terça-feira, 31 de dezembro de 2019

LA LA LAND - CANTANDO ESTAÇÕES

NOTA 9,0

Evocando toda a alegria e emoção
dos áureos tempos de Hollywood.
musical aborda a busca dos sonhos e as
dificuldades para superar frustrações
Um dia de sol escaldante e centenas de pessoas estão presas em um engarrafamento a perder de vista. De repente ouvem-se alguns acordes harmônicos e alegres e não demora muito para alguém começar a cantar. Logo outro e mais outro até que uma multidão começa a sair dos carros para cantarolar, dançar e esquecer do momento de estresse. E quem assiste no ato é lançado para um típico musical dos tempos áureos de Hollywood e se você conseguir se sentir fazendo parte dessa cena isso quer dizer que ainda na introdução La La Land - Cantando Estações atingiu seu principal objetivo: regatar o cinema em sua nobre e simples função de apenas oferecer uma opção para se fugir da realidade, mesmo que por poucas horas. Desde sua primeira exibição no Festival de Veneza, o longa vinha arrancando elogios rasgados da crítica e arrebatando prêmios já indicando que seria presença respeitável no Oscar. Dito e feito. Ganhou seis merecidas estatuetas, mas tinha fôlego para mais, incluindo Melhor Filme. Por alguns instantes o diretor Damien Chazelle chegou a segurar a famigerada estatueta dourada, mas teve a ingrata tarefa de desfazer um constrangedor imbróglio. Os apresentadores haviam lido o envelope errado (algo que não ficou muito bem explicado e colocaram panos quentes rapidamente) e o prêmio era na verdade para outra produção bem menos glamorosa. De qualquer forma, nada que abalasse a reputação de uma produção vitoriosa comandada por um jovem cineasta que despontou um ano antes com o tenso Whiplash - Em Busca da Perfeição, que já enveredava pelo universo da música, e que lhe deu subsídios para no próximo trabalho investir em um gênero bastante datado. Talvez por isso mesmo resolveu rechear sua obra de citações a musicais de sucesso como Cantando na Chuva, Melodia da Broadway e Sinfonia de Paris entre tantos outros. A trama gira em torno de dois românticos e sonhadores que desejam vencer na vida com seus dons artísticos. Mia (Emma Stone) é atendente em uma cafeteria que faz divisa com um grande estúdio de cinema, o que alimenta ainda mais seu sonho de ser atriz, mas nunca consegue passar nos testes. Já Sebastian (Ryan Gosling) é um talentoso pianista que almeja perpetuar o ritmo do jazz, mas tem que se contentar em tocar em uma pequena banda de festas particulares ou em restaurantes, lugares onde as pessoas pouco se importam para o que estão ouvindo.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

POSEIDON

NOTA 6,0

Refilmagem de clássico do
cinema-catástrofe deposita
suas forças nos efeitos especiais
e fica devendo em história
Na década de 1970 tornaram-se populares os chamados filmes-catástrofes, produções que mesclavam ação e suspense colocando grupos de pessoas em risco em acidentes devido a ação do próprio homem ou por conta da fúria da natureza. Terremotos, explosões, afogamentos, enfim a lista de tragédias é grande e praticamente todas elas foram reunidas em O Destino do Poseidon, um dos clássicos desta seara sendo inclusive lembrado em premiações. Trabalhando com uma lógica de microcosmos, o longa propunha acompanhar a luta pela sobrevivência de um pequeno grupo de pessoas, em meio a centenas de vítimas fatais, presas em um navio que na noite de ano novo acaba virando de cabeça para baixo. A maioria deles não se conhecia, mas se unem pelo instinto de sobrevivência que os toma diante de uma situação limite e correndo contra o tempo. Passaram-se mais de trinta anos e o diretor alemão Wolfgang Peterson, que já havia trabalhado com temática semelhante em O Barco – Inferno no Mar e Mar em Fúria, respectivamente sobre um submarino em tempos de guerra e o outro sobre um navio pesqueiro enfrentando uma terrível tempestade, resolveu investir em um remake de uma produção que revelou não morrer de amores, mas sabe de sua importância para aquele período. Escolado no modelo de cinema hollywoodiano, se nos citados longas que dirigiu buscou construir personagens interessantes e com interações mais realistas, em Poseidon sua preocupação maior foi em prender a atenção do espectador com cenas repletas de efeitos especiais envolvendo fogo, ventania, armadilhas e, obviamente, muita água. Isso talvez porque em termos de história o roteiro de Mark Protosevitch limitou-se a repetir o conflito original. Uma onda gigantesca faz tombar um luxuoso transatlântico em plena noite de réveillon e um pequeno grupo de sobreviventes é obrigado a se unir para tentar escapar por conta própria reunindo forças e se valendo de habilidades que nem imaginavam possuir. A embarcação, que chega a ficar totalmente virada de cabeça para baixo, pouco a pouco vai tendo seus compartimentos inundados e o tempo passa a ser um inimigo tão veloz e perigoso quanto a ação da água.

domingo, 29 de dezembro de 2019

BEM-VINDOS AO MEU MUNDO

Nota 7,5 Leve e sarcástica, comédia critica a busca pela fama e o interesse pela vida alheia

A busca pelos quinze minutos de fama sempre foi um tema abordado pelo cinema, mas desde o final da década de 1990 tonou-se obrigatória sua discussão em tempos de realities shows e redes sociais que transformam anônimos em celebridades instantâneas. O Show de Truman talvez tenha sido o primeiro filme de grande repercussão entre público e crítica com tal temática mostrando a vida de um homem que desde seu nascimento foi acompanhada e manipulada diante das câmeras. Com menos criatividade envolvida, mas com tom crítico tão acentuado quanto, Ed TV foi lançado pouco tempo depois apresentando um desconhecido que é convidado a protagonizar um reality acompanhando sua rotina, mas sem muito a dizer ou a fazer para entreter o público, a produção acaba interferindo no que deveria ser um show de realidade acrescentando conflitos para aumentar a audiência, porém, causando problemas para a vida pessoal do rapaz. No geral, os dois filmes colocam em xeque aquela estranha curiosidade pela vida alheia inerente a todos os seres humanos, por menor que seja o interesse. Trazendo resquícios das duas obras, Bem-vindos ao Meu Mundo mais do que fazer piada da bizarrice que no fundo move esse de tipo de entretenimento televisivo, tem como principal qualidade apresentar um melancólico retrato de uma sociedade que se acostumou e agora ensina as novas gerações a revelar tanto sobre a própria rotina que passou a encená-la, inclusive assumindo personagens, em busca de audiência ou curtidas em redes sociais. A solitária e bipolar Alice Klieg (Kristen Wiig) sempre gostou da ideia de ser flagrada por uma câmera e sua imagem ser visualizada por milhares de pessoas, mas os pensamentos se intensificam quando dá a sorte de faturar uma bolada na loteria. Inocentemente ela acredita que o dinheiro lhe trará a chance de brilhar e se tornar famosa e para isso acontecer entra em contato com uma emissora de TV decadente oferecendo milhões para comprar um horário para exibir um programa roteirizado, dirigido e estrelado por ela mesma. Grande apreciadora de Oprah Winfrey, ela passa a assistir incessantemente os seus trabalhos para se inspirar e convencer Rich Ruskin (James Marsden), o dono da emissora, a produzir uma temporada de sua atração batizada homônima ao filme.

sábado, 28 de dezembro de 2019

STUDIO 54

Nota 5,0 Abordando a efervescente rotina de famosa boate, longa é mais festa e pouco conteúdo

Entre o final da década de 1970 até pouco mais da metade dos anos 80, uma discoteca de Nova York era um dos pontos mais badalados. Studio 54 tenta resgatar um pouco do que foi o efervescente lugar homônimo ao filme, considerado a mãe de todas as futuras baladas e que conquistou fama internacional. Idealizado por Steve Rubell (Mike Meyers), um ex-dono de restaurantes, o local era a realização do sonho de todos aqueles que buscavam fama, glamour e diversão sem restrições. Ou melhor, desde que você pudesse pagar sua entrada e consumo ou estivesse na lista vip do dono que muitas vezes preferia ter um pequeno e seleto grupo dentro de seu clube e uma multidão alvoroçada do lado de fora. Frequentada pelos grandes nomes do entretenimento, das artes e do esporte da época, nem todas as celebridades tinham passe livre e as que conseguiam tinham que dividir o espaço com pessoas mais simples, anônimos que agraciados por beleza ou carisma passavam pelo crivo de Rubell que escolhia a dedo quem teria direito a se acabar de dançar e beber por uma noite, geralmente rapazes que julgava interessantes e com quem poderia ter um algo mais sem compromisso. Classificado a rigor como um drama por recontar uma história real com final melancólico, o longa não emociona e tampouco provoca risos. A inserção de vários hits da disco music também não o rotulam como um típico musical. Ainda assim, é uma produção que prende a atenção revelando um pouco do que acontecia naquele inferninho em embalagem luxuosa, ainda que de forma bastante superficial. Para tanto, o roteiro do então estreante Mark Christopher, que também assina a direção, lança mão de alguns personagens ficcionais com perfis com características comuns aos frequentadores da boate. O frentista Shane O’Shea (Ryan Philippe) é um dos desconhecidos que conseguem encantar o dono graças aos seus atributos físicos e adentrar naquele mundo à parte onde drogas e bebidas eram consumidas livremente, assim como o sexo explícito e grupal também era permitido nas áreas comuns.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

FRATURA

NOTA 8,0

Embora deixe aqui e acolá dicas
que resolvem o mistério, suspense
segura a atenção investindo em clima
tenso e protagonista forte e dedicado
O diretor Brad Anderson aparentemente tem uma obsessão por hospitais. Ou seria repulsa? Basicamente todos os seus filmes tem como cenário uma unidade de saúde, local onde teoricamente vamos buscar soluções para problemas, mas palco de muito mais histórias tristes, angustiantes e chocantes. Foi assim em sua estreia com Sessão 9, sobre um hospital psiquiátrico abandonado e possivelmente assombrado, e em instalações semelhantes, mas de época, que dirigiu o subestimado Refúgio do Medo, onde a loucura literalmente dava as cartas. O cineasta volta ao ambiente hospitalar em Fratura. Desta vez o local não tem sinais de assombrações, mas existe algo de muito errado por lá denunciado pelo comportamento estranho de médicos, funcionários e pacientes. Ray Monroe (Sam Worthington) é um pai de família que está viajando de carro junto da esposa Joanne (Lily Rabe) e de Peri (Lucy Capri), sua filha pequena. Alcoólatra em recuperação e em constante conflito consigo mesmo, logo na primeira cena o vemos acelerando na estrada e discutindo com a mulher após um desastroso feriado com os pais dela e fica evidente que o relacionamento está por um fio. Quando decide fazer uma parada em um posto de gasolina, Peri se desequilibra e cai no buraco de uma construção. De imediato os pais levam a menina para o hospital mais próximo, mas desde que coloca os pés lá dentro Monroe percebe que há algo de errado. Os funcionários não parecem dispostos a prestar socorros, salvo o Dr. Berthram (Stephen Tobolowsky) que recomenda a realização de um exame de imagem para o qual a paciente segue na companhia da mãe. As horas passam e o pai começa a se desesperar e, para sua surpresa, quando vai pedir informações descobre que não há registros de sua filha por consulta alguma. Pior ainda, ninguém confirma sequer terem visto ela ou mãe. Seria tudo um delírio da cabeça perturbada deste homem ou de fato ele deu entrada com a família na instituição que agora está omitindo a presença para esconder algum erro médico ou conspiração?

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

EM SEU LUGAR

NOTA 7,0

Apesar da premissa de um típico
filme de mulher, mescla de comédia
e drama aborda relações familiares
e resoluções de conflitos pessoais
Sapatos são uma verdadeira obsessão das mulheres. Precisando ou não, dificilmente alguma resiste quando os vê em promoção ou encontra algum modelo ou cor que cairia perfeitamente para usar com aquela roupa que está encostada simplesmente por não combinar com nada. O estilo ou forma de usá-los também pode indicar muito sobre a personalidade, algo mostrado na mescla de drama e comédia Em Seu Lugar que mostra o relacionamento conturbado das irmãs Feller que em comum tem apenas o sobrenome e a coincidência de calçarem a mesma numeração. Rose (Toni Collette), esteja dentro ou fora do peso, mantém sempre o mesmo tamanho de calçados, assim não se importa em gastar horrores com os mais variados modelos, principalmente quando esta triste ou nervosa, porém, não os usa, ao contrário de sua irmã Maggie (Cameron Diaz) que prefere utilizá-los como ferramentas de sedução, uma atalho para aproveitar ao máximo a vida. O comportamento das duas em relação aos sapatos resume suas personalidades. Enquanto a mais velha é estudiosa, esforçada, bem-sucedida e muito encanada com seu visual, a caçula é desligada, não quer saber de trabalhar, procura comparecer ao máximo de festas e eventos possíveis e é muito preocupada com a vaidade. Não a toa elas vivem as turras, mas nem por isso deixam de ser irmãs. Expulsa da casa do pai Michael (Ken Howard) pela madrasta Sydelle (Candice Azzara) após uma bebedeira, Maggie não tem para onde ir e acaba se mudando para a casa de Rose que, obcecada por limpeza e organização, não aguenta a desorganização da irmã e a certa altura a relação se torna insuportável. Após uma traição amorosa por conta da caçula, elas  brigam para valer. Mais uma vez Maggie tem que fazer suas malas e agora vai procurar Ella (Shirley MacLaine), a avó que vive em um luxuoso condomínio para idosos, mas curiosamente todos julgavam estar morta há anos. A chegada da espevitada loira causa alvoroço entre os demais moradores, mas as maiores mudanças acontece mesmo nos rumos das vidas das irmãs. Rose abandona seu emprego como advogada e do nada decide se tornar uma cuidadora de cachorros. Já Maggie procura parar de pensar só em curtição e paqueras e dedicar seu tempo a atividades mais produtivas e solidárias.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

O GRINCH (2000)

NOTA 9,0

Adaptação de clássico americano
natalino aborda solidão e intolerância
de forma a agradar crianças e adultos e
ainda critica o comercialismo da época
O Brasil ao longo dos anos até criou algumas tradições natalinas no campo da culinária e quanto as formas de se presentear e até mesmo comemorar, mas quanto a decoração não há como fugir das influências vindas do exterior, principalmente dos EUA. Papai Noel, duendes, renas, trenós, floquinhos de neve, meias decorativas dependuradas, enfim nada tem a ver com nosso clima tropical. No entanto, quando se tenta fugir dos enfeites tradicionais o Natal não é o mesmo, principalmente quando se tem ou vai receber crianças em casa, uma excelente desculpa para adultos voltarem à infância. Geralmente montamos uma árvore bem enfeitada e iluminada e espalhamos alguns enfeites pela casa, principalmente na sala, mas quem nunca imaginou ter toda a residência preparada para as festividades? Melhor ainda, viver o clima natalino absolutamente todos os dias do ano! Nesses aspectos, O Grinch é seguramente a realização dos sonhos de muitos com um visual de encher os olhos e até mesmo emocionar. Embora sua mensagem de amor e solidariedade seja preservada como todo bom filme de Natal que se preze, esta produção é acima da média por sua criatividade e sarcasmo, afinal por trás de todo seu colorido está a amarga realidade de que o festejo perdeu sua essência religiosa e se tornou puro comércio e interesse material. O enredo é baseado no livro "Como o Grinch Roubou o Natal", de Theodore Seuss Geisel, ou simplesmente o famoso Dr. Seuss. Lançada na década de 1950, a publicação logo se tornou um clássico entre as crianças norte-americanas, mas aos poucos sua fama rompeu fronteiras e passou a ser conhecida mundialmente, inclusive por conta de um antigo desenho animado feito para a TV. Toda a ação acontece dentro de um microscópico floco de neve onde fica o reino de Quemlândia, um lugar tomado pelo clima de festejos natalinos todos os dias do ano. Todos tem verdadeira adoração pela época do ano prolongada, menos a garotinha Cindy Lou (Taylor Momsen) que passa a questionar qual o verdadeiro sentido das coisas, principalmente compreender o fascínio que Papai Noel e tudo que possa lembrá-lo exerce sobre os outros Quem (como são chamados os habitantes da terra mágica).

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

UM NATAL MUITO, MUITO LOUCO

NOTA 7,0

Casal deseja fugir dos festejos
de Natal, mas na última hora
precisam organizar uma ceia e
recuperam o espírito de amizade
Hoje é véspera de Natal, dia de muita correria e compras de última hora. Em outras palavras, dia de muito estresse, mas a noite vem a calmaria e as alegrias e emoções devem predominar. No Brasil não temos o mesmo fanatismo que os americanos têm com esta festa cristã, mas ainda assim muitas pessoas vivem o clima natalino intensamente meses antes. Para elas todas aquelas enxurradas de reprises de comédias e dramas típicos de fim de ano na televisão são uma dádiva. Para quem ainda sente apreço pela comemoração, mas todo o ano promete que da próxima vez vai fazer algo diferente entre os dias 24 e 25 de dezembro, certamente se identificará com o casal protagonista de Um Natal Muito, Muito Louco, longa que já pode ser considerado um clássico natalino tal qual Férias Frustradas de Natal, figurinha carimbada na TV praticamente todos os anos há várias décadas. Ambos tratam do respeito e cultivo das tradições, do espírito de solidariedade e de família unida, mas claro que tudo temperado com muito humor. A receita é muito simples e agrada em cheio quem curte essa data festiva justamente por tirar um sarro daqueles que tentam manter o espírito de harmonia e solidariedade quando a reunião familiar se resume em uma sucessão de equívocos e bolas foras dos parentes queridos. Obviamente não é um tipo de produção que agrada a todos os tipos de plateia, pois investe em humor pastelão, mas convenhamos quem não tem pelo menos uma história engraçada ou tragicômica que ocorreu na ceia ou no almoço de Natal? É curioso, mas em meio ao corre-corre das compras de presentes e dos ingredientes dos pratos tradicionais, os filmes que acompanham esse clima não chamam muito a atenção aqui no Brasil, pelo menos quando exibidos nos cinemas. Pode ser o fato da ambientação contrária a nossa, branquinha e fria pela neve, a repetição de situações cômicas ou a mensagem clichê de esperança e amor que deixam no final, mas é certo que dá para contar com os dedos de uma mão só os títulos que trabalham o tema e que escapam do crivo do público e crítica sem serem extremamente chamuscados, como O Grinch e O Expresso Polar, ambos com características visuais evidentes para se sobressaírem no farto cardápio de filmes com histórias parecidas em cima da expectativa da chegada do Papai Noel. Para os produtores americanos os batidos filmes do tipo podem significar a salvação da lavoura quando o ano não rendeu boas bilheterias, por isso eles ainda continuam sendo feitos anualmente.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

O SORRISO DE MONALISA

NOTA 7,0

Repleto de boas intenções, drama
joga na tela vários assuntos para
desenhar um panorama feminino dos
anos 50, mas não aprofunda nenhum
Após conquistar seu famigerado Oscar por Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento, Julia Roberts demorou três anos para reassumir o posto de protagonista de uma produção. Curiosamente, em O Sorriso de Monalisa ela vive uma personagem que então ia na contramão de sua vida pessoal. Após casar-se, a atriz procurou se afastar dos holofotes, fugindo de fofocas e participando de filmes dividindo os créditos com nomes de pesos ou produções de pouca visibilidade, quase como projetos experimentais, assim diminuindo consideravelmente sua exposição e sobrando tempo para cuidar do marido. Já em seu retorno como destaque, ela deu vida à Katherine Watson, uma solteirona convicta e bastante moderna para os padrões da década de 1950 que vai lecionar História da Arte na pacata Nova Inglaterra, mas na verdade seu desejo é ensinar suas alunas a assumirem papeis profissionalmente e recusarem a submissão a favor do casamento. Ela é contratada pela renomada faculdade de Wellesley, uma das mais conceituadas instituições de ensino de todo os tempos. Como exemplo, a ex-primeira dama americana Hillary Clinton foi uma de suas ilustres estudantes. Justamente inspirados por um texto dela própria é que os roteiristas Lawrence Konner e Mark Rosenthal passaram a pesquisar mais profundamente sobre esta universidade frequentada apenas por mulheres, mas ao mesmo tempo extremamente machista. A tônica da fita é criticar a ideia propagada pela instituição de que o melhor para as garotas seria estudar até a adolescência e no momento de escolherem uma carreira aceitarem que seus destinos não poderia ser outro a não ser encontrar um bom partido e constituir família. Logo nos primeiros dias de trabalho, Watson percebe a inteligência e potencial de suas alunas, porém, também apura que as mesmas não foram incentivadas a pensar e muito menos a questionar. Contudo, seu jeito peculiar de lecionar passa a ser alvo de críticas das próprias garotas e suas famílias e até a direção da faculdade coloca-se contra suas ideias consideradas desvirtuosas. Entra em jogo até mesmo a vida pessoal da educadora, afinal naquela época não era comum mulheres abrirem mão da estabilidade de um casamento em favor da realização profissional.

domingo, 22 de dezembro de 2019

MEU MUNDO ENCANTADO

Nota 7,0 Com clima de filme antigo, drama leve resgata valores e inocência apostando no lúdico

Nostálgicos dos tempos das videolocadoras devem se lembrar que o grande barato desse tipo de negócio era dar a oportunidade dos clientes explorarem suas prateleiras e serem surpreendidos por filmes diferenciados e de pouca divulgação. Eram centenas de produções menores que aqui e acolá podiam se tornar sucessos particulares das lojas e o público infantil era bastante contemplado. Com as produções Disney na época sendo lançadas em ritmo de conta-gotas, muitas empresas aproveitavam a brecha para lançarem suas animações similares as do estúdio (mas de qualidade infinitamente inferior) e para ter opções ao público mirim também muitos filmes live-action, entre comédias, aventuras e dramas leves, serviam como opção para um fim de semana em casa. Quem viveu essas experiências certamente deve ter alguma fita que remeta a infância. Analisando tanto esteticamente quanto pelo estilo narrativo, Meu Mundo Encantado parece uma produção pinçada das prateleiras entre as décadas de 1980 e 1990. Deixando-se levar pela emoção, é quase possível ouvir o ruído dos cabeçotes do videocassete ao decorrer da narrativa. Entretanto, esta obra do diretor Micheal Landon Jr. foi filmada em 2008 e por opção artística adotou-se a fotografia envelhecida e o ritmo levemente pausado, detalhes que combinam perfeitamente com o clima bucólico e inocente desta história que se passa no início do século 20. Toby Morgan (Matthew Harbour) é um garoto cuja imaginação é muito fértil, ao contrário de seu pai, John (Kevin Jubinville), um bem-sucedido empresário que praticamente vive na inércia desde que sua esposa faleceu, assim ele vive com o filho uma relação fria e distante. Obrigado a passar as férias de Natal com Elle (Una Kay), sua severa avó que mora em um luxuoso casarão, porém, um lugar sem vida, o garoto descobre um sótão que servia de quarto de brinquedos quando seu pai era criança. Eis que ele encontra um antigo coelho de pelúcia, um presente deixado por sua mãe.

sábado, 21 de dezembro de 2019

JOSHUA - O FILHO DO MAL

Nota 1,0 Vendido com ares sobrenatural, suspense decepciona adotando drama familiar e polêmico

Crianças endemoniadas é um dos maiores clichês do universo do horror. Talvez por já termos vistas tantas e, diga-se de passagem, a maioria bem mais assustadoras, é que o longa Joshua - O Filho do Mal já foi lançado com lugar cativo no limbo. O personagem-título é vivido no piloto automático pelo então ator mirim Jacob Kogan que interpreta um garoto quieto, apático e que as poucas vezes que abre a boca é apenas para fazer alguma observação ou pergunta que acabam por deixar Abby (Vera Farmiga) e Brad (Sam Rockwell), seus pais, sem respostas e com dúvidas quanto ao comportamento do filho. Quando sua mãe dá a luz à pequena Lilly a vida da família muda completamente. E para pior! Ao perceber toda a atenção que é destinada à irmã, mesmo sem demonstrar sinais de raiva ou ciúmes, Joshua começa a ter ações, como jogos psicológicos e ameaças, que podem enlouquecer o casal que está com problemas. Enquanto o pai vive um período de crise profissional, a mãe, já detentora de um histórico de problemas psicológicos, agora também sofre com a depressão pós-parto. O garoto é obcecado pelo hobby de dissecar seus bichinhos de pelúcia e não demora a testar as técnicas em animais vivos. Por aí já se tem ideia do que ele pretende fazer com a bebezinha. O longa então se propõe a abordar um problema até que bastante corriqueiro: filhos com má índole nascidos em bons berços. Joshua tem pais amorosos, tem uma vida abastada, mas sabe-se lá porquê nasceu com a sementinha do mal caráter enraizada. Ele praticamente é um psicopata em início de carreira, muito inteligente, nem um pouco empático e com uma habilidade singular para mentir e manipular as pessoas. Crianças com este perfil, como os garotos sem semblante de filmes como A Profecia e Reencarnação, já tornou-se um protótipo bastante desgastado no cinema, mas no caso incomoda saber que Joshua é um ser malvado por natureza, o que invalida o péssimo subtítulo nacional.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

O MUNDO DOS PEQUENINOS

NOTA 8,5

Baseado em clássico conto infantil,
desenho agrada crianças e adultos
com belo visual e história madura
e emotiva sobre amizade e superação
Não seria exagero dizer que Hayao Miyazaki é o Walt Disney do cinema japonês. As produções que levam seu nome ou o de seu estúdio, o Ghibli, costumam arrecadar fortunas em seu país de origem, porém, mesmo atuando desde a década de 1970, suas produções parecem ter dificuldades para adentrar em outros territórios. A Viagem de Chihiro, por exemplo, provavelmente só chegou aos cinemas de vários países graças ao Oscar na categoria de Melhor Filme de Animação. Com idade avançada, Miyazaki já não produz como antes, mas não deixa de participar de alguma forma dos lançamentos de alguns de seus pupilos, como no caso de O Mundo dos Pequeninos no qual ocupou-se do roteiro (em parceria com Keiko Niwa) e assina como produtor executivo, mas a direção geral é do então estreante Hiromasa Yonebayashi. Adaptação do romance “Os Pequeninos Borrowers”, da inglesa Mary Norton que já inspirara outras versões cinematográficas, como Os Pequeninos, a narrativa acerta ao condensar as temáticas características do estúdio em uma singela obra que nos faz refletir sobre o amadurecimento e a solidariedade. Nesta versão animada, com os famosos e delicados traços da empresa acrescidos de uma paleta de cores mais vívida que de costume, conhecemos Arrietty, uma minúscula adolescente que vive anonimamente com seus pais Pod e Homily dentro do assoalho de uma aconchegante residência. Embora dotados de semelhanças físicas com os humanos, sua espécie sempre viveu em redutos para não chamar a atenção de curiosos quanto sua pequenez e para não se tornarem presas de animais, mas mesmo assim parecem estar em extinção. Apesar de todos os conselhos, a menina parece não enxergar como uma ameaça Shô, um garoto com saúde fragilizada que vai passar uma temporada na casa da tia Sadako para ter mais qualidade de vida e que acaba se afeiçoando a pequenina sem demonstrar estranheza alguma, afinal sua mãe já havia lhe contado histórias sobre os colhedores, assim são chamados estes pequenos seres que vivem com o que pegam emprestado dos humanos, mas apenas coisas que não sentiriam falta.

domingo, 15 de dezembro de 2019

ZÉ COLMÉIA

Nota 3,0 Mais uma tentativa de adaptar desenho para live action soa frustrada e muito ingênua

Se a Disney por muitos anos foi a principal empresa produtora de desenhos animados para cinema, suas empreitadas no mundo dos cartoons para a televisão nunca chegou ao mesmo nível de sucesso da companhia Hannah e Barbera que criou centenas de personagens que fizeram parte da infância de muitas gerações. Hoje, infelizmente, poucos deles povoam o imaginário das crianças, sendo Scooby-Doo e sua turma e os Flintstones talvez os mais participativos, muito por causa de um empurrãzinho do cinema que lançou longas com atores de verdade baseados nestas saudosas criações. Zé Colméia, mistura de live action com animação, também procurou dar sobrevida ao simpático personagem-título criado na década de 1960, um urso comilão e não raramente preguiçoso. Contudo, por mais que se esforçassem, os animadores não extraíram o melhor que a computação gráfica poderia oferecer e o resultado soa bastante incômodo e artificial, não agradando aos adultos saudosistas e servindo apenas para distrair crianças bem pequenas que se contentam em gargalhar com qualquer tropeço ou algazarra a cada cinco minutos. O enredo é dos mais simples e previsíveis possíveis. No ano do centenário do Parque Jellystone, o prefeito da idade, o Sr. Brown (Andrew Daly), decide lotear a área verde para a iniciativa privada e com o dinheiro arrecadado usaria para sua campanha para se tornar governador do Estado, embora prometesse que cada habitante ganharia uma porcentagem simbólica da empreitada.  Ao guarda-florestal Smith (Tom Cavanagh), que dedicou praticamente toda a sua vida a proteger o local, só lhe resta a alternativa de tentar provar que a área é rentável como destino de lazer ou aceitar a vaga como agente de limpeza em uma praça de pouco movimento por estar localizada em uma área predominantemente urbana. Para impedir o arrendamento, Smith conta com a ajuda de Rachel (Anna Faris), uma documentarista especializada em registros da vida selvagem, e de Zé Colméia e de seu inseparável amigo Catatau desesperados quando cai a ficha que sem os visitantes do parque suas sobrevivências estariam em risco, pois não teriam como roubar alimentos. Contudo, os ursos mais atrapalham que ajudam nos embates.

sábado, 14 de dezembro de 2019

INFLUÊNCIA

Nota 2,5 Terror espanhol abusa dos clichês e acaba se tornando uma obra confusa e sem identidade

Já faz alguns anos que a Espanha é reconhecida como o berço do gênero terror. De lá vieram excelentes produções como Rec que além de sequências também gerou interesse de Hollywood em fazer seu remake e também em emigrar cineastas hispânicos para dar um gás ao seu universo de horror. Contudo, o país também tem lá seus tropeços como é o caso de Influência, longa de estreia do diretor Denis Rovira von BoeKholt que, apesar de apresentar alguns bons momentos esporádicos, deixa notar suas dificuldades para conduzir a obra. Baseado no romance do britânico Ramsey Campbell, o longa conta a história de uma família desestabilizada por algo sobrenatural. Alicia (Manuela Vellés) se muda com o marido Mikel (Alain Hernández) e a filha Nora (Claudia Placer) para a antiga casa em que viveu quando era criança e de onde não guarda boas recordações. Ela vai para ajudar a cuidar da mãe Victoria (Emma Suárez) que está já há alguns anos em estado vegetativo presa a uma cama, mas deixa claro que faz isso em consideração a irmã Sara (Maggie Civantos). O retorno a faz reviver dolorosas lembranças do passado e as coisas se complicam quando uma série de eventos inexplicáveis passam a colocar a vida de todos em perigo e a afetar principalmente o comportamento de Nora. O primeiro ato do longa é dedicado a estabelecer a relação entre os personagens e oferecer pequenos detalhes sobre o sinistro passado da família e o que levou a moribunda matriarca a flertar com o satanismo e outras forças ocultas. Nesse ponto o longa é bastante direto e razoavelmente bem feito, caprichando na exploração do cenário aterrorizante da residência onde praticamente toda a ação acontece. Contudo, o roteiro, escrito pelo próprio cineasta, vai apresentando os fatos do passado e do presente da família de forma aleatória, sem continuidade ou transição entre uma cena e outra, o que pode gerar certa confusão e até mesmo desinteresse. Quem decide encarar até o fim também acaba se decepcionando com a avalanche de clichês que estão por vir. Não que eles sejam o real problema, afinal de contas é difícil ser original neste tipo de produção, mas BoeKholt poderia ter evitado anunciar os acontecimentos dosando efeitos sonoros e sua própria câmera.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

A HORA DO PESADELO (2010)

NOTA 5,0

Remake de horror teen de sucesso
não traz inovações e soa antiquado
visto que seu vilão agora pune jovens
não tão inocentes, ou assim deveriam ser
O ano era 1984, uma época de muitos arrasa-quarteirões nos cinemas e gloriosa para o gênero de horror. Em meio a tantas produções com objetivo de causar arrepios e fazer os espectadores roerem as unhas surgiu um ícone que perpetuaria sua imagem pelas décadas seguintes e criaria raízes no universo pop. Freddy Krueger de imediato caiu nas graças do público. Embora um sádico e perverso vilão, havia certo quê de humor em sua personalidade e seu próprio visual carnavalesco o ajudou a conquistar um lugar de destaque, distanciando um pouco sua imagem das de outros “colegas de trabalho”, como Michael Myers de Halloween e Jason Voorhees de Sexta-Feira 13, este último que chegou a dividir um crossover com o cara do famoso suéter rubro negro em 2003, a última aparição de Krueger que já havia estrelado outras seis sequências de seu longa original, inclusive sendo dado definitivamente como morto na última. Tanta exposição sugou ao máximo o talento e disposição do ator Robert Englund que não estava mais disposto a encarar horas de maquiagem e mesmo com seu rosto escondido ter sua carreira prejudicada, sendo um nome apenas lembrado para produções de terror e ainda assim fazendo pequenas pontas disfarçadas de homenagens. Se era necessário procurar um novo intérprete para manter o vilão em atividade, por que não recomeçar tudo do zero? Em uma época marcada por refilmagens do gênero, a ideia do remake de A Hora do Pesadelo parecia soar como uma mina de ouro, mas revelou-se uma tremenda furada. Aqui temos a mesmíssima trama do original, o que certamente facilitou o trabalho dos roteiristas Wesley Strick e Eric Heisserer que precisaram fazer apenas alguns ajustes para ambientá-la as modernidades do século 21. A introdução mostra o aparente suicídio de Dean (Kellan Lutz), um rapaz que já de algum tempo vinha se privando do sono por conta de um medo incontrolável. Em seu funeral, a namorada Kris (Katie Cassidy) vê uma foto sua com o rapaz quando eram crianças, mas não se recorda de tê-lo conhecido até a adolescência. Logo ela e alguns amigos também passam a ter problemas para dormir, todos relatando pesadelos similares com a figura de um homem deformado por queimaduras e usando uma luva com garras afiadas, um sujeito que de alguma forma está ligado ao passado de todos eles.

domingo, 1 de dezembro de 2019

ROBÔS

Nota 7,0 Criativa visualmente, animação deixa a desejar quanto a narrativa um tanto tradicional

Quando dirigiram A Era do Gelo, Chris Wedge e o brasileiro Carlos Saldanha precisaram economizar nas cores, abusando do branco e tons pastéis. Já no projeto seguinte, Robôs, situado em uma estilizada e moderna visão de futuro, a dupla usou e abusou da paleta de tons vívidos conferindo um visual extremamente lúdico à obra que narra a história de Rodney Lataria, um simpático adolescente feito de lata que cresceu em uma cidadezinha de interior. Filho de um simplório lavador de pratos, só conseguia peças de segunda mão para as suas atualizações de idade, a forma como os de sua espécie se desenvolvem fisicamente. O jovem sempre sonhou em conhecer Robópolis, a terra das oportunidades onde o inventor conhecido como Grande Soldador, ídolo de todos, dizia que todo robô nasceu para brilhar, não importa do que seja feito. Sozinho na metrópole, Rodney percebe que as coisas não são tão fáceis assim. O ganancioso Dom Aço aposentou o famoso inventor do comando de sua empresa de criação das peças de montagem e reposição e agora lidera uma renovação no mercado, negando acesso aos itens necessários para realizar a manutenção de alguns modelos que julga ultrapassados. Ao descobrir que a maioria dos robôs estão condenados a virar sucata, o jovem herói de lata decide enfrentar o magnata em nome dos ideais defendidos pelo lendário Soldador, devolvendo um direito básico a todos os seus semelhantes. Assim a narrativa mostra-se mais um conto sobre superação e força de vontade no qual os fracos e oprimidos devem combater os fortes e suas injustiças, o argumento básico de todas as animações voltadas ao público infantil, mas com um verniz especial para vender criatividade aos adultos com uma bem-vinda crítica ao consumismo. Poderia ser um caso de hipocrisia um desenho anticonsumo visar a venda de brinquedos e guloseimas estampados com os personagens, mas as vendas de bugigangas agregadas ao longa não foram lá muito significativas.

sábado, 30 de novembro de 2019

TESTEMUNHA FANTASMA

Nota 4,0 Fita filipina segue preceitos do horror oriental e acerta na ambientação, mas peca no ritmo

A década de 2000 tem como uma de suas referências cinematográficas a explosão do cinema de horror oriental, primeiramente à base de remakes hollywoodianos, mas que abriram as portas para os originais conseguirem espaços nos cinemas e principalmente nas videolocadoras. O excesso de produções semelhantes, quase todas evocando histórias de espíritos atormentados desejando vingança ou justiça, fez com que a vertente logo caísse na mesmice. Contudo, a produção de obras do gênero continua a todo vapor em terras orientais. Se em seus países de origem ainda conseguem espaços nas salas de exibição, o restante do mundo toma contato com tais filmes através dos serviços de streaming que para apresentarem um catálogo quantitativo adquirem produções provavelmente sem analisar o conteúdo. Embora a internet esteja cheia de menções como um filme de terror que deixou muita gente sem conseguir dormir, Testemunha Fantasma é uma produção das Filipinas que não traz absolutamente nada de novo e não chega a ser tão assustador como divulgam. Com direção e roteiro de Mikhail Red, a trama se passa em meados da década de 1990 e acompanha o drama vivido por Pat Consolacion (Bea Alonzo), a orientadora educacional de uma escola católica para meninas, um lugar marcado por sinistras histórias. Há boatos que no passado uma estudante chamada Erika (Gillian Vivencio) se enforcou no banheiro e de que seu espírito é visto com frequência. O que as alunas e nem as sisudas freiras que cuidam da instituição sabem é que a recatada conselheira possui dons mediúnicos e se sente feliz em poder interagir com as almas, algumas nervosas e outras apenas confusas. Quando mais uma estudante morre na escola, mesmo contra a vontade de Alice (Charo Santos-Concio), a mal humorada e abusiva diretora, Pat decide investigar o passado do local e tentar contato com o espírito de Erika, mas as coisas que descobre podem ser mais assustadoras do que ela esperava, incluindo o despertar da fúria de uma implacável entidade maligna.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

GRITO DE HORROR

NOTA 9,0

Reconhecido com o passar dos anos
como um dos melhores filmes sobre
lobisomens, longa foi beneficiado com o
envelhecimento e ainda causa arrepios
A década de 1980 foi muito fértil para o gênero terror e suas obras inspiraram outras tantas produções que rendem frutos até hoje, mas os grandes filmes não são esquecidos. Muitos consideram que as melhores fitas de horror são datadas deste período, desde as mais trashs até as mais elaboradas. As novidades da efervescente época conspiraram a favor. Os jovens, o público-alvo, estavam mais independentes e liberais e mais adiante a popularização dos videocassetes e videolocadoras só vieram a colaborar com a crescente corrente dos produtos de terror e suspense. Se o cinema proibia a entrada de menores de idade para esses tipos de filmes, as locadoras eram a solução já que não havia uma fiscalização e regras para este tipo de estabelecimento atuarem. Na base da amizade sempre os atendentes davam um jeito de liberar uma fita sanguinolenta ou escatológica para os adolescentes fazerem aquela sessão top de cinema reunindo a galera e regada a muito refrigerante e pipoca. Grito de Horror é um dos títulos de destaque da época, mesmo com reconhecimento tardio, e até hoje é considerado um dos melhores e mais assustadores filmes a respeito de lobisomens. O bom é que o argumento e a narrativa continuam prendendo a atenção e pregando bons sustos, apesar de que o visual envelheceu bastante, mas longe desse detalhe se tornar um problema, pelo contrário, a atmosfera de suspense foi beneficiada com o passar dos anos. A trama assinada por John Sayles, baseada em um romance de Gary Brandner e com pitacos de Terence H. Winkless, começa quando a jornalista Karen White (Dee Wallace), apresentadora de um famoso telejornal, por pouco não foi vitimada por um serial killer, conhecido como Eddie Quist (Robert Picardo), quando se ofereceu para participar de um plano junto a polícia para capturá-lo e de quebra ter um furo de reportagem. Aconselhada a tirar alguns dias para descansar após o susto, ela se refugia em uma clínica, conhecida como colônia, em uma região campestre na companhia de Roy Bill (Christopher Stone), seu marido. O que eles não imaginavam é que o local é frequentado por pessoas tão estranhas quanto o criminoso que enfrentou, além de esconder uma relação direta com o trauma que experimentou.

domingo, 24 de novembro de 2019

O DATE PERFEITO

Nota 6,0 Garoto tem uma ideia de gênio para faturar, se divertir e de quebra descolar um amor

A Netflix não só tem fomentado seu catálogo com produções de baixo orçamento como também está se preocupando em lançar talentos. O ator Noah Centineo é um deles e se especializando em comédias românticas para o serviço de streaming, como prova O Date Perfeito que segura as pontas graças ao carisma do rapaz. Do contrário, bastam alguns minutos para você manjar toda a trama, embora isso não seja um problema para os fãs do gênero. Ele interpreta Brooks Rattigan, um rapaz bonito, carismático e extremamente educado, além de bastante sonhador, o príncipe com o qual qualquer garota sonharia. Com uma vida limitada entre a escola e o trabalho em uma lanchonete, ele enxerga novos horizontes ao aceitar uma inusitada proposta: levar a rebelde e deslocada Celia Lieberman (Laura Marano) a um baile colegial simplesmente para lhe fazer companhia e ainda ser pago para isso. Além de obviamente rolar um interesse romântico pela garota, o que parecia uma oportunidade passageira de ganhar um dinheirinho fácil acaba se transformando em uma profissão. Com o objetivo de estudar em uma renomada universidade, com a ajuda de seu melhor amigo Murph (Odiseas Georgiadis), o jovem cria um aplicativo de encontros, mas relativamente diferenciado dos que já existem. Sem envolvimento sexual (embora soe improvável), o rapaz é contratado para fazer companhia a mulheres solitárias em festas, jantares ou simplesmente para elas terem com quem conversar e desabafar. No ato da contratação elas já definem qual o tipo de “date” (encontro em inglês) que desejam, assim Rattigan se prepara encarnando uma personalidade diferente para cada situação ao gosto da freguesa. Mauricinho, bad boy, esportista e até mesmo um bobão. Não importa a fantasia, ele literalmente veste a personagem, além de oferecer os serviços de motorista de aplicativo buscando e devolvendo as contratantes intactas. Contudo, assim como o rapaz troca de perfil a cada encontro, suas atitudes e convicções também mudam em um estalar de dedos, revelando que por de trás de toda a diversão de seu trabalho ele se sente no fundo vazio e confuso.

sábado, 23 de novembro de 2019

ARMADILHA

Nota 6,0 Nada é o que parece neste thriller de ação, mas que promete mais do que realmente cumpre

O ladrão de casaca é um dos personagens mais charmosos e corriqueiros da História do cinema. Muitos atores já emprestaram seu charme e elegância à imagem do larápio cheio de classe e estilo que entra de fininho em joalherias e museus e consegue passar a mão em jóias e telas valiosíssimas sem chamar atenção e dispensando o uso de armas de fogo. Em Armadilha inesperado sucesso do final da década de 1990, tal papel caiu como uma luva para Sean Connery, o eterno agente James Bond que já há alguns anos não participava de uma produção com repercussão junto ao público. Aqui o então quase septuagenário galã ainda ganhou o bônus de formar par romântico com Catherine Zeta-Jones, em alta na época por A Máscara do Zorro. Ela dá vida à Gina Baker, uma agente de segurança que está no encalço e se aproxima com segundas intenções do larápio Robert MacDougal (Connery), aparentemente o responsável pelo roubo de uma obra do pintor holandês Rembrandt. Ainda há dúvidas quanto a autoria do furto? Para rechear um longa de quase duas horas, os roteiristas Ronald Bass e William Brouyles Jr., respectivamente dos aclamados Amor Além da Vida e Apollo 13, tiveram que inventar mil e umas situações para tentar confundir o espectador quanto as intenções do coroa e até mesmo da mocinha que, embora arme um plano para colaborar com o criminoso a fim de prendê-lo no flagra, também pode ou não ter certo interesse pessoal nessa aproximação. Contudo, o flerte entre os personagens acaba não decolando, afinal ação e suspense refinados era o que foi prometido ao público a julgar pela cena repetida à exaustão no trailer e demais materiais de divulgação: a musa Zeta-Jones usando uma roupa que cobre totalmente seu corpo, porém, justíssima delineando perfeitamente suas curvas , executa um orquestrado balé em câmera lenta para escapar de raios laser e não ativar um alarme. Contudo, no conjunto, a sequência é rápida e seu êxtase se esvai em poucos minutos diante da duração excessiva da fita.

domingo, 17 de novembro de 2019

A MORTE TE DÁ PARABÉNS 2

Nota 2,0 Sequência de terror de sustenta abandona os sustos e investe em humor e ficção científica

De um filme de terror espera-se levar bons sustos, mas não raramente as reações dos espectadores são traduzidas em gargalhadas, uma reação normal ao medo. Talvez por isso muitas produções do gênero assumam seu lado humorístico, principalmente as continuações quando os originais causam mais risos que espanto involuntariamente. É isso que acontece com A Morte Te Dá Parabéns 2, a sequência do inesperado sucesso que partia de uma ideia bastante recorrente no cinema: a do personagem que fica preso em um determinado dia de sua vida e tendo a oportunidade de revivê-lo continuamente ou agir de forma diferente para que determinadas ações não se repitam. Como toda boa continuação que se preze, o longa escrito e dirigido por Christopher Landon parte das fundações de seu predecessor a fim de entregar um produto que mantenha o interesse dos fãs, mas ainda assim desperte curiosidade de novos espectadores. Contudo, esta produção prova que muitas vezes sequências são desnecessárias, revelando-se engodos unicamente para capitanear em cima de uma marca. Sim, o título tinha potencial para uma franquia slasher, mas a parte dois enterra qualquer possibilidade de seguir adiante, ao menos com o mesmo sucesso do original. Depois de se livrar do cliclo temporal da trama anterior, Tree (Jessica Rothe) encontra-se mais uma vez na mesma situação redundante de escapar da morte após um acidente com uma experiência científica na faculdade, assim toda vez que morre ela acorda em seu quarto e reinicia sua batalha para manter-se viva. Agora a protagonista precisa colher o máximo de informações possíveis dessas experiências de quase morte para que Ryan (Phi Vu) consiga colocar em funcionamento a máquina que causou novamente o problema e reverter a situação. No olho do furacão também estão os jovens cientistas Samar (Suraj Sharma) e Dre (Sarah Yarkin), Carter (Israel Broussard), interesse romântico da mocinha, mas envolvido com Danielle (Rachel Matthews), e Lori (Ruby Modine), que surge com vida após ter sido assassinada na primeira fita. Na cola deles, novamente uma identidade misteriosa se esconde sob uma máscara de bebê e munida de um facão afiado.

sábado, 16 de novembro de 2019

A MORTE TE DÁ PARABÉNS

Nota 3,0 Investindo mais no humor que no horror, bom argumento é desperdiçado 

No final da década de 1990 houve uma explosão de fitas de assassinos mascarados voltadas aos adolescentes. Tudo bem, na época produtores queriam tirar leite de pedra do fenômeno Pânico, mas é preciso ter consciência que uma hora a fonte seca. É claro que hoje em dia ainda existe público para fitas do tipo, ainda que em pequeno número, mas é preciso ter grana sobrando no banco para investir em produções que já nascem fadadas ao fracasso. A Morte Te Dá Parabéns não tinha como fazer sucesso. É uma reunião de clichês que buscou algum diferencial com viagens no tempo, mais especificamente uma jovem condenada a reviver inúmeras vezes o dia de sua morte. Bem, novidade aí não há nenhuma. Um personagem preso a um mesmo período e tendo a chance de contornar erros e fazer as coisas reverterem a seu favor já foi a temática da comédia Feitiço do Tempo, da fita de ação Contra o Tempo e do drama de guerra No Limite do Amanhã, por exemplo. A possibilidade de poder escapar da morte driblando as armadilhas de um serial killer se encaixa perfeitamente a proposta da volta no tempo, mas é preciso ter traquejo para lidar com a fórmula, algo que falta ao diretor Christopher Landon, de Como Sobreviver a Um Ataque de Zumbi. A trama tem como protagonista Tree (Jessica Rothe), uma universitária egocêntrica, falsa, displicente com a família e que adora usar os homens e descartar, ou seja, uma figura desprezível. A ideia é justamente causar repulsa no espectador para pouco a pouco ele se envolver com a jornada de redenção da jovem. A intenção pelo menos era das melhores, mas o plano posto em prática... No fim do dia de seu aniversário ela é assassinada por alguém que se esconde por uma ridícula máscara de bebê gorducho, todavia, acorda como se nada tivesse acontecido, mas logo percebe que as situações do fatídico dia se repetem continuamente. Essa é a chance, ou melhor, as diversas chances de tentar escapar da morte e descobrir a identidade do bandido revivendo de forma diferente todos os acontecimentos que podem ter contribuído para seu assassinato.

domingo, 10 de novembro de 2019

DEU ZEBRA!

Nota 7,0 Conto do cavalo em dificuldades ganha cara nova tendo uma zebra como protagonista

Filmes com animais fofinhos e falantes já fazem parte do universo cinematográfico há várias décadas, mas será que ainda existe público para este tipo de produção? A resposta é sim! Basta prestar atenção na quantidade de reprises de produções do gênero na TV aberta ou fechada. Talvez o que seja um pouco arriscado é lançar um filme do tipo para ocupar salas de cinemas, ainda mais hoje em dia quando enredos singelos e com mensagens edificantes são massacrados pela concorrência de produções lotadas de efeitos especiais de ponta e imagens espetaculares. A situação não era muito diferente em 2005, tanto que Deu Zebra! passou despercebido pelas telonas. O roteiro criado por David Schmidt dosa bem humor, aventura e drama leve para contar a história de Listrado, uma zebra que foi adotada pelo fazendeiro Nolan Walsh (Bruce Greenwood) quando ainda era filhotinho após perder-se durante uma noite de tempestade da companhia circense da qual fazia parte. Contudo, o animal cresceu acreditando ser um cavalo dotado de uma característica especial, as listras, e com aptidões para um dia se tornar um campeão de corridas, um sonho também alimentado por seu dono, um treinador de equinos aposentado recentemente, e por sua filha, a jovem e entusiasmada Channing (Hayden Panttiere). A garota é tão ambiciosa quanto seu mais novo animal de estimação e também sonha em sagrar-se campeã em uma corrida, mas seu pai a proíbe traumatizado por ter perdido a esposa justamente durante uma competição no hipódromo. Desde que chegou na fazenda, Listrado causa estranhamento entre os outros bichos, sendo a cabra Franny a mais amigável entre todos e o cavalo Tuck o menos receptivo e, por ironia do destino, é justamente ele que no futuro terá importância para a realização do sonho da destemida zebra que terá que treinar muito para superar dificuldades e preconceitos e ainda dar uma lição à dona do haras vizinho, a vaidosa e gananciosa Clara Dalrymple (Wendie Malick).

sábado, 9 de novembro de 2019

CAMPO DO MEDO

Nota 6,5 Apesar do bom início, longa é arrastado e repetitivo e sem personagens carismáticos

Qualquer filme que seja baseado em uma obra do autor Stephen King já tem uma publicidade imediata, porém, é bom lembrar que o mestre do suspense também dá suas escorregadelas. É o que se pode dizer de Campo do Medo, produção direta para o serviço de streaming da Netflix. O filme começa muito bem, mas da metade para o final torna-se cansativo, repetitivo e, principalmente, confuso. A trama passa-se quase integralmente em um mesmo cenário: um gigantesco campo de vegetação bem densa e alta. Os irmãos Becky (Laysla De Oliveira) e Cal DeMuth (Avery Whitted) estavam viajando e acabam parando em uma estrada deserta quando a jovem, que estava grávida, começa a passar mal. Rompendo o silêncio, eles escutam a voz de um garoto pedindo por socorro em meio ao matagal ao lado da rodovia e decidem ajudá-lo, mas tão longo adentram à plantação percebem uma atmosfera estranha no local que revela-se um complexo labirinto à céu aberto. Além do pequeno Tobin (Will Buie Jr.), no local também está seu pai, Ross Humboldt (Patrick Wilson), um sujeito aparentemente bastante afetado psicológica e emocionalmente pelas circunstâncias. Não é difícil prever que os irmãos foram atraídos para uma emboscada, mas desse ponto em diante tudo pode acontecer. Entretanto, isso não é necessariamente algo positivo. Baseado em um conto que King escreveu em parceria com Joe Hill, seu filho, a sede ao pote foi demais. Na tentativa de apresentar uma complexa trama e surpreender o espectador mais de uma vez, a dupla se esqueceu que não basta um ambiente propício para se contar uma história assustadora. Também é preciso envolver quem assiste através dos conflitos vividos pelos personagens e no caso nenhum deles apresenta uma construção de perfil razoavelmente interessante para sofrermos juntos com suas agonias, pânico e dúvidas. Acompanhamos tudo com certo distanciamento e na expectativa de que algo surpreendente poderá ainda surgir em meio ao matagal. De fato, sustos e surpresas não faltam,  embora a maioria previsível, mas nada que cause impacto justamente porque pouco nos importamos com o que irá acontecer ao grupo encurralado.

domingo, 3 de novembro de 2019

VIREI UM GATO

Nota 3,5 Receita da troca de corpos é adaptada para um vencedor do Oscar encarnar em um felino

Há boatos de que atores premiados com o Oscar acabam reféns de uma espécie de maldição. De fato, depois de ovacionados com a famigerada estatueta dourada, muitos não voltaram a receber bons roteiros e passaram a colecionar fracassos. Para alguns o fundo do poço realmente é o destino enquanto outros tentam se equilibrar como podem para se manterem na ativa. Kevin Spacey foi vencedor do grande prêmio em duas ocasiões, mas as coisas se complicaram. Seu nome continuou em evidência graças a série de TV "House of Cards", já que o cinema não lhe foi tão generoso. Contudo, é difícil imaginar o que o levou a aceitar protagonizar Virei Um Gato, comédia estritamente infantil. Acostumado a papéis densos e controversos, nada contra buscar projetos mais leves e até mesmo voltados às crianças para dar uma relaxada, mas no filme do diretor Barry Sonnenfeld definitivamente o ator não se encaixa. Na verdade, Spacey fica pouco tempo em cena, ao menos em carne e osso. Ele dá vida à Tom Brand, um ricaço dono de um império imobiliário conhecido por sua agressividade verbal e megalomania. Empenhado em construir o mais alto arranha-céu da América do Norte, sua ambição é tão grande que praticamente o impede de conviver com sua esposa Lara (Jennifer Garner) e a filha Rebecca (Malina Weissman), esta que carente de atenção deseja ganhar um gato de estimação como presente de aniversário. Embora deteste animais, Brand vai até a loja do excêntrico Felix Perkins (Christopher Walken) e compra um bichano, o Sr. Bola de Pêlos, mas antes de ir para casa entregá-lo decide ir até ao tal prédio em construção. Estressado com o engenheiro que coloca empecilhos quanto a realização de uma torre tão grande, o empresário se desequilibra durante uma tempestade de raios e acaba caindo do topo, mas milagrosamente tem sua vida salva. Ou quase isso. Seu corpo é levado para o hospital onde fica em coma, mas sua alma e consciência estranhamente foram transferidas para o gato, cujas ações e pensamentos são apenas entendidas pelo dono do pet shop que passa acompanhá-lo em sua via-crúcis.

sábado, 2 de novembro de 2019

3096 DIAS DE CATIVEIRO

Nota 7,0 Baseado em um impressionante sequestro real, drama da protagonista angustia e intriga

Tem filmes baseados em fatos reais  que contam histórias tão incríveis que fica difícil acreditar nelas e 3096 Dias de Cativeiro é um deles. Trata-se de um drama autobiográfico baseado no livro homônimo de Natascha Kampush, também responsável pelo roteiro, que narra suas memórias sobre os mais de oito anos que viveu ao lado de seu sequestrador. Entre 1998 e 2006, ela não pôde ter contato algum com outras pessoas e sofreu com abusos físicos e psicológicos. Aos dez anos de idade, pela primeira vez na vida a garota iria sozinha para a escola após uma discussão com a mãe com quem vivia uma relação conflituosa, ao contrário do pai com quem tinha um convívio harmonioso mesmo ele tendo se separado. Nesta ocasião, mal sabia ela que do lado de fora da casa já há alguns dias a família era observada por Wolfgang Priklopil (Thure Lindhart) que planejava o seu sequestro. À luz do dia ele a imobiliza na rua e a leva para a sua casa onde a prende dentro do porão. Desempregado e com atitudes contrastantes, não há um motivo aparente para seu crime, afinal morava em uma casa confortável, tinha carro e só ameaçava pedir resgate, amedrontando a menina dizendo que seus pais não gostavam dela e por isso não o pagavam. A solidão talvez fosse uma justificativa plausível, ainda que mesmo já passando dos trinta anos de idade e morando sozinho demonstrasse certa dependência da mãe para se alimentar e abastecer a casa. Apesar do cativeiro, Wolfgang tinha um mínimo de cuidado com a menina. Comprou roupas, produtos de higiene e lhe ofereceu livros e músicas, as únicas formas que Natscha possuía para ter ao menos um pouco de instrução. Por outro lado, várias vezes a deixava sem comer, a humilhava e nem mesmo a deixava ver a claridade do dia. Até uma espécie de interfone ele instalou no claustrofóbico porão para se comunicar com a garota sem necessidade de ir até lá, uma forma mais fácil de lhe repetir diversas vezes ao dia para ela o obedecer e assim doutriná-la. À menina só restava de fato acatar as ordens por medo de ser estuprada, ferida ou morta.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

FAMÍLIA DO BAGULHO

NOTA 7,5

Quatro pessoas na pior fazem uma
viagem para buscar encomenda de um
traficante e se metem em grandes apuros,
mas acabam se reconhecendo como família
Encontrar a família perfeita até é um tema bastante comum no cinema. Agora, conseguir formar um clã desfuncional não é lá muito corriqueiro. Pois é isso que consegue o suposto patriarca de Família do Bagulho, uma deliciosa comédia que evoca certo quê de nostalgia, mas sem dispensar a modernidade. O bagulho do título tem função dupla. Além de expor que a trama acompanha a reunião de pessoas um tanto bizarras, também deixa claro que certa ervinha não legalizada é o elemento de união entre todas elas. David Clark (Jason Sudeikis) é um traficante pé-de-chinelo que após ser assaltado e ter praticamente todo seu dinheiro roubado fica em dívida com seu chefe, o excêntrico Brad Gurdlinger (Ed Helms). Para limpar sua barra, ele aceita a proposta de ir buscar uma pequena encomenda de maconha no México e para conseguir passar despercebido pelos oficias da fronteira decide alugar um trailer e contratar algumas pessoas para simular que estava de férias com a família. Assim ele convence seu vizinho Kenny (Will Poulter), um rapaz tímido e ingênuo, e a revoltadinha Casey (Emma Roberts), uma jovem que salva de uma briga de rua, justamente na qual perdeu sua grana, para fingirem serem seus filhos. Por fim, recorre a outra vizinha, Rose (Jennifer Aniston), uma stripper que está ameaçada de despejo, para que banque sua esposa e mãe amável. Adotando personalidades bem opostas as suas, eles então passam a responder como os Millers, o puro estereótipo da família tradicional estadunidense. O trajeto de ida não podia ser mais auspicioso, mas quando chegam ao destino é que os problemas começam. O que pensavam ser no máximo uma meia dúzia de pacotinhos de drogas na realidade era um imenso carregamento, assim eles precisam esconder a mercadoria por todo o veículo, incluindo colchões e geladeira. A volta então se transforma em um grande pesadelo com o quarteto fazendo de tudo para esconderem a bagagem. Da saída das terras mexicanas sendo perseguidos por traficantes rivais, passando pela triagem dos policiais rodoviários, estes despistados de formas hilariantes, eles também vão precisar se livrar do incômodo e escandaloso casal Edie (Kathryn Hahne) e Don Fitzgerald (Nick Offerman) que estão em viagem pelos EUA também a bordo de um trailer na companhia da filha Melissa (Molly Quinn).

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

HALLOWEEN

NOTA 9,0

Longa homenageia os 40 anos da
franquia atualizando a temática e
colocando vítima e algoz em posições
bem diferentes ao embate original
Em 1978 foi lançado Halloween - A Noite do Terror, um filme que não só serviria de escola para a solidificação de um subgênero, os slashers movies, mas como também seu vilão viria a criar raízes na memória coletiva e na cultura pop. Além das várias sequências, também foi refilmado e até ganhou um episódio sem nenhuma conexão direta com o assassino Michael Myers. Comemorando as duas décadas desta icônica produção, Halloween H20 parecia finalmente pôr um ponto final à saga mostrando o que seria o derradeiro embate entre Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e seu irmão-algoz. Após os traumatizantes eventos do longa original, a personagem só havia aparecido no segundo capítulo da franquia. Enquanto Myers foi alimentando ao longo dos anos seu instinto assassino, seu principal alvo manteve-se reclusa como se estivesse se preparando para mais cedo ou mais tarde encarar um inevitável embate. Por questões contratuais, produtores deram um jeito para justificar que a morte do vilão em 1998 foi alarme falso e quatro anos depois ele regressava em Halloween - Ressurreição, no qual Laurie finalmente é morta pelo irmão e ainda nos primeiros minutos, o que não justifica a existência da fita que tentando em vão uma conexão com a modernidade ambienta a trama em um reality show dentro da casa onde Myers ainda criança assassinou sua outra irmã. Como uma franquia de sucesso, mesmo com seus altos e baixos, em comemoração aos seus 40 anos surgiu a ideia de Halloween, título simples e direto, afinal dispensa maiores apresentações. O grande acerto desta produção foi fazer uma continuação levando em consideração apenas o primeiro filme. Desconsiderou-se os demais títulos da franquia e trouxe de volta uma Laurie que não parou no tempo, mas também não esqueceu o que viveu. Myers também não. Jornalistas interessados em documentar a história do assassino, aqui interpretado por Nick Castle, o visitam dias antes de sua transferência para uma nova instituição psiquiátrica. Enquanto os médicos tem certeza que se trata de um caso perdido, os visitantes curiosos acreditam que ele não é o Mal encarnado como todos bradam desde sua infância. Quem brinca com fogo acaba queimado e obviamente eles serão as primeiras vítimas do maníaco sedento por sangue. Porém, antes eles tem tempo de tentar uma entrevista com Laurie, agora uma sexagenária cheia de neuras e que transformou sua residência em uma verdadeira fortaleza cheia de armadilhas e truques para se defender.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

HALLOWEEN H20

NOTA 9,0

Em comemoração aos 20 anos da
franquia, longa faz sequência direta ao
primeiro longa apoiando-se no
aguardado embate entre vítima e assassino
Em 1978 o mestre John Carpenter deu o pontapé inicial para a onda dos slashers movies com o lançamento de Halloween - A Noite do Terror que contava a história de um garoto que certa noite do Dia das Bruxas assassina violentamente a própria irmã mais velha usando uma simples faca de cozinha. Após ficar internado toda sua infância e adolescência em um hospício, ele consegue fugir e obstinado a encontrar e matar sua outra irmã. Só este filme já seria o bastante para enraizar o nome e a imagem sinistra de Michael Myers no consciente coletivo e na cultura popular, mas uma série de continuações viria para reforçar seu poder de fascínio, embora com tramas que gradativamente foram piorando em termos de qualidade e aumentando o número de mortos. Halloween H20 foi lançado vinte anos depois do primeiro com um objetivo claro: fechar a franquia em grande estilo e tentar apagar a má impressão que os capítulos intermediários deixaram. Missão cumprida! Dinâmico, sem rodeios e coeso, a sétima produção do mascarado faz um link apenas com os dois primeiro títulos resgatando Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), a obsessão do psicopata, desta vez interpretado por Chris Durand. A personagem não apareceu nos demais filmes, mas permaneceu no imaginários do fãs e o roteiro assinado por Robert Zappia e Matt Greenberg não parou no tempo. A sobrevivente de dois massacres nunca esqueceu os pesadelos que viveu e sempre ficou na expectativa que seu irmão um dia voltaria para terminar sua vingança, embora para todos os efeitos ele teria falecido em um incêndio no hospital onde se enfrentaram pela última vez. Como cuidado nunca é demais, ela forjou a própria morte e adotou uma nova identidade respondendo pelo nome de Keri Tate, a diretora de um colégio de elite onde também reside com seu filho John (Josh Hartnett). O adolescente cresceu compartilhando do medo e vigília da mãe, mas agora que está prestes a completar a maioridade pretende se desvencilhar destas paranoias de uma vez por todas. Contudo, o destino não vai deixar.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

HALLOWEEN - A NOITE DO TERROR

NOTA 10,0

Um dos primeiros filmes sobre
seriais killers mascarados
sobrevive à ação do tempo dando uma
aula de como estimular o medo
Os festejos do Dia das Bruxas é uma das mais tradicionais comemorações dos EUA, mas a moda acabou se estendendo a outros países. No Brasil, escolas tentam manter vivo o hábito da busca dos doces ou truques e as baladas convidam o público a participarem fantasiados, mas sem dúvida a grande tradição para comemorar a data por aqui é a reunião caseira para curtir filmes de terror na companhia de pipoca, refrigerante e outras guloseimas. Quem está começando a vivenciar o noitão de cinema de horror certamente deve colocar na lista de títulos a serem exibidos Halloween – A Noite do Terror, um marco do gênero que envelhece cultuado por nostálgicos e angariando novos adeptos. Contudo, não estranhe se ouvir algumas críticas negativas ao longa. Falam tanto desse filme, mas cadê o sangue e a adrenalina? Sim, muita gente deve assistir e em um primeiro momento não ver nada de mais na produção setentista que apesar de ser a respeito de um serial killer (ou conhecido também como slasher) não é um produto banal, pelo contrário, provoca o espectador a refletir sobre o que é o medo. Como um dos percussores deste subgênero do terror, praticamente todos os clichês batem cartão. Temos o assassino mascarado e que parece imortal, seus métodos “caseiros” de matar, as jovens vítimas, a libertinagem fazendo alusão ao prenúncio da morte e uma penca de sustos falsos, enfim tudo aquilo que você já viu em Lenda Urbana, A Casa de Cera e companhia bela. Todavia, os mais recentes filmes do tipo pecam por não saberem estimular o medo. O roer das unhas é imposto com cortes de cenas acelerados acompanhados de efeitos sonoros estridentes, assim o espectador é sempre avisado quando uma morte acontecerá e não raramente os gritos se transformam em gargalhadas ou frustrações. O diretor John Carpenter não é conhecido como mestre do terror por acaso. Em 1978, em um de seus primeiros trabalhos, mesmo com orçamento restrito soube usar a criatividade e compreendeu como poucos o que é o medo, um sentimento subjetivo e pessoal, ou seja, cada um pode compreendê-lo de uma maneira diferente. Por exemplo, a escuridão pode ser perturbadora para alguns que tem estômago forte para ver cenas de mutilações e vice-versa. Para contar a história do lendário assassino Michael Myers (Tony Moran), rapaz que na infância assassinou sua própria irmã e passou quinze anos em um hospício, Carpenter espertamente utilizou cenários, iluminação baixa e ângulos de câmera como seus fiéis escudeiros, elementos que por vezes se confundem com o vilão.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

PECADOS INOCENTES

NOTA 6,5

Baseado em escandalosos fatos reais
envolvendo uma problemática família,
longa parece ter receio de chocar
demais e explora polêmicas com cautela
Drogas, homossexualidade, incesto, libertinagem... São temas bastante pesados e se abordados individualmente já são grandes fardos para serem trabalharem que dirá todos eles juntos em uma mesma narrativa. Talvez por isso Pecados Inocentes ganhou um título nacional tão condizente. O que é mostrado no filme é relativamente leve perto do que de fato deve ter acontecido na família Baekeland. Baseado em fatos reais, o filme começa de forma enganosa, com toda pompa de um romance de época. O bem nascido Brook (Stephen Dillane) tinha uma vida social bastante agitada em companhia de Barbara (Julianne Moore), esta vinda de um berço menos abastado. Eles formavam aparentemente um casal perfeito, imagem que sustentaram por um casamento que estranhamente durou anos. Na intimidade, o marido revela-se egocêntrico, deixa claro que detesta o convívio no high society e também repudia a extrema dedicação que a esposa dispensa ao único filho do casal. Tony (Eddie Redmayne) cresceu vivendo uma relação muito próxima à mãe e compartilhando de uma intimidade exagerada. Não teve um referencial masculino presente, o que poderia explicar sua tendência homossexual já percebida por seu pai desde a infância e mais um motivo para conflitos entre os dois. O jovem até tenta se interessar por Blanca (Elena Anaya), mas vive uma relação sem sentimentos, apenas baseada no sexo, algo quase mecânico. Sua grande paixão atende pelo nome de Sam Green (Hugh Dancy) com quem se relaciona com certa liberdade, já que o envolvimento é acobertado por sua mãe que não quer vê-lo sofrer como ela. Obcecada pela ideia de fazer parte das altas rodas da sociedade, ela sempre viveu insatisfeita em uma relação de amor e ódio com Brooks, esse que nunca perdeu a chance de humilhá-la, mas a gota d'água foi quando descobriu que ele a traía com outra mulher. Pela vida que levavam, não era para surpreendê-la. Provavelmente o baque foi maior pela ameaça em perder seu posto de socialite já que a revelação da identidade da amante pode ser apontado como o primeiro escândalo do clã a vir a público.

domingo, 20 de outubro de 2019

STUART LITTLE 2

Nota 5,5 Sem grandes novidades, longa tenta apenas expandir o universo do simpático ratinho

Seguindo a lógica de Hollywood, se bombou nas bilheterias uma continuação deve ser considerada, mas provavelmente Stuart Liitle 2 já estava nos planos quando o primeiro longa do adorável e elegante ratinho era lançado. Com mais verba disponível e o público já ambientado ao universo e apresentado aos personagens principais, o diretor Rob Minkoff, o mesmo do original, investe mais em ação para entreter as crianças, mas sem deixar de lado o clima lúdico e as lições de moral como a respeito da valorização da amizade e solidariedade. Depois de se sentir um Little de verdade e conquistar a amizade do irmão George (Johathan Lipnicki) e a confiança do gato Snowbell (o Bola de Neve), passado alguns anos agora Stuart não quer apenas fazer jus ao seu sobrenome, mas também à espécie humana, afinal ele é um homem um rato? A clássica pergunta parece irônica no caso, mas o público sabe que no universo criado para abrigar o personagem original de E. B. White todos tratam o ratinho como se fosse uma pessoa de verdade, não estranhando nem mesmo o fato dele frequentar a escola com outras crianças, jogar futebol e até dirigir um carro esportivo, obviamente em miniatura, o sonho de consumo de muito marmanjo. Mesmo com essas conquistas, Stuart está incomodado com a superproteção de Eleanor (Geena Davis), sua mãe que não o deixa fazer praticamente nada sozinho ou mais aventuresco, aquele cuidado típico destinado a filhos caçulas. Frederick (Hugh Laurie), o pai, é um pouco mais pé no chão e sabe que chegará um momento que seus filhos precisarão aprender a lidar com as agruras do mundo fora de sua colorida casa, só talvez não esperasse que para Stuart a hora fosse tão cedo. A própria vida se encarrega de colocar obstáculos no caminho de todos e para o ratinho eles caem literalmente do céu materializados na figura da pequena e frágil Margalo, uma passarinha perseguida por um ardiloso falcão (sem nome). Aparentemente ferida, ela é acolhida pelos Littles e torna-se interesse amoroso do camundongo, um caso de amor entre espécies diferentes que pode ser interpretado apenas como uma amizade motivada pelo sentimento de identificação. Ela desejava a proteção que Stuart tinha e ele, por sua vez, almejava a liberdade da ave.

sábado, 19 de outubro de 2019

O PEQUENO STUART LITTLE

Nota 7,5 Lúdico e com clima retrô, longa diverte com trama ingênua e protagonista adorável

Depois do realismo alcançado por Babe - O Porquinho Atrapalhado  colocando uma trupe de animais adestrados para atuar, ficaria difícil para qualquer animalzinho falante fazer sucesso equivalente e até alcançar o mesmo nível de carisma do protagonista suíno. No final da década de 1990, o cenário também já não era favorável para esse tipo de produção, com plateias, mesmo as infantis, exigindo cada vez mais perfeccionismo e quase não vendo graça em bichinhos fofinhos que pensam e agem como humanos. Contudo, O Pequeno Stuart Little surpreendeu em termos de bilheteria e popularidade. O longa narra a história de um simpático e inteligente camundongo falante que acaba sendo adotado por uma família de humanos. Eleanor (Geena Davis) e Frederick Little (Hugh Laurie) visitam um orfanato dispostos a encontrar um irmãozinho para George (Jonathan Lipnicki), único filho do casal, e ficam encantados quando conhecem o roedor  com seu estilo clássico de se vestir e sua exímia educação e o consideram perfeito para ser o caçula da família. Esperto e carente, o ratinho segue para o novo lar radiante, mas não esperava que seria recebido friamente pelo irmão e  não contava com a presença de Snowbell (ou Bola de Neve), o gato de estimação do clã que não se conforma que um camundongo comporte-se e ocupe um lugar na casa como se fosse um humano. Logo de cara, o bichano tenta devorar o novo Little e durante todo o filme literalmente acompanhamos um jogo de gato e rato. Contudo, também há uma boa dose de drama inserida no roteiro, já que Stuart precisa vencer as dificuldades de ser diferente e conquistar seu espaço, mesma situação vivida por qualquer órfão humano que passa por um processo de adaptação e, muitas vezes, de rejeição ao ser acolhido por uma nova família. Admitindo se sentir deslocado e sozinho, os Littles, com dó no coração, até encontram os pais biológicos do caçula, mas todos aprendem que o amor fraternal não implica em ter o mesmo sangue correndo nas veias.

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