domingo, 4 de agosto de 2019

UM DOMINGO DE CHUVA

Nota 6,0 Sem maniqueísmos drama recicla clichê do crescimento pessoal pela troca de experiências

Basta estender uma mão para tentar mudar uma vida. No caso do longa Um Domingo de Chuva a ajuda tem via dupla e ambos os lados se beneficiam. Reggie (Julian Skatkin) é um menino prodígio e único filho de uma milionária que reside em um luxuoso castelo incrustado em meio a agitada cidade Nova York, porém, é uma criança solitária e reprimida. Órfão de pai, o garoto não tem do que se queixar em termos materiais dos tratos de sua mãe, porém, ela fica a dever quanto a carinho e dedicação sendo uma pessoa quase ausente em casa. Quando surge a oportunidade de uma vaga para ser babá dele, a jovem Eleanor (Leighton Meester) a agarra com todas as suas forças a fim de superar um mal momento. Musicista desempregada e decepcionada após brigar com Dênis (Billie Joe Armstrong), seu namorado machista, ela se vê obrigada a recomeçar sua vida do zero, mas o convívio entre ela e o menino inicialmente não é dos melhores por conta de suas personalidades opostas. Ele é inteligente e sério demais para a idade enquanto ela é até bastante responsável, mas sabe levar a vida com mais leveza e alegria apesar dos pesares. Obviamente, a convivência forçada acaba criando um grande laço de amizade entre eles. O argumento não é lá muito original, de fato é bem parecido com o de Grande Menina, Pequena Mulher e de tantas outras produções que de tão genéricas até nos escapam os nomes, mas se as comédias românticas reciclam ideias e por vezes alcançam sucesso por que outros gêneros também não poderiam se beneficiar dando cara nova a histórias batidas? Fugindo dos estereótipos da criança chata versus a adulta infantilóide, o diretor e roteirista Frank Whaley, mais conhecido por seu trabalho como ator em diversos seriados, soube usar o clichê a seu favor e criou dois personagens bastante humanos, com doses semelhantes de defeitos e virtudes, e de perfis de fácil identificação com o público.

Reggie tem uma afinidade natural com a música erudita, tem um bom conhecimento sobre artes em geral, um paladar refinado, mas por trás do semblante elitizado esconde-se uma criança com sentimentos contidos e de bom coração. Boa parte de seu estilo sério e retraído se deve à criação dada por Bárbara (Debra Messing), aquele tipo de mãe ausente que acha que uma criação de valor implica oferecer todos os luxos possíveis e cobrar que o filho seja o melhor aluno da classe. Faltou carinho em sua criação, mas nem por isso o garoto cresce revoltado, pelo contrário. Atitudes como não desmerecer as comidas latinas oferecidas por sua cozinheira mesmo as odiando ou andar de transporte público e deixar o motorista livre para passar mais tempo com o filho deficiente revertem facilmente a imagem ruim que podíamos cultivar a respeito de Reggie. Já Eleanor, de origem humilde, além de infeliz no amor também tem uma relação complicada com sua família e não teve muitas oportunidades na vida. Contudo, ela não se deslumbra com o que poderia vir a conquistar trabalhando como babá de uma criança rica e de imediato conquista a simpatia do espectador estabelecendo uma relação quase maternal com o garoto. Essa relação sincera e amorosa é o grande interesse de Um Domingo de Chuva, cujo título nacional pouco ou nada tem a ver com a trama, salvo a paisagem nublada quase constante. É um filme singelo e carismático que traz vários elementos típicos das produções independentes, contudo, de fácil comunicação com os mais diversos públicos, inclusive o infantil. Whaley constrói uma obra que valoriza o significado da vida, das relações humanas, dos aprendizados que temos com as decepções  e, que acima de tudo, mostra que todos nasceram com o direito a ser feliz. Basta cada um aceitar essa dádiva como uma missão e fazer por onde merecê-la. Importante ressaltar que o diretor descarta o manjado truque de alterar a personalidade de seus protagonistas devido ao convívio. Apesar da inevitável troca de experiências, do início ao fim, Reggie e Eleanor continuam as mesmas pessoas quanto aos seus modos de agir e pensar. Apenas encontram o equilíbrio para uma convivência em harmonia e assim conseguem humanizar uma história bastante corriqueira. É na simplicidade que se encontra o brilho desta fita.

Drama - 104 min - 2014

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