sábado, 14 de dezembro de 2013

SEGREDOS NA NOITE

Nota 4,0 Boa premissa e bons ganchos são desperdiçado em suspense arrastado e sem clímax

Robin Williams é um ator sinônimo de comédia devido aos seus trabalhos consagrados no gênero, no entanto, seu talento também já foi emprestado com sucesso a dramas e suspenses, mas é uma pena que nem sempre essa fuga do terreno seguro seja proveitosa como prova Segredos na Noite. O problema não é especificamente o ator, que está cativante como de costume, mas seu personagem é limitado demais para os conflitos que carrega, assim como a história criada por Armistead Maupin, Terry Anderson e Patrick Anderson que parece nunca sair do lugar. Muitas cabeças para pensar em um roteiro tão fraquinho e que poderia ser perdoado caso o clímax compensasse, mas parece que nunca chegamos a tal ponto. O que poderia ser um suspense razoável acaba sendo mais parecido com um drama arrastado por vezes sustentado a um fiapo de enredo. Contudo, existem bons ganchos na trama, porém, extremamente mal aproveitados. Baseado em fatos reais que deram origem a um romance do próprio Maupin, a trama gira em torno de Gabriel Noone (Williams), o apresentador de um famoso programa noturno de rádio no qual faz relatos sobre assuntos cotidianos e conquistou uma audiência cativa ao expor seu relacionamento com Jess (Bobby Cannavale), um homossexual portador de HIV e muitos anos mais jovem. A exposição fez com que a relação dos dois estremecesse e o rapaz decide ir embora de casa e nesse momento difícil o radialista acaba se entretendo com uma misteriosa história. Ele recebe do amigo Ashe (Joe Morton) o esboço de um livro redigido por um grande fã seu, Pete Logand (Rory Culkin), um adolescente de 14 anos que relata os abusos que sofreu dos próprios pais que realizavam orgias com outros adultos e as filmagens eram vendidas pela internet. Após tais crimes serem descobertos, a justiça determinou que o garoto fosse criado pela assistente social Donna (Toni Collette) com quem Noone passa a manter contato por telefone. A identificação acontece principalmente porque o garoto também é aidético, mas não teve chances de se tratar como Jess, assim ele constantemente é internado no hospital por conta de complicações respiratórias e tinha nas palavras de seu ídolo o conforto necessário para suportar a doença.

O tempo passa e poucas vezes Noone conseguiu conversar por telefone com Pete, mas as gravações do garoto e de sua tutora na secretária eletrônica deixam Jess desconfiado, pois ambas as vozes são muito parecidas, apenas com leves alterações. O rapaz acredita que o ex-companheiro pode estar sendo vítima de algum golpista que no mínimo quer ludibriá-lo para ter seu livro publicado e insiste que ele deve ter provas de que o garoto realmente existe, afinal até o próprio Ashe só teve contatos telefônicos. O radialista é convidado para passar o natal com Donna e Pete, porém, mais uma vez a frágil saúde do menino impede o encontro. Mesmo assim, Noone está muito envolvido com esta história e decide lutar para publicar a obra de seu fã, mas além da recusa das editoras ele tem mais uma decepção: não existe nenhum registro de julgamento envolvendo o nome de Pete. Ele então decide viajar para Winsconsin para tirar tudo a limpo, mas tem certa dificuldade para encontrar o endereço de Donna, ou melhor, ela o surpreende quando ele estava prestes a desistir. Ela é uma deficiente visual que aparentemente cuida com carinho do filho adotivo, no entanto, sempre tem uma desculpa para justificar a ausência dele. Pete existe mesmo? Donna quer dar um jeito de conseguir dinheiro com uma mentira? O diretor Patrick Stetner consegue criar um eficiente clima de tensão diluído em uma narrativa levemente arrastada, mas não espere por sustos. Acompanhamos intrigados o desenrolar da trama, mas no final recebemos um balde de água gelada justamente por a trama surpreender, porém, apostando em uma explicação científica para o caso. A justificativa é plausível, mas pouco comum. Segredos na Noite consegue entreter caso o espectador não crie grandes expectativas, mas no final fica a sensação amarga de que o longa é superficial e despreza bons ganchos como explorar melhor a relação entre Noone e Jess e os motivos que levaram o protagonista a ser tão solitário e carente a ponto de colocar um desconhecido, mesmo que a distância, para ocupar de certa forma a vaga deixada por seu companheiro em sua mente e seu coração.

Suspense - 90 min - 2006 

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