uma
hora para a outra pode ruir.
Comédia - 99 min - 2016
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