sábado, 3 de agosto de 2019

PAIXÃO BANDIDA

Nota 1,0 Mescla de comédia romântica com ação policial resulta em algo insosso e sem propósito

Desde que o mundo é mundo as histórias acerca de relações fraternas provam que, além de amor, podem ser permeadas de ódio e não são poucos os casos que comprovam isso. É desse argumento que parte Paixão Bandida uma comédia de humor negro com toques de filme policial que foi enterrada pelo passar dos anos. E com toda a razão. Contando com protagonistas hoje famosos, mas na época engatinhando na profissão, é perceptível a falta de pulso na direção e na condução da trama e o resultado é um longa medíocre e sem justificativa para ter sido feito. Quando o casal Clayton se separa cada uma das partes fica com a tutela de um filho, já que os irmãos nunca se deram bem. Sam (Vicent D'Onofrio), o mais velho, fazia questão de aprontar o tempo todo com Jjaks (Keanu Reeves) e a separação parecia a única maneira de manter as coisas sob controle, isso até o casamento do primogênito quando eles se reencontram a pedido da mãe após vinte anos de afastamento. O evento na verdade é uma farsa, pois Freddie (Cameron Diaz), a noiva, está sendo obrigada a se casar. Ela é acusada de desfalque pelos bandidos com os quais seu verdadeiro marido está envolvido e precisa se unir a um pretendente rico para aplicar um golpe. Abandonando o sonho de ir para Las Vegas e tentar a vida artística, ela acaba aceitando se casar, mas o plano começa a ruir logo no dia das bodas. Basta cruzar seus olhos com os de Jjaks para que a moça, sem saber que ele é seu futuro cunhado, apaixone-se à primeira vista. E assim o reencontro dos irmãos não é, como eles próprios previam, algo fácil e agora eles tem uma nova razão para se odiar: estão apaixonados pela mesma mulher. Quando Freddie convence seu verdadeiro amor a fugir com ela, o casal passa a ser perseguido por Sam e seus amigos e começa a viver uma rotina de chantagens, trapaças e ataques de violência.

Os casos de irmãos que agem entre si como se fossem desconhecidos são mais comuns do que se imagina e praticamente todos os dias são registradas histórias sobre disputas, discussões e até mesmo mortes envolvendo os motivos mais variados, sejam eles tolos ou torpes. No mundo da fama, a inimizade fraterna já envolveu nomes famosos como das irmãs e atrizes Olivia de Havilland e Joan Fontaine  e dos diretores Riccardo e Federico Fellini, ambos os casos envolvendo disputas sobre quem tinha mais talento. Os famosos Rocco e Seus Irmãos e O Que Terá Acontecido a Baby Jane? são dois exemplos de filmes que abordam a relação fraterna em seus pior sentido, mas Paixão Bandida passa longe de apresentar o quão pesada e perigosa pode se tornar a relação entre irmãos quando há algo desejável para ambos em jogo. Steven Baigelman escreveu o roteiro sem grandes pretensões buscando uma primeira oportunidade no cinema, mas acabou tendo a chance de também assumir a direção do longa que ainda teve o apoio do Sundance Instituto mantido pelo ator e diretor Robert Redford a fim de fomentar a produção de filmes independentes em solo americano. Deveriam ter analisado melhor o projeto. Vendido como um trabalho provocativo no estilo de Fargo - Uma Comédia de Erros, na época em evidência e um comparativo de elogio, a fita produzida pelo também ator e diretor Danny DeVito não sabe onde quer chegar e de fato não chega a lugar algum, sendo uma diversão (ou um aborrecimento?) que não deixa lembranças nem mesmo negativas. É fácil esquecer. Reeves e Diaz, topando qualquer parada para se firmarem na carreira após  o sucesso de Velocidade Máxima e O Máskara, respectivamente, estão em cena mais pela beleza e simpatia e trabalham no piloto automático. Uma pena. O argumento em si não é dos piores, mas a condução do roteiro jogou tudo por terra. Na ânsia de ser engraçado e ao mesmo tempo palpitante, o filme não atinge nenhum dos objetivos, sendo o tédio a única certeza.

Comédia - 95 min - 1996
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