sexta-feira, 29 de julho de 2016

MAMA

NOTA 7,0

Em tom quase de fábula, longa
narra uma história de terror em que
os aspetos dramáticos se sobressaem
aliados a estética sombria e fantasiosa 
Como diz o velho ditado popular, ser mãe é padecer no paraíso e o cinema de horror e suspense bebe sem moderação nessa fonte. Desde o clássico O Bebê de Rosemary até as releituras ianques de sucessos orientais como O Chamado, o pânico de mães tentando proteger seus rebentos de forças do mal parece uma inspiração sem fim. O terror soft Mama trafega com dois argumentos a serem desenvolvidos, o de uma mãe em busca de alguma cria para oferecer sua atenção e carinho e o de uma tia rebelde que é forçada a cuidar das sobrinhas e aos poucos aprende os sabores e dissabores da maternidade. O prólogo é dos mais interessantes. As irmãs Vitoria (Megan Charpentier) e Lilly (Isabelle Nélisse), respectivamente com cerca de 3 e 1 ano de idade, foram levadas pelo próprio pai para uma isolada cabana na floresta após ele assassinar a esposa e sofrer um acidente de carro na neve durante a fuga. Arrependido ou talvez envergonhado por algo que ela tenha feito, agora sua intenção era também matar as crianças e depois se suicidar, mas alguma estranha criatura dá cabo de sua vida, porém, salva e passa a criar as meninas. Consideradas desaparecidas, elas são reencontradas cinco anos depois vivendo praticamente como animais, andando de quatro, grunhindo e ariscas a qualquer tipo de contato social, seguindo apenas seus instintos. Agora elas estão sob a guarda temporária de seu tio paterno Lucas (Nicolaj Coster-Waldau) que mal conhecem, mas mostra-se paciente e amável, todavia, passarão mais tempo com a namorada dele, Annabel (Jessica Chastain), roqueira que preza sua liberdade e que ironicamente surge a primeira vez em cena agradecendo aos céus por um teste de gravidez negativo. A vida desregrada do casal muda completamente e com a ajuda do Dr. Dreyfuss (Daniel Kash) eles tentam incorporar os papéis de pais, mas o médico tem um interesse maior no caso e deseja estuda-lo profundamente. Ele acredita que as garotas inventaram uma mãe postiça, a quem chamam de Mama, e alimentando esta fantasia conseguiram sobreviver, no entanto, como praticamente única referência de carinho e proteção que tinham, agora estão com dificuldades para se desvencilhar da invenção. Contrariando as explicações científicas, o comportamento das irmãs e diversas situações levam a crer que a tal entidade realmente existe. Possessiva e cruel, ela não gosta nada de ver suas meninas criando laços afetivos com outros e passa a manifestar sua insatisfação até mesmo ameaçando-as. Ainda há um gancho paralelo envolvendo Jean (Jane Moffat), uma tia materna das meninas, mas a disputa judicial é descartada e a personagem só terá uma sutil serventia próximo a conclusão.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A SÉTIMA ALMA

NOTA 2,0

Apesar da boa premissa, longa
peca pela falta de originalidade,
ritmo irregular e aspecto datado,
não dialogando com o público alvo
Não é a toa que o diretor Wes Craven ganhou a alcunha de Mestre do Terror. Na década de 1980 ele deu vida a um icônico serial killer, o repulsivo Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo, mas ele não só encontrou uma fórmula criativa e extremamente gráfica de assustar como também teve o mérito de certa forma pintar um retrato da juventude ianque suburbana que consequentemente viria a se tornar um espelho para jovens de outros países. Entre uma cena e outra de morte, o cineasta conseguiu inserir temas pertinentes ao universo de seu público-alvo como a perda da inocência e a sensação de impotência dos adolescentes diante de uma realidade que os sufocava. Os tempos eram outros e as produções de horror tinham uma preocupação maior com o conteúdo, assim por trás do sucesso da franquia (ou pelo menos de alguns de seus capítulos) haviam ideias relevantes para justificar os ataques em sonhos bem realísticos do cara das famosas garras afiadas. Muitos tentaram o mesmo sucesso investindo em vilões sarcásticos ou irremediavelmente impiedosos e o próprio diretor precisou se reinventar dentro das regras que o próprio ajudou a sedimentar. Contudo, A Sétima Alma, penúltimo filme do cineasta que faleceu em 2015, não tem um porquê de existir. Não traz nada substancial em seu enredo e tampouco assusta, pelo contrário, até exagera nos momentos de humor involuntário. A produção parece envelhecida em diversos aspectos e desconectada das novas gerações que pensam e agem na mesma velocidade de um computador top de linha. A trama se passa em Riverton, pequena cidade do interior que está sendo assolada por um serial killer conhecido como Estripador. Criativo não? O criminoso seria Abel Plenkov (Raul Esparza), um homem que anos atrás sofria com o transtorno de múltiplas personalidades e em um de seus surtos assassinou a esposa grávida na frente da própria filha pequena que por pouco teve sua vida poupada. Em um lapso em que recobra o seu juízo perfeito o rapaz pede socorro ao médico que já acompanhava seu caso de esquizofrenia, mas de nada adianta. Qualquer incauto que cruzasse seu caminho era cruelmente morto, até mesmo policiais e socorristas, porém, o maluco não era indestrutível. Bastante ferido, ele cai em um rio e acredita-se que tenha se afogado, embora seu corpo jamais fora encontrado.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A MULHER DE PRETO 2 - ANJO DA MORTE

NOTA 2,5

Com a assombração e o cenário do
primeiro filme amarrados em uma trama
independente da original, longa parece não
ter identidade própria ou razão de existir 
Entre as décadas de 1930 e 1940 o estúdio Universal era o santuário dos filmes de terror, produções no sentido mais clássico do gênero e protagonizadas por lendárias criaturas como Drácula, Múmia e Frankenstein. Fundada quase que simultaneamente, a produtora inglesa Hammer cerca de três décadas depois tomou tal posto para si também investindo em adaptações e improváveis continuações para as histórias dos famosos monstros, mas em tempos em que fitas abordando exorcismos e psicopatas bombavam não havia mais espaço para o horror fantasioso. O ápice da companhia não durou muito e ela entrou em declínio rapidamente, porém, retomou suas atividades em 2007 com relativos sucessos como Deixe-me Entrar, remake de um cult sueco, e A Mulher de Preto, que ganhou projeção por ser a primeira grande produção do ator Daniel Radcliffe após anos dedicados a interpretar Harry Potter. Não foi um estrondoso sucesso, até porque o protagonista não convenceu muito em um papel tão complexo, mas o longa tem o mérito de resgatar um estilo de horror gótico há muito esquecido, salvo por produções assinadas pelo diretor Tim Burton. A ambientação sombria e o climão de filme antigo também deveriam ser os pontos fortes de A Mulher de Preto 2 – Anjo da Morte, previsível (literalmente!) continuação, porém, um projeto que desde o início já se mostrava problemático. Do longa anterior nem o astro principal e tampouco o diretor James Watkins aceitaram participar de um segundo capítulo, mas a vontade de dar o pontapé para uma possível franquia acabou levando produtores a bancar a fita que traz como único ponto em comum com seu predecessor o fato do argumento principal se basear no fantasma de uma mulher amargurada que atrai crianças para um destino cruel. Novamente inspirado no livro “Woman in Black” de Susan Hill lançado em 1983, a trama tem agora como protagonista Eve (Phoebe Fox), uma jovem professora que é contratada por uma escola do interior da Inglaterra para ajudar a cuidar da demanda de novos alunos. A Segunda Guerra está chegando ao seu clímax e a cidade de Londres é parcialmente destruída, forçando seus moradores a buscarem refúgio em regiões mais afastadas, assim muitas crianças foram obrigadas a se separar de suas famílias e os órfãos não tiveram outra escolha. Esse é o caso do pequeno Edward (Oaklee Pendergast), que não pronuncia uma palavra sequer.  Após perder seus pais ele foi levado para o colégio da severa Sra. Jean Hogg (Helen McCrory) que funciona justamente no casarão cercado por um pântano palco principal do filme anterior.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A MULHER DE PRETO

NOTA 6,0

Longa recupera atmosfera
sombria e melancólica de
obras de horror do passado
visando um público jovem
Quem nunca sentiu um calafrio ao passar pelas redondezas de uma casa abandonada ou uma construção distante em meio a um matagal? Hollywood sempre gostou de explorar o filão das residências assombradas, mas nos últimos anos esse tipo de produção acabou perdendo seu charme ao ter que dividir seu público com as fitas de seriais killers ou de exorcismos, ou seja, precisaram se adaptar aos novos tempos e apostar em sustos fáceis, escatologia, erotismo e muito sangue para agradar. Só por fugir deste esquema batido já vale a pena dar uma conferida em A Mulher de Preto, um dos principais projetos da produtora Hammer que retomou suas atividades em 2007. Para quem nunca ouviu falar dela, basta dizer que a empresa praticamente moldou um subgênero do terror principalmente nos anos 70 ressuscitando Drácula, Frankenstein, Múmia e outras criaturas horripilantes clássicas ou que tinham ligações com esses monstros famosos, geralmente tendo os atores Christopher Lee e Peter Cushing encabeçando as produções. Hoje quem consegue assistir pelo menos uma dessas pérolas do terror de antigamente pode tanto achar que está diante de uma maravilha do cinema quanto também considerar uma verdadeira obra trash, mas o fato é que não se pode negar a importância do estúdio em determinada época para a História da sétima arte. Tentando resgatar um pouco da áurea dos filmes de terror clássicos, mas ainda visando faturar alto com as novas gerações, o diretor James Watkins, roteirista de Abismo do Medo 2, conta uma história levemente baseada no tema espiritismo protagonizada por Daniel Radcliffe, o eterno Harry Potter que agora com o fim da série de filmes do bruxinho precisa se dedicar ao máximo para provar que pode assumir novos papéis e bem mais maduros. Embora ainda continue com um pé na fantasia neste caso, o jovem ator se esforça para convencer o público com um personagem que já é pai de uma criança pequena e que ainda sofre com a morte precoce de sua esposa. Ele vive Arthur Kipps, um advogado que foi enviado por seu escritório para regularizar os documentos de uma mansão cujo dono recentemente faleceu e que fica próximo a um vilarejo inglês no qual algumas crianças estão sofrendo mortes misteriosas de tempos em tempos. O rapaz chega ao local sem saber de tais boatos, mas quando começa a ter uma série de visões misteriosas, incluindo as constantes aparições de uma mulher vestida totalmente com roupas pretas, ele descobre que existe algo relacionada entre a tal mansão e as mortes repentinas das crianças. Ele decide investigar estes casos com a ajuda de seu amigo Samuel Daily (Ciarán Hinds), outro cético quanto ao espiritismo, mas acaba provocando a ira dos moradores e alguns novos falecimentos ocorrem. Suas preocupações aumentam quando seu pequeno filho também chega ao vilarejo sem saber que corre riscos estando por lá.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

OS ESQUECIDOS (2004)

NOTA 3,0

Apesar da atmosfera adequada
e da intrigante introdução, nem a
talentosa Julianne Moore consegue
manter o interesse em tola produção
Julianne Moore tem uma carreira que é o sonho de qualquer intérprete. Premiada, de bem com a crítica e com vários filmes alternativos e cults em seu currículo, a atriz também tem espaço garantido no cinema comercial. Qualquer diretor de blockbuster adoraria ter seu nome encabeçando os créditos, tanto que ela viveu um dos personagens principais de O Mundo Perdido – Jurassic Park. As vezes ela entra em furadas como a estranha comédia de ficção Evolução e o chatinho água-com-açucar Totalmente Apaixonados, mas parece que para cada meia dúzia de bons projetos que caem em suas mãos ela precisa agarrar ao menos um filme-pipoca para pagar suas contas. Seu papel no suspense Os Esquecidos poderia ter sido entregue a qualquer outra, mas com seu talento ela não só constrói uma personagem razoavelmente interessante, ainda que fraquinha se comparado a outras de suas criações, como também salva o longa. Bem, ao menos uma parte dele, mais especificamente os primeiros minutos dedicados a apresentação de Kelly Paretta, uma mulher que há cerca de um ano vive atormentada pela morte de seu filho Sam (Christopher Kovaleski) em um acidente aéreo e seu estado de nervos a afastou do trabalho e também está prejudicando seu relacionamento com o marido Jim (Anthony Edwards). Sua vida perdeu totalmente o sentido e a perturbação aumenta quando procura a ajuda do Dr. Munce (Gary Sinise), psiquiatra que avalia suas queixas e chega a conclusão de que o garoto nunca existiu e todas as lembranças que ela tem são invenções que sua mente criou para apaziguar a dor de uma gestação que não vingou. Outras pessoas também afirmam que Sam é apenas uma ilusão, todavia, Kelly quer provar a todo custo a existência do garoto, diga-se de passagem, algo que até mesmo seu companheiro nega. Fotos e vídeos que acreditava guardar como lembrança de uma hora para a outra desaparecem e até esse ponto o filme caminha bem, de maneira intrigante e apoiado no talento da protagonista que nos deixa em dúvida se a personagem está falando a verdade ou perdeu a sanidade.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

NAVIO FANTASMA

NOTA 2,5

Apesar de bem ambientado e
com ponto de partida interessante,
longa não vai além dos clichês e
entedia com personagens sem carisma
Toda equipe envolvida em uma produção de cinema sonha que ela seja um sucesso, caso contrário, qual seria o incentivo para o trabalho? No entanto, há filmes que ainda no papel já revelam não ser grande coisa, porém, podem surpreender nas bilheterias. A justificativa seria que o público não tinha nada melhor para fazer, gosto duvidoso ou uma campanha de marketing caprichada? Podemos dizer que Navio Fantasma se beneficiou da conjunção destas três alternativas e bombou nas bilheterias, porém, não há nada de excepcional nesta fita que nem se preza a assustar, pelo contrário. Devido à expectativa que gera e não cumpre, no final das contas a sensação de tédio é que prevalece. O prólogo até que chama a atenção, embora seja extremamente trash desde os créditos iniciais grafados com fonte e cor que nada tem a ver com o gênero. Em meados da década de 1960, uma festa está acontecendo no convés do luxuoso navio Antonia Graza, porém, ela terminará de forma trágica. A embarcação é sabotada e toda a tripulação é assassinada em questão de segundos sendo literalmente cortada ao meio por um afiado cabo de aço, restando aparentemente apenas Katie (Emily Browning), uma garotinha que foi salva por sua baixa estatura. Impossível não esboçar ao menos um risinho ao ver os corpos se desmantelando e caindo no chão como jacas do pé. Medo zero! Cerca de quarenta anos depois, uma equipe especializada em resgates de veículos marítimos é contatada por Jack Ferriman (Desmond Harrington), um piloto da aeronáutica que diz ter avistado a carcaça de um imenso navio durante um de seus voos. Segundo o capitão Sean Murphy (Gabriel Byrne), qualquer pertence de valor perdido no mar não tem dono legítimo, sorte de quem encontrar, e a ideia de pôr as mãos em um tesouro aguça sua equipe formada por Greer (Isaiah Washington), Santos (Alex Dimitriades), Dodge (Ron Eldard), Munder (Karl Urban) e Maureen (Julianna Marguiles), a única mulher do grupo. A ação dentro do transatlântico obviamente é desenvolvida na base de um poço de clichês. Os aventureiros ficam sem comunicação, encontram indícios de que não são os primeiros a explorarem o local, barulhos e sombras passam a pegá-los desprevenidos e um a um os personagens vão sendo limados, cada qual com seu momento-solo para brilhar. Ou seria apagar? E é claro que também descobrem barras de ouro, o motivo que justificaria a tragédia do passado, e quando pensam em voltar para casa ricos acabam ficando presos em alto-mar.

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