quarta-feira, 30 de outubro de 2019

HALLOWEEN H20

NOTA 9,0

Em comemoração aos 20 anos da
franquia, longa faz sequência direta ao
primeiro longa apoiando-se no
aguardado embate entre vítima e assassino
Em 1978 o mestre John Carpenter deu o pontapé inicial para a onda dos slashers movies com o lançamento de Halloween - A Noite do Terror que contava a história de um garoto que certa noite do Dia das Bruxas assassina violentamente a própria irmã mais velha usando uma simples faca de cozinha. Após ficar internado toda sua infância e adolescência em um hospício, ele consegue fugir e obstinado a encontrar e matar sua outra irmã. Só este filme já seria o bastante para enraizar o nome e a imagem sinistra de Michael Myers no consciente coletivo e na cultura popular, mas uma série de continuações viria para reforçar seu poder de fascínio, embora com tramas que gradativamente foram piorando em termos de qualidade e aumentando o número de mortos. Halloween H20 foi lançado vinte anos depois do primeiro com um objetivo claro: fechar a franquia em grande estilo e tentar apagar a má impressão que os capítulos intermediários deixaram. Missão cumprida! Dinâmico, sem rodeios e coeso, a sétima produção do mascarado faz um link apenas com os dois primeiro títulos resgatando Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), a obsessão do psicopata, desta vez interpretado por Chris Durand. A personagem não apareceu nos demais filmes, mas permaneceu no imaginários do fãs e o roteiro assinado por Robert Zappia e Matt Greenberg não parou no tempo. A sobrevivente de dois massacres nunca esqueceu os pesadelos que viveu e sempre ficou na expectativa que seu irmão um dia voltaria para terminar sua vingança, embora para todos os efeitos ele teria falecido em um incêndio no hospital onde se enfrentaram pela última vez. Como cuidado nunca é demais, ela forjou a própria morte e adotou uma nova identidade respondendo pelo nome de Keri Tate, a diretora de um colégio de elite onde também reside com seu filho John (Josh Hartnett). O adolescente cresceu compartilhando do medo e vigília da mãe, mas agora que está prestes a completar a maioridade pretende se desvencilhar destas paranoias de uma vez por todas. Contudo, o destino não vai deixar.

A escola promove uma excursão para um acampamento em plena época do Halloween, mas Laurie decide ficar de guarda em sua casa que além dos tradicionais métodos de segurança também conta com a portaria do local com vigilância dia e noite. O que ela não esperava é que seu filho, a namorada Molly (Michelle Williams) e mais dois amigos fingiriam ir ao passeio, mas na verdade planejavam uma festinha particular para comemorar a data, porém, não contavam com um convidado indesejado. Os delírios frequentes de Laurie tornam-se realidade e Myers consegue fugir da instituição psiquiátrica e em sua melhor forma. Tão inteligente, astuto e violento quanto há vinte anos, no entanto, o psicopata não chega a somar uma dezena de corpos, o que mostra respeito do diretor Steve Miner à obra de Carpenter. No longa original, apenas cinco mortes são contabilizadas. Ao invés de chocar com violência gráfica gratuita, a ideia era prender a atenção com um clima de suspense apurado dando a impressão de que o vilão poderia estar à espreita em qualquer lugar, algo intensificado pelo recurso de usar a câmera em vários momentos como se fosse o seu próprio olhar. Curioso que Miner dirigiu a segunda e a terceira parte de Sexta-Feira 13, um dos vários derivados inspirados pela saga de Myers, mas que não poupa sangue e mortes mirabolantes. Felizmente o cineasta foi fiel ao material que lhe confiram homenagear e não é exagero dizer que seu longa é um expoente dentro do universo de horror. As cenas de perseguição e ataque são ótimas, bem dirigidas e coreografadas, a tensão já é impressa logo na introdução e o suspense vai aumentando gradativamente até o clímax. A curta duração (menos de uma hora e meia), trabalha a favor e contra. Se por um lado não deixa brechas para a atenção dispersar, por outro fica a sensação de que muitas outras situações poderiam ser desenvolvidas no cenário de um colégio isolado e praticamente deserto à noite. O roteiro parece ter pressa em eliminar os personagens secundários para logo colocar em cena o embate entre Laurie e Myers, afinal o aguardado acerto de contas é a razão do filme existir.

Apesar do tom naturalista almejado ao fazer do sétimo capítulo uma sequência direta do segundo longa da franquia, os demais filmes estão aí para provar que a fantasia é o fio condutor de tudo e não há limites para trazer o mascarado de volta, afinal sua imagem tem uma importância maior que qualquer história. Assim, mais uma vez sua morte torna-se apenas uma suposição e isso não é spoiler algum, afinal alguém esperava que colocariam um ponto final de verdade na trajetória de um personagem tão icônico? Myers retornou como se nada tivesse acontecido em Halloween- Ressurreição, lançado em 2002, apenas mais um longa esquecível dentro de uma franquia cuja temática parece oferecer infinitas possibilidades. Já Halloween H20 foi talhado para ser assistido obrigatoriamente em seguida ao original anualmente ao menos no Dia das Bruxas. Embora fique em desvantagem no comparativo, o filme que comemora as duas décadas da obra de Carpenter não decepciona e surpreende com um estilo de terror à moda antiga, o que fisga plateias adultas. Desta vez não temos Donald Pleasence como o médico que se torna um perseguidor implacável do vilão tentando provar que ele é a personificação do Mal puro. O ator faleceu alguns anos antes do projeto sair do papel, mas a atriz Nancy Stephens faz uma pontinha revivendo a enfermeira que auxiliava o doutor no segundo filme. Ainda temos a grata surpresa de ver a saudosa Janet Leigh em uma cena rápida, porém, bastante significativa por motivos de bastidores. Mãe na vida real de Curtis e para sempre lembrada pelo assassinato de sua personagem em Psicose na famosa cena do chuveiro, ela surge aqui em seu último trabalho para o cinema como uma assistente da diretora do colégio que despretensiosamente lhe dá conselhos maternos como se estivesse prevendo que o perigo rondava o local. Apesar das homenagens e nostalgia, os espectadores mais jovens não ficam entregues ao tédio em momento algum. Não é a toa que o roteiro teve alguns pitacos, embora não creditados, de Kevin Williamson. É dele o roteiro de Pânico que revigorou os slashers movies e impulsionou uma nova safra de produções similares. É dele também as histórias de Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado e Lenda Urbana. Todas essas produções, apesar dos clichês e previsibilidade,  alcançaram seu principal objetivo que é simplesmente divertir, principalmente o público jovem, e suas boas aceitações abriram caminho para o retorno de Myers... Em grande estilo!

Terror - 86 min - 1998

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