sábado, 18 de janeiro de 2014

MENTES DIABÓLICAS

Nota 5,5 Suspense psicológico tem boa premissa, mas se perde em seu clímax, um tanto confuso

Adolescentes problemáticos são fontes inesgotáveis de inspiração para o cinema, principalmente aqueles com mentes privilegiadas, mas estado emocional instável. Mentes Diabólicas acompanha o caso do jovem Alex Bennett (Eddie Redmayne) que está preso por conta da morte de Nigel Colby (Tom Sturridge). O rapaz alega que o amigo precisava realmente morrer e que na hora que isso aconteceu ele teve a impressão de ouvir estranhos sons, como se os deuses festejassem tal fato. Apesar de aparentemente confessar o crime e terem sido encontrados resíduos de pólvora em suas mãos, não há provas claras para indiciá-lo, mas o detetive Martin Mckenzie (Richard Roxburgh) está certo que o garoto é um assassino psicótico que não tem remorso de seus atos, porém, trabalha sob a pressão do pai do suspeito (Patrick Malahide), um homem influente disposto a fazer de tudo para abafar o caso. A psicóloga Sally Rowe (Toni Collette) então é chamada para ajudar nas investigações e logo no primeiro encontro com Alex percebe que ele tem conhecimentos a respeito de História e religião que influenciam diretamente em seu cotidiano. Ele fala sobre Gestalt, um grupo organizado no qual cada parte individual influencia a todas as outras, sendo o bem estar do conjunto o mais importante. A morte de Nigel poderia estar ligada a esse conceito de preservação de um bem maior. O longa escrito e dirigido por Gregory J. Read aposta em flashbacks que ilustram as conversas entre o detento e a médica e assim ficamos conhecendo um pouco a respeito do convívio dele com o rapaz assassinado. Alex se interessou por Nigel logo que o novato chegou na escola porque ele era diferente dos outros garotos, nutrindo interesse por assuntos mórbidos e bizarros. Obrigados a dividir o mesmo quarto no colégio interno, inicialmente os dois não se davam bem. O pai de Alex é o diretor do colégio e obrigava seu filho a viver naquele ambiente sufocante e sem lhe oferecer regalias, exigindo que fosse um aluno brilhante e não abria mão de que ele dividisse seu dormitório com outro estudante. Como forma de demonstrar rebeldia, o jovem confrontava os ensinamentos religiosos e históricos das aulas. Tal empáfia justifica a forma agressiva com que ele se comporta na delegacia, tirando do sério os policiais, mas Sally quer conduzir o caso ao seu modo, na base do diálogo e da interpretação.

O chefão do colégio tomou conhecimento das excentricidades de Nigel, como manter no quarto uma coleção de animais empalhados, mas não quis tomar qualquer tipo de atitude que o repreendesse por ser filho de um conhecido seu e de posses. Com o tempo, o novato e o filho do diretor acabam se aproximando pelo exercício da tolerância. Certa noite, Alex leva Nigel para um passeio de trem à força com a ajuda de Josh (Jonathan Overton), outro estudante, este que acaba se desequilibrando e cai do vagão, sendo decapitado por conta da velocidade do veículo. Nutrindo uma espécie de raiva em relação ao excêntrico colega que julga ter negado salvar a vida do outro e ainda descobrindo que ele pode estar apaixonado por Susan (Kate Maberly), por quem Alex também demonstrava afeto, é curioso que ambos acabam ficando mais próximos e Nigel parece ler os pensamentos do amigo. O que poderia ligar estes rapazes que tinham motivos plausíveis para se odiarem até o final da vida? Até a parte em que eles convivem com algumas reticências, Mentes Diabólicas segue de forma intrigante e funcional, mas a partir do momento em que é revelado um segredo que explica o porquê desta relação de amor e ódio a tendência é que as expectativas diminuam. Muita coisa ainda está para acontecer depois desta revelação, inclusive a Dra. Sally vai a campo para confirmar se as declarações de Alex são verdadeiras e se surpreende com suas descobertas, mas o problema é que o roteiro passa a seguir um viés confuso abordando uma seita secreta baseada em histórias da época dos cavaleiros templários, uma viagem envolvendo simbolismos e rituais que fogem um pouco da proposta realista defendida por Read até então. Todavia, este suspense consegue entreter sem precisar apelar para sustos, sangue ou violência extrema, preferindo manter a tensão psicológica, afinal de contas de mentes insanas tudo é possível, imagine então neste caso que são duas. Na realidade, esta fita pode interessar bastante aos profissionais e estudantes da área de psicologia e afins, pois o citado Gestalt é uma teoria interessantíssima que visa explicar como uma mente mais evoluída consegue exercer poder de manipulação sobre outra mais suscetível, no caso de Alex sendo justificada por um histórico familiar conturbado que o tornou frágil e alvo fácil de dominação apesar da aparente valentia, chegando a casos em que elas se fundem em uma só através do compartilhamento de pensamentos semelhantes. Vale uma conferida.

Suspense - 105 min - 2006 

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