sábado, 30 de setembro de 2017

DRÁCULA - MORTO MAS FELIZ

Nota 7,0 Comediante Leslie Nielsen apresenta sua versão cômica de lendário personagem

Qual o mais famoso e prolífico personagem do universo de terror? Sem dúvidas o lendário Conde Drácula encabeça a lista das principais criaturas nefastas que atrelaram seu nome a cultura pop, muito com a ajuda do cinema. Desde a época dos filmes mudos e em preto-e-branco, são centenas de histórias estreladas pelo príncipe das trevas, apresentando-se com seu ar de mistério e sedutor ou até mesmo em versões estilizadas, entre fitas de horror, suspense, dramas, romances e obviamente paródias. O saudoso comediante Leslie Nielsen tratou de apresentar sua versão esculachada do personagem em Drácula - Morto Mas Feliz, descaradamente uma brincadeira em cima do bombado longa baseado no livro de Bram Stoker e dirigido por Francis Ford Coppola lançado três anos antes, assim já antecipando uma tendência das décadas seguintes em trepudiar sucessos recentes. A história começa nos apresentando ao procurador Thomas Renfield (Peter MacNicol) que viaja à Transilvania para se encontrar com o sinistro cliente do título para um negócio imobiliário. O rapaz é hipnotizado e passa a obedecer as ordens do vampirão que mostra-se um homem sedutor, refinado, porém, um tantinho atrapalhado. Juntos eles vão para a Inglaterra que será o novo endereço do conde, mas ao final da viagem Renfield se vê confinado em uma clínica psiquiátrica. Aliás, o local é administrado pelo Dr. Seward (Harvey Korman), o vizinho inglês do Drácula que se encanta por uma das filhas do médico. A noite ele invade o quarto de Lucy (Lysette Anthony) para chupar seu sangue e saciar seus desejos. Ao ver duas estranhas marcas no pescoço da jovem e sua estranha palidez, seu pai decide chamar o Dr. Abraham Van Helsing (Mel Brooks), um especialista em doenças estranhas e também em caçar criaturas das trevas. Com cruzes e alhos, ele tenta proteger a garota de ser atacada novamente, mas Drácula é mais esperto e tem poderes que vão além da transformação em morcego. Contudo, ele não mata suas vontades com apenas uma mulher. O vampirão volta suas atenções para a outra filha do vizinho, Mina (Amy Yasbeck), mas não quer simplesmente saciar desejos momentâneos e sim torná-la sua noiva para toda a eternidade.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O ATAQUE

NOTA 6,5

Mais uma vez a Casa Branca
é atacada e salva por uma dupla
de heróis improvável em ação
divertida e que cheira nostalgia
Coincidência, espionagem industrial ou simplesmente falta de criatividade? Como explicar que de tempos em tempos surjam filmes com temáticas muito semelhantes? Vulcões em erupção ameaçando uma cidade (O Inferno de Dante e Volcano - A Fúria), meteoros prestes a por um fim na humanidade (Impacto Profundo e Armageddon), a exploração da vida dos insetos (Formiguinhaz e Vida de Inseto) e dos animais marinhos (Procurando Nemo e O Espanta Tubarões) e mágicos em destaque (O Ilusionista e O Grande Truque). Isso sem falar sobre a representação de mesmos conflitos da época da Segunda Guerra Mundial, ainda que seja um período de farto material e vários caminhos a serem explorados. Para engrossar a lista, também temos as produções visando a destruição de um dos lugares mais seguros (e também mais visados) de todo o mundo. Após ser invadida por terroristas norte-coreanos em Invasão à Casa Branca, a sede do governo dos EUA mal teve tempo de ser reconstruída e já virou palco de outro show pirotécnico em O Ataque. Orquestrando a destruição ninguém menos que o diretor alemão Roland Emmerich, conhecido pelo seu apreço aos filmes-catástrofes. E as vezes de fato suas produções são verdadeiros desastres, como 10.000 A.C., ou prometem demais como 2012. Ele já destruiu uma vez a Casa Branca em Independence Day (inclusive faz questão de frisar isso em uma rápida fala logo nos primeiros minutos), mas queria explorar mais as ruínas do local narrando o drama vivido pelo jovem John Cale (Channing Tatum), um ex-militar que trabalha na equipe de segurança do congressista Eli Raphelson (Richard Jenkins), mas que sonha em integrar ao serviço secreto e ser um dos responsáveis pela segurança de James Sawyer (Jamie Foxx), ninguém menos que o presidente americano. Ele tem uma entrevista na sede do governo para realizar seu sonho e aproveita para levar a filha Emily (Joey King) para conhecer o local. Todavia, o passeio é interrompido por uma invasão terrorista e agora realmente terá a chance de salvar a vida do político, mas também terá que se preocupar em salvar a garota que está na mira dos criminosos após ser descoberta enviando filmagens do ataque via celular para a internet.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O PESADELO

NOTA 0,5

Trazendo à tona a lenda do
bicho-papão, suspense além de
abusar de clichês peca em um ponto
principal: simplesmente não assusta
Para quem acompanha a carreira do cineasta Sam Raimi seu apreço pelo gênero de horror não é nenhuma novidade. Sua estreia em The Evil Dead - A Morte do Demônio já comprovava isso. De um trabalho amador iniciado na faculdade de cinema ao comando da milionária trilogia original do personagem Homem-Aranha, como diretor em geral não decepciona, porém, como produtor seu nome estampando a publicidade de um filme gera desconfianças. Era de se esperar que viria a concretizar seu sonho de ser proprietário de uma produtora especializada em fitas de terror e suspense, a Ghost House, mas também havia expectativa que seria mais criterioso na escolha dos projetos que investiria. Entre a estreia com o remake oriental de O Grito e o excelente 30 Dias de Noite no meio do caminho deu o aval para a realização de O Pesadelo que tinha tudo para dar certo, afinal de contas pretendia narrar a história do lendário bicho-papão, nos EUA mais conhecido como o monstro do armário. Quem na infância nunca passou ao menos uma noite em claro de olhos bem atentos ao menor ruído ou sombra? O problema é que para o jovem Tim Jensen (Barry Watson) a historinha para assustar e forçar criancinhas a se comportarem não morreu com a puberdade e o atormenta ainda na vida adulta. Ele jura que quando tinha oito anos viu seu pai sendo tragado para dentro do armário de seu quarto por uma estranha criatura na calada da noite, contudo, toda a sua família sustenta a hipótese que o patriarca simplesmente foi embora de casa deixando tudo e a todos para trás. Sua mãe nunca se recuperou do choque e após algum tempo internada em uma clínica acabou falecendo. Agora Jensen precisa tomar coragem e voltar à casa onde passou sua infância para tratar da venda do imóvel, mas principalmente tentar exorcizar de uma vez por todas os seus temores. Além da incerteza do que de fato aconteceu com seu pai, ele ainda sofre com pesadelos com a mãe, algo a ver com o sentimento de culpa de nos últimos anos a ter abandonado... Bem, poderia ser um gancho interessante a desenvolver, mas para o azar da atriz Lucy Lawless o roteiro resume sua participação a menos de dois minutos. Por outro lado, sorte dela que não ficou com a imagem atrelada a tamanha bobagem, assim como também de Charles Mesure que interpreta o pai na introdução.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS

NOTA 8,0

Embora se alongue e ainda assim
esconda alguns fatos sobre os bastidores
do clássico Mary Poppins, fita conquista
com força de seus protagonistas e nostalgia
Por pouco uma das histórias mais clássicas do cinema e dos estúdios Disney não teve um final feliz. Não seria nenhuma tragédia, não houve incêndio e tampouco mortes, mas por um triz o mundo poderia ficar sem um dos mais belos e singelos contos já levados às telas por conta de uma acirrada briga de bastidores. Walt nos Bastidores de Mary Poppins aborda a difícil produção do longa de uma das babás mais famosas de todos os tempos. Lançado em 1964, o longa conquistou cinco Oscars, entre eles o de Melhor Atriz para a inglesa Julie Andrews estreando no cinema no papel-título, uma mulher com poderes mágicos que transforma a amarga rotina de uma família com seu otimismo e alegria. Dizem que na infância as filhas de Walt Disney (Tom Hanks) se apaixonaram pelo livro publicado em 1934 pela escritora australiana Pamela L. Travers (Emma Thompson) e ele fez uma promessa aparentemente bastante simples para quem criara um verdadeiro império da cultura e do entretenimento: transformar as páginas de papel em belas imagens em celulóide. Contudo, não bastava seu dinheiro, fama e poder. Mais do que tudo era preciso vencer a empáfia da criadora que não via com bons olhos o tipo de trabalho do mestre das animações. Durante mais de duas décadas ela resistiu as investidas do magnata, mas quando se viu em apuros financeiros, devido a crise literária que enfrentava a concorrência da televisão e do próprio cinema como meios de entretenimento, aceitou negociar os direitos de sua obra com a condição que pudesse acompanhar de perto o trabalho da equipe por trás das câmeras. Saindo a contra-gosto de sua pacata rotina em Londres para o agitado cenário de Los Angeles, mais especificamente em Hollywood, na realidade ela queria forçar a desistência do projeto uma vez que inseriu no contrato a cláusula de que poderia vetá-lo caso não aprovasse certas liberdades de criação.  A relação de Travers com seu livro não é meramente profissional ou intelectual, mas acima de tudo íntima e nostálgica, o que justifica seu comportamento irascível descaradamente fazendo inúmeras exigências para tentar desanimar a todos. Entrando na pré-estreia de braços dados com Mickey Mouse, o longa tenta fazer média e mostrar a escritora até se divertindo em alguns momentos, mas na realidade odiou o filme e nunca mais cedeu os direitos de suas obras para adaptações.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

PARANOIA AMERICANA

NOTA 6,5

Incentivado pelo ócio e pela mídia,
americano declara guerra a vizinho
árabe e sem perceber cai em uma
espiral de loucura que só o prejudica
Desde os ataques de 11 de setembro de 2001, os EUA entraram em uma nova era, um período marcado pela insegurança, suspeitas e aversão a estrangeiros, principalmente aqueles com traços de etnia árabe. O clima de tensão passava a ser observado diariamente em espaços públicos, como em aeroportos e shoppings centers que redobraram os cuidados com segurança, mas nestes casos ainda existe a justificativa de que isso é uma preocupação pelo bem social, regras básicas para uma sociedade se manter íntegra, ainda que em alguns casos as investigações sobre suspeitos foram absurdamente abusivas. E quando o pânico individual torna-se mais ameaçador que o medo coletivo, o que fazer? É sobre esse tema que se sustenta o suspense Paranoia Americana que procura retratar a situação psicológica dos norte-americanos diante do medo de novas ameaças. Se nem mesmo dois dos mais altos e pomposos edifícios do mundo escaparam de se tornar alvos fatais dos terroristas, episódio em que centenas de pessoas faleceram, o que impediria novos ataques a outros símbolos da soberania dos EUA ou até mesmo a violência em massa para atacar civis através de atos aparentemente inofensivos? Quem diria que uma simples carta poderia conter substâncias mortais? Não é coisa de cinema. O mundo todo já viveu esse período do pânico das correspondências adulteradas, assim o receio de que o perigo poderia estar em qualquer lugar realmente tornou-se algo perturbador e é por esse viés que segue a trama escrita por Andrew Joiner. O protagonista Terry Allen (Peter Krause) é o responsável por envolver o espectador em um crescente clima de tensão conforme ele abdica de seus interesses pessoais para tratar de uma especulação que se torna uma obsessão. Profissional da área de contabilidade, o rapaz acabou perdendo seu emprego por conta de um corte de gastos da empresa e isso dias antes de mais um aniversário da tragédia ocorrida com as Torres Gêmeas. Com a recessão do mercado ele não consegue emprego e com tempo livre de sobra acaba se entretendo com os inevitáveis noticiários a respeito de terrorismo afinal sempre existe o temor de que com a proximidade da fatídica data algo de ruim possa novamente acontecer. Morador de um condomínio de classe média, certo noite observando a vista lhe chama a atenção seu novo vizinho, Gabe Hassan (Khaled Abol Naga), um jovem cujos traços físicos não negam sua descendência árabe, o bastante para fazer o desempregado ficar com a pulga atrás da orelha.

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