domingo, 5 de outubro de 2014

APAIXONADOS EM NOVA YORK

Nota 1,5 Com indefinição de gênero, longa não emociona e tampouco diverte, apenas entedia

Qualquer filme que tenha no título algo relacionado a amor tem público cativo e a quantia só tende a aumentar quando atrelada a ideia de que a ação se passa em algum grande centro turístico. A receita é infalível para conquistar a mulherada, certo? Deve ter sido um pensamento ridículo desses que motivaram o batismo de Apaixonados em Nova York para um filme estranhíssimo. O conflito amoroso é esquecido pouco depois da metade e é até difícil catalogar o filme em um gênero específico. Com roteiro e direção de Frank Whaley, com carreira mais promissora como ator sendo destaque no suspense Temos Vagas, a trama começa com ares de comédia romântica com um quê de produção independente. Owen (Freddie Prinze Jr.) vai ao cinema com a namorada Lynn (Jamie-Lynn Sigler), mas está visivelmente incomodado. Enquanto ela está entretida com um filme cult francês, ele está com a cabeça bem longe, mais especificamente em um barzinho onde seu amigo de infância Ray (Chris Klein) costuma se apresentar com sua banda. Na comparação, digamos que o rapaz tem muito mais afinidades com o músico, afinal não dispensam festas e bebidas. A diferença é que um tem consciência que cresceu, embora ainda meta os pés pelas mãos com frequência, e o outro tenta prolongar sua adolescência ao máximo, perdendo a noção de limites. Certa noite, Ray convence seu amigo mais certinho a ir a uma festinha particular repleta de marmanjos acéfalos e garotas sem um pingo de pudor e como mentira tem perna curta é óbvio que chegará o momento em que a pulada de cerca chegará aos ouvidos de Lynn. Desfeito o noivado, o gancho é lembrado vez ou outra, mas o filme ganha outro rumo. Owen sempre sonhou em ser cineasta (seu entusiasmo com o tal filme europeu demonstra sua aptidão para o ramo) e realizou um curta-metragem que acabou sendo selecionado para um festival no Kansas. Por ter atuado na produção, Ray é convidado a acompanhá-lo na viagem, mas sempre se comportando como uma criança acaba se fazendo passar pelo filho de um importante produtor, tudo para conseguir se instalar em uma suíte de luxo e posar de playboy para a mulherada.

Não é preciso ser adivinho para saber os desdobramentos da farsa. Ray é tão irritante, não só por seu perfil estereotipado, mas também por trazer resquícios do que havia de pior de outros personagens feitos por Klein, que é difícil simpatizarmos com sua figura, ainda mais quando descobrimos que um crianção como ele já é pai. O clichê é necessário para justificar a conclusão que por incrível que pareça é bastante satisfatória, apesar de não resgatar o gancho romântico do enredo e priorizar os resultados do amadurecimento forçado dos protagonistas. É justamente essa falta de foco o que mais incomoda. A primeira parte, típica de comédias adolescentes que só pensam em curtição, não funciona como deveria e acaba por enfraquecer as tentativas do enredo seguir o caminho da seriedade discutindo relações, sejam elas amorosas ou de amizade, até porque para cada papo sério surgem cinco piadinhas clichês ou idiotas para justificar a rotulagem de gênero.  O próprio Whaley cava uma pontinha como um motorista atrapalhado que em nada acrescenta à trama, apenas tenta injetar humor em um produto que carece de identidade. Apaixonados em Nova York frustra quem busca romance, comédia ou simplesmente apreciar a paisagem da metrópole norte-americana (aliás, que não é captada nem de longe como cartão-postal). Todavia, a essência, discutir o amadurecimento e como ele ou sua falta influência nas relações interpessoais, deixam aquela sensação de que o diretor até tinha boas ideias e intenções, mas faltou lapidar o material. O elenco insosso contribui para que nem a parte dramática funcione. De onde saiu a intérprete de Lynn? Tentando compor a moça ajuizada, justamente o que os homens buscam para casar e não para se divertir, a atriz constrói uma personagem sem graça e que não cativa o espectador a torcer pela felicidade do casal, talvez por isso mesmo o segmento seja abandonado no meio do caminho. Prinze também contribui para isso, mas suas interpretações pouco inspiradas já são suas marcas registradas. No final das contas, é Klein reciclando o papel de inconsequente quem sai menos chamuscado da parada, mas o saldo da produção é bastante negativo. Atira-se para tudo quanto é lado, mas não se acerta alvo algum.

Comédia Romântica - 103 min - 2007 

-->
APAIXONADOS EM NOVA YORK - Deixe sua opinião ou expectativa sobre o filme
1 – 2 Ruim, uma perda de tempo
3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
5 – 6 Bom, cumpre o que promete
7 – 8 Ótimo, tem mais pontos positivos que negativos
9 – 10 Excelente, praticamente perfeito do início ao fim
Votar
resultado parcial...

Nenhum comentário:

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...