domingo, 27 de maio de 2018

PARENTES PERFEITOS

 Nota 6,5 Entre o pastelão e a crítica, longa é previsível reforçando valores e laços familiares

Ser independente, bem sucedido e ter ao lado uma bela e amável mulher. Esse é o sonho de praticamente todo o homem e também o que norteava a vida de Richard Clayton (Ron Livingston), o protagonista da comédia Parentes Perfeitos. Formado na área de psicologia e afins, o rapaz é famoso por suas palestras, programa de rádio e seu livro de autoajuda que está na lista dos mais vendidos. Para completar sua felicidade, faltam apenas três semanas para trocar alianças com sua noiva, a amorosa e paciente Ellen (Neve Campbell). Tudo ia bem até que em uma reunião familiar seu irmão Mitch (Bob Odenkirk) lhe faz uma revelação bombástica: Richard é adotado! Criado pelo refinado casal Arleen (Christine Baranski) e Doug Clayton (Edward Hermann), o psicólogo sempre teve de tudo do bom e do melhor, o que o tornou um pouco arrogante, mas mesmo assim ele faz questão de buscar suas raízes. Com a ajuda de um detetive particular, ele descobre que seus pais biológicos carregam um sobrenome francês, o que alimenta suas fantasias que seria filho de um casal de intelectuais ou algo do gênero. Quando finalmente encontra seus parentes para passarem um fim de semana juntos, Richard tem uma desagradável surpresa. Agnes (Kathy Bates) e Frank Estercot (Danny DeVito) formam um casal vexatório. Eles são caipiras ao extremo, mal educados, destemperados e até na diferença de altura chamam a atenção, os tipos perfeitos para virarem alvos de piadas, mas na verdade são eles que involuntariamente tiram um sarro dos outros.

sábado, 26 de maio de 2018

ALTITUDE

Nota 3,5 Apesar da boa ambientação e argumento, longa falha no clímax optando pela fantasia

Medo do escuro, de elevadores e até de dirigir. O cinema já explorou todos eles e é claro que a fobia de viajar de avião também não deixaria de ser usada como inspiração. De produções bem elaboradas, como Plano de Voo, a produções trash, como Serpentes a Bordo, muitos personagens já sofreram um bocado nas alturas e não é diferente com a turma de adolescentes que embarca no pesadelo de Altitude, razoável suspense que usa de forma eficiente o cenário claustrofóbico de um pequeno jatinho planando em uma noite fria e de tempestade. Bruce (Landon Liboiron), Sal (Jake Weary), Cory (Ryan Donowho) e Mel (Julianna Guill) estão entusiasmados com a viagem que farão para irem assistir um show e Sara (Jessica Lowndes) tenta manter o mesmo espírito, mas no fundo está apreensiva. Traumatizada desde a infância com a morte da mãe que era piloto e sofreu um misterioso desastre aéreo junto a uma família de passageiros, recentemente ela concluiu seu curso de pilotagem (mais tarde entenderemos o porquê de escolher essa carreira) e seria a primeira vez que conduziria uma aeronave como profissional.  O voo começa tranquilamente, apesar de umas brincadeiras sem graça entre os tripulantes, mas não tarda para que as coisas desandem. Em meio a nuvens carregadas para uma tempestade, controles inesperadamente param de funcionar, a aeronave começa a subir mais que o inesperado, os sistemas de aquecimento interno e externo falham e parecem não resistir a gélida temperatura e ao mesmo tempo o combustível está acabando. Como desgraça pouca é bobagem ainda existe a ameaça de algum tipo de força obscura manifestada na forma de uma criatura com enormes tentáculos rondando o avião. O clima de pânico toma conta de todos trazendo à tona segredos e revelando o verdadeiro caráter de alguns.

domingo, 20 de maio de 2018

A FAMÍLIA BUSCAPÉ

Nota 7,5 Embora não siga à risca a série de TV original, comédia diverte com seus clichês 

Caipiras, desbocados, ingênuos, atrapalhados, bondosos, decentes e divertidos. Que atire a primeira pedra aquele que nunca se sentiu um pouquinho parecido com algum membro do clã protagonista de A Família Buscapé ou jamais vivenciou alguma situação em que se sentiu um peixe fora d’água ou deu uma bola fora. É comum em momentos descontraídos as pessoas se referirem a seus familiares usando o título desta comédia, um costume que começou bem antes do filme ser lançado. O longa é baseado no seriado de TV homônimo (nos EUA chamado de "The Beverly Hillbillies") que fez muito sucesso entre os anos 60 e 70. A premissa do filme é a mesma da série. A diretora Penelophe Spheeris faz humor com situações previsíveis de um simpático e simplório grupo acostumado a vida sem luxo do campo tentando se adaptar ao agitado cotidiano de uma cidade grande, com o diferencial que eles agora têm muito dinheiro e são um prato cheio para golpistas e bajuladores. A família Clampett leva uma vida calma e simples na roça, mas uma reviravolta está prestes a acontecer para eles e mudar tudo da noite para o dia. O patriarca Jed (Jim Varney) um dia vai caçar em suas terras e descobre algo inesperado. Ao tentar acertar em um animal, ele acaba atirando no chão e um gêiser borbulhante de petróleo bruto surge. Agora milionário, o simplório homem é convencido pelo senhor Milburn Drysdale (Dabney Coleman) a deixar que ele cuide de seus negócios em seu banco e que toda a sua família se mude para a agitada cidade de Beverly Hills. Desde o início da mudança o clã se mete em muita confusão para se adaptar ao ritmo e novidades da cidade grande, mas os contratempos do dia-a-dia não são nada perto do que está por vir. Ingênuos, eles caem na conversa de Laura Jackson (Lea Thompson), que se apresenta como professora de boas maneiras, justamente o que a estabanada Elly May (Erika Eleniak) precisa, mas na realidade essa refinada mulher tem um plano com Woodrow Tyler (Rob Schneider) para roubar os Clampetts. Ainda bem que a vovó Granny (Cloris Leachman) e Jane Hathaway (Lily Tomlin), funcionária exemplar do senhor Drysdale, são bem vivas e não se deixam levar pela simpatia da golpista. O roteiro de Lawrence Konner, Mark Rosenthal, Jim Fisher e Jim Staahl é calcado nos argumentos dos primeiros episódios do seriado, abrindo mão de um vasto arsenal de ideias, provavelmente imaginando futuras continuações.

sábado, 19 de maio de 2018

VAMPIROS DO DESERTO

Nota 2,0 Produção moderninha e teen sobre vampiros é trash do primeiro ao último minuto

Os vampiros são figuras míticas, sinistras e enigmáticas que aguçam a imaginação de muita gente e por isso mesmo suas histórias já inspiraram diversos filmes, desde os de estilo mais clássico até verdadeiras loucuras como ter o famoso Conde Drácula assombrando no espaço ou dentuços que literalmente preferem negar o sangue do dia-a-dia. Entre o trash e o luxuoso, o épico e o moderno, a figura vampiresca já sofreu inúmeras variações físicas e de personalidade, só o que não muda é o seu instinto de morte, sarcasmo e o poder de sedução (ok, a saga Crepúsculo quebrou as regras), mas às vezes nem mesmo o mais cruel representante das temidas criaturas da noite salva uma produção, ainda mais quando ela já nasce com todos os requisitos básicos para ser classificada como trash como é o caso de Vampiros do Deserto. Não há muito que se falar sobre essa produção fraca e que faria qualquer vampiro tentar cometer suicídio de tanta vergonha. Eles já estão mortos, mas mesmo assim tentariam se matar novamente. Na trama, Sean (Kerr Smith) está indo de Los Angeles para Miami em uma tranquila viagem de carro, mas tudo na sua vida muda quando, após relutar, dá carona para Nick (Brendan Fehr). O rapaz é um caçador, mas suas presas não são animais e sim vampiros, pois ele mesmo já foi contaminado e a única forma de se livrar deste mal é matando o chamado "Abandonado", o responsável por transformá-lo em um ser sedento por sangue. Nick está no momento no encalço de alguns jovens vampiros que se alimentam de viajantes imprudentes. Eles são comandados por Kit (Johnathon Schaech), que pode ser o responsável indireto pela contaminação do jovem caçador que está conseguindo retardar o processo de vampirismo graças a um coquetel de remédios. Durante a viagem, Sean e Nick encontram Megan (Izabella Miko), uma jovem que também foi contaminada. Eles tentam salvá-la, mas Sean inesperadamente também é mordido. Agora, o trio precisa correr contra o tempo para matar Kit e se salvarem, porém, isto precisa ser feito em solo sagrado e os vampiros estão dispostos a acabar com quantas vidas forem necessárias para detê-los. E pensar que todo esse enredo é bolado em cima de uma lenda do tempo das Cruzadas, porém, ela fica só numa explicação verbal a certa altura do longa, não existindo uma cena sequer que a ilustre.

domingo, 13 de maio de 2018

PAIXÃO À FLOR DA PELE

Nota 3,0 Romance busca sair da mesmice, mas acaba vítima de sua própria engenhosidade

Às vezes assistimos alguns filmes no cinema que simplesmente odiamos porque não entendemos nada em uma primeira apreciação. Quando lançados em DVD, alguns contam com a opção de acompanhar a trama com direito a explanações do diretor, mas tem muita produção que por mais que nos cercamos de informações simplesmente é intragável. Paixão à Flor da Pele tem justificativas para não ter sido um sucesso de público e nem mesmo os críticos deram muita bola. Confuso do início ao fim, parece que nem o pessoal responsável pela distribuição do filme na época do lançamento teve paciência para aturar tal engodo e erroneamente o divulgaram como um suspense com resquícios do estilo do mestre Alfred Hitchcock. Nada a ver. Com direção de Paul McGuigan, este produto é apenas mais uma tentativa frustrada de refilmar um sucesso europeu e escamotear a escassez de boas ideias em Hollywood.  Buscando inspiração no longa francês O Apartamento datado de 1996, o roteiro adaptado por Brandon Boyce tem como protagonista Matthew (Josh Harnett), um jovem empresário que acredita ter visto por acaso em uma cafeteria Lisa (Diane Krueger), uma mulher por quem ele foi perdidamente apaixonado, mas que sumiu misteriosamente há dois anos. Ele decide segui-la, descobre o seu endereço atual e sua rotina começa a ser moldada em função dos passos dela. Não gostaria de forçar um encontro, mas certo dia não aguenta a ansiedade e invade o apartamento para poder surpreendê-la. Contudo, ele não sabe que a mulher que tem seguido não é exatamente quem ele pensa ser, porém, ela sabe muito bem que está acontecendo um engano, mas quer tirar proveito disso. Alex (Rose Byrne) é amiga de Lisa e ficou apaixonada por Matthew a partir dos relatos e fotos que ela apresentava, porém, o rapaz nunca chegou a conhecê-la pessoalmente. Munida de informações íntimas do casal, ela fez de tudo para separá-los, mas jamais conseguiu se aproximar de seu amor platônico. Quando desconfia que reencontrou Lisa, o empresário não está errado. Ela realmente está vivendo temporariamente no tal apartamento, mas esta informação é omitida por Alex que assume a alcunha de Lisa, não a namorada fugida, mas outra com lábia suficiente para se aproveitar do estado atormentado do rapaz.

sábado, 12 de maio de 2018

ATAQUE TERRORISTA

Nota 6,0 Longa mostra como Londres usou a luta contra o terror para exorcizar sua xenofobia

Assim como a Segunda Guerra Mundial, o Holocausto e a Guerra Fria parecem ser temas históricos, políticos e sociais infinitos, quando menos se espera surge algum dado novo ou história interessante que ajudam a preencher lacunas importantes, os ataques de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas e a Guerra ao Terror que se seguiu parecem também que vão render muitos filmes ainda. Com o excesso de produções do tipo é normal que as classificadas como excelentes se tornem raridades, medianas tenham aos montes e as ruins surjam às pencas, mas será que aquilo que não nos agrada é necessariamente desprovido de qualidades? Na verdade não. O que acontece é que a tendência é não nos surpreendermos mais com a temática e já estamos em uma fase que é até possível prever os eventos das tramas como é o caso de Ataque Terrorista. Com roteiro de Carl Austin baseado na história original do indiano Jag Mundhra, este também que assina a direção, o filme começa com uma breve explanação do contexto em que a trama é desenvolvida. Poucos meses após os fatídicos atentados que abalaram as estruturas norte-americanas, a cidade de Londres, na Inglaterra, também se tornou um ponto visado por terroristas e a polícia local adotou a chamada Operação Kratos, estratégia de atirar à queima-roupa para matar suspeitos, ou seja, qualquer pessoa com pele mais morena ou traços característicos árabes podia se tornar uma vítima inocentemente. Um jovem com este perfil estava sendo seguido pela polícia e acabou sendo assassinado no metrô ao reagir a voz de prisão. Na realidade, ele levou a mão no bolso apenas para desligar seu toca-músicas que o distraiu e impediu de perceber o alvoroço que estava o local com a ameaça da presença de um terrorista. Como a tática de matar suspeitos sem provas ou ameaças concretas de envolvimento com atividades terroristas estava ganhando ares de crime preconceituoso, a aversão a muçulmanos, a imagem da polícia londrina estava ficando manchada e todos na corporação apreensivos com este novo caso já que autoridades, imprensa e a própria população cobrariam a punição de um responsável.  O inspetor Harry Marber (Ralph Ineson) foi quem matou o rapaz e precisa urgentemente encontrar evidências que comprovem que a vítima era um terrorista.

domingo, 6 de maio de 2018

O MELHOR JOGO DA HISTÓRIA

Nota 3,5 História de vida de um humilde campeão não cativa por seu esporte ser um tanto restrito

Filmes com temáticas esportivas, em sua maioria, já nascem fadados ao esquecimento pelo simples fato de que cada pátria tem seu esporte de coração e seus próprios ídolos. Tentar passar a emoção de um determinado torneio marcante para um país dificilmente cativa a audiência, ainda mais quando ela é alheia ao esporte em questão, e nem sempre histórias de superação funcionam como desculpa. É certo que produções do tipo tem seu público cativo e a publicidade do baseado em fatos reais que geralmente as acompanham ajudam a chamar atenção, mas são fitas que não rendem dinheiro e tampouco repercussão. Se os resultados são pífios, é quase um mistério entender como os envolvidos mais diretamente, como elenco principal, diretores e roteiristas, muitas vezes renomados, ainda topam trabalhar em filmes do tipo. O saudoso ator Bill Paxton escolheu justamente esse universo para seu segundo e último filme como diretor, mas toda a emoção vendida pelo pomposo título O Melhor Jogo da História não é correspondida. Baseado em um livro de Mark Frost, autor dos roteiros de Quarteto Fantástico e sua continuação, o filme narra a história de Francis Quimet (Shea LaBeouf), um rapaz que desde a infância era apaixonado por golfe e conseguiu um emprego como "caddie", aqueles garotos que carregam os tacos e acessórios para os jogadores, mas sua origem humilde o impedia de investir na carreira de esportista profissional. Contudo, mesmo jogando na categoria de amador, ele surpreendeu o mundo ao se tornar o mais jovem competidor a vencer um badalado torneio em 1913, derrotando o seu próprio ídolo, o experiente atleta inglês Harry Vardon (Stephen Dillane), conhecido como o "Rei do Estilo". A relação dos dois é trabalhada com traços de uma rivalidade sadia e encontra resquícios na amizade de Quimet com seu próprio colaborador, o pequeno e cativante Eddie Lowery (Josh Flitter) que incentiva com seu positivismo o atleta amador a superar os obstáculos que lhe são impostos.

sábado, 5 de maio de 2018

ARMADILHAS DO AMOR

Nota 4,0 Comédia romântica tem certo apelo diferenciado, mas se atrapalha em suas pretensões

Meg Ryan teve o ápice de sua carreira na década de 1990 transformando-se em sinônimo de comédias românticas açucaradas, mas o tempo passou e foi cruel com a estrela. Após entrar para o grupo das quarentonas a atriz passou a trabalhar cada vez menos, muito provavelmente por falta de convites, mas quando surgem oportunidades ele acaba em projetos furados, sem brilho e que em nada agregam a seu currículo. Em Armadilhas do Amor ela interpreta uma mulher madura que não está em busca do grande amor de sua vida, mas neurótica que só ela quer manter seu marido literalmente preso em casa assim que pressente que está prestes a perdê-lo. Ela vive Louise, uma mulher que começa a sentir os dilemas da meia-idade, o que afeta diretamente seu casamento já de anos com Ian (Timothy Hutton). O grande problema do relacionamento deles é que ela só pensa em trabalho e ganha muito mais que o marido que nessas condições se sente diminuído. Outro entrave é que eles não tiveram filhos e agora Ian sente falta de viver as emoções da paternidade, mas sem dúvidas o ápice desta relação problemática acontece quando Louise certo dia chega em casa de surpresa e a encontra repleta de flores e com um clima romântico no ar, todavia toda essa produção não era para ela e sim para a jovem Sarah (Kristen Bell), a amante de Ian, este que confessa tudo à esposa sem imaginar a reação absurda da esposa. Agora esta mulher traída e magoada simplesmente quer discutir a relação custe o que custar, mesmo que tenha que literalmente amarrar o marido e mantê-lo preso em casa. O roteiro de Adrienne Shelly procura ter certo diferencial no inflado e repetitivo mercado das comédias românticas, mas o fato é que a forma como construiu seu enredo pode afugentar o público, principalmente por gastar preciosos minutos iniciais apresentando uma protagonista histérica e neurótica travando diálogos irregulares com um marido apático.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

PETER PAN (2003)

NOTA 8,0

Mais fiel ao conto original,
longa entretém com seu clima
lúdico, mas não abre mão de temas
que custaram sua popularidade
Dificilmente alguém desconhece o conto do garoto que se recusava a crescer e tinha a sorte de viver em um mundo fantástico onde tudo é possível e a diversão sem limites são palavras de ordem. A história foi criada no início do século 20 pelo dramaturgo inglês J. M. Barrie, que baseou-se no espírito criativo e aventureiro de um grupo de crianças que conhecera por acaso e pouco a pouco criou certa intimidade até mesmo com a mãe delas, fato que gerou polêmica por ele já ser casado e ela uma viúva recente. A literatura, o teatro e a televisão já se inspiraram no conto inúmeras vezes, assim como o cinema, sendo a versão em animação datada de 1953 da Disney, para variar, considerada a melhor adaptação do texto. Isso até que exatos cinquenta anos depois finalmente foi lançada uma adaptação com atores de verdade digna de elogios. Bem antes da moda de relançar desenhos clássicos em formato live action, não foi da casa do Mickey Mouse que saiu tal produção. Peter Pan, do cineasta e roteirista P. J Hogan, levou quase duas décadas para se tornar realidade e conseguiu a proeza de ser mas fiel a trama original, não varrendo para debaixo do tapete passagens mais sombrias ou românticas vivenciadas pelo personagem-título. Aliás, se não fosse por convenções, o filme deveria levar o nome de Wendy Darling, papel de estreia da elogiada Rachel Hurd-Wood. É esta pré-adolescente a responsável pelo conflito principal do enredo co-escrito por Michael Goldenberg. Brincalhona e aventureira, sua maior diversão é inventar histórias para entreter antes de dormir seus irmãos mais novos João (Harry Newell) e Miguel (Freddie Popplewell), mas as noites de encanto e magia estão ameaçadas desde que a tia Millicent (Lynn Redgrave) chama a atenção dos pais da garota ao fato dela estar crescendo rapidamente a ponto de desenvolver "um beijo escondido no canto dos lábios", um maneira delicada de dizer que ela estaria pronta para se apaixonar e, consequentemente, entrar na vida adulta. O problema é que para esta senhora amadurecer é sinônimo de seriedade e conformismo. Ela defende que um bom relacionamento não se baseia necessariamente em sentimentos, basta o companheiro oferecer uma vida confortável à esposa que o amor naturalmente se desenvolve com o tempo.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

MINHA SUPER EX-NAMORADA

NOTA 5,5

Com gostinho de sessão nostalgia,
comédia é divertida, mas não explora
a fundo as possibilidades do argumento
acerca da intimidade de um super-herói
Uma comédia romântica protagonizada por uma super-heroína. A ideia parecia original e promissora, mas Minha Super Ex- Namorada descamba para o humor escrachado e calcado em piadas com conotação sexual, afinal a premissa parece girar em torno de um único assunto: o sexo como alternativa à cansativa rotina dos protagonistas. O arquiteto Matt Saunders (Luke Wilson) é um sujeito tímido e pacato, daqueles que esperam que as garotas deem um primeiro passo um flerte, mas quando o assunto é Hannah Lewis (Anna Faris), sua colega de trabalho, ele até arrisca alguma piadinha para se aproximar. Ela sempre dá atenção ao rapaz, porém, já é comprometida, assim, à custa de muito esforço, certo dia ele decide que chegou a hora de esquecer as tristezas de amores do passado e abandonar o platonismo. Só não imaginava que conheceria a mulher que o tiraria da inércia em pleno metrô, ainda mais a salvando de um assalto. Ele se interessa à primeira vista pela bibliotecária Jenny Johnson (Uma Thurman), uma trintona que não tem necessariamente atributos físicos chamativos, todavia, oferece toda a atenção que o jovem desejava. Já no primeiro encontro Saunders desconfia do comportamento estranho dela, mas acredita que vale a pena investir em um relacionamento sério. Para quem buscava apenas um encontro casual para tirar o atraso, ele acaba sendo surpreendido pela potência da parceira que chega a quebrar sua cama logo na primeira transa. Ela é uma mulher insaciável, o sonho de qualquer homem, contudo, as coisas começam a se tornar pesadelo quando o arquiteto percebe que a companheira é ciumenta, neurótica, carente e de temperamento incontrolável, daquelas que nem a um detetive particular confiaria o serviço de vigiar o namorado. Faria ela própria a patrulha para ter certeza que o plano seria executado com perfeição. Saunders tenta ser gentil e compreensivo ao máximo na hora de pular fora desta relação possessiva, mas se uma ex-namorada inconformada pode detonar a vida de um cara munida de um celular e com o apoio das redes sociais, imagine o que não pode fazer uma rejeitada dotada de força descomunal e poderes especiais.

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