Nota 7,5 Lúdico e com clima retrô, longa diverte com trama ingênua e protagonista adorável

Não é preciso buscar conceitos lógicos para embarcar na trama que poderia ser restrita ao público infantil, porém, a inocência do desenrolar da trama e a sensível direção de Rob Minkoff agregam um irresistível apelo lúdico, tanto no detalhamento dos cenários quanto no clima da obra como um todo, capaz de conquistar os adultos que inevitavelmente deixam seu lado criança aflorar. Com roteiro assinado por Greg Brooker e curiosamente por M. Night Shyamalan, o criador do mega sucesso O Sexto Sentido, o longa é inspirado na obra de E. B. White, o mesmo autor do clássico que gerou A Menina e o Porquinho que, além de um longa com atores reais lançado em 2005, também gerou uma famosa animação setentista. Minkof, um dos diretores do cultuado desenho O Rei Leão, pela primeira vez trabalhava com atores de carne e osso contracenando com criações digitais e tirou proveito da concepção do personagem-título e o inseriu em uma história em tom de fábula na qual todos tratam o ratinho como um ser humano e sem tecer qualquer comentário maldoso, exceto Snowbell que não admite ter como dono alguém que pelas leis da natureza deveria lhe servir como presa. A casa dos Little, colorida e com decoração retrô, além de incrustada entre cinzentos arranha-céus, reforça o clima de conto de fadas e nostalgia. Por outro lado, a técnica de animação usada na criação dos bichos apontava para o futuro. Até seu lançamento, a produção poderia ser considerada uma das mais ousadas em termos de animação tridimensional. Stuart, assim como Snowbell e outros roedores que surgem ao longo do filme, foram todos criados via computação gráfica, incluindo suas roupas e acessórios, mas possuem volumes, parecem táteis. As expressões faciais e movimentos corporais foram baseados em modelos humanos, mas os detalhes para torná-los os mais realistas possíveis foram os grandes desafios da equipe de efeitos especiais merecidamente indicada ao Oscar. Só na cabeça de Stuart foram animados mais de meio milhão de pêlos para tornar a movimentação do personagem completamente crível. É uma pena que O Pequeno Stuart Little se ancore mais no capricho visual e clima lúdico, contentando-se em narrar uma história extremamente inocente e previsível e marcada por interpretações caricatas. De qualquer forma, é um programa acima da média para toda a família e com boas lições de moral para as crianças e reforçá-las aos adultos.
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