sábado, 7 de setembro de 2019

HUSH - A MORTE OUVE

Nota 7,0 Apesar da ideia batida, fita ganha fôlego com limitações da mocinha e vilão sem escrúpulos

A Netflix virou a casa das pequenas fitas de horror e suspense. Pequenas em todos os sentidos. Além do baixo orçamento, são produções de durações enxutas, roteiro engessado e elenco com no máximo três pessoas, sem contar um ou outro que surge em poucas cenas e em nada agregam. Contudo, é preciso constatar: a maioria resulta em excelentes passatempos. Isso se você não for muito exigente e tiver boa vontade para engolir certos exageros e devaneios e Hush - A Morte Ouve não foge à regra, apesar da premissa curiosa e os primeiros minutos serem instigantes.  O que uma pessoa surda, muda e solitária faria para se defender no caso de ser perseguida por um psicopata?. Mantida para causar impacto, a palavra em inglês do título significa silêncio e isso é ao que basicamente se resume a vida da escritora Maddie (Kate Siegel) que perdeu a audição e a capacidade de falar ainda muito jovem. Como a maioria dos profissionais da área, a moça resolveu viver isolada em uma casa de campo onde poderia se inspirar e criar com mais tranquilidade, tendo como único contato pessoal a vizinha Sarah (Samantha Sloyan). Certa noite, surge em sua porta um criminoso (John Gallagher Jr.) disposto a não violentá-la sexualmente, mas sim psicologicamente e até a morte. O diretor Mike Flanagan não enrola e logo coloca vítima e algoz frente a frente, mas não sem antes usar a técnica de usar a câmera como visão de um personagem. O psicopata, mascarado e armado com flechas, não mantém certa distância para observar seu alvo. Ele literalmente se põe a observar a moça plantado em sua porta e ainda ousa a provocar com batidas no vidro, uma maneira de se divertir antes de entrar em ação, afinal de contas fizesse o barulho que fosse ela nem se daria conta por causa de sua deficiência. Ele consegue entrar com facilidade da casa, mas não a ataca de imediato. Surrupia o seu iphone para através de fotos evidenciar sua presença e quando a moça se dá conta que está em perigo consegue a tempo prender o bandido do lado de fora, mas na verdade é ela quem está presa em uma armadilha em sua própria casa. Com tudo meticulosamente calculado, o bandido trata de furar os pneus do carro da jovem e cortar a energia elétrica, assim são apenas os dois em um jogo travado em imitado espaço físico e sob a penumbra da noite.

Se o vilão consegue entrar na casa e se aproximar da vítima facilmente, por que não fez o que pretendia de uma vez? Muitos podem questionar a estupidez do psicopata e reclamar das tentativas ridículas da moça em tentar fugir, todas obviamente a colocando em risco eminente, mas não há explicações plausíveis para atos de pessoas cruéis e insanas assim como na hora da tensão dificilmente alguém seria capaz de bolar um plano brilhante de fuga com todos os riscos calculados. A oportunidade faz o ladrão da mesma forma que encoraja quem está em perigo. O negócio é não se preocupar com detalhes facilmente percebidos por quem está de fora da situação e embarcar no jogo de gato e rato proposto pelo roteiro escrito pelo diretor em parceria com sua protagonista. Casados na vida real, o argumento surgiu de uma despretensiosa conversa entre os dois divagando sobre os perigos de uma mulher viver sozinha em um ambiente distante de tudo e de todos, ainda com o acréscimo dela ter certas limitações para levar uma vida completamente normal, o que traz certo frescor ao tema já bastante explorado e desobriga a produção de recorrer a recursos sonoros estridentes. Se já é assustador ouvir sinais de que está em perigo, imagine não poder identificar sons e depender apenas da visão. Dessa forma, Flanagan explora bastante as aparições repentinas do algoz e a vigília da vítima à expectativa de algum momento de descuido dele para fugir. Gravado em apenas 18 dias e praticamente sem diálogos, Hush - A Morte Ouve claramente tem inspiração em outros filmes, como o francês Eles e o hollywoodiano Os Estranhos, nos quais ataques domiciliares são realizados sem motivos aparentes, o que pouco implica quando o que está em jogo é o grau de tensão que a trama quer alcançar. Nesse ponto, a produção se sobressai com um crescente clima nervoso ativado pelas excelentes atuações, mesmo que os motivos para o ataque do vilão não sejam expostos. Só é uma pena que a conclusão seja extremamente previsível, mas o importante é ser surpreendido pelos caminhos que levaram a tal clímax.

Terror - 87 min - 2016
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