
Filmes com animais fofinhos e
falantes já fazem parte do universo cinematográfico há várias décadas, mas será
que ainda existe público para este tipo de produção? A resposta é sim! Basta
prestar atenção na quantidade de reprises de produções do gênero na TV aberta
ou fechada. Talvez o que seja um pouco arriscado é lançar um filme do tipo para
ocupar salas de cinemas, ainda mais hoje em dia quando enredos singelos e com
mensagens edificantes são massacrados pela concorrência de produções lotadas de
efeitos especiais de ponta e imagens espetaculares. A situação não era muito
diferente em 2005, tanto que
Deu Zebra! passou
despercebido pelas telonas. O roteiro criado por David Schmidt dosa bem humor,
aventura e drama leve para contar a história de Listrado, uma zebra que foi
adotada pelo fazendeiro Nolan Walsh (Bruce Greenwood) quando ainda era
filhotinho após perder-se durante uma noite de tempestade da companhia circense
da qual fazia parte. Contudo, o animal cresceu acreditando ser um cavalo dotado
de uma característica especial, as listras, e com aptidões para um dia se
tornar um campeão de corridas, um sonho também alimentado por seu dono, um
treinador de equinos aposentado recentemente, e por sua filha, a jovem e
entusiasmada Channing (Hayden Panttiere). A garota é tão ambiciosa quanto seu
mais novo animal de estimação e também sonha em sagrar-se campeã em uma
corrida, mas seu pai a proíbe traumatizado por ter perdido a esposa justamente
durante uma competição no hipódromo. Desde que chegou na fazenda, Listrado
causa estranhamento entre os outros bichos, sendo a cabra Franny a mais
amigável entre todos e o cavalo Tuck o menos receptivo e, por ironia do
destino, é justamente ele que no futuro terá importância para a realização do
sonho da destemida zebra que terá que treinar muito para superar dificuldades e
preconceitos e ainda dar uma lição à dona do haras vizinho, a vaidosa e
gananciosa Clara Dalrymple (Wendie Malick).

Embora neste caso tenha em jogo a
dor de um viúvo que desiste até da profissão que tanto amava a favor do luto,
jamais esse gancho dramático tomas as rédeas da narrativa, assim mantendo o
filme com um clima alto astral quase ininterrupto. É claro que muitos podem
acusar esta produção de uma total falta de originalidade, afinal filmes sobre
cavalos de corrida desacreditados são corriqueiros em Hollywood, todavia a
ideia de colocar uma zebra como protagonista é bem-vinda. Também podem apontar
que este seria quase um plágio de
Babe -
O Porquinho Atrapalhado, provavelmente o mais bem sucedido dos filmes desta
seara, ambas as produções destacando a organização dos animais como uma alusão
à representação do mundo dos humanos. A diferença ficaria pelo humor em doses
mais generosas oferecidas por
Deu Zebra!
cujo diretor Frederik Du Chau, que voltaria anos depois a lidar com um protagonista
animal em
Vira-Lata, certamente não
deve ter pensado neste trabalho como algo grandioso. Suas intenções era apenas
realizar um entretenimento leve e sadio reaproveitando clichês e piadas censura
limpa. A equipe de efeitos especiais teve bastante trabalho para lidar com
diversas espécies de animais, entre eles um galo atrapalhado, um divertido pelicano,
um preguiçoso cão de guarda e até duas mosquinhas responsáveis pela piadas mais
escatológicas e escrachadas, além é claro de dezenas de cavalos entre eles uma
égua que não esconde sua admiração pela corajosa zebrinha. Aliás, vale destacar
o cuidado em observar as personalidades e gestuais de cada espécie a fim de
traçar uma paralelo de fácil identificação com o comportamento humano. Honesto
em sua proposta, o filme diverte e traz boas lições de moral às crianças quanto
a preconceitos e superação, mas adultos também podem e devem assistir de
coração aberto e um sorriso no rosto. Ao final, não importa a idade, todos devem
se sentir com seu humor e esperanças renovados.
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