Nota 2,0 Mesmo tentando fazer algo levemente diferenciado, longa tropeça no acúmulo de clichês

A sinopse mirabolante é típica de
fitas de horror asiáticas, mas infelizmente as semelhanças não ficam restritas
ao enredo e se estendem a outros pontos, ou seja, os erros comuns aqui também são
repetidos aos montes. Diálogos sofríveis, interpretações fracas, suspense
anunciado por ângulos de câmera manjados ou sons estridentes e o pior dos
pecados de produções do tipo: sustos canastrões que não metem medo. O diretor
Harry Basil até teve boa vontade em tentar fazer algo mais digno misturando os
clichês de filmes de fantasmas com os de fitas de seriais killers, mas em
determinado momento o gancho sobre assassinatos no presente acaba tomando conta
da narrativa parecendo que toda aquela história de assombrações mirins ficaria
registrada como um grande deslize. Contudo, conforme a protagonista vai colecionando
pistas, os dois mistérios começam a se encaixar e se fundem em um final
inesperado, mas nada que torne Almas Condenadas um produto
memorável, pelo contrário, é facilmente esquecível e até o pessoal que cuidou
de sua publicidade deve ter ficado com um pé atrás, provavelmente não
assistiram mais que vinte minutos e fizeram a arte baseando-se em outros
exemplares do gênero, só assim para explicar o porquê de uma criança com cara
de zumbi estampar a capa do DVD. O genérico título nacional já deixa explícito
que se trata de um terror com espíritos afoitos, não mortos-vivos. Aliás, nem
as próprias almas sofredoras são o enfoque principal. Mais puxado para o
suspense do que para o terror em sua melhor definição, o longa no fundo tem
como objetivo discutir a demência do ser humano diante da oportunismo, a chance
de tirar proveito em cima de uma situação sem levar em consideração as
consequências negativas para outras pessoas. Louvável a tentativa de trazer
alguma mensagem dentro de uma narrativa que visa assustar e ser um passatempo
ligeiro, mas as boas intenções vão por água abaixo diante de passagens que
ficam mal explicadas, fragilidade da narrativa e da própria interpretação do
elenco que trabalha no piloto automático como se já soubessem que o destino
desta fita seria o esquecimento. Talvez só não esperavam que o ostracismo viesse
tão rápido.
Terror - 95 min - 2006
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