sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

CAMINHOS DA FLORESTA

NOTA 8,0

Junção de contos de fadas tem
seus furos e equívocos narrativos, mas
carisma e talento do elenco e recursos
técnicos apurados garantem a qualidade
Espetáculos de sucesso da Broadway mais cedo ou mais tarde terão sua versão cinematográfica, isso é fato. Desde os tempos áureos dos musicais no estilo My Fair Lady, passando pelo premiado Cabaret e culminando em fracassos como Rent – Os Boêmios, projetos que migram dos palcos para as telonas sem dúvida são apostas arriscadas. Teatro e cinema, embora compartilhem características, no fundo são artes distintas, cada qual com seus encantos e recursos para fisgar a atenção de quem assiste. O que pode dar certo ao vivo pode não funcionar na versão filmada e vice-versa. Contando com o aval popular e da crítica graças ao sucesso nos palcos de muitos países, além do chamariz de narrar uma história de fácil assimilação interligando personagens e contos clássicos do universo infantil, Caminhos da Floresta parecia uma aposta segura, mas sua realização complicada se reflete claramente no resultado final. “Into The Woods” foi lançado nos teatros americanos em 1986 com a proposta inovadora de misturar várias histórias dos lendários irmãos Grimm. A adaptação cinematográfica quase três décadas mais tarde já esbarraria na questão criatividade. A saga de Shrek levou ao ápice a fórmula de reinventar e mesclar os contos de fadas e outras produções seguiram a tendência como a própria Disney que em Encantada deitou e rolou tripudiando (ainda que com classe e respeito) em cima dos próprios estereótipos que fizeram a fama do estúdio. A casa do Mickey Mouse mais uma vez banca uma brincadeira com seu portfólio neste musical que não abandona as lições de moral, mas em muitos momentos transpira originalidade e vai muito além do felizes para sempre com uma guinada tensional da trama quando achamos que estamos no clímax. Não é a toa que muitos dizem que o filme poderia ter sido dirigido por Tim Burton devido ao casamento do lúdico com o sombrio. No entanto, a produção é responsabilidade de Rob Marshall, amante dos musicais, tendo acumulado prêmios com o divertido Chicago, incluindo seis Oscars, e sofrido com as críticas ao inconsistente Nine onde os números musicais deveriam alinhavar uma trama que apesar do argumento metalinguístico, um cineasta com bloqueio criativo que busca inspiração nas mulheres que de alguma forma marcaram sua vida, revelou-se um videoclipe megalomaníaco. Nesta nova incursão no gênero, o diretor procurou se ater mais ao script original e a cantoria é parte imprescindível da narrativa substituindo vários diálogos, um tipo de armadilha que o longa supera graças ao carisma do elenco.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

BONECO DO MAL

NOTA 5,0

Inicialmente intrigante, bom
argumento aos poucos é minado por
trama repleta de clichês, situações
inverossímeis e final desconectado
Realizar um filme de terror original é uma obsessão de muitos cineastas e ao mesmo tempo uma tarefa ingrata. É provável que todos os tipos de fobias já tenham sido explorados e nos últimos anos um dos poucos cineastas a dar certa vivacidade ao gênero foi o mexicano Guillermo del Toro com suas produções esmeradas no apuro técnico e visual e seu estilo já vem fazendo escola. Boneco do Mal não é sequer produzido pelo premiado criador de O Labirinto do Fauno, mas muitas características presentes em sua filmografia compõem o universo deste trabalho calcado na mistura do lúdico com o tensional. A história tem como protagonista Greta (Lauren Cohan), uma jovem americana que está de mudanças para um antigo casarão na Inglaterra para cuidar do filho do casal Heelshire (Jim Norton e Diana Hardcastle) que viajarão em breve deixando pela primeira vez o herdeiro aos cuidados de um estranho. Na verdade, muitas moças já foram recrutadas para ocupar o cargo em outras ocasiões, mas todas foram reprovadas pelo exigente Brahms. No entanto, ele não é um garoto de verdade e sim um boneco de cerâmica no tamanho real de uma criança de oito anos que é criado como se fosse alguém de carne e osso pelos pais idosos que nunca aceitaram a morte do filho verdadeiro em um incêndio há duas décadas. A babá obviamente não leva a sério quando lhe apresentam o menino, mas muda de ideia por conta da seriedade com a qual seus patrões lidam com a situação. Quando descobre sobre a tragédia que abalou a família ela se compadece, porém, existe um motivo bem mais forte para ela aceitar uma ridícula rotina que inclui aulas de música, fazer refeições balanceadas e até dar beijinho de boa noite em um brinquedo. A moça opta pelo trabalho levando em consideração não só o polpudo pagamento, mas também o refúgio oferecido, mantendo-a bem longe de Cole (Ben Robson), seu ex-namorado que a persegue. A mansão dos Heelshire pode ter parado no tempo, mas o mundo fora dele não e é óbvio que será fácil para Greta ser localizada, tempo suficiente para ela estabelecer uma estranha relação com Brahms. É um tanto forçada a ideia de que alguém aceitaria viver em um cinzento e depressivo mausoléu, ainda mais incumbida de ingratas tarefas, mas de alguma forma Laura faz o espectador criar rápida intimidade com o bizarro universo que adentra, ainda que ela siga à risca o perfil das protagonistas de filme de terror.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

COMO VOCÊ SABE

NOTA 3,0

Aposta em comédia romântica
amparada por questões mais complexas
sobre relacionamentos frustra com sua
falta de graça e elenco mal aproveitado
James L. Brooks é um diretor, produtor e roteirista que não tem um currículo muito extenso, porém, conta com produções de prestígio. Acumulando as três funções ele foi o grande vencedor do Oscar de 1984 com o dramalhão assumido Laços de Ternura, quatro anos depois figurou com Nos Bastidores da Notícia na lista de melhores do ano abordando um triângulo amoroso em meio ao dinâmico e estressante universo do jornalismo televisivo e ainda uma década mais tarde alcançou a maturidade do seu trabalho com Melhor Impossível, fita que deu a terceira e famigerada estatueta dourada para Jack Nicholson vivendo um maníaco-compulsivo, papel de repercussão que há anos o ator não tinha o privilégio de interpretar. No entanto, entre uma produção bombada e outra, Brooks parece querer descansar diminuindo consideravelmente seu ritmo de trabalho e cada vez mais dá indícios que carece de inspiração. A comédia romântica Como Você Sabe prova isso. A trama gira em torno de Lisa Jorgenson (Reese Whiherspoon), uma jovem que desde a infância desejou se tornar uma grande jogadora de beisebol, mas os anos passaram e mesmo com todos os seus esforços não conseguiu ser chamada para as principais competições. Aos 31 anos de idade, no momento ela já é considerada velha para o esporte e sua carreira já pode ser dada como encerrada, assim ela busca consolo no amor para preencher o vazio que sua vida se tornou e acaba se envolvendo com dois rapazes completamente diferentes. Matty Reynolds (Owen Wilson) também é esportista, milionário, narcisista e metido a conquistador. Já George Madison (Paul Rudd) é um executivo que leva uma vida mais leve, é sonhador e tem como principais qualidades a humildade e a educação. Já dá para saber com quem a mocinha vai ficar, não é? Entregando o jogo logo de cara, o roteiro então se alonga além do necessário para narrar as dúvidas e confusões de uma mocinha pouco cativante e com pretendentes que não chegam a duelar fisicamente, mas suas atitudes os colocam em guerra para saber qual o mais insosso. Escrito pelo próprio Brooks, há quem defenda o texto por fugir do esquematismo das comédias românticas tradicionais onde os diálogos soam piegas e decorados, mas o realismo pretendido em diversos momentos torna a fita distante do espectador, como se os assuntos discutidos fossem pertinentes unicamente ao universo dos personagens.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

RUA CLOVERFIELD 10

NOTA  8,0

Claustrofobia, pânico, insegurança
e melancolia se misturam em suspense
que resgata de certa forma a temática e
ambientação de Cloverfield - Monstro
Lançado em 2008, Cloverfield - Monstro não faturou horrores e tampouco caiu no gosto popular, mas por outro lado conquistou a crítica especializada por conta de seu leve sopro de originalidade.O diretor J. J. Abrams, então em evidência com a repercussão do seriado "Lost", era apenas o produtor da fita, porém, seu nome atrelado certamente deu um reforço para a campanha de marketing. Com cerca de 80 minutos de duração, a obra é bastante tensa e claustrofóbica, deixando aberto o caminho para uma continuação, mas a agenda cheia do criador acabou postergando a ideia. Demorou, mas de certa forma ela foi lançada. Com argumento de Josh Campbell e Matthew Stuecken e roteiro final de Damien Chazelle (do premiadíssimo musical La La Land - Cantando Estações), Rua Cloverfield 10 não é exatamente uma sequência. Além de aspectos técnicos mais hollywoodianos, nenhum ator do filme anterior e nem mesmo o personagem-título dão as caras. Ainda assim, Abrams dá um jeito deste trabalho guardar certo parentesco com a produção sobre a ameaça gigantesca que assola Nova York. Enquanto a grande metrópole era destruída, nesta espécie de sequência não-oficial, conhecemos a jovem Michelle (Mary Elizabeth Winstead) que no começo do filme aparentemente está abandonando o lar e seu companheiro. Desconhecendo a situação caótica que a cidade vive, a moça pega a estrada rumo ao interior e acaba sofrendo um acidente de carro que a deixa inconsciente. Quando acorda ela se vê presa em um cômodo desconhecido e sob os cuidados do misterioso Howard (John Goodman) que lhe afirma que todo o planeta está inabitável devido a um ataque químico provocado por uma invasão alienígena. Agora um dos poucos lugares seguros seria seu "bunker", um tipo de abrigo subterrâneo preparado para proteger das piores ameaças possíveis. Por ter salvo a vida da jovem, o anfitrião deixa claro que ela precisará obedecer suas regras, assim como Emmett (John Gallagher Jr.), outro sobrevivente resgatado.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O IMPOSSÍVEL

NOTA 9,0

Apesar de forçar a emoção de todas
as maneiras possíveis, através do drama
de uma família filme coloca o espectador
como personagem onipresente de uma tragédia
O título já diz tudo. Embora baseado em fatos reais, O Impossível narra uma história improvável, mas com uma essência dramática que fisga o espectador logo em seus primeiros minutos não apenas apostando no emocional, mas também reativando lembranças ou despertando curiosidades a respeito do dia 26 de dezembro de 2004. A Tailândia era agraciada com mais um belo dia ensolarado, mas poucas horas depois de encerradas as comemorações natalinas o clima de paz e harmonia fora literalmente devastado por uma tragédia da natureza. Um tsunami agitou o oceano e provocou ondas gigantescas que varreram do mapa de modestos casebres à suntuosas mansões e hotéis. Milhares de moradores e turistas vieram a falecer ou tiveram graves ferimentos, um prato cheio para qualquer cineasta trabalhar um roteiro no esquema do filme-mosaico, estilo em que diversas tramas são contadas simultaneamente podendo convergir ao final ou não. No entanto, o diretor catalão Juan Antonio Bayona, do elogiado O Orfanato, optou em sua estreia no cinemão de Hollywood por narrar o sofrimento de um grupo específico. Inspirado no drama vivido por uma família espanhola, para tornar o argumento mais universal e obviamente melhorar os lucros, os protagonistas foram substituídos por britânicos, todos com pele, olhos e cabelos claros, assim mesmo sujos e feridos suas figuras não causam tanta repulsa. Quando se juntam as centenas de sobreviventes inevitavelmente acabam se destacando na multidão, mas não vamos entrar na discussão de possíveis preconceitos, afinal o elenco é talentoso e consegue despertar a almejada piedade com a força de suas interpretações. O casal Maria (Naomi Watts) e Henry (Ewan McGregor) planejavam férias tranquilas e divertidas junto aos três filhos, Lucas (Tom Holland), o mais velho, Thomas (Samuel Joslin) e do caçula Simon (Oaklee Pendergast), em um luxuoso resort à beira-mar, porém, mal tiveram tempo de desfrutar do local. Ondas de até trinta metros de altura atingiram tudo o que estava em seus caminhos e só conseguiram se salvar aqueles que por ventura estavam mergulhando naquele exato momento ou que foram agraciados por alguma força divina de proteção.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A BELA E A FERA (1991)

NOTA 10,0

Clássico Disney sobrevive a
ação do tempo e mantém o
frescor, a emoção e a
magia da obra intactos
A Disney sempre foi uma fértil fábrica de desenhos animados, sejam eles produções para a TV, curtas ou longas metragens. Todas as animações do estúdio foram feitas com muito capricho, mas após a morte de seu fundador na década de 1960 a empresa entrou em declínio. Hoje as produções desse tempo são lembradas com orgulho, mas na época de seus lançamentos não trouxeram bons frutos, embora o período tenha sido marcado por produções com roteiros originais ou baseados em contos pouco conhecidos. O prestígio voltou a bater na porta do estúdio em 1989 com A Pequena Sereia e embalados pelo sucesso os criadores e animadores da casa adaptaram e modernizaram outro conto clássico para as telas em seu projeto seguinte. A Bela e a Fera só por sua história e visual já merecia lugar de destaque na história do cinema, mas a obra foi além e honrou o privilégio de ocupar a vaga de 30º longa de animação da Disney. Baseado no conto homônimo escrito por Jeanne-Marie Le Prince de Beaumont, a obra alia perfeitamente romance, drama, suspense, aventura e certa dose de ousadia, além de terem sido utilizadas técnicas de computação gráfica (hoje simplórias) aliadas ao desenho tradicional para criar cada fotograma desta história que não só conquista a atenção de crianças como de adultos também. Não é a toa que se tornou a primeira animação a ultrapassar a barreira dos cem milhões de dólares nas bilheterias mundiais e foi a única a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme até 2010, quando a Academia de Cinema ampliou o número de concorrentes permitindo que um desenho animado bem sucedido ocupasse uma vaga independente de também estar entre os concorrentes em sua categoria específica. Além disso, também foi o primeiro longa animado a receber o Globo de Ouro de Melhor Filme Musical ou Comédia e a ganhar o Annie Award.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

OUTONO EM NOVA YORK

NOTA 6,0
Fotografia, locações e
figurinos salvam produção
cujo roteiro entrega todas
as emoções logo no início
Richard Gere já estrelou produções de diversos gêneros, mas é praticamente um sinônimo de filmes românticos, tal qual Julia Roberts também tem uma imagem significativa ligada ao gênero. Ambos explodiram juntos na comédia romântica Uma Linda Mulher e quase uma década depois voltaram a se unir, sem fazer tanto barulho, em Noiva em Fuga. Além destas duas produções, o ator participou de diversos outros filmes feitos especialmente para agradar o público feminino, como Dança Comigo?, mas nem sempre conseguiu êxito investindo em terreno seguro, como prova o esquecido Dr. T e as Mulheres. O caso de Outono em Nova York fica em cima do muro. É um daqueles títulos que tem suas qualidades, como uma belíssima fotografia e locações, conta com um enredo agradável, porém, faltam um ou mais ingredientes para transformá-lo em algo acima do regular. Apostando em um romance com pitadas de drama, este segundo trabalho da atriz Joan Chen como diretora chega a um resultado tão frio quanto a própria passagem que serve de pano de fundo para uma história bonitinha e sem grandes pretensões que mostra o nascimento de uma relação amorosa entre um homem mais velho e uma jovem. Will Keane (Gere) é um cinquentão que prometeu a si mesmo nunca mais ter um compromisso sério com uma mulher, assim ele paquera a vontade e cultiva sua fama de conquistador. Quando ele conhece a delicada Charlotte Fielding (Winona Ryder) logo se interessa em viver um romance com a moça, mas talvez não imaginasse que ia acabar se envolvendo tanto com ela. Disposto a esquecer de sua promessa, Keane se surpreende com a recusa da parceira em tornar o caso deles em algo para valer e que dure para sempre. Bem, não é preciso muitos minutos de projeção para descobrir qual o motivo do impedimento e para começar a choradeira. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

2012

NOTA 6,0

A Terra é destruída em
mais um filme sobre
catástrofes naturais, neste
caso com base em crendice
21 de dezembro de 2012. Esta foi uma data que nos últimos tempos assombrou muita gente. Bem, se você estiver lendo esta crítica após o dia 22, pode estourar o champanhe e comemorar: você sobreviveu à profecia apocalíptica maia. Séculos atrás este lendário povo deixou escrito o calendário de milhares de anos à frente, mas os escritos acabam justamente na data mencionada. Desde então astrólogos, religiosos, sensitivos, cientistas, geólogos, autoridades e pessoas de muitas outras áreas passaram a estudar o que isso poderia significar e muitos concluíram que esse seria o dia da extinção da humanidade através de eventos que alterariam drasticamente clima, relevo, direção dos ventos, força das águas entre outras coisas relacionadas à fúria da natureza. Baseando-se nesta impactante crença, muitos produtores trataram de explorar o tema, mas a grande produção batizada óbvia e simplesmente de 2012 foi criada pelo diretor Roland Emmerich. Ninguém melhor que ele que já convocou extraterrestres para acabar com os EUA (Independence Day), trouxe um mega lagarto de terras orientais para arrasar territórios ocidentais (Godzilla) e que mostrou a revolta da natureza contra os maus-tratos que recebe dos humanos (O Dia Depois de Amanhã) para se encarregar de dar o ultimato à população da terra. A trama roteirizada por Harald Kloser em parceria com Emmerich começa em 2009 quando o cientista indiano Satnam Tsurutani (Jimi Mistry) descobre que em poucos anos algumas alterações nas explosões solares esquentariam o núcleo do planeta, assim provocando diversas catástrofes naturais. O governo dos EUA fica sabendo disso através do geólogo Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor) e logo passa a estudar medidas para evitar o pior. Porém, o profissional erra nas contas e as catástrofes anunciadas começarão antes do previsto. Já em 2012, o divorciado e fracassado escritor Jackson Curtis (John Cusack) está em meio a uma viagem com os filhos para tentar reconquistar o afeto deles. Quando vai acampar, ele recorda de momentos que viveu com Kate (Amanda Peet), mas divide seu tempo ouvindo as teorias paranoicas de Charlie Frost (Woody Harrelson), um sujeito que acredita piamente nas lendas sobre o fim do mundo. Curtis não dá bola para tais ideias, porém, não demora a mudar sua opinião.

domingo, 18 de dezembro de 2016

LINHAS CRUZADAS

Nota 4,0 Velho argumento da reunião familiar em momento difícil neste caso não dá linha

Uma atriz balzaquiana sinônimo de comédias leves. Uma veterana premiada e com boa aceitação junto ao público feminino aqui também atacando como diretora. Uma jovem em ascensão em um seriado de TV e buscando seu espaço no cinema. No comando do texto uma roteirista experiente com temáticas que aliam comédia, drama e romance. De quebra, um conflito familiar de fácil identificação e uma pequena dose de clima natalino no ar. Linhas Cruzadas tinha os ingredientes básicos para cair nas graças da mulherada, no entanto, a receita desandou. Aqui o humor existe, mas é diluído em diversas sequências lacrimejantes. Frustrações, alegrias e sonhos desperdiçados são colocados em pauta quando três irmãs forçosamente se reencontram por conta da iminente morte do pai. Baseado no livro "Hanging Up" escrito por Delia Ephron narrando suas próprias memórias familiares, a trama tem como protagonista Eve (Meg Ryan), uma mulher que desdobra-se para dar conta do seu trabalho e de cuidar da casa, do marido e do filho pequeno, no entanto, nos últimos anos tem praticamente abdicado de seus afazeres para cuidar pai idoso. Lou Mozell (Walther Matthau) está com a saúde bastante debilitada e com problemas de memória e precisou ser internado em uma clínica, assim sempre que o telefone toca sua filha já aguarda por más notícias, mas quando não é seu próprio pai ligando para dizer impropérios são suas irmãs que estão na linha. Na verdade quase sempre é Eve quem tenta manter contato com elas que fazem de tudo para se esquivarem de qualquer tipo de compromisso com o idoso. A caçula Maddy (Lisa Kudrow) é uma atriz frustrada e que também não tem sorte na vida amorosa enquanto Georgia (Diane Keaton), a mais velha, é uma solteirona, porém, bem sucedida editora de revistas que só pensa no trabalho. Embora não morem juntas, ambas são de certa forma dependentes de Eve que aproveitando a situação delicada do pai vai tentar reatar os laços familiares e desfazer mal entendidos do passado.

sábado, 17 de dezembro de 2016

O BARBEIRO

Nota 1,0 Apesar do bom argumento, longa é uma tremenda enrolação para explicar o óbvio

Em um filme cujo enfoque é a investigação de assassinatos o mínimo que se espera é uma trama bem amarrada que nos instigue a brincar de detetive, mesmo que no final das contas a identidade do criminoso seja a mais óbvia. De qualquer maneira, se o tempo dedicado a essa brincadeira for de qualidade isso compensa um pouco a frustração da conclusão. E qual seria o atrativo de uma produção do tipo cujo vilão já sabemos de antemão sem precisar assistir uma única cena? A fita O Barbeiro só pelo título já entrega o ouro, mas poderia ao menos reservar uma trama que tentasse jogar a culpa em cima de outros suspeitos ou quem sabe fazer aquele jogo em que a plateia sabe de tudo, mas os demais personagens não, assim criando aquela angústia de nos sentirmos impotentes diante de uma situação tão óbvia enquanto o verdadeiro assassino se diverte. O diretor Micheal Bafaro é preguiçoso e desde a primeira aparição do personagem Dexter Miles (Malcolm McDowell) deixa claro que ele não é flor que se cheire. Muitas de suas aparições ilustram narrações em off, na verdade seus pensamentos maquiavélicos, críticos e sarcásticos. O efeito inicialmente parece mesmo corresponder as expectativas de que o público está sendo convidado a ser cúmplice de suas ações, mas a partir do momento que frases comprometedoras começam a sair de sua boca em alto e bom som para quem quiser ouvir o interesse na fita cai totalmente. O criminoso está praticamente se entregando e quem ouve faz cara de paisagem. A trama escrita pelo próprio diretor em parceria com Warren Low se passa em Revelstoke, uma pequena e pacata cidade no Alasca que é tão insignificante que nem aparece na maioria dos mapas dos EUA. Sofrendo com invernos rigorosos e com dias em completa escuridão tal qual a noite, as pessoas que visitam o local chegam a compará-lo a uma prisão perpétua, mas os pouquíssimos moradores já se acostumaram com a ambientação tranquila, porém, a morosidade é quebrada quando é achado o corpo de Lucy Waters. Assim que a notícia chega ao único salão de barbearia da cidade o mistério para o espectador já acaba. Em pensamento, Dexter entrega que jamais esperava que achassem os restos da mulher tão rapidamente. Depois de tal revelação o que esperar?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A COLINA ESCARLATE

NOTA 9,0

Inspirado na cultura gótica e com
estética de filme antigo, obra é um
espetáculo visual, mas narrativamente
mostra-se limitada e até previsível
O cineasta Guillermo del Toro é um visionário, não há dúvidas. Como ele poucos conseguem equilibrar conteúdo narrativo com estética que ultrapassa os limites da imaginação. Transitando entre o cinema independente, como no suspense A Espinha do Diabo, e os blockbusters americanos, como na aventura Círculo de Fogo, o mexicano consegui um perfeito híbrido de estilos com sua obra-prima O Labirinto do Fauno, mescla de drama, fantasia e terror na qual os atributos técnicos não apenas saltam aos olhos, mas reforçam suas importâncias para contar uma boa história. Seguindo a mesma linha de raciocínio, A Colina Escarlate é um leve sopro de criatividade e bom gosto em meio ao combalido, e por vezes grosseiro, gênero do terror. Projeto acalentado por mais de uma década, o longa é calcado no estilo gótico e uma declaração de amor ao estúdio Hammer, berço das produções de horror entre as décadas de 1950 e 1970. Não por acaso o cenário principal é um suntuoso casarão envolto em aura de mistério e melancolia, algo ressaltado pela fotografia propositalmente envelhecida. A opção além de colaborar para o clima de tensão constante, também destaca os elementos em vermelho carregados de mensagens subliminares. À primeira vista a trama é bem simplória evocando o tema-clichê da casa mal-assombrada, porém, como a protagonista Edith Cushing (Mia Wasikowska) deixa claro em sua narração, esta não é uma história sobre fantasmas e sim uma trama com a presença de seres do além, uma sutil diferença na forma de se expressar, mas que faz toda a diferença narrativamente. Ela é uma jovem aristocrata americana aspirante a escritora devota ao pai, o Sr. Carter (Jim Beaver), e que se apaixona pelo misterioso Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), um lorde que apesar da banca de ricaço na verdade está praticamente falido e busca alguém para financiar um projeto envolvendo a extração de uma argila vermelha encontrada sob o solo de sua residência na Inglaterra. Não demora muito e o rapaz desposa a garota e a leva para viver em sua decadente mansão localizada na tal colina que dá nome à fita, porém, o casal terá que dividir sua privacidade com Lucille (Jessica Chastain), a irmã mais velha dele, uma mulher com personalidade tão fria quanto a casa em que vive. Ela simplesmente ignora todas as iniciativas da cunhada para serem amigas e de certa forma parece exercer algum poder controlador sobre Thomas, o que leva Edith a acreditar que os irmãos possuem algum segredo em comum.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

AMERICAN PIE - A PRIMEIRA VEZ É INESQUECÍVEL

NOTA 8,0

Com argumento simples e piadas
inteligentes aliadas à escatologia leve,
comédia é um registro dos teens pré-virada
do milênio revelando seus anseios e dúvidas
No início da década de 1980 a comédia Porky's causou frisson por ser uma fita voltada ao público adolescente e que com muito humor e descaradamente falava sobre sexo, mais especificamente sobre a descoberta dele por um grupo de jovens. Expectativas e frustrações em meio a muita confusão marcaram toda uma geração, tanto que gerou mais duas continuações e influenciou várias outras comédias teens como O Último Americano Virgem e A Primeira Transa de Jonathan. De sacanagem literalmente, em menor ou maior intensidade, é que tais fitas se sustentavam. Para alguns puritanos certamente era o apocalipse ver em cena jovens discutindo sem pudor sobre a necessidade de perder a virgindade e a colocando em jogo como um prêmio de aposta. Com o tempo a temática caiu em desuso, mas eis que as vésperas do novo milênio ela ressurgiu com American Pie - A Primeira Vez é Inesquecível, virando uma febre imediata entre os adolescentes, afinal entre dúvidas quanto a profissão a escolher, arranjar um emprego ou convencer os pais a lhe dar um carro, sem dúvidas a questão de até quando permanecer intacto é o que mais os perturba. É esse o grande dilema vivido por Jim (Jason Biggs) que está naquela fase em que só pensa naquilo. Ele tenta aliviar seu problema com constantes sessões de masturbação, mas vive metendo os pés pelas mãos. Melhor dizendo, no caso ele mete o pênis em meias, travesseiros e até dentro de uma suculenta e macia torta de maçã, daí a justificativa do título, e quase sempre é flagrado por alguém. O mesmo dilema vem tirando o sono de seus amigos Oz (Chris Klein), Kevin (Thomas Ian Nicholas) e Finch (Eddie Kaye Thomas). Prestes a se formarem no segundo grau (para nós o ensino médio) eles estão pouco se lixando para as provas finais e firmam um pacto de que todos vão perder a virgindade, ou alcançar o Santo Graal como gostam de dizer para dar um sentido mais nobre a missão, até a noite do baile de formatura. Detalhe, tem que transar com o consentimento das garotas, não podem ser prostitutas.

domingo, 27 de novembro de 2016

AS LOUCURAS DO REI GEORGE

Nota 9,0 Cinebiografia ganha vigor com atuação que desmistifica figura histórica aborrecida

É impressionante investigar a História do cinema e ver a quantidade enorme de filmes que foram super elogiados e premiados, mas que a ação do tempo em conjunto com a modernidade acabaram empurrando-os para o limbo. São inúmeros títulos que se perderam na transição das fitas VHS para o DVD e hoje, com os serviços de streaming alimentando a ânsia do público por novidades, infelizmente se tornam cada vez mais ínfimas as chances de grandes produções voltarem ao mercado. Uma pena para os verdadeiros cinéfilos que prezam por conteúdo e qualidade e são privados de ver ou rever obras como As Loucuras do Rei George, uma luxuosa e cuidadosa produção que deixou sua passagem registrada pelos principais festivais e premiações em meados da década de 1990, chegando obviamente ao Oscar conquistando duas estatuetas. A trama escrita por Alan Bennett se baseia em fatos verídicos ocorridos em um período conturbado da vida do monarca da Grã-Bretanha George III (Nigel Hawthorne) no final do século 18. Ele era um homem que mantinha um bom relacionamento com seus súditos e levava uma vida pessoal irretocável, sendo muito feliz no casamento com Charlotte (Helen Mirren). O casal teve nada mais nada menos que quinze herdeiros, entre eles o Príncipe de Gales (Rupert Everett), o primeiro representante na linha de sucessão ao trono e aquele que viria a trair seu próprio pai em nome do poder, um mal que parecia fazer parte do histórico do clã visto que traições semelhantes já haviam ocorrido em outras gerações, nada muito diferente do que ocorria entre tantas outras famílias nobres da época. Seu filho mais velho defendia que o comportamento da família real deveria ser um exemplo à população, apesar de ele próprio levar uma vida desgarrada e cheia de pecados. O grande ponto de conflito é que o rapaz criticava abertamente o comportamento do pai conhecido por suas excentricidades. Conforme o tempo passa essas atitudes diferentes do monarca começam a gerar inquietações, constrangimentos e a levantar suspeitas de que o rei de fato enlouqueceu e eis o momento em que a disputa pela sucessão do trono se acirra.  Uma facção da nobreza se empenhou para tentar minimizar os efeitos da senilidade do rei e diante da incapacidade de seu médico pessoal em identificar as causas para seu problema recorrem ao apoio do doutor Francis Willis (Ian Jolm), um psiquiatra adepto de métodos poucos convencionais.

sábado, 26 de novembro de 2016

O CLÃ DOS VAMPIROS

Nota 2,0 Lento e sem emoção, suspense baseado em fatos reais desperdiça intrigante material

Praticamente todos os dias os veículos de comunicação têm ao menos um crime bárbaro em pauta. Psicopatas, pedófilos, adolescentes infratores, crianças problemáticas e até complôs em família, não importa o grau de crueldade e a quantidade de sangue envolvida, tais situações infelizmente se tornaram tão rotineiras que não chocam mais, porém, incitam sentimentos de comoção e indignação. O mundo cão inevitavelmente atrai a atenção de curiosos e não é uma exclusividade da mídia brasileira. Programas de TV, sites e publicações sensacionalistas não param de se multiplicar mundo a fora. Nos EUA, por exemplo, o cinema bebe muito na fonte das editorias policiais e mesmo quando os casos não possuem muitos desdobramentos tem sempre algum produtor disposto a tirar leite de pedra e os telefilmes tornaram-se uma forma rápida e barata para realização de trabalhos do tipo. Todavia, a maioria fica a dever em criatividade, capricho e podem até ser taxados como medíocres como é o caso de O Clã dos Vampiros que poderia ser um grande suspense, mas o resultado entregue pelo diretor John Webb é entediante, carente em emoção do início ao fim apesar de ser baseado em fatos reais que abalaram a sociedade norte-americana em novembro de 1996 na cidade de Eustis, na Flórida. Trabalho de estreia do roteirista Aaron Pope, este telefilme aborda o derradeiro episódio envolvendo o grupo que dá título à obra, jovens de classe média que se autodenominavam criaturas das trevas e acima do bem e do mal. O filme começa de maneira bastante clichê. Jeni Wendorf (Stacy Houge) está com o namorado dentro de um carro tarde da noite e em uma região desértica, tudo conspirando a favor para o incauto casal ser atacado por algum vampiro.... Errado! Invertendo expectativas, eles se despedem, o rapaz vai embora numa boa e a jovem consegue chegar tranquilamente em casa. Pelo horário ela não estranha o silêncio do local e o telefone que não funciona por estar com o fio cortado julga ser consequência de mais uma discussão entre Heather (Kelley Krugger), sua irmã caçula, com seus pais. Antes as coisas fossem assim. Os pais das garotas foram brutalmente assassinados em cômodos distintos da casa e ao que tudo indica a filha mais nova teve participação no crime que deveria se resumir a apenas um roubo de carro.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

ANTICRISTO

NOTA 8,5

Por conta de uma tragédia casal
se isola em busca de equilíbrio, mas
retiro na natureza acaba levando-os
a caminhos tortuosos e de loucura
Conhecido por seu jeito polêmico de ser e suas obras de temas difíceis, excêntricos e reflexíveis, o cineasta Lars von Trier com seu Anticristo foi além da proposta de chocar o público. Mais do que um verdadeiro soco no estômago, com este trabalho o dinamarquês estava mais preocupado em extravasar seus próprios demônios. Há dois anos ele sofria de uma profunda depressão que o impedia de trabalhar e este longa não seria apenas um teste quanto sua capacidade voltar a dirigir e escrever, mas também uma espécie de exercício terapêutico no qual poderia reavaliar antigas ideias e pesadelos que o atormentavam há décadas. Só para se ter uma ideia da vida nada convencional do diretor tome-se como exemplo o fato de ter como um de seus livros prediletos desde a adolescência “O Anticristo”, manifesto contra o cristianismo defendido pelo filósofo Friedrich Nietzsche. Apesar da coincidência de títulos, Trier não fez uma adaptação da obra literária. A partir de uma trama original, ele faz seu próprio estudo sobre como o ser humano pode se comportar quando sob pressão do sentimento de culpa. Natureza, religião, sexualidade e tolerância são abordados pelo roteiro dividido em três capítulos, mais um prólogo e um epílogo. Apenas um casal conduz toda a narrativa, ambos sem nomes cumprindo a função de representar visões distintas que homem e mulher podem ter sobre um mesmo fato. Defendidos com total desprendimento dos atores Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg em atuações que ao mesmo tempo comovem e revoltam, seus personagens, ele terapeuta e ela uma escritora, simbolizam respectivamente a razão versus a loucura emocional, um dos vários antagonismos trabalhados pelo enredo. A introdução já deixa claro que um filme atípico está prestes a começar. Com cenas em preto-e-branco ao som de música erudita, o diretor apresenta explicitamente um ato sexual, mas com uma beleza visual ímpar que contrasta com a perturbadora ação que acontece paralelamente. Enquanto os protagonistas transam durante o banho, com direito a generosos closes de penetração, o pequeno filho deles, com carinha de anjo e na companhia de um ursinho de pelúcia, consegue sair do berço e seguir em direção à janela do quarto que estava aberta, assim caindo do alto do apartamento onde até então aparentemente vivia uma família feliz. Em menos de cinco minutos Von Trier consegue apunhalar o espectador severamente, mas isso é só um amargo aperitivo.

domingo, 13 de novembro de 2016

AGNES BROWNE - O DESPERTAR DE UMA VIDA

Nota 7,5 Anjelica Huston dirige e protagoniza drama com apelo universal, mas esquecido

Ela tem um tipo exótico que lhe permite interpretar os mais diversos papéis. Mulheres fortes, sofridas, esnobes, excêntricas, comuns ou vilãs. Não importa. Anjelica Huston sempre dá conta do recado, pena que selecione tanto seus trabalhos, o que priva o público de desfrutar de seu talento por longos hiatos de tempos. Conhecida por atuações em A Família Addams e Convenção das Bruxas, clássicos das sessões da tarde, e detentora de um Oscar por A Honra do Poderoso Prizzi, pouca gente sabe que a atriz também já se arriscou a trabalhar atrás das câmeras. Experiência para tanto ela tem sobra. Além de observar os trabalhos de diretores quando está atuando, dentro da própria casa ela já tinha uma verdadeira escola. Filha do cultuado cineasta John Huston, a intimidade com a direção foi passada de pai para filha. Em Agnes Browne – O Despertar de Uma Vida ela se divide entre viver a personagem-título e dirigir este drama que fala sobre dar a volta por cima, família, desafios e valorização da amizade. Em 1967, na Irlanda, Agnes Browne está passando por uma situação complicada. Após perder o marido, ela precisa dar conta de sustentar seus sete filhos e pagar suas contas, assim é obrigada a pedir um empréstimo a um agiota inescrupuloso, o Sr. Billy (Ray Winstone). Para recomeçar a vida, passa a vender legumes e frutas no mercado local, onde faz amizade com Marion Monks (Marion O'Dwye), uma mulher diferente de todas as outras que havia conhecido até então. Mesmo lutando contra um câncer, ela é otimista e encoraja a nova amiga a não desistir de lutar pelo que quer. Agnes estaria disposta a esquecer definitivamente os homens, mas o tempo passa e reserva uma surpresa para ela. A novata feirante percebe que o francês Pierre (Arno Chevrier), o padeiro que se instala próximo a sua barraca, está tentando se aproximar com interesse amoroso. Assim, ela tem uma segunda chance de ser feliz e reavalia sua vida, sempre sofrida e nunca totalmente feliz em seu primeiro casamento. Tudo conspira a favor da felicidade da protagonista e certamente já vimos este mesmo conto em muitos outros filmes, mas o que importa não é o final e sim como os fatos são narrados. A delicadeza e emoção de Anjelica fazem toda a diferença para a condução deste drama. E neste caso em dose dupla.

sábado, 12 de novembro de 2016

ADORÁVEL MOLLY

Nota 2,0 Lento e mal estruturado, suspense só tem como atrativo um trágico fato de bastidor

Em 1999 um suspense independente e completamente diferente do estilo das produções convencionais tomou de assalto milhares de salas de cinema no mundo todo amparado por uma inteligente estratégia de marketing que usava o ainda pouco conhecido mundo da internet. A Bruxa de Blair impactou com a publicidade de ser uma edição de imagens de fitas caseiras a respeito de um suposto caso real de desaparecimento de três jovens em uma floresta assolada pela lenda de uma feiticeira. Com este trabalho o diretor Eduardo Sánchez não só abriu as portas para uma nova ferramenta de divulgação para o cinema, como também deu o pontapé inicial para o uso de uma técnica que viria a se popularizar anos depois, o “found footage”. Explorado ao máximo pela franquia Atividade Paranormal e tantas outras fitas de horror, o recurso da compilação de filmagens amadoras acabou perdendo fôlego e não impacta como antes, o que certamente deve ter colaborado para Adorável Molly ter passado em brancas nuvens. A trama acompanha um casal recém-casado às voltas com problemas financeiros e que estão vivendo na mesma casa onde a garota foi criada e abandonada desde a morte de seu pai. Ainda se recuperando do vício em heroína, Molly (Gretchen Lodge) não gosta muito da ideia, pois além de enorme para duas pessoas, o local lhe traz lembranças ruins de sua infância. É óbvio! Tim (Johnny Lewis) é caminhoneiro e passa muito tempo fora de casa, assim tudo parece cooperar para agravar os problemas emocionais e psicológicos que sua esposa começa a apresentar. Gradativamente ela passa a ouvir estranhos ruídos e se convence de que algo traumatizante de seu passado está de volta para atormentá-la. Enquanto Hannah (Alexandra Holden), a irmã da jovem, se preocupa com a possibilidade de ela ter tido uma recaída com as drogas,  Molly se afunda cada vez mais em sua paranoia não sabendo mais distinguir o que é realidade ou fantasia, uma dúvida que a leva a cometer atos insanos, inclusive torturando o próprio marido com ataques que misturam tesão e violência. E como sempre portas que abrem e fecham sem mais nem menos e objetos que se movem sozinhos são flagrados em filmagens caseiras que levantam as suspeitas de que a protagonista estaria possuída por uma entidade demoníaca. Bem, para o espectador isso parece bem claro, mas a irmã e o marido da moça parecem totalmente alheios ao problema.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A CASA DAS ALMAS PERDIDAS

NOTA 6,0

Baseado em um atordoante caso de
manifestações demoníacas, longa peca ao
condensar sem aprofundamentos mais de
uma década de sofrimento de uma família 
Horror em Amitivylle, Invocação do Mal, Anabelle.... Todos estes filmes têm em comum o fato de serem originados das experiências profissionais vividas pelo casal Lorraine e Ed Warren. Não ligou os nomes às pessoas? De fato, eles são mais conhecidos nos EUA e entre os fãs de terror, mas por décadas se dedicaram fielmente ao estudo de fenômenos sobrenaturais e mesmo com a morte do companheiro em 2006 a corajosa senhora levou adiante seus trabalhos, inclusive cuidando da manutenção de um museu em sua própria casa. Nele estão arquivados objetos levados como souvenires dos locais onde realizaram sessões de exorcismos, uma maneira de tentar impedir que aqueles que imploraram ajuda à dupla ou por ventura outros azarados viessem a sofrer com novas armadilhas do além ligadas a tais peças. Apesar do repentino sucesso dos Warren nos anos 2000 graças ao cinema, um antigo telefilme baseado em um de seus causos já tirara o sono de muita gente em madrugadas insones e deve ter rodado muitas casas nos tempos das videolocadoras. A Casa das Almas Perdidas tem como protagonista a família Smurl que em 1975 se muda para uma grande e bonita casa em uma nova cidade onde são recebidos com muitas boas-vindas e quitutes pelos vizinhos, tudo ao melhor estilo da beleza americana. Nos primeiros meses, nada de mais aconteceu na residência, porém, não demorou muito para que estranhos fenômenos passassem a perturbar seus habitantes, tanto de dia quanto a noite. A mais afetada é a matriarca, Janet (Sally Kirkland) que passa a ouvir vozes lhe chamando, barulhos estranhos, problemas com eletrodomésticos que parecem ter vida própria e chega a ver vultos negros perambulando pelos cômodos. Jack (Jeffrey DeMunn), seu marido, inicialmente acredita que a esposa esteja tendo delírios, mas muda de ideia assim que presencia sua esposa sendo assediada por um espírito libidinoso. Ele próprio também é praticamente estuprado por uma dessas almas (uma cena grotesca, mas que na época deve ter embalado pesadelos). Do jeito que o diabo gosta, aparentemente o jogo destes fantasmas seria destruir a família usando a discórdia como ferramenta, por exemplo, colocando Janet contra a sogra Mary (Louise Latham) que diz com convicção que por várias vezes ouviu a nora falando palavrões e obscenidades, um ultraje para uma família que tanto prezava a religiosidade.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

ROUBO NAS ALTURAS

NOTA 7,0

Explorando a temática de
golpes, mas praticados por gente
do bem em busca de justiça, comédia
ganha simpatia por conta de elenco
Podem reclamar quanto a qualidade, mas é inegável que Eddie Murphy marcou época com filmes que mesclam humor e adrenalina em doses generosas como Um Tira da Pesada. Talvez buscando resgatar o espírito nonsense de produções do tipo é que o diretor Brett Rainer investiu seus esforços na realização de Roubo nas Alturas, fita razoavelmente divertida, bem-feita, mas que não resgata o prestígio do citado ator, embora ele roube a cena toda vez que apareça com seu jeito malandro característico. Todavia, o cabeça do elenco, ou no caso da quadrilha, é Ben Stiller. Ele não deixou de fazer o tipo bom moço de sempre, mas as circunstâncias levaram seu personagem Josh Kovacs a enveredar pelo mundo do crime. Ele é o administrador do Tower Heist, um luxuoso edifício incrustado em Nova York, local frequentado por pessoas endinheiradas, exigentes e que prezam por sigilo, assim ele trabalha exaustivamente e impõe regras quase militares para seus subordinados e para si próprio. Contudo, tanta dedicação é em vão. O equilíbrio do local é quebrado quando surge a notícia da caça do FBI ao investidor Arthur Shaw (Alan Alda), um dos inquilinos e um vigarista de mão cheia. Suas dezenas de negócios entram em colapso, autoridades o acusam de fraude e da noite para o dia sua fortuna some. Poderia ser apenas um problema pessoal do empresário, mas o gerente acaba sendo surpreendido com o roubo de seu fundo de pensão que havia confiado ao executivo para aplicações no mercado financeiro. O mesmo aconteceu com alguns colegas de trabalho de Kovacs que então se unem para aplicar um golpe no magnata que está sob regime de prisão domiciliar, mas desfrutando dos luxos de sua cobertura cinco estrelas. Não bastasse a revolta por conta do golpe, o gerente ainda quer vingança por causa do suicídio de um de seus amigos que entrou em desespero ao saber que perdeu suas economias. Que dramático! Mas calma, lembre-se que é Stiller quem chefia o bando, assim os risos estão garantidos. Não basta ter a intenção de roubar, é preciso ter talento para a coisa, tudo que falta à Kovacs que se junta aos também fracassados, porém, todos de bom coração, Sr. Fitzhugh (Matthew Broderick), ex-morador do arranha-céu e acionista falido, Enrique Dev’Reaux (Michael Peña), um ascensorista não muito inteligente, Charlie Gibbs (Casey Affleck), seu cunhado e antigo recepcionista, e Odessa (Gabourey Sidibe), uma camareira literalmente de peso e a única com certa habilidade para golpes devido a seu traquejo para abrir fechaduras.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A BRUXA

NOTA 8,5

Invertendo expectativas, obra foge
da previsibilidade e clichês para
narrar história de terror psicológico
em que fé e ignorância são os vilões
Basicamente histórias de horror são construídas tendo como base o bem contra o mal ou, seguindo tradições cristãs, resumem-se a batalha sem fim de Deus contra o Diabo. Dependendo das crenças de cada espectador uma mesma obra do tipo pode ter um amplo leque de interpretações, principalmente quando a violência gráfica não está no enfoque. Seguindo uma proposta razoavelmente incomum, a ideia do suspense A Bruxa tem como ponto de partida a dúvida sobre a existência daquilo que seus personagens acreditam. A introdução apresenta uma família, com todos os membros de costas para a câmera, ouvindo sua sentença em um tribunal que os acusa de heresia. O pai, a mãe e seus cinco filhos são expulsos da comunidade em que vivem. Estamos em meados do século 17 na Nova Inglaterra, época e local em que qualquer desvio do padrão religioso imposto é interpretado como uma grave ameaça para manter a sociedade no caminho considerado correto. Assim o título ganha duas conotações iniciais. O clã sentenciado poderia de fato adorar a figura concreta de uma feiticeira bem como encaixa-se uma metáfora a respeito da expressão caça às bruxas, como ficaram conhecidas as perseguições às pessoas que tinham comportamentos e ideais contraditórios ao que era imposto por regimes políticos e religiosos na Europa durante a Idade Média. No entanto, não fica claro qual o credo praticado pelos acusados e repudiado para tal sentença, mas é a partir do afastamento do tal núcleo familiar que eventos assustadores são desencadeados. Detalhe, não envolvendo a comunidade, mas sim os próprios membros da família que ironicamente partiram reafirmando que dificilmente existiriam outras pessoas tão apegadas a fé como eles. Os puritanos William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie) mudam-se para uma região inóspita e isolada do interior, próximo a uma floresta, e não tardam a sentir e presenciar sinais de que uma força estranha paira por lá. Os problemas começam quando, além do fracasso das colheitas das plantações que garantiriam o próprio sustento do clã e a rebeldia repentina doas animais que criam, a filha mais velha Thomasin (Anya Taylor-Joy) perde o irmão mais novo, um bebê de colo, de forma inexplicável. Foi só um segundo de distração e parece que alguma criatura maligna cruzou seu caminho. Logo os gêmeos Mercy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson) também vivenciam estranhas situações assim como Caleb (Harvey Scrimshaw), o filho do meio que se enche de coragem para ajudar os pais neste momento em que a fé de todos é colocada em xeque.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

SONHADORA

NOTA 7,0

Drama traz mensagens edificantes
através de história sobre superação
e união, temas clichês, mas o longa
se beneficia de protagonista mirim
Você já viu esse filme. E não apenas uma vez, mas algumas dezenas de vezes. No entanto, Sonhadora poderia ser apenas mais um título em meio a tantos outros idênticos abordando a superação através do esporte ou a reunião familiar em nome de um bem em comum, mas o fato é que seu diferencial tem nome e sobrenome: Dakota Fanning. Na época uma estrela infantil em ascensão, não há dúvidas de que a publicidade deste filme, ainda que bastante discreta, só foi possível por contar com a loirinha encabeçando o elenco. Ela dá vida a Cale Crane, uma garotinha muito devota a seu pai Ben (Kurt Russell) e que tenta ficar ao máximo de seu lado, porém, encontra barreiras por parte dele. Atualmente ele é um treinador de cavalos de corrida, mas um dia já foi um grande criador de equinos junto a seu pai, Pop (Kris Kristofferson). Por anos eles se dedicaram a manutenção de um respeitado haras, mas alguns problemas levaram o negócio a falência e ocasionou brigas que os forçaram a romper relações afetivas. Ben trabalha para o inescrupuloso Palmer (David Morse), administrador da tropa de equinos de um milionário príncipe árabe que reside na cidade de Lexington, no interior dos EUA. Contudo, certa vez que se recusa a cumprir uma ordem de seu chefe acaba sendo despedido de imediato. A tarefa era sacrificar um animal que caiu durante uma corrida e feriu gravemente uma das patas dianteiras. Sonhadora, também chamada de Sonya, era uma égua com um incrível potencial, mas agora só traria prejuízos e ninguém acreditava em sua recuperação. Quer dizer, Cale alimentava esperanças. Ela não entendia porque seu pai nunca a levou para conhecer seu local de trabalho, provavelmente porque não gostava do que fazia, mas justo no dia em que realizou a vontade da filha ela presenciou o acidente. Ben havia percebido que o animal não estava com a saúde em dia, mas Palmer exigiu sua participação em uma corrida e obviamente a culpou por alguns trocados que perdeu. A garota então convenceu seu pai a não matar Sonya, assim, como parte do acordo de demissão, o treinador leva a égua para sua casa, mas ciente de que teria que investir em sua recuperação e sua futura venda traria um lucro mínimo. No fundo a intenção era apenas realizar um capricho da filha, uma maneira de demonstrar que se importava com ela, mas economizando em palavras e sentimentalismo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

VOLCANO - A FÚRIA

NOTA 6,5

Para ser diferenciar de outros
filmes-catástrofe, longa abre mão
dos dramas paralelos e se resume a
efeitos especiais e doses de adrenalina
Imagine você acalentar um projeto durante meses, correr atrás de financiadores, escolher locações e elenco e quando tudo parece engatilhado vem uma bomba: um estúdio concorrente está para lançar um produto com temática semelhante. Já houveram várias histórias de coincidências do tipo, algumas inclusive bem suspeitas, e no mesmo ano em que O Inferno de Dante ferveu nos cinemas (ou ao menos almejou isso), uma outra produção trazia um vulcão como protagonista. Volcano – A Fúria é um legítimo representante do estilo catástrofe, vertente dos gêneros ação e suspense cuja diversão é sofrer com o calvário dos personagens por cerca de uma hora e meia e se sentir aliviado com a confirmação de um inerente final feliz para alguns deles, além de a maioria dar a deixa para uma possível continuação quem nem sempre sai do papel, mas que nos faz lembrar que apenas uma batalha foi vencida, outras virão. A trama escrita por Jerome Armstrong e Billy Ray se passa em Los Angeles, nos EUA, cuja rotina frenética e contínua é subitamente interrompida por conta de um forte terremoto logo pela manhã. Na sequência, vários outros incidentes acontecem ao longo do dia como a morte de alguns operários que trabalhavam em uma nova estação de metrô vítimas de profundas queimaduras. Mike Roark (Tommy Lee Jones), chefe da Defesa Civil, é acionado para encaminhar uma investigação dentro do túnel. Ele tem o poder de controlar todos os recursos públicos locais em caso de alguma catástrofe que neste caso se apresenta na forma da ameaça de uma incandescente lava. Isso mesmo! Em meio a cidade grande existe uma atividade vulcânica que interrompe as férias do oficial para decepção de Kelly (Gaby Hoffman), sua filha adolescente, a peça estrategicamente inserida no roteiro para forçar um draminha familiar e levar o espectador a sofrer com mais intensidade nos momentos em que eles são obrigados a vencer provas de fogo, literalmente. Enquanto isso, a Dra. Amy Barnes (Anne Heche), uma geóloga, traz a informação de que próximo a região existe um lago de alcatrão cuja temperatura aumentou consideravelmente, mas em um primeiro momento Roark não lhe dá ouvidos. Todavia, não demora muito e as suspeitas da moça se confirmam e de uma hora para a outra um vulcão rasga o concreto das ruas e bombeiros, policiais, médicos e até mesmo as pessoas comuns precisam se unir para evitar o avanço da lava que destrói absolutamente tudo por onde passa.

domingo, 6 de novembro de 2016

AS MULHERES DE ADAM

Nota 7,0 Centrado nos relacionamentos de um cafajeste, quem se destaca são suas parceiras

Pode um personagem cafajeste conquistar a simpatia do espectador? A julgar pela comédia romântica As Mulheres de Adam a resposta é sim, muito pelo modo sutil e descontraído que o diretor e roteirista Gerard Stembridge conduz uma história que tinha tudo para causar repúdio nos espectadores mais conservadores, contudo, mostra-se  habilidoso e ousado ao deixar seu enredo ser conduzido por um protagonista de caráter duvidoso, porém, abandonando falsos moralismos e deixando-o a vontade em cena. A trama começa como tantas outras comédias românticas. Lucy Owens (Kate Hudson) é garçonete e cantora em um pequeno bar na cidade de Dublin, na Irlanda, e apesar de muito namoradeira nunca se sentiu apaixonada e correspondida verdadeiramente. Certa noite ela se a apaixona a primeira vista por um de seus clientes, o misterioso e aparentemente perfeito Adam (Stuart Townsend), que como todo jovem que quer vender uma imagem de sucesso e independência ostenta um chamativo e valoroso carro. Após alguns encontros,  nem ela mesma sabe o porquê desse amor instantâneo afirmando que o rapaz não é muito inteligente e tampouco simpático, todavia o charme e lábia dele parecem ser suas armas de conquista, tanto que Laura (Frances O´Connor) e Alice (Charlotte Bradley), as irmãs de Lucy, também se apaixonam logo que o conhecem. Assim, o conquistador barato passa a se relacionar com essas três mulheres na surdina e até o caçula da família, David (Alan Maher), escapa por pouco de ser seduzido, ficando com a pulga atrás da orelha quanto a sua sexualidade ao se sentir atraído pelo futuro cunhado. É uma pena que Stembridge não desenvolva tal gancho e prefira se ater aos envolvimentos héteros do pegador que é um cara-de-pau de marca maior que mesmo após aceitar o pedido de noivado de Lucy não sossega, pelo contrário, seu instinto de caça só aumenta. Dessa atração fatal parece só escapar a mãe da noiva, Peggy (Rosaleen Linehan), que pode não ir para a cama com o jovem, mas não esconde seu apreço por ele e torcida pelo casamento. As aventuras sexuais do rapaz são contadas por pontos de vistas diferentes e não raramente contraditórios, abrindo espaço para o elenco feminino brilhar.

sábado, 5 de novembro de 2016

VEÍCULO 19

Nota 1,5 Mais uma vez atrelado a um carro, Paul Walker parece atuar em ponto morto

Curiosa, mas trágica. Assim se pode definir a relação do ator Paul Walker com os automóveis. Catapultado ao sucesso na lucrativa série Velozes e Furiosos na qual dirigia em alta velocidade e executava manobras radicais e perigosas sobre quatro rodas, quem imaginaria que com apenas 40 anos de idade sua trajetória seria interrompida de maneira brusca justamente em um acidente de carro que culminou em explosão. Pouco antes deste triste episódio o ator mais uma vez esteve à frente literalmente do volante do suspense Veículo 19, thriller genérico que ele próprio produziu e obviamente se encarregou de estrelar. Realizado a toque de caixa durante o intervalo de filmagens do quinto e do sexto episódio da citada franquia automobilística, somente a paixão por carros para justificar o interesse de Walker em protagonizar uma trama que não passa de um amontoado de clichês conduzidos de forma enfadonha e quase amadora pelo diretor e roteirista Mukunda Micheal Dewill que elegeu uma cidade de sua terra natal, a África do Sul, como cenário da ação. Sair dos manjados cenários da terra do tio San não foi por acaso, mas certamente uma exigência de produtores locais a quem o cineasta recorreu como última alternativa para conseguir financiamento para algo tão descartável. Walker interpreta Michael Woods, um rapaz americano que viola sua liberdade condicional para visitar sua namorada em terras africanas, mas imediatamente se mete em uma nova arapuca. Ao alugar um carro para sua viagem, jamais poderia imaginar que ganharia alguns brindes nada agradáveis. Além do modelo não ser o mesmo solicitado, ele começa a receber estranhas ligações por meio de um celular que estava dentro do veículo, além de encontrar documentos falsos e um revólver. Se não fosse o bastante, escondida e amordaçada no porta-malas está Rachel Shabangu (Naima McLean), testemunha-chave em um caso de corrupção policial e que está sendo perseguida pelos fardados, assim o rapaz por tabela também acaba na mira dos corruptos. Por estar ilegalmente em outro país ele não pode recorrer às autoridades locais e acaba sendo forçado a ajudar a tal mulher. Em meio a perseguições e ameaças ele ainda tem que se preocupar em arranjar desculpas para a namorada que liga de cinco em cinco minutos desconfiada de sua demora para encontrá-la.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

QUANDO AS LUZES SE APAGAM

NOTA 6,0

Esquivando-se de erros técnicos
comuns às fitas que exploram o medo
do escuro, longa falha ao revelar
segredos cedo demais e pelo drama raso 
Já tivemos os tempos áureos das fitas de seriais killers, a época em que monstros clássicos da literatura tomaram de assalto a sétima arte, a onda das refilmagens de terror orientais e também o leve sopro de originalidade vindo das produções de horror e suspense assinadas por diretores e roteiristas espanhóis que mesmo quando são importados para Hollywood costumam deixar marcas próprias em suas obras. E não podemos deixar de mencionar também sobre a febre dos “found footage”, a edição de imagens de fitas amadoras supostamente reais, vertente que não tardou a enjoar tamanha repetição do recurso, mas logo os produtores já tinham uma nova brilhante ideia para tirar da cartola, ou melhor, neste caso da internet. Com a fácil e superexposição, muitos cineastas amadores ou profissionais em início de carreira fizeram da rede mundial de computadores sua vitrine, como Andrés Muschietti que conseguiu lançar o suspense Mama ao ser apadrinhado por Guillermo Del Toro que se encantou ao ver um de seus curtas-metragens. O estreante em longas David F. Sandberg teve a sorte de ter o Midas dos anos 2000 no gênero do horror para ajudar na publicidade de Quando as Luzes se Apagam, baseado em seu curta “Lights Out”. Bastaram apenas três, porém, curiosos e intensos minutos para James Wan, de Invocação do Mal, decidir bancar a extensão do projeto. O resultado é uma obra compacta e com méritos próprios para receber alguns elogios. A premissa é das mais interessantes. Um ser sobrenatural está literalmente tirando o sono de uma família dia e noite, basta alguém se arriscar a ficar no escuro. No entanto, um pequeno feixe de luz é o suficiente para que a ameaça desapareça, ainda que temporariamente. A trama então explora uma fobia bastante comum, porém, por um viés ligeiramente original. Martin (Gabriel Bateman) está constantemente tendo problemas na escola por não dormir, tanto pela dor de ter perdido seu pai recentemente quanto pelas preocupações com sua mãe, Sophie (Maria Bello), uma mulher que já a algum tempo apresenta sinais de demência. Ela demonstra que mantém contato amistoso com Diana (Alicia Vela-Bailey), a tal estranha criatura soturna que também aparece para o menino, porém, para atormentá-lo. O porto-seguro do garoto se torna Rebecca (Teresa Palmer), sua irmã mais velha que também revela que enquanto morava com a mãe sofria os mesmos temores quanto às visões, além do abalo com a ausência do pai que na época pediu o divórcio. Portanto, o ciclo de infortúnios se repete.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

TODO MUNDO HISPÂNICO

NOTA 4,0

Parodiando sucessos do cinema
espanhol, fita segue à risca fórmula
americana, incluindo seus defeitos,
mas até que pega leva com as piadas 
As paródias de grandes sucessos do cinema viraram febre nos EUA, tendo seu ápice com Todo Mundo em Pânico que tirava um sarro dos “slashers movies” que voltaram com tudo no final da década de 1990. A fita gerou diversas sequências, mas perdeu o fio da meada, embora ainda focando nos clichês e erros de filmes de terror e suspense. Apostando em um formato maluco para achincalhar sucessos do momento, mas sempre “homenageando” momentos marcantes de antigas produções, o liquidificador de referências inclui também piadas envolvendo escândalos e deslizes de políticos e celebridades, o que acaba deixando os filmes datados e perdendo a graça com o tempo. Alguém mais novinho hoje consegue entender logo de cara a zoeira com Tom Cruise no quarto filme da série? Ridículos, toscos, apelativos.... Já diz o ditado falem bem ou falem mal, mas falem de mim. Praticamente um subgênero no campo das comédias, esse tipo de paródia gerou inúmeros filhotes e não se pode negar que há um público cativo e elogiar a rapidez dos produtores para sacanearem sucessos quase que simultaneamente a seus lançamentos como, por exemplo, Espartalhões, que pegou carona no blockbuster 300, e Os Vampiros Que se Mordam, que bebeu no sangue da saga Crepúsculo. Vendo por esse lado, não deixa de ser curioso que até o cinema espanhol tenha se rendido à fórmula e se costumamos reclamar das traduções que os filmes ganham no Brasil, Todo Mundo Hispânico cai como uma luva. Vendendo bem seu peixe e ainda criando um vínculo explícito com sua maior fonte de inspiração, o longa de estreia do diretor Javier Ruiz Caldera não traz nada de novo em relação aos citados similares americanos a não ser o fato de ser o primeiro do tipo a deitar e rolar em cima de êxitos do cinema da Espanha que nos últimos anos tornou-se o berço do terror e suspense tendo vários profissionais importados para trabalharem em terras ianques, diga-se de passagem, trazendo um leve sopro de criatividade ao marasmo. No entanto, até os dramas latinos são zoados aqui, sobrando lembranças até ao estilo kitsch do cineasta Pedra Almodóvar. Ramira (Alexandra Jiménez) é a protagonista da película, uma bela e sensual morena cujo visual claramente é inspirado na personagem de Penélope Cruz em Volver. Por essas e outras, quem pouco conhece do cinema espanhol pode não compreender certas citações, mas em geral a diversão não fica comprometida afinal o grande barato é testar os limites da loucura que o tipo de produção permite, ainda que pegue leve com as piadas envolvendo erotismo.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

PENÉLOPE

NOTA 6,0

Brincando com chavões de
contos-de-fadas, comédia tinha
potencial de ir além aprofundando
críticas à mídia e ditadura da beleza
Os contos de fada sempre foram uma fonte de inspiração importante e das mais requisitadas pelo cinema desde seus primórdios e as paródias protagonizadas por princesas, bruxas, elfos e outros seres fantásticos formam praticamente um subgênero do campo da fantasia. Adaptada da obra da escritora Marilyn Kaye, a comédia romântica Penélope não é uma versão modernizada de uma história em específico, mas podemos perceber aqui e ali referências que estão enraizadas no imaginário popular. A talentosa Christina Ricci dá vida à moça do título, que assim como Aurora, a Bela Adormecida, logo que nasceu foi amaldiçoada, ou melhor, a maldição já estava em sua família, mas até então nunca manifestada. Filha do milionário e famoso casal Jessica (Catherine O’Hara) e Franklin Wilhern (Richard E. Grant), a garota sofreu por um deslize de um parente de muitas gerações anteriores. O assanhado Ralph (Nicholas Prideaux) viveu um romance com uma empregada de sua casa, mas acabou se casando com outra mulher de mesmo nível social por pressão da família. Grávida e desiludida a jovem acabou se suicidando e sua mãe quis se vingar. Revelando-se uma poderosa bruxa, ela lançou um feitiço: a primeira herdeira mulher do clã que nascesse seria castigada e teria que aprender a viver com um focinho de porco no lugar do nariz, trazendo vergonha aos que a cercam e que tanto davam valor a vaidade. No entanto, Ralph teve um filho homem, que por sua vez também teve um herdeiro do sexo masculino e assim por várias gerações a maldição não se manifestou até o nascimento da doce Penélope que passou sua infância e juventude trancada dentro de casa, como no conto de Rapunzel, muito mais pelo excesso de zelo de Jessica que não queria virar chacota da alta sociedade. O encanto só seria quebrado caso algum rapaz também de família nobre se apaixonasse pela garota, o que levou seus pais a uma busca desenfreada para arranjar um pretendente assim que ela completou 18 anos de idade. O problema é que não bastava marcar os encontros, mas também convencer os modernos príncipes que bastava um beijo de amor verdadeiro para o patinho virar cisne, ou melhor, a porquinha virar uma bela mulher. Todavia, assim que eles a viam, os rapazes fugiam histéricos. O mordomo Jack (Richard Leaf) até ganhou um par de tênis que em nada combinavam com seu uniforme para ajudá-lo a correr atrás dos noivos fugitivos.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

ELVIRA - A RAINHA DAS TREVAS


NOTA 8,0

Feito para dar sobrevida a
popular personagem da TV nos
EUA, longa virou uma pérola do
cinema trash e da década de 1980
No dia 31 de outubro comemoramos o Halloween, tradicional festa de origem europeia que criou raízes na cultura norte-americana e seus costumes acabaram sendo adotados para os festejos em outros países. No Brasil não foi criado um estilo próprio para celebrar a data, sendo mais comuns os bailes à fantasia e o rito da busca por doces ou travessuras perpetuados por ações escolares, mas por conta própria por aqui dificilmente alguém enfeita a casa com caveiras e abóboras, não faz parte da nossa cultura infelizmente. Para não dizer que nós brasileiros nunca tivemos uma tradição própria no Dia das Bruxas podemos considerar que por anos curtimos a data na ilustre companhia de Elvira – A Rainha das Trevas, um clássico do cinema trash e também dos bons tempos da “Sessão da Tarde”. Vivida por Cassandra Peterson, a protagonista foi criada pela própria atriz em 1981 já visando um perfil multifuncional. Paralelo ao trabalho em uma banda de rock, a personagem podia ser vista semanalmente apresentando uma sessão de filmes de terror na TV que logo chamou a atenção do público jovem. Sempre com comentários irônicos ou conflitantes a respeito das bobagens que era obrigada a exibir, a sinceridade somada a excentricidade e carisma transformaram Elvira em um sucesso que transcendeu os limites da televisão, assim sua imagem passou a ser requisitada para campanhas publicitárias, licenciamento de brinquedos e cosméticos entre outros contratos que lhe garantiram uma boa renda extra e sobrevida à personagem. Protagonizar seu próprio filme era só uma questão de tempo e para garantir que seu bizarro universo não sofresse modificações Peterson fez questão de cuidar do roteiro, mas ganhou auxílio de John Paragon e Sam Egan para construir um enredo em que as vivências da atriz e de sua criação se misturam homogeneamente. A trama é uma comédia com toques de horror que tem como ponto de partida a notícia de que Elvira ganhou uma inesperada herança de uma tia-avó cuja existência mal se lembrava tamanho seu apego com a família. Entediada com os rumos de seu programa (a vida imita a arte ou vice-versa?), esta seria sua chance de produzir um show como sempre sonhou e se apresentar em Las Vegas, mas para receber seus direitos precisa ir à Fallwell, uma pequena e provinciana cidade que entra em choque com a chegada de uma mulher liberal, desbocada e de visual provocante e ao mesmo tempo peculiar.

domingo, 30 de outubro de 2016

ABRACADABRA

Nota 8,5 Nostálgico para muitos, bruxas da Disney ainda garantem uma boa sessão da tarde

É curioso como bruxas, fantasmas, vampiros e companhia bela ao mesmo tempo em que amedrontam as crianças também conseguem fasciná-las, uma particularidade que a sétima arte aproveita a exaustão há décadas. A receita básica para fisgar a atenção do público infantil abordando temas sinistros é praticamente sempre a mesma: colocar um bando de crianças e adolescentes em apuros fugindo das garras de seres horripilantes. Para completar o prato basta cercar-se de crendices populares e adicionar generosas pitadas de humor leve e inocente, além de adorná-lo com uma generosa dose de final feliz. É essa receita que serviu e ainda serve de base para muitas produções infanto-juvenis, sendo uma das mais influentes do gênero. Abracadabra segue os ensinamentos a risca e não dispensa nenhum ingrediente. Essa produção é dos tempos em que a Disney emplacava candidatos a clássicos das sessões da tarde em velocidade ímpar e um dos filmes que melhor capta o espírito de alegria e medo que se misturam na noite de Halloween. Com roteiro de David Kirschner e Mick Garris, a trama gira em torno de Winnie (Bette Midler), Sarah (Sarah Jessica Parker) e Mary (Kathy Najimy), três irmãs feiticeiras que desejam se tornar mais jovens sugando a energia vital das crianças da cidade de Salem. Banidas da face da Terra há 300 anos quando tiveram seus planos descobertos, elas chegam ao século 20 após seus espíritos serem evocados no Dia das Bruxas pelo jovem Max (Omri Katz), uma lenda na qual ele não acreditava assim como sua irmã Dani (Thora Birch) e sua colega da escola Allisson (Vinessa Shaw) também duvidavam. Agora, as feiticeiras estão dispostas a fazer de tudo para garantir sua juventude e imortalidade aproveitando esta única noite de sobrevida. Para tanto elas terão que capturar o maior número possível de crianças para tirar suas vidas, mas elas precisarão enfrentar Max e as meninas que vão fazer de tudo para tentar levar as bruxas de volta ao mundo dos mortos.

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