domingo, 2 de março de 2014

REGRAS DO BROOKLYN

Nota 6,0 Três amigos de infância buscam rumos para suas vidas paralelo as ameaças da máfia

Filmes enfocando o mundo da máfia são sinônimos de tiroteios, perseguições, mulheres promíscuas, jogatinas e muita bebida e cigarro. Obras cujo tema central é a valorização da amizade nos remetem a sentimentalismo, momentos de brigas, reflexão e aquele pezinho no passado para atingir em cheio o emocional do espectador. Poderia máfia e amizade dividirem espaço em um mesmo filme? A resposta é sim como prova o drama Regras do Brooklyn que usa a criminalidade como pano de fundo para contar a história de carinho, frustrações e sonhos de três jovens amigos que se conheceram ainda na infância. Desde pequenos cada um tinha personalidades bem definidas, mas quando entraram na fase adulta, nos efervescentes anos 80, todos descobriram responsabilidades que os fizeram trilhar caminhos diferenciados, mas ainda assim mantendo a amizade. Michael Turner (Freddie Prinze Jr.), Carmine Macuso (Scott Caan) e Bobby Canzoneri (Jerry Ferrara) se acostumaram a viver em uma cidade perigosa, tanto que ainda novinhos não estranharam nada ao se depararem com um cadáver baleado dentro de um carro, por exemplo, mas de certa forma o fato do distrito ser dominado pela máfia neste momento acabou interferindo drasticamente em suas vidas. Se antes eles imaginavam que suas únicas preocupações na juventude seriam quanto a relacionamentos e responsabilidades profissionais, agora eles também tinham que lidar com a constante sensação de perigo que criou raízes em seus cotidianos. Contudo, eles lidavam bem com a situação, tanto que o fato de Carmine estar nutrindo relações muito próximas com o grupo mafioso chefiado por Caesar Manganaro (Alec Baldwin) não abalou as ligações entre os três... Pelo menos não inicialmente. Todos educados em colégio católico, os rapazes têm objetivos distintos para trilhar o futuro. Enquanto o vaidoso Carmine se entusiasma com o dinheiro fácil da vida na máfia, Bobby já é mais modesto e só quer se casar e tentar um emprego como carteiro, algo que combina com sua inerente avareza. Já Michael confia que seu talento para contar mentiras pode lhe ajudar a seguir carreira como advogado, mas procura seguir seu caminho com seriedade e na base da honestidade.

O roteiro de Terence Winter, que até então tinha escrito pouco mais de vinte episódios do seriado de sucesso “Família Soprano”, é generoso com o elenco jovem desenvolvendo suas tramas a contento e interligando-as de forma coesa. Prinze acaba assumindo o posto de protagonista pelo fato da história ser narrada sob o ponto de vista de seu personagem que ainda tem um gancho romântico para se sustentar. Ele se apaixona por Ellen (Mena Suvari), colega de classe que foi criada em outra cidade e que aparentemente pertence a uma classe social mais abastada, motivo que faz com que Michael esconda levemente quem realmente ele é, mas obviamente um momento a máscara cai, justamente quando ele compra briga com Gino (Christian Maelen), um cara metido a valentão. Com esse episódio, infortunadamente Michael acaba selando o seu destino e o de seus amigos que agora se encontram direta ou indiretamente ligados ao mafioso Caesar que a qualquer momento pode ser a nova vítima da guerra iniciada entre as gangues criminosas que passam a disputar o poder soberano do crime organizado no Brooklyn após o assassinato do antigo chefão do submundo. Mirando em alvos com qualquer tipo de relação com mafiosos, sempre pode sobrar uma bala perdida para algum inocente. Com direção de Michael Corrente, de Provocação, Regras do Brooklyn caminha do início ao fim de forma envolvente, mesmo tendo como personagens principais tipos estereotipados (o gordinho boa-praça, o bonitão displicente, o amigo certinho) e os vilões da história serem apresentados de forma escamoteada. Nomes de chefes de gangues são citados apenas para situar o espectador quanto a periculosidade da situação de uma cidade nas mãos do crime, um fato real que dá mais credibilidade à trama. Caesar sabemos que não é flor que se cheire, mas na maior parte das suas cenas ele parece um sujeito do bem, ou melhor, disposto a ajudar quem está do seu lado. Gino, pela sede de se vingar da surra que leva de um estudante e assim restabelecer sua honra, acaba assumindo o posto de vilão tardiamente, mas algo crucial para chegarmos a uma conclusão emocionante e que nos faz rever nossos conceitos e valores a respeito das amizades, um sentimento infelizmente cada vez mais escasso.

Drama - 100 min - 2007 

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