sábado, 30 de abril de 2016

MISTÉRIO DA RUA 7

Nota 2,0 Explorando o medo do escuro e do fim do mundo, longa é enfadonho e sem rumo

O medo do escuro é uma das fontes de inspiração mais comuns do cinema de terror e suspense, geralmente uma temática explorada associada a sensação de claustrofobia para intensificar a tensão emocional e psicológica, seja em espaço literalmente reduzido ou em ambientações amplas, mas que com a falta de luz aparentam ser restritas. E se a escuridão assolasse toda uma cidade? Pior ainda, e se fosse um sinal derradeiro do fim do mundo? Mistério da Rua 7, fraquinha produção assinada pelo diretor Brad Anderson, tenta adicionar algo novo à batida discussão da proximidade da extinção da humanidade, mas não vai além do esperado. Talvez até dê um passo para trás em relação a outros filmes com temática semelhante simplesmente porque da mesma forma estranha que se inicia também se dá seu encerramento. Um apagão faz desaparecer misteriosamente toda a população de Detroit, nos EUA, e apenas as roupas que usavam sobram abandonadas assim como seus carros, lares, enfim, o local se transforma em uma cidade fantasma marcada por rastros da passagem de seres humanos. A cada dia que passa ao estranho fenômeno, o Sol nasce um pouco mais tarde e se põe mais cedo também até que desaparece de vez cedendo lugar ao breu total. No entanto, algumas poucas pessoas conseguem sobreviver e curiosamente todas elas têm em comum o fato de terem ao seu redor algum tipo de fonte de luz. No momento do apagão, o projecionista de cinema Paul (John Leguizamo) estava trabalhando; Rosemary (Thandie Newton) fumava um cigarro em frente a um hospital onde supostamente bate o ponto como enfermeira; o jovem repórter de TV Luke (Hayden Christensen) aproveitava uma noite de amor à luz de velas; e, por fim, o adolescente James (Jacob Latimore) se encontrava em um bar com gerador próprio. Os espectadores do multiplex sumiram de uma hora para a outra, assim como os médicos e pacientes da unidade hospitalar, com exceção de um homem que desperta da anestesia e percebe que o deixaram com o peito aberto na sala de cirurgia com risco eminente de morte. O garoto percebe que a mãe também o abandonou sem mais nem menos enquanto o jornalista... bem, ele só se deu conta do que aconteceu na manhã seguinte a sua noitada.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

UMA NOITE FORA DE SÉRIE

NOTA 8,0

Junção de clichês de filmes
de espionagem e piadas
manjadas, longa funciona
por causa de protagonistas
O que acontece quando dois grandes nomes do humor se reúnem em um mesmo filme? A resposta é uma só: sucesso. Bem, nem sempre é isso que acontece. Uma Noite Fora de Série, mais um exemplar da recente safra de comédias do tipo marmanjos em apuros, não foi um êxito nos cinemas brasileiros, mas merece atenção no aconchego do lar. No circuito americano a produção foi uma das mais bem sucedidas do ano de 2010 e é fácil entende o motivo. Os protagonistas são famosos por suas atuações em seriados humorísticos badalados. Se a atriz Tina Fey até então era conhecida apenas por suas participações na TV, ela encontrou aqui a grande oportunidade apresentar seu talento mundialmente através do cinema e é claro que o prestígio de Steve Carrell a ajuda muito. Há muito tempo não vemos em cena uma dupla com tanta química e timing cômico. Eles são capazes de fazer rir só trocando olhares e o diretor Shawn Levy, cujo maior êxito comercial continua sendo Uma Noite no Museu, soube aproveitar muito bem o casal em uma narrativa que já teve diversas variações. Trabalhando com o tema de identidades trocadas, o longa nos remete a filmes e seriados antigos que usavam o mesmo plot e porque não dizer que dá até para lembrar do personagem Agente 86, afinal o próprio Carell o reviveu no cinema em um passado não muito distante. A cidade de Nova York é o palco para as trapalhadas de Claire (Tina) e Phil Foster (Carell), um casal que vive em harmonia, mas há muito tempo só pensam no trabalho e nos filhos e não se divertem mais. Certa noite eles decidem fazer um programa diferente e ir jantar em um badalado restaurante onde é preciso fazer reserva com antecedência. Sem saber desta norma e decididos a curtir a noitada como há anos não faziam, eles assumem a identidade dos Triplehorns, um casal que havia reservado uma mesa e não apareceu. O que parecia um golpe de sorte acaba virando um de azar. Interrompidos por dois misteriosos homens, os Fosters descobrem que com a troca de nomes foram confundidos com chantagistas que estão metidos em uma encrenca por possuírem um pen drive com fotos comprometedoras de uma pessoa influente, o gângster Joe Mérito (Ray Liotta). Tentando se livrar da situação, eles afirmam que estão com o tal objeto escondido em um ponto turístico e quando chegam lá dão um jeito de fugir, mas a cada novo passo eles se complicam ainda mais. Assim a noite que era para ser divertida virou uma sequência de perseguições, planos mirabolantes e muita confusão.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

AMIZADE COLORIDA

NOTA 8,0

Comédia começa as avessas
e até de forma arriscada,
mas trata de voltar atrás e
honrar as leis do gênero 
A liberdade e as possibilidades que a juventude propicia sempre foram muito exploradas pelo cinema investindo principalmente no lado sexual da situação, o que acabou sendo confundido com libertinagem e resultando em pérolas como American Pie e uma porção de títulos estrelados por Ashton Kutcher e contemporâneos. Os atores e o público-alvo crescem e assim os estilos de filmes precisam ser reciclados também. Hoje homens e mulheres quarentões já estão bem representados nas comédias cuja faixa etária dos protagonistas é de meia-idade e conquistam espectadores de variadas épocas. Agora os “novos jovens maduros”, aquela turma que já passou dos 25 anos, mas ainda está um pouquinho longe dos 40, quer se ver representada. Eles em geral (pelo menos no cinema) são pessoas com um bom emprego, moram sozinhas, vão a festas frequentemente e estão abertos a relacionamentos rápidos, até mesmo de poucas horas, mas o curto tempo para se conhecerem não os impede de ir aos finalmentes.  Em 2011, Kutcher estrelou ao lado de Natalie Portman Sexo sem Compromisso, que deixa no título de forma escancarada as intenções dos protagonistas. De um jeito mais sutil (só no título) meses depois surgiu Amizade Colorida que traz Mila Kunis e Justin Timberlake encabeçando o elenco. Coincidência ou não, as duas atrizes atuaram em Cisne Negro e escolheram projetos com temas semelhantes para aliviarem a tensão do trabalho anterior e nas duas propostas o relacionamento liberal do início abre lugar para o moralismo do meio para o final. Neste caso, a introdução aparentemente vende a idéia de que vamos assistir a um daqueles filmes em que o casalzinho briga o tempo todo e no final se acerta. O final é esse mesmo (todos sabemos o que esperar na conclusão de uma comédia romântica), mas o que importa é como chegar a esse final feliz e nisso o roteirista e diretor Will Gluck é bem esperto desde a primeira cena. Responsável pelo sucesso teen A Mentira, parece que ele está se especializando em histórias cujos protagonistas tem comportamentos fora dos padrões e até mesmo surreais, mas consegue fazer com que eles cativem o espectador.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

AS FÉRIAS DA MINHA VIDA

NOTA 6,5

Flertando com a comédia e
o drama, longa é previsível,
embora seu roteiro seja
um pouco acima da média
Quando um ator marca em um determinado gênero de filme ou tipo de papel, parece que ele está com a carreira amarrada para sempre. Ou se dedica a fazer o mesmo de sempre ou então aceita o ostracismo eminente. Quando tentam fazer algo diferenciado o público também não dá um voto de confiança e a crítica colabora para espalhar o preconceito. Queen Latifah, embora tenha ganhado destaque mundial ao ser indicada ao Oscar de coadjuvante por seu trabalho no musical Chicago, continua com uma imagem estigmatizada que a atrapalha. Suas formas roliças, por ser negra, cantora com ênfase no estilo black music, por mostrar predileção pelas comédias, enfim ela reúne muitas características que acabaram a enclausurando em um perfil único. Ela seria uma espécie de Whoppi Goldberg dos novos tempos. Ambas já trabalharam em diversos dramas, mas a imagem de humorista as persegue. Talvez para tentar variar e ao mesmo tempo não assustar o público, Queen tenha aceitado protagonizar As Férias da Minha Vida, projeto tragicômico que não fez sucesso ao ser lançado, mas com o tempo caiu no gosto popular, principalmente aos adeptos de filmes que trazem mensagens positivas e de estímulo.  Nesta história a atriz vive a personagem Georgia Byrd, uma simples e tímida vendedora que gozava de uma vida com poucos momentos memoráveis, procurou sempre fazer o melhor para agradar aos outros e nunca conseguiu viver um grande amor. Sua rotina muda completamente quando ela é encontrada desmaiada e levada ao médico. Diagnosticada com uma doença terminal que pode matá-la em poucas semanas, ela então decide jogar tudo para o alto e aproveitar ao máximo o tempo que lhe resta neste mundo. Claro que por se tratar de um trabalho humorístico o final já é previsível. Seria uma atrocidade sem tamanho matar a protagonista se o objetivo maior é fazer o espectador dar risadas. Bem, o lado cômico não é o forte deste produto, mas algumas sequências inspiradas são oferecidas a partir do momento em que a protagonista resolve recuperar o tempo perdido e se hospeda em um hotel europeu de luxo para relaxar e se divertir. Nem os funcionários e hóspedes conseguem se manter na normalidade com a chegada dela. A moral da trama é bem clara: viva intensamente cada minuto como se fosse o último. Pelo menos até quase o final ficamos livres de frases-clichês do tipo. O sentido delas é traduzido em imagens. 

terça-feira, 26 de abril de 2016

A VIDA SECRETA DOS DENTISTAS

NOTA 6,5

Longa acompanha o cotidiano
de um casal que vive uma união
de fachada, uma situação que traz
consequências para toda família
Mais difícil que escrever um roteiro ou concluir suas filmagens só mesmo a etapa de batizar um projeto. Alguns filmes só ganham título após todas as fases de produção terem sido concluídas, quando já se tem a ideia concreta do que o produto será. Outros trabalhos só ganham seu pontapé inicial, inclusive a redação da história, quando já estão intitulados.  Dar nome a um filme é muito complicado e é curioso quando a junção de algumas simples palavras podem passar ao público sentidos diferenciados. A Vida Secreta dos Dentistas é um bom exemplo. Embora seja claramente uma obra alternativa pela penca de indicações e participações em festivais que ostenta, com certeza quem se arrisca a assistir a este trabalho guiando-se pelo título se decepciona, inclusive os próprios profissionais da área de odontologia que não resistem a dar uma conferida. Ele remete a muitos espectadores a ideia de comédia, mas o nome cai como uma luva para este drama conjugal que envolve obviamente os dentistas, seus assépticos ambientes de trabalho e uma temática universal, mas cujo ritmo lento e ausência de momentos arrebatadores acabam trabalhando contra a obra em termos comerciais. Baseado no romance “The Age of Grief”, de Jane Smiley, o roteiro de Craig Lucas acompanha o cotidiano do casal Dana (Hope Davis) e David Hurst (Campbell Scott) que não dividem apenas a cama, mas também trabalham juntos em um consultório dentário. Quando estão em casa eles dedicam atenção para as três filhas pequenas, porém, no trabalho mal se falam optando por respeitarem suas individualidades. E tempo para eles dois? Perecbe-, portanto, que a aparente limpeza da clínica pode esconder germes e bactérias. Dana é apaixonada por ópera e participa do coro de uma produção teatral e em breve irá fazer uma apresentação. No dia do espetáculo, David encontra motivos para desconfiar que sua mulher o traia e passa a perceber que ela tenta se esquivar constantemente da família e do trabalho, provavelmente para poder ter seus encontros com o amante. Ao contrário da reação da maioria dos maridos traídos, ele resolve levar toda a situação com panos quentes, mas sem tirar os olhos de cima da esposa, chegando até mesmo a ter visões dela tendo relacionamentos com outros homens no próprio consultório. Todavia, a ruptura da família parece eminente, mas um problema inesperado de saúde que atinge a todos os membros pode uni-la novamente.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

CARA, CADÊ MEU CARRO?

NOTA 4,0

Insano, bizarro, criativo, surreal,
tosco, ridículo, confuso... Comédia teen
agrada e desagrada em iguais proporções,
mas é fato que ganhou certa aura cult
Sabe aquele filme que você lembra que detestou, mas que o passar dos anos e o boca a boca positivo de outros trataram de lhe dar certa projeção? Esse é o caso de Cara, Cadê Meu Carro?, comédia adolescente das mais alopradas, porém, com uma incrível legião de fãs que concordam que a produção é imbecil do começo ao fim, mas ainda assim divertida e com boas sacadas. Claro que analisando com os olhos do público-alvo, os adolescentes, a fita pode até ser bacana e apresentar situações pertinentes a seus universos, mas é possível que no futuro as mesmas pessoas que elogiam a fita possam se envergonhar de um dia ter dado atenção ao trabalho do roteirista Philip Stark em uma tentativa de renovar o estilo das comédias teens através de uma história absurda inspirada em fatos que ele próprio e seus amigos viveram na juventude. Você tinha o rosto cheio de espinhas em 2000 e morreu de rir com a fita? Se a resposta for positiva, reveja e faça o teste para ver o quanto amadureceu (ou não). Eis a mirabolante trama. Após uma balada daquelas de virar a madrugada chapadão, Jesse (Ashton Kutcher) e Chester (Sean William Scott), dois grandes parceiros que compartilham o mesmo nível de imbecilidade, acordam sem ter a menor ideia do que fizeram a noite. Todavia, não demora muito para perceberem que se meteram em uma grande confusão. Jesse não encontra seu carro e juntos partem em busca de respostas para uma série de acusações e mal entendidos que passam a sofrer. A cada nova pista que encontram mais evidências surgem de que eles estavam totalmente fora de órbita, pois só assim para explicar como eles conseguiram roubar uma grande quantia de dinheiro de um travesti, passaram por lugares que não costumam frequentar, estão com um estoque de bolo inglês na geladeira para se alimentarem por meses e ainda colocaram as mãos em um misterioso objeto que está sendo procurado por muita gente. Agora a dupla precisa correr contra o tempo para recuperar a memória e livrar suas caras, mas a essa altura já estão metidos em encrencas até o pescoço. Todavia, o maior dilema desses caras é limpar a barra com suas namoradas, as gêmeas Wanda (Jennifer Garner) e Wilma (Marla Sokoloff), que ficam sem chão por acreditarem que eles detonaram a casa delas e esqueceram o presente de aniversário delas. Que problemão, não é?

domingo, 24 de abril de 2016

AMOR OU AMIZADE

Nota 1,5 Sem história para contar, romance parece só existir para promover um jovem ator 

O nome Freddie Prinze Jr. hoje não agrega muito a publicidade de um filme, mas já teve seus tempos áureos. Boa pinta e carismático, o ator é lembrado pelo cabelo platinado usado quando interpretou Fred nos dois primeiros filmes live action de Scooby-Doo e sua turma, mas o auge de sua carreira ocorreu um pouco antes disso. O sucesso do terror Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado tornou o jovem muito popular entre os adolescentes, principalmente entre as meninas, muitas delas que elegiam suas produções como os filmes de suas vidas. Os enredos pouco importavam, a peça-chave era o galãzinho. Entre 1999 e 2001 o rapaz estrelou uma série de comédias românticas e ganhou contrato de exclusividade com a produtora Miramax, então o berço das fitas independentes e acumuladora de algumas dezenas de troféus do Oscar e tantas outras premiações. A empresa não levou Prinze às badaladas festas do cinema e ironicamente até ajudou a estagnar sua carreira ao se valer da máxima de que em time que está ganhando não se mexe. Em Amor ou Amizade o rapaz vivia pela enésima vez consecutiva o mesmo tipo de personagem com mínimas variações e conflitos tão rasos quanto um pires, mas como o próprio defendia, seus filmes abordavam temáticas relevantes ao público-alvo. Eram filmes feitos por adolescentes para adolescentes, ainda que o ator já estivesse longe da puberdade. Ok, em tempos de comédias que exaltam a liberdade sexual e os vícios como algo inerente a juventude, caem bem historinhas carregadas de ingenuidade com um certo quê de nostalgia, porém, é preciso certo estopo para segurar um roteiro minimamente. Com toda pinta de nerd no início, com cabelos lambidos e óculos de aros grossos, Prinze dá vida a Ryan, o típico bom moço, estudioso e cheio de convenções que nutre uma forte amizade por Jennifer (Claire Forlani), garota com perfil completamente oposto ao seu, liberal, extrovertida e que curte a vida intensamente. Eles se conheceram na fase inicial da adolescência durante uma viagem de avião, mas se estranharam logo de cara. Anos mais tarde, agora com o rapaz ostentando a imagem de boa-pinta, eles se reencontraram no colégio, ainda trocando algumas farpas, mas o destino parecia forçar uma aproximação de qualquer jeito. Embora fazendo cursos diferentes, seus caminhos se cruzaram novamente na faculdade e agora mais maduros finalmente conseguem consolidar uma relação de amizade, mas até que ponto ela iria? Ryan namorava com Amy (Amanda Detmer), a melhor amiga de Jennifer que a partir de então faz as vezes de ombro amigo aconselhando-o a viver novas experiências tal qual ela própria fazia respeitando seu jeito desprendido de levar a vida.

sábado, 23 de abril de 2016

O CONDOMÍNIO

Nota 2,0 Suspense entrega seus segredos logo de cara, assim tornando-se uma opção tediosa

Um antigo e sombrio edifício pode ser o palco perfeito para histórias de horror e suspense e o cinema já deu inúmeras provas disso contando histórias de arrepiar envolvendo assombrações clamando por ajuda, espíritos demoníacos impiedosos e assassinos malucos ou que agem por pura maldade. O suspense O Condomínio aposta em uma morte misteriosa como pontapé inicial, mas o enredo procura seguir uma linha mais policial, assim oferecendo a oportunidade do espectador participar da ação recolhendo pistas para chegar ao autor do crime. Será mesmo? A trama escrita por Alberto Sciamma e Harriet Sand nos apresenta à Leonard Grey (James Caan), o zelador de um antigo condomínio há mais de trinta anos. Ele está lá desde que a ranzinza Lily Melnik (Geneviéve Bujold) comprou o edifício e mandou reformá-lo por completo. Desde um simples cano até o papel de parede do hall de entrada, tudo foi escolhido e colocado pelo próprio Grey. Apesar de tanto anos de serviços prestados e mesmo com o peso da idade, o zelador não abandona sua rotina de cuidados com o prédio, mas não leva uma vida muito agitada. Seu metódico cotidiano muda drasticamente quando um dos moradores é encontrado morto dentro de uma lixeira e todos os que moram ou trabalham no local se tornam suspeitos. Grey, aos poucos, começa a descobrir estranhos objetos que podem ter ligações com o crime escondidos sob o piso de um dos andares. Além disso, este homem sofre de um sonambulismo que apaga totalmente a sua memória, o que o leva a suspeitar que ele próprio possa ser o assassino, ainda que tenha agido de forma inconsciente. Para piorar tudo, Grey não tem uma boa relação com Lily e ainda se envolve com a sedutora Donna Cherry (Jennifer Tilly), cujo marido Bill (Peter Keleghan) é justamente o morador assassinado.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

O RITUAL (2011)

NOTA 7,5

Mesmo abordando as possessões
demoníacas por uma ótica
mais realista, longa não deixa
de fazer uso dos clichês
Filmes inspirados em fatos reais têm um forte apelo junto ao público, mas também podem despertar desconfianças. Quando os tais acontecimentos envolvem assuntos do além, as dúvidas quanto a veracidade dos fatos são ainda maiores, embora o número de curiosos pelo tema seja grande. Produções do tipo foram e continuam sendo lançadas aos montes diretamente em DVD e muitas são produzidas exclusivamente para canais de TV, o que já sugere que os argumentos não são dos melhores assim como os produtos também não inspiram confiança em suas partes técnicas, tanto que o subgênero dos longas sobrenaturais vira e mexe está em crise, mas ainda bem que sempre algum produto do tipo ao menos razoável pode ser encontrado em meio ao lixo e dar certo ânimo para confiarmos em sua recuperação. O Ritual é um bom exemplo disso, embora a primeira vista pareça algo descartável. Tendo como grande chamariz o nome do ator Anthony Hopkins nos créditos, a obra é baseada no livro homônimo de Matt Baglio, jornalista que conviveu alguns anos com padres exorcistas, entre eles Gary Thomas, protagonista da trama cujo nome foi trocado. Com tal experiência, o escritor aprendeu a distinguir uma possessão de uma doença mental e acompanhou dezenas de exorcismos. A trama roteirizada por Michael Petroni nos apresenta a Michael Kovak (Colin O’Donoghue), um rapaz que cresceu acompanhando de perto o fim da vida de dezenas pessoas em uma maca sendo arrumados para o enterro pelo seu pai Istvan (Rutger Hauer). Isso o fez crescer sem acreditar que existe algo depois da morte, assim ele se tornou um seminarista cético e decidido a abandonar seus trabalhos na igreja, mesmo após ter aulas sobre os sinais de possessão. Para não se arrepender mais tarde, seu superior o orienta então a passar um período no Vaticano para estudar rituais de exorcismo e quem sabe mudar de ideia e recuperar sua fé. Porém, suas dúvidas e questionamentos só aumentam na medida em que estreita seu contato com o Padre Lucas (Anthony Hopkins), um famoso jesuíta exorcista, e este o apresenta ao lado mais obscuro da religião. É quando Michael conhece a jornalista Angeline (Alice Braga), que investiga as atividades do religioso e as suas reflexões sobre a crença no Diabo e em Deus não param de crescer. Juntos, os dois jovens vão acompanhar os duros trabalhos do padre para tentar tirar o demônio do corpo de Rosaria (Marta Gastini), mas os conhecimentos de psicologia do rapaz o impedem de acreditar no que vê.
               

quinta-feira, 21 de abril de 2016

UM CAMINHO DE LUZ

NOTA 8,5

Drama espanhol baseado
em fatos reais é tocante,
esclarece sobre uma grave
doença e crítica religião
Filmes protagonizados por pessoas que estão sofrendo com algum tipo de câncer existem aos montes. Na intenção de esclarecer dúvidas e incentivar os diagnósticos precoces até pequenos talentos interpretando crianças que sofrem com a doença já brilharam no cinema com atuações comoventes. Por tratar de um assunto difícil e que praticamente mexe com o emocional de todos, afinal aparentemente ninguém está livre desta doença silenciosa que pode surgir por inúmeras razões e que ainda a ciência vem pesquisando, muitas produções do tipo acabam passando em brancas nuvens, principalmente pelos olhos dos espectadores que recorrem a filmes apenas por diversão. Bem, se esse é realmente seu objetivo passe bem longe de Um Caminho de Luz, um drama belíssimo, mas que pouco a pouco nos deixa com um nó na garganta tamanho o sofrimento da jovem protagonista, uma garotinha sonhadora, mas ao mesmo tempo muito pé no chão. Vencedor de seis prêmios Goya, o Oscar Espanhol, esta produção nos emociona até o último minuto, porém, não é recomendada aos mais críticos e principalmente aos insensíveis que certamente vão rotular este trabalho como um manipulador de emoções de marca maior. O longa conta a história de Camino (Nerea Camacho), uma menina de apenas onze anos que está ao mesmo tempo enfrentando duas situações totalmente opostas e inéditas para ela: o nascimento do amor e a aproximação da morte. Após ser diagnosticada erroneamente com simples problemas de coluna, é descoberto que ela possui um estranho e agressivo tipo de tumor que começa a destruir sua vida e vai lhe privando pouco a pouco de cada uma de suas ilusões e vontades para o futuro. As visitas aos hospitais e os procedimentos cirúrgicos cada vez se tornam mais constantes até que Camino fica presa a uma cama definitivamente. A cada novo obstáculo que a vida lhe coloca, ela se enche de forças e faz suas orações para não se deixar abater e procura alguma forma de se adaptar as suas novas condições físicas, vivendo assim cada dia intensamente, ainda que só em sonhos. Mesmo nestas circunstâncias ela ainda sonha com a peça “Cinderela” que faria na escola na qual atuaria com o garoto por quem se apaixonou. A narrativa tem alguns momentos mais lúdicos e que dão um respiro ao espectador graças a inserção de cenas do desenho da Disney e até mesmo da peça escolar sobre a gata borralheira da qual a protagonista participaria. Os sonhos que Camino tem com o conto clássico, com o garoto que gosta, aqueles em que ela aparece curada, entre tantos outros, possuem estéticas que lembram ao filme Um Olhar do Paraíso, outro drama no qual uma jovem menina precisa se acostumar com sua nova realidade e os sonhos surgem como um alívio. Pena que em ambos os casos a realidade sempre chega de supetão para acabar com a fantasia.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

UM LUGAR CHAMADO NOTTING HILL

NOTA 9,0

Embora previsível, longa é
agradável, diverte e
emociona justamente por
sua aura despretenciosa
Alguns artistas podem até experimentar diversos gêneros ao longo da carreira, mas sempre tem um que marca mais e do qual o intérprete pode acabar se tornando um símbolo. Nos anos 90 aconteceu um aumento significativo na procura por comédias e dramas com pitadas generosas de romance e duas atrizes despontaram nessa onda, Julia Roberts e Meg Ryan. A primeira é quem se deu melhor conquistando altos cachês, diversos prêmios e se mantendo em evidência até hoje. Tudo bem, atualmente ela vive mais das glórias do passado do que de novos e bem sucedidos projetos, mas ainda assim atrai atenções. Para muitos seu ápice na profissão foi a conquista do Oscar pelo papel-título de Erin Brokovich – Uma Mulher de Talento, mas ela já acumulava antes disso êxitos comerciais que a crítica hesitava em elogiar. Por exemplo, qual o problema em dizer que Um Lugar Chamado Notting Hill é um excelente filme? Embora quando alguém quer dar uma de esperto a tendência seja menosprezar as obras românticas e clichês, não há como negar que esta produção é extremamente agradável e atende com folga as expectativas geradas pela proposta e que se vale do recurso da metalinguagem. Julia interpreta praticamente ela mesma ora sob os holofotes, ora tentando levar uma vida normal, ainda que os produtores na época tentassem desmentir que o enredo foi parcialmente inspirado na vida da estrela. Ela interpreta Anna Scott, uma celebridade hollywoodiana que vive cercada de fotógrafos e repórteres tentando descobrir seus novos projetos de trabalho, mas principalmente desvendar detalhes sobre sua vida pessoal. Durante uma viagem a Londres, a atriz decide fazer um passeio pelo subúrbio (que nem de longe nos remete ao que a palavra representa para os brasileiros) e entra em uma simplória livraria especializada em livros de viagem onde é atendida pelo próprio dono, o pacato William Thacker (Hugh Grant), cuja vida mudará completamente após este dia. Anna fica fascinada com o jeito tranquilo e nada fanático do rapaz, que aparentemente desconhece a fama dela. A partir desse dia, eles passam a ter alguns encontros e iniciam um relacionamento cheio de idas e vindas, mas repleto de bons momentos, afinal essa é a grande chance da diva vivenciar plenamente a simplicidade que existe em um passeio no parque ou em um jantar em família com direito a gafes e rusgas leves. 

terça-feira, 19 de abril de 2016

O DIÁRIO DE UMA BABÁ

NOTA 6,0

Longa aborda vários temas
sobre o comportamento de
famílias ricas, mas todos de
forma superficial 
Alguns títulos são tão simplórios ou unem palavras tão comuns ao gênero cinematográfico que pertencem que podem acabar causando o efeito contrário ao desejado. Ao invés de chamar a atenção acaba afastando o espectador, mas em alguns casos podemos nos surpreender com o conteúdo como é o caso de O Diário de Uma Babá que mascarado como uma típica comédia romântica oferece muito mais que uma simples história protagonizada por uma jovem em busca de seus sonhos, entre eles um grande amor. O longa faz uma abordagem crítica, porém, divertida sobre o universo das famílias modernas e ricas americanas, mas uma alfinetada que serve para pessoas de qualquer parte do mundo e de repente até independente da classe social que representem. O roteiro mostra através dos olhos e emoções de uma babá o cotidiano de um casal desajustado que vive um casamento de fachada e não tem tempo para o filho pequeno. Annie Braddock (Scarlett Johansson) é uma jovem recém-saída da faculdade que vive em um bairro da classe operária de Nova Jersey. Ela sofre uma grande pressão de sua mãe para que encontre logo um lugar respeitável no mundo dos negócios, mas, decidida a fugir dessa realidade, aceita o emprego de babá de uma família rica de Manhattan, a qual chama apenas de “os X” (um recurso esperto para evidenciar a artificialidade do clã). Como costuma dizer, não foi ela quem encontrou esse emprego, foi ele quem a encontrou já que acabou salvando um garotinho de ser atropelado e rapidamente conquistou a simpatia da mãe do garoto, uma perua que sabe como impor suas vontades simplesmente não dando a possibilidade do outro discordar e nem mesmo concordar. Ela decidiu que Annie seria a nova babá do filho e não tem mais conversa, ponto final. Animada inicialmente, logo ela descobre que a vida não seria o mar de rosas que imaginava, pois precisa atender aos caprichos da Sra. X (Laura Linney) e seu precioso filho Grayer (Nicholas Art), além de evitar qualquer contato mais próximo com o Sr. X (Paul Giamatti). Entre as tantas tarefas do novo emprego, Annie precisa cozinhar, fazer compras e limpar a casa. Praticamente uma funcionária mil e uma utilidades em atividade por quase 24 horas diárias. A situação se complica de vez quando ela se apaixona pelo “Gatão de Harvard” (Chris Evans), vizinho da família X, que a força a reexaminar sua vida e ver que ela está se submetendo aos caprichos daquela família de ricaços e esquecendo-se de cuidar de si mesma. Apesar deste gancho romântico, o longa não o aprofunda, até mesmo porque a patroa da moça a proíbe de ter contatos mais íntimos com qualquer um, de preferência nem mesmo saber quais os nomes dos vizinhos.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

DON JUAN DEMARCO

NOTA 8,5

Inspirado por folclórico personagem,
romance usa a fantasia para exaltar
o amor e o valor das mulheres e reúne
dois grandes astros de gerações opostas
Quando um rapaz é metido a conquistador, é comum a brincadeira de rotulá-lo como um Don Juan, mas quem teria sido esse homem? Na verdade ele é um personagem fictício cuja alcunha virou sinônimo de libertinagem. Originado no folclore espanhol, ele tornou-se uma figura do universo literário em meados do século 17 quando foi publicado o romance “El Burlador de Sevilla”, obra atribuída ao dramaturgo Tirso de Molina. O personagem essencialmente é um sedutor que se alimenta do prazer da glória das conquistas. Quanto mais difícil o alvo, maior a satisfação. Geralmente seduz mulheres compromissadas e em espaços públicos, as atraí para um lugar privado e depois que consuma o ato sexual faz questão de divulgar o feito para afrontar rivais e demarcar sua posição de superioridade. Desde que tal arquétipo ganhou seu registro em um livro, ele também serviu como inspiração para muitos outros folhetins, poemas, artes plásticas e peças teatrais que ajudaram a perpetuar a imagem dos conquistadores latinos de sangue quente, ganhando popularidade definitiva através da ópera “Don Giovanni”, de Mozart. O cinema obviamente também não deixou de beber nessa fonte. Além de o mito ter sido explorado nos anos 70 em uma clássica adaptação cinematográfica da opereta, duas décadas mais tarde o sedutor foi inserido na cultura das novas gerações de forma mais ousada. O romance Don Juan DeMarco não se limita a contar a história de um ícone da sedução, mas sim como seu legado pode influenciar visto que muitos estudiosos consideram tal conquistador a personificação do desejo e da frustração em relação ao romantismo. A trama começa com o psicólogo Jack Mickler (Marlon Brando) sendo chamado com urgência para ajudar a polícia a impedir o suicídio de um rapaz que ameaça pular de uma altura considerável. O médico pensa que este é apenas mais um caso corriqueiro dos males causados pelos tempos modernos (se em meados dos anos 90 as coisas já estavam difíceis, hoje em dia nem se fala), mas nem imagina que seu encontro com esse jovem irá mudar radicalmente sua vida pessoal e também profissional. Trajando roupas de época e uma máscara negra, ele é salvo e se apresenta como Don Juan DeMarco (Johnny Depp), o mesmo nome do lendário espanhol que segundo a crença teria se envolvido com cerce de 1.500 mulheres em apenas alguns anos de sua juventude.

domingo, 17 de abril de 2016

LOUCURAS NA IDADE MÉDIA

Nota 3,0 Com previsíveis piadas, comédia se apoia em ator limitado a caretas e exageros corporais

Eddie Murphie, Cuba Gooding Jr., Chris Rock... Existem ótimos atores negros que encontraram na comédia seu território seguro. É uma pena que com o tempo o chão tende a ruir. Em Hollywood parece uma regra catapultar ao sucesso em velocidade recorde e tão logo puxar o tapete, só assim para explicar a quantidade de filmes bobos que se limitam a explorar o jeitão descolados de seus astros, algo que por vezes descamba para um lado preconceituoso exaltando a malandragem. Martin Lawrence virou estrela da noite para o dia com Vovó... Zona e com a publicidade e milhões que faturou bem que poderia ter recusado fazer Loucuras na Idade Média. Pelo título mirabolante ganho no Brasil já dá para ter ideia do que se resume a fita. Lawrence dá vida à Jamal Walker, um bonachão que trabalha em um parque de diversões de temática medieval que está caindo aos pedaços e que em breve deve ser soterrado com a concorrência de um novo complexo nos mesmos moldes que está para ser inaugurado em local próximo. Só com essa informação já dá para ver que criatividade não é o forte dos roteiristas Darryll Quarles, Peter Gaulke e Gerry Swallow,  até porque tal conflito não influi absolutamente nada na trama que claramente é construída para o protagonista usar e abusar de caras e bocas. Os primeiros minutos que o mostram se divertindo na frente do espelho escovando os dentes de forma bizarra comprovam isso e servem como um convite para deixar o filme de lado. Para quem quiser arriscar, vamos lá. Enquanto limpava um córrego que atravessa o parque sem explicação alguma vai parar na Inglaterra do longínquo ano de 1328, um mundo comandado por um rei impiedoso e habitado por cavaleiros vestidos em imponentes armaduras e donzelas indefesas. Inicialmente Walker acha tudo bastante divertido, acredita já estar no novo parque e até se espanta com o realismo dos cenários e roupas, e quando ajuda Sir Knolte (Tom Wilkinson), um cavaleiro bêbado, acredita que ajudou um simples sem-teto. Mesmo quando é recebido com toda pompa pelo rei Leo (Kevin Conway) e demais nobres, Walker ainda acredita estar em meio a atores ensaiando uma das atrações do parque. Contudo, ele é confundido com um mensageiro da Normandia envolvido em uma conspiração para matar o tirano líder a mando do noivo da princesa do reino, Regina (Jeannette Weegar).

sábado, 16 de abril de 2016

ESPÍRITOS FAMINTOS

Nota 3,5 Apesar de ser razoável, suspense não foge do clichê do fantasma que quer vingança

A onda de cinema de horror que enriqueceu os cofres e a cinematografia do oriente trouxe, apesar de muita bobagem no meio, alguns aspectos interessantes da cultura de países que levam a sério rituais funerários e a crença de que mortes violentas levam os espíritos a clamarem por vingança. O descanse em paz não é apenas uma frase de consolo, mas um objetivo que os vivos devem ajudar os desencarnados a conseguir e o filme Espíritos Famintos mostra um dos vários rituais usados para este fim. Jason Tsai (Terry Chen), a esposa Sarah (Jaime King) e o filho Sam (Regan Oey), de apenas seis anos, viajam para Xangai, na China, bem na época que se comemora o Mês do Fantasma Faminto. Eles saem do Canadá e vão para o funeral de um tio do rapaz que morreu inesperadamente e que deixou como herança para Mei (Pei-Pei Cheng), sua viúva, uma fábrica. Jason foi criado por essa família cujo patriarca era conhecido por fundar uma sociedade benevolente e também era chamado de “O Coletor de Ossos”, já que ele exumava os ossos de imigrantes e os enviava de volta a seus países de origem para serem enterrados junto aos demais familiares. Logo que chega à terra natal de seu pai Sam começa a ser atormentado por aparições de espíritos e é alertado por um nativo que o garoto e sua mãe têm almas sensíveis e que poderia ser muito perigosa a estadia em território chinês. Justamente naquele mês abria-se uma espécie de portal que dava acesso aos mortos ao mundo dos vivos, mas algumas dessas almas poderiam ser atormentadas e transformarem-se em demônios que infernizariam as vidas daqueles que os notasse. Dito e feito. Após relatar estar sendo perseguido por uma jovem fantasma, o garoto misteriosamente entra em um coma profundo de uma hora para a outra e os médicos não conseguem explicar o que há de errado com ele. Ao mesmo tempo que lida com o medo da morte do filho, Sarah ainda tem que aguentar a frieza e mau humor da tia Mei, com quem desde o início troca farpas, e tentar descobrir de quem é e o que quer o espírito que atormenta sua família.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

PLANETA DOS MACACOS (2001)

NOTA 9,5

Refilmagem de clássica
ficção é divertida, tem bom
ritmo e conta com uma
parte técnica impecável
Fazer um remake de um filme de sucesso e cultuado é uma tarefa de muita responsabilidade e praticamente é como mexer em um vespeiro. Uma coisa fora do lugar ou alguma liberdade de criação e pronto, ferroadas não faltarão. Tim Burton sentiu na pele o peso da crítica ao reinventar a seu modo um clássico da década de 1960 que mexeu com a cabeça do mundo todo. Planeta dos Macacos é até hoje um marco do cinema que mistura ficção científica e aventura em uma trama reflexiva onde os papeis se invertem: os primatas tomam o lugar dos humanos e estes, por sua vez, é que passam a ser escravizados e tratados como animais. Na era contemporânea, Leo Davidson (Mark Wahlberg) é um piloto que treina chimpanzés para vôos em uma estação espacial. Em um dos treinamentos, um deles se perde e o rapaz resolve ir procurá-lo. O problema é que essas viagens no tempo feitas em meio a tempestades eletromagnéticas são traiçoeiras. Após sofrer um acidente na espaçonave em que estava, Leo chega a um lugar estranho e primitivo, como se estivesse nos primórdios da humanidade, mas logo ele encontra os habitantes da região e se depara com uma inversão de posições. Essa terra é habitada por macacos e gorilas extremamente inteligentes e racionais que escravizam os humanos que lutam para sobreviver à tirania dos primatas. Capturado por Limbo (Paul Giamatti), um traficante de humanos, Leo é entregue ao cruel general Thade (Tim Roth) que o aprisiona para usá-lo como serviçal, mas o rapaz logo se torna uma séria ameaça à soberania dos poderosos do local e arquiteta um plano para conseguir fugir com um grupo de humanos. Para tanto contará com a ajuda da primata de bom coração Ari (Helena Bonham Carter), mas terá que enfrentar a ira de Thade e seus comparsas, como o seu braço direito Attar (Michael Clarke Duncan).

quinta-feira, 14 de abril de 2016

EU QUERIA TER A SUA VIDA

NOTA 5,0

Troca de corpos de trintões
tenta dar um gás a tema
batido, mas desliza ao
optar por um humor chulo
Dizem que na televisão nada se cria tudo se copia, mas tal ditado anda caindo como uma luva também para o cinema. O tema troca de corpos já foi aplicado há inúmeras comédias no melhor estilo sessão da tarde e nos últimos anos com a escassez de idéias parece que produtores e diretores encontraram na fórmula batida uma maneira de sobreviver. O mote de duas pessoas insatisfeitas que trocam de corpos, ou melhor, de personalidade em um passe de mágica e que assim passam a dar mais valor ao seu próprio modo de viver e compreender o do outro já rendeu até mesmo em terras brasileiras. Se Eu Fosse Você e sua continuação não fizeram mais nada que adaptar um conteúdo cinematográfico tipicamente hollywoodiano para algo mais próximo da nossa realidade e os resultados foram fantásticos talvez pelo ineditismo da iniciativa pela raquítica indústria de cinema local que busca enfrentar gigantes nas bilheterias. As situações embaraçosas provocadas pelo desconhecimento das intimidades e a adaptação ao cotidiano do verdadeiro eu no corpo de outro rendem geralmente bons momentos, mas dificilmente surpreendem. Todos sabem que tal experiência transformará as pessoas que a vivenciaram em alguém bem melhor capaz de ficar feliz com as imperfeições de sua vida e a respeitar o modo como o outro segue sua trajetória, por mais que os meios sejam os mais depreciáveis possíveis. Quanto maior o contraste entre as personalidades a serem trocadas mais fértil deve se tornar a idéia de fazer humor através dos choques das diferenças. Em Eu Queria Ter a Sua Vida o diretor David Dobkin, de Penetras Bons de Bico, arriscou requentar a premissa, mas achou que buscando um humor mais adulto no estilo de Se Beber Não Case, dos roteiristas Jon Lucas e Scott Moore, os mesmos que assinam o texto deste projeto, conseguiria fazer um filme que se destacasse em meio a tantas produções semelhantes, porém, acabou realizando um trabalho irregular que tem alguns bons momentos, mas no geral mais constrange do que diverte. Parece que a intenção maior era parodiar esse tipo de produção que explora os conflitos de personalidade e caráter quando se está literalmente na pele de outro, mas roteiristas e diretor foram preguiçosos e exageraram na dose de escatologia e apelo sexual.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

AS AVENTURAS DE MOLIÈRE

NOTA 8,5

Com requinte visual, longa é uma
leve viagem por certo período
da vida do famoso artista francês,
mas com algumas liberdades
A vida de muitos pintores, poetas, músicos, escritores e tantos outros artistas das mais variadas áreas já instigaram cineastas a retratar suas vidas ou ao menos partes delas no cinema, principalmente aqueles que conseguiram levar seus nomes para fora de seus países de origem através de suas obras ou que tiveram trajetórias marcadas por tragédias, superações ou excentricidades. A comédia francesa As Aventuras de Molière traz a tona um episódio em particular da vida de Jean-Baptiste Poquelot, mais conhecido simplesmente como Molière, famoso dramaturgo que viveu no século 17 e que desde os primórdios da sétima arte já foi personagem de diversos filmes ou ao menos teve seu nome citado, tanto em dramas quanto em comédias, e ainda inspirou a construção de outros tipos de gênios das artes e/ou sedutores que marcaram presença nas telonas e nas telinhas. Com direção de Laurent Tirard, de A Noiva Perfeita, que também assina o roteiro em pareceria com Grégoire Vigneron, esta produção não se trata de uma biografia, mas sim de um relato de determinado período da vida do artista, diga-se de passagem, de suma importância para sua trajetória profissional, misturando fatos reais e toques fantasiosos acerca de casos amorosos. O desnecessário subtítulo dado no Brasil à fita, “um irreverente e adorável sedutor”, já denuncia o que podemos esperar: uma comédia romântica rica no visual e com história razoavelmente envolvente, mas que não quer inovar, apenas ser boa o suficiente para entreter por duas horas. O resultado divide opiniões, mas é inegável que com muita disposição o ator Romain Duris dá vida à Molière, jovem diretor, escritor e ator de textos teatrais que costumava zombar da nobreza em suas peças populares apresentadas em praças e tavernas animando as classes mais baixas. Diariamente, ele e sua trupe se tonavam mais famosos, mas eis que um dia a popularidade do rapaz chega ao palácio real e então é descoberto que ele devia ao governo muito dinheiro em impostos obrigatórios para manter seu grupo em atividade. Levado para prisão, pela primeira vez em muitos anos Molière acreditava que sua vida estava prestes a chegar ao fim, mas eis que seus débitos foram quitados por Monsieur Jourdain (Fabrice Luchini), um ridículo milionário que em troca do favor deseja a ajuda do artista para redigir e interpretar uma cena para cortejar uma bela moça da corte, Célimène (Ludivine Sagnier).

terça-feira, 12 de abril de 2016

INCONTROLÁVEL

NOTA 6,5

Mais um meio de 
transporte
desgovernado toca o terror e
os heróis anônimos fazem de
tudo para evitar o pior
Um meio de transporte desgovernado colocando em risco a vida de muitas pessoas e alguns poucos candidatos a heróis dispostos a tudo para impedirem uma terrível catástrofe. Bem, por essa breve descrição você já deve ter percebido que já viu essa mesma história de diversas formas e em diferentes épocas contando apenas com pequenas modificações que no fundo não trazem praticamente mudança alguma, mas ainda assim conseguem deixar muita gente roendo as unhas de tensão e se contorcendo com tanta correria e desespero que se vê na tela. Carros, aviões, ônibus e até navios desenfreados já invadiram os cinemas e Velocidade Máxima continua sendo o maior ícone deste tipo de produção. Com direção de Tony Scott, um apaixonado por filmes com altas doses de adrenalina, Incontrolável surgiu com intenções de roubar a coroa do endiabrado ônibus que foi salvo por Keanu Reeves e Sandra Bullock e entregá-la a dupla Chris Pine e Denzel Washington que enfrentam aqui um trem carregado de material altamente inflamável que está fora de rumo. O longa não decepciona os aficionados pela mistura de ação e suspense, pelo contrário, é um daqueles próprios para curtir em momentos de ficar com o papo para o ar. A história criada por Mark Bomback é bem clichê. Em um dia aparentemente normal em uma estação de trem o inesperado acontece. Uma composição de vagões carregados de produtos químicos altamente tóxicos viaja desgovernadamente e o perigo é iminente. O trem segue rumo a uma cidade podendo causar milhares de mortes e deixar muita gente ferida. Somente duas pessoas podem resolver esse problema: Frank (Washington), um veterano e experiente maquinista, e Will (Pine), um jovem condutor. Os dois estão em posições opostas no trabalho, mas precisam deixar seus conflitos de lado e se unir para colocar em prática uma operação de resgate muito arriscada, porém, para complicar, o tempo está contra eles. Para segurar aquela montanha de aço em disparada e evitar um desastre de proporções gigantescas os dois também contarão com as instruções de Connie (Rosario Dawson), uma das funcionárias do sistema de vigilância dos trens.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

ONDE VIVEM OS MONSTROS

NOTA 7,5

Drama travestido de filme de
fantasia é carregado de
significados e com belo visual,
mas ritmo lento prejudica
Existem filmes que são difíceis de serem classificados em um gênero específico, ainda mais quando existe um improvável casamento entre o enredo e o aspecto visual da fita. Um bom exemplo é Onde Vivem os Monstros, produção dramática travestida de fantasia cujas imagens podem chamar a atenção das crianças, porém, a decepção delas é praticamente uma certeza, quiçá tal sentimento também se manifeste entre os adultos. Este filme pode ser encarado como um projeto experimental ou simplesmente como uma continuidade do estilo do cineasta Spike Jonze. Em seus trabalhos anteriores, Quero Ser John Malkovich e Adaptação, ele já demonstrava apreço por histórias criativas e complexas e neste caso quis explorar o universo infantil, mas obviamente a seu modo particular. Seguindo um conceito na linha de O labirinto do Fauno, o diretor adentra na mente de um garoto problemático que encontra refúgio em um mundo imaginário para esquecer-se de suas angústias. A trama roteirizada por Jonze em parceria com Dave Eggers tem como protagonista Max (Max Records), um garoto que parece se sentir um peixe fora d’água. Não é preciso muito para compreender que se trata de uma criança-problema. O início tumultuado e a câmera propositalmente trêmula fazem alusão ao seu comportamento hiperativo, possivelmente uma tática para chamar a atenção. Aproveitando a neve no quintal, ele constrói um iglu e sua euforia por tal feito reflete sua necessidade de respirar novos ares e de ser notado, pena que tal alegria dura pouco e termina por pura maldade. Ele é ignorado pela irmã e os amigos dela e não se conformou com o recente divórcio dos pais. Connie (Catherine Keener), sua mãe, tenta lhe dar atenção, mas também tem sua vida para tocar e quando recebe em casa um amigo (Mark Ruffalo) não tolera a indisciplina do menino e o repreende severamente. Max, vestindo uma fantasia de lobo como parte do plano para provocar, acaba fugindo de casa e magicamente pega carona em um barco que o leva a enfrentar o vasto oceano e suas ondas traiçoeiras até chegar a uma misteriosa ilha. Explorando o local, ele encontra uma comunidade de monstros que observa a distância, mas quando descoberto ele tira proveito de sua lábia e da fantasia que usava para convencê-los que não pode ser devorado por ser dotado de poderes mágicos, o que o faz ser confundido como um rei, o líder que eles tanto aguardavam. Sua grande tarefa é evitar que a tristeza tome conta do lugar, assim ele passa a criar uma série de brincadeiras e situações para mantê-los entretidos torcendo para que sua mentira não seja descoberta.

domingo, 10 de abril de 2016

BILHETE PREMIADO

Nota 3,0 Previsível, comédia de humor negro, na falta de ousadia, tenta se segurar no romance

A cineasta Nora Ephron sem dúvidas conseguiu com vários de seus trabalhos elevar a cotação do gênero comédia romântica tornando-o popular e rentável com produções como Sintonia de Amor e Mensagem Para Você. Como muitos filmes do tipo e com temática similares começaram a ser lançados, a diretora procurou virar o século experimentando algo levemente novo: o humor negro. Lançado em 2000, Bilhete Premiado teve sua estreia adiada várias vezes até que finalmente chegou às telonas para ficar umas duas semanas em cartaz. Nem mesmo no mercado de locações funcionou. Além do fracasso em solo americano que ajudou na publicidade negativa, o longa ainda tinha outra mandinga: John Travolta. Na época o ator estava com sua carreira indo ladeira abaixo com sucessivos fiascos profissionais e esta comédia só veio a ampliar a lista. Ele dá vida a Russ Richards, o meteorologista de uma famosa emissora de TV, mas seus esforços estavam longe de serem reconhecidos como ele desejava e sua vida profissional ia de mal a pior (seria coincidência ou uma autoironia o ator encarnando tal zero à esquerda?). Praticamente falido depois que suas chances de lucros vendendo motocicletas especiais para neve derreteram devido a um inverno com temperaturas altíssimas, o cara ficou devendo até as cuecas na praça e para conseguir se reerguer resolveu montar um esquema com o amigo Gig (Tim Roth) e Crystal (Lisa Kudrow), sua namorada. A garota é a responsável por sortear os números da loteria na televisão, mas também não vê um futuro profissional promissor para si mesma. É óbvio que a ideia é fraudar o concurso e mais previsível ainda que algo dê errado. O que parecia fácil acaba se tornando uma grande encrenca e o trio de espertalhões se vê envolvido em uma trama com direito a assassinatos e outros pilantras de olho na bolada milionária. O que poderia render uma comedia razoável, mesmo com o enredo transbordando clichês, acaba se tornando um programa tedioso, talvez por culpa da própria Ephron que entende de humor meloso, mas não conhece o universo da malandragem.

sábado, 9 de abril de 2016

A PASSAGEM (2007)

Nota 3,0 Narrativa tediosa compromete boa premissa e conclusão com teor de denúncia

Diariamente nos chocarmos com notícias sobre atos cruéis praticados pelos próprios seres humanos contra os seus semelhantes, porém, mais chocante ainda é constatarmos que eles são mais comuns do que imaginamos e que em geral são motivados pela ganância financeira. E o que dizer quando este real objetivo ainda é travestido de boa ação, tem como alicerce falsos vínculos religiosos que escamoteiam redes criminosas? Produções que se passam em territórios exóticos costumam ter sua própria cartilha de clichês e explorar o tema exposto acima é um dos tópicos mais utilizados. Geralmente os filmes que usam os paradisíacos e ao mesmo tempo misteriosos cenários de países do Oriente Médio gostam de beber na fonte das crenças e lendas locais, podendo cair na armadilha de se tornarem aventuras em busca de tesouros escondidos, suspenses acerca de rituais maquiavélicos, entre outros temas já muito explorados. O cineasta Mark Heller optou em A Passagem por uma trama contemporânea e pertinente passada no Marrocos em meio a um cenário que remete ao passado e a histórias misteriosas. O velho e o novo se fundem nesse país como a certa altura constata o protagonista Luke (Stephen Dorff), um fotógrafo americano, e seu amigo inglês Adam (Neil Jackson, também autor do roteiro), estão viajando a passeio pelo território marroquino e encantam-se com a exótica Zahra (Sarai Givaty), uma nativa que seduz a ambos com seu jeito de recatada e beleza. Os rapazes a seguem até um remoto lugar localizado em uma região montanhosa, mas aos poucos sentem um crescente temor. Adam acaba sumindo misteriosamente e Luke se vê perdido em um claustrofóbico labirinto de túneis subterrâneos e passagens secretas que o levam a uma chocante revelação. A nativa logo no primeiro encontro contou ao fotógrafo a história de Aisha Kandisha, uma lenda local sobre uma mulher que usava sua beleza para conquistar os portugueses que no passado maltratavam e abusavam do povo marroquino, principalmente as damas. Quando fascinados ela os matava ou fazia com que eles brigassem entre si pelo seu amor até a morte, uma forma de conseguir vingar seu povo. Por esse fato, se o turista fosse um pouco mais atento já teria consciência de que a amizade com Zahra seria perigosa.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

COLHEITA MALDITA

NOTA 8,0

Marco do terror da década de
1980, obra envelheceu e hoje não
é tão impactante, mas ainda causa
arrepios com seu clima desolador
O nome de Stephen King atrelado a alguma produção de cinema automaticamente já traz certo prestígio ao projeto. Famoso por seus contos de terror, mas também se arriscando com sucesso no campo dos dramas, o autor tem uma legião de fãs tanto na literatura quanto na área cinematográfica. Entre os anos 70 e 80, ainda em início de carreiro, King viu trabalhos baseados em suas obras conquistarem crítica, público e figurarem em premiações, até mesmo no Oscar. É dessa safra que faz parte Colheita Maldita, considerado um clássico do terror por muitos. É certo que hoje em dia a produção não é tão impactante quanto foi no passado, mas envelheceu bem, não há muitos sinais evidentes de que o tempo passou, aliás, a imagem envelhecida é até um fator positivo neste caso. Baseado no conto “As Crianças do Milharal”, título original também do filme, o próprio King tratou de rascunhar um roteiro, mas ele foi descartado prevalecendo um escrito por George Goldsmith no qual a violência era mais presente e a estrutura narrativa mais convencional. Burt (Peter Norton) e Vicky (Linda Hamilton) estão atravessando de carro uma estrada deserta quando são surpreendidos por um garoto que acabam atropelando acidentalmente, porém, a criança já estava praticamente morta por estar com o pescoço com um corte profundo. O casal parte para a cidade mais próxima em busca de ajuda, mas quando chegam a Gatlin encontram um ambiente estranho e aparentemente abandonado. A introdução apresenta ao espectador um pouco do histórico macabro do vilarejo. A economia local baseia-se na agricultura, principalmente no cultivo de milho, mas certa vez a colheita foi péssima e a população passou a se apegar na fé para tentar garantir uma boa safra da próxima vez. Eis que surge um misterioso menino pregador, Isaac Chroner (John Franklin), que leva todas as crianças para um milharal para falar sobre as profecias de um demônio dos milharais chamado “Aquele Que Anda Por Detrás das Fileiras”. Isaac, através de seu tenente Malachai (Courtney Gains), lidera uma revolução infantil na cidade e todos os adultos são mortos brutalmente. Nos anos seguintes, tais atos passaram a ser praticados sobre o pretexto de serem sacrifícios necessários para uma boa colheita.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

UM OLHAR DO PARAÍSO

NOTA 8,5

Peter Jackson aposta suas
fichas em drama narrado
paralelamente entre dois
mundos intimamente ligados
Um diretor de cinema pode escolher entre dois caminhos para definir seu trajeto profissional. Pode optar por trabalhar com um ou dois gêneros constantes, criar uma legião de fãs e marcar seu estilo ou atirar para tudo quanto é lado, ganhar seu dinheirinho e viver no anonimato. Porém, alguns profissionais de trás das câmeras conseguem transitar tranquilamente entre os mais variados tipos de filmes, mas o problema é quando o público petrifica uma imagem deles e passa a repudiar qualquer “pulada de cerca”. Esse mal constantemente é vivido por Peter Jackson que virou um nome quente em hollywood após o sucesso da saga O Senhor dos Anéis, assim tornando-se um sinônimo de megaproduções e efeitos especiais de ponta. Porém, este profissional começou sua carreira de forma bem modesta apostando inclusive no estilo trash como no longa Os Espíritos e ganhou certo prestígio com o drama independente Almas Gêmeas muito antes de enveredar pelo caminho do cinema de fantasia, mas é certo que a recepção pouco calorosa de Um Olhar do Paraíso tem muito a ver com a expectativa que seu nome atrelado a um projeto gera. Para aproveitar da melhor maneira possível esta obra é preciso procurar focar a atenção na história em si e não no currículo do diretor. A trama é narrada pela adolescente Susie Salmon (Saoirse Ronan), um espírito do bem que habita os céus. Ela conta um pouco de sua rápida passagem pela Terra, sua adaptação ao outro mundo, suas novas descobertas e sobre como sua família superou sua perda. No início da década de 1970 ela estava voltando um dia da escola sozinha e por estar atrasada optou por cortar caminho por uma região campestre. No meio do percurso ela encontrou um de seus vizinhos, George Harvey (Stanley Tucci), um novo morador da região que ela já tinha visto conversando com seu pai, Jack (Mark Wahlberg). Inocentemente a garota acaba caindo em uma armadilha e teve sua vida interrompida de forma brusca e precocemente. Após esta introdução, que de certa forma é demorada, mas muito bem realizada, passamos a acompanhar a peregrinação de Susie em busca da paz. Ela está tomando consciência do que lhe aconteceu, não tem noção de como é a vida após a morte e ainda está apegada às lembranças da realidade. Sempre viveu sobre as regras da moralidade e dos conselhos da família e não teve tempo de viver um grande amor e tampouco ter uma profissão. Sofre também vendo a dor de seu pai, da mãe Abigail (Rachel Weisz) e ainda se preocupa com a irmã mais nova, Lindsey (Rose Mclver), que pode ser a próxima vítima de seu assassino.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

MISSÃO BABILÔNIA

NOTA 3,0

Interferência de estúdio
certamente comprometeu o
resultado de ficção mal
estruturada e sem graça
Quando um filme estreia nos cinemas ou é lançado em DVD sem publicidade isso pode significar um mau sinal afinal de contas é um tanto suspeito uma distribuidora esconder seu produto da mídia quando ela poderia ser uma aliada para aumentar a procura do mesmo, embora não seja raro que excelentes produções dispensem os gastos com marketing e confiem na propaganda boca-a-boca positiva do público. Agora o que dizer de uma obra que aparentemente tem toda a pompa de superprodução, mas seu próprio diretor e até mesmo o protagonista não ficaram satisfeitos com o resultado final? Pois é, essa é a situação de Missão Babilônia que não chega a ser uma ficção científica cafona cheias de engenhocas e naves espaciais (pelo menos não em números exagerados), porém, não foge do clichê de imaginar um futuro apocalíptico.  Com muitos problemas na fase de finalização, o longa tem um visual chamativo e uma ótima parte técnica, mas o conceito do imagem é tudo aqui não funcionou. Sem uma boa história não há efeito especial ou som estridente que segure a atenção do espectador. Bem, em tempos de febre do 3D e outras firulas talvez essa máxima não tenha valor, mas isso é outra discussão. Baseado no livro “Babylon Babies”, escrito por Maurice Georges Dantec e muito popular na França, a trama até que começa de forma instigante. Um mercenário está correndo apressadamente pelas ruas sob uma forte chuva até que encontra seu alvo, um asiático que lhe vendeu uma arma que não funciona e agora ele quer seu dinheiro de volta. Parece uma introdução tola? Somando-se a outros detalhes que percebemos nesta e em algumas cenas seguintes tomamos conhecimento da visão de futuro que o longa quer apresentar. O mundo não está totalmente devastado com alguns poucos sobreviventes como estamos acostumados a ver em outras produções com temática semelhante, porém, está caminhando para isso. O individualismo impera, o comércio ilegal dita as regras, militares armados ocupam em peso as ruas, os efeitos do aquecimento global já são plenamente perceptíveis, alguns animais como os tigres estão extintos há anos, a violência cresceu espantosamente e tantos outros detalhes negativos visuais vão pouco a pouco situando o espectador e substituem aquele manjado truque do pequeno resumo por escrito que geralmente abre produções do tipo. A ideia de introdução do diretor francês Mathieu Kassovitz, de Rios Vermelhos, já mostra seu respeito em manter o espírito da obra literária que o inspirou, todavia é quase impossível não ficar com o pé atrás com a produção desde os minutos iniciais por um motivo crucial: Toorop, o tal mercenário, é interpretado por Vin Diesel. Astro de filmes de ação, novamente ele surge inexpressivo, quase como um robô contratado para escoltar a jovem Aurora (Mélanie Thierry) e sua protetora Rebeka (Michelle Yeoh) do Cazaquistão para Nova York. No percurso eles acabam tendo que enfrentar alguns contratempos com indivíduos que estão de olho na moça que por anos viveu reclusa em um convento e que aos poucos revela ser uma pessoa incomum, alguém com inteligência e intuição acima do normal.

terça-feira, 5 de abril de 2016

OS SUSPEITOS (1995)

NOTA 8,5

Intricada trama policial não
perdeu o vigor e ainda é uma
opção válida em tempos em que
o espectador é subestimado 
Os filmes policiais já tiveram seus tempos áureos, mas como tudo que é demais enjoa o gênero encontra-se em decadência a alguns anos sobrevivendo as custas de produções medianas ou medíocres que em geral não fazem mais nada que oferecer o arroz com feijão de sempre com direito a final previsível como surpresa. Para os saudosos de brincar de detetive e ladrão junto com os personagens, mas com qualidade e inteligência, o jeito geralmente é recorrer a produções antigas. Uma boa dica é rever, ou para as novas gerações descobrir, Os Suspeitos, uma intricada trama cujo roteiro foi merecidamente agraciado com o Oscar. Livremente inspirado no clássico O Segredo das Jóias, um filme com estilo noir que o famoso John Huston dirigiu em 1950, este é o segundo longa da carreira do diretor Bryan Singer que ficou em evidência nos últimos tempos por causa de suas aventuras com os mutantes dos quadrinhos "X-Men". O novato na época surpreendeu construindo uma boa história sobre homens que sonhavam em chegar ao topo, mas que seguiram caminhos errados para tanto e terminaram encontrando a própria desgraça. Para contar essas desventuras o cineasta contou com um elenco afiado e de peso (bem, hoje em dia alguns são contratados a peso de ouro, mas na época ainda eram estrelas de pouco brilho). Com uma produção modesta, o longa era como o representante dos independentes da temporada de premiações 1995/96 e infelizmente hoje em dia é mais lembrado justamente por suas indicações e prêmios conquistados, uma injustiça que precisa ser corrigida a um trabalho muito superior a produções atuais. Roteirizado por Christopher McQuarrie, a trama começa com um incêndio no cais de Porto de San Pedro, na Califórnia, no qual 27 pessoas morreram e apenas dois homens sobreviveram, um húngaro extremamente debilitado por conta das queimaduras e Roger “Verbal” Kint (Kevin Spacey), criminoso pé-de-chinelo portador de um defeito físico que saiu ileso do episódio e, como seu próprio apelido indica, não é de hesitar em falar mais do que deve. Ele será a principal testemunha que ajudará o detetive David Kujan (Chazz Palminteri) a solucionar o mistério, mas lhe farão companhia na detenção outros quatro suspeitos: o bandido de quadrilhas Michael McManus (Stephen Baldwin) e seu parceiro de crimes Fred Fenster (Benicio Del Toro), o especialista em armas pesadas Todd Hockney (Kevin Pollack) e o ex-tira corrupto Dean Keaton (Gabriel Byrne). Não é apena a quantidade numerosa de mortos que motivam tal investigação mas também o sumiço de uma quantia de dinheiro extraordinária. No barco que explodiu estaria sendo negociado um carregamento de drogas oriundo da Argentina, mas a ação foi sabotada por alguém.  As suspeitas recaem sobre um lendário terrorista da Hungria conhecido como Keyser Soze.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

SUBMERSOS

NOTA 7,5
Apesar dos vários clichês,
longa se beneficia de
atmosfera claustrofóbica e
de situações limites
Muitos reclamam da qualidade e do artificialismo dos filmes atualmente, principalmente por conta da exagerada atenção dada aos efeitos especiais que em alguns casos podem detonar negativamente uma produção, todavia, o público ainda comparece em peso nos cinemas para ver obras do tipo e inconscientemente acabam por prejudicar trabalhos excepcionais e relativamente simples que acabam ficando sem espaço para exibição. Contudo, tal problema não é algo recente. Anualmente centenas de filmes de qualidade têm passagens relâmpagos ou sequer estréiam nos cinemas, chegam as locadoras timidamente, mas acabam encontrando espaço na TV para serem repetidos aos montes, porém, alguns sofrem com o fantasma do ostracismo em todos os caminhos que um longa-metragem teoricamente deveria percorrer, inclusive na telinha, como é o caso de Submersos, um eficiente suspense que tinha tudo para agradar uma parcela considerável de público, mas que no final das contas continua praticamente desconhecido até hoje. A ideia original é do cultuado Darren Aronofsky, de Réquiem Para um Sonho, que desejava unir suspense e aventura de guerra em um mesmo trabalho, este que seria o segundo com sua assinatura como diretor. No final das contas ele passou o cargo para David Twohy, de Eclipse Mortal, outro filme de carreira fracassada. Ambos dividiram os créditos como roteiristas, mas nem o nome de Aronofsky nos créditos, também como produtor, salvou a produção de submergir no limbo. Por outro lado, também não pode ser considerado um fracasso retumbante simplesmente porque não houve esforços para transformá-lo em um sucesso. Na época de seu lançamento, sem campanha alguma nos EUA e diretamente para locação no Brasil, ainda o público estava extasiado com o fenômeno de obras com conteúdo sobrenatural e psicológico como O Sexto Sentido Os Outros e estava na moda filmes sobre conflitos envolvendo submarinos e guerra como K-19 – The Windowmaker U-571 – A Batalha do Atlântico, assim o momento parecia propício para aproximar as duas temáticas em uma mesma obra, mas a predileção do público em geral pelo lixão hollywoodiano provavelmente pesou mais na hora dos executivos da produtora e da distribuidora pensarem no lançamento, assim preferiram poupar gastos com a divulgação de um suspense diferenciado que realmente não traz nenhuma cena de grande impacto que pudesse ser usada de forma isolada na publicidade. O medo aqui é crescente e depende da cadência de emoções, ou seja, da atenção dedicada ao enredo.

domingo, 3 de abril de 2016

30 DIAS PARA O AMOR

Nota 1,0 Longa aborda a realização do sonho da fama repentina com todos os clichês possíveis

O acervo da “Sessão da Tarde” e também dos canais pagos, principalmente o da Disney que exibe suas próprias produções feitas exclusivamente para a TV, estão lotados de filmes água-com-açúcar que mostram garotas sonhadoras que da noite para o dia se tornam estrelas pop e de quebra conquistam seu príncipe encantado. Essa fórmula de sucesso é pré-histórica e já serviu para lançar muitas meninas que instantaneamente passaram a ser idolatradas por crianças e jovens, como Hilary Duff que aproveitava as oportunidades de atuar para também divulgar sua carreira como cantora. Com o fenômeno High School Musical a trinca adolescentes, música e filmes foi intensificada e mais e mais produções surgiram seguindo esse filão, porém, com raríssimas exceções, eles são apenas passatempos bobinhos para matar o tempo como é o caso de 30 Dias Para o Amor. Cole Thompson (Sean Patrick Flanery) é um caçador de talentos que tem exatos 30 dias para descobrir uma nova estrela da música pop-latina para apresentá-la em um festival e assim conseguir sua tão sonhada promoção na agência. Após uma definitiva reunião com seu chefe, é na recepção da própria empresa em que trabalha que o rapaz encontra por acaso a garota perfeita. Ou quase isso. Maggie Moreno (Camille Guaty) é uma desengonçada entregadora de encomendas que sonha em um dia ser uma diva da música e por isso não demora a aceitar a proposta do rapaz. Com um rostinho bonito e um corpo delgado, o resto dá-se um jeito. Ela se muda para a casa de Thompson para não perder um único minuto de todo o processo de preparação de uma jovem comum à estrela, mas conforme o tempo passa ambos percebem que os interesses de um pelo outro não são apenas profissionais, tudo como manda a cartilha do gênero. Porém, até a data de lançamento desta cantora muita coisa pode acontecer, mas alguém dúvida que nasce uma estrela? Investindo no clichê da latina que desponta no mundo da música, o roteiro de Laura Angelica Simon sofre de uma crise de originalidade e inteligência do início ao fim, resumindo-se a uma colcha de retalhos.

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