Nota 4,0 Velho argumento da reunião familiar em momento difícil neste caso não dá linha

Inicialmente e pelo título temos
a ideia de uma comédia água-com-açúcar, até por conta do trio principal ter
muita experiência no gênero, mas aos poucos a trama vai ganhando contornos de
drama familiar e até a comemoração do Natal é citada reforçando o caráter
melodramático da obra. Roteirizado por Nora Ephron, irmã da autora do
livro-inspiração, é perceptível que a ideia era justamente apresentar conflitos
e situações manjadas para agradar a um público acostumado com os roteiros
repetitivos e com mensagens edificantes, principalmente as donas de casa,
mulheres maduras que se identificariam mais facilmente com uma trama
possivelmente mais próxima de suas realidades nessa etapa da vida. Não deve ser
mero acaso que Keaton acumulou a função de diretora. Como uma das ex-esposas do
ator e diretor Woody Allen, parece que ela adquiriu seu gosto por histórias que
falam sobre relações humanas e famílias conturbadas. Acostumada a personagens
com um quê de excentricidade e especializada em interpretar matriarcas falastronas
e intrometidas, aqui ela fica até bastante apagadinha. O perfil de Georgia, a
mulher que dedicou sua vida à carreira e não constituiu família, poderia ser
melhor explorado visto que no futuro poderia vir a ser vítima da solidão e
sofrer com o mesmo desprezo com que lida com seu pai. Em evidência na época com
o seriado "Friends", Kudrow tentava conquistar seu espaço também no
cinema, mas os papeis oferecidos em nada a beneficiavam. Aqui interpretando uma
atriz de novelas frustradas e que procura compensar suas tristezas em
relacionamentos amorosos também sem sucesso, a personagem praticamente sai como
uma ouvinte das discussões das irmãs e só abre a boca para resmungar que também
quer fazer parte das brigas afinal faz parte da família. Mais acostumada a
lidar com romances e comédias e açucaradas, Ryan no fim é quem leva o filme nas
costas, mas também não parece muito confortável. Simplesmente está a serviço do
pai e os problemas que enfrenta com sua própria família e trabalho são apenas
citados, jamais trabalhados pela trama. Linhas Cruzadas acaba
sendo uma mal costurada colcha de retalhos de tantos outros filmes e lembrado
apenas por ser o derradeiro trabalho do talentoso Walther Matthau. Triste
lembrança para uma carreira vitoriosa.
Drama - 95 min - 2000
Um comentário:
Trio faz o filme valer a pena. Mesmo que não seja acima da média.
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