Nota 3,0 Mais um serial killer indestrutível e repetitivo tenta inaugurar franquia de terror

Não há magia
que salve o roteiro de Flint Dille, John Zuur e Brandon Boyce da mesmice. Três
cabeças para pensar em uma trama que se resume as mesmas perseguições,
gritarias e banhos de sangue que preenchem dez em cada dez filmes de seriais
killers? O filme não traz novidade alguma e até repete erros de outras
produções do tipo, como a fotografia excessivamente escura que esconde os momentos
principais, ou seja, quando os adolescentes babacas são mutilados. O diretor
Jim Gillespie, que se saiu muito melhor no comando de Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, demonstra ter sangue
frio e cria dolorosas e violentas cenas de assassinato, com destaque para uma
jovem que perde a vida empalada num galho de uma árvore, um dos poucos takes
bem registrados pela câmera. A trama de Venom é desenvolvida sem grandes
momentos, mas vale um elogio pelo clima dark concebido, uma noite de horror que
podia ir além, mas esbarra em bobagens como a crença de se refugiar na cabana
da tal feiticeira acreditando que o local é protegido por magia. Nada que um
arpão estilhaçando as vidraças não resolva para o vilão saciar sua sede de
vingança. Tendo como arma principal um pé-de-cabra, mas sabendo manejar tantas
outras e se aproveitar dos pontos de perigo dos cenários, o assassino em vida
fora vítima de humilhações do grupo de jovens que persegue simplesmente por ser
um tipo mais acanhado, um prato cheio para os descolados tripudiarem. A se
todos os tímidos pudessem se vingar tão cruelmente... Epa! A vingança nunca é
plena, mata a alma e a envenena. Literalmente é alimentado de veneno que nosso
vilão ressurge do mundo dos mortos com seu porte físico e aspecto de arrepiar,
mas é uma pena que sua odisseia seja igual a de tantos outros assassinos que
são perfurados, baleados, extirpados e até queimados. Sofrem o diabo, porém,
quando menos se espera voltam à cena indicando uma possível e desnecessária
continuação. Felizmente nosso homem-cobra, desculpe o trocadilho, foi jogado
para as cobras, mesmo com nomes de peso na produção como o de Kevin Williamson,
roteirista que revitalizou o gênero de terror no final dos anos 90, e dos
irmãos Bob e Harvey Weinstein, executivos alçados a padrinhos dos filmes de
baixo orçamentos.
Terror - 85 min - 2005
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