sábado, 28 de julho de 2012

SETENTA E CINCO

Nota 4,0 Mais um serial killer está a solta para matar jovens, mas não é original nem no figurino

Os filmes de seriais killers já tiveram sua fase de ouro nos anos 80 quando os indestrutíveis Freddy Krueger e Jason Voorhees tiraram o sono de muita gente em uma série de filmes que tiveram seus altos e baixos. Muitas cópias do estilo surgiram e este subgênero de terror acabou entrando em decadência até que Pânico surgiu em meados da década de 1990 para dar um novo gás a ele. Depois mais uma série de assassinos sádicos foram criados para matar rapazes malhados e mocinhas com corpos bem torneados. O resultado é que esse tipo de produção não surpreende mais, apresenta sustos previamente anunciados e quase sempre apelam ao sexo para prender a atenção da plateia adolescente. Todavia, assistir a um trabalho do tipo hoje em dia, seja ele antigo ou atual, é um programa bastante satisfatório para os fãs de horror. Eles sabem perfeitamente o que vão encontrar, mas o importante é sentir a adrenalina, o coração falar mais alto a cada nova cena de matança. Analisando dessa maneira, Setenta e Cinco cumpre razoavelmente seus objetivos. No passado, um grupo de crianças se divertia em uma noite qualquer com um jogo que uma delas inventou. A brincadeira consiste em segurar uma pessoa desconhecida em uma chamada telefônica por um minuto e quinze segundos contando uma história qualquer. Obviamente o trote favorito é pregar peças envolvendo temas pesados e que mexam com as emoções, como um pedido de ajuda por conta de uma ameaça ou até mesmo morte, mas o problema é que nunca se sabe quem está do outro lado da linha. Um dos enganados se enfurece, descobre a origem do telefonema e vai até o local promover uma série de assassinatos usando um machado. Anos depois, as crianças que sobreviveram ao massacre são agora jovens universitários que querem comemorar o encerramento do ano letivo. Um grupo de amigos é convidado para uma festa em uma isolada mansão, mas o que era para ser uma noite de alegria acaba se tornando um pesadelo macabro por conta de um telefonema. 

A dupla de diretores Deon Taylor e Brian Hooks (que também interpreta Marcus um dos personagens principais) começa bem com uma introdução instigante que alterna os créditos iniciais com o surgimento da brincadeira que dá título ao filme supostamente inspirado em fatos reais. Os primeiros minutos passam a sensação de que a produção pode surpreender, no entanto, apesar da premissa interessante, o que vem a seguir é absolutamente manjado. Sustos falsos, jogos de câmera, barulhos estratégicos, uma universidade, jovens loucos por sexo e bebidas e não falta nem mesmo uma paradinha em um lugar nada auspicioso em meio a uma estrada deserta. Isso sem falar na trucagem da trilha sonora equivocadamente elevada nos momentos inoportunos, ou seja, quando deveríamos nos assustar somos preparados para a surpresa segundos ou até minutos antes. Também temos o casarão isolado, uma inexplicável escuridão dentro dele, o sumiço proposital de boa parte dos participantes da festa de uma hora para a outra e até câmeras espalhadas pela casa com a explicação que seriam usadas para um reality show que foi abortado. O acabadinho Rutger Hauer, único conhecido do elenco, entra em cena como o detetive John Criton, aquele papel do cara que tenta ser mais esperto que as vítimas, mas é tão patético quanto elas. O roteiro escrito pelos próprios cineastas é repleto de clichês e excessos, mas não se pode condená-los afinal eles usaram a mesma fórmula que há décadas faz jovens espectadores pularem do sofá. Nas cenas de morte, que é o real foco do público deste filme, os diretores também seguem a cartilha do gênero e não inovam, mas a conclusão e a revelação de quem está por trás dos assassinatos pelo menos é plausível. Para quem curte esse tipo de filme, Setenta e Cinco é uma boa opção para um passatempo despretensioso e com direito a um gancho para uma possível continuação que acabou não sendo realizada, mas no cinemão americano nunca é tarde para uma parte dois. A título de curiosidade: o figurino do vilão, um casacão com gola de pelos, lembra ao do assassino do primeiro Lenda Urbana, longa que rendeu mais duas continuações diretamente para locadoras e lojas e que está com a série encerrada até segunda ordem.  

Terror - 98 min - 2007 - Dê sua opinião abaixo.

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