Nota 3,5 Suspense quer ser mais inteligente do que pode e se perde em sua falsa complexidade

O grande números de sustos baratos provocados por movimentos bruscos de câmera ou pelos elementos sonoros em tom mais alto servem apenas para impedir que o espectador durma, principalmente nos dois primeiros atos que soam arrastados e investem em acontecimentos aparentemente desconexos. Contudo, o diretor Farren Blackburn não utiliza as pistas falsas corretamente de modo a construir um clima intrigante satisfatório. Seu pior deslize é carregar de clichês os sonhos de Mary e a maioria não agregar nada à trama, apenas ajudar a preencher tempo. Também incomoda o fato de inserir um suposto interesse amoroso à moça, Doug (David Cubitt), o pai de um de seus pacientes, e não desenvolver o gancho. Foge da mesmice do cara surgir no clímax para salvar a mocinha, embora neste caso até sentimos falta de tal pieguice para dar algum sentido à existência do personagem. O roteiro também desperdiça o talento do pequeno Tremblay que havia chamado a atenção em O Quarto de Jack. Sem a possibilidade de uma fala sequer e ausente da tela praticamente por mais da metade do filme, ele entra em cena como desculpa para injetar um pouco de ação ao marasmo, mas sua atuação é semelhante a de um objeto decorativo e, detalhe, na hora do perrengue a surdez de Tom não se manifesta e ele parece compreender perfeitamente o que Mary diz e quando está ameaçado. Seria ele de fato uma assombração? Ou realmente estava desaparecido e o vilão é alguém bem próximo da protagonista? Não é preciso muito esforço para matar a charada ainda nos primeiros vinte minutos de exibição. Refém do Medo sofre do mesmo mal que acomete a maior parte das obras da mesma seara. Procura contabilizar o maior número possíveis de sustos, mesmo que fajutos, desenvolve o mínimo possível o argumento e tenta oferecer um final mais inteligente que suas reais possibilidades. Ainda assim o ato final segura a tensão graças aos esforços de Watts que convence então como uma mulher que acorda para a realidade e deixa falar mais alto seu instinto de sobrevivência... E por que não dizer também materno?
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