Nota 1,0 Mesmo com roteiro investindo em uma inversão de papeis, suspense é frio e arrastado

Bancado pela produtora Hammer Films, lendária empresa especializada em terror e suspense que teve seus anos de glória entre as décadas de 1950 e 1970 trazendo às telas diversas produções de baixo orçamento, muitas protagonizadas por Drácula, Frankenstein e companhia bela, A Inquilina foi mais um tentativa falha do estúdio de recuperar seu status. Seguindo um estilo bastante em evidência em sua época de lançamento, o longa é praticamente todo filmado em um mesmo ambiente, ou ao menos suas cenas principais. Com espaço limitado e de pouca iluminação, por natureza o próprio cenário propiciaria um importante aparato para provocar sustos com aquela sensação de que algo inesperado ou suspeito pode se espreitar em qualquer canto e que não há para onde fugir. Todavia, o finlandês Antti Jokinen, então estreando como diretor de longas após construir sua carreira no mundo dos videoclipes e publicidade, parece não saber tirar o melhor proveito de sua direção de arte e se apoia em imagens clichês. Comandar atores também não parece ser seu forte. Juliet é ingênua e delicada demais para o perfil de Swank a quem o público se acostumou a ver dominando personagens fortes e com certa dose de masculinidade, assim a atriz fica fora do contexto até porque a tal mulher do título a certa altura perde sua importância na trama. Ela serve apenas como elemento introdutório ao misterioso imóvel e para apresentação dos demais habitantes do edifício. Porém, ocorre uma mudança de perspectiva e Morgan passa a ser o protagonista. Cheio de obsessões, o público passa a temer por Max sempre na iminência de que pode ser flagrado no interior do apartamento, como na cena em que ele se deita debaixo da cama enquanto Juliet está dormindo. A tensão então não age mais sobre a suposta vítima, mas sim sobre seu algoz. Seu intérprete convence com a perversão exigida, mas infelizmente o roteiro nunca deixa claro seus motivos para tanto e mesmo com a inversão de arquétipos o longa não decola e o espectador o acompanha passivamente. A participação do icônico Christopher Lee, grande estrela dos sucessos da produtora, sugestionava que seu August, um dos vizinhos da nova moradora, seria uma grande chave para desvendar algum mistério, mas o ator é desperdiçado assim como Lee Pace que vive Jack, o companheiro da jovem que não apimenta o enredo.
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